sábado, outubro 17, 2026

ANNE CARSON, FRANÇOISE VERGÈS, TAHMIMA ANAM & SETÍGONO

 

 Imagem: Pulsações caósmicas, da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM.

 


Em rota de colisão, a sorte fecha a cara & teibei!... – Jesus Zé enganchou-se na porta giratória: Ó mata-burro! Opa! Ele retrocedeu ao perceber outra pessoa engatada, do outro lado, recuando também. Foi necessária intervenção do vigilante, enfim, desembaraçando a passagem. Aí ele entrou; ela, saiu. Pronto, resolvido. Lá dentro, ambiente lotadíssimo: Ué, como coube tanta gente aqui? Puxou a ficha de atendimento e apurou: Vixe, a senha do fim do mundo, nunca serei atendido! Ora. Lá na expectativa, maior lentidão, os olhos às voltas com os ponteiros do relógio e a morosidade emperrada no expediente abarrotado. Zanzou impaciente espremendo-se entre um e outro, ia e voltava, tudo na mesma, já mais de meia hora, a fila na mesma e ele secando os cambitos, quarando, empachado. Num ímpeto aborreceu-se, quase deixa tudo pra lá, não fosse a porta bloquear: De novo? Esse troço não foi com a minha cara! Ao sacolejar aos empurrões, quase causou um acidente na outra pessoa entrante. Coincidência: era a mesma pessoa que havia saído anteriormente, quando ele tentou entrar. Eita! Duas vezes? É sinal... Afastou-se, nova intervenção do segurança, porta desenguiçada. Ufa! Tácita repreensão geral pesou no ar. Desculpe, minha senhora, está bem? Não foi nada. De soslaio, a aguda e unânime reprovação: A coisa aqui tá pesando pra minha banda. E ele só queria ali mesmo era um buraco no chão pra se socar e sumir. Desconfortavelmente indeciso, tentou sair de vez, hesitou; foi prestar assistência à quase vitimada, foi dispensado. Ficou ali encostado, contando carneirinhos entretido de nem se dar conta de 1, 2, 3 horas, naquele impasse: Argh! Ah, flagrou uma cadeira vazia, correu pra se aboletar brincando consigo: Foi passear, perdeu o lugar; daqui não saio, ninguém me tira! Um milagre! Olhou do lado, ela, desculpou-se reiteradamente. Não foi nada. Essa espera dá nos nervos. É. E nos muitos guichês apenas 3 funcionárias se desdobravam: A população do mundo todo tá aqui para ser atendida, só sendo! Ela sorriu: Pelo jeito não seremos atendidos nunca! Ficaram sem jeito: nunca tinham se visto, nem se falado, ao menos. Na dele, passou um rabo de olho e viu-lhe ataviada. Hum... Nela um ar confiante, obstinada, os olhos alados e brandos, podia-se dizer, meigos; havia um quê de remota simpatia. E ele na sua angústia: Que morrinha! Ah, mas entre trombadas e empurrões de corpo, finalmente a fortuna poderia lhe sorrir ali: Será que dá cloro? Meditou apreensivo. E abriu o badalo, adiantando-se desenrolado: Com licença, sou escancha-parente de ninguém, de Jesus só o nome, na verdade sou apenas Zé, um faz-tudo, broco O pagador de promessas. Um vozerio enorme atrapalhou a conversa, logo amainou. E ela: Sim, o senhor ia dizendo mesmo o quê? Foram envolvidos por nova insatisfação generalizada. E virou-se ao ouvido dela: Aqui tá difícil. As funcionárias faziam o que podiam. Ela fitou-o esticando a conversa: As duas vítimas se confrontam! Como assim? Não vê? O quê? De um lado, 3 atendentes dão o sangue, a empresa devia contratar mais, todos se vingam nelas quando deveriam era amaldiçoar a empresa. Ah, é mesmo. De outro, todos nós queremos ser atendidos e já, não há solidariedade. Sim. Vamos mudar de assunto? Pode ser. O que você faz da vida? Sou um estornado! Estamos aqui no mesmo barco, mas não sou tão pessimista. Fazer o quê? Saindo daqui a vida flui. Sim, você está certa: é que já levei demais no espinhaço. E quem não? Riram. Prazer, Jesus Zé. Dália. Novo tumulto, uma funcionária mais altiva e experiente, jeitão de gerentona ou chefe dali, chamou a atenção de todos: Nós estamos aqui todas compenetradas e tentando atendê-los da melhor forma possível, pedimos paciência, tão logo atenderemos a todos. Óóóóóó! Aí ele aproveitou o deixa disso e falou pra ela das escolhas desastrosas: Veja só a minha vida, diga, quem eu julgava amigo me traiu; quem eu tinha por irmão, me negou 3 vezes; fui discriminado pelo sotaque de matuto dos cafundós e só se referem a mim com mangação; então, sigo os passos do pai que nunca tive, desenrolo; nasci dum parto fugitivo: mãe que nunca vi; fui criado por uma suposta avó que jamais foi; cresci fujão; o que via, aprendia; nunca fui ouro 18, aos solavancos levei tudo na caixa dos peitos, escapando, sempre à mercê da ventania e na pedra de Drummond: Tome, uma topada da porra, meu! Afora tudo isso: Uma fila enorme pra todo lado; e pulei muro, desci pelo esgoto, entalei no arame farpado e sempre empurrado portão afora. Ela arregalou-se e ele desembestou-se no tirinete. O tempo passava e a coisa mais que imobilizada, ele no blábláblá, esperava que ela bendissesse a sina dele e, ela, ele que juntasse os cacos do que sobrou e desse a cara à tapa. Não era outra a sua inacessível missão. Nem deu pra ver o ar de repugnância dela com a tagarelice dele, desajeitada, incomodada: Como é mesmo seu nome? Aí ela desanimou: Ele não era louro nem tinha os olhos verdes, do contrário, era pardo e com uns olhos amarelados e fundos; só podia: o destino quer mesmo me pregar uma peça, contraste cômico. Deu-lhe logo um fastio e, a cada pinoia dele, se assustava. Claro, teria muito do que se queixar, a espera na fila, a fadiga, o horror às baratas e muriçocas, indagaria, com certeza: Por que tanta coisa ruim, tanto bicho feio na face da Terra? Ele, mouco. Deus existe mesmo? Olvidava. Aí ele ficou destreinado, todo sem jeito, cheio de pernas, com remorso pelo que pudesse ter feito ali. Mais de 4 horas se passaram. E, de repente, a ficha deles: que coincidência! Graças, cada qual num guichê, falsos sorrisos mútuos pra todo lado. O atendimento de ambos, mesmo em guichês separados, foi concluído. Na saída, emparelharam-se. Primeiro, as damas. Não, pode ir. Não tenho pressa. Também não. Deu certo? Não, terei que voltar depois com outros documentos. E você? Esperar mais até não sei quando para retornar. Curioso: saíam igualmente, titubearam aos balbucios. O senhor vai ou não? Pode ir. Pronde a senhora vai? Morrer! E danou-se porta afora deixando-o com cara de alesado que perdeu a condução. Ele teve um choque com o que ela disse e, no apavoro, engasgado com tudo pela goela, viu-se desenganchar dentro de si: Não vou fazer nada? Cadê-la? Ela sumira mais que apressada para nunca mais... Até mais ver.  

