domingo, maio 17, 2026

JAMAICA KINCAID, LULJETA LLESHANAKU, PHILIPPE VAN PARIJS & SURUBIM FELICIANO DA PAIXÃO

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som dos álbuns Mana (2026), Bouquet (2024) & Bouquet II (2025), da pianista e compositora francesa Chloé Antoniotti.




Mostruário dos autos-de-fé, releituras de Canetti... - Houve um tempo o bulício festivo da passarinhada despertando na escuridão, o que se adivinhava da claridão de um céu azul, quando ainda madrugava no chuvoso frio e se rendia à disposição de que dali, mais alguns instantes, tudo seguiria na vigília do trâmite das horas e a surpresa das escolhas diárias inadiáveis. Sim, houve um tempo e existir sempre foi a aventura de surfar pelos devires. O dia raiava afugentando os fantasmas que rondavam à noite, como se deles a culpa com a cabeça a prêmio, por uma condenação desde a supremacia do primeiro humano sobre outro, para uma escalada milenar de chacinas, que ganharam força no medievo concílio de Verona e todas as sucessivas regulações das bulas papais. Ali estava sujeito a imolações, vivissecções, esquartejamentos, plena lassidão do próprio delírio, pro epítome da desgraça nos testemunhos de Goya. Mesmo assim sobrevivia matinal entre os escombros das conflagrações repassadas, escapando emergencialmente das hostilidades e combates dagora, na expectativa de todas as inescapáveis guerras vindouras, enquanto a máquina vomitava o que sobrou de seus reféns. E tudo se repetia ruidosamente por séculos ad infinitum, para o estrondoso amém nas raivosas preces das escatologias teológicas – descaminhos de outros breus desmesurados em pleno meio dia, enodoando idas e vindas. Quantos não sucumbiram às pandemias e aos genocídios, com as dores da decadência no estado de vigilância, quem não acossado a se esconder com a autópsia das memórias adoecidas, dissecando obsessões no que pudesse de sanidade mental: o mundo na cabeça sem mundo nem cabeça. E chegava o mormaço da tarde, sabedor quando mais ignorava, pensava relevando o que sequer cogitasse e dizia o que nem imaginou ter calado. Assim caía a noite com um clarão ao ouvido e a vida a reboque no jogo dos grandes olhos azuis de uma Anna – ah, mimosa Gulck, escultural Justine, o sonho clamando por reminiscências imprecisas do que se viu imperfeito no acervo das ideias: a confissão de que tinha algo a dizer com a incontornável insolência do controverso, a uma testemunha auricular que emergia do coração secreto do relógio e a consciência das palavras mudas na província do homem. E ambicionava Shangri-La e a Lua Azul no vale do Himalaia encontrava o Sol no coração e saísse da Kali, seguisse pra Dvapara, atravessasse Treta para esbarrar à Satya Yuga, com os nomes extintos dos antepassados. E se fazia outro dia e agora era um sonho de olhos abertos: o recomeço, como se inaugurasse a eternidade e nela toda estreia. E mais outro como se tivesse hora marcada e precisasse reaprender a se maravilhar para a derrota da morte escandalosa, surpreendida com uma obra póstuma. Sim, Canetti. Um estrambote, ato de meninice: Dava língua pra ela. E as mãos com os polegares em cada canto da testa, dedos abanando como orelhas mangadoras: Uh! Tá pra tu?! Até mais ver.

 

Honoré de Balzac: Como é natural destruir o que não podemos possuir, negar o que não entendemos e insultar o que invejamos!... Por trás de toda fortuna existe um crime... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Cacá Diegues: Temos sido testemunhas de um inimaginável retrocesso em curso. É como se estivéssemos vendo todas as históricas conquistas civilizatórias e humanistas irem para o lixo, refundando-se a barbárie... Veja mais aqui & aqui.

Mary Cassatt: Aceitar algo nos termos de outra pessoa é pior do que ser rejeitado... As mulheres devem ser alguém e não algo... O mundo me bastará no futuro... Veja mais aqui & aqui.

 

ESPERANDO POR UM POEMA

Imagem: Acervo ArtLAM.

Estou esperando por um poema, \ algo bruto, não elaborado ou fora de controle, \ algo imperturbável por maldições, um corvo branco \ liberado da escuridão. \ Palavras que vêm naturalmente, sem mirar em nada, \ uma bala sem um alvo, \ tiros de advertência para o céu \ em terras recém-ocupadas. \ Um poema que vai bem no meu peito \ e até chegar \ Vou ouvir meus filhos brigando no próximo quarto \ e lançar meu olhar para baixo na mesa \ em um copo vazio de leite \ com um traço de branco ao longo de sua borda \ minha garganta envolta em prata \ um guardanapo em um anel de guardanapo \ esperando que os hóspedes atrasados cheguem...

