Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de Novembro, 2017

DERRIDA, YES, MÓNICA CRAGNOLINI, ANA LIRA, ORLANDO VILLAS-BÔAS, VALTER HUGO MÃE, MARÍLIA GARCIA, DAVID ROWE & GAMELEIRA

CONVERSA MOLE DE FABOS – Imagem: arte da fotógrafa, artista visual e pesquisadora Ana Lira. - E aí, como é que vai? Morno, insosso. O que é que há? Ué, o cabra dá um golpe e há mais de ano ele veio, todo jeitoso, vai mas num vai, piscando o olho, botou uma e a gente ciscou, deu brabo e cedeu; botou duas, a gente esperneou, reclamou e rendeu; botou três, a gente deu com a peste, maior gritaria e no amansado ele botou a gente de quatro, porque daí em diante, vicia, vai achando gostoso o fungado no cangote e o pau no furico vira consolo, chega fica no bem-bom. Vôte, comigo não, Salomão! Oxe, menino, tudinho, tá todo brasileiro enrabado e nem-nem, tudo fazendo cara feia, mas no pega-pra-capá, quebra a munheca na posição do vencido pra levar mondrongo raçudo no procto e seja lá o que Deus quiser! Tô fora, doido! Tá nada, você tá fudido e mal pago feito ei e todo mundo, quer ver? Diga. Por acaso você tem onde buscar quando falta? Você tem caixa dois pra se socorrer na hora do aperto? Tem so…

AMOS OZ, ANTONIO CÂNDIDO, LUZILÁ GONÇALVES FERREIRA, JOSELY VIANNA BAPTISTA, MARIO CESARINY, PAULO BUSS, CAMILA MORITA, BARRA DE GUABIRABA, GLOBALIZAÇÃO & POBREZA

O CHÃO NA ALMA – Imagem: Batedor de caminhos (1968), do poeta e poeta e pintor surrealista português Mario Cesariny (1923- 2006). Os tempos são outros, eu que o diga e sem nostalgia. Sempre tive comigo que o melhor momento da vida era este, o presente – em todos os sentidos! E digo era porque sempre passa, zás, já foi, agora é outro. E quase não me dou conta, nem ninguém, avalie. Passou e como passou, vai se ver segundos, minutos, horas, só lembranças enchendo o baú da memória ou do esquecimento – tem quem sequer saiba que passou e como passou. Devo dizer, sem rigor e nem pedir licença, que a cada dia, em todo momento aprendo e como. Diga-se lá, como de sempre, a gente sempre aprende pelo modo mais difícil, quer queira, quer não, uma bofetada, um escorregão, um paradoxo. Mas, se aprende, mesmo que seja com amargas redescobertas, nenhuma frustração. Mesmo que seja no descompasso, eis a lição. O que dói não é ter perdido a oportunidade, não é ver que podia ter feito melhor, nada disso. …

BASHÔ, LÚCIO CARDOSO, CANETTI, CHAUÍ, MARCUS VIANA, BRUNA BEBER, ROCCO FORGIONE & IBIRAJUBA

BATICUM & TEIBEI - Imagem do artista italiano Rocco Forgione. - A coisa não está para brinquedo. Soludão de mesmo, só na vez do açodamento ou no calor da iminência. Maior teitei na lapada. Pronto, parece resolvido. Será? E quando vai ver: um labirinto de broncas. Dabou-se! Aí é a hora de ajeitar aqui, espichar ali, remendar acolá, e o que era pra sair bonito dá num monstrengo cada vez mais desfigurado. E agora vai ver a merda feita. Por conta disso, tomei uma atitude: não leio mais jornais, há tempos que as notícias são as mesmas, muda, apenas e, às vezes no muito, só os nomes, mas a situação é a mesma desde que nasci: a corda só arrebenta do lado desprevenido. E quem tem tempo pra se defender do imprevisível, hem? Também não assisto mais tevê: a programação parece a mesma de décadas, há sempre uma onda pra gente boiar, isto desde que inventaram um tal do zeitgeist, paradigmas para serem seguidos à risca, na boa. E como nem todo mundo anda na linha - que ninguém é besta, tá doido?…

RADUAN NASSAR, CAMILO CELA, EUGENE O’NEILL, BOURDIEU, KEYNES, CORAL BRACHO, ESTHER GRACIA MARQUES, VERA FISCHER & JUPI.

CERTO, ERRADO? – Damiãodito andava meio atrapalhado, quase zoró. Pudera, mão havia dado certo e procurava a todo custo se arrumar na vida. De tantas tentativas e erros, chegou entre disparates à triste constatação de que nada se criava mais, só se copiava. E tanto fizeram no reino dos simulacros, que importaram até a solidão. Pois é, conversava sozinho, um Robinson Crusoé no meio da multidão de indiferentes apressados. Será que tem jeito? Pelo menos aprendera a se meter no calor da refrega pra chamar atenção. Um desastre; incendiário rebelde protestando de tudo. Todo mundo estava errado e ele sozinho. Não pode ser! Teve que dá um jeito, amenizou na pancada e já se dava por um bombeiro voluntário: melhor apaziguar que tocar fogo! Quando limpou a vista percebeu que a situação estava infestada por uma praga de gente, patuléia de retirantes no reino das espeluncas: tempo de preta fraude! Que coisa! A ordem era andar na moda, arrotando ar de prosperidade, na verdade, ataque impulsivo de nã…