 

Arthur Rimbaud: Transformei silêncios e noites em palavras. O que era indizível, eu escrevi. Fiz o mundo giratório parar... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Elif Shafak: Tente não resistir às mudanças que surgem em seu caminho. Em vez disso, deixe a vida viver através de você. E não se preocupe se a sua cabeça der uma volta de ponta-cabeça. Como você sabe que o lado a que você está acostumado é melhor do que o que está por vir?... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Alaa Murabit: Eu sempre serei a garota que acreditava que podia chegar à lua, em um mundo que ainda debate se as garotas devem ter educação e se as mulheres devem ter direitos reprodutivos... Veja mais aqui.

 

BREVE PALESTRA SOBRE O HOMO SAPIENS

Imagem: Trâmite da motilidade espermática, da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM.

Com pequenos cortes, o homem de Cro-Magnon registrava \ as fases da lua nos cabos de suas \ ferramentas, pensando nela enquanto trabalhava. \ Animais. Horizonte. Rosto em uma panela d'água. \ Em toda história que conto, chega \ um ponto em que não consigo enxergar mais nada. \ Odeio esse ponto. É por isso que \ chamam os contadores de histórias de cegos — uma provocação.

Poema da premiada escritora canadense Anne Carson. Veja mais aqui, aqui & aqui.

 

A ESPOSA DA STARTUP - […] Todas as grandes histórias de amor são sobre duas pessoas que unem a história de seus passados e a história de seus presentes em um poema épico entrelaçado — e é isso que querem dizer quando falam que o raio cai. [...] Os professores são as pessoas com quem convivemos mais intimamente durante uma fase da vida, mas a relação é voltada para nós; eles se deixam em segundo plano para servir de canal para o nosso crescimento. [...] A tecnologia nos permite deixar de fazer coisas que não queremos mais fazer. Como chamar um táxi na rua ou enviar faxes. Ninguém quer encarar a morte. E agora não precisamos mais. [...] Não posso deixar de sentir que cada pequeno sucesso é um pequeno foda-se para todas as pessoas que olharam feio para minha mãe em seu sári no Walmart, ou pronunciaram meu nome incorretamente, embora tivesse apenas quatro letras, ou disseram algo casualmente racista e depois disseram: “Mas não me refiro a você”. [...] Ele espiona você. Ele extrai seus dados. Ele arranca sua alma e depois a revende para você. Ele foi projetado para fazer você gastar dinheiro, de modo que fique ocupado demais comprando para perceber que o mundo está pegando fogo. […] Será que eu lamentava o fato de Cyrus ser branco? Para dizer a verdade, às vezes sim. Se Cyrus fosse bengali, eu não precisaria explicar por que roer a ponta de uma coxa de frango era talvez a melhor parte da refeição, ou por que existiam roupas de sair, roupas de ficar em casa e aquelas roupas intermediárias que a gente vestia ao chegar, sem estar pronta para ir para a cama. Eu não teria de explicar todas as regras complicadas sobre onde se pode ou não colocar os pés, nem que ele até podia me beijar na frente dos meus pais, mas não na boca e, certamente, jamais com língua. Mas o que eu achava infinitamente pior era tentar avaliar se um homem tinha a dose certa de "marrom" em si. Ele precisava entender de coxas de frango e de sapatos e não odiar a si mesmo, mas também não podia ser apaixonado demais pela mãe, nem imaginar que eu trocaria mais fraldas do que ele, ou jamais — em hipótese alguma — se sentir atraído pela ideia de me ver de hijab. Ele tinha de ser três partes Tagore, uma parte Drake e uma parte e. e. cummings — isso sem nem entrar no mérito de eu sentir um arrepio só de sentir o cheiro do rosto dele. Então, não: eu não queria ficar pensando na brancura de Cyrus; eu só queria aproveitar o cheiro dele, o pau dele de tamanho perfeito e o fato de que, entre todas as pessoas que conheci na vida, ele era quem mais me passava a sensação de estar em casa. [...]. Trechos extraídos da obra The Startup Wife (Scribner, 2022), da escritora e jornalista de Bangladesh, Tahmima Anam, autora de livros como The Bones of Grace (2016), The Good Muslim (2011) e A Golden Age (2008).

 

FEMINISMO DECOLONIAL - [...] A missão do feminismo civilizacional é clara: as mulheres europeias estão embarcando em uma cruzada contra a discriminação sexista e os símbolos de subordinação que persistem em sociedades fora da Europa Ocidental; elas se apresentam como um exército defendendo o continente de uma invasão de ideias, práticas, mulheres e homens que ameaçam suas conquistas. Essa narrativa é patentemente falsa. Ela serviu para despolitizar as lutas das mulheres da década de 1970, para ofuscar as mulheres do Terceiro Mundo e para apagar as conquistas do feminismo negro. A liberdade individual — eu me visto como quero (mas não posso usar véu) — torna-se o símbolo das lutas da década de 1970; isso é um claro insulto às lutas das mulheres trabalhadoras, imigrantes e refugiadas políticas. A luta do feminismo civilizacional é elevada a uma batalha universal entre o bem e o mal. [...] Para se tornar um movimento consolidado e não uma ideologia marginal, para entrar nos corredores do poder, para convencer o Estado e o capital de que existe um feminismo que não só não representa uma ameaça para eles, como também pode se tornar sua arma ideológica e política, o feminismo civilizacional teve que se transformar no feminismo militante, substituindo seus oponentes da época (o patriarcado branco, o Estado e o capital) pelo Islã. [...]. Trecho extraído da obra Un féminisme decolonial (‎Fabrique, 2019), da cientista política e ativista francesa Françoise Vergès. Veja mais aqui & aqui.

 


TEATRO & CINEMA: O PAGADOR DE PROMESSAS - A peça teatral O pagador de Promessas (Agir, 1961), do escritor, dramaturgo, autor de telenovelas e membro da Academia Brasileira de Letras, Dias Gomes (Alfredo de Freitas Dias Gomes – 1922-1999), foi escrita em 1959 e estreou nos palcos brasileiros em 1960, no Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), em São Paulo. Embasou o filme O pagador de Promessas (1962), escrito e dirigido pelo ator, roteirista, escritor e cineasta, Anselmo Duarte (Anselmo Duarte Bento – 1920-2009), tornando-se o primeiro sul-americano a vencer a Palma de Ouro no Festival de Cannes (em 1962) e o primeiro indicado brasileiro ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro (em 1963), um marco para as artes cênicas e o cinema brasileiro. Confira detalhes aqui.


 

ANCESTRALIDADE NOS TEMPOS ATUAIS – O tema da ancestralidade tem permeado debates e discussões, trazendo reflexões por meio de depoimentos e poemas de personalidades, tais como Wole Soyinka, Jones Manoel, Nelly Sachs, Conceição Lima, Sónia Sultuane, Marco Nicolini, Augusto Boal, Malika Mokeddem, Vanessa Martínez Rivero, Sinéad Gleeson, Cindy Sheehan & Ruby Bridges. Confira aqui.


 

CANTO & SOU XEXÉU – O livro autoral Canto & sou xexéu (CriArt, 2023) foi lançado com tiragem limitado e feito em homenagem à memória de Gercino Gonçalves de Lima e à convivência de infância e adolescência, durante a trajetória de passagem do distrito a Município, articulando ancestralidade a partir do passarinho e sua convivência com marimbondos e vespas durante período pandêmico, a trajetória de seu êxodo por Macaco e Aurora, atravessando acontecimentos históricos que permearam as litas pernambucanas durante a passagem dos séculos, até alcançar a sua transformação em humano no século 20. Veja detalhes aqui.


