sábado, julho 18, 2026

CECÍLIA MEIRELES, BERNARDO ATXAGA, SUZANA HERCULANO-HOUZEL & SANTANNA O CANTADOR

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.


 

As guinadas de chué ao nababo de findar amundiçado pastafari... - Desde nascença Jeremulino apostava tudo pra dar certo. Fazia força, fincava pé e quanto mais pelejava, menos saía do lugar. Era voluntarioso, mas pé-frio, coitado. Décadas de miséria nos costados. Tudo isso durou até o dia em que conheceu Mary, que se dizia Butterworth e tratada por Mãe do Ouro: Ih, estrangeira, é? Sei lá. Tá lavando a jega, hem? E tanto afeiçoou-se, de segurar no cós da saia dela de não mais largar, pegado. Tão atarantado, enrolou-se de paixão. Estava um tanto deslumbrado: bem vestido, altas rodas, lugares granfinos, gente nos trinques - ela tinha muita grana e amigos, parecia -, a partir de agora, também eram seus nas portas escancaradas, recepções acaloradas, abraços efusivos, nunca tinha visto nada daquilo na vida: Ora, tô enturmado, meu! Agora vai! Logo no primeiro jantar associaram-se a uma dupla de magnatas, tratados por Charles e Bernie - pelo jeito estrangeiros e inseparáveis: agora era internacional, visse! E não muito tempo depois, o casal foi acompanhado por Frank, um fino médico que também era piloto de aviação. Que chique! Compadre, meu! E almoçavam num requintado restaurante com os achegados do dia, ou jantares, chás, encontros. Doutra vez era Alfred, um que descobriu um medicamento que era uma verdadeira panaceia pra cura da AIDS, câncer, lúpus e qualquer tipo de doença. Brindaram o futuro Prêmio Nobel de Química dele. Oh! Tamos juntos! E recepcionaram um ricaço hindu, o Mithilesh, recém-chegado duma negociação no Taj Mahal. Olha o requinte! Sua vida dera um giro estratosférico de 360 graus, desde que ela apareceu, pra ele se empanzinar no sofisticado, a se empolgar com os drinques, da cabeça nas nuvens e a vida no mundo da Lua, todo apurado. Foi. Apegou-se à tal largadona, os modos enxutos dela, toda recente e esvoaçante, inaugurava felicidade jamais vista: ela fascinante nos seus olhos, cativante no coração dele. Ao lado dela se sentia maior do que nunca foi. Autoconfiança ganha, dedicando a ela mais do que nem tinha. E assim foram dias movimentados, semanas agitadas, efemérides por meses ininterruptos, quase dois anos inesquecíveis, quando, de supetão e sem causa aparente, viu-se na clausura da solidão: liso, fodido e mal pago. Que foi que houve? Perdeu a boquinha: foi despejado do paraíso. Não tinha mais guarda-roupa para as ocasiões, nem comes e bebes, ninguém mais pra chamá-lo de doutor – que nem era, mal conseguira findar o ginasial, a pulso, avalie. Estava empalado pela escassez: Vida madrasta, essa, se eu fosse de passar a perna, ainda ia, embrulhava; mas perdi o crédito, soltaram os demônios pra festa do inferno. E com uma mão na frente e outra atrás, desvalido. Reparou melhor: Por que foi mesmo? Assuntou, a extravagância da punição bissexual. Como pode? Fosse gente ou bicho, assim era. Mas isso nem ligava, duas de quinhentos que fosse, nem aí; ser corno era pouco, vá lá; o pior mesmo era sentir-se rejeitado: a tragédia foi ter nascido -, só agora se dava conta disso. Passava mal, zonzo, claudicante, à beira da loucura, roendo unha de ressentimento pela dor de cotovelo: As gaias pesam fodendo tudo na cachola! Insistia em reatar a relação com ela, mas cadê-la, pronde foi, perdeu o contato. Foi-se. Bateu de porta em portão, todas sisudamente fechadas, havia ninguém pra recebê-lo: Destá, todos se passavam por amigos e agora? Quebrou a cara, lascou; alisou, fim de tudo e, sem ela, era ninguém, invisível desconhecido. Dobrava capenga a esquina da amargura e, inadvertidamente, trombou com um estranho, desculpou-se. Já seguia se escorando na parede, quando ouviu em alto e bom som: Rapaz, é você mesmo? Levantou a vista e era Marcelo, um amigo de infância que o reconhecera na hora. Como vai? Escapando. Que é que falta? Tudo. Vambora colocar o papo em dia, diga lá o que aflige! Jeremulino acompanhou o amigo, agora já bem de vida, elegante, nem parecia o maloqueiro com quem convivera na miséria décadas atrás. Agora não, arrotava contando que a mãe enviuvou e casou-se com um ricaço que o tratava por filho, herdeiro de uma companhia aérea e outros tantos bens e posses. Está precisando do quê? Rapaz. Diga! Tô f-o-fo-d-i-di-d-o-do! Ah, reencontrar e reatar com a namorada? Piongo. Como é o nome dela? Mary Butterworth! Ela? Sim. E você numa pindaíba dessa? Ela foi pior que a Rita: levou tudo, até a minha vida. Ora, tenho um amigo detetive aí que localizará ela na hora. Mesmo? Você está hospedado aonde? Na rua. Vamos pro meu hotel, vou ligar agorinha pro nosso investigador. E seguiram, atravessaram o saguão, entraram no elevador, subiram e foram bater numa suíte real, com múltiplos quartos, sala de jantar, cozinha compacta, segurança redobrada e serviços altamente personalizados. Este aqui é o meu quarto, escolha o seu, vá! Eita, agora sim, voltava a ventar favorável, sabia: a vida não ia deixá-lo na mão. Chega regozijou-se folgado, renovava as esperanças. Lá estava de novo revivendo nas alturas as coisas recém passadas. Foi se banhar e ouviu: O agente está chegando, vou ter que ir a uma reunião, fique à vontade, viu? Tá. Poucos minutos depois bateram insistente à porta. Já vai! Enrolou-se na toalha e abriu: Polícia! Ôpa! Você está preso! Eu? Algemaram-no do jeito que estava e arrastaram-no porta afora. Deram numa delegacia e, de lá, vamos por parte: chegou e foi logo empurrado pra uma sala com várias pessoas, sentaram-no à cadeira e um bafo na moleira: Vá, abra o bico? Sobre o quê? Fala! O quê? Foto! Quem é essa? Mary, minha ex-namorada. Quem? Mary Butterworth, não sei pronunciar direito! Desembucha! E contou que ela deu as costas pra ele, hoje de madrugada, num bar e sumiu. Fui na casa dela, bati, ninguém atendeu. Onde ela mora? No Sítio Groenlândia, Switzland. Hum, ricaça! Vão lá. E esses? Charles e Bernie, são estrangeiros. De quê? Não sei, são amigos dela, conheci o ano passado, só sei dos nomes. E esse? Frank. De quê? Também não sei, é amigo dela, disse ser médico e piloto, conheci pelos outros dois. E esse? Alfred. De quê? Não sei, ele está pra ganhar a qualquer momento o Prêmio Nobel pela descoberta de um medicamento aí. E esse? Ah, esse é Mithilesh, um bilionário hindu. De quê? Também não sei e é amigo dela. Todos são amigos e você no meio sem saber de nada? Sim. Fazia o que entre eles? Festas, passeios, viagens. Leve ele pra cela! Estava nu. Os outros presidiários comiseraram e já arrumaram umas vestes que foram entregues pelo carcereiro: Tomaí, porra! Era uma camisa já um tanto esfarrapada, um resto de bermuda e um par de meias furadas. Pronto, vestiu-se e quase sentiu um fiapinho de dignidade. No primeiro cochilo foi picado por uma aranha-armadeira, acometido por priapismo doloroso: Vou morrer! E ficou aos gritos. Que é que tá acontecendo? Foi levado às pressas pra enfermaria, logo levando fisgada de injeção por todo lado. Vou morrer que nem tábua de pirulito! Ê, furado! Lá pras tantas, ao sentir-se melhor, logo foi assolado por uma diarreia braba: Oxe, ele tá se acabando pelo fundo feito panela! Eita, caganeira macha! E fedorenta, meu! Catinga da peste! E tornou-se a diversão: o Zé Cagão. Nos dias seguintes foi levado pro delegado e um brabo agente mostrou uma foto e disse: Essa é sua ex-namorada? Sim, a Mary. Sabe quem é ela? Não, senhor. Passou a saber na hora: uma foragida balzaquiana, falsificadora de libra esterlina, que lavava o dinheiro num suposto bufê supostamente de sua propriedade. Esses são amigos dela? Sim. Eram Charles Ponzi e Bernie Madoff que criaram um sistema golpista, que ludibriaram muitos investidores com promessas de lucros astronômicos. Esse também amigo dela, né? É Frank. Era o mestre dos disfarces, Frank Abagnale, trambiqueiro que se passava por médico, piloto e até advogado. Esse? O Alfred. Era o curandeiro herbalista, Alfredo Bowman, picareta mais conhecido como Dr. Sebi, criador do O Cell Food e cultor de uma filosofia extravagante de vida. Esse? Mithilesh. Era o lendário caloteiro indiano, Mithilesh Kumar Srivastava, famoso por vender marcos históricos com documentos falsificados, inclusive o Taj Mahal. Minha nossa! E você não tem a ver com isso? Nem sabia quem eram! E esse? Ah, um amigo de infância. É? Sabe quem ele é? Não o via desde uns 15 ou 20 anos atrás. Era o trapaceiro Marcelo Nascimento da Rocha, piloto do crime, se passou pelo filho do dono da Gol, por VJ da MTV, por guitarrista do Engenheiros do Havaí, dono de edifícios e propriedades, está preso agora em Avaré, cumprindo pena de 16 anos. Minha nossa! E agora? Deus tenha pena de mim. O sonho de caça ao tesouro, era uma vez. Tudo vigarista e eu alesado, no meio da enrolação. Se liga no caô aí, véi! Tô frito! Anos se passaram e cumpriu pena. Ao sair da prisão não tinha pra onde ir, só tinha a roupa do couro e o terreno baldio por guarida. Fazer o quê? Juntar as bandas da bunda e sair uma rebatendo na outra. E calar a boca: quando penso, peido; quando falo, cago. E aos reclamos: Porra, fedeu, hem! Bagunçava a porratoda! Lá ia se arrastando. As horas demoravam, comovida mudez: Por onde recomeçar, não sabia. Solidão: Sou entre os que foram abandonados por Deus! Cuspiu sua palavra, seu dialeto próprio, sabia: sua hora ainda vai chegar, ah, se vai. Sua pele coriácia encorajava-o: Não foi a primeira vez, nem a última. E nem morri! Essa sua terrível sorte. A tristeza cansava no durado de semanas, sabia: a alegria tem seus perigos de vigia, convinha precaver. Amanhã ninguém sabe, tanto faz cair pra qualquer lado, a queda é uma só, até o dia em que o diabo levanta os braços, aí, já era, babau. Tá bom. É com o escorregão alheio que o povo se diverte. No mais, tudo era sempre depois de amanhã. Nas contas do dia, um perito em identificar pontos de fuga. Qual indulto naquela hora? Deu-se em estado de bicho, néscio instintivo, intensas sensações, a cólica dos intestinos, entortou-se às cuspidas, acossado por todas as culpas, pensou alto: precisava se perder para chegar aos lugares que não se acham! Ah, não há de ser nada, disse-lhe alguém. Hem? Perdido ou escorraçado? Uma e outra. Ah, tenho um santo remédio, venha! E foram até um recinto ali perto, deram-lhe banho, vestimentas e apreço. Ao redor, todos os presentes com uma caneca à mão, ofereciam: Cerveja? Já sai a comida sagrada pro nosso ritual. Animou-se com a travessa farta de espaguete. Uma ovação: Viva! Ramém! Encheu a pança e, depois das comemorações, deitaram-no numa espreguiçadeira num quarto do quintal, nem notando a presença de outros arranchados por ali. Ao amanhecer ouviu os 8 mandamentos do Evangelho do Monstro do Espaguete Voador. Meteu-se na risadagem, era sua redenção. Um escorredor de macarrão na cabeça e vestimenta de pirata: Ramén! Goles na rodada de cerveja. Ramém! Toda sexta é dia santo e feriado! Ramém! E assim simpatizou-se com os pastafari, mais um neófito, entre eles, na senda, sobrevivendo de bicos, cama e comida garantida. E toda sexta pirateando: Viva Ching Shih! Ramém! Viva o Barba Negra! Ramém! Viva Anne Bonny! Ramém! Viva Black Bart! Ramém! Viva Mary Read! Ramém! Viva o capitão bucaneiro Morgan! Ramém! E tome virada de copos, empanzinamentos com as massas e lambuzado pelos molhos e espumas. Foi assim que aprendeu o riscado, assoletrando: quem na vida muito quer, finda no baú de Davy Jones. Cuidado: se salve de andar na prancha. Aprenda: pegue o que puder, não devolva nada - os mortos não contam histórias. Até mais ver.

