sábado, agosto 29, 2026

ANNA LEMBKE, RIN USAMI, BIRHAN KESKIN, ANTÔNIO MARIA & YAYOI KUSAMA

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.

 


Cambalhotas & as coisas nunca davam certas... - Zé Lua vivia por aí, todo acanhado sob a aba do boné, aparando a testa dos seus 13 anos de idade, caniço de magro, à procura duma lavagem de roupa pra se sustentar em pé. Cabisbaixo arrastava a chinela, pra cima e pra baixo, a se distrair com as falas escandalosas da estridente aglomeração no vuque-vuque pelo centro da cidade. Era gente que só, pensava consigo: todos só queriam ganhar e gastar dinheiro, alvoroçados, e o que fazer mais se era esse o ânimo de todo mundo e, fora disso, a miséria encardida dele pela manhã todinha. Ah, porcaria! Já passava do meio dia e a fome apertava pra quem ainda se segurava no jejum. Numa lanchonete pediu emprego: Venha sábado, que é dia de feira. Então, me dê uma comida aí! Sai pra lá, mendigo! Austero, grosseiro, o dono do estabelecimento o defenestrava dali. A sua salvação foi um estranho que ofereceu pagar a refeição dele. Traçaram o rango juntos e, tapeado o bucho,  zanzaram a tarde toda. O céu àquela hora tinha a cor de quando vem chuva e ele se achando pelo mundo postiço, flagrando a torpeza espalhada entre fingimentos e desavenças pelos chuviscos. Só faltava essa! Os olhos amornados: caiu o maior pé d’água. Assuntou um tiquinho, coisa chocha mesmo. Ajeitava-se pelas beiradas, a água já pelo mocotó, fazia que aguentava aquilo tudo, as coisas todas de fora e as não vistas por aí. Desencosta dessa tristeza, chô! Hem? Segura a tampa. Ah, infame! Ele ali cheio das curiosidades, não conhecia bem Alagoinhanduba. Danou-se às perguntas, carregado de dúvidas. Desinvoca, vai! Falavam dum milagre que ele andava à cata: Onde? Quando? Nunca que sabia que tinha um santo Médici: Onde já se viu? Desincha as bochechas, vai! Às risadagens, com agora amigo Beto tagarela: Eu quero é botar meu bloco na rua! Como assim? Quero é atravessar a ponte Rio-Niterói! É longe? Se, ó. Queria era arrumar um emprego! Melhor fugir pela Transamazônica. Onde fica isso? Lá longe, depois de onde vira o beiço! E como chego lá? Vai andar um bocado. Logo vi, tudo é longe pra mim. Ih! Sorria, meu bem, sorria!... Chega dá vontade... Não bote força, vá no jeito. Aí, não deu sentença. E o amigo, numa cantiga de amor doido: Chorar pra quê?... Foi-se Bruce Lee. Era o dia dele. Gente é bicho de Deus. Ara. Fique atento, senão finda como o agente Laranja pedindo penico pra vietcongue, visse! Como? Você não entende nada! Palavreado loré esse seu. Oh, tapado: é aqui a Guerra do Vietnam, de verdade. Você fala umas coisas estranhas... Eu sou a Mosca na sopa! Queria ser como você... Anoiteceu, vamos cear pra gente assistir o Bem-amado. Onde? Ali na tevê da praça, não viu? Vamos, depois, a gente passa por lá. Engoliram o que deu pra comer no pavilhão de dona Zefinha e, depois, se arrancharam no jardim da praça pra ver a novela. Você vai dormir aonde? Não sei. Tem uma maloca no arruado da usina, a gente dorme por lá. Oba! No dia seguinte despertou sozinho, o amigo havia sumido. Oxe! Passou o dia todo pedindo emprego, a pança vazia. Já de noite de novo e tentou enganar a barriga roncadora assistindo ao capítulo teledramático, mas perdeu a paciência e foi-se, recolheu-se à tapera, tentando dormir. Amanheceu o sábado roxo de fome, correu pra lanchonete e, chegando lá, conseguiu ocupar-se. Já tomou café? Não como desde anteontem. Tome. Devorou um sanduíche de mortadela, deu pra enrolar as tripas. Bora trabalhar. Viu o patrão folheando um jornal com a foto daquele seu amigo desaparecido, o Beto. De soslaio: Conhece ele? Não. Era dia de feira, o povo e seus pedidos. Nem deu tempo para mal-entendidos. Desenrolou e, no final do expediente, comeu um pão com ovo, zarpou bêbado de sono. No outro dia, as moedas do bolso: O que ganhei mal dá pra comer. Foi pro trabalho, fechado, era domingo, ora, tinha de se virar: saiu catando o que fazer. Deu de cara com um estranho cantarolando o sucesso do rádio: “Vira, vira, vira, \ Vira, vira, vira homem, vira, vira \ Vira, vira lobisomem...” Era o receptivo coroinha Pedim do Padre: Que é que você tem? Tô com fome. Oxe, vamos pra igreja, você me ajuda a balançar o sino e a gente come na casa paroquial. Bora. Nunca tinha visto mesa farta, o padre Quiba deu as ordens: Quem é esse? É um morador de rua, estava com fome e veio me ajudar. Vamos logo! Os dois lá, blém, blém, pra missa da manhã domingueira. Terminada a liturgia, limparam tudo e saborearam farto repasto: era o almoço. Saíram juntos quando o agora amigo mostrou-lhe uma coleção de gibi. Coisa de ficar entretido. E brincavam já de tarde: De noite a gente vai no cemitério! Fazer o quê? Brechar as moças da vida se esfregando nos machos! E é! Pra frente, Brasil! À boquinha da noite lavaram a égua e foram pular o muro do sepulcrário. Hesitou, o terror das trevas, tudo nevoento. Atravessaram pelas catacumbas e se arrancharam numa touceira na parede esburacada. O que é aquilo? Safadeza. Viram dois machões esmurrando uma delas, aos gritos. Vieram outras, apanharam todas, chicotadas, desnudas. Eita, cada lamborada, hem? Gritaria. Lua espantou-se com o amigo onanista, em êxtase por vê-las seminuas, vestes rasgadas. Olha a caçola delas, meu! E o provocava para um cavalo-mago! Eita! Deixa de ser molenga! Estranhou vê-lo às aperturas, todo se desmilinguindo, os olhos virando. Sai pra lá! O enterro voltando: Lá vem os caras pra cá! Corre! Quedaram em desespero, acotovelaram-se. Pra que lado? Arquejavam, o chão tremia sob os pés. Tomou-lhe o pulso: Bora, porra! Deixaram tudo pra trás. Pularam o muro de volta e na primeira esquina: Vamos, já tá na hora da missa! Correram e ficaram lá, de joelhos, cara mais lisa, santinhos. Ao término, seguiam sob as vistas desconfiadas do pároco, chamando Pedim prum confidencial. Ouviu o zunzunzum e logo percebeu que não seria nada de bom. Um estrondo: só viu o baque! Eita! Pedim veio com uma cara enjoada. O vigário logo em seguida com cara de poucos amigos: Tem onde dormir? Tenho. Então pode ir, zarpa! Despediu-se do amigo, com uma promessa dele: Amanhã passa na Barraca Azul que eu descolo um lanche pra você. O da batina deu um beliscão no achegado e cagou raios nos bregues. Foi-se o que dera doce, socou-se na sua loca e, no outro dia, olhos remelentos, fatigado. Levantou-se e foi pro acertado: o amigo não estava lá, como prometido; o canto mais limpo. Disseram: Ele foi trabalhar em Itaipu! Vixe! Foi pra lanchonete e levou esporro porque chegou atrasado: Você é o Skylab é? Não, senhor. Se for, leve a bronca pra lá! Descolou um petisco e ficou por ali fazendo mandados. O patrão resmungava: Esse não vale o feijão que come! Ao lado, uma banca de revistas, não tirava o olho: Quanto é? Não tinha dinheiro para comprar aquela que soletrava: Char-lie, Charlie Moon. O chefe ralhando feio, brabeza nos olhos: Vai roubar não, tô de olho em você! O proprietário da banca arremedou: Esse num vale um conto de réis! Aí o superior castigou: Fique perto das minhas vistas, seu! Zé na defensiva, ficou meio de banda e levou no cangote maior esculacho: Menino, tome jeito, senão você acaba que nem Araceli, viu? Ou como Carlinhos... Ana Lídia... Ou o Beto, se assunte! Beto? Ficou com o coração na mão, o olho numa rapadura ali estirada no gosto. Serviu-se de uma boia e, às portas arreadas, procurou caminho de volta pro cantinho, pra se entocar. No meio do caminho: Foi ele! Pega! Correria, escondeu-se na primeira brecha. Onde ele se meteu? Pente fino, caça tudo! Clandestino, ficou na sua: Pra quem não tem um bem nem vintém, ué! Tapava o olho, mirava, aos sopapos, um toco de graveto, a futucar no traquejo, era o ponto pras más surpresas. Foi por uma banda, voltou pela outra. Segurou a carranca na sola do pé, foi a conta: riscou no ar. Mandou longe, tão desfeliz, segurou-se na cacunda, resignado: a boa lua que acudisse, asfixiado de medo. Coisa de cigano: sem saber pra onde metesse as ventas. Mas ia. A coragem no toitiço por uma peínha de nada, segurava nos beiços sua indignação. A vizinhança caçadora: Cadê-lo? E ele trepado na garupa doutro esconderijo, sua modorra. Ao rés do chão, puxou a tabica, faria o mesmo e se desviava papudo, pueril, afiava a munheca no parapeito. Aí a frustração: nada dava liga. Lembrou-se de Beto, Pedim, o emprego, dona Zefinha tão boa, tudo perdido. Assim por vários dias, semanas, meses, aos pinotes, a coisa nunca como sonhado e ele: Só deixo o meu Cariri no último pau de arara... Era uma vez e mais uma e outra mais... Até mais ver.

