domingo, março 22, 2026

IRMA PINEDA, SOFI OKSANEN, PETER TURCHIN & BÁRBARA DE EXU

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som do concerto Live at Philarmonie Luxembourg (2025), oriundo do álbum Sonicwonderland (2023), da pianista e compositora japonesa Hiromi Uehara, com a Philarmonie Luxembourg, no Grande-Duchesse Joséphine-Charlotte Concert Hall. Veja mais aqui & aqui.


 

Da noite pro dia, gente, malacatifas... - De repente Tlaltecuhtli engoliu o Sol e anoiteceu: fez-se a maior escuridão. Do inesperado ao regozijo, Tó Zeca, então, aguardou Jaci reluzir no horizonte. O tempo passava e, pacientemente, mantinha-se à espera. Ela não apareceu. A demora e uma interrogação: Onde fui parar? Não tinha a menor noção. Só se deu conta das chamas pálidas azuladas flutuando lá ou acolá, intermitente fogo fátuo, sabia: Ah, Boitatá. Hesitou, pois temia ter de encarar aqueles olhos flamejantes, não era um bom sinal. Bastou uma leve fagulha alhures e viu-se diante do serpentário do chão à constelação equatorial de Ofiúco. Um sobressalto: o guizo advertia, um arrepio e o sinal do sangue frio de répteis poiquilotérmicos ao redor, o espavento de ver-se de cara com aquela rastejante bocarra 180º e a dilatação corporal. Xiii... Logo viu: era a noturna suaçuboia – Ô jiboia, que é que tu tais fazendo aí, mulher? Ah, senta-espera, peidona, isso é cobra-de-veado pronta pro bote! Ôpa! Logo a escura Boiúna emergiu Mãe do Rio bem fundo: Que é que há? Ao seu lado, logo notou a presença dos olhos de mel da Sofia, a filha do boto e da índia: tremia a terra. Olha lá! Por um instante deu-se conta da movimentação e êpa: lá ia a cavadora Ubijara, a mãe-de-saúva, anfisbena, com suas duas cabeças - Vai pra lá, ibicara; sai pra lá, licranço! Num átimo, o assombro com a perigosa jararacuçu, depois a surucucu, a áglifa araramboia, a camuflada jararaca-da-mata, a boipeva cabeça-chata. Ih! E ali se enroscavam a azulamboia, a periquitamboia, a delgada parda bicuda, a muçurana, preta, pendurada no cipó; a sucuri, muçurana; as três irmãs Jararacuçu, Urutu-cruzeiro e Caiçara, cada qual com seu veneno botrópico para inchar, necrosar e sangrar; a cascavel boicininga, a maracaboia de-quatro-ventas, a coral, a peçonhenta surucucu-pico-de-jaca e outro susto: era anaconda! Alto lá! E juntas: a amarela, a verde, a malhada, a akayima e a da-bolívia, danou-se! Eita, viborões! A canibal sucuri devorava seu macho depois do coito. E Norato com a sua irmã, a cruel Maria Caninana, a arabóia, que subiu na árvore e ficou de tocaia. Se era ou não cobra mandada, não se sabia. Mas se atrevia a chupar o seio da mãe adormecida, com o rabo na boca da criança para que ambas não acordassem. Tô frito! Reunidas, iam beber e antes escondiam a peçonha para não se envenenarem. Que coisa! E rastejavam nas próprias costelas, ondulando lateralmente, com seu movimento de sanfona ou concertina, em zigue-zague, mudando de pele, quando em vez. Se não era a jararaca venenosa, era uma sucuri com seus mais de 9 metros caçando na água. Na névoa um arco-íris e apareceu a mítica Naga de 7 cabeças para o Batismo do Oceano de Leite. E com ela os pigmeus de Baka, que vinham do sul de Camarões, com o Códice de Dresden, anunciando o egípcio Atum que emergia do caos primordial com o Livro dos Sarcófagos para formar a Enéade de Heliópolis. Aí subiu a Python que havia abandonado o Oráculo de Delfos na perseguição por Leto. Logo atrás a criocéfala celta, seguida da víbora-áspide que acabara de envenenar Cleópatra, todas acompanhadas pela híbrida Erictônia, a terimórfica Tibre-cornu de Virgílio e o emplumado Quetzalcóatl. O circo estava pronto, ameaça em riste. Tentou olvidar: Sou lá ofidiófilo! Há quem ofidiófobo, até herpetólogo. Nem, nem. Viu-se em apuros, procurou saída. Deu-se então o imprevisível: Tlaltecuhtli cuspiu o Sol e Tatewari, o Avô do Fogo, acendeu o dia. E Coaraci deu vazão à prática dum pajé de 9 fôlegos: o futuro nas mãos, curava à distância, tornava o animal que quisesse, ficava invisível, aparecia aqui, ali, acolá, o que bem quisesse: Vai encarar? Nem podia, porque Asclépio ergueu-se com o caduceu de Hermes para dar conta da teoria do relojoeiro do Deus otiosus. E aí o feitiço da Naja: a deusa Wadjet era a Kundalini se enroscando 3 vezes e meia na base da coluna vertebral dele, enroscando-se em suas botas e agigantando-se diante de si. Ofertou-lhe o wixárico Tsikuri, Ojo de Dios, ornado por opúncias e peiots, o que lhe deu a coragem de proclamar: Toda cobra do caminho arreda que vou passar! E uma nuvem cintilante rasgou as trevas e tudo clareou, nítida paisagem: o ninho de Ledo Ivo e já era a cidade com a multidão alvoroçada às idas e vindas, com suas expectativas, dolos e angústias. Ali aprendia Ouroboros: tudo é um. Até mais ver.