 

Elias Canetti: Todas as coisas que se esqueceram clamam por socorro nos sonhos... Não consigo ser modesto; muitas coisas ardem em mim; as velhas soluções estão ruindo; nada foi feito ainda com as novas. Por isso começo, em toda parte ao mesmo tempo, como se tivesse um século pela frente... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Joacine Katar Moreira: Andei sempre contra a maré que nos indicava quais as nossas hipóteses, até onde é que podia ir. E eu olhava para isso não como uma limitação mas como algo que eu iria provar que não era bem assim... Veja mais aqui.

Cassandra Clare: Leia tudo! Não basta ler coisas que estão em sua zona de conforto ou coisas que você acha que já vai gostar. Experimente; experimente coisas novas e experimente novos gêneros. Se você ler muito romance, então comece a ler mistério. Se você ler muito mistério, comece a ler fantasia... Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

 

ROMANCE X OU DA DONZELA POBRE

Imagem: Acervo ArtLAM.

Donzelinha, donzelinha \ dos grandes olhos sombrios, \ teus parentes andam Longe, \ pelas serras, pelos rios, \ tentando a sorte nas catas, \ em barrancos já vazios! \ Donzelinha, donzelinha, \ mira os santos nos altares, \ que apontam, compadecidos, \ para celestes lugares, \ onde são de ouro e diamante \ quantas lágrimas chorares! \ Donzelinha, donzelinha, \ fecha esses olhos sombrios. \ As montanhas são tão altas! \ Os ribeiros são tão frios! \ O reino de Deus, tão Longe \ dos humanos desvarios!

