domingo, fevereiro 08, 2026

FRANCES HARDINGE, KATHERINE FREESE, ANNEMARIE JACIR, SAMICO & SETIGONISTAS

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som dos álbuns reEncanto - Live at Union Chapel (2024), Manga (2019), Lovely Difficult (2013), Studio 105 (2010), Stória, stória... (2009) e Navega (2006), da cantora e compositora cubana Mayra Andrade.

 

A folia de 1 dia por 5 até o ano inteiro!... – Ao soarem as 18 badaladas daquela sexta de pré alvoraçada, o céu escureceu de repente, as luzes acenderam os bombos e ao primeiro toque das baquetas, todas as almas foram sacudidas e os defuntos despertaram abrindo suas covas para atormentarem todos os vivos, atendendo ao chamado da deusa Melinoe com sua legião de fantasmas para atormentar todos os viventes da hora. Logo se viram envolvidos pelo ritmo do frevo e se deixaram levar pelo balanço das pedras do calçamento, bambeando todo o asfalto para a correria arrepiada, que logo tomou vulto aos pulos e saltos naquela noite. A cidade então entrou em polvorosa trazendo o céu de Madalena, como se pretendesse barrar tudo e suplantando juntas todas as festividades do Rio, de Salvador e Recife. Tudo seguia embalado pelas batucadas das bochechas sopradoras dos Assassinos do Frevo, logo aparecendo atrás da orquestra insidiosa a primeira agremiação carnavalesca, Buzuntões de Catuama, com o bordão: Vou com tudo! O seu desfile trouxe uma cópia monumental do Galo da Madrugada, que encantou de tão real e arrastou todo mundo com o Frevo de Rua: Se deu nó cego, bora desatar! Foi tão desproporcional que logo caíram no passo do bloco da Escola d’Os Descontentes do Fecamepa com o enredo: Antes que os USA fodam tudo! Engrossando o caldo com a ala: Todo mundo nu por Abya Uala!, seguida do Reino da Caquistocracia! Em seguida atravessou o coreto a trupe Néstogas que chegava com o tema: Entre os devires e distopias, uma alegoria dos Lábios da Sibila e a salvação da Pítia, com a ala das baianas destacando as 4 bailarinas de Opuntia & Peyotl, que os deixou ainda mais doidões, levados pelos da Musa do Grand Guignol: a mulher muitas vezes morta, pra grande estardalhaço e comoção popular! Aí veio a ala da Mulher do pôr do Sol com as Claras e Marias do Tejucupapo, puxada pelo Jesuisis do Jegue de Paul, as evoluções de Aijuna e o Amor Imortal, o Rei Momo arrodeado de arlequins com o pinto de fora, o Pierrot Vampiro atrás da Colombina sedutora para mordê-la nua cheia de confetes e serpentinas. Logo vieram cordões de caboclinhos, maracatus, folia de Olinda & o escambau! No cortejo apareceu um trio elétrico fenomenal com a cantora Kantocu dos Tasvirs puxando gente até de um olho só, para logo embocar na avenida um outro com os solos rasgados da Bia Villa-Chan, endoidando a rapaziada e mexendo com o esqueleto de tudo que houvesse. Ninguém dormia, ninguém se escorava, porque a Corja das Bombas levantou a poeira com o carnaval 2 caras, muito óleo de peroba no Bumba da Patetada, o Papa-Figo & a viúva Alma Penada, a La Ursa quer dinheiro quem não dá é pirangueiro, logo atrás a troça do Fabo, com os kamikazes Cabeças de Fósforos e um Coisonário todo presidiário e fazendo arminha: tatatatá! E gritavam: Segura a gaia, camboio de corno! E seguiam súcias, récuas, catervas, maltas e bandos. Ao dobrarem a esquina logo se anunciou a cambada do Bicho do Vau que veio fantasiada de despenteados tortos Jânios, com faixa presidencial falseada amarrando seus amarrotados conjuntos pijânios, colarinho aberto sem gravata, um sanduiche de mortadela no bolso, caspas de talco nos ombros e o refrão do Varre, varre, vassourinha, Che Guevara! & a ala: Em 2026 vamos varrer os golpistas inimigos do Brasil do Congresso Nacional! Nem deu tempo fungar ou cochilar direito, logo o bloco da Muriçoca desfilava com todo mundo nu, usando apenas um tapa-sexo e bunda inflável: Vou picar todo mundo! O negócio foi tão barulhento e tantas Alvoradas se passaram que ninguém sabia mais se já era Sábado de Zé-Pereira, Domingo-de-Aleluia, Segunda da Ressaca ou Terça-Feira Gorda. Só se via a multidão solta que nem se dava conta das bizarrices mais insólitas, como a incursão duma desorientada tripulação de um porta-avião do Turcomenistão, enganchados ao passeio de dois turistas do Kiribati, que se extraviaram da rota e deambulavam à toa, no encalço de um paciente terminal que escapuliu proibido de morrer de Longyearbyen e empurrava numa mão o suporte do soro e, na outra, o cilindro de oxigênio móvel, até quem já morreu há séculos ali ressuscitou misturando-se ao mar de foliões exaltados, acompanhados de um astronauta desgarrado à cata do foguete de resgate, um escafandrista que não sabia onde ficava o rio mais próximo, um paraquedista à procura da Base Aérea, um desenvultado dipsomaníaco agarrado aos goles da Teibei, e, no rabinho quilométrico da turba um trio de marcianos saídos dum ménage, um casal de rinocerontes empurrando às pontadas toda bagaça, sob as ordens atiçadoras do urso Wojtek com sua farda do exército polonês: Bora! Bora! Quando enfim, a troça da Tanajura Raimunda levou todo mundo pro Baile de Carnaval já tarde da noite. Foi aí que o Padre Bidão deu as caras anunciando a Santa Folia e foi saudado como sempre: Salve o homem da bimba santa! Viva!!! Atrás dele um Séquito de Vestais convocando os não foliões prum retiro, enquanto se saiam soltas na frevada. No meio delas Biritoaldo fantasiado de shiTrump, segurando uma bandeira com a inscrição USA-ME que sou teu!, a ponto de nem ouvir os apupos e questionamentos: Será o Coisonário agalegado? Os biriteiros seguiam-no: Justiça é uma só! Pra quê Tribunal Militar, só pra perpetuar as benesses das herdeiras dos generais! Também Mamão injuriado por perder a hora apaixonado pela morta, arretou-se e bancou a fantasia do Marja duodecimano xiita Ali Khamenei, ostentando o balsão tricolor islâmico: Sou pelo Irã! Que é que é isso, véi! Tô mordido do porco, sai pra lá! Nem ele sabia o que era. E veio a turma do Agente Secreto com a camisa da Pitombeiras, ostentando o lábaro: Ainda estou aqui! E os do Viva Galateia, a Vênus do Quintal!, o da Rainha de Caudales com o Anel de Giges, outros fantasiados de médico: Saúde é negócio, salvo vidas, me dá uns dólares aí! Um ou outro: Sai da frente que sou juiz! Para encurtar a hestória: o furdunço só parou de madrugada quase amanhecendo, quando o Bacalhau do Batata retomou as atividades da quarta-feira de cinzas e se estendeu alucinadamente até o amanhecer da quinta de branco, ao que todo mundo resolveu: Pernas pro ar que ninguém é de ferro. E assim o frevo comeu no centro de Alagoinhanduba e pipocou pelo ano inteiro! E bastou a certa altura do campeonato ouvirem as 18 badaladas daquele outro dia qualquer e que nem se sabia mais qual era, todos caíram no sono, de só despertarem no reino do Sol amanhecido dum dia perdido e com uma única certeza: Se houver fim será sempre recomeço!...

