sexta-feira, outubro 09, 2009

AUTISMO , EDUCAÇÃO INCLUSIVA & TATARITARITATÁ NA DIFUSORA




AUTISMO & EDUCAÇÃO INCLUSIVA - O autismo é visto como um transtorno do desenvolvimento causado por uma disfunção neurológica de base orgânica, que acomete o ser humano e incluindo entre os portadores de necessidades especiais – PNE. Neste sentido, vê-se a necessidade de adoção de ações voltadas para a educação inclusiva, na qual proporcione à escola atender a todos indistintamente. Pretende, portanto, abordar a questão do autismo sob a ótica da educação inclusiva, atendendo a necessidade de que a educação deve promover a formação humana, sua preparação para a vida e para o trabalho, bem como propiciar a todos a dignidade humana e o exercício de cidadania.
AUTISMO - O autismo é conceituado, conforme Goldstein (2009, p. 9), como um transtorno caracterizado pelos “[...] aspectos da dificuldade na interação social, na comunicação e comportamentos  e interesses restritos e/ou repetitivos”. Segundo a autora mencionada, é classificado pela Organização Mundial da Saúde como uma síndrome presente desde o nascimento, e se manifesta antes dos trinta meses de idade e está associada a diversas síndromes, com sintomas que variam, tornando-se um transtorno que se manifesta de diferentes formas. Ou seja, identificado desordem abrangente do desenvolvimento, definido pela presença de desenvolvimento anormal e/ou comprometimento que se manifesta antes da idade de três anos e pelo tipo de funcionamento caracterizado por déficits qualitativos na interação social recíproca e nos padrões de comunicação e por repertórios de atividades e interesses restritos, repetitivos e estereotipados. Para Lopes (1997), sob o ponto de Kanner de caráter lingüístico, apenas 1/3 dessas crianças aprendem a falar e as demais ficam, praticamente, em estado de mutismo. Desta feita, o autismo, segundo Mello (2004, p. 11), é “[...] um distúrbio do desenvolvimento humano que vem sendo estudado pela ciência há quase seus décadas”, tendo sua primeira descrição dada em 1943, por Kanner, que entendia sob a nomenclatura de Síndrome, como um desvio comportamental considerando todas as crianças que apresentassem inaptidão para desenvolver reações normais co outras pessoas, caracterizado como um isolamento. Porém, Kanner reconheceu mais tarde que o termo autismo não deveria se referir, nestes casos, à um afastamento da realidade com predominância do mundo interior, como se dizia acontecer na esquizofrenia. Também, conforme Mello (2004), em 1944, Hans Asperger publicou trabalhos com descrições detalhadas de casos de autismo, que ofereciam os primeiros esforços para explicar teoricamente tal transtorno. Denominado de transtorno, era vista como uma síndrome relacionada, caracterizada pelo comprometimento significativo da interação social e repertório de atividades e interesses restritos. Por esta razão, o Transtorno ou Síndrome de Asperger fixam seu interesse em um assunto e quase que vivem em função desse interesse. Enfim, o autismo, com base em Lopes (1997), é um transtorno de desenvolvimento causado por uma disfunção neurológica, que afeta a capacidade da pessoa de se comunicar, estabelecer relacionamentos e responder apropriadamente ao ambiente que a rodeia. Por sintomas, encontram-se que algumas parecem fechadas e distantes, outros presos a comportamentos restritos e rígidos padrões de comportamento. Por isso, é visto como um transtorno de desenvolvimento caracterizado por dificuldades e anormalidade em várias áreas: habilidades de comunicação, relacionamento social, funcionamento cognitivo, processamento sensorial e comportamento. Encontra-se na literatura revisada que o autista possui uma incapacidade inata para estabelecer relações afetivas, bem como para responder aos estímulos do meio. A