 

Pilar Quintana: Se você tem alguma dúvida de que o racismo sistêmico existe, é só olhar para lá. A maioria da população, que é negra e indígena, está vivendo na pobreza absoluta. É uma realidade muito dolorosa... Veja mais aqui, aqui & aqui.

Linda Sue Park: Um erro cometido com boas intenções continua sendo um erro, mas é um erro pelo qual você deve se perdoar... Veja mais aqui, aqui & aqui.

Shirin Neshat: Todo artista, de uma forma ou de outra, é político. A política define nossas vidas... Veja mais aqui, aqui & aqui.

 

UM POEMA

Imagem: Acervo ArtLAM.

O tempo conquistou o amor \ Isto mistério de nós impiedosamente \ e agora o que faço com a indiferença \ com essa solidão \ que os caras me abraçam gentilmente \ e me sufoca. \ Amor \ minha barriga agora é uma árvore seca \ que onze queriam florescer estrelas para suas noites. \ Minha barriga agora é uma montanha dura \ não mais espantado com o passar do tempo \ pelos dias sem vida. \ Nós ganhamos nosso tempo amor \ misericordioso, o mistério nos tirou \ e hoje não sei o que fazer com aquele desgosto \ com essa solidão \ que às vezes me abraça suave \ e às vezes ele me sufoca. \ Amor \ A minha barriga é uma árvore seca hoje \ que um dia ele queria florescer estrelas para suas noites. \ A minha barriga é uma montanha dura hoje \ que não se admira mais com a passagem do tempo \ para os dias sem vida.

Poema da escritora, editora, tradutora e educadora mexicana Irma Pineda Santiago.

 

PARQUE PARA CÃES - […] Eu me arrastava para o trabalho apenas para retornar a um apartamento que ecoava de saudade, onde as xícaras de café estavam sempre exatamente no mesmo lugar em que eu as havia deixado de manhã e onde nunca havia cheiros de outras pessoas, nunca a bagunça de ninguém além da minha. Eu não sabia que podia sentir falta de tais coisas. [...]. Trecho extraído da obra Koirapuisto (WSOY, 2019), da escritora e dramaturga finlandesa Sofi Oksanen, que ressalta: A memória é parte crucial da humanidade, composta por histórias... Veja mais aqui & aqui.

 

FIM DOS TEMPOS – [...] Nossa análise aponta para quatro fatores estruturais de instabilidade: a miséria popular que leva ao potencial de mobilização em massa; a superprodução das elites, resultando em conflitos intraelitistas; a saúde fiscal precária e a legitimidade enfraquecida do Estado; e fatores geopolíticos. O fator mais importante é a competição e o conflito intraelitista, que se configuram como um indicador confiável da crise iminente. [...] Os livros de história nos dizem que a Guerra Civil Americana foi travada por causa da escravidão, mas essa não é toda a história. Uma maneira melhor de caracterizar esse conflito é dizer que ele foi travado por causa da "escravocracia". [...] Como a escravidão fornecia a base econômica para o domínio do Sul, um ataque político aos proprietários de escravos poderia ser fortalecido por um ataque ideológico à escravidão. [...] Quais são as características das teorias da conspiração que as distinguem das teorias científicas? Primeiro, a teoria da conspiração costuma ser vaga quanto aos motivos dos líderes nos bastidores ou lhes atribui motivações implausíveis. Segundo, pressupõe que eles sejam extremamente inteligentes e conhecedores. Terceiro, coloca o poder nas mãos de um líder forte ou de uma pequena conspiração. E, finalmente, pressupõe que planos ilegais possam ser mantidos em segredo por períodos indefinidamente longos. Uma teoria científica, como a da dominação de classe, é muito diferente. [...] Mentes coletivas são resultado de discussões e esforços coletivos para alcançar um consenso, que pode ser ouvido (ao contrário de uma mente ilegível). Chegar a um programa de ação comum geralmente deixa rastros físicos, como atas de reuniões e documentos programáticos. É claro que alguns grupos são bastante reservados quanto aos seus processos internos de tomada de decisão. É aqui que denunciantes como Julian Assange e Edward Snowden se tornam essenciais para um sociólogo do poder. [...]. Trechos extraídos da obra End Times: Elites, Counter-Elites, and the Path of Political Disintegration (Allen Lane, 2023), do antropólogo russo Peter Turchin. Veja mais aqui.

