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quarta-feira, outubro 28, 2020

MARGARET ATWOOD, WILLIAM GOLDING, GUYAU, WAGNER TAVARES, TIPITI & LULA CARDOSO AYRES


  

TRÍPTICO DQC: BATISMO DE FOGO - Há muito que o meu coração espera! Por um cêntuplo de vezes evitei sem firmar: não abjurei meus sonhos, nenhum perjúrio lavou-me o pecado e a inquisição. Quem me acolherá ou direi assim tão só, compungido, minguando nas cinzas da primeira vez, do primeiro amor, do que foi para não mais. Há muito que o meu coração poreja na pia e no nome, aniquilado e só não serei jamais consagrado em qualquer sacramento, apenas confirmado como ex-humano na minha pletora alucinação. É nessa hora que ela chega Zélia Duncan cantarolando Alma de Antunes e Pepeu: Alma, deixa eu ver / Deixa eu tocar (alma, alma, alma) / (Deixa eu ver) / (Deixa eu tocar) / (Alma, alma, alma) / Superfície (alma, alma) / Deixa eu ver sua alma (alma, alma) / Alma (alma, alma, alma). E me beija sorridente com a frase do filósofo e poeta francês Jean-Marie Guyau (1854-1888): A vida é como o fogo: só se conserva, quando se propaga! E com a comiseração pelos miseráveis incapazes e decadentes, as labaredas do seu fogo incendiou o que de mim restava corpalma.

 


DANÇA DO TIPITI – Imagem: Tempo (2012), arte do escultor, fotógrafo e artista multimídia Wagner Malta Tavares. – Do meu quarto um local desconhecido e ae longe as vozes: Dança, dança, dançador, / dança com valor, / dancemos todos juntos, / cada qual com seu amor. / Traça e retrança, / volta a trançar, / que o tipiti / vai começar. Lá-lá, um passo pra lá, / Lá-li, um passo pra qui, / dancemos todos em roda, / tecendo o tipiti. / Destrança as tranças, / ó meu amor, / que o tipiti / já se acabou. Fui levado por ela e ao dobrar a esquina pude constatar a festança. Já havia visto o pau-de-fita, sabia lá esse auto era índios tarianos ou aimorés, uma ciranda com translação em ziguezague e trançando fitas coloridas com palmas, queda, anta, rede e croché, trança do lenço e destrança o trancelim, cacetão, cacetinho cruzado ou doido com bastões nos moçambiques, pra findar no florão ou tope, em reverência ao renascimento da árvore depois da invernada, prenúncio da primavera na sanfona, violão e pandeiro, violas e rabecas. Será vilão ou moinho, engenho ou traçado, jardineira ou mastro no Crato, Cariri, Varginha ou Pernambuco, do sudeste pro sul, noutra cantoria: O amor quando nasce / Parece uma flor / É tão delicado / Tão cheio de amor / Seria tão bom / Que ele fosse uma flor / Sem ter espinhos / Da dor / Depois que tudo / É sonho ao luar / Começam os desencantos / O amor passa a existir / Nessa voz do nosso canto. E ela me puxava para mais perto, como se quisesse participar das comemorações que só muito depois tomei pé no Roteiro do folclore amazônico (Sérgio Cardoso, 1964) e Os supostos festivais folclóricos do amazonas (CNFL/IBECC, 1962), ambas as publicações do historiador, professor, escritor e advogado Mário Ypiranga Monteiro (1909-2004). Ela encantada com tudo aquilo, abraçou-me forte como se quisesse ao saracoteio sussurrar Margaret Atwood: Na primavera, no final do dia, você deve cheirar a terra. E do seu corpo o perfume das flores, frutas, lavouras e rincões para minha vida.

 


ELA, PÁSSARO NA PIRANDRIA – Imagem: a arte da bailarina inglesa Julia Farron (1922-2019) – E era da pele dela em chamas o incenso do bailado no Pássaro de Stravinsky em plena Pirandria – aquela ilha do Supplément de l’histoire véritable de Lucien (Paris, 1654), do historiador, geógrafo e diplomata francês Frémont d’Ablancourt (1621-1696) -, e a se transformar em centelha flutuante no ar, para que em mim fogo-fátuo, ser a vida, a iluminação e o renascer, a paixão e o destrutivo infernal, a intuição e o incêndio criminoso, o ritual de passagem para purificação, a regeneração e as cinzas, a fricção e o sexo, o arquétipo da poética e da metafísica, para me acordar no real da vida com William Golding: Pior do que a loucura, a sanidade. E por três vezes ininterruptas, quando ao talento curto de imaginação sem fôlego e inspiração nenhuma, ela me levou incólume em suas mãos aladas pela travessia da fumaça tóxica da distopia de ontem e agora; e por seis vezes consecutivas em que a casa desabou sobre minha sombra antes de posar para retratos na parede e a voz que é minha e o braço que é meu envolveu-a como se eu fosse um fantasma de fogo pobretão e morto de fome a ressuscitar no domingo de todas as semanas e meses e anos vindouros; e por nove vezes sucessivas, depois de cantar e contar as minhas histórias arruinadas sem adornos nem louvores, os pulmões que são meus tiveram o privilégio de ser ocupado pela fragrância de sua carne nua na colina das estrelas para acudir o destino no reino da esperança. E nela sou e me realizo. Até mais ver.