Poema extraído do Romanceiro da inconfidência (Nova Aguilar, 1997), da poeta, jornalista, pintora, escritora e professora Cecília Meireles (Cecília Benevides de Carvalho Meireles – 1901-1964). Dela o verso: Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda... que inspirou curta-metragem dirigido por Jorge Furtado em 1989. O documentário utiliza esse trecho do poema épico Romanceiro da Inconfidência para encerrar sua crítica ao sistema capitalista e à desigualdade. O curta-metragem acompanha o ciclo de vida de um tomate, desde a colheita até ser descartado em um lixão na Ilha das Flores (1989), dirigido por Jorge Furtado, em Porto Alegre. O objetivo da obra é escancarar a desumanidade social ao mostrar que, no local, porcos têm preferência de consumo sobre os restos de lixo antes que estes sejam destinados aos seres humanos. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

CASAS & TÚMULOS - [...] Feliz é aquele que, como Ulisses, viu cem paisagens. [...] Não existem palavras que sejam como água destilada, insubstanciais, alheias à vida e ao mundo. [...] Existem dois tipos de literatura: uma que propõe uma jornada para fora (crimes em Norlândia, paixões na corte chinesa do século XII, traições mortais em um campus americano…) e outra que inclui uma jornada adicional, aquela que o leitor deve fazer dentro de si. [...] Sei que os laços do amor não são iguais, e que um deles, o que vai de mãe para filha, deve ser mais forte do que o que vai de filha para mãe. [...], Trechos extraídos da obra Casas y tumbas (Alfaguara, 2019), do escritor espanhol, Bernardo Atxaga (Joseba Irazu Garmendia), autor de obras como The Accordionist's Son (2003), Memorias de una vaca (1991) e Obabakoak (1988), entre outros.

 

ALGUNS SÃO IDIOTAS MESMO!... - [...] Algumas pessoas SÃO idiotas e continuarão sendo, não importa o que você faça. Isso inclui os Mansplainers; pessoas de todos os gêneros que são tão convencidas de si mesmas que não ouvem (portanto, não é possível ter uma conversa); supremacistas de todos os tipos. Meu conselho? Se eles forem reincidentes, exponha-os, chame-os a atenção - mas com o idiota desconhecido ocasional que VAI incomodá-lo sempre que você começar a brilhar, não perca seu tempo tentando educá-los. Aprenda o que puder com eles: seus "argumentos" favoritos, sua "lógica", seus padrões de retórica - depois acene com a cabeça "obrigado" educadamente enquanto eles ainda estão bajulando sua superioridade intelectual sobre você e, em seguida, livre-se deles. Aprenda com a experiência, assim como você pode aprender ao assistir a uma palestra ruim. Algumas pessoas, entretanto, NÃO são idiotas (ainda), mas podem, ocasionalmente, agir como tal. Essas são salváveis e merecem seus esforços, SE você estiver disposto a isso. Você pode tentar perguntar educadamente: "Você percebe que está parecendo que está dizendo Y em vez de X e me insultando? Você realmente quis dizer isso? Porque você está parecendo um idiota, e eu não acho que você seja um" - ou algo nesse sentido. A parte importante é enfatizar como a pessoa está agindo como um idiota, quando você não acredita que ela seja um. As pessoas não esperam a franqueza, portanto, se não forem idiotas, a franqueza educada, não agressiva, não defensiva e puramente informativa as desarmará. E se, no fim das contas, elas forem idiotas... melhor que fiquem longe, não é mesmo? [...]. Trecho do artigo Algumas pessoas SÃO idiotas, e isso não vai mudar (Escritos em Neurociências,), da neurocientista e professora Suzana Herculano-Houzel, que noutro artigo, Todo mundo precisa ter problemas (Neurociências da vida comum), ela expressa: [...] Só com sensação de controle sobre a própria vida se deixam os outros em paz. [...] Eu hoje, neurocientista, entendo perfeitamente. Aprendi que a chave para o bem-estar está na sensação de controle sobre a própria vida, e que, por definição, só há “controle” onde existe algo a ser controlado: um problema ao alcance da nossa competência. Por isso os tempos de calmaria, teoricamente ideais, nem duram, nem são ideais de fato. Se não há problemas para resolver, criamos um, e ainda chamamos de “propósito”. Pode ser chamado de hobby, projeto de aposentadoria, mas também neto, nora, vizinho – ou imigrantes e outras pessoas estranhas em aparência, ideias ou religião. Acho que agora entendo a obsessão de cada vez mais gente mundo afora em controlar a vida dos outros, num flerte global com o autoritarismo que já descamba para a execução. Quem vive cronicamente estressado com subemprego e exploração socioeconômica, apanhando da vida, precisa da sensação de controle de poder baixar o cacete em alguma outra coisa ou alguém ainda mais na miséria. Para quem vive cheio de problemas, ir às redes sociais se meter nos direitos alheios oferece o alívio temporário tão necessário à sensação de impotência. E quem vive no estado oposto de afluência descansada precisa igualmente de um novo problema para resolver. Com a vantagem de gozar de tempo e dinheiro, parte dessas pessoas vão se meter a controlar os outros que vivem situações de merda tão profunda que requerem aborto, emigração ou novas chances, negando-lhes tudo apenas porque elas podem. Como fazer com que as pessoas parem de se meter na vida alheia? [...] Alguns problemas são insuperáveis, mas a vida é feita de todos os outros. [...]. Ela é autora da obra The Human Advantage: A New Understanding of How Our Brain Became Remarkable (The MIT Press, 2016). Veja mais aqui.

 

SANTANNA O CANTADOR

Eu acho que devemos ser eternos aprendizes, para podermos evoluir com mais consciência do que somos e do que queremos... Você tem que acreditar no seu jeito de fazer as propostas. Quando a coisa é verdadeira as pessoas notam e sentem. A verdade será sempre moderna e bem aceita, mesmo que doa...

Pensamento do parceiramigo, cantor e compositor Santanna, O Cantador. Veja a entrevista que ele concedeu pra mim e outras coisas a respeito do seu talento e carisma aqui.

 

LER BEM – O concurso Ler Bem 2026, iniciativa da Associação Pernambucana de Atacadistas e Distribuidores (ASPA) objetiva incentivar a leitura entre estudantes do 4º ano do Ensino Fundamental de escolas municipais. Este ano o Observatório de Leituras da Semed-Palmares, acompanhou o estudante Zeus Vinícius Barbosa Holanda, da Escola Municipal Professora Maria Elizabete de Oliveira Calado, em Palmares, Pernambuco, em 3 encontros, contando com o apoio do professor Emerson José Oliveira da Silva e dos técnicos da Semed, comandados pelo professor Valmir Melo. A obra estudada foi A volta ao mundo em 80 dias (Le tour du monde en quatre-vingts jours - FTD, 2013), do escritor francês como Júlio Verne (Jules Gabriel Verne – 1828-1906), considerado o inventor do gênero de ficção científica. Veja o ocorreu durante os encontros e treinamentos aqui.

 


ARTE NA ESCOLA – O professor Emerson José Oliveira da Silva apresentou o artigo científico sob a temática A arte na educação infantil e desenvolvimento da criança na pré-escola, no Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia, da Faculdade de Formação de Professores da Mata Sul/PE (Famasul), de Palmares (PE), orientado pela professora Vanessa Ferreira dos Santos. Veja na íntegra aqui.


 

CENTENÁRIO DE DAREL VALENÇA LINS – Em 2024 comemorei o centenário do gravurista, pintor, desenhista, ilustrador e professor, Darel Valença Lins (1924-2017), com a publicação do livro Dareladas, lançado tanto em Palmares, sua terra natal, como também no Rio de Janeiro. Confira como ocorreu aqui.