 

Katharine Ross: A idade é tão imaterial. Não é tudo só o piscar de olhos?... O inferno com o processo de envelhecimento. Isso acontece com todos - você apenas mantém sua mente ativa, você se mantém fisicamente ativo... O tempo é uma criação humana - nenhuma mulher jamais teria inventado o tempo... Veja mais aqui & aqui.

Åsne Seierstad: Não crescemos isolados. Crescemos em sociedade... sei que as guerras raramente resolvem os problemas... Não dizer nada significa dar o seu consentimento... Veja mais aqui & aqui.

Judy Blume: Nossas impressões digitais não desaparecem das vidas que tocamos... Meu único conselho é: fique atento, ouça com atenção e peça ajuda se precisar.... Acredite em si mesmo e você poderá alcançar a grandeza em sua vida... Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

 

SORVETE DE PISTACHE

Imagem: Acervo ArtLAM.

Disseram-me que os \ árabes deram nomes às estrelas \ Algol, Sirius, Aldebaran… \ Os olhos em forma de azeitona da minha mãe \ os pés calçados em sandálias \ me conduziram a séculos \ de vastos impérios \ tesouros esquecidos \ Agora, só restam ruínas. \ Este foi o verão em que me banhei em azeite \ e me sentei nas calçadas de Jerusalém \ comendo sorvete de pistache \ com o velho \ cujo rosto antigo \ tentava me explicar \ que lutávamos com o coração \ e não com a cabeça \ — portanto, nunca venceríamos. \ Estou morta para a minha tribo \ nunca aprenderei \ todos os seus segredos salgados \ Então, esta noite, \ quero dormir com Vega, Deneb, Altair… \ porque eles desaparecerão \ com o sol da manhã,  e só restarão ruínas.

Poema da cineasta, fotógrafa e poeta palestina Annemarie Jacir.

 

UMA PELE CHEIA DE SOMBRAS - [...] Se alguém deixa de lado o orgulho e implora de todo o coração, e se o faz em vão, então nunca mais será a mesma pessoa. Algo dentro dela morre, e algo mais nasce. [...] Os humanos são animais estranhos e adaptáveis, e eventualmente se acostumam a tudo, até mesmo ao impossível ou insuportável. ... O terror é cansativo e difícil de sustentar indefinidamente, então, mais cedo ou mais tarde, precisa ser substituído por algo mais prático. [...] Mas, por outro lado, os mortos costumam ser mais fáceis de elogiar do que os vivos. [...]. Trechos extraídos da obra A Skinful of Shadows (Macmillan Children's Books, 2017), da escritora britânica Frances Hardinge, autora de obras tais como: Fly by Night (2005), The Lie Tree (2015), Well Witched (2007), A Face Like Glass (2012) e The Lost Conspiracy (2009).