 

A ARTE DE LULA CARDOSO AYRES

A arte do pintor vanguardista, desenhista, cenógrafo e programador visual Lula Cardoso Ayres (1910-1987), que participou de exposições no Brasil e no exterior, executando cerca de cem painéis e murais em diversas cidades brasileiras, entre as quais Recife, Salvador, Santos, São Paulo e Natal. Seus quadros fazem parte do acervo de alguns museus brasileiros e de coleções particulares da Europa, América do Norte e América do Sul. Veja mais aqui e aqui.

 


segunda-feira, outubro 29, 2018

WALMIR AYALA, ZÉLIA DUNCAN, SANDRA REIS & PINTANDO NA PRAÇA


PINTANDO NA PRAÇA – Numa manhã ensolarada de sábado de outubro, aconteceu a quinta edição do Projeto Pintando na Praça que foi uma verdadeira festa artística. O projeto desenvolvido pelo poetamigo & artista plástico Paulo Profeta, por meio do Instituo de Belas Artes Vale do Una, de Palmares – PE, tem alcançado seus objetivos e engrandecendo o cenário cultural palmarense e da região Mata Sul de Pernambuco. Tive a oportunidade de participar da edição anterior e constatar o processo evolutivo e a adesão cada vez maior de artistas da região e de outros estados, como também da população palmarense. Dessa vez não ficou por menos, pois, além de possibilitar o reencontro com o amigo artista plástico José Durán y Duran & a escritoramiga Socorro Durán, também teve a presença efusiva da arte do inquieto e criativo imaginauta Gugha Távora, do professor Clovis Eraldo Parízio, as canções do cantor e compositor parceiramigo Zé Ripe, do projeto Lendo na Praça Pública da amiga Rute Costa, do artesanato dos jovens Epifanio Bezerra (Palmares) & Celso Madeira (Igarapeba), a arte do jovem Wil de Igarapeba, pinturas & desenhos, conversas com Marquinhos & todo pessoal da Fundação de Hermilo, com João Paulo & Mary Filha da Biblioteca Fenelon Barreto, com o acadêmico escritor Reginaldo Oliveira, os radialistas Toínho DuRego & Alberto Passos, afora trocar ideias e mandar ver na participação geral. Marcaram presença os artistas plásticos da capital pernambucana, Fernando Lúcio, Sebastião Rosa, Vandrade, Zé de Moura, Ricardo Carvalheira, Robertson Rodrigues, Fábio Santos, Leo Luna, Marcelo Marroquin, Nadilson Junior, Alexandre Freitas, Maycon e Eduarda Tenório, alguns entre os quais participantes das edições anteriores e já destacados aqui no blog. Para tanto, foram montados dois estandes na Praça Paulo Paranhos, um em frente do anfiteatro e, o outro, no centro da praça. Nestes espaços pintores, desenhistas, artistas visuais, escritores, artesãos, músicos e público em geral, puderam interagir corpo a corpo, numa comunhão entre a arte e a vida. Sem dúvida trata-se de um dos mais importantes eventos da região que a cada ano vai ganhando prestígio e se tornando marca carimbada dos acontecimentos que ocorrem anualmente. Nada mais representativo que ver em plena praça pública artistas e público interagindo num evento ímpar como este. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS:
[...] Pensei na felicidade que a arte pode trazer, no bem que pode fornecer ao mundo. Porque esta educação visual não está divorciada de nenhum outro plano, mas implica, numa harmonização total e ampla. A arte pode trazer um bem no mundo na medida em que consiga impor seu caráter construtivista, muitas vezes a partir de uma urgente iconoclastia. [...]
Trecho extraído da obra A criação plástica em questão (Vozes. 1970), do poeta, teatrólogo, romancista e critico de arte Walmir Ayala (1933-1991). Veja mais aqui.

A ARTE PINTANDO NA PRAÇA
Veja mais do Pintando na Praça aqui e aqui.

O Professor Cloves Parízio

O artista visual & imaginauta Ghugha Távora. Veja mais aqui.

O artesanato de Epifanio Bezerra (Palmares) & Celso Madeira – Acervo do Barro Igarapeba.

O desenho de Wilmison da Silva Calado (Wil de Igarapeba) aluno do Instituto promotor & demais participantes do evento.