 

Emil Cioran: O homem recomeça todos os dias, apesar de tudo o que sabe, contra tudo o que sabe... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Jennifer Egan: De certa forma, estou sempre tentando fazer algo que não estou qualificada para fazer. Por isso, sinto essa falta de qualificação. E tenho medo. E eu tenho uma tendência a pensar que as coisas podem e provavelmente não vão dar certo. Essa é a minha mentalidade básica... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Ione Skye: Eu tenho essa teoria da convergência, de que coisas boas sempre acontecem junto com coisas ruins... Não seja cruel, isso também é difícil para mim... Veja mais aqui, aqui & aqui.

 

VÓRTICE QUEBRADO

Imagem: Acervo ArtLAM.

Estou num vazio árido, escuro e desolado. \ Pendurei os kilims contra o vento. \ Aqui estou eu, \ num cochilo vespertino sobre os talos. \ O mundo está lá embaixo, as montanhas distantes. \ Sou tão ressentido quanto esta encosta, \ mas colorido, ao vento, kilims \ e o fim da colheita, folha cansada, lagarto fugitivo. \ Sou o lago sobre o qual a noite cai. \ Uma vez que criei uma memória por amor, \ não o farei novamente. \ Sou um pequeno grupo na vinha \ sobre a qual o outono passou e abandonou. \ Você é como um lago, \ você é como um lago? \ Você é como um lago, ei! \ Você está em um sonho, ei, você é o sonho. \ Em um poema aquático, \ você está falando alto. \ Os Países Baixos \ estão silenciosos agora. Sempre!

Poema da escritora, editora e socióloga turca Birhan Keskin, que foi editora adjunta da pequena revista Göçebe e é autora de livros como: Delilirikler (1991), Bakarsın Üzgün Dönerim (1994), Cinayet Kışı + İki Mektup (1996), Yirmi Lak Tablet + Yolcunun Siyah Bavulu (1999) e Yeryüzü Halleri (2002), Kim Bağışlayacak Beni (2005), Ba (2005), Y'ol (2006), Soğuk Kazı (2010) e Fakir Kene (2016).

 

ÍDOLO ARDENTE - [...] Da mesma forma que uma noite de sono amassava os lençóis, o simples fato de estar vivo cobrava seu preço. [...] Mas este mundo onde eu aparecia com minha persona meio inventada era um lugar mais gentil. [...] Eu não conseguia lidar com a vida da mesma forma que todos os outros pareciam fazer com facilidade, e lutava diariamente com as consequências complicadas. Mas impulsionar meu oshi era o centro da minha vida, algo natural, meu único ponto de clareza. Era mais do que um núcleo — era minha espinha dorsal. [...]. Trechos extraídos da obra Idol, Burning: A Psychological Debut About Celebrity Worship, Fame, and Devastating Scandal (HarperVia, 2022), da escritora japonesa Rin Usami.

 

A VIDA & VIVER - Eu exorto você a encontrar uma maneira de mergulhar plenamente na vida que lhe foi dada. Parar de fugir de tudo o que você está tentando escapar, e em vez disso para parar, virar, e enfrentar o que quer que seja… A razão pela qual todos nós somos tão miseráveis pode ser porque estamos trabalhando tão duro para evitar ser miseráveis... Pensamento da psiquiatra e professora estadunidense Anna Lembke. Veja mais aqui, aqui & aqui.

 

A ARTE DE ANTÔNIO MARIA

(Escultura de Antônio Maria, na Rua Bom Jesus, centro histórico do Recife, do escultor Demétrio Albuquerque - Foto: Rubens Chaves)

Vi-a passar. Comecei a vê-la ao longe, quando despontou na rua. Conheci-lhe a blusa, mas achei diferente a maneira de caminhar. Aquele andar mole, de quem vai para lugar nenhum. Talvez não fosse o caso, no entanto. As pessoas quando não estão felizes, ou quando estão infelizes, por mais que andem, parece que não vão para lugar nenhum... De vez em quando eu tenho me surpreendido descansando de coisas que eu não fiz... O homem só tem duas missões importantes: amar e escrever à máquina. Escrever com dois dedos e amar com a vida inteira...

Trechos extraídos de crônicas do escritor, jornalista e compositor Antônio Maria (Antônio Maria Araújo de Morais – 1921-1964), que compôs samba-canção, polcas, frevos, marchinhas de carnaval, valsas e sambas. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui,  aqui & aqui.

 

A ARTE DE YAYOI KUSAMA

Minha arte é uma expressão da minha vida, sobretudo da minha doença mental, originária das alucinações que eu posso ver. Traduzo as alucinações e imagens obsessivas que me atormentam em esculturas e pinturas. Todos os meus trabalhos em pastel são os produtos da neurose obsessiva e, portanto, intrinsecamente ligados à minha doença. Eu crio peças, mesmo quando eu não vejo alucinações, no entanto. Com o tempo, passou a preencher pisos, paredes, telas, objetos e até pessoas com seus pontos...

