terça-feira, fevereiro 12, 2008

RIMBAUD, LEIBNIZ & MODADOLOGIA, BRAULIO TAVARES, JASPERS, CAROLINE WESTERHOUT, BICHO DE PALHA & BIG SHIT BÔBRAS




A arte da artista plástica e visual holandesa Caroline Westerhout.


Imagem: Derinha Rocha.

BIG SHIT BÔBRAS - O PAREDÃO: QUEM VAI TOMAR NO CU?!

Vera chegou freiada e tão acelarada que nem deixou o Zé Peiúdo anunciar a melecada toda. E com a voltagem topada e dedo na mira de todos, ela sapecou: - Os 3 do paredão: padre Bidião, Doro e Zé Bilola! Foi um escarcéu. O padre Bidião ficou amuado e se recolheu para arrumar os seus muafos. Solidária, Prazeres do Céu seguiu-lhe os passos. Zé Bilola mais que inconformado, protestou veementemente em cima dum tamborete, chamando tudo aquilo de farsa, perseguição política e incompetência de liderança. Descascou bravo, Doro, mais manhoso que os outros, tentava conciliar distribuindo uns golezinhos da Teibei para aliviar os ânimos. Foi aí que Vera, irredutível, exigiu o cumprimento. Zé Peiúdo revalidou suas indicações: no paredão padre Bidião, Doro e Zé Bilola. E quanto mais os ânimos se acirravam entre os fodidos emparedados, seus asseclas, babaovos e simpatizantes, o Doro arreava nos copos das vítimas do sobrado mais Teibei para todos se animarem sem animosidade. Isso não vai dar certo, destá. - Briguem, mas num arenguem. -, dizia o Doro com toda gaiatice que lhe é peculiar. Marcialita mesma tomou uns goles para aliviar na irritação. Ximênia, nem se fala, idem. Prazeres do Céu, piorou: estava já arrumando suas trouxas para debandar dali com o padre. E por falar nisso, cadê o padre, hem? Quando foram olhar, o padre estava rezando com os olhos arregalados enfiando o seu cordão sagrado nas intimidades da sua Thérése Philosophe.


Imagem: Thérése Philosophe.

Um escândalo. Foram expulsos a bem da moral e dos bons costumes sob ruidoso apupo incentivado pelos organizadores do evento. Como passaram a organizar a zona, Zé Peiudo então anunciou que estavam no paredão somente Doro e Zé Bilola, já que o padre Bidião e a Prazeres do Céu foram expulsos da casa por mau procedimento. E que para substituir os dois, haveria um Quizz envolvendo dois sorteados que foram, por coincidência, Marcialita e Ximênia. O Doro gostou do sorteio já antevendo que ia se dar bem nessa. E deu mesmo. Na primeira pergunta feita para Marcialita, se ela acertasse salvava ele; e se errasse, ele estava fudido a tomar no cu no paredão. Ela acertou e ele lavou a jega. Veio então a segunda pergunta, se ela acertasse ficariam os dois, se ela errasse somente ela era expulsa da casa. - Ôxe, pruquê num mi disseru que inda tinha essa? -, indagou fula Marcialiata. Para se ter idéia, a primeira pergunta foi: qual a data de nascimento do seu marido. Uma baba, né? Ela, na batata. A segunda pergunta, sei não: qual a raiz quadrada de 1 quaquaquilhão, 3 trilhões, 10 bilhões, 999 milhões, 659 mil e 19 centavos? Nem errou, nem acertou, não sabia. Expulsa. Ela ficou braba que só uma capota-choca. Foi preciso intervenção do batalhão da polícia militar para retirar a ingicada do recinto. - Oi, diga logo as duas preguntas que num quero caí in tocaia feito a Marcialita não, viu? -, exigiu Ximênia. - Todas as preguntas são supresas! -, informou solenemente Zé Peiudo. Para Ximênia a coisa empenou com a primeira pergunta: Quantos livros escreveu Ascenso Ferreira? - Ôxe, sei lá quem é esse, doido! -, gracejou ela com cara atarantada. - Fudi-me, vou tomar no cu de qualquer jeito mesmo -, lamentou Zé Bilola. Como Ximênia não sabia e o Doro tinha sido salvo pela Marcialita, Zé Bilola ia tomar mesmo no cu, quando veio a segunda pergunta sob a condição de: se acertar, estava salva; se errasse, tinha que fazer um estrupício toda nua e se esfregando em quem vai tomar no cu no paredão. Estava em casa, afinal, era o seu marido que estava lascado e ela salvaria mesmo. Pois bem, quando lascaram a pergunta, não deu outra: - Nem comendo bosta de cigano tem quem adivinhe! -, mangou Doro. Resultado: Zé Bilola enfezou-se, pegou a mulher pela mão e abandonou a casa. Uma chacota só. Aí tiveram que escolher novas vítimas para tomar no cu do paredão. Foi quando entre eles começou a votação. Escore: 20x0 no Afredo Bocoió. - Eita, inté eu mermo votei neu mermo, foi? Pareci inté que sincumbináru, né? -, gracejou Afredo. Aí foi que o Zé Peiudo leu edipianamente a sentença: - O emparedado filho-da-puta, tem que ficar nu de 4 com as mãos amarradas no tronco. Primeiro castigo, os homens comem seu cu. Segundo, as mulheres dão-lhe uma pisa de chicote. E está expulso do sobrado! - Tome, seu fresco! -, espinafrou Mamão que foi o primeiro a arregaçar a peia no caneco do vitimado. E assim foi. Era pêia no rabo e lapada no toitiço. Afredo saiu de maca desacordado e com o cu todo afolosado.