AGENDA: 
LENDO EM PRAÇA PÚBLICA
O Projeto Lendo em Praça Pública é desenvolvido pela professora especialista em Linguistica e Coordenadora de Lingua Portuguesa do Ensino Fundamental da Semed-Palmares, Rute Costa, e realizado nos finais de semana na Praça da Luz e em outras praças locais. O evento conta com exposição de livros disponíveis para leituras de pais e estudantes participantes. 
&
POEMAS DE INDOLORES
AMAR – Amar seria simples, se fosse fácil amar... / mas, amar é renúncia e ninguém quer / a si mesmo renunciar.
DESEJO – Te desejo que / todos os dias e noites / penses, sonhes, / planejes, desejes / estar comigo. / Assim, como eu / não consigo ficar sem.
SEXO – Hoje é sexo por sexo, / ficar por ficar. / É desejo nada além, / é apenas carne, pele e suor. / Oh, carne pecaminosa / que me deixa desejar / mesmo ciente que não devo / essa matéria alimentar.
AMOR X LUXÚRIA – Viver é verbo que não conjugo. / Ver é verbo que pratico, / por não ser louca o suficiente / para dela me desfazer. / Ninguém jamais deu importância / aos sentimentos de um pobre / como o de Romeu à Julieta / acham ser luxo exclusivo dos ricos. / Seus bens por idolatria, valorizam, / morrem de medo de perdê-los. / Jamais morrem por amor / nunca por conhecê-lo.
AUSÊNCIA – Abraça-me com ternura / toca-me com o coração / permita-me ver a beleza / do afeto em sua doação. / Saudades do beijo na face / de quando trocávamos carinhos / quanta compreensão trocada / estando hoje, toda esquecida. / Por onde anda o afeto? / Sinto que a emoção desertou / foi furtada por um beijo, / ou pelo simples desejo de ser / compreendido e correspondido?
INDOLORES: POÉTICAS & MEMÓRIAS – Poemas extraídos do livro Indolores: poéticas & memórias (Rascunhos, 2019), da escritora e professora Rute Costa, que desenvolve o projeto Leitura na Praça e é integrante da Amigos da Biblioteca. Veja sua entrevista aqui.

 &
Duzentos & cinquenta & um golpes, Frida Kahlo, Nélida Piñon, Lya Luft, Karl Backman, Barreiros, Bartyra Soares, Zé Ripe, George Harrison, Rita Lee, Camargo Guarnieri & Rachel Dolly d’Alba aqui.
&
O dia é hoje, agora! Carlos Fuentes, Noémia Sousa, Gayatri Chakravorty Spiva, Giácomo Sinapsi, Ivo Korytowski, Lagoa dos Gatos, Humor jurídico de Carlos Cavalcante, Djavan, Bidú Sayão, Daniela Spielmann & Zé Ripe aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje curta na Rádio Tataritaritatá a música da cantora, compositora e atriz Zélia Duncan: Pelo sabor do gesto em cena ao vivo, Tudo Esclarecido, Tô tatiando & Raridades, novidades e colaborações  & muito mais nos mais de 2 milhões & 800 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui, aquiaqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.


segunda-feira, novembro 27, 2017

RADUAN NASSAR, CAMILO CELA, EUGENE O’NEILL, BOURDIEU, KEYNES, CORAL BRACHO, ESTHER GRACIA MARQUES, VERA FISCHER & JUPI.

