Tenho esperança nas pessoas, nos indivíduos.
Porque não se sabe o que vai surgir das ruínas... O perdão de si mesmo é o mais
difícil de todos os perdões...
Pensamento ao som do álbum Whistle Down
the Wind (Razor & Tie, 2018), da cantora, compositora e ativista
estadunidense Joan Baez (Joan Chandos Baez). Veja mais aqui.
Na pisada do toré (Uma canção pra cunhantã
Chenoa) – Vivos olhos nativos afagam meu coração mestiço.
Eram faróis na majestosa acangatara e com a graça de suas pestanas suspensas
exalando o cheiro quente do afeto. E a sua delicada voz a me embalar num tapete
mágico feito de nuvem baixinha passageira. É ela minha filha vestal com seu
penacho de fogo, uma estrela Maire-monã que me diz da criança ainda por nascer
na gravidez dos caminhos. E da sua boca juvenil os cantares semeiam anunciando
os festivos renascimentos com todo brilho da palavra perdida e nela ascendemos pela
chuva a lavar dentro de mim o que rega a terra e amadurece ao paladar os doces frutos
e inebria com o bálsamo das flores ao olfato, abraça saberes e sabores sem que
haja explicações. Não há porquês, tudo é onde qualquer domicílio e quando todos
os momentos do visinvisível na festa dos milagres, que nem são só mais desdobramentos
do que é uno e suas tantas outras metades pelos grãos, chuviscos, ondas do mar,
remoinhos dos rios, faíscas do fogo, a brisa dos ventos, a poeira do chão abrigo
dos meus mortos sagrados, o arco-íris e o avesso do ermo: oásis se expande
sorridente para a profusão dos dançares das plantações, dos brincares de
véspera das colheitas, dos teceres e as parições da vertigem da vida pelos abismos,
o botão de rosa, as flores do jardim, o voo dos pássaros, os galhos das folhas,
as pedras do caminho, o alto da montanha, os nomes chamados e as celebrações dos
estiares na plenitude do Sol. E os falares reluzem as pálpebras pros olhos serenos,
ternura de mãe. E o eco da voz é minha e a de todos os ninguéns, porque a Lua
alumia as noites na palma da mão e revela as linhas dos recados ancestrais Quechuas, Mapuche, Navajo, Maia, Guarani,
Yanomami, Haudenosaunee e de todos os originários de Abya Yala que somos. E suas
mãos desenham no ar todas as fábulas do imaginário
pela magia invisível das sombras das fruteiras, das oferendas dos pomares e pelos
passos das estradas, contando a distância limítrofe do que há por trás de todos
os mistérios: as águas são espelhos e tudo respira mostrando as coisas secretas
para a alma atenta, que sente as sutis emanações pelas brechas que guardam as
vozes escondidas de Iara que é Boiúna, a Cobra-Grande, com seus olhos de fogo e
chifres refulgentes de quem vive no fundo dos rios e Jaci já vem com um buriti,
o cipó dos sonhos, a nos avisar que Ceiuci anda faminta e não amedronta, não
mais que as mais de quinhentas vagantes inexatidões mais esgarçadas, dos desfeitos
laços e a esperança fugidia à espera, como uma criança desolada por ver nossos
extravios, a ameaça do medo e a culpa imposta. Não mais a casa da infância destruída
e os que procuram por si próprios e não se encontram, tontos com as voltas do
mundo nas longas noites asfixiantes dos que ganham e perdem entre os que foram caraíbas
perós e outros invasores. Porque no espelho das águas o outro lado escondido das
coisas: a casca de ovo se quebra para realizarmos o dia inventando a noite enluarada,
um canto proutrantos e
todocês. Até mais ver.
Rigoberta Menchú: Os povos indígenas nunca tiveram, e ainda não têm, o lugar que deveriam ter ocupado no progresso e nos benefícios da ciência e da tecnologia, embora representassem uma base importante para esse desenvolvimento... Que haja liberdade para os indígenas, onde quer que estejam no Continente Americano ou em outro lugar do mundo, porque enquanto estiverem vivos, um brilho de esperança estará vivo, bem como um verdadeiro conceito de vida... Veja mais aqui.
