quarta-feira, janeiro 18, 2012

A FARRA DO BIRITOALDO




A FARRA DO BIRITOALDO


Letra & Música de Luiz Alberto Machado


Eu tomo uma, viro duas e venha três
Eu bebo todas pra cair só duma vez

Quando o cara se enfia na cachaça
Mais parece ver o mundo se acabar
Se tem guerra ele ganha na moral
Pois o pinguço jamais arreda a raça
Toda honra e macheza tá na taça
E pro resto vale tudo é carnaval.
Ele pensa que a cana é que nem água
Enche o chifre pra azeitar até a gaia
Mais parece arranchar na sua baia
Pitulcilina aliviando suas mágoas
Arremeda o valor de todas táboas
Pra que a morte na vida não lhe caia.

A primeira lapada vai pro santo
Homenagem para sua devoção
Pro capeta também por precaução,
A abrideira eleva o tranvanquante
Pois dali ele passa pra adiante
A cachaça é só sua louvação.
Tudo bem todo só socialmente
Educado que nem lá na Suíça
Mais parece com devoto pela missa
Não dá trela pra bater língua no dente
Tudo ali é só coisa de parente
Nos conformes de quem se compromissa

Eu tomo uma, viro duas e venha três
Eu bebo todas pra cair só duma vez

Na segunda lapada o sapecado
Faz boquinha no sabor do tira-gosto
Se benzendo pra ajeitar todo seu rosto
Esquentando o bico amaneirado
Cospe o bicho então pra todo lado
Pra ninguém vir tomar o que é seu posto
Faz careta pra dar vinco no pinote
Fecha o corpo pra deixar aberta a goela
É quando azeita a prensa, o zé-ruela
Alinhado está tudo em seu cangote
Todo ancho fica certo o piparote
Que ali nunca vai abrir da vela.

Na quartinha a golada do sarrafo
Alevanta a moral do pé-de-cana
Faz ali a rodada soberana
Sobre o mando do mais profundo bafo
Ele agarra as bolas do seu cacho
Aprumando a volta da carraspana
A macheza é botada logo em dia
Arreia a lenha e solta o esculacho
Chamando atenção do populacho
Manda em tudo ali na freguesia
Na maior da sua sabedoria
Vai sempre como no maior abafo.

Eu tomo uma, viro duas e venha três
Eu bebo todas pra cair só duma vez

A meiota já vem leite de onça
Acendendo de vez a lamparina
É quando o cabra mira a sua doutrina
Vai largando toda a sua geringonça
Que é fiada e feita na responsa
Que se vem do raio da silibrina
Na verdade é asneira medonha
Onde troca todo nome do defunto
Traçando tudo o que surgir de assunto
Com a cara lisa da desvergonha
Escondida vai na carantonha
Do mais abestalhado bestunto

Quando um litro já foi esvaziado
É quase porre já no meio dessa farra
As idéias já não saem mais na marra
Porque o jipe pegou desgovernado
O cara vai ficando mariado
Pelo jeito que a coisa nele agarra
É que vai endoidando o mancebo
Já cheinho que está da meropéia
Inventa ele a maior das odisséias
Castigando com o seu papo de bebo
Quanto mais ele vira o placebo
Mais aumenta a sua prosopopéia.

Eu tomo uma, viro duas e venha três
Eu bebo todas pra cair só duma vez

Lá pras tantas ele já está ramado
Esborrando de vez a mandureba
Vira rico o boca de pereba
Que já tem ali até reinado
Ele então se achando um abastado
Dono de chãs de lá de Igarapeba
E já bebinho da silva ele vai lá
Elegendo vai as sete virtudes
Chega embeiçar de chapa um açude
E um oceano inteirinho baldear
Volta após de pé pra Quipapá
Foi moleza zoar a longitude.

É quando então aparece uma tetéia
Do cabra agarrar logo a donzela
Pendurou-se com jeito no beiço dela
E jurou se casar com a mocréia
Convocou o povo todo pra platéia
Deu vazão pra manter a sua trela
E jurou seu amor pra mulé feia
Prometendo ser feliz no mar de rosa
Sapecou toda rima em sua prosa
Até se ferrar na maior teia
Foi ai que ele amolegou a peia
Pra virar baixaria escandalosa.

Eu tomo uma, viro duas e venha três
Eu bebo todas pra cair só duma vez

Ele aprontou acertando no desfeito
Danou-se pra falar muita besteira
Fabricando a maior das baboseiras
Até se dar sem o menor respeito
Foi mijando no pirão do seu prefeito
E sapecou cantada boa numa freira
Adispois lambeu a boca dum cachorro
Dançou com a mulher do seu vizinho
Meteu em tudo logo o seu fucinho
Gritou: dessa cachaça eu sei que morro
Não sei mais se fico aqui ou se já corro
O seu socorro acabou num descaminho.

Seu desmantelo fedeu que nem inhaca
Dele inventar na hora um pesque-pegue
Puxou a primeira dama para um reggae
Queria fazer sexo com a macaca
Enfiou então de vez o pé na jaca
Nem ligou quando ali levou uns bregues
Foi aí que ele pactou com o cramunhão
Fez a maior orgia no cabaré
Agarrou-se na caçola da mulher
Pra fazer a melhor da diversão
Virado estava na gota do cancão
Restou encardido lheguelhé

Eu tomo uma, viro duas e venha três
Eu bebo todas pra cair só duma vez

Quando pronto o cara tá pra lá de grogue
Vai a reboque todo cheio dos quequeos
Faz alarde de virar um escarcéu
Manda ver pra que nada ali derrogue
É ai que ele vira um mau buldogue
E a coisa mesma dá o maior créu
Chamou logo a polícia de freguês
E com isso ele armou maior barraco
De todo mundo ele apois encheu o saco
E na volta da maior da sordidez
Finda ele desgraçado no xadrez
Preso com a cara de tabaco.