 

JUPI – Este o 8º episódio das Aventuras do Nitolino no Valuna, contemplando desta feita, Jupi e as Mulheres Fulni-ô, contando da história triste de um beija-flor no olho d’água dos Ouricury - sigilo yaathe e sagrado Fulni-ô -, da palmeira e o jardineiro, dos sítios Catonho, Miné, Pau-Ferro, Raposa e Xícurus, dos rios da Chata e o do Retiro, dos riachos do Estreito e da Volta do Rio, desde o Peri-Peri, das missangas e das gentes de Areias, Barro Vermelho, Lagoa da Pedra, Marmeleiro, Miné, Pau-Ferro, Rio da Chata, Saco-dos-bois, Santa Rosa, Serrinha e Várzea da Raposa. Veja mais aqui.

 


PINTANDO NA PRAÇA & IBAVALEUNA – O projeto Pintando na Praça é desenvolvido pelo Instituto de Belas Artes Vale do Una (IbaValeUna), desde de 2010, comandado pelo poeta e artista visual, Paulo Profeta. Nesta postagem registra-se as edições de 2017 a 2023, culminando com a publicação do catálogo Pintando nas Praças de Pernambuco (Funcultura, 2025). Confira aqui.

 

ISTO É PERNAMBUCO

Feira de Literatura & Artes dos Palmares (FLIARP), de 19 a 23 de outubro, no Complexo Esportivo Portelão, Palmares – PE. No dia 21, às 20h, com o lançamento do livro Setígono: Teoria, história e poesia, de Admmauro Gommes, José Durán y Durán e Luiz Alberto Machado, na Plataforma Rio Una do evento. Veja mais aqui, aqui & aqui.


 


sábado, outubro 10, 2026

RAQUEL VARELA, OMAIMA AL-KHAMIS, OLIVE SENIOR & SANDRA RIBEIRO

 

Imagem: Contornos da ubiquidade, da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM.

 


Ressaca aluada de panaceia insólita… - Zeca Biu chegou em casa avexado de sede e foi logo pra geladeira, pegou uma garrafa, sacudiu no copo e tomou de vez, de quase cair pra trás! Ah, bá! Não se sentiu lá assim muito bem, pois, logo a vista embaçou, uma tontura redemoinhada levou-lo aos giros do planeta, cambaleou, segurando-se como podia de tão grogue que ficou e, aos tombos desmazelados, arreou pesado no canto, arrastou-se à porta do quarto, jogando-se na primeira cama que encontrou: buft! Maior ronco. Eita! Logo deu de cara com um vetusto nigromante, no meio duma estrada perdida. Onde estou? Pronde vai? Ora, não sei! Prum menino atilado, parece ainda tão donzelão!? Oxe! Tome tento, rapaz! Quem é você? Digamos: YHWH! Hum? Deixa pra lá, alesado. SOS! Olhe: saia dessa anemoia, dessa monachopsis, torne-se você! Eu? De súbito o ensolarado nublou, raios e trovões, coisa de procela medonha logo estiada na percepção do cenário: A vida dele era um horripilante sorriso de Glasgow. Vôte! Ele enocegou apalermado e viu uma perna enganchar-se na outra, os braços esticarem-se às avessas, os dedos envergados na palma da mão desmunhecada, o braço dando volta, o muque amolecendo, as canelas entortadas, a corcunda inchar-se, os olhos destrambelharem-se, a boca entronchada nos beiços virados, a língua enrolada pra dentro da garganta, venta espragatada de tapar a respiração, os ossos crescendo, o quengo pesando, o peito abrindo-se, o bucho inchando, os pés se encolhendo, a bunda esticando, desmanchando-se numa autocalosotomia involuntária, aos peidos de cagar-se todo: Tô virando bicho, socorrrrrr...! Póim! E quase comeu-se a si mesmo, ouroboros. Tá doido? Nisso agitou-se desnorteado com seu imobilismo bizarro e só via o mundo rodando de pernas pro ar, e quanto mais corria, não saía do lugar, cansou-se e cambotou desabado: Ploft! Não se sabe quando, enfim, despertou ofegante de tão agoniado. A mãe do lado: Calma, meu filho! Onde estou? Na enfermaria do quartel! Como assim? Você pegou a folga e teve um piripaque lá em casa! Em casa? Sim. Há quanto tempo estou aqui? Mais de 6 meses em coma. E os bichos do quintal? Tudo sadio. Ah, bom, tive um pesadelo. Agora relaxe. Não lembro de nada! Vieram médicos e levaram-no pra exames: foi revirado, esmurrado, sacudido, estapeado; no final: jogaram pra cima e deixaram-no estatelar-se ao chão: Tá curado, pronto! Isso levou umas 8 horas de tetei e, depois, empurraram-no de volta, na marra. Cadê minha mãe? Já vem. Pouco tempo depois a genitora reapareceu enxugando os olhos. Que foi? Você está de alta, vamos pra casa já. Como? Foi uma correria. Ali mesmo já tramou escabroso, como quem pegou asa e mergulhou profundamente nas suas visagens tresloucadas. Foi obrigado a manter-se de resguardo, por um bom tempo acamado, o que não o deteve de suas neuroses estapafúrdias: danou-se a trocar pinto por hipopótamo, gogo por rinoceronte, fazendo conta cantarolando: Um pra eu, um pra tu, um pra eu!... Pagava 5, levava 10. De novo! Tais ligado, Anselmo? Nessa hora a mãe trouxe uma bombástica nova pro seu ganhador aberto: uma polpuda herança a que tinha direito do espólio de seu falecido genitor e do inventário da matriarca: Tava de cu pra lua, né? Regozijou-se: Pudera, pra compensar a dispensa da corporação militar, invalidez de biruta. A reserva chegou bem na hora: a ideia do zoo e ampliação do jogo já transmunicipal, bufunfa da muita: comprou um sítio, que queria como chácara, mas dizia ser parcela, na verdade, era um baita fazendão de zis hectares: Tais enganando a quem, hem? Oxe, logo as doidices de todo-poderoso pra risadagem de festa: Comigo ou vai, ou racha! Só faltam 3 dedinhos de nada, chego já lá! E partiu passando gato por lebre aos solavancos e, mesmo assim, caiu nas graças do povo e já sonhou vereador desbancando êmulos na defesa dos animais, prefeito mais votado que foi, antes de concluir o mandato, levado pelos braços do povo para Assembleia Legislativa, combativo eleito para a Câmara dos Deputados, pródigo Senador da República, conduzido a próspero governador do seu estado e, quiçá, presidente do Brasil, tudo na base da veniaga! Destá! Se achasse que estava do lado errado, saltava de banda, pinotava pro outro: o que era quilômetro, virava palmo e meio, só! Pra isso já se dispunha a virar a casaca, fiel ao perjúrio pra engalobar clichês, abjurar de contratos possivelmente avençados, dando saltos soltos no ar de tão sabido, desde que fora o Juquinha dos meninos, aprendiz de feiticeiro que foi pra cabeça da mesa, o Camonge da peitada, o Malasartes das jogadas, criando boatos, tudo só no pé pule, crime besta, sabe? Era só chegar com a dinheirama e tudo certo! Ô, zerola, peraí, pronde vai tão apressado? Ôpa, quem falou? Ih! Ô mãe! Que foi? Tô ouvindo coisas! Ligue não! O que foi mesmo que aconteceu comigo? Ora, não sei: você entrou azogado em casa, foi pra geladeira, agarrou-se na garrafa, encheu o copo, virou dum gole só e se envultou! Que água era aquela? Ah, meu filho, foi uma garrafada que comprei dum moço que passou vendendo na porta, um elixir para tomar em jejum, uma colher chá, todo santo dia. Como é o nome dela? Sei lá, o rótulo despregou-se! Ah, preciso encontrar essa milagrosa! E saiu e zanzou que só à procura, logo soube: era a Oráculo Teibei dum tal de Doro! Oxe, é com essa que eu voo!... E foi, parece que deu tudo certo, parece. Até mais ver.

