domingo, fevereiro 15, 2026

LEÏLA SLIMANI, JANICE REBIBO, NARGES MOHAMMADI & AGUINALDO SILVA

 

Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som do Piano Concerto In E Flat Major & Violin Concerto in G Minor, da compositora, pianista e violinista britânica Alma Deutscher (Alma Elizabeth Deutscher), com a Orchestra of St. Luke's, sob a regência da maestrina Jane Glover, no Carnegie Hall (2019).

 


 Amorarte de Sabicaná... – O cantador violeiro, Ze Canário, vivia de xotes e toadas, na companhia de sua inseparável cadela, Caralâmpia, sua exclusiva ouvinte e vocal de apoio – enquanto ele se esgoelava blem blem, ela uivava uhuuu -, formando um duodeceto diuturno com a Lua – sua inquestionável Selenita - e o coral dum punhado de estrelas refulgentes. Assim, como um príncipe de poa, ensaiava com fibra a sua cantata narrando hestórias de alertas aos gases tóxicos e baixos níveis de oxigênio, dos quais alguns não resistiam finando emborcados. Porém, naquela noite, a despedida: Vou ganhar o mundo! Terras por conhecer, paisagens por explorar. Saudava a todos com o forró da dupla Carvalho & Zapata: Não precisa de dinheiro \ Pra me ouvir cantar \Eu sou canário do reino \ E canto em qualquer lugar... Presentes ali os sobreviventes de sempre: o Mineiro, DuReino, o Belga, Guirá-nheengatu, Turuna, Mutuca, incluindo o Azul Rejeitado da Fábula de Ledo Ivo e o seu primo que veio do estrangeiro, Harzer Roller, trazendo notícias do parente Cinzento: escondia-se da gata que ameaçava devorá-lo, mas não teve sorte, infelizmente foi capturado e preso numa gaiola, sofrendo muito de adoecer e morreu. Valha-me! Lamentaram a alma perdida e, logo em seguida, foram embalados com sua cantoria às batidas, trinados e rolos alternados. Muitas palmas e folia folgada. Ao final da seresta confessou ser aquele da antiga lenda celta do The Torn Birds da Colleen McCullough: cantaria pela última vez, a única na vida. E taciturno: Vou procurar um espinheiro alvar onde houver, para me empalar no acúlio mais comprido e agudo, no qual vou lançar meu lamento superlativo entre os galhos selvagens e um espinho cravado no peito sublimando a agonia para descansar em paz. Assim, pagarei meu preço, o mundo inteiro me ouvirá a pulso e Deus sorrirá no céu, quitando minha existência. Efusiva salva de palmas aos abraços solidários e tão abatumados com o frio da madrugada. Antes do nascer do Sol, ele partiu saudando o dia como um passarinho do açúcar. O último aceno no terminal rodoviário e, decidido a seguir em frente, ele a viu: olhos dela nele e vice-versa, fixados. Cruzaram mútuos, fisgados às passadas, viraram-se convergentes, ambos voltaram, um ao outro, defrontaram-se espantados, um sorriso recíproco. A iniciativa dela: Conheço você de algum lugar... E ele: Você também me é familiar. De onde? Nenhuma exatidão, especulavam e nisso ficaram: Será que... Não era. Por acaso... Nem, também. Checavam, nenhuma constatação plausível, nada batia. Nela o útero se revolvia; nele, um frio na barriga subindo pela coluna vertebral assanhando ideias. Aí, um verso de cá, uma rima de lá, ele dali e ela dacolá às estrofes e quadras. Ela puxava o mote, ele glosava, perguntas e respostas, vírgulas e pontos. E nisso iam tentando conversar. Mas eis que chegara a hora dele ir e dela ficar. Ele: Tenho de ir; e ela: Preciso prosseguir. Ele antecipava a saudade: Sua presença me trouxe bons presságios, quero escutá-la mais vezes pra valer a primavera. Ela: Será que ainda nos veremos? Quem sabe! É, quem sabe... Lamentaram a sorte, cada qual seguiu seu caminho, a sua sina: ela reconstruindo o passado, ele errando mundo afora. E se foram. Ele cantarolando: Sabiá canta na mata, descansa no pau agreste, um amor longe do outro, não dorme sono que preste! E invocou Catulo da Paixão Cearense: Sabiá lá no alto, da ingazeira serena, chorava como se fosse, uma viola de pena... E dizia pra si que precisava aprender a comer pimenta que nem sabiá. Ele se foi com suas perspectivas pelos 4 cantos do mundo; ela revolvendo memórias, desenterrando raízes, outros rizomas. Cada qual muitas noites e dias solitários, pensamento um no outro, inarredável, arrastavam-se esticando lonjuras. Batia a saudade nele e era Tom&Chico: Eu hei de ouvir cantar uma sabiá... Mas quem era ela? Menina achegada às pimenteiras, agarrada aos enviuvados passos da mãe carpideira, adolesceu no coral da igreja, enturmou-se no canto orfeônico, cantora lírica no conservatório, Diva estrelando espetaculares palcos de plateias estrangeiras. Nossa! Prali retornara para rever vivências antigas esgarçadas no tempo, os que se foram e o que restaria de seus laços íntimos, revolvendo ossos nas catacumbas das lembranças de seus entes queridos, desenterrando monturos no afã dum piso firme para sustentar seu lastro combalido. Nos baques da vida, fora iludida por um enrolão abastado, escapando de um aborto. Assim, um ano se passou e, num piscar de olhos, uma ou quase duas décadas, já era 5 de outubro de novo, aniversário dela, surpreendida pela reunião presencial de parentes longínquas de sabe-se lá quanto mais tempo: a Ponga, a Cavalo, Coca, Barriga-vermelha, Guaçu, Laranjeira, Una, Piranga, Gongá, Sabiacica, Sabiapiri, Sabiapoca, Sabiaúna, a do Peito-Roxo e a Da-Praia, todas as Túrdidas, até a prima Tordo-zorzal que veio da Patagônia. Ali juntaram transbordantes lágrimas emotivas e restos mortais, revivendo tempos de plantio e colheita, num culto à fertilidade, em louvor da Deusa-Mãe. Ao amanhecer, o momento zorzal: invocaram as ancestrais deusas Zoryas, as servas de Dazbog. A Utrennyaya logo abriu os portões celestiais da alvorada, era a estrela da manhã protegendo o mundo do escatológico cão Simargl. E delataram confidências ao meio dia e revelaram escondidos segredos ao entardecer. Ao crepúsculo, Vechernyaya, a estrela da noite, fechou os portões com o sexteto de Julian Cochran, enclausurando-as em sua festa noturna. Logo soaram as doze badaladas noturnas e trouxeram Polunochnaya, a Estrela da Meia Noite de Neil Gaiman, anunciando o regresso do amado. Ele ali retornara com os versos da Canção do Exílio, de Gonçalves Dias: Minha terra tem palmeiras, onde canta a sabiá... Ela sorriu felizarda, estava coroado seu presente de aniversário. E se atraíram exultantes e foram embalados pelo júbilo de uma sonata triunfal, um ensaio à dança nupcial. Suas mãos pegaram-se, seus corpos ascenderam estreitados e, agarrados cúmplices, levitaram aos ventos, flutuaram às alturas de nuvens oníricas e se deitaram entre árvores de folhagens densas na Lua minguante, como se reunissem arbustos, gravetos, flores, capim e cachos de banana para o ninho. Assim amaram e renasceram desejando o mesmo de Philemon e Baucis, nas Metamorfoses de Ovídio: seriam assim um carvalho e uma pessegueira entrelaçados de pé no terreno pantanoso da convivência a dois, voluntariamente consentidos pelos devires. Até mais ver.