 

MATÉRIA ESCURA - […] a matéria escura compõe a maior parte da massa do universo. Nossos corpos, o ar que respiramos, a cadeira em que estou sentado, as estrelas, os planetas, tudo… é feito de átomos, que são feitos de quarks. Mas tudo isso representa apenas 5% do conteúdo do universo. Os outros 95% são o lado escuro. São 25% de matéria escura e 70% de energia escura. Acreditamos que a matéria escura seja composta de partículas fundamentais cuja identidade ainda não descobrimos. E essas partículas fundamentais estão por toda parte, bilhões delas atravessando nossos corpos a cada segundo. É importante entender do que são feitos os 95% restantes do universo. [...] em princípio, poderíamos usar estrelas escuras para identificar a natureza da matéria escura, que tem sido um mistério por 90 anos. [...]. Trechos da entrevista QnAs with Katherine Freese (Proceedings of the National Academy of Sciences - PNAS, 2024), concedida pela física estadunidense Katherine Freese, que em seu artigo On Dark Matter Developments (Sean Carroll, 2014), acrescenta que: [...] A maior parte da massa das galáxias, incluindo a nossa Via Láctea, não é composta de material atômico comum, mas sim de matéria escura ainda não identificada. O objetivo dos caçadores de matéria escura é resolver esse enigma. [...]. Veja mais aqui.

 

A ARTE DE GILVAN SAMICO

[...] É um pouco o que acontece com alguns artistas que, abordando mais de uma técnica, são mais reconhecidos em uma, em detrimento das outras. Eu gostaria de ter o prestígio que tenho, não só como gravador, mas também como pintor. Se não tenho como mostrar minha pintura, boto cor na minha gravura. [...] Não foi um trajeto racional. Até hoje, tenho um processo de criação que escapa ao raciocínio [...] Não tinha intenção de fazer arte religiosa, mas os temas litúrgicos me atraíam. Santo é de todo mundo, e eu gravei as interpretações caboclas de todos eles [...] Pois é, eu inventei uma lenda que eu estava andando na rua, distraído, e bati a cabeça no poste, daí desandei a falar [...].

Trechos da entrevista O Ser e o Tempo de Gilvan Samico (Big Mouth Strikes Again!, 2009), do editor, professor e escritor Artur Dantas, concedida pelo gravurista, desenhista, pintor, professor e xilogravurista Gilvan Samico (Gilvan José Meira Lins Samico  - 1928-2013), destacando-se os livros Samico (Bem-Te-Vi, 2012), Samico: 40 anos de gravura (CCBB, 1997) e Samico - Do desenho à gravura (Pinacoteca, 2004). Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

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AS SETIGONISTAS AO QUADRADO: UMA DANÇA POÉTICA

Registramos o lançamento do livro As Setigonistas ao quadrado uma dança poética (2026), das poetas jaque monteiro e noi soul. Trata-se de um livro de setígonos, um novo gênero poético brasileiro criado em Pernambuco, por Admmauro Gommes, Cícero Felipe e José Durán y Durán. Veja detalhes do livro aqui & mais a respeito aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

Hermilo Borba Filho aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Bete Gouveia aqui.

Kleber Mendonça Filho aqui, aqui, aqui & aqui.

Ezter Liu aqui & aqui.

Zé Dantas aqui, aqui & aqui.

Rachel Daisy Ellis aqui.

Evaldo Cabral de Mélo aqui & aqui.

Camila Sales Luna aqui.

Newton Moreno aqui & aqui.

Inalda Xavier aquí.

&

O frevo em pesquisa: folia & carnaval aqui.



domingo, fevereiro 01, 2026

NOEMI JAFFE, MALORIE BLACKMAN, AURITHA TABAJARA, DELANO & RUBENS MATTOS CUNHA LIMA

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som de As emboladas do norte (1929) e Graúna (1923), do compositor, violonista e violeiro João Pernambuco (João Teixeira Guimarães – 1883-1947), na performance da premiada violonista clássica australiana Stephanie Jones. Veja mais aqui.

 