Pensamento da escritora e artista plástica japonesa Yayoi Kusama (1929-2026), que se expressou por meio de uma diversidade artísticas, que vai das colagens, pinturas, esculturas, arte performática e instalações ambientais, tendo por característica a obsessão por pontos e bolas. A obra “Narcissus garden Inhotim” (2009) pode ser encontrada no Centro Cultural Inhotim, em Minas Gerais, dezenas de grandes esferas prateadas, que ficam na superfície da água e que podem ser movidas conforme a ação dos ventos, réplica/versão da escultura que fez em 1966, para participar da Bienal em Veneza, onde ela espalhou 1500 esferas espelhadas e as vendia por 2 dólares. Entre as bolas, havia placas com os dizeres “Seu narcisismo à venda”, uma forma que ela encontrou para criticar o sistema das artes. Ela era considerada louca e, na sua loucura e em seus desvarios, ela encontrou na arte a fuga e o tratamento da sua doença. Como ela mesma diz: Se não fosse sua arte, já teria me matado há muito tempo. No caso dela, além das alucinações, muitas vezes suicidas, ela ainda passou a ter TOC, ou seja, as bolinhas e pontos se tornaram uma verdadeira obsessão, que se reflete em tudo que venha da artista, não só em sua arte como também no seu visual, que chamou muita atenção. Veja mais aqui & aqui.

 


LEITURAS: JORGE LUÍS BORGES – (Imagem do pintor italiano Stefano Davidson) - Reunião de algumas das leituras de obras do escritor argentino Jorge Luís Borges (Jorge Francisco Isidoro Luis Borges Acevedo – 1899-1986), por quem nutro profunda admiração, tornando-me compulsivo em devorar seus livros, incluindo-se aí releituras reiteradas e feitas até hoje. Confira aqui.

 


O TEATRO DE AUGUSTO BOAL – Homenagem ao dramaturgo, escritor e compositor Augusto Boal (Augusto Pinto Boal - 1931-2009), tendo em vista a sua indispensável importância na minha formação teatral, influenciando, evidentemente, a minha atuação na área, inclusive na escrita dos meus textos. Muito aprendizado que foram recolhidas de suas obras, notadamente Técnicas Latino-Americanas de teatro popular: uma revolução copernicana ao contrário (Hucitec, 1975), 200 exercícios e jogos para o ator e não-ator com vontade de dizer algo através do teatro (Civilização Brasileira, 1983), além de Teatro do oprimido e outras poéticas políticas (Civilização Brasileira. 1975), entre outras. Tenho em os livros de minha predileção o seu Teatro Completo (Hucitec, 1986, 2 volumes). Confira aqui.

 


SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA – Reunião de temáticas que abordam a diversidade dos debates na sociedade contemporânea, envolvendo desde a questão do futuro da humanidade, a arqui-violência, o cristofascismo, o capitalismo, o racismo, agrotóxicos, a responsabilização política, as tecnologias e as neurociências, entre outros, refletidas pelos mais diversos pensadores, neurocientistas, filósofos, psicólogos & outros profissionais estudiosos dos mais diversos campos do saber. Confira aqui.

 


O CAMINHO DOS VENTOS - Este é o terceiro episódio das aventuras do Nitolino no Valuna, em que os protagonistas chegam no toré xukuru e são levados ao sabor dos ventos. Confira aqui.

 


GENTAMIGA ATELIÊ – Livro-catálogo & exposição que ocorrerá neste mês de setembro, reunindo as obras dos artistas integrantes do Gentamiga Ateliê, formado por Rubens da Cunha Lima, Cibele Sarkis, Ricardo Aidar, Márcia Gebara.  A coletânea conta com apresentação dos professores da USP, Evandro Nicolau & Renata Sant'Anna. Confira aqui

 

ISTO É PERNAMBUCO

Arte do Mestre Vitalino. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 



sábado, agosto 22, 2026

DIDI-HUBERMAN, LINDA DEANE, ADALYN GRACE & MARINÊS

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.

 


Das loas & toadas no cavalo-marinho... - O afamado artesão Tirésia já nasceu assim: cego e vaticinador - a cada obra adivinhava futuro ou passado, era. E diziam dele ser o profeta tebano reencarnado: Ora, se; tá na cara! Só faltava virar mulher, se num já foi uma vez na vida. Quando não dava forma obrando verdadeiros milagres no barro, nos tocos de madeira, tecidos, metais, fibras ou vidros, moldando, costurando, ajeitando, cortando, entalhando ou pintando, era o bulício das expectativas de entusiastas coscuvilheiros, o que é o que é, e ele, na ponta da língua, tome! Mão na massa só saía coisa bonita de se ver, enchiam mesmo os olhos, chega dava gosto: os bonecos escritinhos gente, só faltavam falar; os bichos tudo em ponto de andar, de quase ouvi-los barulhando no oitão. Ora, se. Bicho danado esse Tirésia, hem? E não faltava quem queria saber da sorte, cura ou desejo, aos muitos: pais ansiosos se menino ou menina no bucho e quem ia nascer dos dois, se ia ganhar litígio na justiça, se o negócio ia dar certo, se a safra ia ser boa, se ia ganhar a eleição, ora, afora outros tantos, cada qual com sua pendenga desvendada por antecipação. Mesmo assim, solitário invisual, valia-se da companhia de Maricota, sua assistente dedicada, que um dia fora uma órfã perdida no meio do mundo. Ele abrigou-a e, por gratidão, ela lavava, passava, cuidava, administrava a casa e as finanças. Sim, ela não escapou de vultosas propostas de noivados e casamentos, mas todas recusou: não tenho nada nem ninguém e, ao mesmo tempo, tenho tudo: este velho bondoso que nem precisa de mim, foi quem me deu guarida desde menina, a me servir por generoso pai até agora. Assim era. E um dia lá, no meio da lida, ele assuntou e saiu de casa desembestado. Que foi que houve? Quem sabe! Pronde ele foi? Ora. Dali um tempo retornou com uma chorosa menina – Juremilda, dita filha enjeitada dum tal de Zé Broco, abastado comerciante, que queria um filho homem para herdar sua fortuna; mas, por ironia do destino, só lhe vinham filhas encarreadas e já havia abandonado duas outras antes, agora mais uma, todas repelidas, lavado de desgosto. Aí ele recolheu e trazia pela mão a garotinha abandonada, deu guarida e dela passou a cuidar: Achei-la perdida na rua, coitada! Doutra feita, pouco tempo depois, ocupado que só, ouviu do nada um choro longínquo e aguçou as ventas, saiu sem dizer nada e, ao cabo de algumas horas, lá vinha ele trazendo um maltrapilho menino – Dioguito, filho duma viúva que durante a gravidez teve seu marido assassinado e repudiou o filho assim que deu à luz, porque seu sonho era uma menina para lhe acompanhar a sina. Mais um desamparado, agora tidos por seus netos, assim criados, mantidos, educados, crescidos e viraram gente, seguindo seus passos e, por artes do destino, proutras profissões, ganharam mundo, cada qual pro seu lado, foram-se. A vida seguia, quando, certa noite, ele chamou a inseparável Maricota e arrumou-se todo, como há anos não havia. Todo paramentado no seu cavalo-marinho, o agora capitão surgiu à porta e foi só alvoroço na rua: um bombo apareceu no improviso da batida chamando o povo. Foi juntando gente. Para onde fosse, o povo ia atrás. Pronde ele vai? Oxe! Num terreiro plano parou, deu dois apitos e, do meio da multidão, emergiu o banco da orquestra, com os tocadores de rabeca, pandeiro, ganzá e reco-reco. Tome função, o trupé na pisada solta. Foi na toada de chegada, a de Alevante, com os toadeiros na saudação: Viva Mestre Salustiano! Viva! Viva Mestre Duda Bilau! Viva! Viva Mestre Biu Roque! Viva! Viva Mestre António Teles! Viva os Filhos de Salú! Viva! Vamos barrer! E dava início ao mergulhão, sapateado no galope dos cavalos, passos rasteiros, saltos rápidos, levantava poeira. Vamos bater mergulho! E fizeram a roda do samba, entrou Ambrósio, o mercador das figuras: no pé da roda, saudou o capitão com mesuras, às pilhérias e pulhas, danou-se a dançar – Ô boca podre! Logo veio Mateus, o Caroca, pra fazer par no arrastado dos pés. Desorganizavam tudo e, no achegado da coisa, Bastião tomou conta pra aprontar das suas, às mungangas e caretas, a bexiga batendo nas canelas. Atrás dele, a feiosa Catirina toda assanhada, tocando fogo de arrepiar: Lá vem o soldado da Gurita! Bota ordem: Respeite a farda, seus folgados! E o bafafá seguia azeitado no balanço dos cacoetes, vícios e mazelas: Ô, seu guarda, o senhor fique quieto! Pode se mandar, somos donos do fuzuê! Se dane, vá! Tá presa a banca do som, Mateus, Bastião, Ambrósio, Catirina e os agaloados tão tudo parados e se bater eu furo! Calma, seu guarda, ordem de capitão! Tá tudo liberado! Despacharam-se todos e recomeçaram os Galantes, uma guarda de honra, dançavam com suas damas, maior galantaria. Mateus, Bastião e Catirina só atiçando o povo assistente. Aí o Empata Samba batia lata na toada, atrapalhando a festa. Sai-te pra lá, desgrama! Vou vadear! E o Mané do Baile: Sou Véi Barbaça e tudo resolvido. Abriu-se a eira pro baile na dança do magui: esvoaçavam saias, fitas e espelhos, chapéus com pingentes dourados, gingado. Bora, brincantes! Isso é que é assustado! Hora das loas e das toadas, o cangaceiro e o vaqueiro, o matuto da goma, o Mané Joaquim. A Véia do Bambu puxou maracatu pro povo de Itambé, Condado, Aliança e Itaquitinga. Segura a onda! Tem mais samba? Muito baião! E o Caboclo de Arubá: Olhaí o Caboclo de Pena, da linha de Jurema! Vamos forrozear! Lá vem o boi! – Leva pra vagem, hora da farra! Olha o apito! Do nada entrou Juremilda glosando motes. Eita! Apareceu, foi? Mas, menina! Atrás dela, Dioguito deu o ar de sua graça e batia palma no rastapé, um desafio no mourão, dela arremedar com quadrão; ele puxou gabinete, ela respondeu com martelo e vai e volta, a coisa se solta no maior festão. O truvuque ficou bão demais! Vamos pro maguião, a dança dos aicos e coco de despedida: o bailarico dos arcos das baianas. Ambrósio de volta imita todos da festa: o boi já morreu e ressuscitou, vamos rear! Simbora, gente, a noite se foi, o dia já veio! E o cego Tirésia se não via, sentia no mais fundo da alma e em família toda sua obra e feito, nem sabia o amanhecido que já era outro acumulando os tantos passados. Até mais ver.

