A arte da artista plástica, fotógrafa e performer Rosângela Rennó.

VEJA MAIS: TOLINHO & BESTINHA
PENSAMENTO
DO DIA – A ignorancia é sempre tolerante com a ignorância, ou um asno esfrega o
outro. Provérbio latino.
ALGUÉM
FALOU DE SOLIDÃO - Nunca rompi
uma relação para ficar sozinho. Geralmente para fugir de uma, já estava
ancorado em outra. Eu acho muito difícil “dar a volta por cima”, estando
sozinho. Sozinho? Nem depois de morto! Porque até no cemitério fica todo mundo
enfileirado. Apesar disso, sempre vivi uma grande solidão. Talvez por nunca ter
dado amor e não ter recebido, de fato. A solidão é uma experiência muito
difícil em qualquer idade. Pensamento do pintor, desenhista, ilustrador e professor
Darel Valença Lins (1924-2017). Veja mais aqui.
A POÉTICA DO ESPAÇO – [...] E
para um sonhador de palavras, que calma na palavra redondo! Como ela arredonda
calmamente a boca, os lábios, o ser do folego! O mesmo deve ser dito por um
filósofo que crê na substancia poética da palavra [...]. Trecho extraído da
obra A poética do espaço (Abril, 1978),
do filósofo, crítico literário e epistemólogo francês Gaston Bachelard
(1884-1962) aborda temas como a casa do porão ao sótão, o sentido de cabana, a
casa e o universo, a gaveta, os cofres, armários, o ninho, a concha, os cantos,
a miniatura, a imensidão intima, a dialética do exterior e do interior, a
fenomenologia do redondo, trazendo a discussão filosófica do fenômeno imagético
da poesia e sua pluralidade de imagens e temas, distante do racionalismo
filosófico tradicional, voltada para a questão relacionada à psíquica do poema
e à explosão de uma imagem. É um ensaio sobre a fenomenologia questionando a
razão de uma imagem singular revelar-se como uma concentração que envolve o
psiquismo e de que forma um acontecimento efêmero e singular como a imagem
poética reage em outras almas, mesmo sob as condições inerentes aos pensamentos
sensatos e senso comum. REFERÊNCIA: BACHELARD, Gaston. A poética do espaço. São
Paulo: Abril Cultural, 1978. Veja mais aqui.
NEUROCIÊNCIA COGNITIVA - A partir de uma revisão da literatura
realizada com base nas referências bibliográficas expressas abaixo,
encontrou-se em Moreira e Medeiros (2007) que os psicólogos cognitivos estão
preocupados com a forma como a anatomia (as estruturas físicas do corpo) e a
fisiologia (as funções e processos do corpo) do sistema nervoso afetam e são
afetados pela cognição humana. A neurociência cognitiva é o campo de estudo que
vincula o cérebro e outros aspectos do sistema nervoso ao processamento
cognitivo e ao comportamento. O cérebro controla pensamento, emoções e
motivações, é o órgão supremo da cognição. A localização da função diz respeito
a áreas específicas do cérebro que controlam determinadas habilidades e
comportamento. O sistema nervoso é a base da capacidade de percepção, adaptação
e interação com o mundo. É onde recebe, processa e responde às informações que
vem do ambiente. Post-morten é a prática de dissecação após a morte para estudo
da relação do cérebro e o comportamento, em busca de lesões, inferem que os
locais lesionados estão relacionados a comportamento afetado, fazendo vinculo
entre o tipo observado de comportamento e as anomalias. Paul Broca realizou
estudo com Tan que possuía problemas de fala no lobo frontal. A área de Broca
envolvida com funções da fala. Estudos com animais in vivo por meio da
instalação de microeletrodos para identificação da atividade um neurônio e para
medir os efeitos de tipos de estímulos sobre a atividade de neurônios. A
produção seletiva de lesões compreende a remoção ou dano cirúrgicos de parte do
cérebro, para observar déficits funcionais. Os registros elétricos aparecem na
forma de ondas de vários comprimentos (frequências) e alturas (intensidades. Eletroencefalograma
(EEGs) são registros de intensidades e frequências elétricas do cérebro vivo
gravados por períodos longos. Objetiva estudar as atividades das ondas
cerebrais e estudos mentais que se alteram, registrando a atividade elétrica do
cérebro com informações sobre o transcurso de tempo da atividade cerebral. ERP
é usado em estudos de inteligência e tomografia por emissão de pósitrons (PET).
