segunda-feira, novembro 11, 2019

DOSTOIÉVSKI, MIRIAM MAKEBA, JANIN NUZ & AMIGOS DA BIBLIOTECA


QUE VAI, VAI; SÓ NÃO SE SABE PARA ONDE – UMA: OUTRA DAS FILHAS DA DOR – Danina, 19 anos, linda de morrer, primeiro emprego: caixa no Frigorífico de Sitonho. Assédio, licenciosidades, investidas maliciosas do patrão, ela na dela, contornava. Mais de três anos nessa pisada, até ela noivar com Zedinildo e pedir demissão. Pronto. Acertaram as contas, homologadas as verbas rescisórias com entidade sindical e laboral, na saída, o patrão sugeriu: Ao invés de pegar fila para sacar seu cheque, passe amanhã de manhã na firma que dou em dinheiro. Está certo. Horário acertado, entregou o cheque indenizatório, conforme combinado. Sitonho simplesmente rasgou o cheque e disse em tom mordaz: Pronto, tudo pago. E saiu. Ela ficou paralisada no meio da sala. Uma funcionária antes amiga encaminhou sua saída, estava na porta da rua, completamente passada. Foi socorrida pela solidariedade das outras filhas da dor, Gilvanícila, Gersoca, Samira, Sulina, DerluzaElvira e Gracinaura. (Veja mais aqui). DUAS: NO PAÍS DO FECAMEPA SEGURA O TOMBO! – O Fecamepa já dava em desgoverno desde as arrepiadas da República de Curitiba ao golpe parlamentar, para entrar na fase dos arrumadinhos cabeludos e grotescos do pandemônio instaurado com a posse depois das eleições. Bate o centro do ano o bumba-bumbado: logo as manguinhas de fora e a coisa começou a feder, a ponto da Amazônia pegar fogo por ela mesma, óleo nas praias nordestinas assim do nada, Jesus aparecer na goiabeira da ministra doida para salvar meninos de azul e meninas de rosa; cardumes suicidas, Ministério da Deseducação, da Injustiça e da Ignorância institucionalizada; racionamento de cocô, do Queiroz que se envulta, do Guedes que se embatuca batendo cabeça para pisar nos pobres, da patetatada ministerial geral, dos vexames diplomáticos, do desmonte constitucional e do aparelhamento coisonário – afora outras tantas tresloucadas presepadas vergonhosas e diárias que parecem não ter fim, taoquei, porra! -, a coisa escorrega ribanceira abaixo, melecada toda coisada e a gente no maior deus nos acuda, valha-me! Qual é, hem? O que fica mesmo pras comemorações de final de ano é que no país do Fecamepa é cada um por si e foda-se quem quiser (ou tome no cu, que dá no mesmo). Já se ligou? Ah, não! TRÊS: LAVA A ALMA DE NOVO DE QUALQUER JEITO – É festa desde sexta. Dá pro gasto, ora. Não era bem assim que se queria a libertação do Lula. Era para ser com a anulação completa do eivado processo fabricado nas garras do ministreco do Coiso depois da Vaza-Jato, com aquela máxima do Ministério Público: Não tenho prova, mas tenho convicção. Zás! Era uma vez Direito no Brasil, agora na lata do lixo. Como tudo do Judiciário brasileiro é casuístico, a coisa embola da gente sequer imaginar o tamanho da anomalia – coisa que vem desde mil e quinhentos, ora! Zorra por bagaça, dá tudo no mesmo. Será que tem jeito? Quem sabe! Vamos ver se a coisa que se queria endireitada, finda mesmo se aprumando para alguma outra direção mais apontada para a gente de todos os nossos Brasis. E vamos aprumar a conversa pelamordeus!!!!! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Mentir com graça, de uma maneira pessoal, é quase melhor que dizer a verdade à maneira de todos. [...] Não há no mundo coisa mais difícil do que a sinceridade e mais fácil do que a lisonja. [...]. Trechos extraídos da obra Crime e castigo (Estudios Cor, 1968), do escritor russo Fiódor Mikhailovich Dostoiévski (1821 - 1881), que narra a história de um jovem estudante que comete um assassinato e se vê perseguido por sua incapacidade de continuar sua vida após o delito. Atormentado por uma vida de insucessos, o protagonista resolve colocar em prática a sua tese, segundo a qual, existem sujeitos ordinários e extraordinárias, uns pela incapacidade, outros pela capacidade de transgredir as normas sociais e levar a sociedade a um novo estágio. Veja mais aqui e aqui.

A MÚSICA DE MIRIAM MAKEBA, A MAMA ÁFRICA
Olho para uma formiga e me vejo: um sul-africana nativa, dotada de uma força muito maior que o meu tamanho, para poder lidar com o peso do racismo que esmaga meu espírito. É meio doloroso ficar longe de tudo que você já conheceu. Ninguém conhecerá a dor do exílio até que você esteja no exílio. Não importa para onde você vá, há momentos em que as pessoas lhe mostram bondade e amor, e há momentos em que eles o fazem saber que você está com eles, mas não com eles. É quando dói. A tragédia das guerras civis em países como Angola e Moçambique é que eles deixaram muitos civis mutilados. A pobreza é a razão pela qual o HIV/AIDS se espalhou tão rapidamente nos municípios e favelas da África. A pobreza é o verdadeiro assassino. Eu não sou uma cantora política. Não sei o que a palavra significa. As pessoas pensam que eu decidi conscientemente contar ao mundo o que estava acontecendo na África do Sul. Não! Eu estava cantando sobre minha vida, e na África do Sul sempre cantamos sobre o que estava acontecendo conosco - especialmente as coisas que nos machucavam. Provavelmente vou morrer cantando.
MIRIAM MAKEBA, A MAMA ÁFRICA – Pensamento da cantora e ativista sul-africana Miriam Makeba (1932-2008), conhecida mundialmente como Mama África, símbolo internacional contra a segregação racial, que saiu do seu país em 1959, tendo seu passaporte revogado no ano seguinte, quando tentou voltar ao país para o funeral da sua mãe. Por conta disso, viveu no exílio por 31 anos, até o seu emocionante regresso em 1990, por conta das reformas do então presidente, W. De Klerk. Ela morreu após um show realizado em homenagem ao escritor e jornalista italiano Roberto Saviano, que se encontrava ameaçado de morte pela máfia napolitana, conhecida como Camorra. Veja mais aqui.

