quinta-feira, janeiro 27, 2011

NAZIK AL-MALAIKA, TOYNBEE, GIULIO ARGAN, LAVINIA FONTANA, ARTETERAPIA, MARCELA & LITERÓTICA

Do nosso tempo, o verdadeiro ornamento.
O pensamento e a arte de da pintora italiana Lavinia Fontana (1552-1614).

MARCELA SOB OS LENÇOIS – Ah, todos os dias, às saídas do infeliz marido das costas ocas e ogro das mil e uma usurpações, ela emergia sob o lençol transparente a me provocar seminua, janelas e portas entreabertas, pronta para tirar o maior proveito da minha entrega. Dele a inhaca daquele bafo sepulcral de esposo das naftalinas e de todos os malefícios dos vilões milenares, deixava-a sonsa sob os lençóis ardendo em brasa com aquele jeito pudico de quem se aquieta satisfeita, tímida esposa, dama de entrar e sair com todos os olhos em sua direção, vestes compactas modeladoras do seu corpo que escondiam o incêndio da sua carne tostando a minha às horas mais cúmplices e só a mim permitiam as descobertas mais voluptuosas das nuvens multicores de sua alcova. Ah, Marcela dos lábios pedintes prontos para me beijarem cobiçosos e sobejarem minha carne e meu sexo rijo aos látegos de sua língua e se apossando de sua boca enluarada para saber-me guerreiro usurpando sua garganta, sua vulva molhada e seu orifício sedento de todas as minhas investidas e conquistas, para ser-me submissa e inteira, amante altaneira de todas as súplicas de puta pelas tardes, manhãs e noites de nossas peripécias, e senhora de todos os tronos dos mais suntuosos palacetes para vergar autoritária acossada por minha virilidade e por sua própria natureza de ser-me serva e rainha nua crucificada de amor por todas as horas de nossas fugitivas aventuras. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui, aqui & aqui.


DITOS & DESDITOSEstou convencido que nem a ciência nem a tecnologia podem satisfazer as necessidades espirituais a que todas as possíveis religiões procuram atender. Tornamo-nos deuses na tecnologia, mas permanecemos macacos na vida. Pensamento do filósofo e historiador britânico Arnold Toynbee (1852-1883). Veja mais aqui.

A ARTE – [...] Com a formação da estética ou filosofia da ate, a atividade do artista não é mais considerada como um meio de conhecimento do real, de transcendência religiosa ou exortação moral. Com o pensamento clássico de uma arte como mimese (que implicava os dois planos do modelo e da imitação), entra em crise a ideia da arte como dualismo de teoria e práxis, intelectualismo e tecnicismo: a atividade artística torna-se uma experiência primária e não mais derivada, sem outros fins além do seu próprio fazer-se. À estrutura binária da mimesis segue-se a estrutura monista da poiesis, isto é, do fazer artístico, e, portanto, a oposição entre a certeza teórica do clássico e a intencionalidade romântica (poética). [...]. Trechos extraídos da obra Arte moderna (Companhia das Letras, 1992), do historiador e teórico de arte italiano Giulio Carlo Argan (1909-1992).

ARTE COMO TERAPIAO mundo moderno considera a arte muito importante – quase como o sentido da vida. [...] Ela pode ser um instrumento, e precisamos observar melhor que espécie de instrumento é este – e o que pode fazer de bom para nós. [...]. Trechos extraídos da obra Arte como terapia (Intrínseca, 2014), de Alain de Botton e John Armstrong, tratam de temas como para que serve a arte e a arte como instrumento, as sete funções da arte, e a arte com relação ao amor, a natureza, o dinheiro e a política. Veja mais aqui e aqui.

