segunda-feira, maio 16, 2016

HISTÓRIA UNIVERSAL DA TEMERANÇA


HISTÓRIA UNIVERSAL DA TEMERANÇA - A história da temerança é milenar e acompanha o ser humano desde as mais remotas eras, quando o primeiro ato de vilania aconteceu entre as conquistas dos primevos candidatos a chefes de tribos, ou, depois, entre os reis e rainhas celtas, babilônios, sumérios, persas, vikings, fenícios, entre outros, grassando como prática comum pra se chegar ao poder. Os primeiros registros que se têm notícia vêm desde antes das tramas de Gilgamesh até aos césares romanos, bastando sacar a metáfora dos escritores que criaram a Mitologia Grega, ao colocar em cena o deus do Olimpo, Zeus, com todas as suas intervenções poderosas entre deuses e mortais. Esse Zeus era nada mais nada menos que a representação simbólica dos que mandavam e desmandavam no poder, nada mais. Para se ter ideia, outro relato da mais pura temeragem é a do assassinato de Abel, cometido por seu irmão Caim, com o objetivo de ampliar os seus domínios, virando, inclusive, relato bíblico, muito embora, não fora este, portanto, o único caso de peraltices que chegaram às vias de fato entre familiares. Isso porque inúmeros outros tantos exemplos podem ser pinçados ao longo da História, bastando citar algumas das investidas do rei Davi – a exemplo da astúcia de manipular uma guerra de ocasião para enviar e dar cabo a um de seus generais, justo o marido de Betsabá, a cobiça de sua gula e, dessa conquista amorosa surgir o filho do casal, Davi, que sai à semelhança do pai, não tendo o menor escrúpulo para aprontar das suas. Também aparece a figura de Judas Iscariotes como um dos grandes temerandos, por haver vendido Jesus por módicos 30 dinheiros e de haver beijado a face da vítima como sinal da mais indisfarçável temerança. O acusado traído fora levado à justiça que, simplesmente, num ato simbólico repetido até hoje de lavar as mãos, permitindo que uma temerosa população escolhesse entre o réu e um ladrão, o Barrabás, optando-se pelo ladrão. Vem, então, aquela do súdito favorito de Julio Cesar, quando seu filho adotivo e pretor, Marcus Junus Brutus, acoloiado com o Cassius Longinus, conspirou prum golpe e participou do assassinato do próprio César, resultando na famosíssima expressão temeranda do teatro shakespeariano: - Até tu, Brutus? E essa temerosidade recheia toda obra dramática do poeta inglês, como na tragédia em que o alferes do general Otelo, Iago, que preterido a um cargo almejado, armou uma trama que levou à morte da esposa do general, Desdêmona; quando ele descobriu que era uma farsa do alferes, ele se suicidou. No Brasil mesmo, desde a chegada do peró que passar rasteira e engalobar os índios, era evidentemente uma coisa pra lá de normal, prática tão corriqueira e cotidiana que só mereceu registro quando os temerandos lusos sentiram na pele a jogada do Domingos Calabar pro lado dos holandeses, resultando na prisão e morte do nefando traidor. Tão diária é a coisa que parece até coisa irrelevante, como a ocorrência de um português já no século XVIII, um tal Silvério dos Reis que, visando escapar das dívidas com a Coroa, traiu os inssurretos do momento histórico denominado de Inconfidência Mineira. Como se trata de Brasil, há uma curiosidade: ele não só teve suas dívidas perdoadas, como foi agraciado com uma pensão vitalícia pelo reinado português. Isto é Brasil. Também, noutros rincões e na mesma época da perseguição aos católicos entre os britânicos, Guy Fawkes formando uma gangue, conspirou explodir a Câmara dos Lordes com o parlamento todo e o rei Jaime I dentro, carregando no subsolo do prédio 36 barris de pólvora. Resultado: foi preso, perdeu os colhões e ficou com as tripas de fora. Menos trágico foi o destino de um ministro de Napoleão, o Talleyrand-Périgord que, durante a Revolução Francesa, no séc. XVIII, armou pra cima uma cama de gato pro seu mandatário, a fim de favorecer o retorno dos Bourbons à monarquia. O prêmio: tornou-se depois embaixador de Luís XVIII. Isso tudo não é nada, é que entre muitos outros fatos, veio, então, já no século XX, aquela da guerra sino-japonesa, na década de 1930, quando o Wang Jungwey se bandeou pro lado inimigo, inclusive, conquistando Nankin pros novos achegados. Ou a do nazista da Gestapo, Heinrich Himler que, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), passou uma rasteira no Hitler, negociando a rendição com a Grã-Bretanha e os Estados Unidos. O que não fora nada perto do que o próprio traído Hitler fez, em plena vigência do pacto Molotov-Ribbentrop, um tratado de não-agressão celebrado entre os governos germano-soviético; contudo, em 1941, sem mais nem menos, o alemão atacou os russos na Operação Barbarossa, fato que se tornou uma temeridade sem precedentes até então. Nada demais. Não menos importante foi a do general da maior confiança do presidente Salvador Allende, o famigerado Augusto Pinochet que, em 1970, foi nomeado como o leal chefe do exército chileno e que, em sinal de disfarçada fidelidade, não só preparou o golpe e derrubou o seu confiante presidente, como, ainda por cima, ofereceu um avião pra sua fuga e que, não fosse um aviso emergencial no rádio, era para jogá-lo fora da aeronave no ar. Pois, foi. Ainda o caso daquele espião da CIA, Aldrich Ames, que durante a Guerra-Fria (1980-1990), virou a casaca pra KGB. Ou, também, daquele italiano membro da Cosa Nostra, o Tomaso Buscetta, que traficou drogas no Brasil e ao ser preso, traiu a máfia e dedurou todo mundo quebrando o juramento de silêncio. Ah, e por aí vai. Até Alagoinhanduba, mais recentemente, viu-se vítima de uma prática dessas. Foi quando apareceu a Marcela, uma beldade amiga dos estreitos laços de amizade da Vera Indignada, apresentando o seu mais novo papagaio de pirata, conseguido com proezas mirabolantes e corporais da parte dela, pra turma do Big Shit Bôbras. E ele, o Malcolm Michael Temeroso, um vil macróbio bem apessoado e falante que comprou o namorico, noivado e casório com ela a peso de ouro – ele foi logo apelidado de Marido da Marcela e dizem que é o ilustre único dono daquele Diamante da Bahia -, logo foi se chegando e mostrando ao que veio: destronando tudo e todos. Mas isso eu só conto na outra. O que introdutoriamente pretende-se aqui é sacar a temerança ao longo dos tempos, o que me faz constatar que ou os homens precisam ser corruptos para desgraçar o poder, ou o poder corrompe todo aquele que sentar no seu trono. Sei que não é só isso. Tem muito mais, ora. Fica valendo a deixa. O fato que merece ser enfatizado é que a temerança pode ser condenável em qualquer país do mundo, mas no Brasil – e também entre os franceses, vez em quando -, com a sua mais diversa nomenclatura por conta da sua variada tipologia de sacanagem, qual seja traição, crocodilagem, cornagem, covardia, duas-de-quinhentos, pé-na-goela, armação, trolagem, delação, alcaguetagem, espionagem, enfim, a coisa é tão comum como a sina de marinheiro morrer justo afogado nas águas de sua convivência. Mas aqui não quero falar do tipo de traição à mineira – foi fazer unha, Fabíola? –, vez que aqui o negócio muda de figura e não se trata de diversão com o drama alheio, como no caso Bovary, mas de situações em seus devidos termos, como a Doña Marina, a La Malinche asteca, que se aliou em convivência com Cortéz para suas atrocidades e derrubada de Montezuma II. Tanto é comum, que desde antanho ocorre em Pindorama a malhação do Judas todo ano, o que levou os franceses a considerarem, pela segunda vez, que este não é um país sério: é comandado por um corrupto, lobista e traidor. Ora, nada demais, vez que não se precisa fazer neste país distinção alguma entre os sabidos mandões da Fiesp e qualquer manda-chuva sabido de qualquer província interiorana da patriamada, dá tudo no mesmo: eles só querem se arrumar e ver o circo pegar fogo. Aqui, só tem tontos Fabos que, como eu, no Fecamepa, ou servem só pra fabricar cagadas ou para descrevê-las no maior passatempo das risadagens. E vamos aprumar a conversa & tataritaritatá. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui e aqui

