A arte da pintora polaca Lidia Wylangowska.

- Vou ter que carregar os convidados também? - Não -, disse-me ele - os convidado já tão cum a boca aberta esperano o foguetóro. Bem, sem encontrar outra alternativa, providenciei a intimação e fui ao encontro dos desinfelizes. Estavam todos lá, ao pé da ribanceira, de queixo caído admirando a casa que ele construiu pendurada na beira do penhasco. Ora, ele havia virado engenheiro civil da noite pro dia - só que levou pau em cálculos! -, negócio de doido, mesmo. Ele construíra sozinho, desafiando a lei da gravidade e arrepiando o cabelo de todo mundo com aquela doidice. Eu tinha lá coragem de subir o morro e entrar naquela casa, nunca! Nem que construísse um tobogã no declive até embaixo. Mas a raça toda queria era motivo para encher a cara com as lapadas da aguardente. E, nem bem começaram, já haviam esvaziado uns quinze cascos da tostante. Foi, a partir daí, que o enterro voltou. Pois bem, Doro achou de inaugurar da seguinte forma: pegou uns frascos cheios da raiz-de-pau e saiu derramando no chão até lá em cima da casa. Era a hora da satisfação pela moedeira dura que lhe fatigara por anos, pelejando para arrumar uma local onde tivesse guarida e pudesse ainda cair vivo ou morto no final do dia. Em riba, dos fundos da casa, ele fez um aceno para os paspalhos de baixo. Até eu cumprimentei, avalizando sua conquista. Daí a pouco ele desce, chega perto da gente e pede fósforos. Arrepara, só. Todo pavoneado riscou fogo na trilha e só se viu o fogaréu subindo. Gente: foi uma correria dos diabos! Nego correu mais de dez quilômetros de distância só para ver o espetáculo na lonjura mode não se arrepender depois. Foi um pipocado maior que girândola de bilhões de tiro de bombas atômicas e mísseis fudedores de num restar, no fim do espalhafato, nem o morro, quanto mais casa. Depois do rebuceteio todo, chega Doro com a cara mais lisa: - É, abusei na dosagem! - Ô cara, prá quê a casa? - Eu ia morar dentro. - Ia! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados.
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PENSAMENTO DO DIA - Procure
a vida, lá onde ela reina. Não traga as árvores para a classe. Leve a classe
para baixo das árvores... Frustra-se a criança de espetáculo do mundo para
oferecer-lhe em vez disso um amontoado de informações. Pensamento do poeta e músico indiano, ganhador do
Prêmio Nobel de Literatura, Rabindranath Tagore (1861-1941). Veja mais aqui.
A NATUREZA HUMANA – [...] Os primeiros movimentos da natureza são
sempre honestos e não há perversidade original no coração humano. [...] A
natureza quer que as crianças sejam crianças antes de serem homens. A infância
tem certos modos de ver, de pensar e de sentir inteiramente especiais: nada é
mais tolo do que querer substituí-los pelos nossos. [...]. Trecho extraído
da obra Emílio ou da educação (Difel,
1973), do filósofo e precursor
do Romantismo francês, Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), tratando sobre
a infância e a dolescência, a mulher ideal, a esposa e a vida domestica, a
formação política, entre outros assuntos. O livro foi proibido e queimado
publicamente por conta da parte dedicada à Profissão de fé do vigário Savoiano,
além de ter inspirado o sistema educativo durante a Revolução Francesa. Veja
mais aqui, aqui e aqui.
ROSALINA - Ali naquela casa de muitas janelas e
bandeiras coloridas vivia Rosalina. Casa de gente de casta, segundo eles antigamente.
Ainda conserva a imponência e o porte senhorial, o ar solarengo que o tempo de
todo não comeu. As cores das janelas e da porta estão lavadas de velhas, o
reboco caído em alguns trechos como grandes placas de ferida, mostra mesmo as
pedras e os tijolos e as taipas de sua carne e ossos, feitos para durar toda a
vida; vidros quebrados nas vidraças, resultado do ataque da meninada nos dias
de reinação, quando vinham provocar Rosalina (não de propósito e ruindade, mas
sem-que-fazer de menino), escondida detrás das cortinas e reposteiros; nos
peitoris das sacadas de ferro rendilhado, formando flores estilizadas, setas,
volutas, esses e gregas, faltam muitas das pinhas de cristal facetado
cor-de-vinho que arrematavam nas cantoneiras a leveza daqueles balcões. Extraído
da obra Ópera dos mortos (Civilização
Brasileira, 1975), do escritor, advogado e jornalista Autran Dourado (1926-2012).
