sábado, maio 07, 2016

AS FUNDURAS PROFUNDAS DO CORAÇÃO DE UMA MULHER

AS FUNDURAS PROFUNDAS DO CORAÇÃO DE UMA MULHER - (Imagem: Aquarell auf Papier, da pintora, cineasta e autora alemã Cornelia Schleime). - Ah, bem-me-quer. Há de ficar comigo porque não tarda em mim a água fresca dos seus lábios tépidos, a me incendiar o fogo intenso da loucura mais insana. E a face dela nua enluarada, pousando a boca Freya anoitecida, na ânsia louca de abraçá-la a madrugada. Estrelas aladas são seus olhos que me flagram, a tomá-la fulana que não é atéia ao que o amor ensina, a fazer seu corpo lépido, o território da minha aventura. Na hora inteira a sua voz se faz ouvida e reconheço à sua fonte mágica a lição fecunda do amor. E ela desatina com riso ardente ao seio amante em polvorosa, pra que eu saiba o alto preço de sua inquietude, que tudo isso é maior que um sonho, maior que a própria vida. Estrela azul do meu destino, seu vulto estima o meu ligeiro espanto e ao ver-me guerreiro em riste, não explica o que seu olhar avista. Há de aproximar-se com todo seu lampejo e a confundir-se na auréola da beleza, com tudo quanto oferta a recompensa, cada vez mais perto e em toda parte. Hei de envolvê-la na surpresa do seu deslumbramento, a mergulhar no oceano dos seus encantos com o prazer que irrompe sem medida, com o desejo que nasce da vontade inata. Ah, não é um filme de Resnais. Ao derredor da espera a sua altiva fronte Iaravi, no meio do nada traz a luz do Sol a dourá-la radiosa. Bendita seja a boca que apetece entre as nuvens da alvorada que nasceu da meninice pra viva mocidade no esplendor das coisas desejadas. Sei por que digo insistente e a jogar pétalas de rosas em seu caminho, que ela é o mal de amor que não se cura e que me persegue impiedosa num céu sem antes que eternizou o prazer depois, a me fazer morrer por ela, e a viver abrasado na sua mais que densa dança ansiosa. Ah, o que é o que é? Há de ser rainha, santa deusa devotada, com todos os seus haveres pra ser-me viva na minha herança pagã que arde na chama intensa do desejo a incendiar o meu sangue latino pra que eu seja mais que inteiro na sua ubiquidade. Há de ser puta, fêmea linda mais que amada, pra me dá todos os seus prazeres e me ocultar no segredo do seu ventre, pra que eu derrame o meu desesperador sacrilégio por todo seu reino imaculado. E à beira do seu caminho darei a vida inteira a profusão do amor que se merece pra que seja minha dona e a quem pertenço, porque o amor é sempre amor e é ela que me faz cativo e vivo nesse amor imenso. Ah, navegar as funduras profundas do coração de uma mulher. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui, aqui e aqui.


Imagem: Clair de lune (1924), do artista plástico italiano Fabius Lorenzi (1880 – 1969).

 Curtindo: Clair de lune (1974-2012 – Denon), do compositor francês Claude Debussy (1862-1918), na interpretação do tecladista e compositor japonês Isao Tomita. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

CLAIR DE LUNE (1869)
Poema do poeta francês Paul Verlaine (1844-1896)
A tua alma é uma paisagem escolhida
Onde enganam máscaras e bergamascas
Tocam lira e dançam quase
Tristes sob os seus fantásticos disfarces.
Cantando em modo menor
O amor triunfante e a vida auspiciosa,
Não parecem acreditar na sua felicidade
E a sua canção se mistura com o luar,
Com o calmo luar triste e belo,
Que faz sonhar as aves nas árvores
E soluçar de êxtase os jatos de água,
Os grandes jatos de água esbelta entre os mármores.
Veja mais aqui.

PESQUISA
A arte de amar: o amor como força vital (Pergaminho, 2008), do filósofo, sociólogo e psicanalista alemão Erich Fromm (1900-1980). Veja maios aqui.

LEITURA 
Cem poemas de amor (Escrituras, 2005), do escritor e ensaísta Ledo Ivo (1924-2012). Veja mais aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA
Se não for amor, eu cegue (love), de Lula Queiroga
Pode ser um lapso do tempo e a partir desse momento acabou-se solidão
Pinga gota a gota o sentimento, que escorrega pela veia e vai bater no coração
Quando vê já foi pro pensamento, já mexeu na sua vida, já varreu sua razão
Acelera a asa do sorriso, muda o colorido, vira o ponto de visão.
Cai o medo tolo, cai o rumo, quando a terra sai do prumo eu estou perto de ti
Abre-se a comporta da represa, desviando a natureza pra um lugar que eu nunca vi
Uma vida é pouco para tanto, mas no meio desse encanto tempo deixa de existir
E é como tocar a eternidade, é como se hoje fosse o dia em que eu nasci
Livre, quando vem e leva, lava a alma, leva e vai tranquila
E a pupila acessa do seu olho disse love, bem, se não for amor eu cegue
Bem, se não for amor eu fico, eu sigo, sigo, sigo, eu fico cego por ti.
Bem, se não for amor eu cegue, bem, se não for amor eu fico
Eu sigo, sigo, sigo, eu fico cego por ti, eu fico cego por ti.

Veja mais Johannes Brahms, Gerd Bornheim, Konstantínos Kaváfis, Charles Bukowski, David Hume, Imanol Uribe, Monica Fernandez, Viktoria MullovaGonzalo Torrente Ballester, Emir Ribeiro & Velta & Juarez Carlos da Silva aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da pintora, cineasta e autora alemã Cornelia Schleime.
Veja aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá
Veja aqui.

VINICIUS, MIGUEL ASTURIAS, ORTEGA Y GASSET, CAMILLE CLAUDEL & RICHARD MARTIN

IARA, IARAVI – Um dia Fiietó se apaixonou. E ele com a sua força e firmeza no braço, altivez de porte e agudez de vista, dominava a matari...