quinta-feira, maio 28, 2009

ÉTICA & MORAL, RILKE, HOBSBAWM, ELSA MORANTE & AGLAJA VETERANYI



ÉTICA & MORAL - A palavra Ética vem do grego ethiké, derivado de hëthos, e é a parte da filosofia que estuda os valores morais e os principais ideais da conduta humana. E Moral é o que é relativo à moralidade, aos bons costumes; que procede conforme à honestidade e à justiça, que tem bons costumes; que se refere ao procedimento; diz-se de tudo que é decente, educativo e instrutivo. Segundo o Dicionário Aurélio Buarque de Holanda, ÉTICA é "o estudo dos juízos de apreciação que se referem à conduta humana susceptível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal, seja relativamente à determinada sociedade, seja de modo absoluto”. Alguns diferenciam ética e moral de vários modos:  Ética é princípio, moral são aspectos de condutas específicas;  Ética é permanente, moral é temporal;   Ética é universal, moral é cultural; Ética é regra, moral é conduta da regra;   Ética é teoria, moral é prática. Etimologicamente falando, ética vem do grego "ethos", e tem seu correlato no latim "morale", com o mesmo significado: Conduta, ou relativo aos costumes. Podemos concluir que etimologicamente ética e moral são palavras sinônimas. Para estudar a ética, é preciso inicialmente entender que existe um grande número de correntes éticas, que se propõem a conceituá-la. Pode-se destacar as grandes construções históricas sobre a ética, principalmente a aristotélica, a cristã ou tomística, kantiana, marxista, existencial, dentre outras. Estudar Ética e Moral corresponde ao desenvolvimento de uma série de interpretações conteudísticas para que se possa encontrar uma distinção entre ambas. A ética pode ser definida como a disciplina crítico-normativa que estuda as normas do comportamento humano, mediante as quais tende o homem a realizar na prática o valor do bom. E, muitas vezes, os termos Ética e Moral são usados como sinônimos indicando normas, princípios e valores de uma dada realidade social com o fim de determinar e regular o comportamento dos homens que nela vivem. Mas é importante ressaltar que há uma diferença entre Ética e Moral que vai além do sentido etimológico. Enquanto ser histórico-social, o homem possui necessidades de pautar seu comportamento por normas mais apropriadas e dignas de ser cumpridas, isto constitui os atos morais. Para agir e decidir, é necessário construir juízos de valor de aprovação ou não, sujeitando-se livre e conscientemente a normas e regras de ação. Estes atos morais ou comportamentos práticos-morais constituem o campo dos problemas morais ou a Moral propriamente dita. Quando se toma o comportamento prático-moral como objeto de reflexão e pensamento, há uma passagem da moral empírica a moral reflexa, iniciando o pensamento filosófico, caracterizado pela busca da essência do comportamento moral, examinando condições objetiva e subjetivas do ato moral com a liberdade da vontade inseparável da responsabilidade de ação e obrigatoriedade moral individual e coletiva. A esta investigação do modo de decidir e agir com base na reflexão, análise e crítica eleva os comportamentos práticos morais à condição de problemas teóricos-morais ou éticos devido a sua generalidade. Não se pode falar em separação nítida entre os problemas práticos-morais (Moral) e problemas teóricos-morais (Ética), pois teoria e prática são indissociáveis e se fundem numa práxis onde o agente, o ato e a finalidade são a mesma coisa. Tanto a Ética quanto a Moral definem o homem como sujeito autônomo, dotado de consciência e vontade, capaz de deliberação, escolha e decisão, visando uma ação subjetiva e intersubjetiva não-instrumental segundo valores na medida do possível. Ao definir Ética como "ciência" não quer dizer que os comportamentos morais serão submetidos ao rigor do método científico, observados, experimentados e mensurados. Trata-se de "ciência" no sentido de ser um conjunto sistemático de conhecimentos racionais e objetivos (na medida do possível) a respeito do comportamento humano moral. Assim, procura explicar, esclarecer, investigar ou fundamentar o comportamento dos indivíduos numa dada realidade moral, não podendo ser reduzida a uma disciplina