PRÓXIMO CAPÍTULO: A JOGATINA DO JORGE E DA JÚLIA NO CONTATO COM UM ET. Veja aqui


PENSAMENTO DO DIA - [...] O poeta se faz vidente através de um longo, imenso e refletido desregramento de todos os sentidos [...]. Pensamento extraído da obra Rimbaud por ele mesmo (Martin Claret, 1994), do poeta Arthur Rimbaud (1854-1891). Veja mais aqui.

MÔNADA & MONADOLOGIAA Mônada […] é apenas uma substância simples que entra nos compostos. Simples, quer dizer: sem partes. Visto que há compostos, é necessário que haja substâncias simples, pois o composto é apenas a reunião ou aggregatum do simples. [...] as Mônadas são os verdadeiros Átomos da Natureza, e, em uma palavra, os Elemenros das coisas. Delas também não há o temer qualquer dissolução: é inconcebível que uma substância simples possa perecer natualmente. [...] as Mônadas só podem começar ou acabar instantaneamente ou, por outras palavras, só lhes é possível começar por criação e acabar por aniquilamento, ao passo que todo composto começa e acaba por partes. [...] As Mônadas não têm janelas por onde qualquer coisa possa entrar ou sair. [...] as Mônadas precisa ter algumas qualidades, pois, caso contrário, nem mesmo seriam entes. [...] as Mônadas diferem entre si, porque na Natureza nunca há dois seres perfeitamente idêntidos, onde não seja possível encontrar uma diferença interna ou fundada em uma denominação intrínseca. [...]. O estado passageiro, envolvendo e representando a multiplicidade na unidade ou na substância simples, é precisamente o que se chama Percepção, que deve distinguir-se da apercepção ou da consciência [...].Pode chamar-se Apetição à ação do princípio interno que provoca a mudança ou a passagem de uma percepção a outra. [...] Poder-se-iam denominar Enteléquias todas as substâncias simples ou Mônadas criadas, pois contém em si uma certa perfeição (ekhousi tò entelés), e tem uma suficiência (autárkeia) a torna-las fontes das suas ações internas e, por assim dizer, Autômatos incorpóreos. [...] A memória dá às almas uma espécie de consecução que imita a razão mas que deve distinguir-se dela. [...] Há um só Deus, e esse Deus é suficiente. [...] Há em Deus a Potência, origem de tudo; depois o Conhecimento, contendo a particularidade das ideias; por fim a Vontade, que provoca as mudanças ou produções segundo o princípio melhor. [...] A cada Mônada, cuja natureza representativa nada conseguiria à representação de uma só parte das coisas, muito embora, na verdade, esta representação seja confusa apenas nos pormenores de todo o universo, e distinta apenas em pequena parte das coisas, isto é, ou nas mais próximas ou nas maiores, relativamente a cada uma das Mônadas [...] cada Mônada criada represente todo o universo, representa mais distintamente o corpo que lhe está particularmente afeto e de que constitui a Enteléquia; e como esse corpo exprime todo o universo, pela conexão de toda a matéria no pleno, a alma representa também tudo o universo ao representar esse corpo que lhe pertence de um modo particular. O corpo pertence a uma Mônada (que é a sua Enteléquia ou Alma) [...]. por isso rigorosamente não há nem geração completa, nem morte perfeita, no sentido de separação da alma. O que chamamos Gerações são desolvivemtnso e crescimentos, assim como o que chamamos Mortes são envolvimentos e diminuições. [...]. Trechos extraídos da obra Os princípios da filosofia ditos a Monadologia (Abril, 1979), do filósofo, cientista, matemático, diplomata e bibliotecário alemão Gottfried Wilhelm Leibniz (1646 – 1716). Veja mais aqui, aqui e aqui.