Poema da poeta albanesa Luljeta Lleshanaku, autora das obras Fresco: Selected Poems (New Directions, 2002); Haywire: New and Selected Poems (Bloodaxe Books, 2011), entre outras.

 

AGORA VEJA ENTÃO - [...] A casa, a casa de Shirley Jackson, ficava numa colina, e de uma janela a sra. Sweet podia ver as estrondosas águas do rio Paran que se despejava furioso e veloz do lago, um lago feito pelo homem também chamado Paran; e olhando para cima, ela podia ver ao seu redor as montanhas chamadas Bald, Hale e Anthony, todas partes da cordilheira Green Mountain; ela também podia ver o corpo de bombeiros onde às vezes comparecia a uma assembleia civil e ouvia seu representante dizer alguma coisa que poderia afetá-la seriamente e o bem-estar de sua família ou ver os bombeiros extirpando os caminhões e desmantelando várias partes deles e remontando essas partes para então polir todos os caminhões e conduzi-los pela cidade com um bocado de comoção antes de devolvê-los ao corpo de bombeiros e eles faziam a sra. Sweet se lembrar do jovem Héracles, que muitas vezes fazia esse tipo de coisa com seus caminhões de bombeiro de brinquedo; mas ainda agora quando a sra. Sweet olhava por uma janela na casa de Shirley Jackson, seu filho não fazia mais isso. E dessa janela mais uma vez, ela pôde ver a casa onde morava o homem que inventou a câmera rápida mas ele já estava morto agora; e ela pôde ver a casa, a Casa Amarela, que Homero havia restaurado com tanto cuidado e amor [...]. Trecho extraído da obra Agora Veja Então (Companhia das Letras, 2021), da escritora antiguana Jamaica Kincaid, que ainda se expressa: A amizade é algo simples, e ainda assim complexo; a amizade é superficial, algo natural, algo que se dá por garantido, mas por baixo dessa superfície podem-se encontrar mundos. Veja mais aqui.

 

RENDA BÁSICA - [...] Tornar uma economia mais produtiva (numa interpretação sensata) de forma sustentável não é melhor alcançado ativando obsessivamente as pessoas e prendendo-as em empregos que detestam e dos quais não aprendem nada. [...]. Trecho extraído da obra Basic Income: A Radical Proposal for a Free Society and a Sane Economy (Harvard University Press, 2019), do filósofo e economista belga Philippe van Parijs, que no seu artigo Basic Income: A simple and powerful idea for the twenty-first century (Social Justice Ireland - Redesigning Distribution, 2005), defende que: […] Lutar por esses ou outros caminhos em busca de maior segurança de renda não deve, é claro, fazer com que se negligencie a importância primordial de proporcionar a todas as crianças educação básica de qualidade e a todas as pessoas cuidados básicos de saúde de qualidade. Mais importante ainda, para que o modelo defendido aqui se torne uma realidade generalizada, as lutas mais difíceis e cruciais podem precisar ser travadas em temas aparentemente muito remotos: garantir a eficiência e a responsabilidade da administração pública, regular a migração, conceber instituições eleitorais adequadas e reestruturar os poderes das organizações supranacionais. Mas essas muitas lutas podem ganhar direção e força se forem guiadas por uma visão clara e coerente das principais instituições distributivas de uma sociedade justa e libertadora. [...].

 

O FANTASTICO CAVALO AZUL DE SURUBIM DA PAIXÃO

A minha tribo quando entra na aldeia \ Índio não faz cara feia \ Não deixa a frexa cair \ Tupi tupi or not tupi \ Tupi tupi or not tupi \ Não sei se vou não sei se estou não sei se fico \ Nada ainda exprico nessa frase or not tupy \ Tupi tupi or not tupi \ Tupi tupi or not tupi \ Ser ou não ser tupi \ Ser ou não ser tupi \ Ser ou não ser tupi \ Ser ou não ser tupi...

Imagem & versos da canção Tupy or not Tupy, do compositor, artista visual, cirandeiro e zelador Surubim Feliciano da Paixão (1940-1991), que atuou na companhia Teat(r)o Oficina e da Uzyna Uzona, em São Paulo, desde 1979, participando do Forró Avanço no Circo da companhia, comandado por Verônica Tamaoki; compôs a música para o filme Rei da Vela, autor das gravuras de Mistério Gozósos (1983). Veja mais aqui & aqui.

 

Olegário Mariano aqui.

Eva Rolim Miranda aqui.

Armando Lôbo aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Márcia Meira Basto aqui

Fernando Spencer aqui & aqui

Biarritzzz - Beatriz Rodrigues aqui

Juareiz Correya aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Mércia Albuquerque Ferreira – Lady Tempestade (1934-2003) aqui

José Cláudio aquí, aquí, aquí & aquí.

Mitsy Queiroz aqui.