CERTO, ERRADO? – Damiãodito andava meio atrapalhado, quase zoró. Pudera, mão havia dado certo e procurava a todo custo se arrumar na vida. De tantas tentativas e erros, chegou entre disparates à triste constatação de que nada se criava mais, só se copiava. E tanto fizeram no reino dos simulacros, que importaram até a solidão. Pois é, conversava sozinho, um Robinson Crusoé no meio da multidão de indiferentes apressados. Será que tem jeito? Pelo menos aprendera a se meter no calor da refrega pra chamar atenção. Um desastre; incendiário rebelde protestando de tudo. Todo mundo estava errado e ele sozinho. Não pode ser! Teve que dá um jeito, amenizou na pancada e já se dava por um bombeiro voluntário: melhor apaziguar que tocar fogo! Quando limpou a vista percebeu que a situação estava infestada por uma praga de gente, patuléia de retirantes no reino das espeluncas: tempo de preta fraude! Que coisa! A ordem era andar na moda, arrotando ar de prosperidade, na verdade, ataque impulsivo de não se enxergar o holocausto sem precedentes. Vai na onda, meu! Mais perdido que desencontrado, deu de cara com Hypatya, uma professorinha com ar de demiurga, incisiva na pontaria de que tudo estava reduzido às falácias, tudo dicto simpliciter, quando não generalizações apressadas, ao menos post hoc adoidado, senão premissas contraditórias, invocações ad misericordiam, possíveis falsas analogias ou hipóteses contrárias ao fato, ou quando muito envvenenando o poço. É com essa que vou! E foi, de cabeça. Lá pras tantas embolou o meio de campo: ouvia e não entendia nada, parecia que antes ele é que estava com razão e certificou-se: não estava. Ué, pronde vou? A professorinha deu sinal de que ele devia seguir a linha de raciocínio: preste atenção e aprenda a remar. Ligado nas sapientes palavras dela, não arredava e foi tomando pé da situação: quanto argumento falacioso! Pra todo lado só via papo áulico, chegava dava náuseas, ah, esses os cheleléus que aprenderam a pender pros lados conforme a situação: uma tuia de bestuntos que só conseguiam conversar pra arengas ou humilhações. Como não se tem o que falar, todos cospem chistes descabidos, ofensas, soberbas, aconselhamentos até. Não desistia e prestava ele atenção a tudo, encantado com a professorinha. Apaixonou-se e na primeira investida: sai pra lá, lambaio! Que é que é isso? Tanto aprumou no bote e, na horagá, o negócio gorava pra sua banda. Investigou e logo sacou a presença de Valdevinicius – um cara com um nome desse parecia imbatível -, na simpatia de Hypatya: um bon vivant metido em coisas escusas, endinheirado e cheio das pregas. Páreo duro. Mas e o que ela dizia e ensinava não era pra ter com um cara desses, diferente da inteligência e modo de pensar dela, não combinavam. Insistiu na paixonite e depois de tantas, viu-se mais sozinho que antes. No mais, cada um padece mesmo de sua solidão, seu isolamento: muro alto, tevê, redes sociais, celulares, suas dívidas, decepções, temores, invejas, dissimulações. E ele liso de não ter um tostão furado no bolso, apaixonado e completamente imobilizado. E agora, meu? O que valia de mesmo era ter estratagemas para ganhar dinheiro, isso é que fazia a diferença. Aprendeu no cara ou coroa e se meteu com o que pôde: canivetes, xaropes, vigarices, prestidigitações. Tentava por zis ardis persuadir e ser convincente com sua loquacidade. Tanto fez, nada deu certo. De orelha em pé, cérebro feito um dínamo, medição de balança e precisão de bisturi, o cara encervejou além da conta, aprumou o juízo trocando as bolas e falando alto como quem aprendera o beabá todinho e encarou de quase botar os bofes todo pra fora com a dita sobrecarregada de hostilidades: Professora Hypatya, a senhora quer ou não quer namorar comigo? Ah, meu preclaro, tenho compromissos com Valdevinicius! Aí ele caprichou no recado: Ora, professora, mas esse cara é um ré-pra-trás, não há menor compatibilidade com seus grandiosos conhecimentos, sua pujante inteligência, sua magnitude de ser, ora, ora! Ah, rapaz, ele tem uma coisa que você não tem! O quê? Dindim pra me levar pros queimas das lojas todas! Ah, a fala e o certo, ação no errado. Tá. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com com o cantor, compositor, arranjador e instrumentista Edu Lobo: Camaleão & Limite das águas; da compositora, pianista e maestrina Chiquinha Gonzaga (1847-1935), interpretada pelos pianistas Leandro Braga & Clara Sverner; do músico instrumentista e acordeonista Renato Borghetti; e da cantora e compositora Zélia Duncan: Pelo sabor do gesto em cena & Tudo esclarecido. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIAA dificuldade reside não tanto em ter novas ideias, mas em escapar das antigas. Pensamento do economista britânico John Keynes (1883-1946). Veja mais aqui e aqui.

JUPI – O município de Jupi tem essa denominação por conta de um espinho, chamado pelos nativos e yupi, sugnificando espinho agudo. O povoado pertenceu a Brejo da Madre de Deus, na categoria de distrito, passando a pertecer posteriormente a São Bento do Una, Canhotinho, Palmeirina e Angelim. Passou a município por força da Lei 3331, de dezembro de 1958. Registra-se na história que o português Antonio Vieira de Melo, desterrado de Portigal em meados do século XVI, instalando-se ao ao sopé de uma serra onde havia abundante água boa e bastante caça, ao lado da tribo de origem que fizeram uma aldeia nas proximidades de uma fonte por eles denominada "Olho D'água de Yu-py". As malocas desta aldeia foram feitas e cobertas com folhas das palmeiras nativas do local que os índios denominaram de Ouricury. O município encontra-se inserido no Planalto da Borborema, inserido nos domínios das nacias hidrográficas dos rio Mundaú e Una, tendo como principais tributários os rios da Chata e do Retiro e os riachos do Estreito e Volta do Rio. A sua emancipação política é comemorada em 11 de março. Veja mais aqui.