 

BÁRBARA DE EXU, INIMIGA DO REI

É Bárbara, tenho certeza \ É Bárbara, sei que é ela \ Que de dentro da fortaleza \ Por seus filhos e irmãos \ Joga gemidos, gemidos no ar \ Que sonhos tão loucos, tão loucos, tão loucos \ Tão loucos foi Bárbara sonhar...

Trecho da música Passeio público (Berro, 1976), do cantor e compositor cearense Ednardo (José Ednardo Soares Costa Sousa), em homenagem à revolucionária pernambucana Bárbara Pereira de Alencar (1760-1832), primeira presa política do Brasil e heroína da Revolução Pernambucana de 1817 e da Confederação do Equador. Sobre ela encontram-se as obras: a biografia da coleção Terra Bárbara (Demócrito Rocha, 2017), da jornalista e escritora Ariadne Araújo; A guerreira do Brasil (Universidade de Indiana, 2001), do escritor Roberto Gaspar; A heroína do Crato (Bazar do Tempo, 2022), da socióloga e roteirista Antonia Pellegrino; e a dissertação de mestrado Relações de gênero e poder no Cariri Cearense (UECE, 2015), de Kelyane S. de Sousa. Veja mais aqui & aqui.

 

Murillo La Greca aquí, aquí, aquí & aquí.

Amanda Vieira aqui.

Robertinho de Recife aqui, aqui & aqui.

Beta Ferralc aqui.

Mestre Nuca de Tracunhaém (Manoel Borges da Silva – 1937-2014) aqui.

Teresinha Gonzaga aqui.

Vital Santos (1948-2013) aqui.

Lia Letícia aqui.

Pablo Porfirio aqui.

Marília Parente aqui.

 


domingo, março 15, 2026

AUŠRA KAZILIŪNAITĖ, VIRGINIA HIGA, RENATO NOGUERA & LOURIVAL BATISTA

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som dos álbuns Music from Man Of La Mancha (2018), Love Stories (2019), Mirror Mirror (2021), Quietude (2022) e Time And Again (2024), da premiada cantora, pianista, arranjadora e compositora, Eliane Elias. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 