A BAILARINA APUNHALADA - Dance, coração apunhalado, cante / E rir porque a ferida é dançar e sorrir, / Peça às vítimas sacrificadas para dormir / E você dança e canta baixinho. / Não adianta chorar. Segure as lágrimas ardentes / E do grito da ferida ele extrai um sorriso. / Não adianta explodir. A ferida dorme pacificamente. / Deixe-o e venere suas correntes humilhantes. / É inútil se rebelar. Nenhuma raiva contra o chicote furioso. / Qual é o significado das apreensões das vítimas? / Dor e tristeza são esquecidas / E também um ou dois mortos, e as feridas. / Transforme o fogo da sua ferida em uma melodia / Que ressoe em seus lábios saudosos / Onde há um resto de vida / Para uma canção essa desgraça ou tristeza não silencia. / É inútil gritar. Rejeição e loucura. / Deixe os mortos caídos, sem sepultura. / Qualquer um morre ... que não haja gritos de tristeza. / Qual é o sentido das revoltas de prisioneiros? / É inútil se rebelar. Nas pessoas, os restos / As veias não permitem que o sangue circule. / É inútil se rebelar enquanto alguns inocentes / Eles esperam ser mortos. / Sua ferida não é diferente das outras. / Dance, embriagado de tristeza mortal. / Os insones e os perplexos estão condenados ao silêncio. / É inútil protestar. Descansa em paz. / Sorria para a adaga vermelha com amor / E cai no chão sem tremer. / É um presente que eles te matem como uma ovelha, / É um presente que apunhalará seu coração e sua alma. / É uma loucura, vítima, que você se rebele. / A raiva do escravo cativo é uma loucura. / Dance a dança do forte, do feliz / E ele sorri com a felicidade do escravo contratado. / Contém a dor da ferida: é pecado gemer, / E sorri satisfeito com o assassino culpado. / Dê a ele seu coração humilde / E deixe-o cortar e apunhalar com prazer. / Dance com o coração apunhalado, cante / E rir: a ferida é dançar e sorrir. / Diga às vítimas mortas para dormir / E você dança e canta baixinho. Poema da da poeta iraquiana Nazik Al-Malaika (1923-2007). Veja mais aqui e aqui.


GINOFAGIA DA MUSA

Foto: Ricardo Matsukawa/Terra


MUSA TATARITARITATÁ: MARCELA TEDESCHI TEMER, A MULHER DO VICE.

Gentamiga, o Doro chegou avexado – e bote atarantado nisso! – e deu o pontapé para a primeira Musa Tataritaritatá de 2011.

Era ele: - Minino, quem é aquela lindona que tava alumiando tudo na posse da Dirma presidenta?


Olhei pra cara do sujeito e esclareci: trata-se da advogada, ex-modelo e miss paulista de 43 anos, Marcela Tedeschi Temer.

- Temer, aquele? -, perguntou-me com os olhos quase esbugalhados.

- Sim. -, respondi-lhe.

- Eita, é a mulé do vice?

- Sim.

- Oxente, ela que devia de sajeitá cumigo que fui candidato quage inleito e não cum um vice vampírico e nojento daquele. Qué qui vice faizi? Sou mai eu, ora.

E era. Veja mais dela aqui & aqui & outras Musas Tataritaritatá!!!



Veja mais sobre:
E o poema se fez domingo, André Gide, Margaret Atwood, Joaquín Rodrigo, Pedro Demo, Márlio Silveira Silva, Sara Marianovich, Tom Jobim & Vinicius de Morais, Leon Hirszman, Miguel Covarrubias & Christian Rohlfs aqui.