 

E. E. Cummings: É preciso coragem para crescer e se tornar quem você realmente é... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Carla Camurati: Existe uma sociedade que só pensa e dá valor à aparência, onde todos são considerados lindos. Há inúmeros filtros disponíveis para alterar a própria imagem. Isso leva a um adestramento e a um culto onde o valor reside unicamente na relação estética... deixando o interior vazio... Pensar na finitude nos ajuda a viver melhor!... Veja mais aqui & aqui.

Gore Vidal: Imagine a Terra como um organismo vivo que está sendo atacado por bilhões de bactérias, cujo número dobra a cada quarenta anos. Ou o hospedeiro morre, ou o vírus morre, ou ambos morrem... A genialidade da nossa classe dominante reside em impedir que a maioria das pessoas questione a injustiça de um sistema onde a maioria trabalha arduamente, pagando impostos pesados sem receber nada em troca... Veja mais aqui.

 

DESCOBERTA

Imagem: Limiar da loucura poiética, da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM.

Sempre \ como a marcha fútil de exércitos de caranguejos \ da fortaleza do mangue até a praia. \ Sempre \ como a franja de palmeiras esperando \ para ser rompida. \ Já sei, no momento em que você desembarcar, me \ tornarei uma ilha. \ Nas sombras da floresta tropical, \ espero em submissão. \ Em meio ao tremor das folhas, \ pratico um discurso hesitante. \ Sempre \ meu coração impenetrável.

Poema da premiada escritora jamaicana Olive Senior (Olive Marjorie Senior).

 

COTRABANDISTA DE LIVROS - [...] Meu xeique me advertiu contra os livros dos filósofos, pois seus autores não eram muçulmanos e, portanto, matá-los não seria pecado — e foi exatamente isso que me fez, ao cair da noite, após o círculo de estudos dele, esgueirar-me até os mercados de papel ou à biblioteca do cã em busca dos livros que meu xeique havia amaldiçoado! [...] Eu não conseguia tirar os olhos dela, como se ela fosse uma das mulheres do Paraíso, que não menstruam nem sofrem com secreções mucosas. [...]. Trechos extraídos da obra The Book Smuggler: A Novel (Hoopoe, 2021), da premiada escritora saudita Omaima Al-Khamis (Umaima Abdullah al-Khamis).

 

CONTRADIÇÕES EUROCÊNTRICAS – [...] Há dois consensos hoje entre os intelectuais europeus: a Europa só sobrevive a um conflito previsível e de dimensões desconhecidas com direitos sociais e coesão interna; e a Europa não sobrevive sem Europa. A Europa não é um continente. Não é uma moeda. Nem é a União Europeia. A Europa é acima de tudo uma ideia, que dentro dela contém dois projetos antagônicos: o Estado Social europeu e a União Europeia. Esta contradição está, entre outras coisas, na origem da votação popular no Brexit, mais do que os “populismos” (aliás, excessivamente levados ao colo pelos media). Estamos num cruzamento histórico entre dois projetos, tudo indica, irreconciliáveis. Que a rigor nunca estiveram juntos, apesar de o senso comum insistir em associar União Europeia a Estado Social. O Estado Social nasceu na Europa em 1945, de um pacto social inédito até então entre capital e trabalho. Pacto que em 1947 e 1948 estava criado e consolidado, com uma vastidão de direitos universais prestados pelos Estados nunca conhecida na história. A União Europeia (antes CEE e CECA) nasce historicamente de um acordo entre as classes sociais dirigentes dos países mais ricos, na Europa, sobretudo o motor industrial, França e Alemanha. É um pacto entre capitais. O projeto europeu começa em 1947, vai desenvolver-se muito lentamente, ter o seu primeiro ato em 1951, mas só nos anos 80, depois das crises de 1970-73 e 1981-84, é que vai consolidar-se. [...] Da mesma forma que a crise de 1970 tinha dado um impulso decisivo à criação da moeda única, o Tratado de Lisboa, que entrou em vigor em 2009 e substituiu o direito ao trabalho pelo direito a procurar emprego, pondo assim fim ao pacto social europeu, não pode ser desvinculado dos efeitos da crise de esgotamento das “novas tecnologias” de 2001, e depois da crise de 2008. Com a Europa a enfrentar a questão do mercado de trabalho europeu como um dos pontos centrais do seu programa na última década (2008-2018). A crise aprofundou-se, portanto. Menos investimento público, mais imobilização da capacidade produtiva (desemprego), salários mais baixos, desgaste cada vez maior da força de trabalho (em exaustão, burn out, sofrimento generalizado), usada ao limite cada vez mais, com um aumento brutal da intensificação dos ritmos e mesmo das horas reais trabalhadas. O que será da UE quando chegar a crise do investimento em automação, com os esqueletos no armário do Fundo de Estabilização de 2008? [...]. Trechos do artigo O Estado Social e a União Europeia: “do berço à cova” - A Europa é acima de tudo uma ideia, que dentro dela contém dois projetos antagónicos: o Estado Social europeu e a União Europeia. (Público, 2019), da historiadora, escritora e professora portuguesa Raquel Varela (Raquel Cardeira Varela), autora de obras como A História do PCP na Revolução dos Cravos (2011), História do Povo na Revolução Portuguesa (2014), Breve História da Europa (2018), Breve História de Portugal (2023), O Canto do Melro - A Vida do Padre José Martins Júnior (2024) e Do 25 de Novembro aos Nossos Dias (2025).

 


JEFTÉ & ENTREVISTA – O professor, poeta e produtor cultural, Janilson Sales, membro da Academia Palmarense de Letras (APLE), participou do XII Congresso Nacional de Educação (CONEDU) com apresentação do estudo O cordel no fazer pedagógico: estratégias lúdicas e alinhamento curricular nos anos iniciais. Ele concedeu uma entrevista em que fala de seus projetos Museu do Homem do Campo, Cordelteca e Cordeluna, entre outros, comprovando seu ativismo pedagógica na área do cordel. Confira aqui.

 


EDUCAÇÃO, TEMAS & DEBATES – Reunião de reflexões atinentes à temática dos debates da educação contemporânea, com questões sobre aprender, autonomia, leitura, contar história, racismo & diversidade, responsabilidade, política, violência, pós-humano, criatividade, entre outros, a partir do pensamento de Paulo Freire, Antônio Cândido, Kate Manne, Rosi Braidotti, Maryanne Wolf, Ana Mae Barbosa, Rubem Alves, Mia Couto, Narges Mohammadi, Beatriz Paredes Rangel, Veronica Gorrie, Stela Maris Sanmartin, Hélder Pinheiro, Jones Manoel, Ruby Bridges. Veja aqui.