O ESPAÇO SOCIAL - [...] o espaço social tende a se retraduzir, de maneira mais ou menos rigorosa, no espaço físico sob a forma de um determinado arranjo distributivo dos agentes e das propriedades. Consequentemente, todas as distinções propostas em relação ao espaço físico residem no espaço social reificado (ou, o que dá no mesmo, no espaço físico apropriado), que é definido – para falar como Leibniz – pela correspondência entre uma determinada ordem de coexistência dos agentes e uma determinada ordem de coexistência das propriedades. [...] A estrutura do espaço social se manifesta assim, nos mais diversos contextos, sob a forma de oposições espaciais, o espaço habitado (ou apropriado) funcionando como uma espécie de metáfora espontânea do espaço social. Em uma sociedade hierarquizada, não existe espaço que não seja hierarquizado e que não exprima as hierarquias e as diferenças sociais de um modo deformado (mais ou menos) e, sobretudo, mascarado pelo efeito de naturalização acarretado pela inscrição durável das realidades sociais no mundo físico: diferenças produzidas pela lógica social podem, assim, parecer emergidas da natureza das coisas (basta pensar na ideia de “fronteira natural”). [...]. Trechos de Meditações pascalianas (Bertrand Brasil, 2001), do sociólogo francês Pierre Bourdieu (1930-2002). Veja mais aqui e aqui.

A COLMEIA - [...] O coração do Café bate com arritmia, como o deu um cardíaco. a atmosfera vira mais cinzenta, mais espessa.  Às vezes, porém, entra um golpe de ar fresco, ninguém sabe de onde veio. É o vento de uma esperança desesperada que, por uns poucos instantes abriu uma pequena janela em cada uma dessas almas fechadas. [...] Trecho de A colméia (Bertrand Brasil, 1992), do escritor e jornalista espanhol vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, Camilo José Cela (1916-2002), enfocando a vida em Madri, sem conformismo e outros disfarces, a qual serviu de ponte entre o realismo pós-guerra e as novas tendências dos anos sessenta. Veja mais aqui.

LAVOURA ARCAICA - Os olhos no teto, a nudez dentro do quarto; róseo, azul ou violáceo, o quarto é inviolável; o quarto é individual, é um mundo, quarto catedral, onde, nos intervalos da angústia, se colhe, de um áspero caule, na palma da mão, a rosa branca do desespero, pois entre os objetos que o quarto consagra estão primeiro os objetos do corpo; eu estava deitado no assoalho do meu quarto, numa velha pensão interiorana, quando meu irmão chegou pra me levar de volta; minha mão, pouco antes dinâmica e em dura disciplina, percorria vagarosa a pele molhada do meu corpo, as pontas dos meus dedos tocavam cheias de veneno a penugem incipiente do meu peito ainda quente; minha cabeça rolava entorpecida enquanto meus cabelos se deslocavam em grossas ondas sobre a curva úmida da fronte; deitei uma das faces contra o chão, mas meus olhos pouco apreenderam, sequer perderam a imobilidade ante o voo fugaz dos cílios; o ruído das batidas na porta vinha macio, aconchegava-se despojado de sentido, o floco de paina insinuava-se entre as curvas sinuosas da orelha onde por instantes adormecia; e o ruído se repetindo, sempre macio e manso, não me perturbava a doce embriaguez, nem minha sonolência, nem o disperso e esparso torvelinho sem acolhimento; meus olhos depois viram a maçaneta que girava, mas ela em movimento se esquecia na retina como um objeto sem vida, um som sem vibração, ou um sopro escuro no porão da memória; foram pancadas num momento que puseram em sobressalto e desespero as coisas letárgicas do meu quarto; num salto leve e silencioso, me pus de pé, me curvando pra pegar a toalha estendida no chão; apertei os olhos enquanto enxugava a mão, agitei em seguida a cabeça pra agitar meus olhos, apanhei a camisa jogada na cadeira, escondi na calça meu sexo roxo e obscuro, dei logo uns passos e abri uma das folhas me recuando atrás dela: era meu irmão mais velho que estava na porta; assim que ele entrou, ficamos de frente um para o outro, nossos olhos parados, era um espaço de terra seca que nos separava, tinha susto e espanto nesse pó, mas não era uma descoberta, nem sei o que era, e não nos dizíamos nada, até que ele estendeu os braços e fechou em silêncio as mãos fortes nos meus ombros e nós nos olhamos e num momento preciso nossas memórias nos assaltaram os olhos em atropelo, e eu vi de repente seus olhos se molharem, e foi então que ele me abraçou, e eu senti nos seus braços o peso dos braços encharcados da família inteira; voltamos a nos olhar e eu disse "não te esperava" foi o que eu disse confuso com o desajeito do que dizia e cheio de receio de me deixar escapar não importava com o que eu fosse lá dizer, mesmo assim eu repeti "não te esperava" foi isso o que eu disse mais uma vez e eu senti a força poderosa da família desabando sobre mim como um aguaceiro pesado enquanto ele dizia "nós te amamos muito, nós te amamos muito" e era tudo o que ele dizia enquanto me abraçava mais uma vez; ainda confuso, aturdido, mostrei-lhe a cadeira do canto, mas ele nem se mexeu e tirando o lenço do bolso ele disse "abotoe a camisa, André". [...]. Trecho da obra Lavoura arcaica (Companhia das Letras, 1999), do escritor Raduan Nassar. Veja mais aqui.

