Ao som dos álbuns reEncanto - Live at
Union Chapel (2024), Manga (2019), Lovely Difficult (2013), Studio
105 (2010), Stória, stória... (2009) e Navega (2006), da
cantora e compositora cubana Mayra Andrade.
A folia de 1 dia por 5 até o ano inteiro!... – Ao soarem as 18 badaladas daquela sexta de pré alvoraçada, o céu
escureceu de repente, as luzes acenderam os bombos e ao primeiro toque das
baquetas, todas as almas foram sacudidas e os defuntos despertaram abrindo suas
covas para atormentarem todos os vivos, atendendo ao chamado da deusa Melinoe com
sua legião de fantasmas para atormentar todos os viventes da hora. Logo se
viram envolvidos pelo ritmo do frevo e se deixaram levar pelo balanço das
pedras do calçamento, bambeando todo o asfalto para a correria arrepiada, que
logo tomou vulto aos pulos e saltos naquela noite. A cidade então entrou em
polvorosa trazendo o céu de Madalena, como se pretendesse barrar tudo e suplantando
juntas todas as festividades do Rio, de Salvador e Recife. Tudo seguia embalado
pelas batucadas das bochechas sopradoras dos Assassinos do Frevo, logo
aparecendo atrás da orquestra insidiosa a primeira agremiação carnavalesca, Buzuntões de Catuama, com o bordão: Vou com tudo! O seu desfile trouxe uma cópia
monumental do Galo da Madrugada, que encantou de tão real e arrastou
todo mundo com o Frevo de Rua: Se deu nó cego, bora desatar! Foi tão
desproporcional que logo caíram no passo do bloco da Escola d’Os Descontentes do Fecamepa com o enredo: Antes que os USA fodam tudo! Engrossando
o caldo com a ala: Todo mundo nu por Abya Uala!, seguida do Reino da Caquistocracia! Em seguida atravessou o coreto a trupe Néstogas que
chegava com o tema: Entre os devires e distopias, uma alegoria dos Lábios da Sibila e a salvação da Pítia, com a ala das baianas destacando as
4 bailarinas de Opuntia & Peyotl, que os deixou ainda mais doidões,
levados pelos da Musa do Grand Guignol: a mulher muitas vezes morta, pra
grande estardalhaço e comoção popular! Aí veio a ala da Mulher do pôr do Sol
com as Claras e Marias do Tejucupapo, puxada pelo Jesuisis do Jegue de Paul, as evoluções de Aijuna e o Amor Imortal, o Rei Momo
arrodeado de arlequins com o pinto de fora, o Pierrot Vampiro atrás da
Colombina sedutora para mordê-la nua cheia de confetes e serpentinas. Logo vieram
cordões de caboclinhos, maracatus, folia de Olinda & o escambau! No cortejo
apareceu um trio elétrico fenomenal com a cantora Kantocu dos Tasvirs puxando
gente até de um olho só, para logo embocar na avenida um outro com os solos
rasgados da Bia Villa-Chan, endoidando a rapaziada e mexendo com o
esqueleto de tudo que houvesse. Ninguém dormia, ninguém se escorava, porque a Corja das Bombas levantou a poeira com o carnaval 2 caras, muito óleo de peroba no Bumba da Patetada, o Papa-Figo & a viúva Alma
Penada, a La Ursa quer dinheiro quem não dá é pirangueiro, logo
atrás a troça do Fabo, com os kamikazes Cabeças de Fósforos e um
Coisonário todo presidiário e fazendo arminha: tatatatá! E gritavam: Segura a
gaia, camboio de corno! E seguiam súcias, récuas, catervas, maltas e bandos. Ao
dobrarem a esquina logo se anunciou a cambada do Bicho do Vau que veio
fantasiada de despenteados tortos Jânios, com faixa presidencial falseada
amarrando seus amarrotados conjuntos pijânios, colarinho aberto sem gravata, um
sanduiche de mortadela no bolso, caspas de talco nos ombros e o refrão do
Varre, varre, vassourinha, Che Guevara! & a ala: Em 2026 vamos varrer os
golpistas inimigos do Brasil do Congresso Nacional! Nem deu tempo fungar ou
cochilar direito, logo o bloco da Muriçoca desfilava com todo mundo nu, usando
apenas um tapa-sexo e bunda inflável: Vou picar todo mundo! O negócio foi tão
barulhento e tantas Alvoradas se passaram que ninguém sabia mais se já
era Sábado de Zé-Pereira, Domingo-de-Aleluia, Segunda da Ressaca ou Terça-Feira
Gorda. Só se via a multidão solta que nem se dava conta das bizarrices mais
insólitas, como a incursão duma desorientada tripulação de um porta-avião do
Turcomenistão, enganchados ao passeio de dois turistas do Kiribati, que se extraviaram
da rota e deambulavam à toa, no encalço de um paciente terminal que escapuliu proibido
de morrer de Longyearbyen e empurrava numa mão o suporte do soro e, na outra, o
cilindro de oxigênio móvel, até quem já morreu há séculos ali ressuscitou misturando-se
ao mar de foliões exaltados, acompanhados de um astronauta desgarrado à cata do
foguete de resgate, um escafandrista que não sabia onde ficava o rio mais
próximo, um paraquedista à procura da Base Aérea, um desenvultado dipsomaníaco agarrado
aos goles da Teibei, e, no rabinho quilométrico da turba um trio de
marcianos saídos dum ménage, um casal de rinocerontes empurrando às pontadas
toda bagaça, sob as ordens atiçadoras do urso Wojtek com sua farda do exército
polonês: Bora! Bora! Quando enfim, a troça da Tanajura Raimunda levou todo
mundo pro Baile de Carnaval já tarde da noite. Foi aí que o Padre Bidão deu as caras anunciando a Santa Folia e foi saudado como
sempre: Salve o homem da bimba santa! Viva!!! Atrás dele um Séquito de Vestais
convocando os não foliões prum retiro, enquanto se saiam soltas na frevada.