 


SEMANA HERMILO BORBA FILHO - Em homenagem ao advogado, escritor, crítico literário, jornalista, dramaturgo, diretor, teatrólogo e tradutor Hermilo Borba Filho (1917-2017), acontecerá a Semana Hermilo, entre os dias 28 e 31 de julho, na Biblioteca Pública Fenelon Barreto, em Palmares (PE). Confira detalhes & muito mais aqui.

 

E veja mais Pernambuco aqui.

 


sábado, julho 11, 2026

DRUMMOND, DAD SQUARISI, LENINE & STELLA MARIS REZENDE

 

Imagem: Acervo ArtLAM.


 

Interlúnio do inominado marupiara pé-frio... - Insosso não tinha nome, só sobrenome e duplo: os finados pais, Maria Combreia e Zé Caralâmpio, compuseram, às turras, o batizado: Caralâmpio Combreia; vingou-lhe o apelido desenxabido, colecionando remoques, outro Zé à toa. Isso há muito tempo, até tinha perdido as feições avoengas, desconhecia até então qualquer parentesco. Era amanhecido vistoso quando aventou, na curva da ideia, névoas oníricas, repisando pretéritos; se duvidava, segurou o espirro, escamoteava, acocorado matutando, tanto retardava coisas de sua, nem podia do dever. Cismava sozinho no mundo, ressuscitando olvidadices, o protelado na urgência da hora, irrespondível. Sentia-se viver noutras situações nunca vista, coisas estranhas que nem eram suas, de quem seria, ignorava; só que passava com ele, destá. Providenciou tirar a prova dos 9 fora e acelerou a ida. Foi a pé, mochila ao sovaco pendurada nos redondos ombros, água na moringa, toda pressa no dia arejado de um céu da rotina, pelo capinzal das ervas, a poeira do chão na areia dos pés, as alpercatas nos vestígios de passagens, as folhas e a passarada, sombreada jaboticabeira, as flores na brisa que vinha dos morros limítrofes, as moitas pelas nuvens dos arredores. Saboreava serelepe vasta fruteira farta pelas beiradas da estrada, ah, jaboticabas, chupava, se enchia. Subiu a serra, desceu o morro, esticou as orelhas: o ermo longe ia pelo demais. Deu em Catuama, o portão. Naquela instância as lápides, benzeu-se, cerrou os punhos, quanto tempo, nenhuma data, jaziam no sacrilégio do seu quase esquecimento. Deteve-se com gastura, tossiu seco, prosternado no primeiro batente, serôdio, soçobrava. Puxou do bisaco um par de velas, acendeu-as e o tempo amoitou nas escurezas de Deus, instantaneamente. Cegou paradeiro e um redemoinho medonho, danou-se! Aos giros, perdia-se, de cabeça pra baixo; de tanto rodar, foi jogado, estendido. Onde estou? Diante da Pedra Letrada: Já estive aqui? Parece. Deu fé de recorrentes anemoias: Será que só sou eu que tenho esses pantins, ou essa paranoia é geral? Cada qual sua loucura. Era seu paradoxo do ônibus: Vou ou não vou, lascou. Viu-se aos trocentos pedaços, desassossegado. Coçava a palma da mão: Sarna da moléstia, essa; será que estou com mau-olhado? Subitamente a coisa mudou de figura: o céu atroou, trovões ribombaram aos raios e o diabo pintou assombração. Estarrecido, comediu-se. O chio das coisas. Era o tempestuoso Bicho do Vau: Leia! Lufadas de tornado iminente. E agora? Leia, vá! A ameaça, o alerta. O prenúncio de um ciclone, já quase tragado e alguém o puxou pela beca. Volteava desgovernado, derreou. Pisou o chão ignorado, apaziguou-se e, ao levantar a vista, outro susto, de escorregar desajeitado em fuga afora. Peraí. De novo? Torou aço, um frio na coluna, arrepiou-se: Ave! Era gente ou bicho mesmo? Sou teriana! E fala? Vamos, aqui não é seguro. Hem? Vem logo! Foram rasgando matadentro: ela ágil rojava aos voos pelos galhos e troncos, ele amedrontado seguindo-a, aos pinotes, pés na bunda. Deram numa clareira e ela atrepada, na copa dum eucalipto gigante, gesticulava, como sinais de avisos aos apitos e guturais. Obrigou-o a esconder-se. Refugiou-se no medo e esperou arfante. Logo apareceram muitos outros seres esquisitos: Que é que é isso? Ela desceu ladina: Venha, são aliados. Aí foi tomando pé do que pra ele era maior bizarrice, uma tropa interminável de furries, kingêneros, queers, cosplays, goblincores e otherkins - fadas, goblins, elfos e duendes, mesmo? -, licantropos, vampiros, nefilins, nunca tinha visto do tanto, ora. Mais tulpamancistas, zentais, otakus, kawaiis, clowncores divertidos, pastafarianos da Igreja do Monstro do Espaguete Voador, haul girls, biohackers – Eita! Gente com antena na cabeça, smartwatches, pitocos nos dedos -, vaporwaves, neo-tribalistas, plankings, Barbies e GothLolis, tecktoniks, sílfides, ironistas – Ué, passadores radicais de roupa? -, esportistas de quadribol, skinheads, hardcore punks, metaleiros, grunges, emos, bod-mods – Vôte! Tem até com implantes de chifres, língua bífida, tatuagens e piercings! -, sneakerheads, caçadores de fantasmas, dândis, fetichistas, colecionistas estranhos – do tipo colecionador de escova de dentes usada, avalie -, sugestionados, adeptos da pneuteologia, sobreviventes afetivos, retrôs – preservacionistas do passado, pode? -, imperadores das cócegas, mergulhadores de lixeira, fashionistas, Toy Voyagers, fantasistas disfuncionais, delirantes, disforistas, paleoterios, fictórios, teriomíticos... Deu o créu! Havia quem incorporasse o Kholstomér do Tolstói, ou o urso-polar da Tawada, o polvo da Despret, a sardinha do Bill François, maior piração! Seria coisa de outro mundo que estava metido ou falseamentos, tudo perdido, modelos com figurinos excêntricos, cada qual mergulhados na sua sandice, ora! Boba da peste! Plantassem batatas, penteassem macacos, lambessem sabões nos seus folguedos exóticos, dislates, tinha de tudo! Eita, pêga! Logo um boi solene mugia Guimarães Rosa: O homem é um bicho esmochado, que não devia haver. Depois recitava o de Drummond quando se deparava com humanos. E lá estavam Quidim & marquês Rabicó, quem Orlando de Woolf, o furacão da Hilda, as diminutas criaturas de Lilipute de Swift, quem falasse do Magnum Opus nos portais de Tlön, do Mutus Liber, do poema celta do Graal, de Atlântida, até personagens de Arantza Sestayo. Quem? Que carnaval é esse? Agora sabia: bicho gente é um bocado de doidices arrodeado de perigo por todos os lados. Céus, em que fui me meter? À caça, aos gritos, muitos correram, alguns pouquíssimos ficaram. Tremia: Pronde foram? Caçar, já já voltam pra comilança, fica aí. Ela tinha ido com os outros, hem hem. Sozinho cismou: Com certeza era mais fácil entender a razão áurea ou a sequência de Fibonacci, do que sacar maluquice dessa. Não dava pra entender essa gente. Com o tempo foi se acostumando, quase pariceiros íntimos. Ela retornou da caça com os que foram e sorria na chegada. Aí ele virou-se do lado, ao mais próximo, puxou conversa para enturmar-se: Como é mesmo o nome dela? Sei-que-lá-de-tal! Fodeu! Ouvindo a conversa, ela soletrou: Meu nome é N-o-no-r-i-ri-e-l-a-la, Noriela Hentai, euzinha aqui, muito prazer, de novo! E o seu? Ih!... Ela riu-se do insípido, contida. É mesmo? Alcunha. E como se chama de mesmo? Uh!... Gracejou irônica: Também, com um nome desse, melhor o pseudônimo! Quem fala, ó, e o seu, hem? Acomodou-se relaxado ao lado dela e matutou consigo: Ela é coisa de bicho da muita estimação, maior xerimbabado, cheia das amorosidades. Mesmo insólita, a alma dela conjugava certinho com a sua, airosa no seu jeito peculiar, toda sacudida, dócil, os dentes de fora, recheada de franqueza e amabilidades. Diante dela todo inédito ímpeto, precipitava-se, saltava aos olhos, timidez dele apreciou, aliás e talvez, conjugou o verbo direitinho, zelava por ela, tomava conta, ela destinatária, ele insulso encurralado respeitoso, premente. Era o que podia fazer ali. Embevecia-se aos palmos dela, o traje, o quiasma: zilhões de anos-luz do seu sorriso, ô garapa boa! Cabeça sempre ocupada com chamegos de xodó, pouco importando se de segunda mão. Pronde vocês estão indo? Pra Pasárgada. Fazer o quê lá? Somos amigos do rei! Como assim? Ciclones devastadores se anunciam prenunciando um gigantesco tufão! O quê? Vem com a gente! Quando? Depois do repasto a gente vai zarpar, no certo, o mundo está ficando inabitável! O quê? Ora, você não sabe? Não. Vamos encher a pança logo, depois explicarei. Para quem desdenhava agouros, abolia crendices e conspirações extravagantes, estar ali no meio de tão tribais tão diversos, dava-lhe a impressão de já ter vivido ou sonhado com aquilo. Será? Além do mais: o que Deus num quis, não se deve dar ao diabo, né! Se revivia ou ressonhava, não sabia se por serendipidade entusiasmada ou desdita amaldiçoadora, só saberia no depois qual. A bem dizer, decerto, suspeitou do havido, encardiu-se, às pausas, comprava fiado o futuro. Um lampejo e decidiu-se: Vou virar bicho! Seria mais uma vazada das quantas jornadas, vezes quisesse até nenhum enfim. Já era tarde, oxe, ela partiu com muitos. Ih! Foi? Foi. Apartou-se, a ideia nascia do absurdo fortuitamente encadeada com movimento do impalpável e da ausência dela ali compondo silêncios ensurdecedores. Hem, hem. Néscio, afeiçoou-se dela à socapa e uma saudade arroxeava já dentro dele: Seria ingrata ao tanto da desconsideração, em paga devagar, sem socorro à vista, como se o dia de anteontem não passasse desde ontem até agora, o quanto pudesse suportar de se doer, mais condoía! Não era mais Pernambuco dali por diante, outro lugar que não sabia, era capaz de ser doutra banda desconhecida, uma confusão dentro de si. E ela já tinha ido, ficava só com os outros desapegados, afora o repuxo tristonho da ausência dela. E se ali o verão era longo, o inverno seria pior, precavia-se. Como proceder: este mundo dá medo, as leviandades, o verossímil, o abandono, as sobras, aos desperdícios, ninguém está a salvo, tudo do contra, a dor das coisas retine seu ricocheteado na gente mesmo. Aí desancou-se de todo, por enquanto, episódio custoso aquele, meios vãos, só faltava sair puxando a venta alheia a cada motejo pela feiúra. Cadê-la! Abscônditas evocações suas. Ela escapuliu furtiva, foi-se o que era doce. Devia a vida a ela, fujona, creditava. Roía-se por dentro, macambúzio, o que havia avinagrado em demasia sua existência tão pantagruelicamente. Ainda não seria daquela vez, que pena. Pesaroso: Era provável que as desventuras fosse só um brinquedo da sorte, era a vida e suas consequências. Reconhecia a exatidão da tristeza: Mas por quê? O futuro trazia respostas aos pouquinhos, o que haveria de vir? Por derradeiro a áspera, bis e tris, quantos mais à infinitude, dava baixa, até que a morte astuta viesse à tona das perpetuidades. Ficava o escrito pelo não dito: perdia o coração no mal resolvido. Não havia prazo pras descobertas, bastava o momento entroutros e pronto, se desvelando aos pouquinhos, o esmiuçado, só nas tristecências, o comum. Revivescente marupiara, quem dera. Ouviu longe: Vai ficar aí quarando com a morte da bezerra, ou vem com a gente! Hem? Até mais ver.