grande dificuldade do autista é em relação à expressão das emoções, sendo, pois, um transtorno sem fronteira geográfica e social, isto é, pode ocorrer em qualquer classe social. Várias doenças, conforme Mello (2004), podem ocorrer associadas ao autismo, como infecções pós-natais (herpes simples), doenças degenerativas (Doença de Tay-Sachs), infecções pré-natais (rubéola congênita, sífilis congênita, toxoplasmose, citomegaloviroses, caxumba, herpes), alterações cromossômicas (Síndrome de Down ou Síndrome do X frágil (a mais importante das doenças genéticas associadas ao autismo), bem como alterações estruturais expressas por deleções, translocações, cromossomas em anel e outras); hipóxia neo-natal (deficiência de oxigênio no cérebro durante o parto), déficits sensoriais (dificuldade visual (degeneração de retina) ou diminuição da audição (hipoacusia) intensa), doenças gênicas (fenilcetonúria, esclerose tuberosa, neurofibromatose, Síndromes de Cornélia De Lange, Willians, Moebius, Mucopolissacaridoses, Zunich), espasmos infantis (Síndrome de West) e intoxicações diversas. Lopes (1997) identifica as características do autismo, vista em outros transtornos do desenvolvimento, tais como a deficiência mental, transtornos de aprendizagem e transtornos de linguagem. Alguns são vistos em algumas condições psiquiátricas, tais como transtorno obsessivo-compulsivo, personalidade esquizóide e transtornos de ansiedade. Muitos deles são vistos em pessoas consideradas normais, como em nós mesmos. O que distingue o autismo são os números, gravidade, a combinação e interação de problemas que resultam em deficiências funcionais significativas, tais como: Falta de conceito de sentido, Foco excessivo em detalhes, Distratabilidade, Pensamento concreto, Dificuldade de combinar ou integrar idéias, Dificuldades em organizar e Seqüenciar e Dificuldade em generalizar. Além dos déficits cognitivos múltiplos, o autismo apresenta alguns padrões de comportamentos característicos: Forte impulsividade, Ansiedade Excessiva, Anormalidade Sensório-perceptuais. Além disso, assinala Lopes (1997) que entre as características a criança não se mistura com outras crianças, age como se fosse surda, resiste ao aprendizado, não demonstra medo de perigos reais. resiste a mudanças de rotina, usa pessoas como ferramentas, tem risos e movimentos não apropriados, resiste ao contato físico, apresenta acentuada hiperatividade física, apega-se de maneira não apropriada aos objetos, gira objetos de maneira estranha e peculiar, às vezes, a criança é agressiva e destrutiva, não mantém contato visual, olha as pessoas "atravessado" e isola-se, tem comportamento indiferente ou arredio. Neste sentido, encontra-se em Mello (2004) e Lopes (1997) alguns aspectos ligados ao autismo como a Sindrome de Angelman, a Síndrome de Asperger, a Síndrome do X Frágil, a Hiperlexia, a Síndrome do Landau Kleffner, o Distúrbio Obsessivo-Compulsivo, o Distúrbio Abrangente do Desenvolvimento, a Síndrome de Rett, a Síndrome de Prader-Will e todo Transtorno de Déficit de Atenção / Hiperatividade. Na revisão da literatura realizada também foi encontrado que não há cura para o autismo, não existindo um tratamento específico, mas muitas abordagens individualizadas, e os resultados variam. Para os casos de tensões, alterações, compressões, disfunções existentes pode-se utilizar a Terapio Craneo Sacral ou Liberatção Miofacial. As drogas de efeito dopaminérgicos têm demonstrado algum efeito sobre a sintomalogia do Autismo Infantil. Alguns outros tratamentos são: psicoterapia individual, psicanálise, terapia familiar, modificação de comportamento, fonoaudiologia, educação especial, tratamentos residenciais, eletroconvulso-terapia, estimulação sensorial e isolamento sensorial, tratamentos medicamentosos com drogas diversas.
