terça-feira, dezembro 11, 2007

CONFESSIONÁRIO PADRE BIDIÃO, BUKOWSKI, SILESIUS, STEPHEN CRANE, ANTÍGONA DE SÓFOCLES, GRADIVA DE FREUD, PSICOSES DE LACAN & LOZOWSKI

 
Imagem: arte da série Makowe Damy, do artista plástico polonês Krzysztof Lozowski.

PENSAMENTO DO DIA - A rosa é sem porquê, floresce porque floresce. Pensamento do poeta místico e médico alemão Angelus Silesius (1624-1677).


GRADIVA DE JENSEN E OUTROS TRABALHOS, DE SIGMUND FREUD - [...] Até então o sexo feminino não passara para ele de um conceito expresso em mármore ou em bronze, e nunca prestara a menor atenção às suas representantes contemporâneas. [...] Agora, entretanto, a tarefa científica a que se propusera impelia-o na rua, especialmente nos dias chuvosos, a observar ansiosamente os pés de todas as mulheres que encontrava, atividade que lhe granjeava olhares ora indignados, ora encorajadores dos objetos de sua observação, ‘mas ele não percebia nem uns, nem outros’. (10.) Essa pesquisa meticulosa levou-o a concluir que o modo de andar de Gradiva não era encontrável na realidade, o que o encheu de desânimo e consternação. [...] Chegou à conclusão de que, de todas as loucuras da humanidade, ‘o casamento é a maior e a mais incompreensível, sendo o ápice dessa imbecilidade aquelas despropositadas viagens de núpcias à Itália. [...] Para a construção de um sonho não é essencial um vínculo com um estímulo sensorial externo. Aquele que dorme pode ignorar um estímulo desse gênero a partir do mundo externo, pode ser despertado pelo mesmo sem construir um sonho, ou, como aconteceu aqui, pode incorporá-lo a seu sonho, se isto lhe convier por alguma razão. Além disso, existem inúmeros sonhos cujo conteúdo de forma alguma pode ser explicado como sendo determinado por um estímulo externo sobre os sentidos do indivíduo que dorme. [...] Nos cinco anos que decorreram desde o término deste estudo, a investigação psicanalítica encorajou-se a examinar as criações dos escritos imaginativos tendo em vista outro propósito. Não mais procura nelas somente uma confirmação das descobertas feitas em seres humanos neuróticos e banais; também quer conhecer o material de lembranças e impressões no qual o autor baseou a obra, e os métodos e processos pelos quais converteu esse material em obra de arte. Essas perguntas podem ser respondidas com maior facilidade no caso de escritores que (como Wilhelm Jensen, falecido em 1911) costumavam entregar-se inteiramente à sua imaginação pela simples alegria de criar. Pouco depois da publicação do meu exame analítico de Gradiva, tentei interessar seu idoso autor por essas novas tarefas da pesquisa psicanalítica. Ele, porém, recusou sua cooperação. [...] Não sou certamente o primeiro a notar a semelhança existente entre os chamados atos obsessivos dos que sofrem de afecções venosas e as práticas pelas quais o crente expressa sua devoção. O termo ‘cerimonial’, que tem sido aplicado a alguns desses atos obsessivos, constitui uma evidência disso. Em minha opinião, entretanto, essa semelhança não é apenas superficial, de modo que a compreensão interna (insight) da origem do cerimonial neurótico pode, por analogia, estimular-nos a estabelecer inferências sobre os processos psicológicos da vida religiosa. As pessoas que praticam atos obsessivos ou cerimoniais pertencem à mesma classe das que sofrem de pensamento obsessivo, ideias obsessivas, impulsos obsessivos e afins. Isso, em conjunto, constitui uma entidade clínica especial, que comumente se denomina de ‘neurose obsessiva. [...] Uma mulher que estava vivendo separada do marido via-se sob a compulsão de deixar intacta a melhor porção de tudo aquilo que comia: por exemplo, só aproveitava as beiradas de uma fatia de carne assada. A explicação dessa renúncia foi encontrada por meio da data de sua origem. Ela surgiu no dia seguinte àquele em que se recusara a ter relações maritais com seu marido - isto é, após ter renunciado