domingo, dezembro 09, 2012

HERTA MÜLLER, NORA BARNACLE, BARTHES, LUHMANN, EVANGELISTA, DUMONT, ZÉ RIPE & LITERÓTICA


A PARANOIA DA PAIXÃO POR ELA - Quando a tarde chega ela sorri tal qual minha nega, minha musa, avalie! E ri como o dia nasce. Não usa disfarce no perfume que exala incensando a sala e me dopando além. Blém, blém, eu folgo inchado e puxo ela do lado e dou-lhe uns arrochos. São vários acôchos daqueles bem dado de só o corpo colado dela me aproveitar. Larali, laralá. E pego a pegar, me ajeito e só puxo, esfrego, acarinho e repuxo e ela toda no gingado. Dela eu dou cabo dos pés ao cabelo no maior desmantelo, maior forunfado, maior que o pecado quando nela me ajeito, no seu corpo perfeito, minha salvação. Mas ela então, no meio dos meneios, inventa arrodeio e quer prestar contas. Vixe, que tonta, ela chama na grande, uma ficha se expande com muita exigência. Ela adiou a urgência, salta de lado emergência pra aprumar a conversa. Vixe que tô na travessa e ela vai debulhando até ficar reclamando as coisas que eu desdigo. E me faz de Rodrigo e ela Macabéa, quando é a panacéia da minha ginofagia. Tenho essa regalia quando fala sabiá ou quando quer me tratar com os regalos melhores. Depois todos pormenores ela bota na lista me acusando de artista de quinta categoria. Eita, que aleivosia, maior paranóia, ela solta a pinóia do meu senso empenar. E em primeiro lugar não alivia o badalo e joga sem intervalo que sou badass mothafuckes que só lhe sufoca e ainda banco o durão. Tem mais, então, ela se diz vítima de atentado e que sou apontado por fora-da-lei. Eita, teibei! Facínora execrado e infeliz desgraçado pior no mundo sou eu. Belzebu! Asmodeu! Pedra ruim e vasilha imprestável, o maior irresponsável, trepeça e malfeitor. Ela virou promotor e me lascou pro babau, com o Código Penal todinho invocado. Tô réu apenado com sangue fervendo, com processo respondendo com qual culpa imputado? Eu tô mesmo é condenado na volta dessa mulher. Na verdade ela quer me ver todo lascado. Porque solta o ditado que vai findar tísica sem integridade física porque sou genioso. Pior, sou mafioso, o pior dos bandidos e o maior foragido da face da terra. Ela mais me enterra provocando arenga pruma maldita pendenga pelos tribunais. E me inferniza demais no maior desaforo, jogando duro em meu foro com insulto desalmado. É quando eu fico invocado e ela sai na defensiva, bicha sabida e viva, negaceia e apruma o tom. E em alto e bom som, ela parte pro piquete, zomba que sou um sorvete e que tá completamente louca. É quando me beija na boca e depois ela arteira faz bico é quando me faz ficar rico de tanto amolego e carinho. Aí viro seu amorzinho e não deixo barato, dou sacolejo nos quartos com apetrechos e talher – porque não sou banguela! E eu de cima dela não saio nem que vire o mês de maio e seja mais o que Deus quiser!  © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui, aquiaqui.
  

DITOS & DESDITOS - Tudo o que sabemos sobre a sociedade, ou mesmo sobre o mundo em que vivemos, sabemos por meio da mídia de massa. Isso se aplica não apenas ao nosso conhecimento da sociedade, mas também ao nosso conhecimento da natureza. Pensamento do filósofo alemão Niklas Luhmann (1927-1998). Veja mais aqui.

 

ALGUÉM FALOU: Nada que resulta em progresso humano é alcançado com consentimento unânime. Pensamento do navegador italiano Cristóvão Colombo (1451-1506). Veja mais aqui.

 

MATER DOLOROSA – [...] Enquanto as formas primordiais restarem na memoria, haverá sobrevivencia e possibilidades de recomeço. [...] De boca ao ouvido, durante muitas luas, as linhas foram passadas. As informações das linhas. As formações das linhas. As linhas. Com elas, sem que eles soubessem, redesenhamos a vida e sobrevivemos. As nossas primeiras ferramentas de armar, geradas do sol e da água. Luz ou água quem estava no princípio? Os velhos diziam: juntas, sempre estiveram [...] Os velhos contavam: no princípio nunca foi o caos. E o primeiro nunca dormiu. Olho imenso. Bojudo. Luz de muitos olhos. Flutuante. Circulante. Circulando. Circulações geradoras. O círculo-alimento; entranhado no corpo. As misteriosas relações do espírito e do estômago: no fundo, a mesma forma. Sol alto, alto e sem sair do meu corpo. Daí, água e ar desenharam as linhas impensáveis. E o círculo gerou todas as formas [...]. Trechos extraídos da obra Mater dolorosa – in memoriam ii – Da criação e sobrevivência das formas (Rio de Janeiro, 1982), do poeta, publicitário e artista plástico Roberto Evangelista.

 

UM LINDO CASO DE AMOR - [...] Mas de fato, ele me fazia a corte: trazia bombons, flores, levava-me a passear. Dizia-se que ao ver-me ficava elétrico [...] Saia muito com ele, de manhã, passeávamos a Pê pela Avenue dês Acácias, depois ã Porte Dauphine tomar um vinho do Porto [...] Tinha horror a jazz... e dizia: ‘se tiver jazz não vou, nem quero ver muita gente. Os maridos, ainda suporto, mas barulho, não’. [...]. Trechos extraídos da obra Tudo em cor-de-rosa (Nova Fronteira, 1976), da socialite e princesinha do café Yolanda Penteado (1903-1983), pertencente a tradicionais famílias paulistas quatrocentonas, contando do seu relacionamento afetivo com o aeronauta Alberto Santos Dumont (1873-1932). Há quem diga que o livro deveria se chamar Um lindo caso de amor.