 


CIRCO ITINERANTE – Uma experiência de produção cultural ocorrida em meados da década de 1980, em Palmares (PE), que durou 15 dias de muitas atividades artísticas. Foi neste evento que ocorreram shows musicais de Ozi dos Palmares, Zé Ripe, Mazinho, Everaldo Souza & Zito Arão, entre outros; exposições pictóricas de Ângelo Meyer, Rollandry Silvério & outros artistas da região, recitais de poesias, afora apresentações teatrais, de guerreiros, de caboclinhos, de dança, com lançamento inaugural da revista em quadrinhos Aventureiros do Una. Além disso, matinês e recreações para a criançada durante o dia, com o Palhaço Pirulito e apresentações circenses, como a mulher-de-borracha, engolidor de fogo, acrobacias e equilibrismo. Veja mais detalhes aqui.


 

JUCATI – Este é 7º episódio das Aventuras do Nitolino no Valuna, explorando o cenário de Jucati, no Sítio Ouricuri, antes Pindorama, tomando água de coco pra saber do pau-ferro Jucá, do povo da Vila Neves, do riacho da Pracinha e das coisas dos rios Chata e Canhoto. Confira aqui & aqui.

 


SETÍGONO – Está previsto para o dia 21/10, às 20h, na Fliarp, em Palmares (PE), o lançamento da antologia Setígono – Teoria, História e Poesia – Literatura Experimental. Para mais informações acerca dessa nova modalidade poética confira aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.


Minha infância começou depois que virei adulta. Minha forma de brincar é fazendo meus filmes...

Depoimento da jornalista, cineasta, fotógrafa, atriz, publicitária e professora, Sandra Ribeiro, que realizou diversos filmes, entre eles, os documentários Teatro e a Música de Valdemar de Oliveira (1998) e Nóis Sofre Mas Nóis Goza (1999), o ficção O Recife que Aprendi a Amar Depois (2000), inspirado na Evocação do Recife de Manoel Bandeira; o ficção A Partida (2003), baseado no conto homônimo do escritor Osman Lins; o curta-metragem ARMORiALMA de Suassuna (2010), o ficção Yara (2011), baseado no poema da escritora Cida Pedrosa, faz parte do projeto Olhares sobre Lilith; o longa-metragem ARMORiALMA (2023), entre outros.

Veja mais aqui.


 

 


sábado, outubro 03, 2026

GONÇAL MAYOS, MARINE PETROSSIAN, PÉTER NÁDAS & IRANDHIR SANTOS

 Imagem: Arrostar aporias, da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM.

 