NA UMIDADE CIFRADA - Ouço teu corpo com a avidez saciada e tranqüila / de quem se impregna (de quem / emerge, / de quem se estende saturado, / percorrido / de esperma) na umidade / cifrada (suave oráculo espesso; templo) / nos limos, açudes tíbios, deltas, / de sua origem; bebo / (tuas raízes abertas e penetráveis; em tuas costas / lascivas — lodo fervente — landas) / os desígnios musgosos, tuas seivas densas / (rol de lianas ébrias) Aspiro / em tuas margens profundas, expectantes, as brasas, / em tuas selvas untuosas, / as vertentes. Ouço (teu sêmen táctil) as fontes, as larvas; / (abside fértil) Toco / em teus vivos lodaçais, em tuas lamas: os rastros em tua frágua / envolvente: os indícios / (Abro / tuas coxas ungidas, ressudantes; escanceadas de luz) Ouço / em teus ásperos barros, a tua borda: os palpos**, os augúrios / — siglas imersas; blastos —. Em teus átrios: / as trilhas vítreas, as libações (glebas fecundas), / os fervedouros. Poema da poeta e tradutora mexicana Coral Bracho, extraído da obra: Jardim de camaleões: a poesia neobarroca na América Latina, organizada por Claudio Manoel.

ANTES DO CAFÉ, DE EUGENE O’NEILL
[...] Estou cheia dessa vida. Vontade de voltar para casa, bem que eu tenho, não fosse esse meu orgulho de não querer que eles saibam do fracasso que você é. Você, filho único do milionário Rowland, formado em Harvard, poeta, o melhor partido da cidade ‑ ha! (AMARGA) Hoje ninguém ia invejar a minha conquista. Que que foi o nosso casamento, diz aí? Mesmo antes do “milionário” do seu pai morrer, devendo dinheiro a Deus e ao mundo, você nunca dedicou um minuto do seu tempo à sua mulher. Talvez achasse que eu devia estar muito contente em você ser bastante “honrado” a ponto de se casar comigo, depois de me meter naquela fria. Tinha era vergonha de mim com os seus amigos gra-finos porque o meu pai e só um quitandeiro, isso sim. Pelo menos o meu pai é honesto, coisa que ninguém pode dizer do seu.(COM FIRMEZA, ELA VARRE EM DIREÇÃO À PORTA. APOIA‑SE NA VASSOURA POR UM INSTANTE.) Você esperava que todo mundo fosse achar que se casou obrigado e que todo mundo ia ter pena de você, não foi? Foi logo dizendo que me amava, me fazendo acreditar nas suas mentiras, antes da coisa acontecer, foi ou não foi? Me fez acreditar que não queria que o seu pai me pagasse para eu sumir, como ele tentou fazer. Hoje eu sei. Não foi à toa que eu vivi com você esse tempo todo. (SOMBRIA) Ainda bem que o pobrezinho nasceu morto. Que pai que você seria! (ELA FICA QUIETA E TACITURNA POR UM TEMPO. E CONTINUA, NUMA ESPÉCIE DE ALEGRIA SELVAGEM.) Só que eu não sou a única a te agradecer por ser infeliz, não. Tem pelo menos uma outra e esperança de se casar contigo agora, ela não pode ter. [...].
Trecho da peça teatral Antes do café (Before breakfast – Literary Classiscs, 1988), do escritor e dramaturgo estadunidense Eugene O’Neill (1888-1053), Prêmio Nóbel de 1936, com tradução de Flávio de Campos. A peça trata sobre a Senhora Rowland, que, numa manhã, descobre que o marido tem uma amante que está grávida. Ela expõe sua relação enquanto prepara o desjejum, mas será surpreendida novamente antes do café esfriar.

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O teatro de Eugène Ionesco aqui e aqui.
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A ARTE DE VERA FISCHER
A arte da atriz Vera Fischer. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte de Esther Gracia Marques.
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sexta-feira, julho 21, 2017

ETIENNE SOURIAU, CHIQUINHA GONZAGA, EDU LOBO, DAVE ST-PIERRE, RENATO BORGHETTI, ZÉLIA DUNCAN, LEILA DINIZ & TODAS AS MULHERES DO MUNDO!

