As
guinadas de chué ao nababo de findar amundiçado pastafari... - Desde nascença Jeremulino apostava tudo pra dar certo.
Fazia força, fincava pé e quanto mais pelejava, menos saía do lugar. Era
voluntarioso, mas pé-frio, coitado. Décadas de miséria nos costados. Tudo isso
durou até o dia em que conheceu Mary, que se dizia Butterworth e tratada por
Mãe do Ouro: Ih, estrangeira, é? Sei lá. Tá lavando a jega, hem? E tanto
afeiçoou-se, de segurar no cós da saia dela de não mais largar, pegado. Tão
atarantado, enrolou-se de paixão. Estava um tanto deslumbrado: bem vestido,
altas rodas, lugares granfinos, gente nos trinques - ela tinha muita grana e
amigos, parecia -, a partir de agora, também eram seus nas portas escancaradas,
recepções acaloradas, abraços efusivos, nunca tinha visto nada daquilo na vida:
Ora, tô enturmado, meu! Agora vai! Logo no primeiro jantar associaram-se a uma
dupla de magnatas, tratados por Charles e Bernie - pelo jeito estrangeiros e
inseparáveis: agora era internacional, visse! E não muito tempo depois, o casal
foi acompanhado por Frank, um fino médico que também era piloto de aviação. Que
chique! Compadre, meu! E almoçavam num requintado restaurante com os achegados
do dia, ou jantares, chás, encontros. Doutra vez era Alfred, um que descobriu
um medicamento que era uma verdadeira panaceia pra cura da AIDS, câncer, lúpus
e qualquer tipo de doença. Brindaram o futuro Prêmio Nobel de Química dele. Oh!
Tamos juntos! E recepcionaram um ricaço hindu, o Mithilesh, recém-chegado duma
negociação no Taj Mahal. Olha o requinte! Sua vida dera um giro estratosférico
de 360 graus, desde que ela apareceu, pra ele se empanzinar no sofisticado, a
se empolgar com os drinques, da cabeça nas nuvens e a vida no mundo da Lua,
todo apurado. Foi. Apegou-se à tal largadona, os modos enxutos dela, toda
recente e esvoaçante, inaugurava felicidade jamais vista: ela fascinante nos
seus olhos, cativante no coração dele. Ao lado dela se sentia maior do que
nunca foi. Autoconfiança ganha, dedicando a ela mais do que nem tinha. E assim
foram dias movimentados, semanas agitadas, efemérides por meses ininterruptos,
quase dois anos inesquecíveis, quando, de supetão e sem causa aparente, viu-se
na clausura da solidão: liso, fodido e mal pago. Que foi que houve? Perdeu a
boquinha: foi despejado do paraíso. Não tinha mais guarda-roupa para as
ocasiões, nem comes e bebes, ninguém mais pra chamá-lo de doutor – que nem era,
mal conseguira findar o ginasial, a pulso, avalie. Estava empalado pela
escassez: Vida madrasta, essa, se eu fosse de passar a perna, ainda ia, embrulhava;
mas perdi o crédito, soltaram os demônios pra festa do inferno. E com uma mão
na frente e outra atrás, desvalido. Reparou melhor: Por que foi mesmo?
Assuntou, a extravagância da punição bissexual. Como pode? Fosse gente ou
bicho, assim era. Mas isso nem ligava, duas de quinhentos que fosse, nem aí;
ser corno era pouco, vá lá; o pior mesmo era sentir-se rejeitado: a tragédia
foi ter nascido -, só agora se dava conta disso. Passava mal, zonzo,
claudicante, à beira da loucura, roendo unha de ressentimento pela dor de
cotovelo: As gaias pesam fodendo tudo na cachola! Insistia em reatar a relação
com ela, mas cadê-la, pronde foi, perdeu o contato. Foi-se. Bateu de porta em
portão, todas sisudamente fechadas, havia ninguém pra recebê-lo: Destá, todos
se passavam por amigos e agora? Quebrou a cara, lascou; alisou, fim de tudo e,
sem ela, era ninguém, invisível desconhecido. Dobrava capenga a esquina da
amargura e, inadvertidamente, trombou com um estranho, desculpou-se. Já seguia
se escorando na parede, quando ouviu em alto e bom som: Rapaz, é você mesmo?
Levantou a vista e era Marcelo, um amigo de infância que o reconhecera na hora.
Como vai? Escapando. Que é que falta? Tudo. Vambora colocar o papo em dia, diga
lá o que aflige! Jeremulino acompanhou o amigo, agora já bem de vida, elegante,
nem parecia o maloqueiro com quem convivera na miséria décadas atrás. Agora
não, arrotava contando que a mãe enviuvou e casou-se com um ricaço que o
tratava por filho, herdeiro de uma companhia aérea e outros tantos bens e posses.