 


domingo, maio 10, 2026

BIOGRAFIA DO BRASIL, TARANEH JAVANBAKHT, ÉDOUARD LOUIS & SEVERINO ARAÚJO

 

Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som dos álbuns Tanto Tempo (2000), Momento (2007), All in One (2009), Tudo (2014), Agora (2020) e João (2023), da cantora e compositora Bebel Gilberto (Isabel Gilberto de Oliveira). Veja mais aqui.

 


Miolo de pote, uma loa quase iniciática... - Era uma vez e só havia o quintal às costas do menino. À janela almejava quase longe o rio e o espelho do céu fluía: nuvens e sonhos. Alvoroçado escapulia muro afora e o mundo se descortinava, rente à margem. Das funduras um caleidoscópio emergia remoinho e nele uma efígie pueril, quase adolescente: Era eu? E me falava da morte subindo a escada, a goiaba nos galhos sobre a casa, lá embaixo o desejo das irmãs, a faca entre os dentes e, a cada degrau, a coragem e uma queda abissal. Era a primeira vez e nela revivia a cena: ainda bebê nos braços da empregada, embalado pelo gira girou da roda gigante, o circuito e os gritos do pavor dela no incêndio estouravam a vermelhidão na esclerótica. E o bom era o balanço do trem comendo chão na ferrovia, a saia das elegantes rodomoças no meio das paisagens da rodovia, o cheiro de sargaço do Recife, o bicho de pé na areia de Boa Viagem, os tombos na bicicleta do primo, a festa semanal na dolorosa consulta médica, o regresso com antibióticos e os temores do coração de Jesus pendurado na viga da sala, a vigilância com o interdito dos livros na biblioteca paterna, amarrado ao pé da mesa, as fechaduras insondáveis, a invasão dos espectros nas botas da prisão do meu pai e a solidão infantil não podia descalça pisar o chão, mesmo resistindo aos nãos das sandálias e a proteção era o preço a pagar, quando queria a escola, na fila da merenda, obrigavam a sopa e, um descuido, o achocolatado no desejo, o vômito e a hepatite. Fechava os olhos, rejeitava a revista. E ao reabri-los uma efigie deformada se fez num duplo inexato, a feição na superfície embaçada, o olho do falcão e o intenso impacto. Não gostava do que via, porque ouvia da segunda morte: atropelado num cruzamento da Imbiribeira e o turbilhão com todos os titubeios, os fracassos, felonias, os desperdícios de quem se sentia com a síndrome do alferes de Machado de Assis, como quem se perdera na experiência dos espelhos de Rosa e o coração refletido no museu de Hanói, envolvido pelo conto de fadas da Sais de Novalis, pelos versos do poema de Schiller e de tudo que cuspia a Herodíade do Mallarmé: Certas noites, em tua severa fonte \ conheci a nudez do meu sonhar disperso... Parecia o julgamento do que fui no espelho do Karma de Yama. Novamente recolhia às pálpebras, doía ver-se às cabeçadas na gritaria das tolices, o que dirão das doidices, mané! Ria das próprias leseiras, acrófobo voador entre contramão e vielas. Não havia como negar e envelhecia diante espelho mágico do Ts’in: o pó cobria a causa de atos passados. Ah, se pelo menos aparecesse a bela deusa Sarasundari no espelho octogonal com os oitos trigamas do Amaterasu, uma alma polida pela ascese. Nada, aspirava desfrutar ao lado dela o Kagami Mochi e aprender da Tábua de Esmeralda: aquilo que está no alto é como aquilo que está embaixo. Não havia lógica nem sentido, pudera. Cadê a estrela da sorte? Nada, sobrevivia ao reflexo reativo às ameaças, o sangue esquentado, as feridas, o que se dissipou no jogo de espelhos, o arrebatamento e tudo tão disperso, atroz e inútil. A vida se alongava insinuante no sorriso fugidio, não escondia as cicatrizes, melhor era depor logo, bastava, não havia escolha: era a vacuidade primordial do shunyata. Queria demais, ignorava o merecimento e tantas coisas, não havia mais passado: esquecia para não perder a razão, a compreensão se ampliava com o passar do tempo. De resto, simplesmente vivia como uma causa perdida e nada mais: o olhar fatigado, o rouco lamento, a resignada mudez. Não havia como voltar atrás diante da clarividência reveladora: era apenas um menino à beira do rio... Até mais ver.

 

Murilo Mendes: É necessário conhecer seu próprio abismo. E polir sempre o candelabro que o esclarece... Só não existe o que não pode ser imaginado... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Mônica Martelli: Precisamos nos olhar com mais generosidade... É muito cruel ter que decidir tudo aos 20 anos: o que fazer da vida, a profissão e com quem casar. Ninguém tem maturidade para isso... Veja mais aqui & aqui.

Alexandria Villaseñor: No futuro, a escola não terá mais importância, porque estaremos muito ocupados fugindo do próximo incêndio florestal ou furacão... Sempre que vejo um negacionista climático ou um troll, considero um bom sinal. Isso só mostra o quanto eles se sentem ameaçados... Veja mais aqui.