A ARTE DE JANIN NUZ
Eu sempre gostei de desenho e ilustração, então, no graffiti, encontrei uma técnica para desenvolver o que desenho, gostei tanto que fiquei lá, comecei a fazer grafite ilegal e um ano depois comecei com o legal. É algo que já faz parte de mim, da minha identidade, um amor indescritível; Só sei que quando tomo um spray me desconecto de tudo, e é apenas a parede, a tinta e eu. Sim, é muito motivador ver até onde eles chegaram, em termos de técnicas e qualidade, você sempre aprende tudo.
JANIN NUZ – A arte da desenhista gráfica, grafiteira e artista urbana mexicana Janin Nuz Garcin, que possui um trabalho marcado por uma perspectiva feminista e seu compromisso como ativista, isso em um contexto em que os artistas visuais dedicados à arte de rua são uma minoria e o ativismo não é generalizado. Com base na hipótese de que sua prática criativa pode ser entendida como um ativismo questionador da arte, cultura patriarcal e dinâmica tradicional do campo artístico, considerando que são áreas construídas principalmente a partir de uma forte hierarquia centralista e controladas por redes de poder. Veja mais aqui.

AMIGOS DA BIBLIOTECA
Aconteceu no último sábado, 09 de novembro, na Biblioteca Pública Fenelon Barreto, a Assembleia Geral dos Amigos da Biblioteca, ocasião em que foi aprovado o Estatuto e empossada a sua diretoria executiva e os Conselhos Fiscal e Administrativo. A partir de então será elaborado o Regimento Interno e o plano de ação dos Núcleos da instituição. Veja mais aqui e aqui.
 