 

Rebecca Goldstein: O que é o amor? Quando você ama alguém, quero dizer, todos nós queremos que coisas boas aconteçam conosco e que as ruins fiquem longe. Quando você ama alguém, você quer isso tanto para essa pessoa, ou até mais, do que para si mesmo... Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

Helen Fielding: Está comprovado por pesquisas que a felicidade não vem do amor, da riqueza ou do poder, mas sim da busca por objetivos alcançáveis...Veja mais aqui, aqui & aqui.

Toni Morrison: Em algum momento da vida, a beleza do mundo se torna suficiente. Você não precisa fotografá-la, pintá-la ou mesmo se lembrar dela. Ela basta... Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

 

PREPARANDO-ME PARA O ROSH HASHANÁ

Imagem: Acervo ArtLAM.

O que estou perdendo\ Uma porta de banheiro, \ um vidro \ na porta do box, \ um varão de cortina de chuveiro, \ a janela entre minha cozinha e a área de serviço, \ uma lâmpada fluorescente, \ painéis solares , \ um terço \ do trilho da porta de correr da varanda da frente, \ um apêndice e duas amígdalas – uma velha história \ (exame do útero) \ (e dois seios), \ um carinho , \ as crianças, \ dinheiro, \ um cartão de crédito… \ o enfeite da grade, \ minha antena, \ minha tampa de gasolina.

Poema da escritora israelense Janice Rebibo (1950-2015). Veja mais aqui.

 

SEXO & MENTIRAS - [...] Tornar-se mulher é uma jornada repleta de humilhações. Diante da polícia, do sistema judiciário e da esfera pública, ser mulher é uma desvantagem. [...] Um fardo pesado, de fato, para metade da população carregar. Idealizada e mitificada, a virgindade é claramente uma ferramenta de coerção concebida para manter as mulheres em casa e submetê-las à vigilância constante. É um objeto de preocupação coletiva, e não uma questão privada. Também se tornou uma dádiva econômica para aqueles que realizam dezenas de reconstruções de hímen todos os dias e para certos laboratórios que comercializam hímenes artificiais, supostamente projetados para sangrar durante a relação sexual. A miséria sexual, como veremos, é uma forma de capitalismo como qualquer outra. [...] Não se trata apenas de os direitos sexuais fazerem parte dos direitos humanos: sabemos que foi explorando a falta deles que os homens chegaram a dominar tantas civilizações. [...] Uma mulher cujo corpo é submetido a tal controle social não pode desempenhar plenamente seu papel como cidadã. [...]. Trechos extraídos da obra Sexe et mensonges: La vie sexuelle au Maroc (Les Arenes, 2021), da escritora e diplomata marroquina Leïla Slimani, que no seu livro Le parfum des fleurs la nuit (Stock, 2021), ela expressa que: […] Na minha opinião, nem o discurso que glorifica a riqueza da herança mista, nem aquele que se preocupa com ela, capta a complexidade de uma identidade dupla. Ela é, simultaneamente, um desconforto e uma liberdade, uma tristeza e uma fonte de exaltação. [...] As pessoas me perguntam de onde sou, e às vezes respondo que, não sendo nem um pedaço de carne nem uma garrafa de vinho, não tenho uma origem, mas uma nacionalidade, uma história, uma infância. Nunca exatamente daqui, nem exatamente de lá, por muito tempo me senti como se tivesse sido despojado de toda a minha identidade. Como um traidor, também, porque nunca consegui me integrar completamente ao mundo em que vivia. Eram sempre os outros que decidiam por mim quem eu era. [...] A dominação colonial —que acabou sendo entendida— não moldou apenas as mentes, mas também os coerpos, os constriñes e os encierra. O dominado não ousa mover-se, rebelar-se, ultrapassar os limites… ou os do seu bairro. Para expressar. [...]. Ela também é autora das obras La Baie de Dakhla: Itinérance Enchantée Entre Mer et Désert (Malika, 2013), Dans le jardin de l'ogre (Gallimard, 2014), Chanson Douce (Gallimard, 2016), Le diable est dans les détails (Éditions de l'Aube, 2016), Paroles d'honneur (Les Arènes, 2017) e Simone Veil, mon héroïne (Éditions de l'Aube, 2017). Veja mais aqui & aqui.