PENSAMENTO FILOSÓFICO – [...] Mas como se põe o mundo em relação com a filosofia? Há cátedras de filosofia nas universidades. Atualmente, representam uma posição embaraçosa. Por força de tradição, a filosofia é polidamente respeitada, mas, no fundo, objeto de desprezo. A opinião corrente é a de que a filosofia nada tem a dizer e carece de qualquer utilidade prática. É nomeada em público, mas – existirá realmente? Sua existência se prova, quando menos, pelas medidas de defesa a que dá lugar. A oposição se traduz em fórmulas como: a filosofia é demasiado complexa; não a compreendo; está além de meu alcance; não tenho vocação para ela; e, portanto, não me diz respeito. Ora, isso equivale a dizer: é inútil o interesse pelas questões fundamentais da vida; cabe abster-se de pensar no plano geral para mergulhar, através do trabalho consciencioso, num capítulo qualquer de atividade prática ou intelectual; quanto ao resto, bastará ter “opiniões” e contentar-se com elas. A polêmica torna-se encarniçada. Um instinto vital, ignorado de si mesmo, odeia a filosofia. Ela é perigosa. Se eu a compreendesse, teria de alterar minha vida. Adquiriria outro estado de espírito, veria as coisas a uma claridade insólita, teria de rever meus juízos. Melhor é não pensar filosoficamente. Muitos políticos vêem facilitado seu nefasto trabalho pela ausência da filosofia. Massas e funcionários são mais fáceis de manipular quando não pensam, mas tão somente usam de uma inteligência de rebanho. É preciso impedir que os homens se tornem sensatos. Mais vale, portanto, que a filosofia seja vista como algo entediante. Oxalá desaparecessem as cátedras de filosofia. Quanto mais vaidades se ensinem, menos estarão os homens arriscados a se deixar pela luz da filosofia. Assim, a filosofia se vê rodeada de inimigos, a maioria dos quais não tem consciência dessa condição. A auto-complacência burguesa, os convencionalismos, o hábito de considerar o bem-estar material como razão suficiente para a vida, o hábito de só apreciar a ciência em função de sua utilidade técnica, o ilimitado desejo de poder, a binomia dos políticos, o fanatismo das ideologias, a aspiração a um nome literário – tudo isso proclama a anti-filosofia. E os homens não percebem porque não se dão conta do que estão fazendo. E permanecem inconscientes de que a anti-filosofia é uma filosofia, embora pervertida, que se aprofundada, engendraria sua própria aniquilação. [...]. Trecho extraído da obra Introdução ao pensamento filosófico (Cultrix, 1965), do filósofo e psiquiatra alemão Karl Jaspers (1883-1969). Veja mais aqui.

CONTANDO HISTÓRIAS EM VERSOS - A obra Contando histórias em versos: poesia e romanceiro popular no Brasil (34, 2005), de Braulio Tavares, trata sobre a poesia, a poesia narrativa do romanceiro, os elementos, a sonoridade, a rima e os seus esquemas, a rima consoante e toante, as rimas pobres e ricas, o verso branco, a métrica da música, o verso longo e curto, o poema narrativo e não narrativo, o romanceiro ibérico, como contar uma história e os seus elementos, a canção narrativa, o romanceiro popular do nordeste, a memória narrativa, a cultura oral, o romance antigo e moderno, a literatura de cordel nordestina, a estrutura do cordel, o mistério dos três aneis e Viagem a São Saruê. Veja mais aqui e aqui.