Está precisando do quê? Rapaz. Diga! Tô f-o-fo-d-i-di-d-o-do! Ah, reencontrar e
reatar com a namorada? Piongo. Como é o nome dela? Mary Butterworth! Ela? Sim.
E você numa pindaíba dessa? Ela foi pior que a Rita: levou tudo, até a minha
vida. Ora, tenho um amigo detetive aí que localizará ela na hora. Mesmo? Você
está hospedado aonde? Na rua. Vamos pro meu hotel, vou ligar agorinha pro nosso
investigador. E seguiram, atravessaram o saguão, entraram no elevador, subiram
e foram bater numa suíte real, com múltiplos quartos, sala de jantar, cozinha
compacta, segurança redobrada e serviços altamente personalizados. Este aqui é
o meu quarto, escolha o seu, vá! Eita, agora sim, voltava a ventar favorável,
sabia: a vida não ia deixá-lo na mão. Chega regozijou-se folgado, renovava as
esperanças. Lá estava de novo revivendo nas alturas as coisas recém passadas.
Foi se banhar e ouviu: O agente está chegando, vou ter que ir a uma reunião,
fique à vontade, viu? Tá. Poucos minutos depois bateram insistente à porta. Já
vai! Enrolou-se na toalha e abriu: Polícia! Ôpa! Você está preso! Eu?
Algemaram-no do jeito que estava e arrastaram-no porta afora. Deram numa
delegacia e, de lá, vamos por parte: chegou e foi logo empurrado pra uma sala
com várias pessoas, sentaram-no à cadeira e um bafo na moleira: Vá, abra o
bico? Sobre o quê? Fala! O quê? Foto! Quem é essa? Mary, minha ex-namorada.
Quem? Mary Butterworth, não sei pronunciar direito! Desembucha! E contou que
ela deu as costas pra ele, hoje de madrugada, num bar e sumiu. Fui na casa
dela, bati, ninguém atendeu. Onde ela mora? No Sítio Groenlândia, Switzland.
Hum, ricaça! Vão lá. E esses? Charles e Bernie, são estrangeiros. De quê? Não
sei, são amigos dela, conheci o ano passado, só sei dos nomes. E esse? Frank.
De quê? Também não sei, é amigo dela, disse ser médico e piloto, conheci pelos
outros dois. E esse? Alfred. De quê? Não sei, ele está pra ganhar a qualquer
momento o Prêmio Nobel pela descoberta de um medicamento aí. E esse? Ah, esse é
Mithilesh, um bilionário hindu. De quê? Também não sei e é amigo dela. Todos
são amigos e você no meio sem saber de nada? Sim. Fazia o que entre eles?
Festas, passeios, viagens. Leve ele pra cela! Estava nu. Os outros presidiários
comiseraram e já arrumaram umas vestes que foram entregues pelo carcereiro:
Tomaí, porra! Era uma camisa já um tanto esfarrapada, um resto de bermuda e um
par de meias furadas. Pronto, vestiu-se e quase sentiu um fiapinho de
dignidade. No primeiro cochilo foi picado por uma aranha-armadeira, acometido
por priapismo doloroso: Vou morrer! E ficou aos gritos. Que é que tá
acontecendo? Foi levado às pressas pra enfermaria, logo levando fisgada de
injeção por todo lado. Vou morrer que nem tábua de pirulito! Ê, furado! Lá pras
tantas, ao sentir-se melhor, logo foi assolado por uma diarreia braba: Oxe, ele
tá se acabando pelo fundo feito panela! Eita, caganeira macha! E fedorenta,
meu! Catinga da peste! E tornou-se a diversão: o Zé Cagão. Nos dias seguintes
foi levado pro delegado e um brabo agente mostrou uma foto e disse: Essa é sua
ex-namorada? Sim, a Mary. Sabe quem é ela? Não, senhor. Passou a saber na hora:
uma foragida balzaquiana, falsificadora de libra esterlina, que lavava o
dinheiro num suposto bufê supostamente de sua propriedade. Esses são amigos
dela? Sim. Eram Charles Ponzi e Bernie Madoff que criaram um sistema golpista,
que ludibriaram muitos investidores com promessas de lucros astronômicos. Esse
também amigo dela, né? É Frank. Era o mestre dos disfarces, Frank Abagnale,
trambiqueiro que se passava por médico, piloto e até advogado. Esse? O Alfred.
Era o curandeiro herbalista, Alfredo Bowman, picareta mais conhecido como Dr.
