A arte da premiada compositora estadunidense Ellen Taaffe Zwilich.

DITOS & DESDITOS - Só é
artista aquele que é capaz de transformar a solução num enigma. Pensamento
do dramaturgo, jornalista e escritor austríaco Karl Kraus (1874-1936). Veja
mais aqui.
ALGUÉM FALOU: A matemática começa a se
parecer resolvendo cada vez mais um quebra-cabeça. Física também,
mas são quebra-cabeças criados pela natureza, não pela mente do homem. Pensamento da
física teórica alemã Maria Göppert-Mayer (1906-1972),
Nobel de Física em 1963, por propor um novo modelo do envoltório do núcleo
atômico. Foi a segunda mulher a ser laureada nesta categoria do Nobel. Apesar
da importância do seu trabalho na Universidade de Chicago, onde desenvolveu sua
pesquisa no período de 1947 a 1949, ela era considerada uma professora
“voluntária” não remunerada, e mesmo com seu currículo e reputação, teve
dificuldade de conseguir ser contratada como professora na Alemanha e nos
Estados Unidos. Veja mais aqui e aqui.
O MENINO DO PIJAMA LISTRADO – [...] Ele
foi vagarosamente até as escadas, segurando o corrimão com uma das mãos, e se
perguntou se a casa nova, onde seria o novo trabalho, tinha um corrimão tão bom
de escorregar quanto aquela. Pois o corrimão daquela casa vinha desde o andar
mais alto - começava do lado de fora do pequeno quarto onde, se ele ficasse na
ponta dos pés e segurasse firme no parapeito da janela, era possível ver até o
outro lado de Berlim - até o piso térreo, bem diante das duas enormes portas de
carvalho. E o que Bruno mais gostava de fazer era subir a bordo do corrimão no
andar de cima e escorregar pela casa toda, fazendo barulho de vento ao longo do
caminho. Descia do andar de cima até o próximo, onde estavam o quarto do pai e
da mãe e o grande banheiro, e onde ele não deveria ficar de maneira nenhuma. Descia
até o próximo andar, onde ficavam o seu próprio quarto e o de Gretel e o
banheiro menor, que ele deveria utilizar com freqüência maior do que de fato
fazia. Descia até o térreo, onde caía do final do corrimão e tinha de
aterrissar equilibrado nos dois pés, ou então perdia cinco pontos e tinha de
começar tudo outra vez. O corrimão era a melhor coisa da casa - além do fato de
vovô e vovó morarem tão perto -, e quando pensou nisso ele se perguntou se eles
também viriam até o emprego novo e acreditou que sim, pois seria impossível
deixá-los para trás. Ninguém precisava muito de Gretel, porque ela era um Caso
Perdido - seria bem mais fácil se ela ficasse para tomar conta da casa -, mas
vovô e vovó? Aí já era outra história. Bruno subiu devagar as escadas até seu
quarto; porém, antes de entrar, olhou para trás e para baixo na direção do piso
térreo e viu a mãe entrando no escritório do pai, que dava de frente para a sala
de jantar - e onde era Proibido Entrar em Todos os Momentos Sem Exceção -, e
escutou-a falando alto com ele, até que o pai falou mais alto do que a mãe era
capaz, e isso terminou com a conversa entre eles. Então a porta do escritório
se fechou, e, como Bruno não conseguiu mais ouvir nada, pensou que seria boa
idéia voltar ao seu quarto e assumir a tarefa de fazer as malas, porque senão
Maria era capaz de retirar todos os seus pertences do guarda-roupa sem o devido
cuidado e consideração, até mesmo as coisas que ele escondera no fundo e que
pertenciam somente a ele e não eram da conta de mais ninguém. [...]. Trecho
da obra O menino do pijama listrado (Companhia
das Letras, 2007), do escritor irlandês John
Boyne, uma fábula de guerra poderosa e encantadora.
Francisco Diniz
Salve, salve minha gente
Em cordel quero mostrar
A história de uma tradição
Que devemos preservar,
É a quadrilha matuta,
Um festejo popular.
Dançada no mês de junho
No Brasil e especialmente
Nos estados do Nordeste
Onde permanentemente
O povo se esforça para
Viver sempre alegremente.
A quadrilha é um misto
De teatro, música e dança
Onde aquilo que é cantado
A platéia embalança
E agrada do mais velho
À mais nova criança.
Baião, xote, xaxado,
Nosso forró pé-de-serra
São tocados por sanfona,
Só quem sabe é quem não erra,
O triângulo, a zabumba
Fazem o som da nossa terra.
Uns dizem que foi na França,
Outros que na Inglaterra
Onde a quadrilha surgiu,
Mas aqui em nossa terra
Fora bem assimilada
Pelo homem do pé da serra,
Do sítio, vila, cidade
E a mulherada adorou,
Foi uma festividade
Que no Brasil se espalhou
E por resistir ao tempo
É sinal que tem valor.
Em 1808,
Fugindo de Portugal,
Navegando em caravela,
Chegou a Corte Real
Portuguesa ao Brasil,
O motivo, nada banal:
Napoleão Bonaparte
Ameaçou invadir
Portugal e quem tentasse
O comércio insistir
Com o povo da Inglaterra,
Era ordem a se cumprir.