 

ATIVISMO CIVIL - Continuarei meus esforços até que alcancemos a paz, a tolerância à pluralidade de opiniões e os direitos humanos... Como ativista civil, sou uma das milhares de vítimas dessas torturas horríveis. Cheguei a esta conclusão: o objetivo do confinamento solitário é a lavagem cerebral, para que os prisioneiros, privados de condições normais de vida, percam suas características humanas únicas, seu raciocínio e suas ideias, e sua saúde física e psicológica. Tenho fé no caminho que escolhi, nas ações que tomei, assim como nas minhas crenças. Estou determinado a tornar os direitos humanos uma realidade e não me arrependo de nada. Se aqueles que dizem estar propagando a justiça são firmes em seu julgamento contra mim, eu também sou firme na minha fé e nas minhas crenças. Não vacilarei diante de punições tirânicas que limitam minha liberdade às quatro paredes de uma cela. Suportarei este encarceramento, mas jamais o aceitarei como legítimo, humano ou moral, e sempre me manifestarei contra esta injustiça. Não perdi a esperança, nem a motivação. Não podemos desistir. Ainda tenho esperança e acredito profundamente que os esforços incansáveis ​​dos nossos ativistas da sociedade civil acabarão por dar frutos... Pensamento da ativista iraniana Narges Mohammadi, Prêmio Nobel da Paz de 2023 e vice-presidente do Centro de Defensores dos Direitos Humanos (DHRC). Em 2016 ela foi condenada a 16 anos de prisão em Teerã, por sua campanha pela abolição da pena de morte, contra a opressão das mulheres no Irã e pela sua luta na promoção dos direitos humanos e a liberdade para todos. Foi libertada e novamente presa em meados de dezembro de 2025, durante uma cerimônia fúnebre em Mashhad, quando iniciou uma greve de fome em protesto contra a detenção, denunciando ter permanecido em isolamento absoluto e sem qualquer contato externo. Agora, em 2026, um tribunal do Irã condenou a mais sete anos e meio de prisão, ampliando a série de sentenças impostas à ativista desde 2021. A nova condenação ocorre em um contexto de repressão intensificada após protestos registrados no país entre dezembro e janeiro, desencadeados inicialmente pela desvalorização da moeda iraniana e que evoluíram para manifestações contra o regime. Veja mais aqui.

 

A ARTE DE AGUINALDO SILVA

[...] Meus pais eram pobres. Meu pai trabalhava num posto de gasolina da cidade, onde vendia peças para carros. Era um homem de pouca cultura e educação, mas tinha uma preocupação muito grande com a minha educação [...] Quando nos mudamos para o Recife, no bairro Aflitos, ao lado de minha casa morava um senhor. A filha dele, uma moça chamada Gleice – eles tinham uma biblioteca enorme que era possível ver do meu quintal –, um dia me notou e perguntou se eu gostava de ler. Quando respondi que sim, ela disse que me emprestaria os livros do pai dela. Foi aí que li tudo que se possa imaginar, inclusive coisas que não eram para a minha idade. Daí comecei a escrever [...] Fui preso no dia 5 de novembro de 1969 e solto no dia 10 de fevereiro de 1970. Daí, voltei para O Globo e fui aceito como se nada tivesse acontecido. Fizeram até uma feijoada numa sexta-feira esperando que eu contasse alguma coisa, mas não contei merda nenhuma. Fiquei traumatizado durante muito tempo [...] Mas não tenho a ilusão de que influencio de alguma maneira o universo, de que estou ajudando a mudar o mundo. Não, não é nada disso. Faço o meu trabalho, sou um profissional e dou tudo de mim. Sempre! [...].

Trechos da entrevista Do brincar de escrever na infância ao sucesso na TV: 80 anos de Aguinaldo Silva (Itaú Cultural, 2023), concedida pelo dramaturgo, escritor, roteirista, jornalista, cineasta e telenovelista Aguinaldo Silva (Aguinaldo Ferreira da Silva), autor de obras como Redenção para Job (1960), Cristo partido ao meio (1965), Canção de sangue (1968), Geografia do ventre (1972), Primeira carta aos andróginos (1975), O crime antes da festa: a história de Ângela Diniz e seus amigos (1977), República dos assassinos (1979), A história de Lili Carabina (1983), Inimigo público (1984), 98 tiros de audiência (2006), Turno da noite: memórias de um ex repórter de polícia (2016) e Vendem-se corações despedaçados (2021), entre outros. Veja mais aqui & aqui.

 

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domingo, fevereiro 08, 2026

FRANCES HARDINGE, KATHERINE FREESE, ANNEMARIE JACIR, SAMICO & SETIGONISTAS

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som dos álbuns reEncanto - Live at Union Chapel (2024), Manga (2019), Lovely Difficult (2013), Studio 105 (2010), Stória, stória... (2009) e Navega (2006), da cantora e compositora cubana Mayra Andrade.