 

A MARGEM DO SILÊNCIO

Imagem: Acervo ArtLAM.

Resmungou novamente a onda cansada da viagem, \ encantada com a \ margem do silêncio. As reminiscências da \ escravidão eram os amargos mistérios de seu \ isolamento. Finalmente, em liberdade, pretendia \ não gostar de nada além das melodias tristes. Dirigiu \ -se ao solo sedento com seu clamor: \ "Ó! solo, minhas melodias para ti se tornaram \ as colisões da esperança, minhas gotas para ti \ as testemunhas da vida, eu só peço que \ penses como eu, tu te tornaste a parte silenciosa \ do meu zênite." \ A nobre costa respondeu assim: \ "Ó! onda, orgulho da minha estatura, espectadora \ do meu cativeiro, firmeza do meu corpo, \ teu seio é o meu céu, honra da \ mãe mar, heroína das águas! Os anos \ este silêncio aninharam-se em meu coração. A \ opressão da marca do sol, \ familiar da minha ferida, o céu \ já não é um amigo compassivo para mim, \ a história das estrelas não está na minha boca, \ o cativeiro da terra tornou-se a minha \ narrativa amarga."

Poema da escritora iraniana Taraneh Javanbakht.

  

MUDANÇA – [...] Eu escapei desse destino e trabalhei em uma padaria, como zelador, livreiro, garçom, recepcionista, secretário, professor particular, profissional do sexo, monitor em um acampamento de verão e cobaia para experimentos médicos. Milagrosamente, frequentei uma das universidades mais prestigiosas da Europa e me formei em filosofia e sociologia, enquanto ninguém mais na minha família havia estudado. Li Platão, Kant, Derrida, Simone de Beauvoir. Depois de crescer entre as classes mais pobres do norte da França, conheci a classe média provinciana, sua amargura, e, mais tarde, o mundo intelectual parisiense, as classes altas francesas e internacionais. Convivi com algumas das pessoas mais ricas do mundo. Eu fiz amor com homens que tinham obras de Picasso, Monet e Soulages em suas salas de estar, que viajavam apenas em jatos particulares e passavam todo o tempo em hotéis onde uma única noite custava o que toda a minha família ganhava em um ano quando eu era criança, para uma família de sete pessoas. [...] Eu escapei da morte por um triz, eu a experimentei, senti sua realidade, perdi o o uso do meu corpo por versa. Mais do que qualquer outra coisa, eu queria escapar da minha infância, dos céus cinzentos do departamento de Nord. de Nord e da vida fadada ao fracasso dos meus amigos de infância, a quem a sociedade havia privado de tudo, cuja única perspectiva de felicidade eram as duas noites por semana que passavam no ponto de ônibus da vila, bebendo cerveja e pastis em copos de plástico para esquecer, para esquecer a realidade. Eu sonhava em ser reconhecida na rua, sonhava em ser invisível, sonhava em desaparecer, sonhava em acordar uma manhã como uma menina, sonhava em ser rica, sonhava em recomeçar do zero. [...] Não sei se é assim para todos, mas para mim, quando o processo de transformação começou, foi mais do que um esforço consciente; tornou-se uma obsessão permanente. [...]. Trechos extraídos do livro Change ( Farrar, Straus and Giroux. 2024), do escritor e tradutor francês Édouard Louis (Eddy Bellegueule), que na obra A Woman’s Battles and Transformations (Harvill Secker, 2022), expressou que: […] Comecei este livro querendo contar a história de uma mulher, mas percebi que a sua é a história de um ser humano que lutou pelo direito de existir como mulher, em oposição à inexistência que lhe foi imposta pela sua vida e pela vida com meu pai. [...] Eu já estava tão acostumado a vê-la infeliz em casa que a alegria em seu rosto me parecia escandalosa, um engano, uma mentira que precisava ser exposta o mais rápido possível. [...]. Também no seu livro Qui a tué mon père (Seuil, 2018), ele expressou que: [...] Para a classe dominante, em geral, a política é uma questão de estética: uma forma de se verem, de verem o mundo, de construírem uma personalidade. Para nós, era uma questão de vida ou morte. [...] Entre aqueles que têm tudo, nunca vi uma família ir à praia só para comemorar uma decisão política, porque para eles a política quase nada muda. Foi algo que percebi quando fui morar em Paris, longe de você: a classe dominante pode reclamar de um governo de esquerda, pode reclamar de um governo de direita, mas nenhum governo jamais lhes causa problemas digestivos, nenhum governo jamais lhes causa sofrimento, nenhum governo jamais os inspira a ir à praia. A política nunca muda suas vidas, pelo menos não muito. O que é estranho também é que são eles que se envolvem na política, embora ela quase não tenha efeito algum em suas vidas. Para a classe dominante, em geral, a política é uma questão de estética: uma forma de se verem, de verem o mundo, de construírem uma personalidade. Para nós, era uma questão de vida ou morte. [...]. Já no seu livro Histoire de la violence (Points, 2016), ele assinala que: […] As coisas de que nos lembramos com mais clareza são sempre aquelas que nos causam vergonha. [...] Tenho tentado construir uma memória que me permita desfazer o passado, que o amplifique e o destrua, para que quanto mais eu me lembre e mais me perca nas imagens que restam, menos elas tenham a ver comigo. [...] As pessoas sempre acham que suas próprias vidas são fascinantes, e sim, elas sabem que todo mundo pensa igual, mas mesmo assim dizem a si mesmas que todos os outros estão errados e elas estão certas. [...]. Noutro de seus livros, The End of Eddy (Farrar, Straus and Giroux, 2017), ele expressa que: […] Existe uma vontade, um esforço desesperado, contínuo e constantemente renovado para colocar algumas pessoas num nível inferior ao seu, para não as colocar no degrau mais baixo da hierarquia social. [...] Talvez o que ela quisesse dizer era que, obviamente, ela não era uma dama, porque não havia como ela ser. Ser comum, como se o orgulho não fosse a primeira manifestação da vergonha. [...] Ela não entendia que sua trajetória, o que ela chamava de seus erros, se encaixava perfeitamente em um conjunto de mecanismos lógicos praticamente preestabelecidos e inegociáveis. Ela não percebia que sua família, seus pais, seus irmãos e irmãs, até mesmo seus filhos, praticamente todos na aldeia, tinham tido os mesmos problemas, e o que ela chamava de erros eram, na verdade, nada mais nada menos do que a perfeita concretização do curso normal das coisas. [...].