 Imagem: A arte do pintor franco-canadense Alfred Pellan (1906-1988).

 Curtindo Aurora 5365 (Independente, 2000) da cantora, compositora, atriz, locutora e dançarina Mônica Feijó.

PESQUISA
Ator e Estranhamento: Brecht e Stanislavski, segundo Kusnet (Senac, 2001), do ator Eraldo Pera Rizzo, contando a experiência com a fonte de ensinamentos fundamentais para a arte da interpretação. Veja mais aqui e aqui.

LEITURA 
Versos em Lá menor (São Paulo, 1930), da poeta parnasiana Yde Schloenbach Blumenschein (1882-1963), mais conhecida como Colombina.

PENSAMENTO DO DIA:
MANIFESTU DA A LEGIÓ INREVOLUZIONARIA
U brasile é unico e invisive. U tipu sociali braziliano é uma mistura di terra, di ingonomia e di storia. U Brasile stá sitoado nu meio do o Mondo. U uómo brasiliêre é figlio di tuttas razza: negro, indio, macaco, intaliano, ingreiz, turco, cearensi, pernanbugano, gauxo, afrigano i allamó.(Nota du traduttóre - Grazias a deuse io sô intaliano i sô figlio di mio paio i di mia máia i di maise ninguê). Inzisti una tradiçó morale braziliana chi é priciso adisgobri. Vamos apricurá.
Trecho extraído do livro La Divina Increnca (Editora 34, 2001 - reprodução integral da primeira edição de 1915), de Juó Bananére, pseudônimo literário do engenheiro, poeta e jornalista paulista Alexandre Ribeiro Marcondes Machado. Veja mais aqui.

Veja mais Iancu Dumitrescu, Maria Lacerda de Moura, Ronald de Carvalho, Rabelais, Artur Azevedo, Alfred Pellan, Mario Monicelli, Faith Minton & Pierre-Paul Prud'Hon aqui.

COMEMORAÇÃO 
Hoje é dia Dia de Savitu-Vrta, festa em honra da deusa hindu Savarasti, da Sabedoria, das Letras e das Artes.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da artista plástica Kellie Day
Veja aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá
Veja aqui.



VARGAS LLOSA, RANCIÈRE, BADIOU, WAGNER TISO, QUINET, BRUNO TOLENTINO, FRANCINE VAYSSE, FRESNAYE, NÁ OZZETTI & JOAQUIM NABUCO

A BARATA & O MONSTRO - Imagem: The Architect (1913), do pintor cubista francês Roger de la Fresnaye (1885-1925). - A noite e a solid...