 

A folia de 1 dia por 5 até o ano inteiro!... – Ao soarem as 18 badaladas daquela sexta de pré alvoraçada, o céu escureceu de repente, as luzes acenderam os bombos e ao primeiro toque das baquetas, todas as almas foram sacudidas e os defuntos despertaram abrindo suas covas para atormentarem todos os vivos, atendendo ao chamado da deusa Melinoe com sua legião de fantasmas para atormentar todos os viventes da hora. Logo se viram envolvidos pelo ritmo do frevo e se deixaram levar pelo balanço das pedras do calçamento, bambeando todo o asfalto para a correria arrepiada, que logo tomou vulto aos pulos e saltos naquela noite. A cidade então entrou em polvorosa trazendo o céu de Madalena, como se pretendesse barrar tudo e suplantando juntas todas as festividades do Rio, de Salvador e Recife. Tudo seguia embalado pelas batucadas das bochechas sopradoras dos Assassinos do Frevo, logo aparecendo atrás da orquestra insidiosa a primeira agremiação carnavalesca, Buzuntões de Catuama, com o bordão: Vou com tudo! O seu desfile trouxe uma cópia monumental do Galo da Madrugada, que encantou de tão real e arrastou todo mundo com o Frevo de Rua: Se deu nó cego, bora desatar! Foi tão desproporcional que logo caíram no passo do bloco da Escola d’Os Descontentes do Fecamepa com o enredo: Antes que os USA fodam tudo! Engrossando o caldo com a ala: Todo mundo nu por Abya Yala!, seguida do Reino da Caquistocracia! Em seguida atravessou o coreto a trupe Néstogas que chegava com o tema: Entre os devires e distopias, uma alegoria dos Lábios da Sibila e a salvação da Pítia, com a ala das baianas destacando as 4 bailarinas de Opuntia & Peyotl, que os deixou ainda mais doidões, levados pelos da Musa do Grand Guignol: a mulher muitas vezes morta, pra grande estardalhaço e comoção popular! Aí veio a ala da Mulher do pôr do Sol com as Claras e Marias do Tejucupapo, puxada pelo Jesuisis do Jegue de Paul, as evoluções de Aijuna e o Amor Imortal, o Rei Momo arrodeado de arlequins com o pinto de fora, o Pierrot Vampiro atrás da Colombina sedutora para mordê-la nua cheia de confetes e serpentinas. Logo vieram cordões de caboclinhos, maracatus, folia de Olinda & o escambau! No cortejo apareceu um trio elétrico fenomenal com a cantora Kantocu dos Tasvirs puxando gente até de um olho só, para logo embocar na avenida um outro com os solos rasgados da Bia Villa-Chan, endoidando a rapaziada e mexendo com o esqueleto de tudo que houvesse. Ninguém dormia, ninguém se escorava, porque a Corja das Bombas levantou a poeira com o carnaval 2 caras, muito óleo de peroba no Bumba da Patetada, o Papa-Figo & a viúva Alma Penada, a La Ursa quer dinheiro quem não dá é pirangueiro, logo atrás a troça do Fabo, com os kamikazes Cabeças de Fósforos e um Coisonário todo presidiário e fazendo arminha: tatatatá! E gritavam: Segura a gaia, camboio de corno! E seguiam súcias, récuas, catervas, maltas e bandos. Ao dobrarem a esquina logo se anunciou a cambada do Bicho do Vau que veio fantasiada de despenteados tortos Jânios, com faixa presidencial falseada amarrando seus amarrotados conjuntos pijânios, colarinho aberto sem gravata, um sanduiche de mortadela no bolso, caspas de talco nos ombros e o refrão do Varre, varre, vassourinha, Che Guevara! & a ala: Em 2026 vamos varrer os golpistas inimigos do Brasil do Congresso Nacional! Nem deu tempo fungar ou cochilar direito, logo o bloco da Muriçoca desfilava com todo mundo nu, usando apenas um tapa-sexo e bunda inflável: Vou picar todo mundo! O negócio foi tão barulhento e tantas Alvoradas se passaram que ninguém sabia mais se já era Sábado de Zé-Pereira, Domingo-de-Aleluia, Segunda da Ressaca ou Terça-Feira Gorda. Só se via a multidão solta que nem se dava conta das bizarrices mais insólitas, como a incursão duma desorientada tripulação de um porta-avião do Turcomenistão, enganchados ao passeio de dois turistas do Kiribati, que se extraviaram da rota e deambulavam à toa, no encalço de um paciente terminal que escapuliu proibido de morrer de Longyearbyen e empurrava numa mão o suporte do soro e, na outra, o cilindro de oxigênio móvel, até quem já morreu há séculos ali ressuscitou misturando-se ao mar de foliões exaltados, acompanhados de um astronauta desgarrado à cata do foguete de resgate, um escafandrista que não sabia onde ficava o rio mais próximo, um paraquedista à procura da Base Aérea, um desenvultado dipsomaníaco agarrado aos goles da Teibei, e, no rabinho quilométrico da turba um trio de marcianos saídos dum ménage, um casal de rinocerontes empurrando às pontadas toda bagaça, sob as ordens atiçadoras do urso Wojtek com sua farda do exército polonês: Bora! Bora! Quando enfim, a troça da Tanajura Raimunda levou todo mundo pro Baile de Carnaval já tarde da noite. Foi aí que o Padre Bidão deu as caras anunciando a Santa Folia e foi saudado como sempre: Salve o homem da bimba santa! Viva!!! Atrás dele um Séquito de Vestais convocando os não foliões prum retiro, enquanto se saiam soltas na frevada. No meio delas Biritoaldo fantasiado de shiTrump, segurando uma bandeira com a inscrição USA-ME que sou teu!, a ponto de nem ouvir os apupos e questionamentos: Será o Coisonário agalegado? Os biriteiros seguiam-no: Justiça é uma só! Pra quê Tribunal Militar, só pra perpetuar as benesses das herdeiras dos generais! Também Mamão injuriado por perder a hora apaixonado pela morta, arretou-se e bancou a fantasia do Marja duodecimano xiita Ali Khamenei, ostentando o balsão tricolor islâmico: Sou pelo Irã! Que é que é isso, véi! Tô mordido do porco, sai pra lá! Nem ele sabia o que era. E veio a turma do Agente Secreto com a camisa da Pitombeiras, ostentando o lábaro: Ainda estou aqui! E os do Viva Galateia, a Vênus do Quintal!, o da Rainha de Caudales com o Anel de Giges, outros fantasiados de médico: Saúde é negócio, salvo vidas, me dá uns dólares aí! Um ou outro: Sai da frente que sou juiz! Para encurtar a hestória: o furdunço só parou de madrugada quase amanhecendo, quando o Bacalhau do Batata retomou as atividades da quarta-feira de cinzas e se estendeu alucinadamente até o amanhecer da quinta de branco, ao que todo mundo resolveu: Pernas pro ar que ninguém é de ferro. E assim o frevo comeu no centro de Alagoinhanduba e pipocou pelo ano inteiro! E bastou a certa altura do campeonato ouvirem as 18 badaladas daquele outro dia qualquer e que nem se sabia mais qual era, todos caíram no sono, de só despertarem no reino do Sol amanhecido dum dia perdido e com uma única certeza: Se houver fim será sempre recomeço!...