Patti Smith: Liberdade é... o direito de escrever as palavras erradas... Acredito que nós, este planeta, ainda não vivemos nossa
Era de Ouro. Todos dizem que acabou... a arte acabou, o rock and roll morreu,
Deus morreu. Que se dane! Esta é a minha chance no mundo. Eu não vivi lá na
Mesopotâmia, não estive no Jardim do Éden, não estive com o Imperador Han,
estou aqui e agora e quero que agora seja a Era de Ouro... se ao menos cada
geração percebesse que o momento para a grandeza é agora, enquanto estão
vivos... o momento de florescer é agora... Faça com que suas interações com as
pessoas sejam transformadoras, e não apenas transacionais... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui &
aqui.
Simone de
Beauvoir: Mude sua
vida hoje. Não jogue no futuro, aja agora, sem demora... A palavra amor não tem
de modo algum o mesmo sentido para ambos os sexos, e esta é uma causa dos
graves mal-entendidos que os dividem... Desejo que cada vida humana seja pura
liberdade transparente... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui
& aqui.
QUERO QUE VOCÊ SAIBA
Imagem: AcervoLAM.
Quero que você saiba \ com que cuidado? \
Reguei os brotos tenros. \ você plantou \ no meu pequeno jardim. \ Agora,
flores enfeitam o chão. \ As frutas estão maduras. \ Venha \ Traga uma cesta de
vime resistente \ e traga consigo também \ o melhor vinho de palma \ que seu
especialista em tapping \ possa preparar \ Devemos festejar e beber vinho \ até
altas horas da madrugada \ dos nossos breves dias juntos \ Alegria e amor \
será o nosso dia a dia \ canções de colheita.
Poema da escritora, dramaturga, editora,
professora e ativista queniana Micere Githae Mugo (Madeleine Micere
Githae – 1942-2023), que foi perseguida, prasa e exilada em 1982, por conta da
ditadura que se instalou em seu país, coibindo sua luta contra os abusos aos
direitos humanos. A partir de 1984 tornou-se cidadã do Zimbábue: Sou filha
do universo, já morei em quase todos os continentes. Escrever pode ser uma
tábua de salvação, especialmente quando sua existência foi negada,
especialmente quando você foi deixado à margem, especialmente quando sua vida e
processo de crescimento foram submetidos a tentativas de estrangulamento.
VÁ DIZER ÀS ABELHAS QUE EU FUI EMBORA - [...] Você não
deixa de amar alguém só porque essa pessoa morreu [...] As refeições
eram o meu tormento diário; não tanto o trabalho constante de colher, limpar,
picar e cozinhar — embora essas atividades fossem bastante desagradáveis por si
só — mas principalmente a tarefa interminável de lembrar o
que tínhamos à mão e equilibrar o esforço necessário para tornar a
comida comestível com a consciência do que
poderia estragar se não a comêssemos
imediatamente. [...] Mas cada um de nós é chamado a viver a vida nos pequenos
momentos; a praticar a bondade, a arriscar nossos sentimentos, a dar uma chance
a alguém, a atender às necessidades das pessoas que amamos. Porque Deus está em
toda parte e vive em todos nós. Esses pequenos momentos são Dele. [...] O
corpo forma cicatrizes internas, assim como cicatrizes superficiais, quando uma
ferida cicatriza — e o mesmo acontece com a mente. [...] O perdão faz
com que as coisas desapareçam. [...] Ao longo dos anos, vi muitos pacientes
doces, amáveis e dóceis, que sucumbiram em
poucas horas às suas doenças. Os filhos da
puta raivosos, irascíveis e difíceis (de ambos os sexos) quase sempre
sobreviviam. [...] Quando se tem filhos, existe aquele pequeno período em que você
é tudo o que eles precisam. E então eles saem dos seus braços e você fica com
medo de novo, porque agora você sabe todas as coisas que poderiam machucá-los,
e você não consegue protegê-los. [...]. Trechos extraídos da obra Go Tell the Bees That I am Gone (Century, 2021), da escritora estadunidense Diana
Gabaldon (Diana Jacqueline Gabaldon), que também expressa: O que está
subjacente à grande ciência é o que está subjacente à grande arte, seja ela
visual ou escrita, e essa é a capacidade de distinguir padrões fora do caos...