EEG e ERP oferecem apenas visão geral do cérebro. As técnicas de imagem
estrutural para obter imagens estáticas: angiogramas, tomografia axial
computadorizada (CAT) e ressonância magnética (MRI). Angiogramas (Raios X e
CAT) para observação de grandes anormalidades, como resultantes de AVC e
tumores. A ressonância magnética (MRI), a mais importante, serve para revelar
as imagens de alta resolução da estrutura cerebral, computando e analisando
mudanças na energia das orbitas das partículas nucleares nas moléculas do
corpo. Facilita a detecção de lesões por meio de escaner rotativo, detecta
vários padrões de alterações eletromagnéticas nas moléculas do cérebro. A
imagem metabólica baseada em mudanças no cérebro resultante do aumento de
glicose e oxigênio. As PET medem aumentos em consumo de glicose em áreas ativas
durante tipos específicos de processamento de informação. MRI é uma técnica de
neuroimagem que usa campos magnéticos para construir representações detalhadas
em 3D. fMRI é a técnica usada para identificar regiões ativas como visão,
atenção e memória. COGNIÇÃO NO CÉREBRO – As regiões do cérebro são
prosencéfalo, mesencéfalo e robencefalo. O presencéfalo está acima e na frente
do cérebro. Inclui o córtex, os gânglios basais, o sistema límbico, o tálamo e
o hipotálamo. O córtex cerebral é a camada exterior dos hemisférios e
desempenha papel vital no pensamento e outros processos mentais. Os gânglios
basais são conjuntos de neurônios cruciais à função motora. Problemas nessa
causam déficits com sintomas de tremores, movimentos involuntários, alterações
na postura e no tônus muscular, lentidão de movimentos, a exemplo da Doença de
Parkinson e de Huntington. O sistema límbico é responsável pelas emoções,
motivação, memória e aprendizagem; transformar o comportamento mais flexível em
resposta a mudanças no ambiente e é composto da amígdala, septo e hipocampo. A
amígdala possui função na emoção (raiva e agressividade); o septo envolvido na
raiva e no medo; o hipocampo na formação da memória e monitora onde tudo está.
A Síndrome de Korsakoff compreende perda da função da memória. O tálamo
transmite informação sensorial do córtex, está localizado próximo ao centro do
cérebro, é dividido por grupos de neurônios com funções semelhantes, ajuda no
controle do sono e do despertar. Problemas no tálamo provoca dor, tremores,
amnésia, afasia e insônia. O hipotálamo regula o comportamento de
sobrevivência: lutar, alimentar, fugir, acasalar. Ativo na regulação das
emoções e das reações ao estresse. Interage com o sistema límbico e está
localizado na base do prosencéfalo. O mesencéfalo controla o movimento e a
coordenação dos olhos. O sistema de avaliação reticular (RAS) é a formação
reticular composta por uma rede de neurônios para regulação da consciência e
controle sobre a experiência. O tronco cerebral liga o prosencéfalo à medula
espinal e é composto pelo hipotálamo, tálamo, mesencéfalo e prosencêfalo. A substância
cinzenta periaquedutal 9PAG) está localizada no tronco. A morte cerebral é
definida pelo tronco. O prosencéfalo é formado pelo bulbo, ponte e cerebelo. O
bulbo (medula oblongata) controla o coração e parte da respiração, ajudante a
manter vivo. A ponte é a estação de retransmissão composta de fibras neurais. O
cerebelo controla a coordenação corporal, o equilíbrio e o tônus muscular e tem
papel importante na memória. O robencéfalo é a mais antiga e mais primitiva do
primeiro desenvolvimento pré-natal. O córtex cerebral é formado pelos sulcos,
fissuras e giros. Possibilita pensar,planejar, coordenar pensamento e ações e a
linguagem. Possui uma substância cinzenta forma de corpos neurais que processam
informações. Possui também uma substância branca formada por axônios
mielinizados brancos. Entre os hemisférios cerebrais ocorrem as transmissões
contralaterais (de um lado a outro) e ipsilaterais (no mesmo lado). O corpo
caloso é o agregado denso de fibras neurais que conecta os hemisférios para
transmissões de informações em ambos os sentidos. A área de Wernicke está
ligada à compreensão da linguagem. A especialização hemisférica foi tratada por
Marc Dax, Paul Broca e Carl Wernicke. Karl Lashley, o pai da neuropsicologia,
também fez estudos a respeito. O principal foi Roger Sperry que afirmou que
cada hemisfério funcionava como um cérebro separado. Jerry Levi estudou o
vínculo entre os hemisférios e as tarefas visuais e espaciais da linguagem. O
hemisfério esquerdo tem ligação com a linguagem e movimento. Processa
informações de forma analítica (uma por uma, sequência). Lesões nessa área
provocam apraxias (transtornos do movimento coordenado). O hemisfério direito
(mudo) processa informações de modo
holístico (como um todo) e tem ligação com conhecimento semântico, controla o
processamento visual, linguagem pragmática. Lesões nessa área causam
dificuldades de acompanhar inferências e entender discurso com metáforas e
humor. Gazzaniga tratou que os hemisférios cumprem função complementar. O
cérebro está organizado em unidades de funcionamento independentes que
trabalham em paralelo. Lobos cerebrais: frontal, parietal, temporal e
occipital. O lobo frontal está ligado ao processamento motor e pensamento
superior (raciocínio abstrato). O córtex pré-frontal atua no controle motor
complexo e tarefas que requeiram integração da informação no decorrer do tempo.