 

Katharine Ross: A idade é tão imaterial. Não é tudo só o piscar de olhos?... O inferno com o processo de envelhecimento. Isso acontece com todos - você apenas mantém sua mente ativa, você se mantém fisicamente ativo... O tempo é uma criação humana - nenhuma mulher jamais teria inventado o tempo... Veja mais aqui & aqui.

Åsne Seierstad: Não crescemos isolados. Crescemos em sociedade... sei que as guerras raramente resolvem os problemas... Não dizer nada significa dar o seu consentimento... Veja mais aqui & aqui.

Judy Blume: Nossas impressões digitais não desaparecem das vidas que tocamos... Meu único conselho é: fique atento, ouça com atenção e peça ajuda se precisar.... Acredite em si mesmo e você poderá alcançar a grandeza em sua vida... Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

 

SORVETE DE PISTACHE

Imagem: Acervo ArtLAM.

Disseram-me que os \ árabes deram nomes às estrelas \ Algol, Sirius, Aldebaran… \ Os olhos em forma de azeitona da minha mãe \ os pés calçados em sandálias \ me conduziram a séculos \ de vastos impérios \ tesouros esquecidos \ Agora, só restam ruínas. \ Este foi o verão em que me banhei em azeite \ e me sentei nas calçadas de Jerusalém \ comendo sorvete de pistache \ com o velho \ cujo rosto antigo \ tentava me explicar \ que lutávamos com o coração \ e não com a cabeça \ — portanto, nunca venceríamos. \ Estou morta para a minha tribo \ nunca aprenderei \ todos os seus segredos salgados \ Então, esta noite, \ quero dormir com Vega, Deneb, Altair… \ porque eles desaparecerão \ com o sol da manhã,  e só restarão ruínas.

Poema da cineasta, fotógrafa e poeta palestina Annemarie Jacir.

 

UMA PELE CHEIA DE SOMBRAS - [...] Se alguém deixa de lado o orgulho e implora de todo o coração, e se o faz em vão, então nunca mais será a mesma pessoa. Algo dentro dela morre, e algo mais nasce. [...] Os humanos são animais estranhos e adaptáveis, e eventualmente se acostumam a tudo, até mesmo ao impossível ou insuportável. ... O terror é cansativo e difícil de sustentar indefinidamente, então, mais cedo ou mais tarde, precisa ser substituído por algo mais prático. [...] Mas, por outro lado, os mortos costumam ser mais fáceis de elogiar do que os vivos. [...]. Trechos extraídos da obra A Skinful of Shadows (Macmillan Children's Books, 2017), da escritora britânica Frances Hardinge, autora de obras tais como: Fly by Night (2005), The Lie Tree (2015), Well Witched (2007), A Face Like Glass (2012) e The Lost Conspiracy (2009).

 

MATÉRIA ESCURA - […] a matéria escura compõe a maior parte da massa do universo. Nossos corpos, o ar que respiramos, a cadeira em que estou sentado, as estrelas, os planetas, tudo… é feito de átomos, que são feitos de quarks. Mas tudo isso representa apenas 5% do conteúdo do universo. Os outros 95% são o lado escuro. São 25% de matéria escura e 70% de energia escura. Acreditamos que a matéria escura seja composta de partículas fundamentais cuja identidade ainda não descobrimos. E essas partículas fundamentais estão por toda parte, bilhões delas atravessando nossos corpos a cada segundo. É importante entender do que são feitos os 95% restantes do universo. [...] em princípio, poderíamos usar estrelas escuras para identificar a natureza da matéria escura, que tem sido um mistério por 90 anos. [...]. Trechos da entrevista QnAs with Katherine Freese (Proceedings of the National Academy of Sciences - PNAS, 2024), concedida pela física estadunidense Katherine Freese, que em seu artigo On Dark Matter Developments (Sean Carroll, 2014), acrescenta que: [...] A maior parte da massa das galáxias, incluindo a nossa Via Láctea, não é composta de material atômico comum, mas sim de matéria escura ainda não identificada. O objetivo dos caçadores de matéria escura é resolver esse enigma. [...]. Veja mais aqui.

 

A ARTE DE GILVAN SAMICO

[...] É um pouco o que acontece com alguns artistas que, abordando mais de uma técnica, são mais reconhecidos em uma, em detrimento das outras. Eu gostaria de ter o prestígio que tenho, não só como gravador, mas também como pintor. Se não tenho como mostrar minha pintura, boto cor na minha gravura. [...] Não foi um trajeto racional. Até hoje, tenho um processo de criação que escapa ao raciocínio [...] Não tinha intenção de fazer arte religiosa, mas os temas litúrgicos me atraíam. Santo é de todo mundo, e eu gravei as interpretações caboclas de todos eles [...] Pois é, eu inventei uma lenda que eu estava andando na rua, distraído, e bati a cabeça no poste, daí desandei a falar [...].