Era dezembro & La Madóna di Ursatt... - Desassombrado, Zé-Bruão não abria nem prum trem descendo desenfreado. Pro grandalhão, situação que fosse, encarava; se a civilidade não vingava, tabefes, sarrabulhada. Apelidavam-no, às escondidas, de tudo que fosse abrutalhado, bicho ruim, até de Urso: Lá vai ele, ruindade! E ele só de cara fechada, de soslaio mostrando os queixares no canto da boca. Assim enfrentou muitas e tantas: linguarudos, desenvultados, maluvidos, topetudos, moléstias e pragas. Deu cabo de jactantes, poltergeists, tomahawks, nem pestanejava, providências nos conformes, nocaute no desafeto e limpava as mãos: Resolvido. Qualquer surpresa aversiva tratava na maior naturalidade, levava no comum: favas contadas. Enfrentou outras e quantas, o invencível, famigerado. Eis que amanhecia sexta 13, bateram à porta. Quem é? Não ouviu resposta. Desaferrolhou e... teibei! Viu-se impactado: arrepiou os cabelos, do globo ocular se dilatar estarrecido, dando voltas quase saltando fora, tonteou e teve um troço. Despertou com uma venta aos bafos na sua, o peso na caixa dos peitos fazendo força para reavivá-lo. Hem? Reagiu sacudindo longe, violentamente, o despropósito. Ora, ora. Estava fora de si, vertiginoso, balançou a cabeça, cerrou os punhos esfregando-os aos olhos e não viu nada: Tô cego. De novo, o canto mais limpo: Pesadelo brabo. Ih! Que piripaque é esse? Levantou-se de um pulo, asseou-se e saiu de casa à toa. Andou, zanzou, voltou, girou e, ao dobrar a esquina, esbarrou. Virge! Teve uns tremeliques e, quando deu por si, estava jogado numa maca hospitalar. Vôte! Era o absurdo e parecia ter emergido, sem mais nem menos, do fundo duma garrafa de seu destino, ninguém estava a salvo. Será? Ergueu-se firme e zarpou derrubando males e paredes, espichou lonjuras. Aí atravessou a manhã, percorreu toda tarde e, na boquinha da noite, cadê? Vasculhou a paisagem, nada. Retornava ao domicílio e de repente: Eita! Via-se de novo em palpos de aranha. Ainda deu pra ouvir: Que moleza é essa, moço? Hem! Parecia mais um donzelão! Oxe! Só conseguia balbuciar blábláblás, cheio de vírgulas e interrogações. Lascou! Estava desvelado o seu mais secreto: o indócil era mesmo casto, ali sua vulnerabilidade. Que negócio é esse? Para quem era o emblema da crueldade, da selvageria, da brutalidade, que havia reunido em si todos os poderes dos polares, dos pardos, dos grizzlies, dos negros americanos e asiáticos, dos pandas, dos de-óculos, dos malaios e dos preguiças, agora um tabacudo que só via de bom ali o cheiro de mel. Ué! Donde vinha o eflúvio melífluo que amolecia suas reações? Cobriu-se de pressentimentos, quase vira a cara e fugia da serendipidade. De viés viu o forte modo dela, deslindou a sua topografia corporal e cismou: esbelta, onduladas ancas, seios graciosos, hummmm. E intuiu: Ó, me ferrei nessa! Então perscrutou: era dela e quem? A melífica deusa celta Artio havia descido das constelações Arcturus & Ursinho, com toda pompa ancestral dos ainus, da ilha japonesa de Hokaido, para intimá-lo. Danou-se tudo agora! Ele tombou escusas acossado pela irrupção, o tempo endoidecia escamoteando emoções. E como era dezembro, embananou tudo: tempo da festa Ainu Kamui omante. E ela: Veja! Mostrava pra ele a presença de todos os koriaks, os giliarks, tlingits, tongas e haidas, todos o aguardavam. Também os pomos, os iacutos, os soiotes, os tungúsios, os chores, os teleutes, os lapões, os tártaros de Altai e Minussink, os pueblos no kiva, todos olhavam pra ele. Acha pouco é? Ela asseverou: Tem que se lembrar e não esquecer de nada. Que coisa! Meio mundo de gente! Então, foi cientificado por ela: Trouxe o mistério Yu-o-Grande para incorporá-lo no poder dos kshatriya. Como? Você é o Avô dos algonquinos canadenses; e também riksha, a montaria da yogini Ritsamada. Tá ficando doida, é? Dance. O quê? Dance, vá! Você é o inconsciente ctônico, o seu sopro emana das cavernas para acompanhar a minha irmã, Ártemis, na hierofania lunar pelos cemitérios da Sibéria. Agora deu! Você tem que me devorar se eu for culpada. Pronto! E encantadoramente ela solfejou para a plateia toda: Tomai bastante cuidado, pobres mulheres / tomai bastante cuidado com vosso ventre / protegei vosso pequeno fruto!... Pela primeira vez na vida ele estava deveras encurralado: Tô fodido e mal pago! De que adiantava tanto poderio se, àquela hora, tudo era inútil. E deu um passo atrás, mais outro e viu-se cercado, enfim cedeu. Vamos! E seguiram por entre estatuetas em bronze de Muri, em Berna, acompanhados pelos celtas Helvetii. No culto da deusa: Vamos salvar famílias da fome. Hum? Ali mesmo ela então uniu o céu e a Terra; e recomendou com severidade: feche os olhos, respire profundamente e recolha-se dentro de si. Desça aí bem fundo, tape os ouvidos, não tenha medo, está protegido por mim. E, dominando o desajeitado, quebrou-lhe a resistência paulatinamente e acasalaram nos Alpes Réticos. Eita, tirou o cabresto! Viva! Durante a cópula nasceram-lhes na hora dois filhotes que saíram para socorrer uma mãe faminta com os seus cinco chorosos filhos. Onde? Numa aldeia alpina, a coitada genitora rezava devotadamente e enchia uma grande panela com água para ferver, fingia preparar a refeição, não havia nada. Desesperada foi ao jardim e constatou: nenhum comestível. Recolheu um punhado de pedras: que mais poderia fazer? E as escondeu sob as vestes, voltando à cozinha. A água mal esquentava e bateram à porta: quem seria? Eram os dois filhotes trazendo o milagre: estavam providos em abundância, o amor é providencial redenção. Até mais ver.

 

Doris Lessing: São as nossas histórias que nos recriarão quando estivermos dilacerados, feridos, até mesmo destruídos. É o contador de histórias, o criador de sonhos, o criador de mitos, que é a nossa fênix, que nos representa no nosso melhor e no nosso momento mais criativo... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Juana de Ibarbourou: O amor é fragrante como um ramo de rosas, amando se possuem todas as primaveras... Veja mais aqui.