sexta-feira, novembro 08, 2019

MALALA YOUSAFZAI, MARIELLE FRANCO, MICHELINY VERUNSCHK, SILVANA GUIMARÃES & ANNA DUTRA


CARTA DE NOVEMBRO - Esta carta é um canto. Sim, um canto porque o amor não envelheceu, nunca envelhecerá. Por isso canto, choro e escrevo. Sim, uma carta, um canto de despertamento porque este planeta não é a cloaca de Pandora. Não foi, nem nunca será. Sim, se fizemos o pior ao longo de milênios, nada mais que guerras e bombas, preações e interditos, mandonismo e ludíbrio, tudo para deteriorar o presente e nos meter, a nós e aos que virão, numa desgraça irresponsável e rediviva, tudo em nome de uma ganância insaciável, podemos escrever e cantar diferente, a diferença nos completa. E se no dia da escolha não amanheceu, a fria e sinistra madrugada avançou quarenta graus de calor em ebulição num sonambulismo excludente. Por isso mesmo, cantar e escrever. Sim, uma carta e um canto de chorar, lavar a alma de quem derrotado não perdeu a esperança com as pedradas nas vidraças e telhados, os tempos são outros. Cantar e chorar e escrever no meio das feridas e despojos de quem é indifuso, branqueiro, pretano, ou brasindibrapreiro, indipretanês, isso de norte a sul, leste ou oeste deste Brasilzão arrevirado e de porteira escancarada e no mundo inteiro. Sim, eu choro meus antepassados e as filhas das dores de ontem e hoje, e não sei qual a História escrevemos agora, o que será de mim e de todos nós daqui em diante. Há uma granada acesa no peito em cada fala e tudo retarda como se fosse voltas que valessem mordidas no pescoço e nos bolsos alheios por Savonarolas de plantão erguidos pelos que se acham melhores porque escolhidos, e falam Halloween para raspar a terra de Sacis, Cumades Fulôsinhas e Pernas Cabeludas, como se tudo nosso fosse feito para ser enterrado vivo e sem nenhum direito, mesmo que se grite por Direitos Humanos e esteja em vigência uma Carta Cidadã, nada disso vale para quem olvida tudo em nome de um deus apócrifo, vingativo e encolerizado, em nome de uma soberba estrangeira que não nos reconhece nem sequer respeita o que somos ou deixamos de ser! Um reino de vulgaridade insultante, vale tudo: o umbigocentrismo e a desonestidade dos veículos de comunicação de massa, das caravanas de subornados que enlameiam tudo com a grotesca fúria de coisonarios que sequer consideram o vexame de netos e bisnetos nas lições da escola dagora e daqui umas décadas e séculos futuros, na farra de ministros de cortes e governos, deputados, senadores, gestores e fascínoras que nos dizem não, entreguistas de nossas vidas, nosso chão, nossa dignidade e toda a nossa vida atormentada. Até os inúteis se aproveitam como feras ofendidas e desesperadas, ninguém tem vergonha com suas migalhas de paixões efêmeras e muito medo de nada, escravos seculares que vertem sangue por cédulas e moedas, todos somente barrigas e olhos, apenas se arranjam como podem e dão graças aos céus pelos otários que enganaram, sabidos de si, para se fartarem felizes dilapidando patrimônios por alguns segundos, enquanto se esbatem furiosos para nem lembrarem da culpa, já apodrecidos pela vileza, nem um pingo de arrependimento. Sim, eu choro com as filhas das dores de sempre, que foram e são as Burrinhas de Padre, as doutrinadas peregrinas de pastores desalmados, as virgens de líderes religiosos abastados e hipócritas, as escalpeladas pelas aspas do crime passional rotineiro e impune, as traficadas no jogo do poder-prazer para lá e para cá da escravidão que nunca foi abolida dos calcanhares consumistas que pisoteiam entre gases e lágrimas. Choro pelas crianças sem futuro, pelos deserdados que não sabem o que fazer, pelos que envelheceram expostos ao frio e a indiferença. Sim, eu choro por Marielle Franco porque a dor dela é minha, a morte dela é a minha morte e de todos nós e de todos os direitos, porque até as estrelas gritam por socorro, apavoradas, são humanos e eu me recuso a sorrir nesta carta e neste canto, a indignação nos humaniza e descoisifica a vida. Algo precisa ser feito! E para isso eu escrevo esta carta e canto este canto. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] configuram uma ocupação de regulação pelo Estado em territórios antes regulados pelos grupos criminosos armados, principalmente pelo varejo do tráfico armado. A denominação atual, portanto, demonstra a carga ideológica para manutenção dos elementos fundamentais da política hegemônica, pois se centraliza na ação da polícia e usa o recurso ideológico da apelação pela paz. O que está em questão é que a polícia, com a abordagem que predominou, não se firma apenas como uma das atividades do Estado, mas acaba por ganhar um local estratégico nesse processo de ocupação territorial. O que ocorre é uma propaganda geral pela paz, na qual a polícia, e não a política, ocupa lugar central. Esse é mais um dos sintomas do predomínio de uma política de segurança sustentada na militarização. É nesse sentido que se pode afirmar que há uma proposição aparentemente utópica, que assume caráter profundamente ideológico. Não se trata de algo que adota um rumo contrário à lógica e ao modelo imposto até o momento; ainda que possua fissuras diferenciadas, não consegue romper com o modelo já em curso. A abordagem das incursões policiais nas favelas é substituída pela ocupação do território. Mas tal ocupação não é do conjunto do Estado, com direitos, serviços, investimentos, e muito menos com instrumentos de participação. A ocupação é policial, com a caracterização militarista que predomina na polícia do Brasil. Está justamente aí o predomínio da política já em curso, pois o que é reforçado mais uma vez é uma investida aos pobres, com repressão e punição. Ou seja, ainda que se tenha um elemento pontual de diferença, alterando as incursões pela ocupação, tal especificidade não se constituiu como uma política que se diferencie significativamente da atual relação do Estado com as favelas. Importa ressaltar ainda a questão da formação dos policiais. [...]. Trecho extraído da dissertação de mestrado com a temática UPP – a redução da favela a três letras: uma análise da política de segurança pública do estado do Rio de Janeiro (UFF, 2014), defendida pela socióloga, ativista feminista e defensora dos direitos humanos, Marielle Franco (1979-2018), na sua luta pelos direitos do cidadão na denúncia da violência, dos abusos policiais e da falta de recursos nas comunidades mais carentes da cidade. Eleita vereadora do Rio de Janeiro em 2016, ela foi assassinada no dia 14 de março de 2018, juntamente com o motorista, Anderson Gomes. Entre os seus questionamentos estão: O que é ser mulher? O que cada uma de nós já deixou de fazer ou fez com algum nível de dificuldade pela identidade de gênero, pelo fato de ser mulher? A pergunta não é retórica, ela é objetiva, é para refletirmos no dia a dia, no passo a passo de todas as mulheres, no conjunto da maioria da população, como se costuma falar, que infelizmente é subrepresentada. Quantos mais vão precisar morrer para que essa guerra aos pobres acabe?

A POESIA SILVANA GUIMARÃES
sangrar o amor em nome do ódio numa emboscada
machista racista escravocrata - atalhar uma vida –
sofrer com o trabalho forçado no tribunal da memória
cochilar sobre arames farpados nunca mais dormir
conviver com minhas faces tremulando nos jornais
- estandartes da esperança renovada ad infinitum –
suportar meu corpo tomando posse de outros corpos
agigantando-se neles à cata de tolerância & justiça
: agora sou uma flor negra & altiva que a morte
regenerou e transmigrou em inúmeros pássaros
pólen néctar colibri minhas palavras espalham-se
ao vento e esse ardor você não pode emudecer
Revoada, poema da poeta e editora da revista Germina & do site Escritores Suicidas, Silvana Guimarães.
&
A POESIA DE MICHELINY VERUNSCHK
uma mulher descerá o morro
como se descesse de uma estrela
uma mulher seus olhos iluminados
suas mãos pulsando vida e luta
sob seus pés a velha serpente
[a baba as armas a covardia de sempre].
uma mulher descerá o morro
as inúmeras escadarias do morro
os muros arames que separam o morro
e pisará o chão desse país sem nome
desse país que ainda não existe
desse país que interminavelmente não há
uma mulher descerá o morro
tempestade é o vestido que ela veste
uma mulher descerá o morro
e ainda que seu sangue caia
ferida incessante no asfalto do Estácio
e ainda que anunciem sua morte
[e sim, ainda que a comemorem]
esta mulher ninguém poderá parar
Poema da poeta e historiadora Micheliny Verunschk, a mestre em Literatura e Crítica Literária, doutora em Comunicação e Semiótica e doutoranda em Letras pela PUC-SP. Veja mais aqui, aqui & aqui.