Trechos da entrevista O Ser e o Tempo de Gilvan Samico (Big Mouth Strikes Again!, 2009), do editor, professor e escritor Artur Dantas, concedida pelo gravurista, desenhista, pintor, professor e xilogravurista Gilvan Samico (Gilvan José Meira Lins Samico  - 1928-2013), destacando-se os livros Samico (Bem-Te-Vi, 2012), Samico: 40 anos de gravura (CCBB, 1997) e Samico - Do desenho à gravura (Pinacoteca, 2004). Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

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AS SETIGONISTAS AO QUADRADO: UMA DANÇA POÉTICA

Registramos o lançamento do livro As Setigonistas ao quadrado uma dança poética (2026), das poetas jaque monteiro e noi soul. Trata-se de um livro de setígonos, um novo gênero poético brasileiro criado em Pernambuco, por Admmauro Gommes, Cícero Felipe e José Durán y Durán. Veja detalhes do livro aqui & mais a respeito aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

Hermilo Borba Filho aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Bete Gouveia aqui.

Kleber Mendonça Filho aqui, aqui, aqui & aqui.

Ezter Liu aqui & aqui.

Zé Dantas aqui, aqui & aqui.

Rachel Daisy Ellis aqui.

Evaldo Cabral de Mélo aqui & aqui.

Camila Sales Luna aqui.

Newton Moreno aqui & aqui.

Inalda Xavier aquí.

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O frevo em pesquisa: folia & carnaval aqui.



domingo, fevereiro 01, 2026

NOEMI JAFFE, MALORIE BLACKMAN, AURITHA TABAJARA, DELANO & RUBENS MATTOS CUNHA LIMA

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som de As emboladas do norte (1929) e Graúna (1923), do compositor, violonista e violeiro João Pernambuco (João Teixeira Guimarães – 1883-1947), na performance da premiada violonista clássica australiana Stephanie Jones. Veja mais aqui.

 


A cizânia amolestada de Siberiano & Afesireia... - O destemido conquistador Siberiano seguia majestoso pelas tundras e densas florestas: era solstício de inverno e as suas pisadas cruéis e céleres firmavam a demolição de quaisquer obstáculos que se impusessem ou impedissem a direção das ventas. Nascido dos olhos abissais de Marduk, jamais conhecera o gosto do malogro. Invicto, de casta guerreira e longevidade, se alimentava da escuridão e, sobretudo, da Lua Nova. Mais que astuto despedaçava suas vítimas como um Smilodon, mantendo o mesmo ar do seu primo de Bengala. Agressivo shijin Byakko, impôs sua força bruta de Mohan diante do invencível dragão, aniquilando-o por nocaute. Por conta disso foi condecorado pelo espírito dos 5 Tigres do Oráculo da Terra, tornando-se Baihu, o principal guardião dos pontos cardeais e do centro, um geomante no uso das 16 figuras simbólicas para obter respostas a todas as perguntas que o inquietasse, soberano por vencer todas as batalhas. Assim encorajou-se à empreitada de enfrentar a tigresa de Champawat, depois dela ter causado terror na região de Kumaon e na fronteira do Nepal. Vitorioso conduziu a neófita pelos bambus da selva dos pecados, para matá-la e ressuscitá-la numa noite sem Lua. Ao vencê-la desdenhou e seguiu por fechadas brenhas, árvores entre outras, céu de brigadeiro da Lapônia, a ponto de se deparar na sua caminhada com um vulto insolente que batia a cauda na água para fisgar os peixes com suas afiadas garras. Quem era? Ora, triunfante ele olvidou do ditado: quem com ela se depara não corre, nem dá as costas, nenhum movimento brusco: usa da espingarda; se o tiro falhar, recorra ao revólver; escapuliu da mão, ataque de faca; se quebrar, aí fuja; se for perseguido, se atrepe numa árvore; se ela subir, reze: todo mundo é amigo-da-onça. Num átimo ela virou-se e fitou firme, quieta, soberana. Seus olhos revelaram: era a crepuscular caguaçuarana, a solitária Afesireia, filha da Borges, sobrinha da Cabocla, neta da Mão-Torta e prima da Maneta e da Pé de Boi. Era afilhada da Iaiá Cabocla de Xakriabá – investida deusa Kianumaka Manã, quem concedeu pra ela a dádiva do poder ressurreto de Arakuni: a mutação. Ela nadava, rastejava e escalava alturas, transformava-se agigantada e devorando um jacaré inteiro, hirto, hipnotizado; e diante do eclipse, estraçalhava a Jaci e Guaraci ao mesmo tempo, festejando com seus parentes jaguar, pantera, puma, acanguçu, jaguaripina, leopardo, yguaretê, suçuarana, jaguará e jaguaretê. Num relance ela fixou o olhar nele e ele o evitou ciente do sortilégio. Um raio rasgou o céu ameaçador: hora de vida ou morte, sabiam: um deles não sairia vivo do confronto. Não havia como desertar, nem espaço para sedição. Seus olhos faiscaram mútuos relâmpagos letais, outros estrondos açoitavam. Ele trovejou astucioso com estridente assombro, seus sinistros rugidos e o bafejo dava prazo sem aviso. Ambidestro se insinuava, cada movimento milimetricamente calculado, um passo em frente e recuava estratégico, o ronco praguejava, o bafo às ventas dela. Moviam-se táticos, encaravam-se e circulavam, ameaçavam insinuantes, blefavam, cada qual expunha o arsenal de truques em cada jogada. Ele flanqueava, apertava o cerco com todos os recursos disponíveis, a finta dela, bastava ali um salto e pronto, a urgência da hora e qualquer vacilo, o golpe fatal da maldição furiosa, o bote teria de ser certeiro. A vigilância de ambos e a sorte estava lançada. O ousado dissimulava e tanto fascinava pavoroso, o inevitável perigo não a intimidara. Ele evitava cada vez mais os olhos dela, de esguelha, sabia da armadilha e acuava diante do sedento ataque dela. Preparava as emboscadas escondendo sua pelagem de manchas e rosetas pela boca do matagal espesso. Tentou acossá-la e, ao desaforo dele, ela respondeu invocando Charría e um olho dela estrelou vermelha de Antares; o outro refulgiu de Aldebaran, transformou-se na eclipsada Caetana e partiu pro confronto direto. Cravou o olhar e ele foi surpreendido com o avanço decisivo dela, a ofensiva indefensável e travaram luta. Uma revoada de pássaros, a poeira subiu, o chão revolvido pelo botes aos nhaques, as patadas revirando o atrito estremecedor no ambiente e se prepararam para as investidas abrindo as portas dos 9 círculos do inferno dantesco, atravessando o limbo, percorrendo a luxúria, cortando a gula, correndo a ganância, cruzando a ira, rasgando a heresia, singrando a violência, perpassando a fraude e passando a traição no gelo do lago Cócito, para sobrepujarem Aqueronte, Eridano, Flegetonte e o Lete. Venciam Naraka e ela então cravou suas garras e o levou malbaratado pelas trevas de Vilon, percorrendo o abismo de Raki’a, ascendendo às altas nuvens de Shehagim e o fogo do éter empíreo, romperam o umbral de Zebul, a transição de Ma’on, as esferas de Machon e foram celebrados por ofanins e serafins no penhasco da cachoeira do Sertão Zen, no Alto Paraíso da Chapada dos Veadeiros. Depois desse momento episódico se defrontaram diante do Mirante da Janela. O déspota pérfido ousou rondar obliquamente matreiro: era ele Dioniso quase vencido e apaixonado pela ninfa asiática. Ela fascinante o hipnotizou, arrebatada o encurralou numa furna, ele cautelosamente escondeu-se esfregando seu dorso num tronco robusto, rolou no chão e pronto para mordê-la, ali hesitou e foi tomado pela fúria amorosa dela. Ela era agora Nice, o epônimo da vitória e logo fez-se manhã vistosa nos saltos do Rio Preto: a Lua renasceu e a luz retornou. O Sol aqueceu a toada na dança às margens do Opará, ao som duma moda de viola. Ali, naquele ato, não só havia um tigre, nem apenas uma onça, mas muitos deles que se encontravam intermitentemente por milênios sucessivos na eternidade. Até mais ver.