 

Vladimir Maiakóvski: Antigamente, eu acreditava que os livros eram feitos assim: um poeta chegava, entreabria os lábios e o tolo inspirado irrompia em canto — vejam só! Mas parece que, antes de poderem lançar uma canção, os poetas precisam caminhar por dias com os pés calejados, enquanto o peixe lento da imaginação se debate suavemente na lama do coração. E, enquanto eles cozinham um caldo de amores e rouxinóis ao som de rimas que chilreiam, a rua muda apenas se contorce, na falta de algo para gritar ou dizer... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Espido Freire: E sempre fora assim. Ninguém dava muita atenção... Na verdade, ninguém ouvia ninguém... Escrevemos e lemos para fugir, para viajar além dos nossos meios... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Denise Stoklos: Não dá pra fazer nada pela metade ou por três quartos ou um tanto ou se proteger de entregar. A entrega tem que ser cem por cento, que grau estiver você dos seu cem por cento. Ela tem que ser os cem por cento que você tenha... Veja mais aqui, aqui & aqui.

 

UM BOI VÊ OS HOMENS

Imagem: Acervo ArtLAM.

Tão delicados (mais que um arbusto) e correm \ e correm de um para outro lado, sempre esquecidos \ de alguma coisa. Certamente, falta-lhes \ não sei que atributo essencial, posto se apresentem nobres \ e graves, por vezes. Ah, espantosamente graves, \ até sinistros. Coitados, dir-se-ia não escutam \ nem o canto do ar nem os segredos do feno, \ como também parecem não enxergar o que é visível \ e comum a cada um de nós, no espaço. E ficam tristes \ e no rasto da tristeza chegam à crueldade. \ Toda a expressão deles mora nos olhos — e perde-se \ a um simples baixar de cílios, a uma sombra. \ Nada nos pelos, nos extremos de inconcebível fragilidade, \ e como neles há pouca montanha, \ e que secura e que reentrâncias e que \ impossibilidade de se organizarem em formas calmas, \ permanentes e necessárias. Têm, talvez, \ certa graça melancólica (um minuto) e com isto se fazem \ perdoar a agitação incômoda e o translúcido \ vazio interior que os torna tão pobres e carecidos \ de emitir sons absurdos e agônicos: desejo, amor, ciúme \ (que sabemos nós?), sons que se despedaçam e tombam no campo \ como pedras aflitas e queimam a erva e a água, \ e difícil, depois disto, é ruminarmos nossa verdade.

Poema do escritor Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), considerado o mais influente poeta brasileiro do século 20. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

A FILHA INJUSTIÇADA, DE STELLA MARIS REZENDE

Me inspirei na história verídica de uma mocinha de 15 anos, de Dores do Indaiá, que foi internada à força no Hospital Colônia de Barbacena. Motivo: Não concordava em trabalhar escondida dos fregueses do armazém do pai machista, violento e cruel. Maria da Soledade era obrigada a trabalhar no galpão, cuidando do estoque, carregando peso, sem receber nada, enquanto os três irmãos trabalhavam na loja em frente à rua, e recebiam salário. Ela queria ser respeitada, só isso.