No meio delas Biritoaldo fantasiado de shiTrump, segurando uma bandeira com
a inscrição USA-ME que sou teu!, a ponto de nem ouvir os apupos e
questionamentos: Será o Coisonário agalegado? Os biriteiros seguiam-no: Justiça
é uma só! Pra quê Tribunal Militar, só pra perpetuar as benesses das herdeiras
dos generais! Também Mamão injuriado por perder a hora apaixonado pela morta, arretou-se e bancou a fantasia do Marja duodecimano xiita Ali Khamenei, ostentando o balsão
tricolor islâmico: Sou pelo Irã! Que é que é isso, véi! Tô mordido do porco,
sai pra lá! Nem ele sabia o que era. E veio a turma do Agente Secreto com a camisa da Pitombeiras, ostentando o lábaro: Ainda
estou aqui! E os do Viva Galateia, a Vênus do Quintal!, o da Rainha de Caudales com o Anel de Giges, outros fantasiados de médico: Saúde é
negócio, salvo vidas, me dá uns dólares aí! Um ou outro: Sai da frente que sou
juiz! Para encurtar a hestória: o furdunço só parou de madrugada quase
amanhecendo, quando o Bacalhau do Batata retomou as atividades da
quarta-feira de cinzas e se estendeu alucinadamente até o amanhecer da quinta
de branco, ao que todo mundo resolveu: Pernas pro ar que ninguém é de ferro. E
assim o frevo comeu no centro de Alagoinhanduba e pipocou pelo ano
inteiro! E bastou a certa altura do campeonato ouvirem as 18 badaladas daquele outro
dia qualquer e que nem se sabia mais qual era, todos caíram no sono, de só
despertarem no reino do Sol amanhecido dum dia perdido e com uma única certeza:
Se houver fim será sempre recomeço!...
Katharine Ross: A idade é tão imaterial. Não é tudo só o piscar de olhos?... O inferno com o processo de envelhecimento. Isso acontece com todos - você apenas mantém sua mente ativa, você se mantém fisicamente ativo... O tempo é uma criação humana - nenhuma mulher jamais teria inventado o tempo... Veja mais aqui & aqui.
Åsne
Seierstad: Não crescemos isolados. Crescemos em
sociedade... sei que as guerras raramente resolvem os problemas... Não
dizer nada significa dar o seu consentimento...
Veja mais aqui & aqui.
Judy Blume: Nossas
impressões digitais não desaparecem das vidas que tocamos...
Meu único conselho é: fique atento, ouça com atenção e
peça ajuda se precisar.... Acredite
em si mesmo e você poderá alcançar a grandeza em sua vida...
Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.
SORVETE DE PISTACHE
Disseram-me que os \ árabes deram nomes às estrelas \ Algol, Sirius,
Aldebaran… \ Os olhos em forma de azeitona da minha mãe \ os pés calçados em
sandálias \ me conduziram a séculos \ de vastos impérios \ tesouros esquecidos
\ Agora, só restam ruínas. \ Este foi o verão em que me banhei em azeite \ e me
sentei nas calçadas de Jerusalém \ comendo sorvete de pistache \ com o velho \
cujo rosto antigo \ tentava me explicar \ que lutávamos com o coração \ e não
com a cabeça \ — portanto, nunca venceríamos. \ Estou morta para a minha tribo
\ nunca aprenderei \ todos os seus segredos salgados \ Então, esta noite, \
quero dormir com Vega, Deneb, Altair… \ porque eles desaparecerão \ com o sol
da manhã, e só restarão ruínas.