Sebi, criador do O Cell Food e cultor de uma filosofia extravagante de vida.
Esse? Mithilesh. Era o lendário caloteiro indiano, Mithilesh Kumar Srivastava,
famoso por vender marcos históricos com documentos falsificados, inclusive o
Taj Mahal. Minha nossa! E você não tem a ver com isso? Nem sabia quem eram! E
esse? Ah, um amigo de infância. É? Sabe quem ele é? Não o via desde uns 15 ou
20 anos atrás. Era o trapaceiro Marcelo Nascimento da Rocha, piloto do crime,
se passou pelo filho do dono da Gol, por VJ da MTV, por guitarrista do
Engenheiros do Havaí, dono de edifícios e propriedades, está preso agora em
Avaré, cumprindo pena de 16 anos. Minha nossa! E agora? Deus tenha pena de mim.
O sonho de caça ao tesouro, era uma vez. Tudo vigarista e eu alesado, no meio
da enrolação. Se liga no caô aí, véi! Tô frito! Anos se passaram e cumpriu
pena. Ao sair da prisão não tinha pra onde ir, só tinha a roupa do couro e o
terreno baldio por guarida. Fazer o quê? Juntar as bandas da bunda e sair uma
rebatendo na outra. E calar a boca: quando penso, peido; quando falo, cago. E
aos reclamos: Porra, fedeu, hem! Bagunçava a porratoda! Lá ia se arrastando. As
horas demoravam, comovida mudez: Por onde recomeçar, não sabia. Solidão: Sou
entre os que foram abandonados por Deus! Cuspiu sua palavra, seu dialeto
próprio, sabia: sua hora ainda vai chegar, ah, se vai. Sua pele coriácia
encorajava-o: Não foi a primeira vez, nem a última. E nem morri! Essa sua
terrível sorte. A tristeza cansava no durado de semanas, sabia: a alegria tem
seus perigos de vigia, convinha precaver. Amanhã ninguém sabe, tanto faz cair
pra qualquer lado, a queda é uma só, até o dia em que o diabo levanta os
braços, aí, já era, babau. Tá bom. É com o escorregão alheio que o povo se
diverte. No mais, tudo era sempre depois de amanhã. Nas contas do dia, um
perito em identificar pontos de fuga. Qual indulto naquela hora? Deu-se em
estado de bicho, néscio instintivo, intensas sensações, a cólica dos
intestinos, entortou-se às cuspidas, acossado por todas as culpas, pensou alto:
precisava se perder para chegar aos lugares que não se acham! Ah, não há de ser
nada, disse-lhe alguém. Hem? Perdido ou escorraçado? Uma e outra. Ah, tenho um
santo remédio, venha! E foram até um recinto ali perto, deram-lhe banho,
vestimentas e apreço. Ao redor, todos os presentes com uma caneca à mão,
ofereciam: Cerveja? Já sai a comida sagrada pro nosso ritual. Animou-se com a
travessa farta de espaguete. Uma ovação: Viva! Ramém! Encheu a pança e, depois
das comemorações, deitaram-no numa espreguiçadeira num quarto do quintal, nem
notando a presença de outros arranchados por ali. Ao amanhecer ouviu os 8
mandamentos do Evangelho do Monstro do Espaguete Voador. Meteu-se na
risadagem, era sua redenção. Um escorredor de macarrão na cabeça e vestimenta
de pirata: Ramén! Goles na rodada de cerveja. Ramém! Toda sexta é dia santo e
feriado! Ramém! E assim simpatizou-se com os pastafari, mais um neófito, entre
eles, na senda, sobrevivendo de bicos, cama e comida garantida. E toda sexta
pirateando: Viva Ching Shih! Ramém! Viva o Barba Negra! Ramém! Viva Anne
Bonny! Ramém! Viva Black Bart! Ramém! Viva Mary Read! Ramém! Viva o capitão bucaneiro Morgan! Ramém! E tome
virada de copos, empanzinamentos com as massas e lambuzado pelos molhos e
espumas. Foi assim que aprendeu o riscado, assoletrando: quem na vida muito
quer, finda no baú de Davy Jones. Cuidado: se salve de andar na prancha.
Aprenda: pegue o que puder, não devolva nada - os mortos não contam histórias.
Até mais ver.
Elias Canetti: Todas as coisas que se esqueceram clamam por socorro nos sonhos... Não consigo ser modesto; muitas coisas ardem em mim; as velhas soluções estão ruindo; nada foi feito ainda com as novas. Por isso começo, em toda parte ao mesmo tempo, como se tivesse um século pela frente... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
Joacine Katar Moreira: Andei
sempre contra a maré que nos indicava quais as nossas hipóteses, até onde é que
podia ir. E eu olhava para isso não como uma limitação mas como algo que eu
iria provar que não era bem assim... Veja mais aqui.