A ARTE DE MALALA YOUSAFZAI
Acredito que somos uma comunidade e que devemos cuidar uns dos outros.
MALALA YOUSAFZAI - A arte da ativista paquistanesa Malala Yousafzai, em homenagem à vereadora e socióloga assassinada, Marielle Franco, durante sua visita à Rede NAMI, em 2018, organização que usa a arte urbana para promover os direitos das mulheres. Malala é conhecida pela defesa dos direitos humanos das mulheres e do acesso à educação na sua região natal do vale do Swat, na província de Khyber Pakhtunkhawa, no nordeste do Paquistão, onde os talibãs locais impedem as jovens de frequentar a escola. Ela foi a ganhadora do Nobel da Paz de 2014. Veja mais aqui.

ANNA & SEU BLOG
VIDA: Uns vivem a vida perene / Como se perdida e malsã / Outros, a vida que finda / Como se uma ininterrupta manhã / De uma e d’outra / Colhemos o sal / Numa e noutra / Plantamos as graças / Do encontro / O Amor / Esse Encanto / Essa Flor / À mão ofertada / À fronte beijada
Sou a Anna. Tento trazer informação e experiência a pessoas que buscam fortalecimento emocional e acolhimento. Alguma ajuda para trasmutarem emoções e pensamentos limitantes. Espero que encontrem, em si mesmas, as forças e virtudes para a construção de uma vida próspera e significativa. Mais que tudo, este é um espaço de ganhos: na troca, para me tornar uma pessoa melhor e na superação, para construir uma jornada ascendente e de círculos virtuosos.
ANNA & SEU BLOG – Blog da pedagoga, gestora de empresas, consultora organizacional e de desenvolvimento humano, artesã e reikiana Anna Dutra, especialista em Gestão do Conhecimento pela Coppe/UFRJ, personal e professional coach, leader coach, career & Positive Coach pela Sociedade Brasileira de Coaching (SBC) e designer thinking pela Escola de Design Thinking ECHOS. Ela também é facilitadora de Jornadas Transpessoais e de Processos de Mudança, cujos objetivos são despertamento, autocura e florescimento humano, além de ser idealizadora e facilitadora dos programas Vir a ser, Construindo Pontes Juntos e Flores em Você, todos de base Positiva e Transpessoal, com abordagem multidisciplinar e integrativa.
 

quinta-feira, novembro 07, 2019

CECÍLIA MEIRELES, CAMUS, HÄNDEL & RITA LINO


A ESCURIDÃO DE HÄNDEL - Sempre me vi só, um sonhador, apesar dos pesares: desajeitado e feio, o tamanho da minha arte, quem me dera. Contrariei os desejos de meu velho pai que me queria estudante das leis ou barbeiro de prol – desde criança, a minha arte era uma flor a céu aberto, todavia um negócio improfícuo e vivia sob a ameaça de me cortar os dedos caso teimasse. Não fosse o duque de Weissenfels e eu preferi ser suposto célebre saxão ou o diabo, morrer de fome na sarjeta, como diziam. Minha mãe era filha de um pastor protestante, tinha o coração jovem, o meu incentivo para trabalhar árdua e constantemente no poço inexaurível que jorrava de dentro de mim. Tive que ir para a terra da eterna primavera, seguindo os passos do guia espiritual e artístico Steffani. O que vivi, foi da estreia de Almira, depois Nero ou o amor através do sangue e do assassino, Rodrigo, Agrippina, o oratório La Resurrezione, o que me fazia um italiano e futuro inglês. Ah, fui embalado com a vitoriosa Rinaldo, Tamerlano, Radamisto, Rodelinda, oratório Esther e hinos de Chandos. Era eu tratado como o legendário ciclope Briareu – o Egeão entre os hecatônquiros, centímano gigante dos cem braços e cinquenta cabeças da Titanomaquia. Eu tinha um novo estilo, provei com os oratórios Ester, Débora, O triunfo da verdade. Se eu era bom no que fazia, péssimo com os negócios. Tive que encarar a situação entre ter o instrumento e a filha de Buxtehude, ou nada. Nunca me interessaram honrarias nem dinheiro. Mas vieram as injúrias, o público escasso, a acusação de imoralidade, intrigas políticas, as disputas, meus bens foram sequestrados, a falência e ameaças de prisão, desventuras. Roubaram-me tudo, se apoderaram de tudo que era meu sem pedir licença nem cartão de agradecimento. Ah, lá estava eu na minha estranha melancolia diante do fracasso. Um relâmpago nas trevas da noite e o oratório O Messias – quantas aleluias! Sei, sempre sentimental, da placidez à explosão emocional. Muito emotivo; calmo ou tortuoso, generoso ou implacável, dual por essência. A minha sensibilidade sempre superou as asperezas da realidade, também me dei por terno ao longo da minha vida e me doei às turbulências com disposição para o acolhimento, embora exigisse de mim o tempo inteiro autocrontrole para tudo. Sei, sempre trabalhei muito, discreto, apesar do vigor e tenacidade, achegado a um vinho e compulsivo aos prazeres da boa mesa, isso para quem já foi de bela compleição, envelhecer obeso, caricaturado pelas sátiras afiadas dos maldosos. O que mais me irritava era a ignorância – eu deveria mesmo era me desculpar por apenas diverti-los, quando eu desejava melhorá-los. Da minha parte, sempre perdoei, não guardei rancores nem sou lá muito religioso. Cantoras que me fascinaram se foram com as mulheres com o interdito familiar de jamais contraírem núpcias com músicos, quando não, elas queriam que eu me divorciasse da arte, que coisa! Era a minha irremediável solidão e apreciava a arte pictórica, belíssimas gravuras, reservado, quem lá entenderia meu coração. Para Newton eu era o virtuoso das teclas e sei, se eu estava no meu corpo ou fora dele, não sei. Deus sabe! Era o embalo dos três atos de Alcina - Gli evenimenti di Ruggiero, e a vida nublava até ser a luz completamente aniquilada na minha profunda tristeza. Quantas dificuldades para o oratório de Jephta. Eu via o céu diante de mim, lá estava Deus na minha solidão. Era, então, sexta-feira, a vida ia e voei. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: Nós merecemos a morte, / porque somos humanos e a guerra é feita pelas nossas mãos, / pela nossa cabeça embrulhada em séculos de sombra, / por nosso sangue estranho e instável, pelas ordens / que trazemos por dentro, e ficam sem explicação. / Criamos o fogo, a velocidade, a nova alquimia, / os cálculos do gesto, / embora sabendo que somos irmãos. / Temos até os átomos por cúmplices, e que pecados / de ciência, pelo mar, pelas nuvens, nos astros! / Que delírio sem Deus, nossa imaginação! / E aqui morreste! Oh, tua morte é a minha, que, enganada, / recebes. Não te queixas. Não pensas. Não sabes. Indigno, / ver parar, pelo meu, teu inofensivo coração. / Animal encantado - melhor que nós todos! / - que tinhas tu com este mundo / dos homens? / Aprendias a vida, plácida e pura, e entrelaçada / em carne e sonho, que os teus olhos decifravam... / Rei das planícies verdes, com rios trêmulos de relinchos... / Como vieste morrer por um que mata seus irmãos! Poema Lamento do Oficial Por Seu Cavalo Morto, extraído da obra Mar absoluto e outros poemas (1945), da escritora, pintora, professora e jornalista Cecília Meireles (1901-1964). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

