
O velho não se dava conta, mas as duas, sabiam que abafavam. E eram ramalhetes de flores, versinhos, juras de amor, suspiros dos mais descabidos mequetrefes que endoidavam em possuí-las. Todo homem para ir aonde fosse, tinha por obrigação passar pelo caminho que dava na casa delas, para satisfazer-se à curiosidade. Na escola onde elas lecionavam, era pai como a praga para buscar os meninos e meninas das classes, uns barruando nos outros, só para testemunhar in loco aquela belezura. Não era à toa que Biritoaldo andasse exageradamente afeiçoado pela professora. O perigo já chamava a atenção de todos: o bicho estava quase invisível de tanto se afogar na bronha, de quase ninguém ver nem mais identificar a sua cara. Quando aparecia, nossa, estava afinando de desaparecer. O vício atormentado sedento por Ilmena. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.
PENSAMENTO DO DIA – Uma
história se conta, não se explica. Pensamento do escritor e dramaturgo Jorge Amado (1912-2001). Veja mais
aqui.
LINGUAGEM & LINGUISTÍCA – A
linguagem tem um lado individual e um lado social, sendo impossível conceber um
sem o outro. [...] A cada instante, a
linguagem implica, ao mesmo tempo, um sistema estabelecido e uma evolução.
[...]. Trecho extraído de Curso de
linguistica geral (Cultrix, 1971), do linguista suíço
Ferdinand Saussure (1857-1913),
defendendo que a língua é distinta da la e representa a parte social da
linguagem, exterior ao individuo que por si só, não pode modificá-la. Veja mais
aqui.
O SER & O MEIO - [...] à
medida que os seres humanos estabelecem relações entre si e com a natureza,
ocasião em que vivenciam emoções e sentimentos, isto é, reagem efetivamente aos
acontecimentos [...], extraído da obra Filosofando:
introdução à filosofia (Moderna, 1998), de Maria Lucia Aranha e Maria
Helena Martins, entendendo que o ser humano é um ser desejante, toda ação
humana se explica em suas motivações básicas: a falta e o desejo de supri-la. Veja
mais aqui.
MITO DE SÍSIFO – [...] O
absurdo nasce da confrontação entre os anseios humanos e o silencio iniquo do
mundo. É isso que não se pode esquecer. É disso que é necessário enganchar-se
porque toda a consequência de uma vida pode brotar disso. A irracionalidade, a
nostalgia humana e o absurdo que surge de seu confronto são portanto os três personagens
do drama que deve necessariamente acabar com toda a lógica de onde uma
existência é possível. [...] A partir
do momento em que ela é reconhecida, a absurdidade é uma paixão, a mais
dilacerante de todas. [...]. sua
grandeza é sua inconsequencia. A prova de sua existência é sua inumanidade. [...]
Viver é fazer viver o absurdo. Fazer viver
é antes de tudo olá-lo. Ao contrário de Eurídice, o absurdo não morre quando a
gente olha para trás. [...] Trecho da obra O mito de Sísifo (Livros do Brasil, 2002), do escritor, dramaturgo
e filósofo francês Albert Camus (1913-1960). Veja mais aqui e aqui.
CONSIDERAÇÕES SOBRE A MORTE – A humanidade
embarca, em levas, para a vida, à medida que o alto-falante anuncia: “passageiros
para a morte e escalas”... As alegrias e sofrimentos, o amor, a Loteria
Federal, a traição, a falência, o título protestado, o soco na cara, a
impotência, a ascensão do dólar, a carta anônima, essas coisas tantas e bilhões
de outras são escalas obrigatórias ou fortuitas, curtas ou duradouras postas no
caminho da morte. Embora esteja farto de saber disso, o homem, dotado de
artificiosas ideias, vem lutando, há milênios, para inventar coisas de matar e
de sobreviver. Para matar, inventou: a ajuda do parto, a faca, o revolver, a
espingarda, a metralhadora, o canhão, as bombas (algumas de São João), o formicida,
o permanganato, o arsênico, a empada, os aviões, os navios, os trens, os
automóveus, as motocicletas, os vigésimos andares, o gás, o banho de mar, o
chumbo derretido (no ouvido, em colherinhas), as doses mais altas de Alonal e
Heroina. Para viver, foramm inventadas roupas, injeções, xaropes, operações
cirúrgicas e bancárias, fricções, transfusões de sangue e, recentemente, os antibióticos
que, até ao tempo em que sua falsificação não seja abusiva, até quando certos
micróbios não se puserem em condições de vitória contra a ação da penicilina e
das estrepto, aureio e terra (micina) – os antibióticos, dizíamos, nos livrarão
de certas mortes antigas, como septicemia, pneumonia, etc. Como vemos, as
invenções para matar são muito mais numerosas e quase sempre mais eficazes (no
sentido de ação rápida) que as invenções para viver. Todo esse esforço
inventivo, porém, resulta em inutilidade, porque o homem vai morrer de qualquer
jeito. O suicídio tão frequentado pelos que se sentiram fracassados ou por
aqueles que se fatigaram mais depressa, é uma forma enganosa de fuga. O que se
mata foi levado ao extermínio de si mesmo quando sentiu que “se” podia ver-se
livre daquela dor, daquele ajuste de contas ou daquela canseira. Mas, antes de
cortar os pulsos ou atirar-se ao mar, é necessário que o suicida se pergunte:
serei livre onde? A que horas? Com que sensibilidade para acolher o meu alívio?
Se a fuga é a busca do refugio, não haverá instante, nem haverá pouso, para se
gozar o ludíbrio da pena, depois que a vida parar. Se fizesse este fácil raciocínio,
só assassinaria a si mesmo aquele que se conformasse com a mera insensibilidade
da morte, em troca de todos os seus medos, apreensões e dores. [...]. Extraído
de Pernoite: crônicas (Martins Fontes/Funarte, 1989), do poeta,
radialista e compositor pernambucano Antônio Maria (1921-1964). Veja
mais aqui e aqui.
POEMA - Criar é não se
adequar à vida como ela é / nem tampouco se grudar às lembranças pretéritas /
que não sobrenadam mais / nem ancorar à beira-cais estagnado / nem malhar a
batida bigorna à beira-mágoa / nascer não é antes, nem é ficar a ver navios /
nascer é depois, é nada após se afundar e se afogar / (sargaços ofegam o peito
opresso) / bombear o gás do tanque de reserva localizada em algum ponto / do
corpo / e não parar de nadar / nem que se morra na praia antes de alcançar o
mar. Poema do poeta Wally Salomão (1943 – 2003).
Veja mais aqui.
A arte
da ilustradora italiana Olimpia Zagnoli.
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Werneck, Márcio Baraldi, Louis Jean Baptiste Igout, Vilmar Lopes, Luis Francisco Carvalho Filho, A mundialização da
cultura, Internet & Inclusão, Gestão do capital humano, Lucy Lee &
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Por um novo dia, Herminio Bello de Carvalho, Brian
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