Veja mais aqui.
O
POETA DA ROÇA – Sou fio das mata, cantô da mão grossa, / Trabáio
na roça, de inverno e de estio. / A minha chupana é tapada de barro, / Só fumo
cigarro de páia de mío. / Sou poeta das brenha, não faço o papé / De argum
menestré, ou errante cantô / Que veve vagando, com sua viola, / Cantando,
pachola, à percura de amô. / Não tenho sabença, pois nunca estudei, / Apenas eu
sei o meu nome assiná. / Meu pai, coitadinho! vivia sem cobre, / E o fio do
pobre não pode estudá. / Meu verso rastêro, singelo e sem graça, / Não entra na
praça, no rico salão, / Meu verso só entra no campo e na roça / Nas pobre
paioça, da serra ao sertão. / Só canto o buliço da vida apertada, / Da lida
pesada, das roça e dos eito. / E às vez, recordando a feliz mocidade, / Canto
uma sodade que mora em meu peito. /Eu canto o cabôco com suas caçada, / Nas
noite assombrada que tudo apavora, / Por dentro da mata, com tanta corage / Topando
as visage chamada caipora. / Eu canto o vaquêro vestido de côro, / Brigando com
o tôro no mato fechado, / Que pega na ponta do brabo novio, / Ganhando lugio do
dono do gado. / Eu canto o mendigo de sujo farrapo, / Coberto de trapo e
mochila na mão, / Que chora pedindo o socorro dos home, / E tomba de fome, sem
casa e sem pão. / E assim, sem cobiça dos cofre luzente, / Eu vivo contente e
feliz com a sorte, / Morando no campo, sem vê a cidade, / Cantando as verdade
das coisa do Norte. Poema
extraído da obra Cante lá que eu canto cá (Vozes, 1984), do poeta popular,
compositor, cantor e improvisador Antônio Gonçalves da Silva, mais famoso como Patativa
do Assaré (1909-2002). Veja mais aqui, aqui e aqui.
GÊNEROS TEXTUAIS,
TIPIFICAÇÃO & INTERAÇÃO
– O livro Gêneros textuais, tipificação e interação (Cortez, 2005), de Charles
Bazerman, organizado por Angela Paiva e Judith Chambliss Hoffnagel, trata a
respeito dos atos da fala, gêneros textuais e sistemas de atividades, formas
sociais como habitats para ação, enunciados singulares, cartas e base social de
gêneros diferenciados, gênero e identidade, cidadania na Era da Internet e na
Era do Capitalismo Global, entre outros assuntos.
A CANÇÃO DA INTEIREZA – A obra A canção da inteireza: uma visão holística da educação (Summus,
1995), do professor e pesquisador Clodoaldo
Meneguello Cardoso, trata sobre o paradigma teocêntrico & o reino no
outro mundo, o paradigma antropocêntrico & o império do homem, o paradigma
ecocêntrico & o homem no fio da teia da vida, as mudanças paradigmáticas, a
visão holística da educação, os fundamentos filosóficos, teoria da aprendizagem,
a prática de ensino, a avaliação crítica, entre outros assuntos. Veja mais
aqui.
A arte da pintora polaca Lidia Wylangowska.
Veja
mais sobre:
A
primeira vez no avião, Fernando
Sabino, Manuel Bentevi, Nana de Castro, Jean-Paul Riopelle, Kiriku e a
feiticeira, Inteligências Múltiplas & Aline Barros aqui.
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Proezas
do Biritoaldo: Quando o banguelo vê
esmola grande fica mais assanhado que pinto no lixo! Aqui.
Big Shit
Bôbras: o paredão – quem vai tomar no cu? & Thérése Philosophe aqui.
Tolinho
& Bestinha: Quando a lei do
semideus é cachaça, tapa e gaia aqui.
O cinema
no Brasil aqui.
Fecamepa:
a independência do Brasil aqui.
Manchetes do dia de sempre,
Elsworth F. Baker,
Guilherme de Almeida, Wesley Ruggles, Peter Fendi, Romero Britto, Mácleim,
Samara Felippo & Carole Lombard aqui.
A Primavera de Ginsberg, Libelo &
Anátema aqui.
Big Shit Bôbras: liderança, a segunda emboança aqui.
Teibei, a batida aqui.
Big Shit Bôbras: carnaval, a terceira emboança aqui.
História do cinema aqui.
CRÔNICA
DE AMOR POR ELA
Leitora
parabenizando o Tataritaritatá (Arte: Ísis Nefelibata).
CANTARAU: VAMOS
APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.