Fábula dos embeiçados desavindos... - Cachucha passeava nos olhos de Pimpão, era a mais faceira entre as tais dali – a bela majestosa pras capas de sua revista predileta. De tocaia, não perdia qualquer aparição dela; vigilante, esperava sua vez. Ela lá indiferente, à toa, arrodeada por gracejos, desembaraçada, voluptuosa, sonsa que negava visivelmente todas as suas fechaduras - já havia rechaçado tantos adiantados, coitado dele, só fitando-a por diferentes ângulos: paixão profusa alinhavada no jato da gamação vertiginosa, de quase não acabar mais. E se ressentia pela impotência, se esvaindo entre quatro paredes; crescia assim, mesmo além da percepção: sonhava porque era possível e desacertava. No começo a paixão por debaixo de 7 capas, ninguém podia saber: conter-se a si e aos seus anseios. Veio a chance, propícia ocasião: precipitou-se, nada por interditar. Foi empurrado pelo estímulo, ziguezagueando, voltava do meio pra trás: não conseguia sequer falar, nó no juízo; muito menos se expressar, as palavras se dissolviam, sobrevivia atravessando as horas, até onde nem podiam ir. Penava lá nele, o peso na cacunda, mais de mês e meio na pelejada, segurando na sem graceza, embirrado; mas, obstinava, acossado pela aflição de detê-la, fustigado pela ânsia. Na segunda oportunidade, não havia mais como voltar, a ocasião deu-lhe uma providente dedada à socapa, ôpa! E o entusiasmo interpôs-se à secreta paixão. Diante dela, não havia como precisar o certo, exato, onde botar as mãos, como encolher os pés, enfim, atarantado. Da luz dos olhos dela colhia diamantes nunca vistos, tesouros inenarráveis nas barrocas das bochechas, os olhos agateados, toda cheirosa e bacana, o cangote moreno faceiro, só às espiadelas sonsas, às gaitadas, refestelada, toda mansa, bonita que só ela, que quartuda, minha nossa! Acorda! Hem? Ela envolvida num xale, desprotegida; qual nada, uma frieza despótica - ao lado dela sentia-se uma indesejável mosca, asqueroso mosquito, ou inseto qualquer desprezível: Sai pra lá, encosto! Eita! Não ia perder a viagem, né? O tabaréu tomou coragem, baldeou o arraial e chegou-se esfregando as munhecas, todo tinindo de si, exibindo muque fuba, patético, pra mor de lhe dizer, despenteado pelo alvoroço, quase aloprado: queria era impressionar, falar bonito, haja folga, foi de araque todo encalombado, desdobrou a astúcia e pariu lábia doida, com a gola levantada e as mangas dobradas no vinco da camisa listrada, a calça pegando borboleta de tão coronha e por fora da galocha, tal quilômetro de lonjura, fungando suas dores e premências - seria célebre no ímpeto de tangê-la, nada. Aí, puxou proseado, as léguas do escabroso desinretado e caprichou nas boas maneiras, tentou, foi a conta: encolheu-se, depois espichou, estirou-se estendido, a calça caiu, enfezou-se, passou maior vergonha, arre! Segura a coisa! Que é que ouve? Ele soletrou aos engasgos. Ah, é? Apertou-se todo. Vai cagar? Um peido revelador e cerrou as pálpebras, torando aço, esperou pelo pior: Seja lá o que Deus quiser! Ela se riu, que coisa! Já se virando desenganado, nem ouviu o que ela disse: Como é que é? Sim. Ora, a ficha caiu: Sim? Sim. Oxe, ele ousou levitar, por que não? E desafiou os boatos inaugurando nassoviano a festa dos holandeses do Recife à ilha de Antônio Vaz: era mais fácil um boi voar do que aquilo dar certo. Mas, deu, por enquanto. Larga de ser besta, cara! Ah, embriagado com o aroma da presença inevitável dela, ele danou-se a beijá-la e lambeu-se todo folgazão. U-hu! E foram dengos mútuos, chega chupava os beiços, empinado, babava pelas vistas, aos solavancos, do jeito que se ajuntou se espalhava, mormente os regalos do aboio triunfal sobre o sátiro e a ninfa. Ela então montou no seu dorso e foram terra afora, mar adentro, em jubilosa paixão. Os amigos dela, agora dele. Lá estava inchado entre o casal Adamastor e Quelidônia, familiares, parentes, simpatizantes. E ficou assim: pronde Pimpão ia, lá estava ao seu braço Cachucha, atrás. Engrenou o namoro, já cobrança por noivado. Como é que é? A primeira a exigir foi Audumbla, desconfiada a chamá-lo na grande, qual era a dele: Vai enrolar não, né? Que pressa é essa, hem? Nem deu conta, do outro lado, a madrinha dela, Glas Gaibhnenn, anunciando a data, acompanhada da Birog da Montanha, iniciando ao ensaio do canto das açafatas na Praia dos Lençóis: Lá vem ele, o noivo! E rompeu a sala Balor gritando: Vamos levá-lo pra onde a Beócia se deitou para fundar Tebas. Hem? Ele: E é sangria desatada, é? Mal terminou de inquirir, a Hator atacou com alegria da música e nem aliviou, já Lulubelle III distribuía cogumelos mágicos - O que é isso? Psilocibina! Logo a companhia de Kāmadhenu Surabhi, a fragrante, para dar-lhe prosperidade perfumada. Pronto! Depois Prithvi, a Vasta, que trazia a Ibu Pertiwi pra ser ordenhada: Pra se fortificar, meu filho! Agora, deu! A Antevorta trazia o futuro; a Postvorta, o passado. Foi chegando Carmenta Nicóstrata, a imperatriz Sissi, a Gau Mata, a ninfa Io, seguida da Hera boōpis homérica que contou d’O Lamento da Vaca, com a proteção de Gopala e a alegria de Charalambos. É festa pra casório! Estou ferrado! Quantos rumores rondavam e ele lá: Tô frito! Mal piscou o olho e os convidados. Vixe, quanta gente! O primeiro deles, Gavaevodata zoroastriano, a saudar Nandi de Shiva, que chegava enturmado com Tarvos Trigaranus, Vṛṣabha, Mnévis Kemwer e Heliópolis; depois, Ápis de Ptah que se juntou ao sumério Iškur Adad, com Lamassu, Auroque, Marduk Amar-Utu, todos queriam trazer das terras azuis das dunas do outro mundo, o padrinho Pretão, com a estrela brilhante na testa: Mas não é sexta sem lua! Pras suas núpcias, bestão! É? Tais por fora! Vamos desencantá-lo! Será o dilúvio? Logo emergiu da cidade encantada o Bumba-meu-boi, com o Tambor de Mina e os bois de Gerião, mais fujões e bravios. Parecia mais o folguedo estrondoso do boi do Barão caga-raio! Ah, vai ter o sacrifício da heroína & as façanhas acanhadas do mancebo? Destá! No meio do rebuliço apareceu o da Mão de Pau, que veio com Surubim e Calemba; o Barroso com Pai Francisco e Mãe Catirina, um laço de fita amarela pro garrote Jauaraicica, que puxava o rabicho da Geralda, com Pintadinho, Serapião, Espácio, Canastra, Bruchis dos famosos Hermonthis e o de Creta que encantou Pasífae, mais Mansinho e o Vaquim com fogo pelas ventas, mais barbatões e os rebanhos de Sísifo, um aboio no curral, a apartação, as manadas, os cascos brutos, vassourando a cauda para espantar os mosquitos, era cerimônia de esponsal. Tá cá gota! É gente como a praga! Ainda apareceu Agamedes e Trofônio que davam um grau no espaço ritualístico, anunciando a promessa do boi de ouro: Qual o dedo de moça que cabe neste anel? É agora! A noiva primeiro exigiu os 3 desejos, não ia casar-se com o próprio pai, nem com o ourives, e confirmou as suas núpcias com Pimpão! Vivaaaaa! Tome! E a celebração correu solta pelos ervais e altas macegas dos campos das vacas brancas. Anunciaram o Boi-na-vara – O crime na farra do sacrifício, isso não! Parou, parou! Nada de tauroctonia, nem Búfago atroz. Veio, então, o boi-de-mamão – a cena corria: caiu morto na frente de Mateus, com a Bernunça a devorar todo mundo e a espalhafatosa Maricota: Vai chamar a benzedeira para mode ele ressuscitar! Renasceu Boi-de-Reis, com o da Promessa do Garantido de Parintins e o bumbá do tesouro de Anicuns. Deu-se a apostasia do bezerro de ouro de Arão: Vamos brincar! Era o caminho das boiadas, na cantoria: Ê vaca Estrela, ô boi Fubá! No meio do zoadeiro, ninguém dava conta das profecias de Cassandra, alertando não se sabe o quê! Como é? Deix’ela pra lá, tá é doida! Vamos festar! Ah. E recomeçou o incesto de Anat e Baal: o rito cananeu de Ugarit, com uma chuvarada repentina, temporal de mesmo, valei-me! E, depois um estiadão, a devastadora seca. Danou-se! Foram pro monte Safão e lá, a destruição de Mot: foi tudo restaurado, colheita de vida! Vida os casados! Já? Viva! Era chegada a hora da Mattu Pongal e o festival seguia encarreado pelos 4 dias de janeiro, na temporada de monções e a colheita de Paddy. Vamos comer! Quando menos se esperava, o incêndio de Karaqosh! Ih! Foi o tal do japonês Kawata? Não! Então tá! Viva São João! Aí o píer ruiu, todo mundo dentro d’água, timbungue! Eita, o menino pajem tá morrendo afogado, socorre! Pra relaxar, teve quem quisesse brincar de roleta-russa. Valha-me! Toma essa arma! Pega! E o sonso se esquivava, aí foi marrada certa: de susto, desmaiou. Teve um ataque epilético, foi? Nada, munganga só. Bota tição no cu dele que levanta! Ele se fez de morto. E ela danou-se de raiva e atochou impropérios, mostrando os peitos por desaforo, jogando o buquê pro alto - logo tragado pela turbina dum avião que passava ali do nada e teibei! Maior escarcéu. Fodeu! Ninguém previa o vaticínio da desgraça. O desfalecido deu sinal de vida: ai, hemorroidas! Um padre bigodudo: Tá com a braguilha aberta, infeliz! Vai casar ou não? Hum? Não tem mais casamento! Pronto, acabou-se o que era doce. E ele frustrado na paixão, ousou, Pimpão, poetar na maior caratonha: O destino fez o que quis comigo. Todos foram embora seguindo-a. Findou ele esborrachado pela aquerúsia, na sua angústia muda, ao sabor das estações e deboches, touceiras, moitas, gravetos, voando entre urubus: Pra lá, pestes! Aqui é o inferno, avisaram. Carecia mesmo era de se empanturrar duns heléberos pra consertar sua doidice. Quer morrer é? Não, ficar doidão, só, para não findar como Iphis que se matou de amor, rejeitado pela Anaxarete. Ele, não! Variava: Onde sequazes solarpunks? Birutou, mesmo. Nada, solidão braba. Logo ele que fora empurrado sempre, nunca ninguém com conselhos, fixado na programação da tevê, nenhum amigo, nem saía de casa à noite, medo de ser emboscado pelo inopinado, dormindo cedo para trabalhar, era só o que restava, um trapo. Mas, tá! Mergulhou na sua abissal escuridão e ainda havia o inédito fôlego: quem sonhou com a eternidade e não era mais. Desapontou-se. Um estalo segurou a baba dos olhos – ganhava topografia e não tinha que dar cabo da vida, seguia era em frente, isso sim, sem saber como: É a catábase!... Ih! E se deixou levar, estrela cadente, não era tarde, nem ainda mais... Até mais ver.