 

Alice Walker: Observe atentamente o presente que você está construindo: ele deve se parecer com o futuro que você está sonhando... Sempre que você cria beleza ao seu redor, você está restaurando a sua própria alma... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Naomi Grossman: Eu estou constantemente destaco os benefícios da yoga (obrigado por me entregar a isso mais cedo) – que se eu pudesse começar um movimento apresentando as pessoas a isso, acho que eliminaríamos a maior parte do conflito do mundo! Se apenas as pessoas passassem mais tempo desafiando seu equilíbrio, força e flexibilidade, e menos tempo desafiando umas às outras, que mundo melhor seria!... Veja mais aqui.

Tawakel Karman: Você precisa ser forte; precisa confiar em si mesmo para derrubar o regime ditatorial que houver e construir um novo país. Você precisa participar da construção do seu país. Sabemos que tudo o que você sonha pode se tornar realidade. Você precisa saber que tem a capacidade de realizar seu sonho. Veja mais aqui, aqui & aqui.

 

POR AMOR À VIDA

Imagem: Acervo ArtLAM.

Sei que muita gente sofre \ És uma realidade \ Um sintoma perigoso \ Desde a tal ansiedade \ Causando em si uma dor \ A vida perde o valor \ Dentro da sociedade \ Vivemos tempos difíceis \ Mas não podemos falhar \ Quem é mãe de adolescente \ Sabe o que eu quero falar \ Pois o nosso coração \ Se desdobra em aflição \ Ao no seu filho pensar \ Nós que somos mães e pais \ E também sociedade \ Vamos dar mais atenção \ Nossos filhos prioridade \ Sofrer sem deixar de amar \ Só o amor pode evitar \ O fim da humanidade \ Dialogar com paciência \ Humildade, admiração \ Estimula e valoriza \ Exercício de inspiração \ Por favor abra seu olho \ Seu filho és um tesouro \ Não deixe em outras mãos.

Poema da escritora e contadora de histórias Auritha Tabajara, autora da obra Magistério Indígena em Verso e Poesia (2004), cantando seus versos: Sou mulher que ainda chora \ Por tão grande escuridão \ Minha essência está aqui \ Dentro do meu coração \ De um Brasil ensanguentado \ Onde ninguém é culpado \ Mulher da mesma nação! Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

JOGO DA VELHA - [...] Só lembre-se, Callum, quando estiver flutuando cada vez mais alto na sua bolha, que bolhas têm o hábito de estourar. Quanto mais alto você sobe, maior é a queda. [...] É assim mesmo. Algumas coisas nunca mudam. Simplesmente é assim. Mas não acredite neles. [...] Eu costumava me consolar com a crença de que eram apenas certos indivíduos e suas ideias peculiares que estragavam as coisas para o resto de nós. Mas quantos indivíduos são necessários para que não sejam os indivíduos que sejam preconceituosos, mas a sociedade inteira? [...] As notícias mentem o tempo todo. Elas nos dizem o que acham que queremos ouvir. [...]. Trechos extraídos da obra Noughts & Crosses (Minotauro, 2020), da escritora britânica Malorie Blackman, autora de obras como Boys Don't Cry (2010), Checkmate (2005) e Knife Edge (2003). Para ela: Ler é um exercício de empatia, um exercício de se colocar no lugar do outro por um tempo...