É responsável pelo julgamento, solução de problemas, personalidade e o
movimento intencional. O córtex motor primário especializado no planejamento,
controle e execução dos movmentos. O lobo parietal atua no processamento
somatossensorial (recebe dados dos neurônios com relação ao pensamento, dor,
sensação de temperatura e posição dos membros. Aloja o córtex somatossensorial
primário que recebe informações dos sentidos sobre pressão, textura,
temperatura e dor. O lobo temporal está
associado à área auditiva. O lobo occipital está associado à visão. Áreas de
projeção são aquelas em que ocorre processamento sensorial nos lobos. A área de
associação dos lobos são regiões que não fazem parte dos córtices
somatossensorial, motor, auditivo ou visual. Sua função é conectar ou associar
a atividade dos córtices sensorial e motor. Dão inicio ao comportamento
intencional e à expressão de pensamento lógico refletido. A área de associação
frontal nos lobos frontais parece ser crucial à solução de problemas, ao
planejamento e à capacidade de julgamento. TRANSTORNOS CEREBRAIS: o acidente
vascular cerebral (AVC) é causado por uma alteração na circulação cerebral. O
AVC isquêmico ocorre com o aumento de lipídeos nos vasos sanguíneos durante
alguns anos e um pedaço desse tecido se desprende e aloja-se nas artérias do
cérebro. O AVC hemorrágico ocorre quando um vaso sanguíneo se rompe
repentinamente no cérebro e o sangue derrama no tecido ao seu redor. Os tumores
cerebrais ou neoplasias afetam o funcionamento cognitivo. O TC primário começa
no cérebro e na infância. O TC secundário começa em algum outro lugar do corpo.
Podem ser benignos ou malignos. Os benignos não possuem células cancerosas e
podem ser removidos e não voltarão a ocorrer. Os malignos contem células
cancerosas, são mais graves e põem em risco a vida da vítima. Os traumatismos
cranianos-encefálicos (TCE) são de dois tipos: lesões de cabeças fechadas,
quando o crânio permanece intacto, mas há lesão cérebro decorrente de força
mecânica de um golpe contra a cabeça; já as lesões de cabeças abertas o crânio
foi penetrado e podem resultar de muitas causas. COMO A MENTE FUNCIONA
– O livro Como a mente funciona, do
psicólogo e linguista canadense da Universidade Harvard e escritor de livros de
divulgação científica, Steven Pinker, aborda temas como equipamento padrão, máquinas pensantes, a
vingança dos nerds, o olho
da mente, as ideias boas, os desvairados, os valores familiares e o sentido da
vida, entre outras importantes abordagens. E O
CÉREBRO CRIOU O HOMEM – O livro E o cérebro criou o homem, do neurocientista português António R.