Vem então a temulência da ressaca
Finda mais transido de vergonha
Escabriado com a pior peçonha
Remoída no meio de uma catraca
Viu-se todo na maior urucubaca
Na pior de todas as piores ronhas
Amarrou ali o seu bezerro novo
A caganeira arrasando no furico
Foi pagando o seu mais caro mico
O pior de qualquer insano estorvo
Viu que era um biltre babaovo
Que não valia o menor do menor tico.

Eu tomo uma, viro duas e venha três
Eu bebo todas pra cair só duma vez





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quarta-feira, janeiro 11, 2012

STRINDBERG, MARINA TZVIETÁIEVA, MURILLO LA GRECA, CYRO DOS ANJOS, FERNANDO TUDE, HISTÓRIAS ZEN & GALDINO VIVE

GALDINO VIVE



Há muitos anos, o menino não era um homem só.

No horizonte do sol, era Galdino, pataxó solidário.

Na madrugada meeira, sem relicário, a brincadeira era um susto ufano, extraordinário, dava sem beiras pra cinco fulanos dali, salafrários pro suplício daqui, sem dó, a besteira de pró no ofício de reduzir nossa vida a pó.

Hoje, o meu diário triste, ainda resiste no quinhão fundiário.

Meu coração é vário, e eu vou como um beija-flor que trissa, insubmisso e real, que alça bem alto, alheio à justiça na Praça do Compromisso, Planalto Central.

 
DITOS & DESDITOS - Tudo é possível e provável. Tempo e espaço não existem. Sobre a frágil base da realidade, a imaginação tece novas formas. Pensamento do dramaturgo, escritor e ensaísta sueco August Strindberg (1849-1912). Veja mais aqui.

A LIBERDADE: [...] A liberdade era alguma coisa que devia nascer como as coisas naturais. Naturalmente. Mas as ambições, os interesses individuais, as vaidades, a atração do poder, tudo perturba o crescimento da liberdade como se fossem pedras no seu caminho. [...]. Pensamento extraído do livro Jornalismo e educação (MEC, 1955), do médico, jornalista e educador Fernando Tude de Souza (1910-1949).

CRIAÇÃO LITERÁRIA - [...] Toda invenção nasceu de uma necessidade particular da natureza humana, que atuou em sua esfera, para seu próprio fim. [...]. Trecho extraído de Criação literária (MEC, 1956), do escritor, jornalista, professor e advogado Cyro dos Anjos (1906-1994). Veja mais aqui.

NAS MÃOS DO DESTINOUm grande guerreiro japonês chamado Nobunaga decidiu atacar o inimigo, embora tivesse apenas um décimo do número de homens que seu opositor comandava. Ele sabia que venceria, mas seus soldados estavam em dúvida. No caminho, ele parou num santuário Shinto e disse aos seus homens: “Depois de visitar o santuário, vou jogar uma moeda. Se der cara, nós ganharemos; se der coroa, nós perderemos. O destino nos tem nas suas mãos”. Nobunaga entrou no santuário e ofereceu uma oração silenciosa. Saiu e jogou uma moeda. Deu cara. Seus soldados estavam tão ávidos para lutar que venceram a batalha facilmente. “Ninguém pode mudar a mão do destino”, disse-lhe um de seus assistentes após a batalha. “Não mesmo”, disse Nobunaga, mostrando uma moeda que havia sido duplicada, mostrando cara em ambos os lados. Extraído da obra Histórias Zen (Teosófica, 1999), organizada por Paul Reps. Veja mais aqui e aqui.

MADRUGADA SOBRE OS TRILHOS - Antes que o dia adentre / com mil paixões convulsas, / de trilhos – de relento, / refaço toda a Rússia. / De estacas – de relento, / de gris – de orfandade, / antes que o dia adentre / ou sinaleiro brade. / A névoa paira infinda, / envolto em lona, enorme / granito aguarda ainda / e o prado xadrez dorme./ De pássaros – relento... / aço murzelo mente / ainda um louco alento – / Moscou: ainda em frente! / E sob o olhar-minúcia, / com seu domínio etéreo, / como esbordou a Rússia / em três linhas de ferro! / Vou espraiá-la além! / No trilho inviso estendo, / relento adentro, um trem / com vítimas de incêndio. / (Com tantos quantos somem / sem gente ou Deus notá-los. / Sinal: quarenta homens / e mais oito cavalos!) / E onde as distâncias entre / dormentes são entraves, / de orvalho – de dormentes, / de orvalho – de orfandade. / Antes que o dia aponte / com mais paixões convulsas, / ao longo do horizonte / refaço toda a Rússia. / Nem falsa, nem mesquinha: / e olhem, ao longe, o brilho / azul de um par de trilhos! / Nas linhas, lá, nas linhas... Poema da poeta e tradutora russa Marina Tzvietáieva (1894-1941).

A ARTE DE MURILLO LA GRECA
A arte do premiado pintor e professor Vicente Murillo La Greca (1899-1985), que se dedicou aos estudos dos afrescos que, alguns deles, se encontram na Basílica da Pena (PE), desenvolvendo uma arte nos padrões clássicos com temas históricos. Foi professor da Escola de Belas Artes (RJ) e manteve amizade com Cândido Portinari. Sua obra está reunida no Museu Murillo La Greca, em Recife (PE).





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