 

BRASIL:UMA BIOGRAFIA - [...] Evidentemente deslumbrado, o relato de Caminha inaugurava, também, outro mito recorrente. O da natureza pacífica, de uma conquista sem violência, uma comunhão que unificou a todos, num mesmo coração e religião. Estranho processo que definiria o Brasil como um país da ausência de conflito, como se os trópicos — por algum milagre ou dádiva — tivessem o poder de aliviar tensões e inibir guerras. Na Europa as lutas dividiam e sangravam nações; já no Novo Mundo, se guerras existiam, elas eram, segundo os relatos europeus, só internas. O encontro havia de ser sem igual e entre iguais, por mais que o tempo mostrasse o oposto: genocídio de um lado, conquista de outro. A essas alturas, os portugueses já iam se julgando donos e senhores dos destinos da nova terra, de seus limites e nomes. No entanto, a descoberta não alterou de imediato a rotina e os interesses dos lusitanos, que então só tinham olhos para o Oriente. Por isso, durante certo tempo, a vasta área ficou reservada para o futuro. Mas a concorrência internacional, ameaças estrangeiras e os questionamentos acerca do bilateral Tratado de Tordesilhas não permitiriam que a calmaria ali fosse eterna. Espanhóis já estavam na costa nordeste da América do Sul, e ingleses e franceses, contestando a divisão luso-espanhola do globo, logo invadiriam diferentes pontos do litoral. Francisco i da França, ao questionar o famoso acordo, deixou frase lapidar: “Gostaria de ver a cláusula do testamento de Adão que dividiu o mundo entre Portugal e Espanha e me excluiu da partilha”. [...] A ilha do “Brazil” dos irlandeses é originalmente uma ilha fantasmagórica que sofre um deslocamento e reaparece no século xv próxima aos Açores e ao mito da ilha dos Bem-Aventurados de São Brandão. A perfeição do lugar descrito por Caminha aproxima-se da utopia da ilha do “Brazil”. Essa explicação daria conta, também, do nome “Obrasil”, encontrado em vários mapas do início do xvi. A inspiração irlandesa era religiosa e de tradição paradisíaca, e perseguiria com teimosia os cartógrafos do período. Apareceria pela primeira vez em 1330 designando uma ilha misteriosa, e ainda em 1353 estaria presente numa carta inglesa. De toda forma, existia na época do “achamento” mais essa clara associação, entre indígenas — de vida longa e edênica — e outras terras misteriosas. E o mistério se manteria intocado por muito tempo, assim como a ambivalência que deixava irresolvida a disputa entre o pau vermelho (em brasa) e o lenho de Cristo. O melhor mesmo era acender uma vela para Deus e soprar outra para o Diabo. [...] Nenhuma forma de escravidão é melhor ou pior do que outra. Todos os tipos de escravidão têm algo em comum: geram sadismo, a naturalização da violência e a perversão da sociedade. [...] O tempo inflexível, o tempo que, como o moço é irmão da Morte, vai matando aspirações, tirando perempções, trazendo desalento, e só nos deixa na alma essa saudade do passado, às vezes composto de fúteis acontecimentos, mas que é bom sempre relembrar. [...] Padre António Vieira – orador e filósofo português da Companhia de Jesus, e grande defensor dos “direitos dos índios”101 – tentou, em um de seus famosos sermões, descrever os nativos que conhecera no Brasil. Após lamentar o modesto sucesso da missão evangelizadora, comparou a diferença entre europeus e índios à diferença entre mármore e um arbusto de murta. Os europeus, disse ele, eram como o mármore: difíceis de esculpir, mas, uma vez concluída a estátua, permaneciam intactos para sempre. Os ameríndios, por outro lado, eram o oposto. Eram como um arbusto de murta: à primeira vista fáceis de esculpir, apenas para depois retornarem à sua forma original. [...]. Trechos extraídos da obra Brasil: uma biografia (Companhia das Letras, 2015), da historiadora e antropóloga Lilia Schwarcz e da historiadora, professora, escritora e pesquisadora Heloisa Starling, na qual abordam temas como O Brasil fica bem perto daqui, Primeiro veio o nome, depois uma terra chamada Brasil, Tão doce como amarga: a civilização do açúcar, Toma lá dá cá: o sistema escravocrata e a naturalização da violência, É ouro!, Revoltas, conjurações, motins e sedições no paraíso dos trópicos, Homens à vista: uma corte ao mar, D. João e seu reino americano, Quem foi para Portugal perdeu o lugar: vai o pai, fica o filho, Habemus independência: instabilidade combina com Primeiro Reinado, Regências ou o som do silêncio, Segundo Reinado: enfim uma nação nos trópicos, Ela vai cair: o fim da monarquia no Brasil, A Primeira República e o povo nas ruas, Samba, malandragem e muito autoritarismo na gênese do Brasil moderno, Yes, nós temos democracia, Os anos 1950-1960: a bossa, a democracia e o país subdesenvolvido, No fio da navalha: ditadura, oposição e resistência, No caminho da democracia: a transição para o poder civil e as ambiguidades e heranças da ditadura militar e História não é conta de somar. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