TEATRO DE CAMUS
Compreendi que não bastava denunciar a injustiça. Era preciso dar a vida para a combater. Agora, sou feliz.
ALBERT CAMUS – A obra teatral do escritor, dramaturgo e filósofo francês Albert Camus (1913-1960) é destacada a partir da peça em 5 atos Les justes (Os justos – Galimard, 2008), que se passa no cenário czarista russo de 1905, quando um grupo de anarquistas revolucionários planejam o assassinato de grão-duque, discutindo a existência de amor e de limites na ação e o ideal de justiça defendido. Em seguida, a peça teatral Estado de sítio (1948), que se passa em uma pequena cidade litorânea, assolada pela peste e dominada pelo medo que era o mal do século XX, uma alegoria da ocupação, da ditadura e do totalitarismo. Já a peça em 3 atos, Le Malentendu (O malentendido, 1944), dramatiza uma trama familiar com a revolta do homem contra o absurdo imerso na existência e a falta de sentido na vida, tratando sobre o exílio e o reconhecimento do outro, a defesa do amor como a única forma de impedir que todos se percam no ódio contra a própria existência. A peça em 4 atos, Calígula (1941 – Galaxia, 2009), conta a história sobre a perversão moral de Calígula (12 d.C.-41 d.C.), o terceiro imperador romano e um dos doze césares, contando após a morte de sua irmã, com quem supostamente mantinha uma relação incestuosa, apresenta sua faceta cruel, excêntrica e desajustada, agindo de maneira absurda e desleal, cometendo assassinato de seus próximos e de parentes de seus próximos, motivando a revolta destes. Por fim, a adaptação dele para o romance de Dostoiévski, Les possédés (Os possessos, 1959), tratando sobre o pessimismo. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

A ARTE DE RITA LINO
Sou o que você quer ver, mostro o que não sou.
RITA LINO – A arte da fotógrafa e artista portuguesa Rita Lino, que estudou Design de Multimídia da Universidade da Beira do Interior, pós-graduada em fotografia pela Elisava, de Barcelona, na Espanha. Ela já realizou várias exposições individuais e coletivas, tendo o nu como provocação e exteriorização do ego, assumindo diferentes personagens. Ela atua também com vídeos e já publicou a série Protect me. Veja mais aqui.
&
A OBRA DE HÄNDEL
A obra do compositor alemão Georg Friedrich Händel (1685-1759) que possui uma diversidade de publicações com desencontrados dados biográficos, merecendo destaque o espetáculo Haendel Gala, com texto escrito pelo britânico Richard Armbruster, contando a vida do compositor, mesclando música e elementos teatrais. Também merece destaque o álbum Amor Oriental ~ Händel alla turca (Deutsche Harmonia Mundi, 2011), com suas composições na interpretação de Juanita Lascarro, Ahmet Özhan e Florin Cesar Ouatu, com a orquestra Pera Ensemble – Ensemble l’arte del mondo, regida por Werner Ehrhardt. Veja mais aqui e aqui.