 

Harold Pinter: Há algumas coisas que se lembra, mesmo que nunca tenham acontecido... Quando a tempestade acaba e a noite cai e a lua está fora em toda a sua glória e tudo o que você fica é o ritmo do mar, das ondas, você sabe o que Deus pretendia para a raça humana, você sabe o que é o paraíso... O passado é o que você se lembra, imagina se lembra, convença a si mesmo que se lembra ou finja que se lembra... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Nora Roberts: Você pode consertar qualquer coisa, menos uma página em branco... A magia existe. Quem poderia duvidar disso, quando existem arco-íris e flores silvestres, a música do vento e o silêncio das estrelas? Quem já amou foi tocado pela magia. Ela é uma parte tão simples e tão extraordinária das vidas que vivemos... Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

Jazz Jennings: Os odiadores são a nossa munição. Eles nos motivam a continuar lutando por nossos direitos. É por isso que continuo a partilhar a minha história... Quero mostrar às pessoas que não têm de ter medo de serem diferentes... Não me importa o que as pessoas pensam de mim... Veja mais aqui.

 

DOIS POEMAS

Imagem: Celebração autopoiética, da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM.

OS OUTROS - os outros \ ter caminhado \ nesta neve \ mas não são \ nas proximidades \ agora \ apenas eu \ a neve ainda descendo \ e as árvores \ mas estes não são \ outros \ o outro \ É o único \ que pode fazer perguntas.

FELIZ FIM - o filme \ foi sobre a guerra \ já tinham largado a bomba \ e não havia jeito \ poderíamos fugir \ Todos nós sabíamos \ Nós deveríamos morrer \ em 10 minutos \ ou talvez 20 \ no dia seguinte, na melhor das hipóteses \ Isso faz alguma diferença \ quando não há esperança \ de fuga \ então de repente \ as luzes apagaram-se \ O filme parou \ e eu percebi \ a salvação às vezes pode vir \ o exato momento \ você abre mão de suas esperanças...

Poemas da poeta, ensaísta e colunista armênia Marine Petrossian.

 

AMIGOS MORTOS - [...] na arte não há nada mais complexo do que a simplicidade, e por isso ela ocupa o topo da hierarquia. Apenas para os avançados. Um príncipe não consegue alcançá-la. Ninguém pode levá-la até a plebe para que todos possam se beneficiar dela igualmente; não existe democracia capaz de elevar alguém a qualquer lugar por meio da arte. Cada um precisa amadurecer até alcançar sua própria simplicidade, viver e trabalhar no vácuo por muito tempo, e isso exige coragem. Sem coragem, não há arte. Coragem é necessária em uma monarquia, coragem é necessária em uma ditadura, até mesmo em uma maldita democracia ou plutocracia, porque na arte a opinião da maioria não vale nada e nem mesmo a coragem é suficiente. [...]. Trechos extraídos da obra Halott barátaim (Sárközy & Co, 2025), do escritor e dramaturgo húngaro, Péter Nádas (1942-2026), que noutra sua obra, A Book of Memories (Vintage, 1998), expressa que: […] Se alguém pudesse aprender as coisas mais importantes da vida, ainda teria de aprender a guardar silêncio sobre elas. [..] A harmonia de dois corpos expressa naquele único toque — superando diferenças e dobrando a reserva moral de cada um — era tão poderosa e indomável quanto a plenitude física; contudo, não havia falsidade nessa harmonia, nem a ilusão de que, apenas pelo toque, nossos corpos pudessem expressar sentimentos que a racionalidade nos impedia de tornar permanentes. Eu diria até que nossos corpos preservavam friamente o bom senso, tramando e mantendo um ao outro sob controle, como se dissessem: "Vou me entregar sem reservas à loucura do momento, mas apenas se — e quando — você fizer o mesmo". No entanto, esse apelo físico que unia paixão e razão, espontaneidade e cálculo, proximidade e distanciamento, levava nossos corpos além do ponto em que, aferrados ao desejo e em busca da gratificação imediata, eles passariam a almejar uma harmonia nova e mais completa. [...] Minha insensatez me levou a acreditar que eu era a história, e que aquela noite fria e sombria era apenas o cenário; mas, na verdade, minha história real desenrolou-se quase independentemente de mim ou, mais precisamente, ocorreu em paralelo às minhas próprias pequenas aventuras. [...]. Ele também é autor de livros como Szépírás mint hivatás (2023), Parallel Stories (2005), Own Death (2004) e The End of a Family Story (1977).

 