Cassandra Clare: Leia
tudo! Não basta ler coisas que estão em sua zona de conforto ou coisas que você
acha que já vai gostar. Experimente; experimente coisas novas e experimente
novos gêneros. Se você ler muito romance, então comece a ler mistério. Se você
ler muito mistério, comece a ler fantasia... Veja mais aqui, aqui, aqui
& aqui.
ROMANCE X OU DA DONZELA POBRE
Donzelinha, donzelinha \ dos grandes
olhos sombrios, \ teus parentes andam Longe, \ pelas serras, pelos rios, \
tentando a sorte nas catas, \ em barrancos já vazios! \ Donzelinha, donzelinha,
\ mira os santos nos altares, \ que apontam, compadecidos, \ para celestes
lugares, \ onde são de ouro e diamante \ quantas lágrimas chorares! \
Donzelinha, donzelinha, \ fecha esses olhos sombrios. \ As montanhas são tão
altas! \ Os ribeiros são tão frios! \ O reino de Deus, tão Longe \ dos humanos
desvarios!
Poema extraído do Romanceiro da
inconfidência (Nova Aguilar, 1997), da poeta, jornalista, pintora,
escritora e professora Cecília Meireles (Cecília Benevides de Carvalho
Meireles – 1901-1964). Dela o verso: Liberdade é uma palavra que o sonho
humano alimenta, que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda...
que inspirou curta-metragem dirigido por Jorge Furtado em 1989. O documentário
utiliza esse trecho do poema épico Romanceiro da Inconfidência para
encerrar sua crítica ao sistema capitalista e à desigualdade. O curta-metragem
acompanha o ciclo de vida de um tomate, desde a colheita até ser descartado em
um lixão na Ilha das Flores (1989), dirigido por Jorge Furtado, em Porto
Alegre. O objetivo da obra é escancarar a desumanidade social ao mostrar que,
no local, porcos têm preferência de consumo sobre os restos de lixo antes que
estes sejam destinados aos seres humanos. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui,
aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui,
aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
CASAS
& TÚMULOS - [...] Feliz é aquele que, como
Ulisses, viu cem paisagens. [...] Não existem palavras que sejam como água destilada,
insubstanciais, alheias à vida e ao mundo. [...] Existem dois tipos de
literatura: uma que propõe uma jornada para fora (crimes em Norlândia, paixões
na corte chinesa do século XII, traições mortais em um campus americano…) e
outra que inclui uma jornada adicional, aquela que o leitor deve fazer dentro
de si. [...] Sei que os laços do amor não são iguais, e que um deles, o
que vai de mãe para filha, deve ser mais forte do que o que vai de filha para
mãe. [...], Trechos extraídos da obra Casas y
tumbas (Alfaguara, 2019), do escritor espanhol, Bernardo
Atxaga (Joseba Irazu Garmendia), autor de obras como The Accordionist's
Son (2003), Memorias de una vaca (1991) e Obabakoak (1988),
entre outros.
ALGUNS SÃO
IDIOTAS MESMO!... - [...] Algumas pessoas
SÃO idiotas e continuarão sendo, não importa o que você faça. Isso inclui os
Mansplainers; pessoas de todos os gêneros que são tão convencidas de si mesmas
que não ouvem (portanto, não é possível ter uma conversa); supremacistas de
todos os tipos. Meu conselho? Se eles forem reincidentes, exponha-os, chame-os
a atenção - mas com o idiota desconhecido ocasional que VAI incomodá-lo sempre
que você começar a brilhar, não perca seu tempo tentando educá-los. Aprenda o
que puder com eles: seus "argumentos" favoritos, sua
"lógica", seus padrões de retórica - depois acene com a cabeça
"obrigado" educadamente enquanto eles ainda estão bajulando sua
superioridade intelectual sobre você e, em seguida, livre-se deles. Aprenda com
a experiência, assim como você pode aprender ao assistir a uma palestra ruim. Algumas
pessoas, entretanto, NÃO são idiotas (ainda), mas podem, ocasionalmente, agir
como tal. Essas são salváveis e merecem seus esforços, SE você estiver disposto
a isso. Você pode tentar perguntar educadamente: "Você percebe que está
parecendo que está dizendo Y em vez de X e me insultando? Você realmente quis
dizer isso? Porque você está parecendo um idiota, e eu não acho que você seja
um" - ou algo nesse sentido. A parte importante é enfatizar como a pessoa