Depoimento da autora sobre o seu recentemente lançado e elogiado romance A filha injustiçada (Faria e Silva, 2026), da premiada escritora e atriz Stella Maris Rezende, mestre em Literatura Brasileira pela UnB, que participa de feiras literárias e ministra a oficina Letras Mágicas. Ela é detentora de 4 prêmios Jabuti, afora outras tantas premiações de sua exitosa carreira. Ela concedeu uma entrevista exclusiva pra gente, falando de sua trajetória, seus livros publicados e estudados no meio acadêmico, da Fada da Palavra, da Oficina Letras Mágicas e de suas perspectivas literárias. Confira a entrevista aqui.

 

ESCREVER É MANDAR RECADO - Redigir é técnica. Pode ser aperfeiçoada. Nem sempre a atração reside no que você diz. Mas no jeito de dizer. Uma frase particularmente elegante, capaz de veicular com clareza e simplicidade a mensagem que você quer transmitir, é conquista pessoal, exercício diário de desapego e humildade. [...] Os segredos do estilo mais eficiente podem ser resumidos em dez preceitos. UM - Seja natural: fique à vontade. Imagine que o leitor esteja à sua frente. Converse com ele. Não fale difícil. Espaceje suas frases com pausas. Confira ao texto um toque humano. Você está escrevendo para pessoas. DOIS - Vá direto ao assunto: não enrole. Comece pelo mais importante. E comece bem, com uma frase atraente, que lhe desperte o interesse e o estimule a prosseguir a leitura. No final, dê-lhe o prêmio – um fecho de ouro, como inesquecível sobremesa a coroar um lauto almoço. TRÊS - Use frases curtas: a pessoa só consegue dominar determinado número de palavras antes que os olhos peçam uma pausa. A frase muito longa dá trabalho, confunde. Por isso, use sentenças de, no máximo, uma linha e meia. Lembre-se: uma frase longa nada mais é do que duas curtas. QUATRO - Prefira palavras breves e simples: vocábulos longos e pomposos funcionam como cortina de fumaça entre você e o leitor. Seja simples. Entre duas palavras, prefira a mais curta. Entre duas curtas, a mais simples. Em vez de falecer, escreva morrer; em lugar de somente, só; de matrimônio, casamento; de féretro, caixão; de morosidade, lentidão. CINCO - Ponha as sentenças na forma positiva: diga o que é, não o que não é. Quer exemplos? “Não ser honesto” é “ser desonesto”; “não lembrar” é “esquecer”; “não dar atenção” é  “ignorar”; “não comparecer” é “faltar”; “não pagar em dia” é “atrasar o pagamento”. SEIS - Opte pela voz ativa: ela é mais direta, vigorosa e concisa que a passiva (a passiva, como o nome diz, parece sem força, desmaiada). Prefira “um raio provocou o blecaute” a “o blecaute foi provocado por um raio” SETE - Abuse de substantivos e verbos: escreva com a convicção de que no idioma só existem essas duas classes de palavras. As demais, sobretudo adjetivos e advérbios, devem ser usadas com a sovinice do Tio Patinhas. Na dúvida, deixe-os pra lá: (Normalmente) ao escrever textos (informativos), use substantivos (fortes) e verbos (expressivos). OITO - Seja conciso: não diga nem mais nem menos do que você precisa dizer. Cultivar a economia verbal sem prejuízo da completa e eficaz expressão do pensamento tem dupla vantagem. Uma: respeita a paciência do leitor. Outra: poupa tempo e espaço. NOVE - Dê clareza às citações: dificultar a compreensão do texto é colocar uma pedra no caminho do leitor. Para quê? Facilite-lhe a vida. Nas declarações longas, não o deixe ansioso. Identifique o autor imediatamente antes da citação ou depois da primeira frase. [...] Nas declarações curtas, identifique o autor no começo ou no fim da fala: “Toda questão tem dois lados”, escreveu Pitágoras. DEZ - Escolha termos específicos [...]. Trechos do artigo Dez ideias úteis para usar a palavra escrita com clareza e eficiência (FilosofiaEsotérica, 2026), da escritora e professora libanesa Dad Squarisi (Dad Abi Chahine Squarisi – 1946-2923), autora do livro Dicas da Dad: português com humor (Contexto, 2003), Mais dicas da Dad: português com humor(Contexto, 2003), Deuses e heróis - mitologia para crianças (LGE, 2004), Manual de redação e estilo para mídias convergentes (Geração, 2011), Sete pecados da língua (Contexto, 2017), entre outros.

 

A ARTE DE LENINE

(Imagem: Alexandre Loureiro/Getty Images)

[...] Não tenho a mínima ideia nem ouso descrever quem é o ser humano contemporâneo. Agora, diante da contemporaneidade em que estou inserido, existe uma constatação para mim que é clara, cristalina: é uma desconstrução da realidade. Isso me causa espanto, porque, não por acaso, a primeira música do disco "Eita" vai nesse tema, da confiança. Nós perdemos a confiança. E isso é um problema, eu acho. Na minha formação, fui educado a confiar na pessoa. Se não conheço alguém, eu confio nela, até que me provem o contrário. Hoje é completamente o oposto. Hoje a gente vive numa época de dissimulação. As pessoas não têm o mínimo escrúpulo, não têm a mínima educação. Falam uma coisa, pregam essa coisa, mas agem de forma oposta, completamente oposta. É muito dissimulado, é muito mentiroso o que a gente está vivendo hoje em dia. É como se a gente tivesse voltado a uma certa Idade Média, desacreditar das coisas que a gente já tinha conquistado. Não sei quem é esse ser humano contemporâneo. Torço para que ele tenha uma tomada de consciência e volte a escolher um caminho do bem comum. [...].

Trecho da entrevista Eita! Uma conversa com Lenine sobre o espanto, o tempo e o futuro (Fast Company Brasil, 2026), concedida pelo premiadíssimo cantor, compositor, arranjador, multi-instrumentista, letrista, ator, escritor, produtor musical, engenheiro químico e ecologista, Lenine (Oswaldo Lenine Macedo Pimentel), autor de mais de 500 canções, 9 álbuns de estúdios e 4 álbuns ao vivo e em vídeo. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.


 

MÚSICA: CRIANÇA - O Brincarte do Nitolino conta e canta hestórias para o público infantil e infanto-juvenil, ofertando, ainda, conteúdos de Literatura, Psicologia, Educação, Direito, Teatro, Música, contação de histórias, brincadeiras, artes dos estudantes e uma agenda de recreações, oficinas e palestras para a área. Confira a música & letra Criança & muito mais aqui.

 


TEATRO: HISTÓRIA & AUTORES / DE PALMARES (PERNAMBUCO) PRO MUNDO – No Música, Teatro & Cia um estudo sobre o que é o teatro, abordando a história desta arte milenar, desde os primórdios até a contemporaneidade, destacando autores e peças teatrais, bem como uma abordagem sobre os movimentos no decorrer dos séculos, destacando, sobretudo, a arte no Brasil, em Pernambuco e Palmares, com extensa indicação bibliográfica. Confira clicando aqui.