MACROFILOSOFIA & POESOFIA - [...] Não pode haver liberdade se interpretarmos que o marionetista coage, domina e força o marionetista a fazer o que ele quer através dos fios que todos nós vemos. Assim, os sucessivos marionetistas (porque se salienta que há mais de um) negam os princípios da liberdade de seus marionetistas subordinados e, em última análise, do marionetista (que não é mais o marionetista de ninguém). Porém, o que aconteceria se os vários marionetistas se limitassem a fortalecer seus subordinados e o boneco? É uma hipótese um pouco mais plausível que não se encaixa com a experiência habitual na vida real. Mas não é descartável porque os fios podem forçar as mãos a se mover contra sua própria vontade e ajudá-los a ter mais força e a fazer coisas que queremos fazer, mas que - sem os fios - nos faltaria poder. Segundo essa possibilidade, os vários bonecos se limitariam a seguir a vontade do boneco, por exemplo como faria uma espécie de robô de controle remoto. Depois, os fios que amarra as mãos do marionetista aos do marionetista (e este a outro sucessivamente) não seria para coagir ou dominar, mas – pelo contrário – perceber e melhorar suas decisões. [...] Na hipótese desses marionetistas empoderamento, robótico ou benevolentes, o boneco seria livre e capaz de fazer a sua vontade – tornar-se juiz – graças ao apoio do Marionetista. Este não o coagiria o boneco e respeitaria tanto a autonomia quanto a liberdades negativas e positivas. Além disso, então a série aberta de marionetistas seria muito apropriada e útil. Quando a tarefa ou a vontade do pobre boneco seria difícil o suficiente para que a ajuda do primeiro não fosse suficiente boneketer, há fios superiores e mais poderosos "justiciadores" bonequeiros que garantiriam cotas crescente liberdade positiva. [...] É apenas uma fábula ou metáfora que acabamos de inventar? Ou existem tais marionetistas, justiços e garantias de liberdade empoderadores pessoas positivas? [...] Penso que tradicionalmente os Totens, os Deuses, a Magia, o Estado, a Nação, a Ideologia, são entidades, seres, mecanismos ou possibilidades que ajudariam a humanidade a atingir seus objetivos sem coagir e garantir sua liberdade. São certamente esperanças ou perspectivas reconfortantes. E é por isso que a humanidade tem muitas vezes acreditado neles. [...] Se atendermos à história, então, nossa hipótese de os marionetistas empoderadores parece confirmada ou muito plausível. Se existissem, graças à sua capacidade de capacitação. Por outro lado, pais e mães muitas vezes se vêem como os marionetistas capacitadores de nossas crianças. Vamos imaginar que estamos - como na imagem inicial- alguns gigantes que imparavelmente levam seus filhos ao objetivo que merecem. Muitas crianças, no entanto, descobrem que muitos pais - carregados pelo seu "céu excessivo" - acabam se tornando ditadores tão amorosos quanto os castradores. Ainda mais perigoso seria o suposto “empoderamento”, dos totens acima mencionados ao progresso, que muitas vezes se tornaram mestres inclementes, totalitário e destrutivo. Há sempre o perigo de que “o empoderador” seja tornar-se um mero imperador – Imperator – caprichoso, intolerante e Alibidor da liberdade. A humanidade tem uma enorme tendência a imaginar poderes superiores de vários tipos como os que temos apontado. É uma constante histórica e um elemento chave da condição humana. [...] Por isso escrevemos uma série de poemas que se referem às liberdades em muitos aspectos semelhantes, mas também com elementos muito opostos. E vemos que as profundas diferenças que resultam e seus efeitos em nossas vidas não podem ser ignoradas. [...]. Trechos extraídos do artigo Empoderando bonecos: eles existem? (2020), do filósofo e ensaísta espanhol, Gonçal Mayos Solsona, que cunhou o termo macrofilosofia no artigo Limites da hiperespecialização: Necessidade da macrofilosofia (Revice, 2021): [...] A macrofilosofia não é a cura para essa cegueira culpável — como diria Kant — mas aponta o caminho para recuperar antigas e virtuosas trilhas. Pois a filosofia — que foi a mãe de todas as ciências — conserva a memória da emancipação e especialização de todas elas. Portanto, sabe que hoje não pode mais realizar essa tarefa sozinha; precisa da colaboração de todas as ciências, que devem assumir sua parcela de responsabilidade, e das reflexões em nível macro de que a humanidade necessita. [...]. Neste sentido, a Macrofilosofia emerge no cenário contemporâneo como resposta à fragmentação do saber, propondo uma retomada da visão de conjunto, com a perspectiva investigativa de como ética, política, ciência e metafísica se entrelaçam na estrutura das civilizações. Em contraposição à ultraespecialização, busca uma compreensão holística do real, integrando os diversos campos do pensamento para examinar tendências amplas e seus impactos de longo prazo, estruturando-a a partir de três eixos: sistematicidade, perspectiva de longa duração e transversalidade. Ao articular diferentes saberes em modelos interdisciplinares, o autor reflete sobre os desafios do nosso tempo, ao reafirmar a necessidade de um pensamento capaz de reconectar o todo. [...]. Já a poesofia inscrita no seu artigo Poesofemes (Associació Cultural de Poesia Pont del Petroli, 2020), no qual expressa: [...] Porque a poesia vem do grego poiesi, a criação contemplativa que se distingue e se diferencia da arte mecânica. Na Grécia clássica, mas também em Hölderlin, Hegel, Nietzsche ou Heidegger, a poesia é a primeira companhia da filosofia. É a base de toda criação filosófica e certamente de todas as abordagens macrofilosóficas. [...] Já no texto Necessitat de 'filosofia de guàrdia' i de poesofemes (2020), ele expressa que: [...] Um poema visual filosófico é uma criação que propõe uma provocação intelectual e incentiva a reflexão. Lembre-se da poesia que você vê da Grécia, pois ela será a sua criação. Este é um poema baseado em uma metáfora disruptiva capturada em imagens, e não em parágrafos. Além disso, os poemas ou poesias são criações metafóricas e provocativas, mas – em sua essência – são expressos linguisticamente a partir de palavras, argumentos, conceitos, narrativas, ideias, falácias, contradições e todos os paradoxos lógicos possíveis. Esses elementos são mais importantes do que a métrica, a rima e outras estratégias poéticas clássicas. [...] são criações poéticas que rompem e propõem uma ruptura com a realidade cotidiana. Implicam uma ruptura com o “senso comum” e até mesmo com uma impossibilidade ontológica que força cada um que contempla (visual ou conceitualmente) a criar uma explicação que ultrapasse as “regras”. São criações poéticas porque resistem a se tornarem uma explicação científica ou mesmo filosófica definitiva. Pelo contrário, as gaudeixen persistem à vontade das perguntas e das questões não resolvidas. Mantêm-se no nível da criação, do poema, com uma tentativa invariavelmente aberta de expressar sentimento ou uma história com um “final feliz” que faça sentido. Porque se nega que a tensão interrogativa se dissipe, precisamente quando a cortina se fecha para que todos se submetam rapidamente à experiência, a fim de poderem voltar para casa amnésicos... sem fazer quaisquer observações significativas. Pensemos! [...] Ligados à filosofia da guarda, os poemas respondem à necessidade humana de encontrar o sentido, rapidamente, em plena luz e percepção, contra toda esperança e diante da inexplicável explicação. [...] Ela deve se manifestar com a filosofia orientadora que reside na essência de todo pensamento autêntico. [...]. Estes artigos são resultados da conferência do autor sobre Urgence of philosophy in human reptes with Covid-19. Necessitat de poesofemes and philosophical visual poetry (VilaPensa, 2020).

 


ARTE NA ESCOLA – Reunião de sugestões para atividades artísticas que possam ser desenvolvidas em sala de aula, sejam nos ensinos Fundamental ou Médio, ou em formações pedagógicas, a partir da obra de autores como Clarice Lispector, Adélia Prado e Conceição Evaristo, ou das reflexões de Gloria Mark, Françoise Vergès, Martha Gabriel, Kananda Eller, Xiye Bastida e Kate Kretz, como também das recreações propostas por Danica McKellar, Zadie Smith, Mel Robbins & Giva Silva. Confira aqui.


 

TEATRO LAM – Reunião de textos, estudos, cursos e montagens, desde os primeiros momentos de contato com a obra de Fenelon Barreto, o primeiro texto encenado O Prêmio, A viagem noturna do Sol, a montagem de João Sem Terra, de Hermilo Borba Filho; o infantil Lobisomem Zonzo, o Nitolino no Reino Encantado de Todas as Coisas, além de formações, teatro na escola, entre outros. Confira aqui.

 


O LIVRO DAS JANELAS – (Imagem: Acervo ArtLAM) Reunião de contos, crônicas, narrativas, textos e outras poemagens prosaicas, com foco na perspectiva das possibilidades, as alternativas de apreensão e percepção, a visualização do universo, o olhar sobre o mundo e todas as coisas a partir da janela. Confira aqui.

 


CAETÉS – Trata-se do 6º episódio das aventuras do Nitolino no Valuna, desta feita, no território de Caetés, no qual visualiza-se gente de Ponto Alegre, Atoleiro, Barriguda, Bastões, Vila Araçá, Várzea Comprida, Várzea Suja e Queimada Grande, bem como da criação do Romance do Pavão Misterioso, do cordel que ninguém sabe direito se é de Melchíades ou de Camelo, e que conta a história de Evangelista e Creusa. Confira aqui.

 


POEMANDANTE, PALÁVORAS – Reunião de colagens autorais (COLAM), com poemagens e versagens do acervo ArtLAM, sobre o tema musical autoral Abandono. Confira aqui.

 

A arte do premiado ator Irandhir Santos (Irandhir Santos Pinto), graduado em Artes Cênicas pela UFPE e que atuou em espetáculos, como Liberdade, liberdade (1996), bem como filmes como Cinema, aspirinas e urubus (2005), Baixio das Bestas (2007), Febre do Rato (2012), Tatuagem (2013), Aquarius (2016), entre outros aplaudidos trabalhos na televisão. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

 


ANNE CARSON, FRANÇOISE VERGÈS, TAHMIMA ANAM & SETÍGONO

    Imagem: Pulsações caósmicas , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Em rota de colisão, a sorte...