A ARTE DE SEVERINO ARAÚJO DE OLIVEIRA

A arte do músico clarinetista, compositor e maestro Severino Araújo de Oliveira (1917-2012), regente da legendária Orquestra Tabajara e um dos pioneiros da fusão de elementos do jazz e do choro na música brasileira. É autor de inúmeros sucessos, entre eles Espinha de Bacalhau (1937), Gafanhoto Manco (1937), Um Chorinho Modulante (1937), Mumbaba (1943), Um Chorinho Delicioso (1947), Um Chorinho pra Você (1947), Simplesmente (1948), Mirando-te (1950), Além do Horizonte (1952), Pensando em Você (1953), Um Chorinho em Montevidéu (1955) e Nivaldo no Choro (1956), entre tantos outros. Veja mais aqui.

 

Darel Valença Lins aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Débora Ferraz aqui.

Urariano Mota aqui, aqui & aqui.

Ágnes Souza aqui.

Pernambuco do Pandeiro (Inácio Pinheiro Sobrinho - 1924-2011) aqui.

Laís de Assis aqui.

José Teles aquí & aquí.

Thalyta Monteiro aqui.

Nelson Barbalho aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Maria Cristina Cavalcanti de Albuquerque aqui.

 



domingo, maio 03, 2026

DAVI KOPENAWA, DARIJA ŽILIĆ, NISHI SINGH, CELINA DE HOLANDA & SEMANA ASCENSO

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som do álbum Transparente (Fina Flor, 2015), da cantora e compositora Fátima Guedes. Veja mais aqui, aqui & aqui.


 