E mais:
Sacadas & tuitadas aqui.
Leitura, escrita, aprendizagem & avaliação na educação aqui.
Coisas de Maceió: Coagro aqui.
Pequena história da formação social brasileira aqui.
Idealismo & educação aqui.
Psicanálise e educação aqui.
Fecamepa & a escravaria toda, Monteiro Lobato, Cruz e Sousa, Milton Nascimento, Gianfrancesco Guarnieri, Augusto Boal, Edu Lobo, Cacá Diégues, Zezé Motta, Samir Mattar, Missa dos Quilombos, A guerra dos escravos, O quilombo dos Palmares, Arena conta Zumbi, Chica da Silva & José Augusto Coelho aqui.
Porque hoje é sábado, Selma Lagerlöf, René Magritte, Sigfrid Karg Elert, Voltaire, Norman Jewison, Boris Karastov, Goldie Hawn & Luiz Delfino aqui.
A violência na escola aqui.
Palmares & o Encontro de Palmarenses aqui.
Hermilo Borba Filho, Rubão, Doro, Dr. Zé Gulu & Humoreco aqui.
Pletora dos antípodas aqui.
Cordel: Que língua essa nossa, de Carlos Silva aqui.
Estudante Estéfane, musa Tataritaritatá aqui.
Alegoria da Loucura aqui.
Cordel: É coisa do meu sertão, de Patativa de Assaré aqui.
Barrigudos afagando o ego aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja aqui. aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra:
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.



quarta-feira, janeiro 19, 2011

IGIABA SCEGO, PAULA GLENADEL, RODOLFO FOGWILL, MARY MONTAGU, MANOLITA PIÑA & AS TRELAS DO DORO

 
Retrato de Manolita Piña, do pintor espanhol Torres Garcia. Veja mais abaixo.

UMA CANÇÃO PARA MANOLITA – (Imagem: Constructif dedique a Manolita, de Torres Garcia). – A catalã Manolita Piña (1883-1994), tinha lá seus pendores artísticos, pois, desde criança tocava piano, mas se firmou mesmo como a gaurdiã da obra do seu marido, Torres Garcia. Ela sempre dedicou-se a ajudar os amigos artistas que sofriam de perseguição política. Em 1908, ela se casou com Joaquín Torres García. Com o casamento, ela parou de pintar porque, segunda ela própria, não superaria nem competiria com o marido. Ele dedicou o seu universo construtivo na obra Constructif para ela, combinado a abstração geométrica com símbolos que representam a essência de sua projeção humana. Há uma xilogravura dela no Notas sobre Arte (1913), do seu marido. Em 1951, criou o movimento Maotima dedicado ao trabalho em tapeçarias bordadas, nome este reunião das integrantes Manolita, Otilia, Iphigenia e Maria Angelica. Ela era uma incansável colecionadora e organizadora da obra do marido, assegurando o seu legado para em 1953, criar o Museo Torres Garcia, só inaugurado em 1986, no Uruguai, passando a ser chamada de Doña Manolita, a companheira inseparável do marido, sendo até a sua sombra, tornando-se uma supercentenária. Em 2000, a publicação Homenatge um Manolita Piña de Torres García (2000), de Emilio Ellena, trata da sua vida e de seu marido, da sua luta pela conservação do acervo artístico, sua trajetória de vida além dos 100 anos de idade e informações adicionais sobre a arte de Torres Garcia. Veja mais aqui.


DITOS & DESDITOS - Quanto mais um escritor tem sucesso, mais ele falha como produtor de si mesmo. Escrever me parece mais fácil do que evitar a sensação de absurdo de não fazê-lo. Pensamento do escritor argentino Rodolfo Fogwill (1941-2010).

ALGUÉM FALOU: Aos 40 anos, a mulher está longe de ser fria e insensível; mas ela sabe, quando necessário, cobrir o fogo com as cinzas. Pensamento da escritora Mary Wortley Montagu (1689-1762).