E. L. James: Existe uma linha muito tênue entre prazer e dor. São duas faces da mesma moeda, uma não existe sem a outra... Veja mais aqui, aqui & aqui.

 

EXISTE UM RIO

Imagem: Acervo ArtLAM.

Há mulheres tão retas quanto cordas, sempre se esforçando para serem afinadas. / Você não um encontrando único fiapo em seus restos. / Há homens de terno que sempre apertam sua mão. / Eles sorriem – mas mentemente. Dissíduo / Há um vagabundo que dormiu no ponto de ônibus de Šilo. / Há um rio por perto. Há colinas e vales. / Há cartas sem resposta e patos flutuando em água fraca. / E lá estou eu – eu / a pendurar o alaúde, em algum momento, realmente / sabia o que fazer e querer da vida. / E ali existe um rio. / Há rios em potes de vidros e em tempos de sorteio há muitos / em nossas pequenas despensas. Risos mofados. / E há núcleos, asas lindas núcleos do céu. Elas mudam. / Ali são suas mãos. / Ali está a vontade de pegar e querer sua mão. / Ali está uma cidade. / Ali estão as ruas. / Ali estão as casas. Ali estão escadarias. Ali estão degraus. / Às vezes subimos mais alto. Às vezes descemos. / Existe uma noite. Dormimos à noite. Existe o dia. / Existem cafeterias, universidades e lojas. Existem escritórios e galerias. / Categoria: Fotos existem. Categoria: Fotos do existem. Categoria: Fotos do existem. / E ali existe um rio.

Poema da filósofa e poeta lituana Aušra Kaziliūnaitė, autora dos livros The First Lithuanian Book (2007), 20% Concentration Camp (2009); The Moon Is a Pill (2014), I Am Crumbled Walls (2016) e Jūros nėra (2020).

 

O ENCANTO DO VERÃO - [...] E quão pouco alcance têm a graça ou a inteligência, em todo caso, se elas só podem ser percebidas através da linguagem. [...]. Trecho extraído da obra El hechizo del verano (Sigilo Editorial, 2023), da escritora e tradutora argentina Virginia Higa, que no seu outro livro, Os sorrentinos (Sigilo, 2018), ela expressa que: [...] Os sorrentinos eram uma massa redonda e recheada inventada por Umberto, o irmão mais velho de Chiche, e batizada em homenagem à cidade de seus pais. O sorrentino não tinha a borda de massa dos pansotti, nem o recheio de carne dos agnolotti, nem continha ricota como os cappelletti. Era uma meia esfera com algum volume, feita com uma massa secreta, macia como uma nuvem, recheada de queijo e presunto. [...].

 

IARA – [...] as habilidades de Iara são a causa de sua desgraça: A guardiã do reino das águas percebeu antes do ataque a ação dos irmãos, e para se defender flechou mortalmente todos eles. Ao tomar conhecimento do fato, o seu pai e pajé, sem buscar o motivo da ação da filha, tomado de dor, decidiu castigá-la. Iara foi obrigada a fugir. Iara escondia-se porque amava o pai e não queria confrontá-lo. Ela dormia camuflada, misturada com a floresta e seus habitantes. A moça não temia onça nem cobra; o único medo era o pai. Tomada pela culpa, passava dias sem encontrar sono. Mantinha-se a maior parte do tempo em vigília, à espreita, pronta para se defender de um ataque. Depois de sete ciclos de lua cheia, o pai encontrou Iara acampada entre árvores. Em uma manhã em que o sol chegou manso e a chuva fina da noite tinha se retirado, o dia fresco embalou o sono de Iara. Assim, o pai amarrou a própria filha, arrastou-a até o encontro voraz entre os rios Negro e Solimões. Iara acordou com a queda nas águas e desceu como uma pedra até as raízes dos rios. O espírito das águas junto ao reino dos peixes protegeu Iara e a transformou em uma mulher peixe. A partir de então, ela tem atraído homens para o fundo dos rios. Em geral, esses homens nunca retornam. Por isso, sua reputação permanece assustando quem passa pelo domínio de suas águas. [...]. Trecho extraído da obra Mulheres e deusas: Como as divindades e os mitos femininos formaram a mulher atual (Harper Collins, 2018), do filósofo, escritor, dramaturgo, roteirista e pesquisador Renato Noguera, também autor da obra O ensino de filosofia e a Lei 10.639 (Pallas, 2015).

 

LOURIVAL BATISTA, O LOURO DO PAJEÚ

Cantar comigo é um risco / quebra pedra, espalha cisco; / vem trovão, e vem corisco; / vem corisco e vem trovão; / desce água em borbotão; / as águas formando tromba / teu açude, agora, arromba / nos oito pés de quadrão!