 

Julio Cortázar: Somente vivendo de forma absurda é possível escapar desse absurdo infinito... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Iris Murdoch: A educação não nos faz felizes. Nem a liberdade. Não nos tornamos felizes apenas por sermos livres – se é que somos. Ou por termos sido educados – se é que fomos. Mas sim porque a educação pode ser o meio pelo qual percebemos que somos felizes. Ela abre nossos olhos, nossos ouvidos, nos mostra onde as delícias se escondem, nos convence de que existe apenas uma liberdade que realmente importa, a da mente, e nos dá a segurança – a confiança – para trilhar o caminho que nossa mente, nossa mente educada, nos oferece... Veja mais aqui & aqui.

Camilla Läckberg: A literatura é vida e morte. As pessoas vêm e vão. Vivemos. Morremos. Mas a literatura que criamos continua viva... Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

 

ALÉM DA ESTRADA DO RIO

Imagem: Acervo ArtLAM.

Era preciso olhar de perto, tão perto quanto a palma da mão. E era preciso olhar muito além para vê-los. Eles não se assemelhavam a nenhum tipo de Senhor: o Tempo, saltitante ou não — contudo, percorriam dimensões. Era preciso vê-los percorrendo a Estrada do Rio, aparando suas bordas; lançando à sombra todos que chegavam e todos que partiam — os que voltavam para casa, os que partiam sem rumo, os desgarrados, os perdidos; silenciando os pombos irreverentes e o bater de asas inerte das crianças correndo para a escola, com o leite da mãe ainda pingando em suas bocas abertas, maduras demais. Eles suavizavam as linhas borradas dos turistas, sorrisos tão tensos quanto cordas de orçamento, e reprimiam os motoristas de van que (mais uma vez) não se importavam com a própria segurança, tentando transformar uma confusão em briga — nenhum policial à vista — e o sol, o vilão em sua própria festa, incitando palavrões e rancor. Como se estivesse seguindo um roteiro. Um deles carregava um bastão, esculpido — ou talvez fosse um pedaço de cana. Era preciso olhar com atenção para ver as cabeças inclinadas em raciocínio; em cálculo. E eles se moviam como um só através daquele palco instável, os dreadlocks se fundindo aos torsos, aos braços e às pernas: dois irmãos cheios de conhecimento e recursos abarrotados em suas mochilas; Jedi africanos, samurais negros saindo diretamente de seus próprios segredos e sonhos. E pareciam estar tramando algo. E parecia a trama de uma demolição de muros. Mas parecia a construção urgente, primeiro, daqueles muros predestinados; ou antes disso, o plantio de árvores para se encontrarem embaixo e travarem campanhas para queimar os tijolos que construiriam esses mesmos muros. E parecia um sangramento. E parecia uma onda gigante de rio-mar-oceano-riacho. E parecia vislumbres de floresta esquecida, colina distante e campo que desaparece; e uma mistura, mistura de terra, argila, calcário coral, areia e pele. E parecia a luz nítida e Falernum da aurora ou o desvario de um sol em uma van, depois do meio-dia; a densa névoa da tarde. Parecia pores do sol flamejantes e um sacramento de luas de sangue e luas azuis e sem lua e meia-noites — tudo isso, infiltrando-se nas ruas para tingir os ventos. E pareciam estar prontos. E pareciam prestes a se impregnar no solo diante de nossos olhos. Mas era preciso ter boa aparência, porque eles não se demoravam. Moviam-se como aparições de sangue, de carne, de tendão. Não roubavam a cena, apenas a dominavam por um instante, lançavam alguma sombra sobre nós e silenciavam o palco. Um deles carregava um bastão. Talhado, talvez. Ou talvez apenas um pedaço de cana, para brandir. Tecendo feitiços. Ou afiando arestas. Difícil dizer com aquele passo solto e sem pressa, sem parecerem, como pareciam, senhores do tempo ou ladrões de holofotes, ou portadores de um silêncio frio e cristalino para congelar o sol. Nunca saberemos… Porque não estamos enxergando muito bem de perto e muito menos além da River Road.

Poema da premiada poeta, editora e contadora de histórias de Barbados, Linda M. Deane, cofundadora do fórum editorial e cultural ArtsEtc, coeditora de Shouts from the Outfield: The ArtsEtc Cricket Anthology e ativista literária.

 

BELLADONA – […] Não mude nada de si mesmo de que você gosta para deixar os outros confortáveis. Não tente se moldar para se adequar aos padrões que outra pessoa estabeleceu para nós. [...] Você não deve permitir que a morte o consuma tão completamente. Viver não é egoísmo. [...] Pare de se preocupar com a sociedade e de jogar o jogo dela, na esperança de ser bom o suficiente. Não existe essa coisa de verdadeira bondade; existe apenas a percepção. [...] Para mim, você é uma canção para uma alma que jamais conheceu a música. Luz para alguém que só viu a escuridão. Você desperta o que há de pior em mim, e eu me torno vingativo com aqueles que o tratam de maneiras que não me agradam. No entanto, você também desperta o que há de melhor em mim — quero ser melhor por sua causa. Melhor para você. [...]. Trechos extraídos do livro Belladonna (Plataforma 21, 2023), da escritora estadunidense Adalyn Grace, autora de obras como: Fluch der sieben Seelen (All the Stars and Teeth, 2020) e Erbe der sieben Inseln (All the Tides of Fate, 2021).