ao melhor. [...] O escritor suaviza o caráter de seus devaneios egoístas por meio de alterações e disfarces, e nos suborna com o prazer puramente formal, isto é, estético, que nos oferece na apresentação de suas fantasias. Denominamos de prêmio de estímulo ou de prazer preliminar ao prazer desse gênero, que nos é oferecido para possibilitar a liberação de um prazer ainda maior, proveniente de fontes psíquicas mais profundas. Em minha opinião, todo prazer estético que o escritor criativo nos proporciona é da mesma natureza desse prazer preliminar, e a verdadeira satisfação que usufruímos de uma obra literária procede de uma libertação de tensões em nossas mentes. Talvez até grande parte desse efeito seja devida à possibilidade que o escritor nos oferece de, dali em diante, nos deleitarmos com nossos próprios devaneios, sem auto-acusações ou vergonha. Isso nos leva ao limiar de novas e complexas investigações, mas também, pelo menos no momento, ao fim deste exame. [...] Pedem-me que faça uma relação de ‘dez bons livros’ sem a tal acrescentarem maiores explicações. Cabe-me assim não somente a escolha dos livros, mas também a interpretação do pedido. Como estou acostumado a dar atenção a pequenos sinais, devo basear-me na forma como esse enigmático pedido foi expresso. Não me solicitaram ‘os dez mais esplêndidos livros (da literatura mundial)’, quando eu seria obrigado a responder, como tantos outros: Homero, as tragédias de Sófocles, o Fausto de Goethe, o Hamlet e o Macbeth de Shakespeare, etc. Nem me pediram ‘os dez livros mais significativos’, entre os quais teriam de ser incluídas as realizações científicas de Copérnico, do velho médico Johann Weier sobre a crença nas bruxas, a Descendência do Homem de Darwin, e outros. Nem falaram em ‘livros favoritos’, entre os quais eu não teria esquecido O Paraíso Perdido de Milton e o Lázaro de Heine. Parece-me pairar uma ênfase especial sobre o adjetivo ‘bons’, em sua frase, e com isso pretenderem os senhores designar aqueles livros que se assemelham a ‘bons’ amigos, aos quais devemos uma parcela do nosso conhecimento da vida e de nossa visão do mundo - livros que nos deram prazer e que recomendamos de bom grado a outros, mas que não nos despertam uma particular e tímida reverência, nem uma sensação de pequenez diante de sua grandiosidade. Indicarei, portanto, dez ‘bons’ livros que me vieram à mente sem muita reflexão. Multatuli, Cartas e Obras. Kipling, Jungle Book. Anatole France, Sur la pierre blanche. Zola, Fécondité. Merezhkovsky, Leonardo da Vinci. G. Keller, Leute von Seldwyla. C. F. Meyer, Huttens letzte Tage. Macaulay, Essays. Gomperz, Griechische Denker. Mark Twain, Sketches. Não sei o que pretendem fazer com essa lista. GRADIVA DE JENSEN - Na Obra Gradiva de Jensen e outros trabalhos, de Sigmund Freud, é tratado acerca dos delírios e sonho do conto Gradiva de Wilhelm Jensen, sobre uma escultura - Gradiva, a jovem que avança -, que o arqueólogo Norbert Hanold sonha e tem delírios, abordando ainda sobre os delírios e os ditúrbios mentais e o método analítico de psicoterapia. Em seguida vem a parte de pós-escrito acerca do tema proposto e outros trabalhos como a psicanálise e a determinação dos fatos nos processos jurídicos, atos obsessivos e práticas religiosas e o esclarecimento sexual das crianças. O ensaio Escritores criativos e devaneio, aborda sobre Ariosto, o brincar da criança e o escritor criativo, o fantasiar e os romances de Zola. Depois vem os ensaios sobre as fantasias histéricas e sua relação com a bissexualidade, o caráter e o erotismo anal, moral sexual civilizada e doença nervosa moderna, sobre as teorias sexuais da criança, algumas observações gerais sobre ataques histéricos, romances familiares e breves escritos sobre os melhores livros indicados por Freud. Veja mais aqui e aqui.
REFERÊNCIA: FREUD, Sigmund. Gradiva de Jensen e outros trabalhos. Rio de Janeiro: Imago, 1980.