 

DOU MINHA PALAVRA - [...] Vida é gasto e estou gasta, o espelho que magnifica mostra a verdade e a verdade é a velhice. [...] O corpo vai pendendo para baixo, e lá embaixo encontro uma menina. Desde que ela descobriu, com quatro ou cinco anos, que seus pais eram sobreviventes de uma guerra contra os judeus e que sua mãe guardava numa caixa dentro do armário um diário escrito na Suécia — um diário que ela só podia olhar mas não ler, já que nem ler ela sabia, e o diário estava escrito em i-u-g-o-s-l-a-v-o —, essas vidas viraram histórias e as pessoas, personagens. A menina vivia nessas histórias e não prestava para a realidade. Sem amigos, perseguida, invejava a prima magra e boa aluna, tinha os pés chatos e se desequilibrava (as irmãs mais velhas não deixaram a mãe colocar botas ortopédicas nela; hoje as irmãs têm pés altos e finos e ela, pés largos e chatos), se isolava nas festas e prometia se suicidar. Assim que aprendeu a ler, seu tio Arthur a presenteava com livros estrangeiros e seu pai lhe deu a Barsa de aniversário e comprava enciclopédias de um vendedor ambulante. A coleção do Monteiro Lobato, Meu pé de laranja lima, Poesia brasileira para a infância, Demian, a Torá (todos os dias, no Renascença), letras do Chico Buarque, O Pequeno Príncipe, gibis da Mônica e os livros de adultos das irmãs dela. Na casa de sobreviventes de guerra, frequentada por refugiados da Rússia, da Polônia, da Romênia, da Iugoslávia e de outros países de nomes estranhos, ela escutava muitas línguas: português, ídiche, alemão, hebraico, húngaro e iugoslavo. A menina não entendia as línguas, mas escutava as palavras [...]. Trechos extraídos da obra Te dou minha palavra (Companhia das Letras, 2025), da escritora, professora e crítica literária, Noemi Jaffe, que noutra de sua obra, Lili- Novela de um luto (Companhia das Letras, 2021), ela traz o seguinte trecho: [...] Quando ela estava morta, eu beijei seu rosto, suas mãos, seu colo. Apertava o pulso, abraçava o corpo, chamava: mãe, mãe. Levantava a mão e a deixava cair. No dia anterior, quando ela ainda não estava morta, mas quase, eu aproximava meu ouvido do seu peito e ouvia a respiração. Era diferente. É diferente estar quase morta de estar morta mesmo. É diferente e só sei disso agora que ela morreu. Se quando ela estava quase morta eu esperava que ela morresse, agora é como se eu a quisesse, se pudesse, quase morta para sempre, só para ouvir sua respiração, a bochecha quente, os dedos da mão se mexendo mesmo que por reflexo, um ronco baixo no peito, o tremor nas pálpebras. Nunca tinha ficado perto de uma pessoa morta e descoberta. Fiquei perto do meu pai, mas ele estava coberto por um lençol e eu tracei com o dedo o contorno do seu nariz, o que repeti com a minha mãe depois que a cobriram. [...]. Já na sua obra O que ela sussurra (Companhia das Letras, 2020), ela expressa: [...] Gosto do som das conversas e gosto de música, mas prefiro sempre o silêncio, agora ainda mais que antes: esse som suro e verdadeiro em toda a sua extensão, mais geográfica do que temporal e que ocupa a paisagem que vejo pela janela e a alma que não vejo mas que fica inteiramente ocupada por ele. [...].

 

A ARTE DE DELANO

Eu sou um observador das pessoas, sempre as observo quando saio... Eu não trabalho pensando em exposição. Não gosto de me expor, mal saio de casa. Às vezes, passo meses sem descer do meu ateliê, botar o pé na calçada. Preciso até que as pessoas levem comida para mim...

Pensamento e arte do pintor, desenhista e gravador, Delano – (Flanklin Delano de França e Silva - 1945-2010), foi ilustrador do Jornal da Tarde, participou de diversas mostras coletivas pelo Brasil afora, integrou o Ateliê + 10, em Olinda, e participou da criação da Oficina Guaianases de Gravura. Veja mais aqui, aqui & aqui.

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A ARTE DE RUBENS MATTOS CUNHA LIMA, 60 ANOS DE TRAJETÓRIA

Desenvolvi projetos de residências e obras. Em 60 anos de carreira fiz mais obras que projetos... Gosto muito da arquitetura... Conheci o Darel. Era uma pessoa muito intensa. Fiz várias gravuras dele...

A arte de arquiteto e artista plástico de São Paulo, Rubens José Mattos Cunha Lima, que fundou a Editora Clube da Gravura, editou a revista Gravura & Gravadores (1980), participou com suas obras da publicação Dareladas (CriaArt, 2024), integra o Gentamiga Atelier e participa da plataforma Ubqub (SP). Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

 

João Cabral de Mélo Neto aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Déa Ferraz aqui & aqui.

Antônio Meneses aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Thina Cunha aqui & aqui.

Barbosa Lima Sobrinho aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Martha Batalha aqui & aqui.

Wellington Virgulino aqui & aqui.

Lucinha Guerra aqui, aqui & aqui.

Mário Souto Maior aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Roberta Cirne aqui.



LEÏLA SLIMANI, JANICE REBIBO, NARGES MOHAMMADI & AGUINALDO SILVA

  Imagem: Acervo ArtLAM . Ao som do Piano Concerto In E Flat Major & Violin Concerto in G Minor , da compositora, pianista e violinis...