 


PESQUISA & CIA – No Pesquisa & Cia reflexões de célebres personalidades por meio de suas obras, pensamentos e feitos sobre temas que vão desde das Neurociências, passando por ativismo, injustiça, crise climática, sustentabilidade, violência, ecofeminismo, simbiossexualidade, entre tantos outros, que constituem o debate contemporâneo. Confira aqui.

 


REUNIÃO SETIGONAL – Levado pela provocação dos criadores Admmauro Gommes, José Durán y Durán e Cícero Felipe, cometi alguns setígonos. Gostei. E quando vi uma penca de gente da melhor cepa cultuando e dando pitaco acerca dessa novidade poética, não me fiz rogado e soltei o verbo. Quer saber como é que o setígono? Ora, confira aqui.

  

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domingo, julho 05, 2026

WOLE SOYINKA, CINDY SHEEHAN, MONA AWAD & GORETTI VARELLA

 

Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som da performance Live at Minotti (Berklee College of Music, USA-2025), dos Eps Rise (2026) e The Dawn (2024) e do álbum Sixth Week (Apple Music, 2026), da jovem pianista, compositora e prodígio do jazz japonesa, Ai Furusato, que possui trabalhos autorais lançados nas principais plataformas de streaming.


 

Bilaro, insólita fuga dum Zé de si mesmo!... - Zé Bilaro ficou órfão de pai e saiu pelo mundo. Olvidou os rogos maternos: não fizesse mais asneiras, bastavam os desatinos paternos agora enterrados. Mal saíra ele capenga dum grande amor, agora duplamente enlutado cogitava sequestrar a amada no dia do casamento dela. Endoidou mesmo, diziam. Ousou finca-pé na esparrela, depois: a cara mais lisa, lavada. Findou: Mas, mas... Depois de muitos atrapalhos, as errâncias dum malfadado. Foi-se: o olhar perdido na lonjura das léguas estiradas, misturando ideais e infortúnios, o regalo de uma módica sombra e o Sol na moleira. Arre! Alguém chamou por um nome que não o seu. Quem? Deu fé: os bichos falavam abeirados, as árvores tagarelavam longínquas, as pedras cochichavam genringonças, um pandemônio, temia caducar amalucado: Onde é que estou mesmo, hem? Ali o morro que perdeu a ponta, imenso. Vixe! E lá ia pelas trilhas de umburanas e grutas, os cânions e a pareidolia, chapadas e desenhos rupestres, a caverna e o sítio de Alcobaça, a Loca das Cinzas e a Gameleira de Buíque, a pedra do Cachorro e o Portal da Igrejinha, a merafusa de Sabadi tangendo seus fiéis pra caverna de Meu Rei, o Morro do Elefante e a caatinga, a Vila dos Breus e a Serra das Torres, a Jurema Preta e o Povoado de Aterrados, o marmeleiro-do-mato e o enxame de abelhas, o feijão-bravo e o Vale das Tartarugas, os Lapiais e o Véu de Noiva, a catingueira e os visíveis sinais do fogo corredor – o compadre e a comadre brincavam de esconde-esconde -, os encantados das furnas do holoceno, Homo floresiensis, Homo luzonensis - Oxe! -, os caboclos encantados, cobras aninhadas, um cachimbo velho e pequeno, ali tudo podia acontecer. Passou a vista e ouviu lá longe soar o uruá dos Kapinawá - sinal do sagrado Kwarup afastando maus espíritos, ou o rito de passagem da furação de orelha. Respondiam takuaras como se fossem o uirapuru – o coração partido do guerreiro Quaracá, a cantar de saudade pelo amor impossível de Anaí. Tal como ele, melancólico. Há quem surpreendido soubesse do canto o seu amuleto de sorte, o poema sinfônico de Villa-Lobos. Ele nem, nem. E se era Oribici chorava de amor, para outros. A surpresa foi possível com os gritos do gigante Mapinguari, quebrando galhos no interior do matagal – ali seu peludo casco de tartaruga, um olho apenas na testa e a boca no umbigo, pés de mão de pilão. Valha-me! Outros silvos, será da flauta de Pã, ou da de Krishna? Arredou, hesitante. Mal escapara e viu logo atrás do Mapinguari, o Ipupiara: ataque comendo parte dos corpos de desavisados, o demônio d’água, seus braços longos, pés de barbatanas, dentes pontiagudos, o corpo coberto de pelos e focinho com bigode. Ô. Ora, ora. Temeroso, ouviu amiudado cochicho: Pare, não responda, o sopro dele dilata o aço do cano da espingarda e você perderá a vida, quieto; os sobreviventes, aos aleijões e nódoas no corpo. Olhos pros lados, virou-se, girou: a paisagem e mais nada. Ué? Psiu! Salvou-se, achou: ares de Tejucupapo! Era Maíra, a Dona Clara com as heroínas guerreiras depois da Batalha, anônimas Marias. Boa tarde! E achegou-se esbaforida, abanando-se acalorada: Mormaço, hem? Era o meio da tarde, puxou conversa e o paradeiro. Ah, estava mesmo extraviado da lucidez. Hum? Acalmou-se com a brisa arranchando-se ao lado dela. E muito ouviu e tomou ciência: ensinou-lhe como o beijo dança contando toda hestória. Entardecia, o Sol cochilava escondendo-se. Ela foi-se apressada e tudo o mais acontecia no trâmite das horas. Anoiteceu com o burlão astucioso Malasartes aos espalhafatos, vinha do Cancioneiro da Vaticana para se encontrar com Cancão de Fogo: Você viu? Não. Inté. E logo seguido pela esperteza e deboche de Camonge, escapando dos bumerangues das armadilhas: Tá ouvindo o Esquenta-mulher? Aguçou as ouças: Não. Rola no oculto, espie direito: o terno da zabumba, cabaçal com o toque de Lampião. Hum? É a Zabé da Loca ensaiando. Logo viu os volteios apaixonados do caçador Papageno com sua amada Papagena, disfarçavam perseguirem no encalço de Sarastro, que raptou a filha da Rainha da Noite. E um cortejo seguia: os apaixonados Tamino e Pamina, o Peer Gynt de Ibsen nos tons de Grieg. Vieram depois Sethos de Terrasson e a Megara de Hafner, caborés e pífanos com as pantomimas das peripécias e artimanhas da farsa do mestre Scapin de Molière, tirando vantagem, como se fosse o filósofo do povo às piruetas inagarráveis, revelando interditos e hipocrisias. E o Fígaro de Beaumarchais completamente desatinado porque perdeu Suzanne e, em vingança, ousou exigir o jus primae noctis de todos os nubentes e dos já casados: Não somos seus servos! E repetia exigente: derecho de pernada, droit de cuissage. Condoeu-se, comiserado: o mesmo com ele. Ali tudo acontecia simultaneamente: o bambu de taboca, Zé Tapera & Teodoro com a roupa nova do rei de Andersen, as proezas de João Grilo, Mainá nas carapebas e Mazzaropi: larga de ser besta! Viu até o duelo da vida com a morte, quando um trio de montanhesas apareceram para roubar suas ideias. Entre elas uma mulher vestida de verde apontava grávida dele. Eu? Uma voz: Seja fiel a si mesmo. Aí deu a volta e aos rodeios passou-se por missionário, fausto comerciante de escravos e vestiu-se de beduíno para ser referenciado como profeta. Enganou a quem? Deu-se diante da Esfinge: pro hospício, imperador de si mesmo. Ah! Invocou socorro quando viu: Deus é o guarda de todos os tolos. E era um velho náufrago em auxílio sinalizando: Descobrisse onde os sonhos têm seu lugar. Hem? Aí foi julgado pelo que não fez, as músicas não cantadas, as obras desfeitas, as lágrimas não derramadas e as perguntas que nunca foram feitas na ameaça de sua alma torrar derretida: Quando foi você mesmo? Sei lá! Procurou confessar e deu de cara com o diabo: Sua vida está perdida, pra sua mãe sua morte nunca deu certo. E correu pra última encruzilhada e lá encontrou a amorante Solveig: Você não tem pecado, está perdido, por onde andou? Hem? E ela: Não direi mais nada... E ninguém sabia dos achaques e temores dele nas copas das árvores, a longuidão dos percalços, o mundo por vencer. Sentiu-se ali banido, acuado, preterido, rejeitado. E agora? Esfregou os olhos, o existir sozinho noutra manhã: o Sol na areia, a ventania libertadora, os túmulos e os cárceres, os pingos de chuva, a brandura das nuvens momentâneas e os vultos andantes. Via-se acontecer alhures ali na hora, sorvia o veneno bento e um pouco de tudo no imperdoável renascer da memória. Eram medonhas lembranças, os anos excedendo as denúncias e revertérios, o avesso de outrora e a descoberta dentro de si da centelha, antes escondida, a preencher seus vazios, num doidivano festejo de realizar-se, cônscio da erradia essência de viver: Estou vivo mesmo ou já morri? Presenciou in loco o Primum Mobile e o Empíreo: era o céu de Dante. Escapava fedendo, por um trisco de nada. Demorou lá mais outro tanto: “Não é um voo para as minhas asas”. Sonhava de olhos abertos no Vale do Catimbau. Até mais ver. 