É muito triste ser pobre; / para mim é um mal perene…/ trocando o ‘p’ pelo ‘n’, / é muito alegre ser nobre;/ sendo ‘c’, é cobre / cobre, figurado, é ouro / botando o ‘t’, fica touro / como a carne e vendo a pele / o ‘t’, sem o traço, é ‘l’ / termino só sendo Louro!

Para Dragão, estás errado, / pois Lourival já te explica: / tira letra, apaga letra, / bota letra e metrifica: / tira o ‘d’, apaga o ‘r’ / bota o ‘c’, vê como fica…

Poemas do repentista e poeta popular Lourival Batista (Lourival Batista Patriota – 1915-1992), o Louro do Pajeú, rei do trocadilho. Em sua homenagem foi publicado o livro Um certo Louro (EduFRN, 2001), pelo poeta e professor Alberto da Cunha Mélo. Veja mais aqui, aqui & aqui.

&

USINA DE ARTE FESTIVAL JAZZ & BLUES

 


Capiba aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Valéria Vicente aqui.

Marco Nanini aqui.

Ana das Carrancas, a Dama do Barro (Ana Leopoldina dos Santos - 1923-2008) aqui & aqui

Mestre Zé do Carmo (José do Carmo Souza – 1933-2019) aqui.

Virginia Leal aqui, aqui & aqui.

Lula Cardoso Ayres aqui, aqui & aqui.

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Nash Laila aqui.

&

AS MULHERES NA REVOLUÇÃO PERNAMBUCANA DE 1817

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domingo, março 08, 2026

LAILA LALAMI, DARIJA ŽILIĆ, KATE BORNSTEIN & ARNAUD RODRIGUES

 

Imagem: Acervo ArtLAM.

Oíd su nombre olímpico resuena por el globo, \ Lo dice en Carabobo; triunfante su clarín; \ Y con marcial estrépito, también su nombre escucho, \ Glorioso en Ayacucho, magnífico en Junín. \ Los cánticos de gloria para él no tienen fin. \ ¡Bolívar! Dice El Ávila…

Trecho do Himno al Libertador Simón Bolívar (musical para solista, coro y orquesta, 1883), da pianista, cantoras, compositora e maestrina venezuelana Teresa Carreño (María Teresa Carreño García de Sena - 1853-1917), com letra do poeta venezuelano Felipe Tejera (1846-1924), com regência de Gonzalo Castellanos & Orquesta Sinfónica Venezuela con la Coral Filarmónica. Veja mais aquí.

 

A desconhecida da oculta rua anônima... - Naquela tarde Manuela sentiu a leveza de sua alma libertária. Era março e aniversariava revivendo o falatório festivo de seu batizado: um encômio à heroína espanhola Malasaña Oñoro. Salves e vivas. Seguia espontânea e extrovertida Monika, com suas dezessete primaveras repletas de beleza e simpatia, enquanto esperava quase Emma pelo emergente príncipe encantado que nunca dera as caras para sua redenção. As lembranças rondavam agora distantes suas passadas no crepúsculo: o cheiro de pão quentinho trazido pelo genitor padeiro e as orações maternas da costureira por mais um dia reunindo trapos. Queria era fugir da rotina e dos assédios, ignorando que na sua fuga caíra coagida na arapuca daquela Maria Kutschera, encurralada na casa dos Von Trapp, Santa Zita que a salvasse do martírio de La mujer que nunca hizo nada. Escapulia serelepe entre os jardins, sonhava Maria Teodora: o mundo todo era seu à beira dos canteiros, alheia a tudo, o universo espargia no seu coração. Era uma tarde como outra qualquer e nem se dera conta do convulsivo confronto entre prós e contras com seus tambores beligerantes. Os seus olhos no rio espelhavam o céu e o inexplicável outro lado de lá, todos os futuros na espiral dourada, ornando memórias e fantasias aos ventos: era só uma menina que adolescia no afã de amar pela primeira vez, sem a astúcia da Charlotte. Nem ouviu o disparo: abriu-lhe a fronte e uniu suas sobrancelhas, pálpebras cerradas na vertigem de tombar ao meio fio da praça. Logo um cortejo se fizera em sua alada projeção, reunindo umas às outras, desde a Juanita de Ampato, a jovem vítima celta dos Durotriges de Dorset, as dos Odinists de Delphi, as 3 mulheres de Arroio dos Ratos, as esquartejadas da casa de Florencio Varela, as de São Cristóvão de Salvador, as enterradas no jardim de Buenos Aires, as duas da casa de Vicência, as jovens de Feira de Santana, as assassinadas a tiros no Rio, a dos feminicídios em São Paulo, a procissão das que sucumbiram ao juvenicídio da necropolítica. Sentiu-se assim um vago sobrenome a mais na pele de Eloá e o retrato perdido pelo sangue que escorria pelas homicidas mãos paternas. Muito menos saberia tempos depois ali mesmo, pelas mãos enamoradas do poetescultor, a sua imagem escultural como uma respigadora Afrodite Kalipígia - La Spigolatrice di Sapri: a desconhecida duma rua anônima. Até mais ver.