O SEMINÁRIO – AS PSICOSES, DE JACQUES LACAN – O livro O seminário: as psicoses, de Jacques Lacan, trata na primeira parte da introdução à questão das psicoses, abordando sobre esquizofrenia e paranoia, o Sr. De Ciemrambault, as miragens da compreensão, da Verneinung à Vermerfung, psicose e psicanálise, doutrina freudiana, o psiquiatra discípulo de Kant, constituição paranoica, noção de automatismo mental, noção de compreensão, o simbólico, o imaginário, sentido recalcado, significação do delírio, crítica de Krapelin, a inércia dialética, Ségias e a alucinação psicomotora, o presidente Schereber, Elogio da Loucura, a paranoia, a consciência mórbida, memória sobre a autobiografia de um caso de paranoia delirante, o outro e a psicose, homossexualidade e paranoia, a palavra e o ritornelo, automatismo e endoscopia, o conhecimento paranoico, gramática do inconsciente, eu venho do salsicheiro, do que volta no real, fantoches do delírio, R. S. I na linguagem e a erotização do significante. Na segunda parte, trata da temática e estrutura do fenômeno psicótico, abordando de um deus que não engana e de um que engana, a psicose não é um simples fato de linguagem, o dialeto dos sintomas, como seria belo ser uma mulher, Deus e a ciência, o deus de Schereber, o discurso da escrivaninha, o fenômeno psicótico e seu mecanismo, certeza e realidade, Schereber não é poeta, a noção de defesa, Verdichtung, Verdrangung, a dissolução imaginária, Dora e seu quadrilátero, Eros e a agressão no carapau macho, o que se chama o pai, a fragmentação da identidade, a frase simbólica, a noção de defesa, o testemunho do paciente, o sentimento de realidade, os fenômenos verbais, do não-sendo e da estrutura de Deus, princípios da análise do delírio, a interlocução delirante, o abandonar sem mais nem menos, diálogo e volúpia, a política de Deus, do significante no real e do milagre do uivo, o fato psiquiátrico primeiro, o discurso da liberdade, a paz do enaltecer, a topologia subjetiva, da rejeição de um significante primordial, um gêmeo cheio de delírio, o dia e a noite, a carta. Na terceira parte trata sobre o significante e o significado, abordando a questão histeria, do mundo pré-verbal, pré-consciente e inconsciente, signo, traço, significante, uma histeria traumática, o que é uma mulher, Dora e o órgão feminino, a dissimetria significante, o simbólico e a procriação, Freud e o significante, o significante como tal não significa nada, a noção de estrutura, a subjetividade no real, como situar o inicio do delírio, os entre-eu, dos significantes primordiais e da falta de um, uma encruzilhada, significantes de base, um significante novo no real, aproximações do buraco, compensação identificatória, secretários do alienado, a leitura, o assassinato das almas, as implicações do significante, os homenzinhos, as três funções do pai, metáfora e metonímia, As gerbe n´etait point avare ni haineuse, a verdade do pai, a inversão do significante, sintaxe e metáfora, a afasia de Wernicke, articulação significante e transferência do significado, afasia sensorial e motora, o vinculo posicional, toda linguagem é metalinguagem, pormenor e desejo, Freud no século, as imediações do buraco, apelo, alusão, a entrada na psicose, tomar a palavra, loucura do amor, a evolução do delírio, o ponto de basta, sentido e escansão, laçada e segmentação, sim eu venho em seu templo, o temor a Deus, o pai ponto de basta, tu és aquele que me seguirás, o outro é um lugar, o tu no superego, devolução e constatação, a via média, o apelo do significante, a estrada principal e o significante ser pai, formar hiâncias, o verbo ser, do tu ao outro, a tartaruga e os dois patos, a entrada na psicose, o falo e o meteoro, prevalência da castração, Ida Macalpine, simbolização material e sublimação, o arco-íris, inserido no pai, entre outros temas. Veja mais aqui e aqui.
REFERÊNCIA: LACAN, Jacques. O seminário: as psicoses. Rio de Janeiro: Zahar, 1985.