BICHO DE PALHA - Contam que um homem muito rico enviuvou e casou novamente, tendo uma filha, Maria, que se punha mocinha e que era linda. A madrasta antipatizou logo com a enteada e se tomou de ódio quando teve uma filha e esta era relativamente feia, comparada com Maria. O homem possuía propriedades espalhadas e vivia viajando, dirigindo seus negócios. Durava pouco tempo em casa e nesses momentos, Maria passava melhor. Na ausência do pai a madrasta obrigava-a aos serviços mais rudes e pesados, alimentando-a do que havia de pior e em quantidades insignificantes. A vida ficou insuportável para a moça que se consolava rezando e chorando. No caminho do rio onde ia lavar roupa, encontrava sempre uma velhinha de feições serenas e muito boa. Maria acabou contando seus sofrimentos e o silêncio para não magoar o pai. A velhinha animava-a com palavras cheias de doçura. Como a madrasta fosse se tornando mais violenta e brutal, a enteada resolveu abandonar a casa e ir procurar trabalho longe daquele inferno. Encontrou-se com a velhinha e confessando sua idéia, a velha concordou, aconselhou-a muito, deu-lhe a bênção e na despedida, tirou uma varinha pequenina e branca como prata, dizendo: – Leva esta varinha, Maria, e quando estiveres em perigo, desejo ou sofrimento, deves dizer: "minha varinha de condão, pelo condão que Deus te deu, dai-me". E tudo sucederá como pedires. Maria agradeceu muito e fugiu. Antes, obedecendo ao conselho da velha, fez uma grande capa de palha entrançada com um capuz onde havia passagem para olhar, e meteu-se dentro. Depois de muito andar, chegou a uma cidade importante. Pediu emprego num palácio e lhe disseram não haver mais lugar. Ia saindo, triste e com fome, quando um empregado lembrou que precisavam de alguém para lavar as salas, corredores e escadas e limpar os aposentos da criadagem. Maria aceitou o encargo e, graças ao seu vestido singular, só a chamavam "Bicho de Palha". Suja, silenciosa, retirada pelos cantos, trabalhando sempre, Bicho de Palha não incomodava ninguém e todos a toleravam. O palácio era de um príncipe moço, bem feito e airoso, que ainda tinha mãe, e estava na idade de casar. Noutro palácio, no lado oposto da cidade, realizariam festas durante três dias. As moças estavam alvoraçadas com os bailes, assistidos pelos rapazes da sociedade. No palácio a conversa versava sobre os bailes. Amas, visitantes e criadas comentavam a organização e o esplendor das três noites elegantes. Finalmente chegou a primeira noite. Bicho de Palha, através dos orifícios de sua máscara, olhava o príncipe e o amava sinceramente. Rondava, discretamente, por perto dele, ansiando por uma ordem. Já de tarde, não havendo outra empregada por ali, o príncipe gritou: – Bicho de Palha! Traga uma bacia com água... Bicho de Palha levou a bacia e o príncipe lavou o rosto. Depois, todos foram para o baile, uns para dançar e outros para ver. Ficando sozinha no seu quarto escuro, Bicho de Palha despiu a capa, pegou a varinha e comandou, como a velhinha lhe ensinara: – Minha varinha de condão! Pelo condão que Deus te deu, dai-me uma carruagem de prata e um vestido da cor do campo com todas as suas flores. Palavras ditas, apareceu a carruagem de prata, cocheiros e servos, um vestido completo, do diadema aos sapatinhos cor do campo com todas as suas flores. Bicho de Palha vestiu-se, tomou a carruagem e foi para o baile onde causou sensação. O príncipe veio imediatamente saudá-la e só dançou com ela, não permitindo que os outros moços se aproximassem. Confessou que estava impressionado e perguntou onde ela residia. Bicho de Palha ensinou: – Moro na Rua das Bacias... À meia-noite em ponto, pretextando ir respirar o ar livre, a moça correu para sua carruagem que desapareceu na estrada. O príncipe ficou inconsolável e saiu da festa logo a seguir. No outro dia, no palácio, as criadas contavam ao Bicho de Palha as peripécias do baile e a princesa misteriosa que fora a roupa mais bela e o rosto mais formoso da