A ESCOLA INCUSIVA - A proposta de educação inclusiva, conforme Carvalho (2004, p. 81), traduz o embasamento dos princípios do direito à educação, do direito à igualdade de oportunidades, o direito às escolas responsivas e de boa qualidade, o direito de aprendizagem e o direito à participação. Tendo por base Sassaki (1997), Bueno (1997) e Stainback e Stainback (1999), o ensino inclusivo tem referência com crianças com deficiências, para que estas aprendam eficazmente, quando traz a concepção que se aproxima de eixos norteadores de educação básica, reconhecendo as diferenças humanas e tratando a aprendizagem centrada nas potencialidades individuais. Para Sassaki (1997), na educação inclusiva, todas as crianças aprendem juntas e as escolas respondem às necessidades diversas de seus estudantes com a incorporação de estilos e ritmos de aprendizagem por meio de arranjos organizacionais, currículos apropriados, estratégias de ensino, recursos e parcerias com as comunidades. E, neste sentido, conforme o autor mencionado, estudantes, professores, pais, técnicos, especialistas, agentes do poder público e comunidade, assumem o desafio da descoberta e a superação de limites, construindo novas competências referenciadas no paradigma da escola inclusiva. Assim, conforme Stainback e Stainback (1999), compreende-se que o papel da escola inclusiva compatível com a realidade é, principalmente o de acolher a todos indistintamente, de modo que todos possam participar do mesmo processo de aprendizagem, efetivando trocas interativas que fortaleçam a aceitação das diferenças.  Na visão de Sassaki (1999, p.87): Dentro deste novo conceito de escola, o papel do professor já não corresponde àquele que foi desempenhado no passado. Atualmente vive-se em permanente contato com o desafio, onde a informação corre por entre os dedos, quer através dos jornais, livros e revistas, quer pela televisão e outros meios audiovisuais, exigindo a este profissional uma capacidade de adaptação permanente, o que provoca por vezes um sentimento de instabilidade, gerando-se freqüentemente “stress profissional”. Por esta razão é importante conhecer e perceber quais são os fatores que estão envolvidos no processo de mudança para que de algum modo possamos usar estratégias que nos ajudem a contrariar a nossa tendência natural para a “rejeição à mudança”. Mediante o exposto, observa-se que uma escola inclusiva se mostra disposta ao oferecimento de uma educação de qualidade para todos, com uma boa organização da sala de aula com regras claras, na qual o processo de inclusão de portadores de necessidades especiais – PNE, seja amplamente discutido e reestruturando a sociedade para a possibilidade da convivência entre diferentes. No caso do Autismo, conforme Assumpção Junior (2010) e Fonseca (2009), é encontrado o modelo do método Teacch, pautado em principios educacionais que envolvem padrões cognitivos e comportamentais, desenvolvendo formas de ajudar as pessoas com autismo a funcionar inseridos na cultura à sua volta. É um método baseado em muitos princípios, envolvendo áreas de competência e interesses, avaliação cuidadosa e constante, assistência para a compreensão do sentido, tratando a resistência como resultante da falta de entendimento e atua com a colaboração dos pais. Tem por objetivo ensinar ao aluno o conceito de causa e efeito, a comunicação e planejamento para desenvolver habilidades úteis e significativas para a vida adulta.  
CONCLUSÃO - O autismo, representando a enfermidade patológica que é, requer da escola uma posição inclusiva. Esta educação inclusiva traz a necessidade de um sistema que integre e inclua o portador de necessidades especiais, fazendo intervenções e enfrentando os desafios para valorização das habilidades e potencialidades destes, reduzindo suas limitações, apoiando a inserção familiar, social e escolar, bem como preparando o PNE adequadamente para a dignidade humana, o exercício da cidadania e formação profissional. A escola inclusiva cumpre sua missão quando sua visão, política, princípios e ações se destinam a ofertar uma educação para todos.
REFERENCIAS
ASSUMPÇÃO JUNIOR, Francisco B. Autismo infantil. Emediz, 2009.
BUENO, J. G. S. A integração social das crianças deficientes: a função da educação especial. In: MANTOAN, M. T. E. et. Alii. A integração de pessoas com deficiência. São Paulo: Memnon., 1997
CARVALHO, Rosita Editer. Educação inclusiva: com os pingos nos “is”. Porto Alegre: Mediação, 2004.
FONSECA, Maria Elisa Granchi. O uso de agendas visuais: um guia para pais e educadores. Brasília: CEDAP, julho 2009.
GOLDSTEIN, Ariela. O autismo sob o olhar da terapia ocupacional. São Paulo: Casa do Novo Autor, 2009.
LOPES, Eliana Rodrigues Boralli. Autismo: Trabalho com a Criança e com a Família. São Paulo: EDICON/AUMA, 1997.
MELLO, Ana Maria S. ios. Autismo: guia prático. São Paulo/Brasília: AMA/CORDE, 2004.
SASSAKI, R. K. Inclusão: construindo uma sociedade para todos. Rio de Janeiro: WVA, 1997.
STAINBACK, S. & STAINBACK, W. Inclusão: um guia para educadores. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1999. Veja mais aqui, aqui e aqui.



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