normativa ou pragmática de caráter universal, pois não cabe formular juízos de valor sobre comportamentos práticos-morais estabelecendo princípios e normas para orientar o comportamento humano desprezando o momento e o espaço históricos; não existe uma moral absoluta e universal. Mas deve partir da existência histórica da moral como construção individual e coletiva do homem, investigando o princípio que permite compreender seu movimento e desenvolvimento, fornecendo a compreensão racional (nos limites do possível) dos princípios, valores e normas que num dado espaço e tempo, orientam o comportamento dos homens. As questões éticas não podem ser reduzidas a um mero capítulo de Filosofia como uma "arte do bem-viver" com caráter especulativo ou universal, desvinculado da realidade histórico-social humana e da própria ciência; como também não podem ser elevadas a uma visão totalizadora que se pretenda colocar acima das ciências positivas ou contra elas. Partindo-se do pressuposto que a ética nunca pode deixar de ter como fundamento a concepção filosófica do homem enquanto ser histórico, social e criador, nota-se que há uma estreita relação entre Ética e Filosofia e, como tal, se faz necessário que ambas não se "fechem em guetos", mas que procurem se apoiar nas demais ciências sociais e humanas (como Antropologia, Sociologia, História, Psicologia, Economia Política, etc.) numa tentativa de ampliação de conhecimentos e possibilidade de pensamento reflexivo e crítico sobre os mesmos. Se a forma contemporânea do capitalismo e da ideologia são contrários aos valores e normas que constituem o campo ético, como pode-se falar em comportamento ético-moral? Se o estruturalismo e as instituições sociais se apresentam como formas disciplinadoras e repressivas que asfixiam a subjetividade consciente e autônoma provocando a "morte do sujeito humano e autônomo" ou, quando o neoliberalismo incentiva a competição e o individualismo exacerbados, transformando a violência econômica social em modelo de ação humana que contraria os princípios éticos-democráticos de igualdade, justiça, liberdade e felicidade, gerando exclusão, polarização social - carência absoluta e privilégio absoluto -, relações sociais e políticas hierárquicas e fundadas em contatos pessoais. Isto sem falar da ciência e da tecnologia que sob a lógica neoliberal surgem como poderes desconhecidos e mitificados, geradores de medos e violências, negando a possibilidade de ação ética como racionalidade consciente, voluntária, livre e responsável. CONCLUSÃO - Lê-se por vezes nos manuais portugueses de filosofia uma referência vaga e confusa a uma distinção entre a ética e a moral. A pretensa distinção entre a ética e a moral é intrinsecamente confusa e não tem qualquer utilidade, razão pela qual não é utilizada pelos melhores especialistas atuais em ética. Mas persiste tenazmente no discurso de muitos estudantes, talvez porque tenha sido das poucas coisas apesar de tudo compreensíveis que aprenderam nas aulas de ética. A pretensa distinção seria a seguinte: a ética seria uma reflexão filosófica sobre a moral. A moral seria os costumes, os hábitos, os comportamentos dos seres humanos, as regras de comportamento adotadas pelas comunidades. A ética aplicada é a disciplina ética que trata de problemas concretos da ética, como o aborto ou a eutanásia, os direitos dos animais, ou a igualdade. A ética normativa trata de estabelecer, com fundamentação filosófica, regras ou códigos de comportamento ético, isto é, teorias éticas de primeira ordem. O comportamento dos seres humanos é multifacetado; por isso que é impossível determinar à partida que comportamentos seriam os comportamentos morais, dos quais se ocuparia a reflexão ética, e que comportamentos não constituem tal coisa.
REFERÊNCIA
BILBIOGRAFIA
ARISTÓTELES. Ética a Nicömaco. São Paulo: Abril, 1979
CHAUÍ, M. Ética e Universidade. São Paulo: Ciência Hoje. v 18, n. 102. p. 38 a 42.
DEWEY, John. Teoria da Vida Moral. São Paulo: Abril, 1980
ESPINOSA, Baruch. Ética. São Paulo: Abril, 1979
VALLS, Álvaro. O que é ética. Porto Alegre: Brasiliense, 1993
VÀSQUEZ, A. S. Ética. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1992. Veja mais aqui e aqui