ANTÍGONA DE SÓFOCLES – O CORO - Amor, invencível Amor, tu que subjugas os mais poderosos; que repousas nas faces mimosas das virgens; tu que reinas, tanto na vastidão dos mares, como na humilde cabana do pastor; nem os deuses imortais, nem os homens de vida transitória, podem fugir a teus golpes; e, quem for por ti ferido, perde o uso da razão! Tu arrastas, muita vez, o justo à pratica da injustiça, e o virtuoso ao crime; tu semeias a discórdia entre as famílias...  Tudo cede à sedução do olhar de uma mulher formosa, de uma noiva ansiosamente desejada; tu, Amor, te equiparas, no poder, às leis supremas do universo, porque Vênus zomba de nós!ANTÍGONA DE SÓFOCLES – Antígona é uma das grandes tragédias escritas há mais de 2 mil e 500 anos pelo dramaturgo grego Sófocles, colocando o confronto entre a coragem da princesa Antígona e a tirania do rei déspota Creonte. A tragédia trata dos filhos de Édipo, os irmãos Polinices e Etéocles, que se atraiçoam e reciprocamente se matam pelo poder, restando apenas da linhagem edipiana as duas filhas Antígona e Ismenia. Com a morte dos irmãos, assume Creonte o poder, uma vez cunhado de Édipo e tio de seus filhos, indignado com Polinices e honrando a memória de Etéocles. Por isso, lança édito condenando Polinices ao relento sem sepultamento, o que leva Antígona a se indignar e descumprir suas ordens. Indignado com Antígona Creonte planeja uma morte dolorosa e lenta, determinando que fosse levada a sua última morada, para se juntar com o que ela venerava: os mortos. Após esse desfecho, Creonte ouve do adivinho Tirésias o que poderia acontecer se concretizasse todo o seu ódio em relação à filha de Édipo.Com receio que suas premonições se realizassem Creonte vai ao local onde mandou aprisionar Antígona, chegando à tumba encontra ao lado do corpo dela o de seu filho, que num ato de revolta volta-se contra seu pai e não conseguindo aplacá-lo, suicida-se. Não bastando à morte do filho sua esposa ao tomar conhecimento do fato também suicida. (Tradução de J. B. Mello e Souza). Veja mais aqui e aqui.
REFERÊNCIA: SÓFOCLES. Antígona. São Paulo: W. M. Jacnson Inc, 1969.

CARTAS NA RUA – [...] Acho que era meu segundo dia como empregado temporário de Natal quando essa enorme mulher apareceu e ficou me acompanhando enquanto eu entregava cartas. O que quero dizer enorme é que sua bunda era enorme e suas tetas eram enormes e que ela enorme em todos os lugares em que devia ser. Ela me pareceu meio doida mas eu fiquei olhando pro seu corpo e não me incomodei. [...] A porta se abriu e ela veio correndo, usava umas dessas combinações transparentes sem soutien. E umas calças azul-escuro. O cabelo desfeito e espetado como se tentando fugir da cabeça. Algum tipo de creme lambuzava o rosto, especialmente debaixo dos olhos. O seu corpo era branco como se o sol jamais tivesse tocado sua pele e seu rosto tinha um aspecto nada saudável. Sua boca se pendurava, aberta. Usava um risco de batom e era bem torneada de cima a baixo... [...] Ela estava de pé bem junto de mim. Agarrei-a pela bunda e mergulhei de boca. Os peitos balançando bem junto, ela toda junto de mim. Ela levantou a cabeça e afastou-a de mim: - Tarado! Tarado! Tarado! Com a boca alcancei um de seus peitos, fiquei nele um pouco e depois mudei para o outro. – Estupro! Estupro! Estou sendo estuprada! E ela estava certa. Puxei as calças, abri o meu zíper e liberei o ganso. Enfurecido, enfiei, e fomos andando até o sofá. Caímos bem no meio. Ela abriu bem as pernas! – Estupro!, gritou. Acabei logo, fechei o zíper, apanhei a mala do correio e saí enquanto ela ficava absorta olhando o teto...[...]. Trechos extraídos da obra Cartas na rua (Brasiliense, 1983), do escritor estadunidense nascido na Alemanha, Charles Bukowski (1920-1994). Veja mais aqui.