 

A CÂMARA - [...] Reconhecer o studium – interesse que a foto desperta – é fatalmente encontrar as intenções do fotógrafo, entrar em harmonia com elas, aprová-las, desaprová-las, mas sempre compreendê-las, discuti-las em mim mesmo, pois a cultura é um contrato feito entre os criadores e os consumidores. [...] Trecho extraído da obra A câmara clara (Nova Fronteira, 1984), do filósofo francês Roland Barthes (1915-1980). Veja mais aqui e aqui.

 

O DIABO SENTA-SE NO ESPELHO: COMO A PERCEPÇÃO SE INVENTA - [...] Percebo que em minha memória não permanece preferencialmente aquilo que aconteceu no plano exterior, que se denomina fato. O que permanece mais fortemente é aquilo que também lá estava na cabeça e que pode ser revivido, aquilo que vinha do interior em vista do exterior, dos fatos. [...] Sempre nos encontramos despreparados diante das coisas. Sempre elas se inventam, enquanto fazemos algo. [...] a invenção da percepção fosse a única possibilidade de mudar o mundo ao meu redor. Ele não se tornou mais suportável. Ele tornou-se mais ameaçador. Porém, ao menos esse acréscimo tinha algo a ver comigo mesma. [...] Pedaços de mundo se desprendem, como se eu tivesse engolido tudo o que eu não posso carregar. [...] Esse é o círculo vicioso: eu procuro viver, para não ter de escrever. E, justamente porque procuro viver, tenho de escrever a respeito. [...]. Trechos extraídos da obra Der Teufel sitzt im Spiegel. Wie Wahrnehmung sich erfindet (Rotbuch, 1991), da escritora e ensaísta alemã Herta Müller. Veja mais aqui e aqui.

 

CALÇADAS DE MIM (para o mestre, Luiz Alberto Machado. Um poeta irmão). - Essas calçadas sabem mais do que eu / Solas de vidas, sapatos gastos no tempo / do trépido destino por sobre o breu / onde inda cravo os dedos descontento / Cuspo pedras dos rins em palavras / De dor que dói mais que os próprios / Nestas calçadas como presépios / Paradoxalmente ainda teimas, cravas / Não quero o velho e nem este novo / Nem o futuro que se desenha quantum / Nestas calçadas de sonhos de ovo / Busquei a toda vida no prazer do ser / Do sonho em desalinho ao todo comum / Nas ruas desoladas de mim, irreal crer. Poema do poeta, compositor, artesão e artista plástico Zé Ripe. Veja mais aqui, aqui & aqui.

 


NORA BARNACLE – O drama Nora (2000), dirigido pela irlandesa Ruth Barton, conta a história de uma camareira de hotel, Nora Barnacle, que depois de um encontro tornou-se a relação apaixonada e turbulenta do escritor James Joyce, que escreveu para ela em 15 de junho de 1904: Eu posso estar cego. Fitei por muito tempo uma cabeça coberta de cabelos castanho-avermelhados e decidi que não era a tua. Voltei para casa bem deprimido. Gostaria de marcar um encontro, mas talvez não te convenha. Espero que tenhas a bondade de marcar um comigo --se não te esqueceste de mim! [...] Sentia tuas nádegas gordas e suadas debaixo de meu ventre e via teu rosto em fogacho e teus olhos aloucados [...]. O dia seguinte, 16 de junho de 1904, foi imortalizado na obra Ulisses, e transformado em Bloomsday, o dia de Leopold Bloom, o personagem central do livro, que se tornou uma data nacional na Irlanda e é comemorado no mundo inteiro, inclusive no Brasil, pelos fãs do escritor, quando ocorrem festividades, leituras, palestras e bebedeiras. O filme foi baseado na biografia homônima escrita por Branda Maddox. Veja mais aqui, aqui e aqui.

 

PROGRAMA DOMINGO ROMÂNTICO – O programa Domingo Romântico que vai ao ar todos os domingos, a partir das 10hs (horário de Brasilia), é comandado pela poeta e radialista Meimei Corrêa na Rádio Cidade, em Minas Gerais. Confira a programação deste domingo aqui. Na edição deste 09/12 do programa Domingo Romântico, apresentação da radialista e poeta Meimei Correa e produção de Luiz Alberto Machado, conta na sua programação as atrações: Horácio, Clarice Lispector, Wagner Tiso, Florbela Espanca, John Lennon, Tom Jobim, Emerson Fittipaldi & George Harrisson, Emily Dickinson, Alaíde Costa, Chico Buarque, Maria Bethânia, Beth Goulart, Djavan, Ná Ozzetti, Leoni, Simone, Antonio Abujamra, Milton Gonçalves, Gilberto Gil, Gerusa Leal, Rosana, Gilberto de Abreu, Bruno Vinci, Shakira & Ivete Sangalo, Herbert Viana & Gabriel Pensador, Cassia Eller, Eliezer Setton, Carlos Moura, Vinicius Cantuária & Boca Livre, Leureni, Ibys Maceioh, Zé Geraldo, Frank Sinatra, Dionne Warwick, Marquinhos Cabral, Maria Dapaz, Marco Araujo & Airton Costa, Fagner, Sinéad O´Connor, tudo isso muito mais!! Veja mais aqui.

Para conferir é só clicar aqui e depois em Reproduzir Tudo. E  veja outras edições do programa aqui.




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O presente na festa do amor aqui.
Primeiro encontro, a entrega quente no frio da noite aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Leitora Tataritaritatá!!!!
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
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