DITOS & DESDITOS - O destino não vem do exterior para o homem, ele emerge do próprio homem. O tempo não é uma medida. Um ano não conta, dez anos não representam nada. Ser artista não significa contar, é crescer como a árvore que não apressa a sua seiva e resiste, serena, aos grandes ventos da primavera, sem temer que o verão possa não vir. O verão há de vir. Mas só vem para aqueles que sabem esperar, tão sossegados como se tivessem na frente a eternidade. Os homens, com o auxílio das convenções, têm resolvido tudo com facilidade e pelo lado mais fácil da facilidade; mas é claro que precisamos ater-nos ao difícil. Ser amado é consumir-se na chama. Amar é luzir com uma luz inesgotável. Ser amado é passar; amar é durar. As obras de arte são de uma solidão infinita: nada pior do que a crítica para as abordar. Apenas o amor pode captá-las, conservá-las, ser justo em relação a elas. Pensamento do poeta alemão Rainer Maria Rilke (1875-1926). Veja mais aqui.

REVOLUÇÃO CULTURAL – [...] A revolução cultural de fins do século XX pode assim ser mais bem entendida como triunfo do indivíduo sobre a sociedade, ou melhor, o rompimento dos fios que antes ligavam os seres humanos em texturas sociais. Por essas texturas consistiam não apenas nas relações de fato entre seres humanos e suas formas de organização, mas também nos modelos gerais dessas relações e os padrões esperados de comportamentos das pessoas umas com as outras; seus papéis eram prescritos, embora nem sempre escritos. [...] Trecho extraído da obra A era dos extremos: o breve século XX 1914-1991 (Companhia das Letras, 1995), do historiador egípcio Eric Hobsbawm (1917-2012). Veja mais aqui e aqui.

A ILHA DE ARTURO – [...] Segundo o costume antigo, as mulheres vivem em clausura como as monjas. Muitas delas ainda usam cabelos compridos e, no Inverno, tamancos e meias grossas de algodão preto, enquanto no Verão algumas andam descalças. Quando passam descalças, rápidas, sem fazer rumore esquivando-se aos encontros, dir-se-iam gatas selvagens ou fuinhas. Nunca descem à praia; para as mulheres, é pecado tomar banho no mar — e até ver outros a tomar banho é pecado. [...] Eu acreditava que aquele furor amargo era provocado pela ofensa [...] Mas pode ser que, inconscientemente, eu já lamentasse as pretensões impossiveis de meu coração. E os ciúmes opostos e entrelaçados, as paixões multiformes que deviam marcar meu destino [...]. Trechos da obra A ilha de Arturo (Berlendis & Vertecchia, 2005), da escritora italiana Elsa Morante (1912-1985). Veja mais aqui.

A CANÇÃO I - Ele canta. Sua canção é de mel. / Você mora aqui, diz a mulher./ E você é minha mulher, diz o homem. Minha mulher. / Minha mulher. / No jardim cresce a árvore / Da árvore crescem maçãs. / Crescem peras. / Crescem cerejas. / Estamos na estação certa, diz a mulher. / Agora vou levar os vestidos para o porão. Agora vou levar o vidro de compota para o porão. Agora vou levar o verão para o porão. / A escada para o porão tem 10 anos de comprimento. No caminho, a mulher precisa cortar as unhas. Seu cabelo caído, ela põe em uma caixa debaixo da escada. Do seu cabelo, ela vai fazer um travesseiro para ele. Um travesseiro de inverno. Que continua a crescer. II - Meu cabelo é longo, diz a mulher. Eu o penteei. / Dei-lhe gema de ovo. O cabelo comeu o ovo. / Agora trago a neve, diz a mulher. / Ela chama o homem. Ela o chama com uma voz longa. / O homem põe o gato de 40 anos na mala. / Ele pega pão e salsicha. Uma garrafa de vinho. A camisa recém-lavada e o terno de domingo. / O homem espera até que a sombra das árvores tenha ido embora. III - O pé direito do homem vai devagar. / A cada par de passos ele deposita a mala no chão e se reergue / No olho do homem cai um corvo. / A mulher canta. / Na canção há uma paisagem. Branca. Poemas da escritora romena Aglaja Veteranyi (1962-2002). Veja mais aqui & aqui.




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sexta-feira, maio 22, 2009

KATHERINE MANSFIELD, FREDERIC RAUH, ERNST TUGENDHAT, CYANE PACHECO & TRABALHO



Gentamiga do meu Brasil das aloprâncias e tirinetas ineivadas!!!! Tudo começa com a escravidão. O servilismo. E nisso o sisifismo: a faina de fazer a mesma coisa todo santo dia. Aí o labor. Mãos à obra. E os workaholics. Tem quem diga que o trabalho enobrece o homem. Gilberto Freyre mesmo disse e o Domenico de Mais revalidou: o ócio criativo. Afinal, o universo do trabalho tem evoluído? Ou como se diz no popular: para uns, estrela na testa brilha para o bem-bom; para outros, estrela escondida no quiba faz o cara moer sem comiseração. Pois bem, para mim, o trabalho no Brasil de atualmente, mormente os novos paradigmas organizacionais são verdadeiras práticas escravocratas disfarçadas: o obreiro tem hora para entrar, mas não tem hora para sair. Tem que moer mesmo, até se exaurir. E quando se lascar, a previdência social que cuide. E o patrão, dinheiro no bolso e ai-ai. Então eu trago, de um lado O trabalho: O trabalho tanto tem promovido a formação e desenvolvimento humano, como também tem mantido o ser humano escravo e subordinado às classes abastadas. Tornou-se, por isso, um universo diversificado e complexo, recheado de transbordantes desafios, tanto pela manutenção hegemônica da classe empresarial como pelas exigências de posicionamento dos trabalhadores no sentido de satisfazer as suas necessidades, as das organizações e as dos empresários. (continua aqui). De outro lado, a Filosofia do Ascenso Ferreira:

Hora de comer, comer.
Hora de dormir, dormir.
Hora de trabalhar, pernas pro ar que ninguém é de ferro!!!

Vamos aprumar a conversa!

DITOS & DESDITOSO verdadeiro homem é aquele que vive a vida de seu tempo. A matéria da reflexão moral é o jornal, a rua, a batalha do dia-a-dia. Pensamento do filósofo francês Frederic Rauh (1861-1909).

EGOCENTRICIDADE & MÍSTICA – [...] Seres humanos já não reagem, como os outros animais, a seu meio (e aos signos linguísticos a ele pertencentes), mas se “referem” a objetos individuais, que podemos identificar objetivamente no tempo e no espaço, para exprimir algo sobre eles mediante predicados. [...] Nessa ação de declarar, verifica-se a passagem da consciência pré-proposicional à consciência do “eu”. Autoconsciência não é um ato interno de reflexão sobre um chamado Eu, mas ocorre quando atribuo, mediante predicados, meus estados conscientes – meus sentimentos, minhas intenções etc. – a mim e, com isso, a uma pessoa que, dentro do universo real e objetivo de objetos distinguíveis, é uma entre todas. [...] Com a linguagem predicativa, surge no um uma consciência de outros objetos e de si como um objeto entre outros, ambos no contexto da consciência de um mundo objetivo, em que tanto eu como as outras pessoas temos respectivamente uma posição. [...] Primeiro, que o ser consciente se objetiva ao dizer “eu”. Segundo, na medida em que com essa auto-objetivação se produz uma consciência de outros objetos e sujeitos, o indivíduo, por um lado, se vê e se sente como centro do mundo, mas, por outro, por perceber o mundo como um mundo de centros, também tem a possibilidade de abrir mão de sua consciência de ser o centro. [...] quem diz “eu” não apenas se propõe objetivos, mas também vê seu futuro como algo dado de antemão e ao qual ele tem de se referir levando algum objetivo em conta. Sua vida torna-se para ele um “objetivo derradeiro” (Endzweck) [...] Para um ser capaz de refletir, esse “ter de” é biológico. O indivíduo adulto que diz “eu” precisa refletir sobre o que tem de fazer em vista desse objetivo preestabelecido, isto é, o que é melhor para ele fazer. Contudo, como esse objetivo é dado de modo indeterminado, isso implica não apenas perguntar pelos meios, mas também que o modo de vida torna-se objeto de reflexão. Neste último caso, trata-se não apenas do modo de sobrevivência, mas também de como se pretende despender o próprio tempo de vida. [...]. se trata sempre de como semelhante ação é intersubjetivamente avaliada. É uma questão de ordem de preferência, que, do ponto de vista do conteúdo, pode basear-se em diferentes razões, mas que sempre requer uma avaliação intersubjetiva: dependendo do nível de “bom” que atingir, a ação será reconhecida intersubjetivamente, no sentido de “avaliada”, como boa ou ruim. [...]. Trechos extraídos da obra Egocentricidade e Mística: um estudo antropológico (Martins Fontes, 2013), do filósofo tcheco Ernst Tugendhat.