A cizânia amolestada de Siberiano & Afesireia... - O destemido conquistador Siberiano seguia majestoso pelas tundras e densas florestas: era solstício de inverno e as suas pisadas cruéis e céleres firmavam a demolição de quaisquer obstáculos que se impusessem ou impedissem a direção das ventas. Nascido dos olhos abissais de Marduk, jamais conhecera o gosto do malogro. Invicto, de casta guerreira e longevidade, se alimentava da escuridão e, sobretudo, da Lua Nova. Mais que astuto despedaçava suas vítimas como um Smilodon, mantendo o mesmo ar do seu primo de Bengala. Agressivo shijin Byakko, impôs sua força bruta de Mohan diante do invencível dragão, aniquilando-o por nocaute. Por conta disso foi condecorado pelo espírito dos 5 Tigres do Oráculo da Terra, tornando-se Baihu, o principal guardião dos pontos cardeais e do centro, um geomante no uso das 16 figuras simbólicas para obter respostas a todas as perguntas que o inquietasse, soberano por vencer todas as batalhas. Assim encorajou-se à empreitada de enfrentar a tigresa de Champawat, depois dela ter causado terror na região de Kumaon e na fronteira do Nepal. Vitorioso conduziu a neófita pelos bambus da selva dos pecados, para matá-la e ressuscitá-la numa noite sem Lua. Ao vencê-la desdenhou e seguiu por fechadas brenhas, árvores entre outras, céu de brigadeiro da Lapônia, a ponto de se deparar na sua caminhada com um vulto insolente que batia a cauda na água para fisgar os peixes com suas afiadas garras. Quem era? Ora, triunfante ele olvidou do ditado: quem com ela se depara não corre, nem dá as costas, nenhum movimento brusco: usa da espingarda; se o tiro falhar, recorra ao revólver; escapuliu da mão, ataque de faca; se quebrar, aí fuja; se for perseguido, se atrepe numa árvore; se ela subir, reze: todo mundo é amigo-da-onça. Num átimo ela virou-se e fitou firme, quieta, soberana. Seus olhos revelaram: era a crepuscular caguaçuarana, a solitária Afesireia, filha da Borges, sobrinha da Cabocla, neta da Mão-Torta e prima da Maneta e da Pé de Boi. Era afilhada da Iaiá Cabocla de Xakriabá – investida deusa Kianumaka Manã, quem concedeu pra ela a dádiva do poder ressurreto de Arakuni: a mutação. Ela nadava, rastejava e escalava alturas, transformava-se agigantada e devorando um jacaré inteiro, hirto, hipnotizado; e diante do eclipse, estraçalhava a Jaci e Guaraci ao mesmo tempo, festejando com seus parentes jaguar, pantera, puma, acanguçu, jaguaripina, leopardo, yguaretê, suçuarana, jaguará e jaguaretê. Num relance ela fixou o olhar nele e ele o evitou ciente do sortilégio. Um raio rasgou o céu ameaçador: hora de vida ou morte, sabiam: um deles não sairia vivo do confronto. Não havia como desertar, nem espaço para sedição. Seus olhos faiscaram mútuos relâmpagos letais, outros estrondos açoitavam. Ele trovejou astucioso com estridente assombro, seus sinistros rugidos e o bafejo dava prazo sem aviso. Ambidestro se insinuava, cada movimento milimetricamente calculado, um passo em frente e recuava estratégico, o ronco praguejava, o bafo às ventas dela. Moviam-se táticos, encaravam-se e circulavam, ameaçavam insinuantes, blefavam, cada qual expunha o arsenal de truques em cada jogada. Ele flanqueava, apertava o cerco com todos os recursos disponíveis, a finta dela, bastava ali um salto e pronto, a urgência da hora e qualquer vacilo, o golpe fatal da maldição furiosa, o bote teria de ser certeiro. A vigilância de ambos e a sorte estava lançada. O ousado dissimulava e tanto fascinava pavoroso, o inevitável perigo não a intimidara. Ele evitava cada vez mais os olhos dela, de esguelha, sabia da armadilha e acuava diante do sedento ataque dela. Preparava as emboscadas escondendo sua pelagem de manchas e rosetas pela boca do matagal espesso. Tentou acossá-la e, ao desaforo dele, ela respondeu invocando Charría e um olho dela estrelou vermelha de Antares; o outro refulgiu de Aldebaran, transformou-se na eclipsada Caetana e partiu pro confronto direto. Cravou o olhar e ele foi surpreendido com o avanço decisivo dela, a ofensiva indefensável e travaram luta. Uma revoada de pássaros, a poeira subiu, o chão revolvido pelo botes aos nhaques, as patadas revirando o atrito estremecedor no ambiente e se prepararam para as investidas abrindo as portas dos 9 círculos do inferno dantesco, atravessando o limbo, percorrendo a luxúria, cortando a gula, correndo a ganância, cruzando a ira, rasgando a heresia, singrando a violência, perpassando a fraude e passando a traição no gelo do lago Cócito, para sobrepujarem Aqueronte, Eridano, Flegetonte e o Lete. Venciam Naraka e ela então cravou suas garras e o levou malbaratado pelas trevas de Vilon, percorrendo o abismo de Raki’a, ascendendo às altas nuvens de Shehagim e o fogo do éter empíreo, romperam o umbral de Zebul, a transição de Ma’on, as esferas de Machon e foram celebrados por ofanins e serafins no penhasco da cachoeira do Sertão Zen, no Alto Paraíso da Chapada dos Veadeiros. Depois desse momento episódico se defrontaram diante do Mirante da Janela. O déspota pérfido ousou rondar obliquamente matreiro: era ele Dioniso quase vencido e apaixonado pela ninfa asiática. Ela fascinante o hipnotizou, arrebatada o encurralou numa furna, ele cautelosamente escondeu-se esfregando seu dorso num tronco robusto, rolou no chão e pronto para mordê-la, ali hesitou e foi tomado pela fúria amorosa dela. Ela era agora Nice, o epônimo da vitória e logo fez-se manhã vistosa nos saltos do Rio Preto: a Lua renasceu e a luz retornou. O Sol aqueceu a toada na dança às margens do Opará, ao som duma moda de viola. Ali, naquele ato, não só havia um tigre, nem apenas uma onça, mas muitos deles que se encontravam intermitentemente por milênios sucessivos na eternidade. Até mais ver.

 

Alice Walker: Observe atentamente o presente que você está construindo: ele deve se parecer com o futuro que você está sonhando... Sempre que você cria beleza ao seu redor, você está restaurando a sua própria alma... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Naomi Grossman: Eu estou constantemente destaco os benefícios da yoga (obrigado por me entregar a isso mais cedo) – que se eu pudesse começar um movimento apresentando as pessoas a isso, acho que eliminaríamos a maior parte do conflito do mundo! Se apenas as pessoas passassem mais tempo desafiando seu equilíbrio, força e flexibilidade, e menos tempo desafiando umas às outras, que mundo melhor seria!... Veja mais aqui.

Tawakel Karman: Você precisa ser forte; precisa confiar em si mesmo para derrubar o regime ditatorial que houver e construir um novo país. Você precisa participar da construção do seu país. Sabemos que tudo o que você sonha pode se tornar realidade. Você precisa saber que tem a capacidade de realizar seu sonho. Veja mais aqui, aqui & aqui.

