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Mostrando postagens de Abril, 2017

DRUMMOND, DEGAS, ELIS REGINA, MACEIÓ, DANÇA & ALTAS HORAS DA MADRUGADA

ALTAS HORAS DA MADRUGADA - Imagem: Maceió, foto de Gustavo Rocha. - Chove lá fora meu coração, há tempo falo sozinho no trâmite da solidão, há tempo que eu mesmo não sei. Aos quatro ventos me molharia até onde a chuva do meu choro levar. Quero apenas um copo d’água, nem isso, um copo d’água apenas e suas mãos, muito obrigado. Apesar de saudável, fui examinado e condenado porque minha doença é estar vivo: açoitado por todos, fui declarado imundo e me lançaram fora do arraial. Estrangeiro eu sou, previ a insônia: querem levar meu futuro roubando meu sono. Tenho a casa e a glória no vento, meus bolsos estão vazios. Roto, mutilado, desfaleci e tive que apodrecer para reconstruir meu mundo. Fui até o fundo do inferno e estou armado de luz. Anjo algum avisou e só me acrescenta às perdas, Quixote dos meus ideais. Por vontade própria optei pela solidão, vou só, coração a bombordo, lutando contra meus próprios moinhos de vento. Na minha morte me recusarão o chão, não terei nada e serei feliz n…

CLARICE LISPECTOR, GABRIELA MORAWETZ, SUE ADAMS, LUCIAH LOPEZ & O AMOR MOVE SERES E COISAS

O AMOR MOVE SERES E COISAS – Imagem: arte da poeta, artista visual e blogueira Luciah Lopez. - É nela que sou afoito menino grande entre as cores de suas estrelas aladas no céu do seu paraíso, a tomar pra mim tudo o que é de sonhos e desejos na sua grandeza deificada mais que real. Sou quem recolhe a virente emanação dos seus campos férteis abertos para lavrar a terra na alvura do seu ventre, semeando nos prazeres ocultos da sua carne viva suplicante, a espoleta certa da explosão em festa maior que a coroação de todas as glórias possíveis e inimagináveis. É nela o motivo de alvorecer o dia com todas as libações no que jorra cachoeira farta do seu flavo riso, a me abrigar nos seus flavescentes lábios que me tingem rubras febres fervidas na paixão mais que transbordante. É nela que o anil da tarde azuleja a vida que as minhas mãos esperam e mais se esmeram ao toque na maciez do seu afago e o encanto dos seus zis feitiços que se derramam em profusão entre abraços, beijos e entregas. É ne…

CARLOS MATUS, ANGELS DE RUSSEL JAMES, AGNES-CECILE, RENATO DONZELL & VARAL DA VIDA

VARAL DA VIDA - Imagem: Varal da vida, do artista plástico, designer de produtos e ilustrador Renato Donzell. - Tal como uma roupa num varal, a gente segue a vida ao sabor dos ventos que vão e vêm. Um dia folha, outro algodão, pedra cravada no chão, ou fruto sujeito às rondas dos famintos. De qualquer forma é uma viagem, senão física por paisagens e paragens, pela imaginação ou sonhos de olhos abertos ou fechados. Isso sim, a vida é uma viagem, desejada ou sujeita ao inevitável, é a vida. Tem quem se deixe levar, sem ter nem saber o que fazer, como se tudo estivesse previamente traçado, irrecorrivelmente trilhado para se ter onde ir e que vá, dê no que dê. Há quem prefira ter leme e diligente traçar seu próprio trajeto por retas, curvas, catombos, aclives e declives. Se vier a tempestade, que Deus acuda. Depois a bonança, graças a Deus. Afora isso, as escolhas cônscias e as irrefletidas, opções planejadas, mudanças de rumo e perdeu a passada. O tempo não para, não dá pra demorar, é só…

LORCA, BERNARD LOWN, MAGDALENA CAMPOS-PONS & AMOR EM ALAGOINHANDUBA

AMOR EM ALAGOINHANDUBA - Alagoinhanduba é um lugar que não existe, só no meu coração e na minha molecagem de aprendiz de poetastro. Para ela eu faria uma canção de amor de filho pródigo desterrado. Todavia, ela é a minha casa, meu abrigo e lugar. Nela sobrevivo e angario meu sustento, alimento esperanças, vomito decepções. Quando ela chora, estou desolado. É quando sei de suas angústias e frustrações: ela sempre sonhou imortalizada feito Macondo, Antares, Dublin, ou o Aquário das Cobras, ou mesmo aquela que Paris só é melhor à noite. Infelizmente, o único filho que se poderia considerar por ilustre, desculpe a imodéstia, sou eu aquele que é o cúmulo do anonimato entre os inúteis. Triste sina, a dela. A par de tudo isso, asseguro: ela é só de nome, um distrito perdido no mapa, onde a vida mais parece desenho animado. Não há rio, deságua seus lamaçais. Todo dia e o ano todo, a vida é uma só: ou chuva, ou ensolarada, só inverno ou verão, sem meio termo, só eu e ela, meio a meio. As suas …