 

Carolina Maria de Jesus: Quem inventou a fome são os que comem... Quando o homem decidir reformar a sua consciência, o mundo tomará outro roteiro... Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

Louise Gluck: A alma é silenciosa. Se ela fala, fala em sonhos... Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

Rhonda Byrne: Plante o máximo de bons pensamentos que puder em cada dia... Seus pensamentos causam seus sentimentos... Veja mais aqui.

 

DOIS POEMAS

Imagem: Acervo ArtLAM.

RESPIRAÇÃO - Respire e deixe que as sombras da geada e dos tubérculos se intensifiquem. \ Quebre e abra seus jardins interiores \ E o coração, que acumulara amargura por anos, \ Deixe descansar sob o toque suave \ da mão silenciosa de alguém.

O FUTURO É PROMISSOR! - Quero dizer, de hoje para amanhã. \ Um bilhete de compra dizia: atum, \ O protetor de tela contém uma imagem. \ de uma flor na água. \ O futuro é promissor, disse. \ a famosa atleta, e então ela acrescentou— \ Viva o presente e pense apenas no agora. \ depois.

Poema da poeta, crítica literária, tradutora, ativista e editora croata Darija Žilić, autora de obras como Breasts and Strawberries (2005), To Write in Milk (2008), Muse outside Ghetto: Essays on Contemporary Literature (Prêmio Julije Benešić, 2012), Nomads and hybrids: Essays on Contemporary Literature and Film (2010), Parallel Gardens: Interviews with Theorists, Writers and Activists (2010), Tropics: Critics about Contemporary Poetry (2011), Dance, Modesty, Dance (2010), Omara (2012) e Tropics 2: critics about poetry, prose and society (2014).

 

HOTEL DOS SONHOS – [...] Ser mulher era observar a si mesma não apenas com os próprios olhos, mas também com os olhos dos outros. [...] Historiadores observam o mundo, cientistas tentam explicá-lo, mas são os engenheiros que o transformam. Passo a passo, substituíram casamenteiros de aldeia por aplicativos de namoro, arautos por redes sociais e médicos locais por ferramentas de diagnóstico. Chegou a hora de sábios, místicos e profetas cederem lugar à inteligência artificial. Assim, a história segue em frente. [...] Em todo caso, o crime é relativo — seus limites se alteram a serviço das pessoas no poder. [...] Em determinadas circunstâncias, qualquer coisa pode se transformar em algo sinistro. [...] A vida foi feita para ser vivida, para ser aproveitada ao máximo, para que toda a sua beleza e alegria sejam extraídas; ela não foi feita para ser contida e inventariada em nome da segurança. [...]. Trechos da obra The Dream Hotel: A Read with Jenna Pick (Pantheon, 2026), da escritora marroquina Laila Lalami, autora de obras como Die Anderen (2021), La Florida (2020), Conditional Citizens: On Belonging in America (2020), The Other Americans (2019) e The Moor's Account (2014).

 

A PRÓXIMA GERAÇÃO FORA DA LEI DE GÊNERO - [...] É fácil ficcionalizar uma questão quando você não está ciente das muitas maneiras pelas quais você é privilegiado por ela. [...] A primeira pergunta que costumamos fazer aos novos pais é: “É menino ou menina?”. Há uma ótima resposta para essa pergunta que circula por aí: “Não sabemos; ainda não nos disse”. Pessoalmente, acho que nenhuma pergunta que contenha “ou um ou outro” merece uma resposta séria, e isso inclui a questão do sexo do bebê. [...] Nunca transe com alguém com quem você não gostaria de transar. [...] Em vez de dizer que todo gênero é isso ou todo gênero é aquilo, vamos reconhecer que a palavra gênero carrega consigo inúmeros significados. É uma amálgama de corpos, identidades e experiências de vida, impulsos subconscientes, sensações e comportamentos, alguns dos quais se desenvolvem organicamente e outros são moldados pela linguagem e pela cultura. Em vez de dizer que gênero é uma única coisa, vamos começar a descrevê-lo como uma experiência holística. [...]. Trechos da obra Gender Outlaws: The Next Generation (Pub Group West, 2010), da escritora, atriz e ativista estadunidense Kate Bornstein, que na obra Hello Cruel World: 101 Alternatives to Suicide for Teens, Freaks & Other Outlaws (Seven Stories Press, 2006), expressou que: […] Tenho a ideia de que, sempre que descobrimos que os nomes que nos dão nos impedem de sermos livres, precisamos criar novos nomes para nós mesmos, e que os nomes que nos damos não devem mais refletir o medo de sermos rotulados como forasteiros, não devem mais nos prender a um sistema que preferiria nos ver mortos. [...] Vamos parar de "tolerar" ou "aceitar" a diferença, como se fôssemos muito melhores por não sermos diferentes. Em vez disso, vamos celebrar a diferença, porque neste mundo é preciso muita coragem para ser diferente e agir de forma diferente. [...] E lembre-se de que a pessoa que torna a vida digna de ser vivida hoje não será a mesma pessoa que tornará a vida digna de ser vivida daqui a um ano. Identidades não são feitas para serem permanentes. São como carros: nos levam de um lugar para outro. Trabalhamos, viajamos e buscamos aventuras com eles até que quebrem de vez. Nesse ponto, viver bem significa encontrar um novo modelo que se adapte melhor a nós em um novo momento. [...]. Ela também é autora de A Queer and Pleasant Danger: The True Story of a Nice Jewish Boy Who Joins the Church of Scientology and Leaves Twelve Years Later to Become the Lovely Lady She is Today (2006). Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