 

POR AMOR À VIDA

Imagem: Acervo ArtLAM.

Sei que muita gente sofre \ És uma realidade \ Um sintoma perigoso \ Desde a tal ansiedade \ Causando em si uma dor \ A vida perde o valor \ Dentro da sociedade \ Vivemos tempos difíceis \ Mas não podemos falhar \ Quem é mãe de adolescente \ Sabe o que eu quero falar \ Pois o nosso coração \ Se desdobra em aflição \ Ao no seu filho pensar \ Nós que somos mães e pais \ E também sociedade \ Vamos dar mais atenção \ Nossos filhos prioridade \ Sofrer sem deixar de amar \ Só o amor pode evitar \ O fim da humanidade \ Dialogar com paciência \ Humildade, admiração \ Estimula e valoriza \ Exercício de inspiração \ Por favor abra seu olho \ Seu filho és um tesouro \ Não deixe em outras mãos.

Poema da escritora e contadora de histórias Auritha Tabajara, autora da obra Magistério Indígena em Verso e Poesia (2004), cantando seus versos: Sou mulher que ainda chora \ Por tão grande escuridão \ Minha essência está aqui \ Dentro do meu coração \ De um Brasil ensanguentado \ Onde ninguém é culpado \ Mulher da mesma nação! Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

JOGO DA VELHA - [...] Só lembre-se, Callum, quando estiver flutuando cada vez mais alto na sua bolha, que bolhas têm o hábito de estourar. Quanto mais alto você sobe, maior é a queda. [...] É assim mesmo. Algumas coisas nunca mudam. Simplesmente é assim. Mas não acredite neles. [...] Eu costumava me consolar com a crença de que eram apenas certos indivíduos e suas ideias peculiares que estragavam as coisas para o resto de nós. Mas quantos indivíduos são necessários para que não sejam os indivíduos que sejam preconceituosos, mas a sociedade inteira? [...] As notícias mentem o tempo todo. Elas nos dizem o que acham que queremos ouvir. [...]. Trechos extraídos da obra Noughts & Crosses (Minotauro, 2020), da escritora britânica Malorie Blackman, autora de obras como Boys Don't Cry (2010), Checkmate (2005) e Knife Edge (2003). Para ela: Ler é um exercício de empatia, um exercício de se colocar no lugar do outro por um tempo...

 

DOU MINHA PALAVRA - [...] Vida é gasto e estou gasta, o espelho que magnifica mostra a verdade e a verdade é a velhice. [...] O corpo vai pendendo para baixo, e lá embaixo encontro uma menina. Desde que ela descobriu, com quatro ou cinco anos, que seus pais eram sobreviventes de uma guerra contra os judeus e que sua mãe guardava numa caixa dentro do armário um diário escrito na Suécia — um diário que ela só podia olhar mas não ler, já que nem ler ela sabia, e o diário estava escrito em i-u-g-o-s-l-a-v-o —, essas vidas viraram histórias e as pessoas, personagens. A menina vivia nessas histórias e não prestava para a realidade. Sem amigos, perseguida, invejava a prima magra e boa aluna, tinha os pés chatos e se desequilibrava (as irmãs mais velhas não deixaram a mãe colocar botas ortopédicas nela; hoje as irmãs têm pés altos e finos e ela, pés largos e chatos), se isolava nas festas e prometia se suicidar. Assim que aprendeu a ler, seu tio Arthur a presenteava com livros estrangeiros e seu pai lhe deu a Barsa de aniversário e comprava enciclopédias de um vendedor ambulante. A coleção do Monteiro Lobato, Meu pé de laranja lima, Poesia brasileira para a infância, Demian, a Torá (todos os dias, no Renascença), letras do Chico Buarque, O Pequeno Príncipe, gibis da Mônica e os livros de adultos das irmãs dela. Na casa de sobreviventes de guerra, frequentada por refugiados da Rússia, da Polônia, da Romênia, da Iugoslávia e de outros países de nomes estranhos, ela escutava muitas línguas: português, ídiche, alemão, hebraico, húngaro e iugoslavo. A menina não entendia as línguas, mas escutava as palavras [...]. Trechos extraídos da obra Te dou minha palavra (Companhia das Letras, 2025), da escritora, professora e crítica literária, Noemi Jaffe, que noutra de sua obra, Lili- Novela de um luto (Companhia das Letras, 2021), ela traz o seguinte trecho: [...] Quando ela estava morta, eu beijei seu rosto, suas mãos, seu colo. Apertava o pulso, abraçava o corpo, chamava: mãe, mãe. Levantava a mão e a deixava cair. No dia anterior, quando ela ainda não estava morta, mas quase, eu aproximava meu ouvido do seu peito e ouvia a respiração. Era diferente. É diferente estar quase morta de estar morta mesmo. É diferente e só sei disso agora que ela morreu. Se quando ela estava quase morta eu esperava que ela morresse, agora é como se eu a quisesse, se pudesse, quase morta para sempre, só para ouvir sua respiração, a bochecha quente, os dedos da mão se mexendo mesmo que por reflexo, um ronco baixo no peito, o tremor nas pálpebras. Nunca tinha ficado perto de uma pessoa morta e descoberta. Fiquei perto do meu pai, mas ele estava coberto por um lençol e eu tracei com o dedo o contorno do seu nariz, o que repeti com a minha mãe depois que a cobriram. [...]. Já na sua obra O que ela sussurra (Companhia das Letras, 2020), ela expressa: [...] Gosto do som das conversas e gosto de música, mas prefiro sempre o silêncio, agora ainda mais que antes: esse som suro e verdadeiro em toda a sua extensão, mais geográfica do que temporal e que ocupa a paisagem que vejo pela janela e a alma que não vejo mas que fica inteiramente ocupada por ele. [...].