quarta-feira, novembro 06, 2019

SOPHIA BREYNER, ADORÉE VILLANY & CORREIO SENTIMENTAL


SOPHIA ETERNA POESIA - O que foi feito ou dito, aconteceu. O que não se perdeu, quase não mais. A vida passou, nenhum temor, explicação alguma e nenhuma data, morada, simulacro ou inutescência: o mundo é o lugar da imperfeição. De fato, o que ficou, nada mais que a lembrança de sua raiz dinamarquesa do Porto na quinta fabulosa, a memória das casas que desapareceram com a nau de Laura, as manhãs da Granja, o jardim perdido e dali a noite para as historietas infantis da menina do mar e a floresta, coisas do coração e de viver. Sou rio na praia abandonada como Endymion - como o rio que atravessou a sua vida no estio da paixão cega e nua. E nos cruzamos no frio da noite entre o silêncio e a solidão, nos estiramos na rua de abril e foi possível que cometesse a sua escrita na carne do meu peito que sangrou e sorrio enquanto exaltações se fizeram de amor e amante. A brisa trouxe o beijo da sua boca amena e eu entrei pela manhã que era sua e passamos Antinoo, um ao outro, exilados na inteireza e a sós. Eu possuí todas as praias em que você foi mar e abraçou a minha alma perdida para que eu vivesse no bailado dos seus sonhos que voltaram e tomaram os meus que serão sempre seus. Justa foi a forma do seu corpo ao meu nos dias de verão e longos desejos inquietos de tocar e não prender entre quatro paredes a libertação madura da carne que exultou de felicidade, ao mesmo tempo que sangrou na distância que dilatou músculos e dores persecutórias. Acontecia-lhe o poema escrito por ninguém, feito por si só e a falar de si e o que não se vê, aprendi da poesia do seu sorriso e na entrega do seu amor. Não posso ignorar a sua Cantata da Paz, o Nome das Coisas, as Cidades Acesas, o Tempo Dividido e a reza pelos pescadores em alto mar. A busca pela justiça foi tudo no tempo em que vivemos. Nunca mascarei a virtude nem comprei perdão, não me calo, nem tenho medo, muito menos germino na podridão, voo de mãos dadas com o perigo e a morte. Perfeito é não quebrar, porque os outros sempre chegam tarde, não sabem de si nem de nós, só deles. Na sua e na ausência de todos, também a minha loucura de florir a vida, de beber a lua cheia, a minha biografia no tempo e no chão da minha terra. Eu que sempre fui rio, um dia serei mar e areia aos seus pés, também jamais amarei quem não possa viver sempre, nem darei ao tempo a minha vida. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: Há mulheres que trazem o mar nos olhos / Não pela cor / Mas pela vastidão da alma / E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos / Ficam para além do tempo / Como se a maré nunca as levasse / Da praia onde foram felizes. / Há mulheres que trazem o mar nos olhos / pela grandeza da imensidão da alma / pelo infinito modo como abarcam as coisas e os homens… / Há mulheres que são maré em noites de tardes… / e calma. Poema O mar dos meus olhos, da poeta portuguesa Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004). Veja mais aqui, aqui & aqui.

TELEGRAMA SENTIMENTAL
Amor com amor se paga
Isto é modo de dizer
Por mais amor que me pague
Ficará sempre a dever
TELEGRAMA SENTIMENTAL – (Imagem: Quermesse, de Anita Malfati) – Quadra extraída da obra Quadras anônimas (Olimpia, 1997), de José Sant’Anna, registrada por Luís da Câmara Cascudo, no seu Dicionário do folclore brasileiro (Global, 2001), dando conta do correio-elegante que era um entretenimento que consistia em enviar mensagens escritas, em versos ou não, a alguém com quem se desejava estabelecer contato. Outra quadra como: O passado está gravado / neste correio tão puro / quero guardar para sempre / recordação pro futuro. Mais outra: Nesta quermesse tão bela / onde tudo é alegria / falta somente você / para a minha companhia. Cascudo assinala que era costume tradicional rapazes e moças trocarem mensagens por ocasião de quermesses, festas religiosas, até mesmo pelo sistema de alto-falantes, em cidades do interior. Em forma de quadrinhas, são em geral verdadeiras declarações de amor. Veja mais aqui.

A ARTE DE ADORÉE VILLANY
A arte da coreógrafa e bailarina francesa Adorée Villany, que iniciou sua carreira no teatro, quando apresentou a Dança dos Sete Véus e, posteriormente, incorporou o texto da peça Salomé, de Oscar Wilde, em sua performance. Seus trabalhos exploraram temas míticos, históricos e orientais, além de possuírem qualidades abstratas, afora temas de pinturas de artistas contemporâneos como Franz Stuck e Arnold Böcklin. Ela desenhou suas próprias roupas e descobriu seu corpo durante suas apresentações. Foi processada por obscenidade em Munique em 1911, sendo posteriormente absolvida; o júri constatou que seu desempenho estava no "maior interesse da arte". Sua pena foi uma multa em 200 francos pelo Tribunal Correctnel em Paris por exposição indecente. Publicou um livro sobre dança, Tanz-Reform und Pseudo-Moral, em 1912, que expressava seus princípios estéticos. Veja mais aqui.
 

