quarta-feira, janeiro 19, 2011

IGIABA SCEGO, PAULA GLENADEL, RODOLFO FOGWILL, MARY MONTAGU, MANOLITA PIÑA & AS TRELAS DO DORO

 
Retrato de Manolita Piña, do pintor espanhol Torres Garcia. Veja mais abaixo.

UMA CANÇÃO PARA MANOLITA – (Imagem: Constructif dedique a Manolita, de Torres Garcia). – A catalã Manolita Piña (1883-1994), tinha lá seus pendores artísticos, pois, desde criança tocava piano, mas se firmou mesmo como a gaurdiã da obra do seu marido, Torres Garcia. Ela sempre dedicou-se a ajudar os amigos artistas que sofriam de perseguição política. Em 1908, ela se casou com Joaquín Torres García. Com o casamento, ela parou de pintar porque, segunda ela própria, não superaria nem competiria com o marido. Ele dedicou o seu universo construtivo na obra Constructif para ela, combinado a abstração geométrica com símbolos que representam a essência de sua projeção humana. Há uma xilogravura dela no Notas sobre Arte (1913), do seu marido. Em 1951, criou o movimento Maotima dedicado ao trabalho em tapeçarias bordadas, nome este reunião das integrantes Manolita, Otilia, Iphigenia e Maria Angelica. Ela era uma incansável colecionadora e organizadora da obra do marido, assegurando o seu legado para em 1953, criar o Museo Torres Garcia, só inaugurado em 1986, no Uruguai, passando a ser chamada de Doña Manolita, a companheira inseparável do marido, sendo até a sua sombra, tornando-se uma supercentenária. Em 2000, a publicação Homenatge um Manolita Piña de Torres García (2000), de Emilio Ellena, trata da sua vida e de seu marido, da sua luta pela conservação do acervo artístico, sua trajetória de vida além dos 100 anos de idade e informações adicionais sobre a arte de Torres Garcia. Veja mais aqui.


DITOS & DESDITOS - Quanto mais um escritor tem sucesso, mais ele falha como produtor de si mesmo. Escrever me parece mais fácil do que evitar a sensação de absurdo de não fazê-lo. Pensamento do escritor argentino Rodolfo Fogwill (1941-2010).

ALGUÉM FALOU: Aos 40 anos, a mulher está longe de ser fria e insensível; mas ela sabe, quando necessário, cobrir o fogo com as cinzas. Pensamento da escritora Mary Wortley Montagu (1689-1762).

RHODA – [...] A senhora Matilde era velha, sozinha e terrível. A sua única diversão era atormentar a faxineira [...] vivia para atormentá-la todas as quartas. [...] preferiria morrer a ir àquela casa úmida e fria. [...] E, no entanto, estava lá. Toda santa quarta-feira. [...] Não gostava daquela mulher, mas aquele era um modo honesto de ganhar o pão de cada dia. Trabalhava por hora e precisava se desdobrar, correndo por vários bairros de Roma, para lavar privadas rosa muito sujas. [...] Não gostava de trabalhar nas casas dos gaal. Mas trabalhava. Era preciso pensar em quem tinha ficado na Somália. Havia a guerra, ninguém trabalhava e seu dinheiro era importante. [...] Não podia fraquejar, não podia se permitir o luxo de desabar. Se fraquejasse, o que seria de sua família? [...] Deveria ir cuidar da velha megera, mas, francamente, não estou a fim! Hoje aquela sonsa fez xixi no chão e precisei limpar por horas. Por que o xixi das velhas megeras fede como esgoto a céu aberto? [... ] Uma mulher negra na Itália tinha, no imaginário comum, possibilidades limitadas de colocação. [...] As mulheres negras eram cantoras de soul ou de jazz, atletas recordistas, supermodelos... isso na melhor das hipóteses. Nos casos piores, eram mulheres perdidas, fêmeas ávidas de dinheiro, e dispostas a se vender por poucos e nojentos trocados. Enquanto mulher negra me sentia rotulada. Não tinha saída [...]. Foi assim que decidi me render ao clichê. [...] Barni ainda não acreditava que era dona de uma loja. Que não estava mais a serviço de ninguém. Que era uma pessoa com responsabilidades precisas. Que estava finalmente integrada. Mas era o que o letreiro da fachada mostrava. A loja “étnica” Rhoda era uma realidade e aquele letreiro em tons pastel era a prova irrefutável disso. [...]. Trechos extraídos da obra Rhoda (Sinnos, 2004), da escritora italiana da diáspora somali, Igiaba Scego, tratando sobre a dimensão da transculturalidade e as migrações no diálogo entre culturas. Veja mais aqui.

FILHAA menina que, em sustos, / vejo crescer depressa,/ que nutro com meus nervos / e que descubro falar, e ser, / me veio de um imemorial / naufrágio / em que perecemos eu e ele: / pequena pérola do pior. / Como o traço oblíquo de luz / riscado sobre uma tela / de nuvens branco-cinza, / figura, tornado agora visível, / o sutil equilíbrio instável / entre dois planos. Poema extraído da obra A vida espiralada (Caetés, 1999), da poeta Paula Glenadel. Veja mais aqui



AS TRELAS DO DORO – Gentamiga, ai estão reunidas as croniquetas e noveletas componentes do livro “As trelas do Doro”. Confira.



























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