O CONFESSIONÁRIO DO PADRE BIDIÃO – Depois da recuperação da Prazeres do Céu, dada cientificamente como um caso perdido por se encontrar acometida por uma depressão crônica que lhe corroía a vida, tornando-se, depois de um eficiente tratamento com o Padre Bidião, na saltitante e feliz mulher de todos os dias, invejada e sedutoramente transformada numa mulher fatal cobiçada por todos os marmanjos de queixo caído com sua passagem, afora o resultado exitoso do retiro realizado no último carnaval, do qual todas as barangas e trubufus inscritas, retornaram feito mulheres fatais dispostas a tudo no trato com o marido, filhos e nas lides domésticas, foi o bastante para ventilar-se a plenos pulmões o boato da terapia salvadora promovida pelo pároco. Oxe, não deu outra. Quem presenciou já na quarta-feira de cinzas e nos dias subsequentes, o retorno das distintas senhoras elegantemente felicíssimas aos seus lares depois de cinco dias no retiro, foi o bastante para que todas as senhoras e senhoritas acorressem em massa para o templo bidiônico, com o fito de realizarem a qualquer custo o tratamento ministrado. Foi uma balbúrdia que quase tira do sério a infatigável e pacienticíssima Prazeres, administrando uma a uma das candidatas. Pra se ter uma ideia, tinha de tudo: de meninas que mal desabrocharam os peitinhos às maduras sexagenárias, sem contar com a quase centenária Bastianita, uma distinta macróbia com as suas longevas noventa e oito primaveras, lá no fim da fila, levando a Prazeres a inquirir: Mas o que a senhora está fazendo nessa fila, hem? Ah, minha filha, eu também mereço ser feliz, ora, ora. O ambiente todo foi coberto por gargalhadas que já imprimiam a qualidade superior de vida que reinava no recinto, tudo inspirando uma paz interior e uma satisfação de encontrar ali a realização de todos os seus sonhos. Prazeres atendeu uma a uma e expôs os requisitos que não eram muitos, bastando que se apresentassem dispostas a serem curadas de suas enfermidades, ficando incomunicáveis durante determinado período que seria definido após a primeira sessão com o padre, contanto que se levassem em suas malas apenas peças que fossem vestidos ou blusas e saias, nada de calças compridas, nem bermudas. Para o tratamento tornava-se indispensável e regras irrecorrível, apenas para aquelas que dispusessem de vestidos e saias, mais nada. Tudo conforme, cada uma das inscritas foram dispensadas, regressando no dia seguinte com as exigências atendidas, do contrário seriam eliminadas e aguardariam uma nova abertura de inscrições ou no próximo semestre, ou no ano seguinte, apenas. Todas cumpriram à risca. Seis meses depois, o milagre! Todas reapareceram como se fossem, cada uma, novas mulheres, cheias de vidas e sorrisos, até a Bastianita havia dispensado a moleta e com ares de mocinha namoradeira, exibindo uma minissaia e um decote de causar inveja em debutantes. Os homens entreolhavam-se uns aos outros, todos querendo saber o segredo do padre. Ah, o segredo, eu mesmo procurei saber e o padre só mudando de conversa. Não tem quem consiga adivinhar o que seja, já se fez tudo para descobrir e não se tem a mínima ideia de tão secreto que é. Até hoje o tratamento é ministrado e sequer uma pista mínima se conseguira para saber como se processa tal terapia. Esse Padre Bidião tem cada uma. Veja mais aqui e aqui.

POEMAHavia um homem com uma língua de madeira / que tentava cantar / e na verdade era deplorável. / Mas houve um que ouviu / os estalos dessa língua de madeira / e entendeu o que o homem / queria cantar / e com isto o cantor ficou feliz. Poema do escritor e jornalista estadunidense Stephen Crane (1871-1900).

A arte do artista plástico polonês Krzysztof Lozowski.


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