Damasio, lançado em 2011 pela Companhia das Letras com tradução de Laura
Teixeira Motta, contempla duas questões de estudo do autor, a primeira como o
cérebro constrói a mente? A segunda: como o cérebro torna essa mente
consciente? Na primeira parte dos estudos, denominada Começar de novo:
despertar, o autor apresenta os objetivos, razões e a abordagem do problema em
questão, tratando do self como testemunha, a superação de uma intuição enganosa
sob uma perspectiva integrada, a estrutura, uma prévia das ideias principais, a
vida e a mente consciente. Em seguida ele trata acerca da regulação da vida ao
valor biológico, a realidade implausível, a vontade natural, a manutenção da
vida, as origens da homeostase, células, organismos multicelulares e máquinas,
o êxito dos nossos primeiros precursores, o desenvolvimento de incentivos, a
ligação entre homeostase, valor e consciência. Na segunda parte que recebeu o
título de O que há no cérebro capaz de criar a mente?, trata da geração de
mapas e imagens, cortes abaixo da superfície, mapas e mentes, a neurologia da
mente, o princípio da mente, o corpo na mente, o mapeamento do corpo: do corpo
ao cérebro, a representação de quantidades e a construção de qualidades, os
sentimentos primordiais, mapeamento e simulação de estados do corpo, a origem
de uma ideia, emoções e sentimentos, desencadeamento e execução das emoções, o
estranho caso de William James, sentimentos emocionais, as variedades da emoção
e os degraus da escala emocional, admiração e compaixão, arquitetura para a
memória, a natureza dos registros da memória, zonas de
convergência-divergência, o como e o onde da percepção e evocação. Na terceira,
denominada Estar consciente: a consciência observada, trata da consciência em
partes, sem self mas com mente, tipos de consciência, a consciência humana e
não humana, o inconsciente freudiano, a construção da mente consciente, o
cérebro consciente, o protosself, a construção e o estado do self central, o
self autobiográfico, o problema da coordenação, um possível papel para os
córtices posteromediais, os CPMs em ação, as patologias da consciência, a
neurologia da consciência, o gargalo anatômico por trás da mente consciente, do
trabalho conjunto de grandes divisões anatômicas ao funcionamento dos
neurônios, percepções, viver com consciência, o self e o problema do controle,
o inconsciente genômico, o sentimento da vontade consciente, a educação do
inconsciente cognitivo, o cérebro e justiça, a natureza e cultura e as
consequências do self capaz de reflexão. Leitura indispensável. Veja mais aqui
e aqui.
REFERÊNCIAS
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Barry; PARADISO, Michael. Neurociências:
desvendando o sistema nervoso. Porto Alegre: Artmed,2008.
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YUDOFSKY,
Stuart; HALES, Robert. Neuropsiquiatria e neurociências na prática clínica.
Porto Alegre: Artmed, 2006.
O APRENDIZADO DA SEXUALIDADE – O
livro Aprendizado da sexualidade: reprodução e trajetórias sociais de jovens
brasileiros, organizado por Maria Luiza Heilborn, Estela M. L. Aquino, Michel
Bozon e Daniela Riva Knauth, aborda sobre os temas que envolvem a experiências
da sexualidade, reprodução, aprendizado da sexualidade e do gênero, a gravidez
na adolescência, cor e filiação religiosa, meio social, escolaridade, renda,
família, iniciação à sexualidade e os modos de socialização, interações de
gênero e trajetórias individuais, vida reprodutiva e relações amorosas, espaços
de socialização, mobilidade social, menarca e o social no biológico, namorar e
ficar, relação sexual, contracepção e proteção, valores sobre sexualidade e
elenco de práticas, tensões entre modernização diferencial e lógicas
tradicionais, valores relativos à sexualidade, sexualidade e relações afetivas,
a valorização da fidelidade, a prova de amor e o prazer individual, espontaneismo
e o controle na sexualidade, homossexualidade, tolerância e persistência do
repúdio, masturbação, normas sexuais e gênero, raça e pertencimento social,
práticas sexuais e versões discordantes, mensuração da interação sexual, a
banalização do sexo oral, a prática anal e a especificidade do imaginário
masculino brasileiro, masturbação entre parceiros e volúpia solitária,
repertório sexual, gênero e dissimilaridades nos atos sexuais, a supremacia do
coito vaginal, condições materiais e simbólicas do exercício da sexualidade, as
trajetórias afetivo-sexuais, encontros, uniões e separação, maternidade e
paternidade juvenis, aborto, reprodução juvenil, as trajetórias
homo-bissexuais, relações sexuais coercitivas, gênero e gestão da
bissexualidade, sexualidade juvenil, iniciação sexual e relacionamentos
afetivos, controle da sexualidade adolescente versus autonomização através da
sexualidade, determinantes de gênero e classe social, o papel da escola e dos
serviços de saúde no aprendizado da sexualidade, direitos sexuais e
reprodutivos, cidadania e autonomia, entre outros importantes temas. REFERÊNCIA:
HEILBORN, M.; AQUINO, E.; BOZON, M.; KNAUTH, D. Aprendizado da sexualidade:
reprodução e trajetórias sociais de jovens brasileiros. Rio de Janeiro:
Garamont/Fiocruz, 2006. Veja mais aqui.