 

A ARTE DE DELANO

Eu sou um observador das pessoas, sempre as observo quando saio... Eu não trabalho pensando em exposição. Não gosto de me expor, mal saio de casa. Às vezes, passo meses sem descer do meu ateliê, botar o pé na calçada. Preciso até que as pessoas levem comida para mim...

Pensamento e arte do pintor, desenhista e gravador, Delano – (Flanklin Delano de França e Silva - 1945-2010), foi ilustrador do Jornal da Tarde, participou de diversas mostras coletivas pelo Brasil afora, integrou o Ateliê + 10, em Olinda, e participou da criação da Oficina Guaianases de Gravura. Veja mais aqui, aqui & aqui.

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A ARTE DE RUBENS MATTOS CUNHA LIMA, 60 ANOS DE TRAJETÓRIA

Desenvolvi projetos de residências e obras. Em 60 anos de carreira fiz mais obras que projetos... Gosto muito da arquitetura... Conheci o Darel. Era uma pessoa muito intensa. Fiz várias gravuras dele...

A arte de arquiteto e artista plástico de São Paulo, Rubens José Mattos Cunha Lima, que fundou a Editora Clube da Gravura, editou a revista Gravura & Gravadores (1980), participou com suas obras da publicação Dareladas (CriaArt, 2024), integra o Gentamiga Atelier e participa da plataforma Ubqub (SP). Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

 

João Cabral de Mélo Neto aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Déa Ferraz aqui & aqui.

Antônio Meneses aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Thina Cunha aqui & aqui.

Barbosa Lima Sobrinho aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Martha Batalha aqui & aqui.

Wellington Virgulino aqui & aqui.

Lucinha Guerra aqui, aqui & aqui.

Mário Souto Maior aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Roberta Cirne aqui.



domingo, janeiro 25, 2026

GERMAINE GREER, SUHEIR HAMMAD, AHED TAMIMI & PALLY SIQUEIRA

 

Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som dos álbuns Palavra e Som (2017), Fiz uma Viagem – Songs of Dorival Caymmi (2017),  50 (2018), Brasileiras Canções (2022) e o Mar É Mulher (2025), da cantora, compositora e instrumentista Joyce (Joyce Silveira Moreno), autora dos livros Fotografei Você na Minha Rolleiflex (1997) e Aquelas Coisas Todas (2020), das séries Cantos do Rio (1999) e No Compasso da História (2010) e do projeto Pequenos Notáveis (2012). Veja mais aqui & aqui.


 