 

Marcel Proust: Os paradoxos de hoje são os preconceitos do amanhã, já que os preconceitos mais desprezíveis e os mais deploráveis tiveram seu momento de novidade quando a moda lhes emprestou sua frágil graça... Somos curados do sofrimento apenas experimentando-o ao máximo... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Edgar Morin: A loucura humana é fonte de ódio, crueldade, barbárie, cegueira... Estamos completamente imersos neste mundo que é o dos nossos sofrimentos, das nossas felicidades e dos nossos amores. Não sentir é evitar o sofrimento, mas também o regozijo. Quanto mais aptos estamos para a felicidade mais aptos estamos para a infelicidade... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Ana Botafogo: Muita coisa eu sei, mas muita coisa ainda vai ser surpresa para mim... Perdido seja para nós aquele dia em que não se dançou nem uma vez!... Veja mais aqui, aqui & aqui.

 

NOITE

Imagem: Acervo ArtLAM.

Tua mão pesa, Noite, sobre minha testa. \ Não tenho coração mercurial como as nuvens, \ para ousar. \ Exacerbação de teu arado sutil. \ Mulher como uma ostra, na crescente do mar. \ Vi teu olhar ciumento extinguir a \ fluorescência do mar, dançar no pulso incessante \ das ondas. E eu fiquei ali, exausta, \ submetendo-me como as areias, sangue e salmoura \ correndo até as raízes. Noite, tu choveste \ sombras serrilhadas através de folhas úmidas \ até que, banhada na quente difusão de tuas células salpicadas, \ sensações me atormentaram, sem rosto, silenciosas como ladrões da noite. \ Esconde-me agora, quando crianças da noite assombrarem a terra, \ não devo ouvir nenhuma! Estas células nebulosas ainda \ me desfarão; nua, sem ser convidada, no nascimento silencioso da Noite.

Poema do escritor, dramaturgo e ensaísta nigeriano Wole Soyinka, Prêmio Nobel de Literatura de 1986, que em 1967 foi preso durante a Guerra Civil Nigeriana, pelo governo federal do general Yakubu Gowon e colocado em prisão solitária durante dois anos, por ter se voluntariado como ator mediador não-governamental. Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

 

ROUGE – [...] A única jornada que importa no final, Filha de Noelle.” “Retinol?”, sussurro. “A alma. Uma jornada da alma, é claro. [...] Um espelho é apenas um espelho, Belle. Ele só reflete aquilo que desejamos e ansiamos. [...] Havia um espaço ali também, como aquele entre mim e a Mamãe. Como aquele entre mim e todos, dali em diante. Existe um espaço entre mim e tudo o mais desde que você virou fumaça. Existe uma parede de vidro. [....]. Trechos extraídos do livro Rouge (Globo, 2024), da escritora canadense Mona Awad, que noutra obra, Bunny (Globo, 2024), expressou que: […] Nunca deixei realmente de escrever, nunca fiquei sem um outro mundo criado por mim para onde escapar, nunca soube como estar neste mundo sem que a maior parte da minha alma estivesse sonhando com outro e vivendo nele. [...] Os poetas preparam-se para uma pobreza iminente e altamente instruída. [...]. Ela também é autora dos livros 13 Ways of Looking at a Fat Girl (2016), All's Well (2021) e We Love You, Bunny (2025).

 

MÃE SALVADORASou apenas uma mãe normal que tenta salvar vidas e ser o melhor ser humano que possa ser... O nosso país foi assaltado por bandidos assassinos, gangsters que cobiçam fortunas e poder... Quando eu estava crescendo, era 'Comunistas'. Agora é "Terroristas". Então você sempre tem que ter alguém para lutar e ter medo, para que a máquina de guerra possa construir mais bombas, armas e balas e tudo mais... Então, o que realmente me faz é esses chickenhawks, que enviaram nossos filhos para morrer, sem nunca servir em uma guerra. Eles não sabem do que se trata... Precisamos realmente deter as tendências imperialistas de países como os Estados Unidos e a Grã-Bretanha... Cabe a nós, o povo, quebrar leis imorais e resistir. Assim que os líderes de um país vos mentem, não têm autoridade sobre vós. Esses maníacos não têm autoridade sobre nós. E eles podem ser capazes de colocar nossos corpos na prisão, mas eles não podem colocar nosso espírito na prisão... Não podemos permitir que nenhuma guerra pelo imperialismo ou pela ganância seja travada em nossos nomes. É por isso que temos de continuar a lutar... Se ficarmos juntos como um povo, podemos derrubar os criminosos de guerra que estão comandando nosso país agora... Pensamento da ativista estadunidense Cindy Sheehan (Cindy Lee Miller Sheehan).

 


O UNIVERSO LITERÁRIO DE ADÉLIA PRADO - O que a memória ama fica eterno... Fugir da dor é uma perda de tempo... O sofrimento não tem idioma... Dor não tem nada a ver com amargura. Acho que tudo que acontece é feito pra gente aprender cada vez mais, é pra ensinar a gente a viver. Desdobrável. Cada dia mais rica de humanidade... Não tenho mais tempo algum, ser feliz me consome... O destino não existe. É de Deus que precisamos, e rápido... Quanto a mim dou graças pelo que agora sei e, mais que perdoo, eu amo... Pensamento da poeta, filósofa, escritora e professora Adélia Prado (Adélia Luzia Prado de Freitas). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

A ARTE DE GORETTI VARELLA

Arte da artista visual, arte-educadora e arteterapeuta Goretti Varella (Maria Goretti de Souza Ferreira), editora do blog Desenhos no meu quintal. Veja mais aqui.

 

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CECÍLIA MEIRELES, BERNARDO ATXAGA, SUZANA HERCULANO-HOUZEL & SANTANNA O CANTADOR

    Imagem: Acervo ArtLAM .   As guinadas de chué ao nababo de findar amundiçado pastafari... - Desde nascença Jeremulino apostava tudo...