A REDENÇÃO DO AMOR - Imagem: arte da poeta, artista visual & blogueira Luciah Lopez. - Ao amanhecer ainda ouvia o seu sussurro a me chamar “Etienne!”. Alvoroçado, eu a procurava enquanto sua melíflua voz ecoava ao ouvido. Cadê você, minha Isabeau? Sabia-lhe presente, mas não a encontrava. Ela estava em mim, eu me sentia nela, sabíamos, ela o meu amor e eu o seu. Cadê-la? Inútil procura, nem mais a voz, só a certeza dentro de mim de que ela estava em mim e ao meu redor, sempre. Até que surgia um belo falcão, asas abertas, crocitando nas imediações, se aproximando, chegando mais perto de mim. Contornava montanhas e pradarias com o seu voo veloz, sempre se achegando como se falasse comigo e eu entendia que o seu piado era aviso de emboscadas ou malsinações. Estava sempre atento aos seus sinais, pipiava pra me guiar o caminho a seguir durante a manhã e toda tarde. No primeiro crepúsculo, a sua transformação: era ela a amada Isabeau d’Anjou, a mulher que povoava meus sonhos e pensamentos. No afã de abraçá-la, tudo escurecia e não via mais nada, apenas o seu cheiro e toque como se estivesse o tempo inteiro comigo. Ouvia sua voz cantarolando, sua suave mão a me alisar carinhosamente, sabia da sua presença na minha noite longa, por meus sonhos mais inusitados, mesmo que eu não visse nada e não tivesse nada além que a sensação de sua envolvente emanação, sabia da sua presença na minha carne e alma. Sempre que a aurora apontava na barra do horizonte, eu acordava e ainda via a sua imagem suplicante se desfazer de braços estendidos a me chamar como se eu me mantivesse sonhando, sua expressão se esmaecendo até desaparecer por completo pra meu mais desolado desgosto. Dali a pouco, logo surgia em voo a sua plumagem cinzento-azulada no dorso e asas, o bico escuro e a cabeça preta, como se me chamasse e mais se aproximando, até depois de muito rondar, definitivamente pousar arfante ao meu braço e se tornar meu talismã, insígnia ao meu peito de capitão valente e cavaleiro negro solitário. E me guiava pelo mundo afora até levar-me aos esconderijos do monge Imperius que temia pela nossa presença. Sua insistência em ter com ele levou-me a capturá-lo e prisioneiro exigi que se explicasse e me contasse o que estava ocorrendo. Deu-me ele ciência da traição em que fora forçado e que, por conta disso, fomos condenados pela maldição do bispo de Áquila a estarmos sempre juntos, eternamente separados. Como assim? Quanto mais explicava menos eu entendia, coisas de sina do destino, fatalidade de maldições. Não acreditava nisso, a minha única crença depois de todas as lutas e batalhas triunfantes e fracassadas era no meu amor por Isabeau e no dela por mim. Disposto a não mais dar-lhe atenção, o falcão recusou-se a sair do recinto, insistia em ficar, como se tivesse que prestar contas com o monge. Virei-me pra ele e, mesmo trêmulo de medo e a suplicar clemência e perdão genuflexo, Imperius detalhou: de dia você é o capitão Etienne Navarre e ela o seu fiel falcão; de noite ela é Isabeau e você o lobo negro protetor dela. Desconfiei que estivesse bêbado, como sempre, mas o Rato, jovem ladrão que eu mesmo salvei, poupando-lhe de prisão e morte certas, confirmou a narrativa nos mínimos detalhes, tudo o que o traidor depôs. Fitei o falcão e vi nos seus olhos a efígie de Isabeau, tal como eu presenciara no último crepúsculo. E como já estava prestes o ocaso, era a vez de rever o espetáculo até tudo escurecer. Assim foi e vi Isabeau sumir na minha escura e longa noite, deixando seu perfume, sua aura e sua presença invisível no meu coração e na minha alma. Ela estava e sempre esteve em mim. Não sabia o que fazer ao amanhecer quando tudo se repetia e como nos entregar como o nosso querer, já que ela estava pra sempre em mim e eu nela até o fim do interdito da maldição pra nossa redenção com o eclipse solar no dia sem noite e noite sem dia. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aquiaqui.

TEATRO NA ESTÉTICA DE SOURIAU
[...] descobrir sob que ângulo de visão o mundo a ser apresentado é o mais interessante, o mais pitoresco, o mais estranho, o mais vibrante, ou o mais significativo. É exatamente - a analogia é esclarecedora - fazer no moral o que o cineasta faz no físico com sua câmara, procurando o melhor ângulo de tomada. [...] Uma situação dramática é a figura estrutural esboçada, num momento dado da ação, por um sistema de forças - pelo sistema das forças presentes no microcosmo, centro estelar do universo teatral; e encarnadas, experimentadas ou animadas pelos principais personagens daquele momento da ação. [...] Aliás, alguma vez um artista perdeu um mínimo de gênio por formular com clareza os dados positivos de sua técnica? Creio, porém, que, entre todas as artes, a do teatro é a que mais recorre a este gênero de conhecimentos, de cálculos, de formulações. Quem protestasse contra a idéia de qualquer cálculo nesses domínios, sisplemente estaria provando que nada entende da arte teatral, na qual sempre existiu muitos cálculos ou, se esta palavra ofende alguns sentimentais, muitos artifícios engenhosos e longamente meditados. Aliás, em que arte não há? [...].
Trechos extraídos da obra As duzentas situações dramáticas (Ática, 1993), do filósofo francês Etienne Souriau (1982-1979), autor da obra Chaves da Estética (Cultura Atual, 1973). Veja mais aqui.