AMOR DE PERDIÇÃO – [...] Deu as
cartas a Constança, e encarregou-a de uma ordem, a respeito delas, que logo
veremos cumprida. Depois foi orar, e esteve ajoelhada meia hora, com meio corpo
reclinado sobre uma cadeira. Erguendo-se, quase tirada pela violência, aceitou
uma xícara de caldo, e murmurou com um sorriso: — "Para a viagem..."
- As nove horas da manhã pediu a Constança que a acompanhasse ao mirante, e,
sentando-se em ânsias mortais, nunca mais desfitou os olhos da nau, que já
estava verga alta, esperando a leva dos degredados. Quando viu, a dois a dois,
entrarem, amarrados, no tombadilho, os condenados, Teresa teve um breve
acidente, em que a já frouxa claridade dos olhos se lhe apagou, e as mãos
conclusas pareciam querer aferrar a luz fugitiva. Foi então que Simão Botelho a
viu. E ao mesmo tempo atracou à nau um bote em que vinha a pobre de Viseu, chamando
Simão. Foi ele ao portaló, e, estendendo o braço à mendiga, recebeu o pacotinho
das suas cartas. Reconheceu ele que a primeira não era sua, pela lisura do
papel, mas não a abriu. Ouviu-se a voz de levar âncora e largar amarras. Simão
encostou-se à amurada da nau, com os olhos fitos no mirante. Viu agitar-se um
lenço, e ele respondeu com o seu àquele aceno. Desceu a nau ao mar, e passou
fronteira ao convento. Distintamente Simão viu um rosto e uns braços suspensos
das reixas de ferro; mas não era de Teresa aquele rosto: seria antes um cadáver
que subiu da claustra ao mirante, com os ossos da cara inçados ainda das herpes
da sepultura. — É Teresa? — perguntou Simão a Mariana. — É, senhor, é ela —
disse num afogado gemido a generosa criatura, ouvindo o seu coração dizer-lhe
que a alma do condenado iria breve no seguimento daquela por quem se perdera. De
repente aquietou o lenço que se agitava no mirante, e entreviu Simão um movimento
impetuoso de alguns braços e o desaparecimento de Teresa e do vulto de
Constança, que ele divisara mais tarde. A nau parou defronte de Sobreiras. Uma
nuvem no horizonte da barra, e o súbito encapelamento das ondas causara a
suspensão da viagem anunciada pelo comandante. Em seguida, velejou da Foz uma
catraia com o piloto-mor, que mandava lançar ferro até novas ordens. Mais tarde
adiou-se a saída para o dia seguinte. E, no entanto, 5imáo Botelho, como o
cadáver embalsamado, cujos olhos artificiais rebrilham cravados e imotos num
ponto, lá tinha os seus imersos na interior escuridade do miradouro. Nenhum
sinal de vida. E as horas passaram até que o derradeiro raio de Sol se apagou
nas grades do mosteiro. Ao escurecer, voltou de terra o comandante, e
contemplou, com os olhos embaciados de lágrimas. o desterrado, que contemplava
as primeiras estrelas, iminentes ao mirante, — Procura-a no céu? — disse o
nauta. — Se a procuro no céu... — repetiu maquinalmente Simão. — Sim!... No céu
deve ela estar. — Quem, senhor? — Teresa. — Teresa...! Morreu?! — Morreu, além,
no mirante, donde ela estava acenando. Simão curvou-se sobre a amurada, e fitou
os olhos na torrente. [...]. Trecho extraído da obra Amor de Perdição (Lello Irmão, 1983), do escritor português,
dramaturho, historiador e tradutor Camilo
Castelo Branco (1825-1890).