 

COMO HERDAR UMA CORAGEM? – [...] muitas vezes não sabemos quem foram os nossos doadores nem de que são feitos nossos tesouros. [...]. Trechos extraídos da obra Como Herdar uma Coragem? (KKYM+P.OR.K, 2021), do filósofo, historiador e crítico de arte francês, Georges Didi-Huberman, no qual indaga testemunhos dos sobreviventes judeus do gueto de Varsóvia, enquanto constatações de uma herança com contornos que dependem da multiplicidade das memórias e das concepções do tempo histórico, evidenciando as diferenças e paralelos que decorrem entre a luta corajosa dos judeus pela liberdade no gueto de Varsóvia e as ameaças atuais do totalitarismo, do colonialismo e do fascismo, que podem emergir em qualquer horizonte. A esse respeito ele expressa que: Ninguém pode olhar pelos outros... Para definir nosso desejo de futuro, temos que saber que memória herdamos... No seu livro Ninfa dolorosa: Essai sur la mémoire d’un geste (Gallimard, 2019), ele expressa que: [...] É um conjunto de imagens onde o motivo do feminino se aproxima perigosamente da negatividade violenta e mortífera […] Das bacantes pagãs às pranteadeiras cristãs, passando pela kinah judia ou o lamento muçulmano, é todo um motivo – essencialmente trágico – de uma Ninfa dolorosa que Warburg perseguia nas pranchas do seu atlas [...] os ‘corpos de dor’ e de ‘lamentação’ se verão animados de uma totalmente nova energia: o burguês se faz linchar, as mulheres urram de cólera, um tipo de alegria selvagem se apodera de toda a multidão em luto. Revolução, de fato: revolução nos afetos, nos gestos, nos corpos, nas decisões coletivas [...] da morte e da sobrevivência, do ser perdido e do ser enlutado, do silêncio e do grito, da ausência e da invocação. Não há lamentação sem esse ritmo profundo [...]. No seu livro Ninfa moderna: essai sur le drape tombe (2002), ele aborda o erótico, a sensualidade, o desejo dessas divindades menores sem poder institucional. Como ponto de partida, como imagem e como montagem2, tomou as figuras femininas da Antiguidade e do Renascimento. Para ele a ninfa, como a aura benjaminiana, declinou com os tempos modernos, problematizando a observação de duas sutis facetas dessa imagem, desse declínio: o drapeado e a queda. Já na obra Par les Désirs - Fragments sur ce qui nous soulève (Éditions Gallimard/Jeu de Paume, 2016), observa ele que: [...] Desobedecer, veja um verbo que rima tão bem com desejar. Desobedecer é tão antigo, frequentemente tão urgente, quanto desejar […] E como não convocar, uma vez mais, as mitologias do Atlas ou de Prometeu? Ou a história de Eva? […] Desobedecer: essa seria a recusa em ato e, ao mesmo tempo, a afirmação de um desejo enquanto algo irredutível [...]. Também é autor de obras como Kore (2011), Survivance des lucioles (2009), Images in Spite of All: Four Photographs from Auschwitz (2008) e Invention of Hysteria: Charcot and the Photographic Iconography of the Salpêtrière (2004), entre outras. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

A ARTE MUSICAL DE MARINÊS

[...] Eu sou uma profissional, onde for o show, eu chego lá, seja de carro, avião ou em cima de um jumento. Eu adoro estar no palco, foi uma dádiva que Deus me deu. Não saio dizendo que sou Rainha do Forró, se fosse explorar seria Rainha do Xaxado, pois foi Luiz Gonzaga que me homenageou e não saio dizendo; dizem e apenas concordo. O importante não é o trono de Rainha, mas subir no palco e abrir o gogó. Então é um orgulho e honra de cantar as belezas, costumes e necessidades do nordestino. Eu me alugo para fazer o show, ninguém me compra; pagam os meus serviços prestados. [...] Sou uma pessoa comum e singular. Não me aproveito desse nome lutado e trabalhado ao longo dos 50 anos de carreira. Gosto de receber elogios sinceros. Vivo uma vida normal, como o que todo mundo come. Quando não tenho empregada, vou para cozinha. Dou prioridade à família (filhos, irmãos e pais) e estou sempre junto deles como uma galinha e seus pintos. Quando me aborrecem, se eu puder na hora dissolver o coágulo, dissolvo para não ficar engasgada. Mas muitas vezes engulo sapo para não passar por mal educada, não ser cem por cento nordestina. [...].

Trechos de uma entrevista (Ritmo&Melodia, 2005), ao jornalista Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, concedida pela saudosa cantora, atriz, advogada e apresentadora Marinês (Inês Caetano de Oliveira – 1934-2007), a rainha do xaxado, a Luiz Gonzaga de saias, que foi casada com o acordeonista Abdias dos Oito Baixos (José Abdias de Farias – 1932-1991) e juntos atuaram juntos com Luiz Gonzaga & seus cabras da peste! Sobre ela encontra-se o livro Marinês Canta a Paraíba (2005), do sociólogo e professor Noaldo Ribeiro e a dissertação de mestrado A representação do Nordeste nas letras das músicas de Marinês (UEPB, . 2009), que redundou no artigo Representações do feminino na música do Nordeste (XII Conages, 2016), ambos de Claudeci Ribeiro. Na matéria Marinês: rainha do xaxado e dona de uma trajetória de pioneirismo na música nordestina (Jornal da Paraíba, 2022), está expresso que: [...] Não havia nenhuma tradição de mulher cantando xaxado, baião e xote. Também não era coisa de mulher essa roupa de couro que eu usava [...] sonho de criança se realizando, eu  ao lado de Luiz Gonzaga, olhando para a cara dele! [...]. a respeito dela disso o poeta, compositor e escritor Bráulio Tavares: Marinês é o grande nome, tendo criado uma escola de interpretação que é hoje seguida de ponta a ponta pelo Nordeste. Veja mais aqui.

 


TEMAS DE PSICOLOGIA CONTEMPORÂNEA – Os debates temáticos da psicologia contemporânea abordam as questões acerca da saúde mental na era digital, o estresse pós-traumático, os impactos da tecnologia na mente, a neurodiversidade, o esgotamento e Burnout, práticas baseadas em evidências e as novas configurações do trabalho, entre outros questionamentos. Para tanto reunimos reflexões de psicólogos, neurocientistas, filósofos e uma diversidade intelectual que se tem se debruçado sobre tais temáticas, como Elizabeth Loftus, Vera Iaconelli, Ignacio Martín-Baró, Vinciane Despret, Gloria Mark, Nancy Tucker, Rosa Mechiço, Brenda Milner, Diagne Mbengué, Diana Aurenque, Anna Lembke, Nita Farahany, Fabienne Brugère, Alice Flaherty, Elliot Aronson, Cida Bento, Florencia Abadi, Sally W. Johnston, Gabor Maté, Jaqueline Goes de Jesus, Elizabeth Blackburn, Patricia Smith Churchland, Katherine Johnson, Hal Foster, Janet Mock, Ursula Karven, Rachel Bloom, Judith Schalansky, Pamela Des Barres, Brené Brown, Yōko Tawada, Claudia Werneck, Chantal Akerman e Doris Dörrie. Confira aqui.

 


ONDE NASCE O RIO?... – O segundo episódio das Aventuras do Nitolino no Valuna, ocorre exatamente quando a Turma do Brincarte parte do sítio Falange, Falanginha, Falangeta, seguindo Pai Lula que resolve descobrir: Onde nasce o rio... Acompanhe a saga quando eles chegam todos na Serra do Quati clicando aqui.