Veja mais sobre:
O aperto que virou vexame trágico, As estratégias sensíveis de Muniz Sodré, O soldado morto de Sophia de Mello Breyner Andresen, Tecnologias & esquecimento de Maria Cristina Franco Ferraz, a fotografia de Alexander Yakovlev, a pintura de William Mulready & Ângelo Hasse, a arte de Doris Savard, a música de Asaph Eleutério – Ninguém, Ricardo Loureiro & Radio Estrada 55 aqui.

E mais:
Cadê o padre Bidião?, História da criança e da família de Philippe Ariès, O sol também se levanta de Ernest Hemingway, Espelho convexo de Celina Ferreira, O teatro e seu duplo de Antonin Artaud, o cinema de música de Catherine Malfitano & Mawaca, a pintura de Emil Orlik & Miles Mathis, Programa Tataritaritatá & muito mais aqui.
A obra de arte e a reprodução de Walter Benjamin, Philippe Ariès, Neuropsicologia, Educação Sexual, a música de Charlotte Gainsbourg, a pintura de Emil Orlik, o teatro de Ruy Jobim Neto & a arte de Marco Leal aqui.
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Rua do Sol, Anatomia da destrutividade humana de Erich Fromm, Museu de tudo de João Cabral de Melo Neto, Confissões de Narciso de Autran Dourado, a arte de Ivan Serpa, a música de Dawn Upshaw & a fotografia de Larry Clark aqui.
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O pavor dos acrófobos à beira do abismo, o pensamento de Comenius, Jornada de um poema de Margaret Edson, Toponimia pernambucana de José de Almeida Maciel, a poesia alemã de Olívio Caeiro, a música de Leoš Janáček & Kamila Stösslová, a arte de Pierre Alechinsky & Philip Hallawel aqui.
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TODAS AS MULHERES DO MUNDO
A premiada comédia Todas as Mulheres do Mundo (1966), do ator, dramaturgo e cineasta Domingos de Oliveira, com roteiro baseado nos contos A falseta e Memórias de Don Juan, de Eduardo Prado, conta a história de uma festa de Natal, quando um jornalista conta ao amigo sobre uma falseta acontecida entre ele e uma moça que é noiva de um outro e ele se apaixona, investindo numa conquista até ela ceder no envolvimento, mantendo-se amiga do ex-noivo, enquanto ele descarta relacionamento com inúmeras mulheres. O destaque do filme fica por conta da eternamente bela atriz Leila Diniz (1945-1972). Veja mais aqui, aqui e aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje é dia de especiais com o cantor, compositor, arranjador e instrumentista Edu Lobo: Camaleão & Limite das águas; da compositora, pianista e maestrina Chiquinha Gonzaga (1847-1935), interpretada pelos pianistas Leandro Braga & Clara Sverner; do músico instrumentista e acordeonista Renato Borghetti; e da cantora e compositora Zélia Duncan: Pelo sabor do gesto em cena & Tudo esclarecido. Para conferir é só ligar o som e curtir.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
LIBAÇÃO & ENTRE VERSOS DE LUCIAH LOPEZ
no teu colo___________me esparramo!
Sou feito enchente, enxame, exangue pele sob as tuas mãos
Ah, as tuas mãos
sempre tão sedutoras e indecentes me percorrendo
em busca do céu e um cantinho do inferno
essa mistura nada piedosa
nada piegas
mas sabedora das delicias da carne
dos encaixes perfeitos e afoitos
quando te percebo a enxergar
meu corpo desnudo, bêbado e extasiado
pronto a receber a tua nudez de homem
.
Libação, poema/imagens da poeta, artista visual & blogueira Luciah Lopez. PS: Neste domingo, 23/07, das 9:30 às 13:30hs, na Feira do Poeta – Largo da Ordem (ao lado da Casa Romário Martins), lançamento do livro Entre Versos: a palavra branca é nua, da autora. Confira mais aquiaqui.

LA PORNAGRAPHIE DES AMES DE DAVE ST-PIERRE
O espetáculo La Pornografia des Âmes (2004), ensaio coreográfico do bailarino, coreógrafo e diretor canadense Dave St-Pierre, envolvendo pessoas comuns e seus dramas com a constatação de que as pessoas estão se tornando solitárias na multidão e que só se comunicam com atendentes de respostas, utilizando-se de dançarinas nuas, provocativas e perturbadoras, como frágeis e em movimento numa fantasia. Veja mais aqui.
 

DIDI-HUBERMAN, LINDA DEANE, ADALYN GRACE & MARINÊS

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Das loas & toadas no cavalo-marinho... - O afamado artesão Tirésia já nasceu assim: cego e vaticinado...