Galardão do revés exótico... - Naquele instante, ela nostálgica revivia o idílio de seu deleite virginal: o primeiro beijo e ele chegava possessivo de ciúmes, não se cansava de tê-la tão bela aos seus olhos de senhor das horas. Dela, a revista das cartas íntimas trocadas, discórdias, pormenores, adivinhando o que queria a precipitar-se previdente, até das suspeitas injuriosas de ter que pagar na mesma moeda, enquanto os anos a consumia numa devastadora paixão. De repente, o amor restava excomungado, desde quando o marido invadiu o oitão da casa espaventoso, aos gritos, sucedendo o susto, porta abaixo, dele ter acabado de chegar, um endríago desembestado, olhos cinzentos, a face inexpressiva na agonia dos odores de acender e apagar, ao que cegava carrancudo no martírio de ser atingido por relâmpago certeiro e perdia a sombra, o chão sumia, esvaindo-se estouvado e morria em pé, a se dissolver com últimos suspiros, imodesto nas distorções do vulgo, expirava no último fôlego das ventas e sucumbia à glória dos valentões finados, a morte injuriosa no pó que fez-se poeira invisível para nunca mais, a sorte o tratava bem dagora em diante. Ruborizada, franzia o cenho diante daquilo tudo, assustada com a cena perturbadora. Compungida, restava uma vela ao inusitado e a futura lembrança. Nisso o papagaio despencou do poleiro espatifando o porta-retrato do casal. Só faltava essa: o bicho de estimação socorrido era a única coisa viva que restava dos momentos inesquecíveis. Seguia pelas horas longas dos ritos funerários e um deserto nauseabundo vinha de longe, deixando-a desguarnecida supérstite, com a fulminante compreensão: a morte áspera crucificava a ambos pela mesma dose, no que restava de troços e destroços todos, o que durava da alvorada ao pôr do sol, a noite pra espreme-la indefesa. Deixou-se levar por um momento pelas distrações ao poente e purificou-se aos olhos mortais durante o sepultamento. Chegava a noite de lua, as pálpebras cansadas ávidas por repouso, ainda não, a impaciência de viver: o que é ser vivo? A herança e a descoberta pelo avesso e inverso, por toda parte e a todo momento: só o tempo era mensageiro. Até que a fome corroeu a madrugada com a crise passional. Desabou, caiu no sono e sonhou com um sapo tagarela prometendo alvíssaras. Oxe! Despertava e o louro próvido trouxe logo espalhafatosamente um véu de seda branca para cobri-la e grasnava como quem contava hestórias complicadas e intermináveis. Que é que foi? Empinava, demostrando que estava afeiçoado à viúva, meiguice na ponta do bico. Logo ela assustou-se horrorizada com o coaxado dum cururu robusto ao pé da cama. Vôte! Como é que pode? E tudo começou onde menos previa e duma hora qualquer, à revelia do sensatos. Nem se dava conta do que tramavam deliberadamente a tagarela ave e o batráquio, astúcias alcoviteiras dum quase conto de fadas. É macumba! Sapo de fora não chia, mas esse é turrão. - Só me falta um vampiro pra chupar minha carótida! Eita! Quase meia dúzia de noites e dúvidas, muitos luares remavam sentimentos impúberes revividos, vogava a desordem emotivas, regia impetuosas carências e quem acudia não soube, o coração na mão pulou esperançado, esvoaçante, com admoestações, persuasões nas suas obstinadas aspirações, até perceber no anuro os olhos sinceros, a boca torta, e a mais não se atreveu: ele a lambia com as vistas. Ih! Decerto, sobrevivente que era e a abstinência dela, o inverossímil, talvez afortunada heresia e as sombras cuspiam verdades da solidão e se multiplicavam nas zis silhuetas oníricas e espantosas, como uma assombração. Deslumbrou-se mesmo assim com as mais de quinhentas vontades veementes nas dores do desejo lá dela e aos mimos, a rendição, um e outro, nenhum asco nem desdém, a companhia dupla e o beijo estalou, afeto carecido, a frouxidão das primeiras nuvens e chuvadas largas, miúdas danações e trechos vagarosos, olhos suspirados como quem andasse de costas e viesse de frente, ardente ventania, parecia até quase sempre Sol de paraíso, labaredas na fogueira do prazer, o anfíbio na sua caranguejeira e da perereca um rapazola emergira intrépido e viril, e entregou-se sem temor de qualquer risco ao exercício diário de desbragada luxúria, arrependimento ou culpa, porque a pernalta grulha ressuscitara achegada prima inseparável de afogamento cruel pretérito. O resto era com Deus, as núpcias de insólito triunvirato no encanto de incrédula magia. Até mais ver.

 


Naomi Klein: Democracia não é apenas o direito ao voto, é o direito de viver com dignidade... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Marina Vlady: Frequentemente tentamos analisar o significado das palavras, mas somos facilmente desviados. É preciso admitir que não há nada mais simples do que aceitar as coisas como certas... Nos meus sonhos, eu costumava sentir que estava sendo sugada para um buraco... Veja mais aqui.

Nnedi Okorafor: O silêncio é a melhor resposta para um tolo... Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

 

O ALFABETO DO AMOR

Imagem: Acervo ArtLAM.

Começamos do início todos os dias. De manhã \ tenho que desenhar a tua boca, marcar com migalhas \ o caminho para casa, repetir novamente letra \ por letra. \ Isso diverte-me. Estudo-te como uma analfabeta. \ (A língua dissipa-se prontamente, mostra \ a sua origem florestal). \ Quando à noite repetimos as frases \ de amor, realizamos o ato de casamento que \ não lembramos.

Poema da escritora, crítica literária e tradutora croata Darija Žilić, editora da revista literária Tema. Veja mais aqui.

 

PÉROLA DA IMORTALIDADE - [...] Não se esqueçam das Areias Sagradas... [...] Os grãos que passam pelas mãos ancestrais do Tempo! [...] O planeta depende de você, Cavaleiro dos Anos Antigos! [...] O ouro, a lâmpada, Xerxes, é provavelmente a coisa mais importante da sua vida. [...]. Trechos extraídos da obra The Pearl of Immortality (Author's Channel, 2019), da escritora sul-africana Nishi Singh (Nishi Chandermun), volume 2 da trilogia composta pelos romances The Sands of Time e The Curse of Ice.