FELICIDADE - [...] Ah, por que ela sentia tanta ternura em relação ao mundo todo esta noite? Tudo estava bom – e correto. Tudo o que acontecia parecia preencher novamente sua taça transbordante de êxtase. [...] Por que ter um corpo se é preciso mantê-lo fechado em um estojo como um raro, um raríssimo violino? [...] E com essas últimas palavras, algo estranho e quase horripilante passou pela mente de Bertha. E esse algo cego e sorridente sussurrou: “Essas pessoas vão embora logo. A casa ficará silenciosa, silenciosa. As luzes vão se apagar. E você e ele (o marido) ficarão sozinhos no quarto escuro – a cama quente…” Ela se levantou rápido da cadeira e correu ao piano. – Que pena que ninguém toque! – ela disse. – Que pena que ninguém toque. Pela primeira vez na vida, Bertha Young desejou o marido. Elas haviam se conhecido no clube e Bertha caíra de amores por ela, já que sempre caía de amores por mulheres bonitas que tinham algo de estranho a respeito de si. [...] Como esta mesma vida vai tirar-nos de lá? Não vejo como podemos salvar-nos se não aprendermos a viver com as nossas emoções, como os nossos instintos, embora mantendo-os em equilíbrio. Se me fosse dado pedira Deus uma coisa qualquer, eu só ritaria: Quero ser real!”E esta mulher  para quem era um mistério o motivo pelo qual as pessoas se recusavam a procurar sair daquela vida de trogloditas que levavam padeceu e morreu de sua “horrível doença” (era corno se referia à tuberculose). [...]. Trechos extraídos da obra Felicidade & outros contos (Revan, 1991), da escritora britânica Katherine Mansfield (1888-1923). Veja mais aqui.


POEMAS DA SÉRIE ERÓTICA PARA LA –- I - Abro os olhos e ele está ali / Minha boca o encontra / Seguimos viagem / O tempo e os suores / Não há cansaço / Nem mesmo o tempo está ali / Algumas vezes voltamos a dormir / Noutras recomeçamos / Como uma espira / Uma cobra engolindo a própria cauda / Uma mandala que se sonha. II - Trepida o solo / Da memória / Aquela cama / Aquela manta azul / Torso / Mãos / O que vês em mim / Tudo teu / Todas as manhãs. III - Confesso: Achei estranho inaugurar o alvoroço desse amor. Foram meses de água e sal. Precisei de um caderno de caligrafia. Quero a mão dele, segurando a minha. Passar o resto dos dias, olhando os seus olhos, soprando-os se cair um cisco. Descascando suas roupas e deitando próxima das suas pernas, ele sabe o que quero dizer. Quando ele me beija, torno-me um bicho incomum, toco o animal que há na memória mais distante. Todas às vezes que ele faz isso, se eu estiver perto ou distante, sempre seremos livres e juntos. E viajamos de foguete. IV - No momento quase impossível / Quando o gemido / É um rouco grito de morte / Ali eu deixo que tuas mãos / E os teus dedos de lã / Tua pele macia que me inflama / Retire de mim a razão / O pudor antigo / Todos os vestígios de outras mãos / Quando me tocas / Meu amor / Meu menino / Sinto o que jamais senti / Até quase à surdez em relação ao mundo / E quando falas ao meu ouvido / Eu não tenho mais volta / É o tao e o desmantelo / É o teu cheiro / O meu tato / A minha boca / Quando me olhas com todo o desejo / Eu chovo e te banho de beijos. V - Brincando com ele, falei que ia seguir a beleza dos poemas de Adélia Prado, escrever despudoradamente para que ele e o mundo, saibam do tamanho do nosso amor. Pois bem. Tenho feito. Tudo o que escrevo. Não é plágio, é um tipo de coragem de ser feliz. É como uma borboleta que entendeu a construção das asas, o casulo e, voa ou repousa, sem medo. Quando ele se aproxima, a borboleta voa para dentro de mim e ele, o meu amor, sente meu ritmo. VI - Uma gota salgada / Na ponta da língua / Não é uma lágrima / É o amor cumprindo sua sina / Nessa vida o maior / Repito que para sempre nutra / Os meus olhos e o kama sutra / Corpos lavados de suor / Perco uma espécie de gravidade / Somem todos os eixos / Os músculos dão-se aos desleixos / Ele é minha divindade / Às vezes choro / E não percebo essa emoção / São os seus afetos pagãos / Que cada vez mais eu imploro / Sei que ele também / Desconhecia tamanha viagem / A colisão foi nossa passagem / E o deleite nos sobrevém. VII - Depois que ele me disse que meu nome era Bice, tornei-me ainda mais o que sou: uma onça mansa, quase gueixa, uma manteiga derretida, uma mulher apaixonada, uma velha buscando ser sábia e resiliente, sua brincadeira na vida, uma monja, sua interlocutora, sua musa, sua companheira, uma menina traquinas, sua melhor amiga, sua chef de cozinha, seu playground, seu destino mais tranquilo, com quem ele enlouquece, se aborrece e ri. A propósito, eis uma bela historinha sobre nós dois. Essa é a parte que mais me incendeia. Poemas da poeta & artista visual Cyane Pacheco. Veja mais aqui.




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