terça-feira, novembro 05, 2019

HÉLÈNE & RUBENS, HUMBERTO MAURO & LUO LI RONG


HÉLÈNE, A VIDA DE VOLTA – Foi o que fiz depois, as noites se tornaram maiores que os dias de quase não ter fim, a escuridão imensa de olhos cansados a fio e nada mais às voltas e já nem sabia das horas arrastadas, martelo no gongo em eco, e passavam com tudo na mesma. Os dias se iam, a tarde, a noite e a madrugada longa, imorredoura, e assim a semana, o mês, o semestre e o ano acabava e nunca amanhecia. O que fiz nem sabia, já quase não suportava mais, não havia como sobreviver à solidão de Isabella que se foi com a agourenta peste de mais de três anos e nem sei se mais, calendário de um só dia em outros do mesmo e o que seria de mim no meio desse sorvedouro imperecível, inalterável. Não havia o palpável, uma distância imensa ao redor, nem sei se vivo de tão invisível, paisagem comum de tão insensível saudação. Já nem era mais esperança no que havia perdido e sucumbia aos estalos intermitentes e tardios de uma surpresa adiada. Não restava mais nada, não emergisse imprevista aquela pele de porcelana branca de caçula e daquela família quase irreconhecível de um rico mercador antuérpio, jovem diva loura, irmã de uma concunhada, de uma hora para outra, encantadoramente bela fonte inspiradora de um sonho real e eu fizesse o que deveria ser feito na hora exata. Sim, ali o momento e seus olhos claros, seu jeito inocente e divertida criatura, o sorriso encantador no brilho da vitalidade. Já me via outro e esquecia tudo que vivi e passou. Disso fiz e refiz, ah, e como fiz, a jovem bela para as ideias do Het Steen, o sonho projetado de The Rainbow Landscape. Deveras, ela a minha Helena de Tróia no Garden of love, a deusa do julgamento de Paris, a musa dos meus rabiscos com esboços das suas poses de todas os gestos. Eu renascia no brilho rosado de suas faces, na sua boca carnuda que me tinha como se fosse revivido saborosa refeição; nos seus seios fartos a me darem o que faltava nas horas mais deprimentes; nos seus quadris dançantes de todos os passos e ritmos estonteantes; nas suas pernas inquietas e andejas das mais loucas travessuras de se dar e receber. Era a Vênus Pudica nua com uma das mãos escondendo o colo, e a outra ao braço que se delineava pela região pélvica apetitosa a me chamar mais para perto e a convidar para o que fosse das mil e uma e outras de jamais vivido; uma deusa fulgurante que desceu do panteão para premiar todos os meus desejos, uma graça livre das outras para me fazer grato a tudo, uma ninfa desgarrada a me dispor do que nunca tive, personificando a minha heroína salvadora, a minha rainha de todas minhas reverências e decisões. Era ela, aquela que foi criada para ser retratada em todos os meus versos de cores e luzes em closes majestosos, nua e real no privado Het Pelsken que não se vende nem se exibe. Meus olhos são para ela que vem com sua beleza jovem de coração e corpo, antecipando a cariátide para minha salvação, à espera da carruagem, seminua de todos os trajes – até no sonho do casamento, o ridículo para detratores! E renasci com seus beijos viciantes, suas mãos inquietas de carinho, seus braços aconchegantes de pomares, suas pernas acolhedoras de remanso, seu sexo vitalizado imantando meus sentidos, arte e vida. Nela pude pela derradeira vez amar, trazendo a vida de volta para quem morreu anteontem e eu pude viver para o tributo eternizado. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: Sou apenas um homem simples, sozinho, com seus velhos pincéis, pedindo a Deus uma inspiração. Eu ainda não estava inclinado a viver a vida de um celibatário. Tomei uma jovem esposa de família honesta, mas de classe média, embora todos tentassem me convencer a fazer um casamento na corte. Mas eu temia o orgulho, aquele vício inerente à nobreza, particularmente naquele sexo, e foi por isso que escolhi alguém que não coraria ao me ver pegar meus pincéis na mão. E para dizer a verdade, teria sido difícil para mim trocar o precioso tesouro da liberdade pelos abraços de uma velha. Agora, pela graça de Deus... Estou levando uma vida tranquila com minha esposa e filhos e não tenho pretensões no mundo a não ser viver em paz. Pensamento do pintor flamengo Peter Paul Rubens (1577-1640), que se casou pela primeira vez com a Isabella Brandt (1591-1626), que morreu vitimada pela peste. Três anos depois, conheceu Hélène Fourment (1614-1673), que foi retratada em muito seus quadros e modelada para outras pinturas religiosas e mitológicas. Veja mais aqui e aqui.

HUMBERTO MAURO, O PATRONO DO CINEMA BRASILEIRO
O cinema é cachoeira.
HUMBERTO MAURO - Já tendo sido destacado aqui anteriormente, hoje novamente, o Patrono do Cinema Brasileiro, o cineasta Humberto Mauro (1897-1983), merece ser mais uma vez homenageado, desta feita pelo filme O descobrimento do Brasil (1936), com trilha sonora de Heitor Vila-Lobos, recuperado pela Cinemateca Brasileira, com uma narrativa extraída da Carta de Pero Vez de Caminha, contando a chegada da frota portuguesa às costas brasileiras, em 1500. Em segundo, o romance O canto da saudade (1952), com música de Vila-Lobos e que conta a história da filha do coronel Januário, Maria Fausta e o seu romance secreto com João do Carmo, quando o casal desaparece durante a campanha para prefeito do pai dela. O terceiro, o drama romântico Argila (1942), contando a história de uma moça rica e ilustrada, que, depois do retiro de luto por seu marido, retoma as atividades como patrona das artes e reabre seu salão, tratando sobre as diferenças entre ricos e pobres, a história de um amor impossível entre uma jovem rica e um artesão. Por fim, o drama Ganga Bruta (1933), contando a história de uma noite de núpcias e o noivo descobre que a sua mulher não é virgem e a mata, sendo absolvido e se casando posteriormente numa pequena cidade, retrato da vida brasileira com sua violência urbana e repressão sexual. Veja mais aqui.

A ARTE DE LU LI RONG
A arte da escultora e artista chinesa Luo Li Rong, criadora de escultura realistas. Veja mais aqui.