 

SONHOS DAS ORIGENS - [...] Os espíritos xapiripë dançam para os xamãs desde os tempos mais remotos e continuam a fazê-lo até hoje. Eles têm aparência humana, mas são tão minúsculos quanto partículas de poeira brilhante. Para vê-los, é preciso inalar o pó da árvore yãkõanahi muitas e muitas vezes. Os xapiripë dançam juntos em grandes espelhos que descem do céu. Eles nunca são cinzentos como os humanos. São sempre magníficos: seus corpos são pintados com urucum e contornados com desenhos pretos, suas cabeças são cobertas com penas brancas de urubu-rei, suas pulseiras de contas são repletas de penas de papagaio, cujubim e arara vermelha, suas cinturas são envoltas em caudas de tucano. Milhares deles vêm dançar juntos, agitando folhas de palmeiras jovens, soltando gritos de alegria e cantando sem parar. Seu caminho parece um fio de aranha brilhando como o luar, e seus enfeites de penas se movem lentamente ao ritmo de seus passos. É uma alegria ver como são belos! Os espíritos são tão numerosos porque são as imagens dos animais da floresta. Tudo na floresta tem uma imagem utupë: aqueles que caminham sobre a terra, aqueles que sobem nas árvores, aqueles que têm asas, aqueles que vivem na água. São essas imagens que os xamãs invocam e trazem à Terra para se tornarem espíritos xapiripë. Essas imagens são o verdadeiro centro, o verdadeiro interior dos seres da floresta. As pessoas comuns não conseguem vê-las, apenas os xamãs. Mas não são imagens dos animais que conhecemos hoje. São as imagens dos pais desses animais, são as imagens de nossos ancestrais. No Tempo Primordial, quando a floresta ainda era jovem, nossos ancestrais eram humanos com nomes de animais e acabaram se tornando presas. São eles que matamos com flechas e comemos hoje. Mas suas imagens não desapareceram e são eles que dançam para nós como espíritos xapiripë. Os brancos extraem suas palavras porque seus pensamentos estão repletos de esquecimento. Nós guardamos as palavras de nossos ancestrais dentro de nós por muito tempo e continuamos a transmiti-las aos nossos filhos. As crianças, que nada sabem sobre os espíritos, ouvem os cânticos dos xamãs e então desejam ver os espíritos por sua vez. É assim que, mesmo sendo muito antigas, as palavras dos xapiripë sempre se renovam. São eles que ampliam nossos pensamentos. São eles que nos fazem ver e conhecer coisas distantes, as coisas dos antigos. É o nosso estudo que nos ensina a sonhar. [...]. Trecho extraído do texto The words of Davi Kopenawa Yanomami (Survival International, 2026), do escritor, ator, xamã e líder yanomami, Davi Kopenawa Yanomami, presidente da Hutukara Associação Yanomami, uma entidade indígena de ajuda mútua e etnodesenvolvimento. Veja mais aqui.

 

A POESIA DE CELINA DE HOLANDA

Neste parque imutável \ até hoje passeiam \ estes homens de escuro \ e estas frágeis mulheres \ Até hoje as flores, os cristais \ e as toalhas \ são sem mácula \ nas salas de esperar \ o amigo, o amado \ ou a chuva passar. Nada \ de apocalipse \ a terrível Besta e poços \ insondáveis. Nada \ a relembrar o abismo \ que somos.

Poema Passeio no Parque, da jornalista e poeta Celina de Holanda (Celina de Holanda Cavalcanti de Albuquerque – 1915-1999), autora dos livros O Espelho da Rosa (1970), A Mão Extrema (1976), Sobre Esta Cidade de Rios (1979), Roda D'água (1981), As Viagens (1984), Pantorra, o Engenho (1990) e Viagens Gerais (1995). Juntamente com Jaci Bezerra e Alberto da Cunha Melo, ela criou em 1979 as Edições Pirata. Veja mais aquí.

&

SEMANA ASCENSO FERREIRA

Veja mais aquí, aquí, aquí, aquí, aquí & aquí.

 


José Condé aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Carmen Pontes aquí.

Bajado aquí, aquí, aquí, aquí & aquí.

Carla Denise aqui.

Cícero Belmar aqui.

Moema Macêdo aqui.

Jayme Griz aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Susana Morais aquí.

Cesar Leal aqui, aqui, aqui & aqui.

Margarida Cardoso aqui.


 


JAMAICA KINCAID, LULJETA LLESHANAKU, PHILIPPE VAN PARIJS & SURUBIM FELICIANO DA PAIXÃO

    Imagem: Acervo ArtLAM . Ao som dos álbuns Mana (2026), Bouquet (2024) & Bouquet II (2025), da pianista e compositora francesa Chlo...