Veja mais aqui, aqui & aqui.
O PAPEL DA EDUCAÇÃO
ESTÉTICA NO COTIDIANO - [...] A educação estética em nosso
cotidiano é, portanto, inestimável para questionar várias premissas estéticas
que regem nossas vidas e sociedade, desenvolvendo o que pode ser chamado de
alfabetização e vigilância estética, ao estarmos cientes das consequências
dessas premissas, direcionando nosso poder reside na criação de um mundo justo,
humano e sustentável, e na promoção de uma vida sustentada e enriquecida pelas
relações estéticas que formamos com os outros, sejam pessoas, natureza ou mundo
artefatual. Somos empoderados e responsáveis por moldar o mundo por meio de
nossas práticas cotidianas, e a
estética desempenha um papel
surpreendentemente significativo. [...]. Trecho extraído do estudo The Role
of Aesthetic Education in Everyday Life (Philosophy of Education Society of
Great Britain, 2025), da filósofa e professora japonesa Yuriko Saito,
que é autora da obra Everyday
Aesthetics ( Oxford
University Press, 2010), no qual analisa a sensibilidade aos objetos e às
pessoas em uma ampla gama de artes e ofícios japoneses, incluindo paisagismo,
haicai, pintura, cerâmica e culinária, enfatizando que o cultivo de uma atitude
moral em relação às coisas é frequentemente praticado por meio de recursos
estéticos. Veja mais aqui & aqui.
JAQUE MONTEIRO & I OFICINA DE CATADUPAS
DO BRASIL
Foi lançado o livro da I Oficina de Catadupas
do Brasil - 2025, uma parceria das poetas jaque monteiro, a criadora do
gênero poético, ministrante e coordenadora da Oficina, e noi soul, do
Projeto Pulsão Poética, que passou a ser a Madrinha da Catadupa e coordenadora
da Oficina. Trata-se de um puro movimento, assim como uma cachoeira,
representando inovação no cenário literário brasileiro e um gesto de amor pela
língua portuguesa. O livro reúne poemas dos primeiros poetas catadupistas
brasileiros. Confira a entrevista com os poemas de Jaque Monteiro aqui
e detalhes sobre o livro aqui. E mais aqui.
&
ADMMAURO GOMMES & O SONHO DA CIGARRA
O professor de
Teoria Literária, poeta, cronista e membro da Academia Palmarense de Letras
(APLE), Admmauro Gommes, comenta a publicação do livro infantil O
Sonho da Cigarra (Asinha, 2025), da palmarense Taciana Cruz e de sua
filha Kristina Cruz, nascida na então República Theca, hoje Tchéquia.
Confira aqui & mais aqui.
A poesia de Manuel Bandeira aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
Ana Lins & a Revolução Pernambucana aqui.
A pedagogia de Paulo Freire aqui, aqui, aqui,
aqui & aqui.
A arte de Tereza Costa Rego aqui, aqui, aqui,
aqui & aqui.
A arte de Abelardo da Hora aqui, aqui, aqui
& aqui.
A arte de Geninha da Rosa Borges aqui, aqui,
aqui, aqui & aqui.
A música de Moacir Santos aqui, aqui, aqui,
aqui, aqui, aqui & aqui.
A poesia de Cida Pedrosa aqui & aqui.
A arte do Mestre Vitalino aqui, aqui &
aqui.
A arte de Bia Villa-Chan aqui.
Veja Portfólio aqui.