Dom João, rei de Portugal
Manteve com a Inglaterra
O comércio, mas depois
Viu que ia dá em guerra,
Temendo Napoleão,
Aportou em nossa terra.
Com ele, além da corte,
Veio desenvolvimento,
A divulgação da arte,
Um certo investimento
Em cultura, educação
E festa a todo o momento,
Como as danças em palácios,
Lá da Europa trazidas,
Nos salões iam pessoas,
Só ricas e bem vestidas
Em seus trajes luxuosos,
Retratos de boas vidas.
Com o tempo o povo simples
Estas danças conheceu,
Mas não gostou do que viu
E por isso resolveu
Fazer uma adaptação,
Veja o que se sucedeu:
A música lenta e suave
Foi logo modificada,
Entrou um ritmo mais forte,
Mais alegre e foi usada
Uma orquestra diferente
Da que era apresentada.
O piano deu lugar
À sanfona e também
À zabumba e ao triângulo,
Trio que sabemos que vem
Do nosso e bom forró,
Som bonito que entretém.
Foi o povo do interior,
O primeiro a dançar
A quadrilha desse jeito
E logo passou a usar
As roupas que eram então
Típicas do seu lugar.
Assim veio o chapéu de palha,
Vestido ou saia de chita,
A calça bem remendada,
Florada, mas bem bonita,
A camisa de xadrez,
Gravata e laço de fita.
A sandália currulepe,
Alpercata ou botina,
O lenço branco de seda,
Um toque de gente fina,
E também o xale de renda
No pescoço da menina.
Outros tantos adereços
Enfeitam o povo a dançar
A quadrilha, que em pares
Passa a se apresentar
Festejando um casamento
E a colheita do lugar.
Celebra-se um casório
Que o noivo nunca quer,
Não importa se ele é feio,
Se ela uma bela mulher,
O noivo sem compromisso
No meio do arrasta-pé.
Geralmente o pai da noiva
É o coronel do salão,
É quem comanda a quadrilha
Festejando São João,
São Pedro e Santo Antônio,
O colher milho e feijão.
Monta-se o arraial
Repleto de bandeirinhas,
De balão, fita e palhas,
De coqueiro, corda e linha,
Com palha de bananeira,
Soltam-se traque e chuvinha...
Soltam-se bombas e fogos,
Mas com o devido cuidado.
A fogueira já acesa
Aquece os namorados.
Faz-se adivinhação,
Come-se milho assado.
Do matuto lá da roça
Mantém-se o linguajar:
Coroné, malino, sô,
Muié, paioça, trepá,
Traquino, besta, cagado,
Vixe Maria, lascar!
Enquanto a quadrilha ensaia
Sua apresentação
São preparadas comidas
Especiais à ocasião:
Pamonha, bolo, canjica,
Mungunzá, milho, baião.
Bebe-se pinga ou quentão,
É bom não exagerar,
Uma é suficiente,
Não é pra se embriagar
E em frente a fogueira
É fácil se encontrar...
Inda hoje as pessoas
Que uma tradição mantêm
Ao escolherem padrinhos
E as madrinhas também,
Pedem bençãos, cantam, rezam,
Pulam o fogo, dizem amém.
É este o clima que envolve
Nossa quadrilha junina
Que no meio do pavilhão,
O coronel bem ensina
Os passos para a criança,
Pro adulto, jovem e à menina.
O idoso também dança,
Só quem não quer, fica fora,
Anavantur, Anarriê,
Balancê a toda hora
E no caminho da roça,
Meia volta e "vamo" embora!
E as duplas vão dançando,
As damas, os cavalheiros,
A noiva, o noivo, o padre,
A cigana, o seu parceiro,
Soldado, trabalhador
E a mulher do roceiro.
Tem criança, cangaceiro,
Tem príncipe e tem princesa,
Juiz, rainha do milho,
Sinhá-moça, camponesa,
Marinheiro e o coronel
Falando a la francesa.
Forma-se uma grande roda,
O povo todo a gritar,
Olha a chuva, olha a cobra,
Vamos nos cumprimentar,
Fazer túnel e serrote
E o bom baião dançar.
Olha-se o balão subindo
E as estrelas do céu,
Agradecemos a Deus
Por não vivermos ao léu
E vez em quando se ouve
Um poeta de cordel.
Meu sonho é que a quadrilha
Nunca venha a se acabar,
Que haja festival, concursos,
Que todos possam dançar,
Mas com a preocupação
Pra não mais adulterar...
Os passos, as vestimentas,
A música que é tocada,
Pois tradição que se preza
Não gosta de ser mudada
E eu acho muito feia
Tradição estilizada.
FRANCISCO DINIZ – O cordelista Francisco Diniz teve este cordel premiado com o primeiro lugar no concurso “Novos autores paraibanos”, , em outubro de 2006, promovido pela Universidade Federal da Paraiba.
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de Madalena na Manguaba, Jorge de
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Literatura
de Cordel: A mulher de antigamente e a mulher de hoje em dia, de Manoel Monteiro aqui.
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