Parlenda de Truvunca & Quelônia, Acta est fabula... – Virado da breca esse Truvunca, pense numa criatura fuçadora: apronta as suas semostradoras presepadas e, eximindo-se do revide das lapadas, abre um buraco no chão e se entoca de ninguém mais vê-lo. De tanto cavar túneis disparatados, logo viu-se enamorado pela Maria Fumaça, o que parecia ser um bom negócio pra ele, claro. Mas, não. Ela nem nem: só andava na linha e, pra encará-la, só de papel passado. Vixe! Perdeu a viagem e pinotou fora. O melhor era mesmo da loca explorando forames, caboucos, antros, covas, grotas, cavernas e grutas. E de tanto desbravar bateu no domicílio duma Branquiura, eita, saia-justa: caxangá, siri siripuã! Ela: Qual é a tua, dasipodídeo? Tava passando por perto... Tais pensando que o céu é perto? Não... Segura a carapaça senão finda leproso, visse! Vim só dá boa tarde! Ela então abriu a porta e mostrou uma tuia de aratu, caranguejo-uçá e azul, guaiamu, boca-cava-terra, grauçá, chama-maré, Maria-farinha e santola, tudo de boca aberta para tirar proveito: Vem cá, tatu, que eu quero fazer charango! Quirquincho, venha dançar fandango! Quero fazer cesto e do rabo a flauta! Quero comer aaru, meu beiju, peralta! S’esconda não, bota fumaça na toca que eu quero pegá-lo! Oba, banquete com a carne de todos os outros animais! Pulou fora, evadiu-se. Depois dessas tentativas malogradas, jurou nunca se apaixonar. E como cuspiu pra cima e debaixo não saiu, nem deu tempo de sustentar a promessa: viu-se enredado num grande amor com Araminta de Goldoni, uma beldade tracajá. Foi de peito aberto, a plenos pulmões: esmerou-se no vinco, alinhou-se no ajeitado, dançou e melou; ao resolver os documentos do casório, ela se enjicou com ele, arriando o rosário, cabum! Debulhando o miúdo da surpresa: era uma Arsínoe de Molière, uma cágada desaforada: Já enganei onça e só gosto de carniça e rabo de lagarto! Ih! Tem coragem ou vai abrir da vela? Mas, mas... Sai pra lá, banguela! E sacudiu-se toda pras bandas dum Zé-prego que apareceu vistoso, dele ficar só com as mãos balando e a ver navios. Essa doeu dele despencar de vertigens, falta de ar, perdeu a noção das coisas, claudicante, arrastou-se pela lama, findou sofrente na sarjeta: as grandes dores deixam marcas indeléveis, dele cambalear por muito tempo, até levar uma topada e pegar no tranco. Ufa! Nem se resguardara direito, lá estava ele se enrolando com Ródope de Hebbel – uma jabota sonhando Gyges und Sein Ring. Diante de tanta formosura, ele mergulhou de cabeça e caiu com toda boca na botija, chega lambuzar-se todo. Calma, meu nego, que vexame é esse, tatu eté? Vem cá, frochosa! Tatu peba de capote, com seu chapéu voador, parece mais um caçote que perdeu o seu andor! Dou-lhe tudo de meu! E foi de topete desembestado. Alto lá! Pra quê retranca? Enrole, não! Tô gamado! Então, procure outra, papa defunto! Danou-se! E quando viu: estava ela enganchada no pescoço dum carumbe. Ele deu a porra e virou das catrâmbias, encolheu-se feito bola, zonzinho da silva: sucumbira de novo aos tormentos do seu inferno particular, quase perecer de amargura. Foi difícil segurar as pontas, curto-circuito e dor-de-cotovelo: doíam os chifres e, na recaída, quase bota todos os bofes boca a fora: tatu também é gente, também morre em sofrimento! Caiu na gandaia feito um Aretino injuriado: pintou resoluto, bordou dissoluto e arretou-se determinado a se emburacar no chão e sair do outro lado do mundo! Assim fez e findou atribulado num aquífero. Eita! Quando voltou a si: Onde estou? Você quase morre afogado! Quem é você? Sou Quelônia, muito prazer. Você me salvou? Só puxei você pra praia. Quer casar comigo? Já vejo que retomou os sentidos e agora está melhor, até. Não, pelamordedeus, preciso agradecer. De nada. E ela se foi pelas ondas do mar aberto, deixando-o inconsolável. Não fosse a prestimosa intervenção dum primo distante, jamais sairia do seu embotamento. Como é que tá, parente? Tamanduá, você viu aquela? Vi, sim. Quem é ela, hem? Ah, parente, nem queira saber: a cosmófora! Que é isso? A reencarnação de Vishnu, Bodhisattva. Quem? Os 4 pilares da origem algonquina! Piorou. O escudo de Órion dos maias. Deixa de onda! Ela é o pilar que segura o céu. Tais de brincadeira! Ela é a cítara de Mercúrio, a esposa do Sol dos Vaupés! A sabedoria no Bhagavad Gita! Peraí. Uma vez ela subiu num poste. Como assim? Mistério... Oxe! Não entendeu ainda? Quero casar com ela! Não é pro seu bico! Ajuda, primo! Tire o cavalinho da chuva, meu! Preciso, vai! E no meio de disso e daquilo, lá estava ele com o aparentado remando num barco mar adentro. Lá no alto, só as águas beirando o céu, o remador foi ajeitar a direção e, sem querer, derrubou Truvunca tragado pelas ondas revoltas: Pronto, agora reze prela salvar e tudo feito! A sorte está lançada! Deu-se então um tsunami. Lascou! E aí? Um dia lá, muito tempo depois: viram-se à praia. Eita, pensei que o parente estivesse ido dessa pra melhor desde daquele tempo; mas não, tá com a anja da guarda, né? Eu e tu fomos salvos por ela, bestão! Que bom. Casamos e vamos aprender a voar. Calma, disse ela. Também sei nadar! Mas quase se empirulitou por duas vezes, não acha que já tá bom desse brincar de morrer, não? Hum? Veja só: Voar é outra coisa, cuidado com gente! Os humanos só fazem guerra! Pois é. Então, ali ela entregou pra ele um arco e duas espigas de milho: uma madura para semear, outra leitosa para grelhar. O que faço com isso? Ensinou-lhe o hino homérico a Hermes: Saúdo-te, natureza amável, és para mim de um mui feliz presságio... Levar-te-ei à minha casa... Ah, tá, Cabeçuda! Repetiu tudo e ela fez volta-no-meio do tatu-velho! Sou seu capitari, piloso primo do canastra-gigante, do tamanduá e do bicho-preguiça, que quero mais? Segure o fandango! Aí, lá pras tantas resolveram juntar os Tês seguidos por uma enfieira de têzinhos que espoucavam seguindo o rastro dos festeiros: Tartu-bola, peba, mão amarela, tartupoiú! Tartu-cascudo, peludo, rabo-de-couro, galinha do sul! Como é que pode? Ora. Acta est fabula, parlenda: Salve, tartaruga; e viva o rabo do tatu! Até mais ver.

 

Linda Buck: Faça algo que te apaixone, algo que você simplesmente precise entender, porque é daí que vem a alegria, e também, eu acho, é daí que vêm as grandes descobertas... Veja mais aqui.

Mairead Corrigan: Se quisermos colher os frutos da paz e da justiça no futuro, teremos que semear as sementes da não violência, aqui e agora, no presente... Veja mais aqui, aqui & aqui.

Shirley Hazzard: Existe equilíbrio na vida, mas não existe justiça. Na verdade, não se ganha nada com a experiência; aprende-se apenas a prever o próximo erro. Às vezes, certamente, a verdade está mais próxima da imaginação ou da inteligência, do amor, do que dos fatos? Ser preciso não é o mesmo que estar certo... Veja mais aqui, aqui & aqui.

 

OF WOMAN TORN

Imagem: Acervo ArtLAM.