Poema da cineasta, fotógrafa e poeta palestina Annemarie Jacir.
UMA
PELE CHEIA DE SOMBRAS - [...] Se alguém deixa de lado o orgulho e implora de todo o
coração, e se o faz em vão, então nunca mais será a mesma pessoa. Algo dentro
dela morre, e algo mais nasce. [...] Os humanos são animais estranhos e
adaptáveis, e eventualmente se acostumam a tudo, até mesmo ao impossível ou
insuportável. ... O terror é cansativo e difícil de sustentar indefinidamente,
então, mais cedo ou mais tarde, precisa ser substituído por algo mais prático. [...] Mas, por outro lado, os mortos costumam
ser mais fáceis de elogiar do que os vivos. [...].
Trechos extraídos da obra A Skinful of Shadows (Macmillan Children's Books,
2017), da escritora britânica Frances Hardinge, autora de obras tais
como: Fly by Night (2005), The Lie Tree (2015), Well Witched
(2007), A Face Like Glass (2012) e The Lost Conspiracy (2009).
MATÉRIA
ESCURA - […] a matéria escura compõe a maior parte da
massa do universo. Nossos corpos, o ar que respiramos, a cadeira em que estou
sentado, as estrelas, os planetas, tudo… é feito de átomos, que são feitos de
quarks. Mas tudo isso representa apenas 5% do conteúdo do universo. Os outros
95% são o lado escuro. São 25% de matéria escura e 70% de energia escura.
Acreditamos que a matéria escura seja composta de partículas fundamentais cuja
identidade ainda não descobrimos. E essas partículas fundamentais estão por
toda parte, bilhões delas atravessando nossos corpos a cada segundo. É
importante entender do que são feitos os 95% restantes do universo. [...] em
princípio, poderíamos usar estrelas escuras para identificar a natureza da
matéria escura, que tem sido um mistério por 90 anos. [...].
Trechos da entrevista QnAs
with Katherine Freese (Proceedings
of the National Academy of Sciences - PNAS, 2024), concedida pela física estadunidense
Katherine Freese, que em seu artigo On Dark Matter Developments
(Sean Carroll, 2014), acrescenta que: [...] A maior parte da massa das galáxias,
incluindo a nossa Via Láctea, não é composta de material atômico comum, mas sim
de matéria escura ainda não identificada. O objetivo dos caçadores de matéria
escura é resolver esse enigma. [...]. Veja mais aqui.
A
ARTE DE GILVAN SAMICO
[...]
É um pouco o que
acontece com alguns artistas que, abordando mais de uma técnica, são mais
reconhecidos em uma, em detrimento das outras. Eu gostaria de ter o prestígio
que tenho, não só como gravador, mas também como pintor. Se não tenho como
mostrar minha pintura, boto cor na minha gravura. [...] Não foi um trajeto racional. Até
hoje, tenho um processo de criação que escapa ao raciocínio [...] Não
tinha intenção de fazer arte religiosa, mas os temas litúrgicos me atraíam.
Santo é de todo mundo, e eu gravei as interpretações caboclas de todos eles [...]
Pois é, eu inventei uma lenda que eu estava andando na rua, distraído, e
bati a cabeça no poste, daí desandei a falar [...].
Trechos da
entrevista O Ser e o Tempo de Gilvan Samico (Big Mouth
Strikes Again!, 2009), do editor, professor e escritor Artur Dantas,
concedida pelo gravurista, desenhista, pintor, professor e xilogravurista Gilvan
Samico (Gilvan José Meira Lins Samico - 1928-2013), destacando-se os livros Samico
(Bem-Te-Vi, 2012), Samico: 40 anos de gravura (CCBB, 1997) e Samico -
Do desenho à gravura (Pinacoteca, 2004). Veja mais aqui, aqui, aqui &
aqui.
&
AS SETIGONISTAS AO
QUADRADO: UMA DANÇA POÉTICA
Registramos o
lançamento do livro As Setigonistas ao quadrado uma dança poética (2026), das
poetas jaque monteiro e noi soul. Trata-se de um livro de
setígonos, um novo gênero poético brasileiro criado em Pernambuco, por Admmauro
Gommes, Cícero Felipe e José Durán y Durán. Veja detalhes do livro aqui &
mais a respeito aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
Hermilo Borba Filho aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
Bete
Gouveia aqui.
Kleber
Mendonça Filho aqui, aqui, aqui & aqui.
Rachel Daisy Ellis aqui.
Evaldo
Cabral de Mélo aqui & aqui.
Camila
Sales Luna aqui.
Inalda Xavier aquí.
&
O
frevo em pesquisa: folia & carnaval aqui.


