está agindo como um idiota, quando você não acredita que ela seja um. As
pessoas não esperam a franqueza, portanto, se não forem idiotas, a franqueza
educada, não agressiva, não defensiva e puramente informativa as desarmará. E
se, no fim das contas, elas forem idiotas... melhor que fiquem longe, não é
mesmo? [...]. Trecho do artigo Algumas pessoas SÃO idiotas, e isso não
vai mudar (Escritos em Neurociências,), da neurocientista e professora Suzana
Herculano-Houzel, que noutro artigo, Todo mundo precisa ter problemas
(Neurociências da vida comum), ela expressa: [...] Só com sensação de
controle sobre a própria vida se deixam os outros em paz. [...] Eu hoje,
neurocientista, entendo perfeitamente. Aprendi que a chave para o bem-estar
está na sensação de controle sobre a própria vida, e que, por definição, só há
“controle” onde existe algo a ser controlado: um problema ao alcance da nossa
competência. Por isso os tempos de calmaria, teoricamente ideais, nem duram,
nem são ideais de fato. Se não há problemas para resolver, criamos um, e ainda
chamamos de “propósito”. Pode ser chamado de hobby, projeto de aposentadoria,
mas também neto, nora, vizinho – ou imigrantes e outras pessoas estranhas em
aparência, ideias ou religião. Acho que agora entendo a obsessão de cada vez
mais gente mundo afora em controlar a vida dos outros, num flerte global com o
autoritarismo que já descamba para a execução. Quem vive cronicamente
estressado com subemprego e exploração socioeconômica, apanhando da vida,
precisa da sensação de controle de poder baixar o cacete em alguma outra coisa
ou alguém ainda mais na miséria. Para quem vive cheio de problemas, ir às redes
sociais se meter nos direitos alheios oferece o alívio temporário tão
necessário à sensação de impotência. E quem vive no estado oposto de afluência
descansada precisa igualmente de um novo problema para resolver. Com a vantagem
de gozar de tempo e dinheiro, parte dessas pessoas vão se meter a controlar os
outros que vivem situações de merda tão profunda que requerem aborto, emigração
ou novas chances, negando-lhes tudo apenas porque elas podem. Como fazer com
que as pessoas parem de se meter na vida alheia? [...] Alguns problemas
são insuperáveis, mas a vida é feita de todos os outros. [...]. Ela é autora
da obra The Human Advantage: A New Understanding of How Our Brain Became
Remarkable (The MIT Press, 2016). Veja mais
aqui.
SANTANNA O CANTADOR
Pensamento do parceiramigo, cantor e compositor Santanna,
O Cantador. Veja a entrevista que ele concedeu pra mim e outras coisas a
respeito do seu talento e carisma aqui.
LER BEM – O concurso Ler Bem 2026, iniciativa da Associação Pernambucana de Atacadistas e Distribuidores (ASPA) objetiva incentivar a leitura entre estudantes do 4º ano do Ensino Fundamental de escolas municipais. Este ano o Observatório de Leituras da Semed-Palmares, acompanhou o estudante Zeus Vinícius Barbosa Holanda, da Escola Municipal Professora Maria Elizabete de Oliveira Calado, em Palmares, Pernambuco, em 3 encontros, contando com o apoio do professor Emerson José Oliveira da Silva e dos técnicos da Semed, comandados pelo professor Valmir Melo. A obra estudada foi A volta ao mundo em 80 dias (Le tour du monde en quatre-vingts jours - FTD, 2013), do escritor francês como Júlio Verne (Jules Gabriel Verne – 1828-1906), considerado o inventor do gênero de ficção científica. Veja o ocorreu durante os encontros e treinamentos aqui.
CENTENÁRIO DE DAREL VALENÇA LINS – Em 2024 comemorei o centenário do gravurista, pintor, desenhista, ilustrador e professor, Darel Valença Lins (1924-2017), com a publicação do livro Dareladas, lançado tanto em Palmares, sua terra natal, como também no Rio de Janeiro. Confira como ocorreu aqui.
SEMANA HERMILO BORBA FILHO - Em homenagem ao advogado,
escritor, crítico literário, jornalista, dramaturgo, diretor, teatrólogo e
tradutor Hermilo Borba Filho (1917-2017), acontecerá a Semana Hermilo, entre
os dias 28 e 31 de julho, na Biblioteca Pública Fenelon Barreto, em Palmares
(PE). Confira detalhes & muito mais aqui.
E veja mais Pernambuco aqui.


