dedilhar-me a lira,/ a buscar a agulha de pinheiro / que proteja / e não o espinho de roseira, / que fira.../ Apaga-me! / Somente para depois reacender-me, / tornar-me luminária,/ estacionária / essa paixão / perene... NÚPCIAS CIGANAS: Um punhal ardente,argênteo pela claridade dos castiçais de latão,/ ergue-se e agita-se, sonâmbulo, talvez, mas em busca/ de caminho certo...Freme, pássaro, algo de beija flor e de cisne,/ cegamente lança-se à umidade morna que o atrai,sem medo... / Num casamento cigano, consumado após as danças, o vinho, / as palmas, a espera dos demais,para que a mostra de sangue/ seja a prova de uma virgindade exigida pelos costumes ancestrais.../ Mas ...não sangra a noiva, ainda assim , até então,virgo inviolata, desiderata,/ -ardendo de desejo, mas pura e ele o sabe... .../ O punhal de carne recolhe-se, grato pelos ricos sumos/ e pela oferenda da estreita senda...descansa.../ então, o homem,jovem apaixonado/ e convicto da castidade de sua mulher/ que o olha assustada com a falta do carmim/ no branco lençol de linho ,levanta-se,corajoso, trêmulo ainda,/ após o gozo,e toma de seu punhal de prata, finamente lavrado.../ A jovem se assusta, mas não grita, deixa que caiam as lágrimas:/ aceita o seu destino, o coração se confrange, depois galopa/ no peito de pomba...fecha os olhos e espera...a morte,/ pela falta de sorte.../ Ontem, sua avó jogara cartas, a Buena Dicha:vida longa,vida feliz,/ mas por certo se enganara, pensa desesperada.../ O marido então,dá um corte no dedo anular, onde/ a aliança brilha à luz das velas...e mancha os níveos panos:/ a camisola, o lençol, a fralda de sua camisa...segura/ o queixo da esposa-menina, e quando ela abre os olhos,/ mostra-lhe o sangue a pingar, e deitado sobre os linhos, e lhe sorri.../ Ela devolve, encantada ,o sorriso, sem falar nada/ e ele murmura roucamente:"Confio em ti".../ Então beijam-se ardentemente e ele vai à porta da tenda,/ a mostrar, belo, viril, mas secretamnte generoso./ a prova da "primeira vez"...Nunca mais falaram nisso,/ mas também, jamais um marido teve uma esposa/ tão amorosa e dedicada.... CALCINHAS: Depois de passar um bom tempo / escolhendo , com apaixonado olhar/ a prever delírios, calcinhas rendadas,/vermelhas cavadas, sensuais e sedosas,/ depois perfumadas/ com água de rosas,/ percebo que parecem/ uma bela borboleta/ para cobrir a rosa/ da espécie/ "Príncipe Negro"/ onde o vermelho/ é muito escuro/ e seu botão bem rosado.../ Essa cobertura leve e ousada/ vestida apenas para ser tirada/ é uma estratégia feminina/ para a guerra de "uns" e de " ais"/ que acontece entre lençóis,/ no tálamo... PRIMEIRA VEZ: Na colheita de primícias,/ a amora esmagada tinge/ o níveo lençol de linho.../ Um mundo, então de delícias,/ todos sentidos atinge/ através de um forte espinho.../ Um aroma preenche o ar em torno/ Os beijos, ora em pianíssimo/ ora vendavais a ser,/ gosto de pêssego morno,/ sumarento, gostosíssimo.../ Então a dor vira prazer... CLEVANE PESSOA DE ARAUJO LOPES é poeta, escritora, psicóloga, ilustradora, conferencista e consultora nordestina radicada em Minas Gerais, premiada em concursos nacionais e do do exterior. Trabalhou ativamente na imprensa de Juiz de Fora-MG, foi editora de Literatura e Arte do tablóide de vanguarda Urgente, dentre outros. Atualmente, é psicóloga, ilustradora e oficineira de Poesia e Conto. Tem quatro livros de poesias publicados, é consultora de teatro, revisora de textos e roteirista de peças teatrais. É Cônsul Zona Central de Belo Horizonte, da entidade Internacional “Poetas del Mundo”, integrante a REBRA - Rede Brasileira de Escritoras, é patrono da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores, pertence à Academia Virtual Brasileira de Letras. Ela reúne seus trabalhos no sitio Clevane Pessoa e no blog Erotíssima. Veja mais aqui.
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Ryan, Mademoiselle Dubois, Psicologia & Direitos Humanos, Cordel do
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Bertani, O artista e a fera, Janaína Amado, Intrépida Trupe, Direito & Mauro Cappelletti aqui.
Big Shit
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CRÔNICA
DE AMOR POR ELA
Leitora
parabenizando o Tataritaritatá (Arte Ísis Nefelibata).
CANTARAU: VAMOS
APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.