 

ARNAUD RODRIGUES

Em cima daquele morro \ Passa boi, passa boiada \ Passa boiada \ Tem movimento paca! \ Em cima daquele morro \ Passa boi, passa boiada \ Passa boiada \ Tem movimento paca! \ Tem movimento paca! \ Paca, tatu, cotia, não \ Não tem na serra não \ Ah, porque nêgo mata! \ Joguei uma pedra nágua \ De pesada, foi ao fundo \ E foi ao fundo \ E ninguém disse nada! \ Tubarão, peixe, piaba \ Tubarão, peixe, piaba \ Não respondem não \ Ah, se não, nêgo mata! \ Batatinha, quando nasce \ Esparrama pelo chão \ Esparrama não! \ Ah, porque nêgo cata! \ E passarada passa o arado \ E nada vem do chão \ Ah, porque nêgo rapa! \ Mata jacu, jaó \ Paca, tatu, maracajá \ No jacá de cipó \ E taca o tiro, e taca a faca \ A faca fere a fera! \ Onde a inteligência impera \ É que se dá coisa pior \ E morre a fauna e não se ouve \ O sabiá cantando! \ E morre a flora e não se vê \ A flor desabrochando! \ E não se escuta mais o ronco \ Daquela cascata! \ É o fim da vida, é o fim da água \ Nêgo tá matando a mata!

Letra da música Em Cima Daquele Morro, do álbum O som do Paulinho (1976), do ator, cantor, compositor, roteirista, produtor e humorista Arnaud Rodrigues (Antônio Arnaud Rodrigues – 1942-2010), que estreou na extinta TV Tupi, foi parceiro de Chico Anysio, do qual foi parceiro do grupo musical Bahiano & Os Novos Caetanos, atuando como Paulinho Cabeça de Profeta, creditado como um dos precursores do rap brasileiro. No cinema ele atuou nos filmes O Doce Esporte do Sexo (1971), Uma Nega Chamada Tereza (1973), Os Trapalhões e o Mágico de Oróz (1984) e A Filha dos Trapalhões (1984). Veja mais aqui & aqui.

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1817 – A REVOLUÇÃO ESQUECIDA

O documentário 1817 – A revolução esquecida (2017), dirigido por Ricardo Favilla & Tizuka Yamasaki, conta a história pernambucana de março de 1817, do levante civil-militar, independentista e republicano da história brasileira, envolvendo a paixão de Domingos José Martins e Maria Teodora, que viviam um amor proibido e se casam. O filme é inspirado na obra A noiva da revolução: o romance da República de 1817 (1977 – Comunigraf, 2006), do escritor e jornalista Paulo Santos de Oliveira. Veja mais aqui & aqui.

 

Paulo Diniz aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Isa Pontual aqui.

Tiago Amorim (Sebastião Wilson Ferreira de Amorim) aqui & aqui.

Kamille Carvalho aqui.

Clóvis Pereira aqui & aqui.

Lúcia dos Prazeres aqui.

Gilvan Lemos aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Layza Pereira aqui.

Cícero Dias aqui, aqui, aqui & aqui.

Terezinha do Acordeon aqui.

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CRÔNICA DE AMOR POR ELA

Veja o vídeo do show aqui & mais aqui & aqui.



 


IRMA PINEDA, SOFI OKSANEN, PETER TURCHIN & BÁRBARA DE EXU

    Imagem: Acervo ArtLAM . Ao som do concerto Live at Philarmonie Luxembourg (2025), oriundo do álbum Sonicwonderland (2023), da pianis...