 


KID MALVADEZA – Reunião de noveletas bem humoradas contando desde a epopeia do intrépido Kid Malvadeza, os vexames do Tripa com sua fubica ineivada, a decisão futebolística do ano em Alagoinhanduba, o diálogo entre a morte e a morta, a derrocada vertiginosa de Dudanildo Pontes, as paixonites do Mamão pela jumenta e a da briga dos garotos na loucura repulsiva do cotidiano alagoinhandubense. Confira aqui.

 


REENCONTRO MARCADO – Um conto, dois; um roteiro de curta metragem. Os 3: a solidão compulsória, a lucidez escassa e o tempo devastador. Do encontro, desabou desencontro. A hora é outra, o reencontro marcado. Confira o microconto, o conto e o roteiro aqui.

 


RAÍZES & FRUTOS – O livro Raízes & Frutos (Bagaço, 1985) foi lançado primeiramente numa noite bastante festiva no Teatro Cinema Apolo, em Palmares (PE). Depois foi a vez de uma tarde ensolarada de sábado na legendária Livro 7, em Recife (PE). No volume o poeta e a sua vida; em seguida, os poemas; e, por fim, uma Carta ao pai. Homenagem ao poeta Rubem de Lima Machado. Confira aqui.

 

ISTO É PERNAMBUCO!!!

Arte de J. Borges. E veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 


sábado, agosto 15, 2026

LYGIA FAGUNDES TELLES, RIM BATTAL, MILTON HATOUM, BEATRIZ PAREDES RANGEL & ANASTÁCIA

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.


 

Vênus da Lua de Fel na Serra das Russas... - Lá ia Tó Zeca, sobe-desce na sua fubica incrementada, todo ancho a viandar pela rodovia Gonzagão. Ah, chega ele devaneava pelas paradisíacas escarpas íngremes neblinosas do Planalto da Borborema. Ali atravessou túneis e, pela alta Ponte Cascavel, acelerou empáfia de piloto macho, amostrando-se pra si nas cantadas de pneus pelas curvas acentuadas, quando, ao destampar numa delas deu-se o desembesto: deparou-se com uma formosa estranha, com o braço estirado prum breque: Pare! Um desmantelo. Ela estava exatamente postada no meio da faixa, obrigando-o a morder a língua desastrado, numa frenagem cabulosa, dele se estabocar todo e botar pra valer toda sua perícia ineivada: virou bruscamente o volante, botou pro lado, puxou o freio de mão de quase arrancá-lo num cavalo de pau arretado, enrolou-se todo girando às piruetas tresloucadas, pronto para se espatifar de qualquer jeito, deus o livre e guarde, tei bei. Mas, não, bastante ágil, livrou-se duma barroada na barreira e, às rodadas vexaminosas, desaprumou-se de quase ser arremessado ao precipício, valha-me! Nada. Aí, retomou habilmente o tino e o que restou de prumo, acionou alucinado a tração nas 4 rodas, as traseiras estavam no ar já fora do asfalto pra rebentação e, numa acelerada brusca, cantou os dois pneus dianteiros que restavam no solo, vupte! E salvou-se de desabar ribanceira abaixo. Ufa! Depois de muito atrapalho, às reviravoltas, levantando poeira no saçaricado, finalmente, todo desarrumado estacionou atravessado diante da beldade. Mão enxugando o suor da testa, sacudia o corpo entrevado e, com ar de superioridade, esperou a poeira baixar. No meio da fuzarca apareceu a dita cuja firme e chistosa: Essa geringonça mata sapo e espalha merda, né? Hum, gracinha. Reconheceu-a e não era um bom sinal: É você mesma ou uma das irmãs Stepfoad, uma de seus clones? Indignada, cerrou as pestanas e fez uma careta de reprovação. Não, não era. De mesmo, era a indestrutível Rainha Branca, a supervilã do Helfire Club, tão difusa ali, personalidade fria, calculista, poliândrica, arrogante e, ao mesmo tempo, sarcástica, com todos os seus atavios charmosos e a ronronar sua repugnância: Você, humano, é uma criatura inferior! Êpa, calma aí! E ao vê-lo afastar-se do veículo, ela apontou o dedo, sinistra: Vou levá-lo pra Kroaka, é melhor não resistir, se poupe. Olhou dos pés à cabeça e lá estava ela, atraente catadura, com toda sua elegância de femme fatale, seu estilo marcante, seus cabelos louros esvoaçantes no olhar penetrante, sua atitude dominante nas vestes níveas, seus lábios carnudos proeminentes, seios opulentos, as botas nas coxas voluptuosas, um mulheraço dinamitando suas ideias. Veja só: não sou Ciclope nem Toy Stark, nem o Namor, muito menos Sebastian Shaw; também não sou aliado da Casandra Nova, nem de Esmee que atirou despedaçando sua forma diamante; sou de paz, saiba logo. Não resista, você não sabe com quem está lidando. Ora, se sei. Sabe mesmo? Claro. Sou Emma Grace Frost: é pro seu bem! Sei, Hazel Kendal, muito prazer! Ela arregalou o olho ao ouvir seu codinome. Reluta? Nunca. Dissimuladamente ela começou a deslizar o zíper das vestes, desabrochando sua nudez e ele sabia: Vai ser agora! E ao se aprumar no salto pra bater os calcanhares e gritar a palavra mágica, nem deu tempo balbuciar as primeiras sílabas: Sabari... Estava desprevenido pra vilania dela e, com asco estrangulador, atingiu-o com uma rajada de raios psiônicos, vixe! Lascou-se. Nele tascou todo o seu poder ameaçador de nível ômega, acometendo-o de ilusões telepáticas: Não resista! O golpe foi quase letal e, por um instante, ao voltar a si: Ela me nocauteou! Um reles humano diante de uma heroína sobre-humana: Perdi a parada! Ela achegou-se com toda cupidez e, revestida pela pele de diamante indestrutível, jogou-lhe seus poderes inigualavelmente aterradores. O cara inchou e bufou de quase estourar-se aos cacos pra todo lado, rendido a cumprir sua pena: nova carga dela aos golpes certeiros e ele se contorcia de dores, aos gritos. Enquanto isso, ela vasculhava sua mente, inutilizando-o. Quando, de repente: Peraí! Entre as memórias dele a presença dela: Como pode? Investigou melhor e reviu cenas: o ataque do viajante temporal, em que ela entrou em coma: Não pode, quem me socorreu? Quem me levou para ser cuidada na Mansão X? Não pode ser. E aprofundou-se na averiguação: Foi ele quem me levou para ser restaurada por Jean Gray; foi ele quem me avisou que o Dr. Sublime havia roubado meus óvulos e foi quem me deixou ciente de que fui traída por Ciclope, que roubou meus poderes. A certidão inevitável: Foi ele quem me salvou quando fui presa pelos Vingadores. E ao passar tudo por seu escrutínio, suspendeu o martírio. Era tarde, o cara parecia mais que já tinha partido dessa para melhor. Foi não! Agora, só na outra! Oxe! Bem, escapou dessa. Ao despertar, ele notou o silêncio ao redor: se sentia como se estivesse num Caixão da Tortura. Suspeitava, à espreita: Estou numa prisão inexpugnável. O hostil rondava e se sentia como coagido por um tridente invisível, aprisionado numa teia inextricável. E meio que alucinado, não dizia coisa que valesse: Estou debilitado demais... Não lembrava quem era nem do que havia passado. Teve um susto violento com a chegada repentina de uma bela mulher: Quem é você? Onde estou? Você já se restabeleceu, vou recuperar sua memória. Ah, você... O que houve? E ela silenciosa, depunha sobre a mesa uma tranqueira de coisas: uma mordaça, vendas, cordas, máscaras, chibatas, algemas, velas, gelo. adereços. Alguém vai ser castigado? Ela virou-se pra ele, era um álibi: brincadeira de adulto. E esbravejou pra ele: Sou Ishtar e você meu servo, sirva-me! Ora, você, uma heroína; eu, apenas herdei a maldição da minha vó. Obedeça-me: Sou Fílis, ajoelhe-se Aristóteles, tire minhas botas. À soberba dela, humilhado, ele se prostrou. Via-se insignificante diante daquele poderio persuasivo: irresistivelmente insinuante. Foi estapeado, puxado pela coleira no pescoço, engatinhando ao mando dela. Era questão de tempo arrumar um jeito de se esquivar disso, pensava. E ao tomá-lo servil, a Disciplinadora de Bétula mudou subitamente: Dessa vez, não. E agachou-se frente a frente, beijou-o e jogou-o pra lateral, aninhando-se podólatra mandona: A dominatrix se rende, quero pirá-lo. E não aceito não como resposta, nem seja analfabeto sexual, destrave-me! Do contrário, vou esmagá-lo: sou a vingativa Mimi Bouvier do Bitter Moon. Ele espantou-se, mas logo compelido a cumprir seu papel, atreveu-se mãos e pernas, bocas e sexo. Ela sussurrava soletrando: Amarelo!... E se engalfinhavam. Ela, agora, submissão em pessoa: Quero sempre mais, assim 24/7. Ele tomou seus pulsos, a crucificá-la nua. Ela rosnava medonha: Amarre-me, possua-me, ou eu o aniquilarei - sou Vanda Jourdain como La Vénus à la fourrure. Empolgado, usou de extrema força para domá-la, a maldizer entredentes coisas dos que mandam para os que são mandados, dos que pisam para os que são pisados, dos que chafurdam na coação e o doloroso prazer do coagido, os grunhidos dela: Mate-me, ou vou exterminá-lo! Ela rugia asfixiada, Vênus das Peles; ele, performático a supliciá-la na Cadeira de Judas, sodomizando a leoa que bramia estertorante, empalando-a com sua Pera da Angústia, como se estivesse suspensa num pau-de-arara. Deu-se o ápice, o desmaio: ali dormiam com o inimigo. No dia seguinte Tó Zeca despertou cabeça ao volante, no banco do motorista, acostamento da BR 232: Nossa, foi o maior rolê, hem?... Inacreditável! Virou as chaves, o ronco do motor, seguiu o passeio. Até mais ver.