segunda-feira, novembro 04, 2019

JENNY & MARX, DOROTHEA TANNING & CRISTIAN BUDU


A PRINCESA JENNY – Ah, como amei Frau, a minha Jenny, a princesa aquariana de Salzwedel para quem dediquei meus juvenis poemas de amor. Mulher inteligentíssima e pensadora, estudiosa da obra shakespeariana com suas resenhas sobre o teatro londrino, ela que transcrevia meus manuscritos entre seus escritos e os meus olhos nos seus. Ela tantas vezes linda baronesa de Trèves, filha do amigo paternal e subversivo liberal, enfrentou a aristocrata objeção e deixou para trás sua puritana herança para ficar comigo nas minhas peregrinações no século errado, na inglória luta pela libertação humana. Ela sabia que meu pai queria me salvar da tragédia que era a perseguição judia, me batizando como cristão e eu perseguido pela raça humana. Ele queria a lei; eu, a justiça. Para minha mãe era eu uma desgraça, porque ao invés de ter feito capital, eu, inarredável iconoclasta, me pus a desmoralizá-lo. A minha profissão não era lá proveitosa: o serviço do próximo. Por isso, fui recusado em todas as portas que bati, não havia lugar para mim na Prússia. Encarei o drama da vida, fui acusado de alta traição, corria o risco de prisão e morte, por ser antiteocrático, antidespótico. Fui compelido a deixar Paris, fui banido em toda a parte, privações e exílios, refugiado pelos cantos e o capitalismo fabricando a farsa devastadora da ilusão e ceifando as vítimas dos poderosos. Onde me exilasse, a providência do destino. Havia me tornado um perturbador da paz autocrática. Fui escorraçado de lugar em lugar, desendinheirado, mulher e filhos reduzidos a pequenos cubículos, passando as piores necessidades. Conheci de perto a pobreza, a fome e a doença. Não deveria dividir o peso da minha cruz com mais ninguém além de mim mesmo, nem minhas desesperadas necessidades. Eu sabia: alguém morria de fome enquanto alimentos sobravam pelo mundo. Ah, como eu amei a mais bonita entre as princesas: comemos juntos os pães do amor e da aflição. Nossos filhos nasciam e morriam à míngua, nem tínhamos como enterrá-los. Nosso companheirismo, o amor recíproco no nosso vale de lágrimas de permanente migrantes, quantas inimizades, tantas restrições legais, a itinerância imprevisível, a fuga pelo mundo. Ainda ouço o seu sussurro do quanto foi feliz comigo, apesar de todos os pesares. A tristeza reina e abrevia, ela se esvai e eu choro. Nunca me vi sem você, um milagre da vida. Jamais deveria tê-la e me convenci que nasci para ser sozinho, defendendo a causa do mundo ocidental. Ela se foi e eu persigo seus passos, estarei com ela tão logo eu possa dizer o quanto a amo para todo o sempre, morrerei em mim para viver nela. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: O dinheiro não é apenas um dos objetos da paixão de enriquecer, mas é o próprio objeto dela. Essa paixão é essencialmente auri sacra fames (a maldita ganância do ouro), faz com que as pessoas vivam em torno de uma medíocre vida, ocasionada por necessidades impostas, gerando uma rotina alienada. Pensamento do economista, filósofo, historiador, teórico político e jornalista alemão Karl Marx (1818-1773), que teve, por toda a sua vida, a companhia amorosa e dedicada de Jenny von Westphalen (1814-1881) e com quem teve sete filhos, todos vitimados pela desgraça e maldição familiar. Em sua autobiografia, Contornos de uma vida movimentada (1865), ela escreveu: [...] nós nos deitamos no chão, as três crianças vivas conosco, chorando pelo anjinho, que frio e pálido descansou ao nosso lado. [...] Foi o tempo da nossa pobreza mais amarga [...] os anos das maiores e, ao mesmo tempo, das mais mesquinhas preocupações, tormentos, decepções e privações [...]. Sobre ela, Marx escreveu: Você sabe que há poucas pessoas mais avessas ao patético-demonstrativo do que eu; contudo, seria uma mentira não confessar que grande parte do meu pensamento está absorvida pela recordação de minha mulher, boa parte da melhor parte da minha vidaSobre o casal, encontrei a obra Love and capital (Back Bay, 2012), da editora e biógrafa Mary Gabriel, tratando sobre o lado humano e familiar do homem cujas obras redefinaram o mundo, aliando o contexto histórico-político da Europa do séc. XIX, e revelando aspectos da vida pessoal e da influência de Jenny sobre a obra de Marx. O jornalista britânico Francis When escreveu A life: Karl Marx (Fourth Estate, 1999), contando sobre a vida pessoal e filosófica de Marx. Também o drama e ficção histórica O Jovem Karl Marx (Le jeune Karl Marx, 2017), dirigido pelo haitiano Raoul Peck e coescrito com Pascal Bonitzer, contando sobre o exílio de Marx com sua esposa Jenny, para Paris, onde ele conhece Engels e passa a vive entre a censura e a repressão, os tumultos e o movimento operário na era moderna. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

A MÚSICA DE CRISTIAN BUDU
No Brasil, assim como em vários outros lugares, o pianista precisa viver um pouco no aeroporto se ele quiser projetar a carreira, mas a vida do músico é um pouco essa, construir contatos e estar em ambientes diferentes. No Brasil, o espaço para a música clássica ainda é um pouco mais restrito, por vários motivos, mas acho que o músico que quer fazer uma carreira e crescer tem que estar o tempo todo viajando. É um desafio grande ao mesmo tempo se aprofundar na música e conseguir ter uma certa reclusão para poder ter o contato íntimo com as peças, que não é fácil de alcançar. Acho que ainda existe um preconceito muito grande, sim, com a música clássica e a partir da música clássica, infelizmente. É uma música que ainda tem uma imagem relacionada à elite muito fortemente também porque muitas das pessoas, das sociedades que financiam projetos, das orquestras acabam vindo daí. A gente pode mudar um pouco essa imagem justamente mostrando que o assunto não tem a ver com essas estruturas.
CRISTIAN BUDU – A arte do premiado pianista Cristian Budu, que é formado em música pela Universidade de São Paulo (USP), estudou no Conservatório de Música da Nova Inglaterra, em Boston e tutorado por Wha Kyung Byun. Veja mais aqui.

A ARTE DE DOROTHEA TANNING
A arte sempre foi a balsa em que escalamos para salvar nossa sanidade. Não vejo um propósito diferente para isso agora.
A arte da pintora, escultora e escritora estadunidense Dorothea Tanning (1910-2012). Veja mais aqui, aqui & aqui.


DOSTOIÉVSKI, MIRIAM MAKEBA, JANIN NUZ & AMIGOS DA BIBLIOTECA

QUE VAI, VAI; SÓ NÃO SE SABE PARA ONDE – UMA: OUTRA DAS FILHAS DA DOR – Danina, 19 anos, linda de morrer, primeiro emprego: caixa no Fri...