RHODA – [...] A senhora Matilde era velha, sozinha e terrível. A sua única diversão era atormentar a faxineira [...] vivia para atormentá-la todas as quartas. [...] preferiria morrer a ir àquela casa úmida e fria. [...] E, no entanto, estava lá. Toda santa quarta-feira. [...] Não gostava daquela mulher, mas aquele era um modo honesto de ganhar o pão de cada dia. Trabalhava por hora e precisava se desdobrar, correndo por vários bairros de Roma, para lavar privadas rosa muito sujas. [...] Não gostava de trabalhar nas casas dos gaal. Mas trabalhava. Era preciso pensar em quem tinha ficado na Somália. Havia a guerra, ninguém trabalhava e seu dinheiro era importante. [...] Não podia fraquejar, não podia se permitir o luxo de desabar. Se fraquejasse, o que seria de sua família? [...] Deveria ir cuidar da velha megera, mas, francamente, não estou a fim! Hoje aquela sonsa fez xixi no chão e precisei limpar por horas. Por que o xixi das velhas megeras fede como esgoto a céu aberto? [... ] Uma mulher negra na Itália tinha, no imaginário comum, possibilidades limitadas de colocação. [...] As mulheres negras eram cantoras de soul ou de jazz, atletas recordistas, supermodelos... isso na melhor das hipóteses. Nos casos piores, eram mulheres perdidas, fêmeas ávidas de dinheiro, e dispostas a se vender por poucos e nojentos trocados. Enquanto mulher negra me sentia rotulada. Não tinha saída [...]. Foi assim que decidi me render ao clichê. [...] Barni ainda não acreditava que era dona de uma loja. Que não estava mais a serviço de ninguém. Que era uma pessoa com responsabilidades precisas. Que estava finalmente integrada. Mas era o que o letreiro da fachada mostrava. A loja “étnica” Rhoda era uma realidade e aquele letreiro em tons pastel era a prova irrefutável disso. [...]. Trechos extraídos da obra Rhoda (Sinnos, 2004), da escritora italiana da diáspora somali, Igiaba Scego, tratando sobre a dimensão da transculturalidade e as migrações no diálogo entre culturas. Veja mais aqui.

FILHAA menina que, em sustos, / vejo crescer depressa,/ que nutro com meus nervos / e que descubro falar, e ser, / me veio de um imemorial / naufrágio / em que perecemos eu e ele: / pequena pérola do pior. / Como o traço oblíquo de luz / riscado sobre uma tela / de nuvens branco-cinza, / figura, tornado agora visível, / o sutil equilíbrio instável / entre dois planos. Poema extraído da obra A vida espiralada (Caetés, 1999), da poeta Paula Glenadel. Veja mais aqui



AS TRELAS DO DORO – Gentamiga, ai estão reunidas as croniquetas e noveletas componentes do livro “As trelas do Doro”. Confira.



























Veja mais sobre:
A mulher da sombrinha, Paul Celan, Cláudio Santoro, Carmine Gallone, Suzy Smith, Elizabeth Savalla, Maria Félix, Pierre-Paul Prud'hon, Carmen Silvia Presotto & Vidráguas, Como sair da marginalidade & A lenda de Alamoa aqui.

E mais:
Ária da danação aqui.
Depressão aqui.
A arte de Lucinha Guerra aqui.
Possessão Insana aqui.
Violência contra a mulher aqui.
Ao redor da pira onde queima o amor aqui.
Freud & o caso Schereber aqui.
O direito de Rudolf von Ihering, Lenine, Ivo Tonet, Massaud Moisés, Marici Salomão, Renato Falcão, Ilana Kaplan, Melinda Culea, Thomas Lawrence, Fernanda Porto, Socialismo, Acróstico, Frase & Oração aqui.
Pedofilia aqui.
Autismo & educação inclusiva aqui.
Missiva do Esconjurado aqui.
A poesia de Mário Quintana aqui.
Afrânio Coutinho, Gianfrancesco Guarnieri, Ivo Tonet, David Lynch,  Richard Bach, t.A.T.u.- Yulia Volkova e Lena Katina, Daniel Huntington, Sissy Spacek, Sociedade Civil, Linguística & poética aqui.
O professor e a educação inclusiva aqui.
Anencefalia, aborto & bioética aqui.
Educação Especial, PNE & Inclusão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Leitoras comemorando a festa Tataritaritatá!
Arte Ísis Nefelibata.
Veja aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra:
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.


TAJA KRAMBERGER, LÍDIA JORGE, HILARY PUTNAM & NORDESTE

  Imagem: Acervo ArtLAM . Ao som dos álbuns Source (2014) e Upstream (2019), do grupo Dreisam – “ Triângulo perfeito, nada geométrico, ...