 

Cora Coralina: O tempo muito me ensinou: ensinou a amar a vida, não desistir de lutar, renascer na derrota, renunciar às palavras e pensamentos negativos, acreditar nos valores humanos, e a ser otimista. Aprendi que mais vale tentar do que recuar… Antes acreditar do que duvidar, que o que vale na vida, não é o ponto de partida e sim a nossa caminhada... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Paulo Leminski: o tempo entre o sopro e o apagar da vela... Só uma nuvem te separa das estrelas... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Idea Vilariño: Tudo é muito simples muito mais simples e ainda. Ainda há momentos em que é demais para mim onde eu não entendo e não sei se rio em voz alta ou se chorar com medo ou estar aqui sem chorar sem risos em silêncio assumindo a minha vida meu trânsito meu tempo... Veja mais aqui & aqui.

 

VÊNUS

Imagem: Acervo ArtLAM.

Papai \ Aqui, aqui \ Babá \ Vovó \ Peitos. \ Tela os maiores mundo do peito, \ o mais cabelo comprido da cidade e uma penta enorme do esquerdo esquerdo. \ Quase um oleiro de terceiro, e mesmo assim, ela era míope. \ Um Nós chamsinós de Dada, não sei porça. \ Bem, Sim. \ Sim, claro: porque rosto o dela \ era sem \ graça, semona estética. \ Um dia, eu minha e irmã a maquiamos — com \ a cara maquiagem da mamãe. Mamãe ficou furiosa. \ Plebeu não tem um Dior. \ Eu adormecimentos muito da minha Dada com peitões. \ Com ela, a favor, assistência pela vez. \ Bebemos Coca-Cola, rimos, dissemos "Oh!". \ Na verdade, o nome dela era Zohra, \ assim o planeta \ Vênus. \ Minha Dada, com seios grandes, \ que não é mais aqui, aqui. \ Não, não.

Poema da escritora e artista visual marroquina Rim Battal, cuja obra poética e literária aborda com visceralidade a vivência do corpo feminino e as complexidades de crescer entre a tradição e a modernidade.

 

NOITE DA ESPERA - [...] Talvez seja isto o exílio: uma longa insônia em que fantasmas reaparecem com a língua materna, adquirem vida na linguagem, sobrevivem nas palavras... [...] O que o medo destrói e pode ensinar. Há momentos de medo. Há momentos de coragem... A melancolia é sentimento difuso, pois não se realiza. [...] Trechos extraídos da obra A Noite da Espera (Cia. das Letras, 2017), primeiro volume da trilogia O Lugar Mais Sombrio, do escritor, tradutor e professor Milton Hatoum (Milton Assi Hatoum). O segundo volume da trilogia é Pontos de Fuga (Cia. das Letras, 2019), que acompanha a formação sentimental, cultural e política do jovem Martim durante a ditadura militar brasileira, no qual o protagonista deixa Brasília e retorna a São Paulo, sua cidade, onde ingressa na faculdade de arquitetura da USP e passa a morar numa república de estudantes no bairro da Vila Madalena — um grupo que lhe trará novas vivências e grandes companheiros para a vida. Agora distante do pai opressor e dos amigos de Brasília, e sobretudo afastado de Dinah, a atriz militante com quem sua relação ficou estremecida, ele acompanha o endurecimento do regime autoritário no país, ao mesmo tempo que experimenta as agruras e adversidades da vida adulta, sempre assombrado pela incógnita do desaparecimento de sua mãe. Na obra ele expressa: [...] Não sei onde fiquei preso; fui proibido de telefonar, escutei barulho de motor de avião e com o zíper da calça marcava na parede cada dia que passava até desistir. Não quero falar dos interrogatórios. Melhor calar sobre o que se quer esquecer, mas é impossível esquecer [...] Não me machucaram quando fui detido em março de 68. Mas os pesadelos, a violência, e tudo que vem acontecendo na vida de muitas pessoas dão a Brasília um sentimento de destruição e morte que nem sequer os palácios, a Catedral, as cúpulas do Congresso e todas as curvas desta arquitetura conseguem dissipar.[...] Os convidados são deputados federais, menos Galindo, um gaúcho de uns cinquenta anos, cuja voz exaltada fala de brasileiros desaparecidos, tortura, insurgências populares [...] Só a Baronesa discorda do gaúcho, ela afirma que não tem tortura no Brasil, que os militares só matam os terroristas [...]. O terceiro volume da trilogia é Dança de Enganos (Cia. das Letras, 2025), em que o autor expressa: [...] É preciso dar tempo ao passado [...] depois da cantoria na igreja, meu pai me contou a história de um rei negro escravizado no Congo pelos portugueses. Foi vendido pro dono de uma mina em Ouro Preto e conseguiu comprar a alforria dele e de muita gente [...]. Veja mais aqui, aqui & aqui.