noite. O príncipe despachara muitos criados para procurar a Rua das Bacias, mas todos regressaram sem saber informar. Nessa tarde, o príncipe pediu a Bicho de Palha uma toalha. Quando todos partiram para a festa, Bicho de Palha pegou a varinha e obteve uma carruagem de ouro e um vestido da cor do mar com todos os seus peixes. Vestiu-se e foi para o palácio do baile. Logo na entrada, toda a gente a reconheceu e aclamou-a como a mais elegante, graciosa e simpática. O príncipe não saía de perto dela, conversando, dançando, fazendo mil perguntas. Insistiu pelo endereço da moça. – Não moro mais na Rua das Bacias e sim na rua das Toalhas. Mudei-me hoje. Aconteceu como na primeira noite. Bicho de Palha inventou uma desculpa e meteu-se na carruagem que correu relâmpago. O príncipe saiu também e passou o outro dia suspirando e mandando procurar, em toda a cidade, a tal Rua das Toalhas. Bicho de Palha ouviu as impressões entusiásticas dos empregados na cozinha, todos contando a paixão do príncipe e a beleza da moça. Na tarde desse dia o príncipe pediu a Bicho de Palha um pente. Vendo-se sozinha no palácio, Bicho de Palha invocou o poder da varinha de condão e recebeu uma carruagem de diamantes e um vestido da cor do céu com todas as suas estrelas. Entrando no salão do baile, Bicho de Palha recebeu as saudações como se fora uma rainha. Ninguém jamais vira moça tão atraente e um vestido tão raro. O príncipe andava atrás dela como uma sombra, servindo-a e perguntando tudo, doido de amor. Bicho de Palha disse que se havia mudado para a Rua dos Pentes, definitivamente. E dançaram muito. Perto da meia-noite, sabendo que era a hora em que moça desaparecia como se fosse encantada, o príncipe chamou seus criados e mandou abrir uma escavação junto do portão do palácio, esperando que a carruagem parasse. Tal, porém, não se deu, Bicho de Palha saltou para a carruagem e esta disparou como um raio, pulando o fosso, mas, o solavanco fora tão brusco que um sapato de Bicho de Palha, atirado fora da portinhola, perdeu-se. Um criado achou-o e levou-o ao príncipe, que ficou satisfeitíssimo. Debalde procuraram na cidade a tal Rua dos Pentes. O príncipe deliberou encontrar a moça por outra maneira. Mandou levar o sapatinho a todas as casas, calçando-o em todos os pés. Quem o usasse perfeito, nem largo, nem apertado, seria a encantadora menina dos bailes. Os criados andaram rua acima e rua abaixo, calçando sapatinho nos pés das moças e das velhas. Nenhuma conseguia dar um só passo com ele no pé. Voltaram os criados para o palácio e experimentaram calçar os chapins nas empregadas e amas. Nada. Finalmente uma criada encarregada lembrou que Bicho de Palha não fora convidada para calçar o mimoso calçado. Riram todos, mas, para que o príncipe não os acusasse de ter deixado alguém de calçar o sapatinho, mandaram buscar Bicho de Palha, como motivo de riso, e lhe disseram que experimentasse. Bicho de Palha com a. varinha na mão, pediu que lhe aparecesse no corpo, por baixo da capa de palha, o vestido da terceira noite da festa. O príncipe veio assistir, Bicho de Palha, cercada pela criadagem que ria, meteu o pé no sapatinho e este lhe coube perfeitamente. Depois estirou o outro pé e todos viram que calçava sapatinho igual ao primeiro. Mal podiam crer no que viram, quando caiu a palha e apareceu a moça formosa dos três bailes, com o vestido da cor do céu com todas as estrelas, o diadema com a lua de brilhantes, tudo rebrilhando como as próprias estrelas do firmamento. O príncipe precipitou-se abraçando-a e chamando por sua mãe para que conhecesse a futura nora. Casaram logo. Bicho de Palha contou sua história, e a varinha de condão, cumprida a vontade da velhinha, que era Nossa Senhora, desapareceu, deixando-os muito felizes na terra. Extraído da obra Brasil no folclore (Aurora, 1980), de José Ribeiro. Veja mais aqui.


A arte da artista plástica e visual holandesa Caroline Westerhout.




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