Filha de palestine \ fazer amor pode ser tão perigoso \ como toques de recolher quebrados \ guerrilheiros escondidos \ você se junta agora aqueles que não vão embora \ a terra assombra minha \ dormir quem observa o meu \ de volta sempre que eu colocar \ os suicídios forçados o \ mortes por dote e \ nora \ decapitado por \ seu pai sobre seu proibido \ lua de mel ele desfilou \sua cabeça através \ cairo para provar sua \ masculinidade isso é 1997 \ e eu só posso esperar \ você tinha uma canção especial a \ poema memorizado um segredo \ que te fez sorrir \ Isto é um amor \ poema cause i love \ você agora mulher \ quem viveu tentou \ amor neste mundo de \ facões e pecado \ Eu sinto o cheiro de suas cinzas \ de zaatar e amêndoas \ sob a minha pele \ Eu carrego seus ossos.

Poema da escritora e ativista político palestino-estadunidense Suheir Hammad, autora das obras Born Palestinian, Born Black (Harlem River Press, 1996), Drops of This Story (Harlem River Press, 1996), Zaatar Diva (Cypher Books, 2006) e Breaking Poems (Cypher Books, 2008).

 

SOBRE O ESTUPRO – [...] Se um homem lhe der um soco no olho, não se espera que você tenha implorado para que ele não o fizesse para que o crime seja considerado agressão. Se você estiver sentada no caixa e alguém exigir o dinheiro, você não será acusada de consentimento se simplesmente entregar o dinheiro. Somente em casos de estupro é que a prova de resistência se torna relevante. [...] Assim como não é o pênis que comete estupro, nem a testosterona que o motiva, nem mesmo um desejo sexual avassalador, a castração, seja cirúrgica ou química, não eliminará o ódio dos homens pelas mulheres. [...]. Trechos extraídos da obra On Rape (Bloomsbury Publishing, 2018), da escritora e jornalista australiana Germaine Greer. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

ME CHAMARAM DE LEOA: A LUTA DE UMA MENINA PALESTINA PELA LIBERDADE – [...] O riso transmite uma mensagem poderosa: ainda estamos vivos, ainda estamos rindo e amamos a vida. [...] Não somos cidadãos de Israel; tampouco temos voz ou direitos políticos no Estado que controla todos os aspectos de nossas vidas. Estamos presos à incapacidade de planejar nosso futuro, de viajar livremente ou mesmo de nos deslocarmos pelo nosso território de cidade em cidade sem ter que cruzar postos de controle militar. Precisamos de permissão para construir nossas casas, para viajar, para trabalhar — todos os direitos e liberdades básicos que você poderia considerar garantidos vivendo em uma sociedade civil simplesmente não existem quando se vive sob ocupação militar. Não é uma vida fácil, e ainda assim, é a única que conheço. [...] Peço também que se lembrem da sua humanidade, porque é ela que vai determinar o que farão quando virarem estas últimas páginas e fecharem este livro. Vão se solidarizar com a causa palestina e ajudar da forma que puderem — seja conscientizando outras pessoas, pressionando o governo ou se informando mais sobre o que está acontecendo? Ou vão ignorar o que aprenderam, largar este livro e seguir com a vida como sempre? A escolha é sua. [...] Os palestinos representam 20% da população de Israel e, apesar de viverem em sua própria pátria, Israel os relega a um status de cidadãos de segunda ou até terceira classe. Um dos meus colegas descobriu que mais de cinquenta leis discriminam os cidadãos palestinos de Israel com base unicamente em sua etnia. Outro comentou como os recursos governamentais são desproporcionalmente direcionados aos judeus, deixando os palestinos com os piores padrões de vida na sociedade israelense, com as escolas para crianças palestinas recebendo apenas uma fração do investimento governamental destinado às escolas judaicas. Eles também falaram sobre a dificuldade que os palestinos enfrentam para obter terras para moradia, negócios ou agricultura, porque mais de 90% das terras em Israel pertencem ao Estado ou a agências paraestatais (como o Fundo Nacional Judaico) que discriminam os palestinos. E lamentaram o fato de que, se eles ou algum parente se casassem com um palestino da Cisjordânia ou da Faixa de Gaza, não poderiam transmitir a cidadania israelense ao cônjuge, devido à Lei de Cidadania e Entrada em Israel. O cônjuge sequer conseguiria obter o status de residente para morar com eles em Israel. Isso significaria que seriam forçados a deixar Israel e se separar de suas famílias para viver com o cônjuge. […]. Trechos extraídos da obra They Called Me a Lioness: A Palestinian Girl’s Fight for Freedom (One World, 2022), da ativista palestina Ahed Tamimi.

 

A ARTE DE PALLY SIQUEIRA

Queremos, sim, mais produções lideradas por mulheres, protagonizadas por mulheres e com questões pertinentes a nós. Somos a maioria da população e já estamos fartas de ocupar o segundo plano... As pessoas em sua maioria se sentem perdidas, cheias de dúvidas, eu me enquadro muito nessa porcentagem. Mas o que me assusta tem sido ver a onda fascista que tem se levantado, eles agem de uma forma muito organizada e bélica. Quando perdemos a capacidade da empatia algo está errado...

Trechos da entrevista concedida ao jornalista Vinícius Nader (Correio Brasiliense, 2018), pela atriz, autora e artista plástica Pally Siqueira. Veja mais aqui & aqui.

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Luiz Marinho aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

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FRANCES HARDINGE, KATHERINE FREESE, ANNEMARIE JACIR, SAMICO & SETIGONISTAS

    Imagem: Acervo ArtLAM . A o som dos álbuns reEncanto - Live at Union Chapel (2024), Manga (2019), Lovely Difficult (2013), Studio 1...