 

O UNIVERSO LITERÁRIO DE LYGIA FAGUNDES TELLES (Imagem: Quino – 1932-2020) - As personagens são como vampiros, cravam os caninos na nossa jugular e quando amanhece, voltam aos seus sepulcros até que anoiteça de novo. O fim do livro seria a pedra que ponho sobre esses visitantes. Definitivamente? Não. Um dia, de repente, com outro nome e outras feições e em outro tempo volta mascarada a mesma personagem, elas gostam da vida. Como nós... Ô literatura! Por que as coisas nos parecem sempre belas quando protegidas pela distância?... Pensamento da escritora Lygia Fagundes Telles (Lygia Fagundes da Silva Telles – 1918-2022), considerada a dama da literatura e a maior escritora brasileira, com suas obras que retratavam temas clássicos e universais como a morte, o amor, o medo, a loucura e a fantasia. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

POLÍTICA & RESPONSABILIDADE - [...] Não se deve travar lutas que você não vá vencer... [...]. Pensamento da socióloga, diplomata e política mexicana Beatriz Paredes Rangel (Beatriz Elena Paredes Rangel), que na entrevista Oficio y profesión. Una conversación con Beatriz Paredes (Nexos, 2024), ela expressou: […] Parece-me que essencialmente um político ou uma política deve ter um compromisso com os ideais. Os ideais em que ele acredita, que o ligam com as expectativas da sociedade. Nunca pensei que a política tivesse valor em si mesma. Penso que a política é instrumental. Políticos que estão interessados no poder para o próprio poder, por se sentirem poderosos, em satisfazer seu ego, por acumularem coisas, não compartilho dessa visão. Então, eu acredito que a política é um instrumento para transformar a realidade. Um político, uma política deve ter uma visão da realidade e deve lutar porque essa visão pode ser realizada. [...] Eu vou dizer algo muito estranho. O que eu gosto é de música e o que eu gosto é de arte. Política é o meu trabalho. É o cumprimento da minha responsabilidade pública. Vivo a política como uma responsabilidade, não a vivo como um prazer. Sei o que é prazer e não é política, para mim. Tem gente que gosta de poder, que bom... A política é sempre uma responsabilidade para mim. Nesse sentido, sou muito povo do Poder Legislativo, porque sou democrata. O poder legislativo é mais horizontal. Gosto do que afeta o médio e longo prazo. A lei, a boa lei, afeta o médio e longo prazo. Então eu gosto do Poder Legislativo. Penso que a legislatura mexicana deve passar por uma reforma muito profunda. Parece-me que é indispensável uma grande reforma do Estado mexicano. Mas eu tive responsabilidades muito interessantes no poder executivo. E claro, o privilégio de governar Tlaxcala, para alguém que é de sua região, pois é uma oportunidade extraordinária. [...].

 

A ARTE DE ANASTÁCIA

[...] Eu comecei minha carreira com 13 anos cantando em uma banca. E com menos de 15 anos fui descoberta por um ator pernambucana, e fiquei até os 20 anos no Recife cantando em uma rádio. Depois fui para São Paulo, onde estou até hoje, eu fui seguindo a vida e fui me alicerçando em São Paulo [...] Ultimamente tenho feito algumas coisas com Zeca Baleiro, que é um compositor maravilhoso, um artista sensacional. E o Chico César é uma pessoa muito inteligente que a gente sempre está junto. Agora estou na fase de compor com o filho de Gonzaguinha, ele vai produzir um disco de samba para mim. Essas pessoas que a gente tem afinidade, a gente se junta para fazer algum trabalho, e é uma maneira da gente juntar a força nordestina através da música [...].

Depoimento numa entrevista (G1, 2022), da cantora e compositora Anastácia (Lucinete Ferreira), a Rainha do Forró e parceira de Dominguinhos (1942–2013). Ela compôs mais de 250 canções, indicada ao Grammy por dias vezes e lançou seus álbuns a partir dos anos 1960, quando, com apenas 14 anos foi se apresentar na Rádio Jornal do Commercio, acompanhada por Hermeto Pascoal. Antes disso ela atuou no humor com Arlete Sales & Lúcio Mauro. E atuou com Dominguinhos acompanhando as turnês de Luiz Gonzaga. Entre os seus álbuns de sucesso estão Eu Sou Anastácia (DVD – 2018), Daquele Jeito (2017), 60 anos de Forró e MPB (2016), Amor Entre Quatro Paredes (2009), 50 anos de Forró (2004), Seresta (2001), Sangue Bom (2000), Coração de Mulher (1995), Coisa Querida (1994), Faz parte do Amor (1993), Saudade Matadeira (1992), Vem me Buscar (1991), Forró Bom é do Abc (1989), Tem que mexer para Adoçar (1988), Quero você pra mim (1987), Cheinho de Amor (1982), A Fulô do Forró (1981), Morrendo de Saudade (1979), Você é meu Xamêgo (1978), Vamos Xamegá (1972), Torrão de Ouro (1971), Canto do Sabiá (1970), Caminho da Roça (1969) e Anastácia no Torrado (1965), entre outros. Veja mais aqui.

 


EDUCAÇÃO NO DEBATE CONTEMPORÂNEO - A educação tem assumido o centro temático dos debates planetários, desde a década dos anos 1980, até o momento presente, refletindo-se sobre a sua importância na formação e desenvolvimento do ser humano. Diversas reflexões tem ocupado espaço no cenário educacional, dentre elas as ideias de Terry Eagleton, Jenny Odell, Ana Maria Machado, Judith Butler, Amanda Montell, Esther Pillar Grossi, Hwang Bo-reum, Elisa Loncón, Yurico Saito, Danica McKellar, Teresa Colomer, Zadie Smith, Claudia Werneck, Jason Stanley, entre outros, no sentido de nortear as conduções da relação ensino/pesquisa/extensão, do ensino & a aprendizagem, da educação linguística & estética decolonial, da inclusão, do papel da arte e da reflexão sobre o ódio, intolerância, violência & cristofascismo reinante nos dias atuais. Confira aqui.

 


O MUNDO MARAVILHOSO DO LIVRO – Desde menino bem pirrototinho, eu adorava ouvir hestórias cabeludas ou bem risíveis. Pedia pra quem chegasse que me contasse uma, a que fosse. Quando não, saía às carreiras pra onde tivesse embolada de coco ou desafio de repentista e, ficava lá aboletado, prestando atenção de nem piscar o olho, sem a noção do tempo que passava. Quando aprendi a ler, lá pelos meus 4 ou 5 anos de idade, foi por ficar impressionado com meu pai e o tanto de livros que ele lia a todo momento e todos os dias. E questionava pra ele: Qual o segredo que tem nesse livro? E invadia as estantes cheinhas de livros e pregava a vista neles. Foi aí que descobri o mundo maravilhoso dos livros. Quer saber mais? Clique aqui.

 

FÚRIA DOS INOCENTES - Reunião de dez noveletas em que conto como foi a maior Greia num Boi de Fogo, da Carta do Barbeiro, dum Fandango de quem foi e quase num volta, do santo Bode Frederiko, dum arretado Negócio Fechado, do cara que botou a Boca no Trombone, do Escândalo dum Corínha, do Estopô Calango e do diabo a quatro, tudo pra umas risadas sobre as diversas ações dos mais atiçados e recheadas de humor e situações vexatórias. Confira aqui.

 

GILVANÍCILA & AS SOMBRAS DO CORAÇÃO – Tudo começa com a felicidade do casal Suetônio & Deusdith, ampliada mais ainda com a chegada do irmão dele, Susdidido, há muitos anos no Iraque. A gravidez dela coroou o trio festivo e muito alvoroçado: nascia Gilvanícila. Porém, a felicidade do pai não previu a infelicidade de todos. Confira a historieta e o roteiro aqui.

 

PROS&VERSOS LAM – Reunião das diversas publicações autorais dimensionadas na Literatura & Teatro Infantis, Poemas, Contos, Noveletas, Literóticas & muito humor. Confira aqui.

 

E veja mais aqui.




ANNA LEMBKE, RIN USAMI, BIRHAN KESKIN, ANTÔNIO MARIA & YAYOI KUSAMA

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Cambalhotas & as coisas nunca davam certas... - Zé Lua vivia por aí, todo acanhado sob a aba do boné, ...