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domingo, outubro 03, 2021

PAUL TILICH, DAVID MAMET, STEVE REICH & INCLUSÃO NA BIBLIOTECA.

 

 

TRÍPTICO DQP – Aporias entre o céu e a terra... - Ao som de Music for 18 Musicians (2011), do compositor estadunidense Steve Reich - Com o tempo dei de adormecer e, ao despertar, não saber em que espaço ou tempo esteja. Ou estou elouquecendo, tomara. Quem sabe, começando a caducar, pudera. Desta feita, não adiantou solfejar canção que fosse, estava como se tivesse envolvido na pele da trama de Oleanna (1992), do dramaturgo estadunidense David Mamet, e a sua filha Clara – face inspiradora nos lábios obscenos e voluptuosos - era a Carol a me seduzir na cena, como se fosse possível a duas pessoas estranhas conviverem juntas, avalie. E ela estivava nua numa cena escura do palco e se parecesse inteiramente com a atriz francesa Sophie Marceau, aquela mesma que povoava meus sonhos recorrentes e a nos engalfinhar nas onze histórias d’O vampiro e a polanquinha (1992) de Dalton Trevisan. Eu me levantei da poltrona, pisei o assoalho solitário por fragmentos de devaneios que surgiam do nada para orbitar minha existência insistentemente e me levasse a sucumbir no delírio onírico que se transformara em um filme, era só na minha cabeça e eu, um professor, ela minha aluna insinuante e linda, bálsamo para minha alma. Era teatro em toda parte com câmaras ligadas para qualquer projeção em que ela me acusava de assédio sexual, com suas frustrações por não entender o assunto dado em sala de aula e todos os dias ela lá. A desgraça é finalmente a dizer da tentativa de estupro e perco a cabeça. Depositei o que restava de mim sobre os braços à mesa, ela silenciosa, tocou-me e abri os olhos de repente e vi-a cantatriz encantadora, a me dizer Kierkegaard: Aquele que não se torna só consigo mesmo, ainda que mantenha silêncio, não o terá. O silêncio só é possível para aquele que, em verdade, torna-se só consigo mesmo. Olhei-a profunda e demoradamente, aquela tentação poderosa e eu me continha com todas as forças. Levantei-me, dei-lhe as costas e me distanciei o máximo que pude. Entre as coxias o filósofo alemão Paul Tilich (1886-1965), a me dizer que a solitude: é a glória de estar sozinho. Parei diante dele para ouvi-lo: O primeiro dever do amor é ouvir. A vida é dura... e nem sempre é justa. Mas isso não quer dizer que ela não possa ser boa, gratificante e prazerosa. Ainda há muitas razões para dizer sim à vida. Refleti um pouco e me conduzi para a saída do prédio, parturejar ideias no meio de demofóbicos, misóginos, quando não antrófobos com seus estressados bichinhos de estimação. Dei vazão às minhas bricolagens aporéticas. Ela seguia-me e era como se fosse a primeira promessa e o que não deu certo, o alivio da incolumidade. Não olhei para trás e segui: para quem vem ou vai: aporias entre o céu e a terra. Semáforos de sempre, vida adiante.

 


Mil dias depois da esculhambação... - Os tempos mudaram e tudo ficou muito assustador. Passou uma severa turbulência, a ponto de desnortear de sequer perceber janeiro com a posse “decente” e proclamadora do Coisonário, que se dizia Caminho da Prosperidade. Sabia que não era nada disso, nem foi, nem será; tudo fora muito bem manipulado nos últimos cinco anos, para consolidar o que já desconfiava. Do primeiro dia, entre o risível e o trágico, passou-se a vigir que se podia peidar à vontade, cagar só dia sim dia não, porque o ambiente ficou inflamável e encolheu a escola para pouquíssimos e começou o pipocado da festa dos ruralistas e assemelhados do Agro pop de agrotóxicos e pesticidas sem ambiente dos grandes da fraude piramidal e bleque-fridei, talkei? Com elas, outras determinações: não atrapalhe nem amole o professor ou o motorista que investiram no dólar e preferiram vender vacina com os pastores e a mãe num negócio da China, apadrinhado pelo Centrão nas relações exteriores e que não se teria mais shiTrump para pedir penico pro golpe no sonho do capitólio daqui. Também não se procurasse saber onde estivesse porque era frio de lascar de repente e um calor da peste, desabando com a prevaricação na fivela da Lava Jato e o juiz nem era herói e vazou e o racismo virou praga com sufocamento em Manaus e se o rio secou pro apagão da QAnon, era a vez da pandemia e uma quarentena interminável tomou conta de vez. Aí a coisa empenou: deu de tudo com homenagens sinistras de torturadores e milicianos, ofertas com embalagens de luxo e que não era uma novela, e que se saiba de antemão: os deuses surdos também se tornaram cegos e premiaram o primeiro baba-ovo. Aí avacalhou tudo pra passar a boiada geral, no atacado e no varejo: rachadinha, Bebiano, deseducação, Queiroz, brasileiros canibais viajando, Kassio Nunes, goldemshauer, nazismo comunista e KGB, Tonho da Lua, foro mais privilegiado de sempre, Goebbels, drones, inflação pro império milionário, inauguração de trecho de rodovia, troca-troca nos ministérios, recondução do Aras feito guenzo da cristomania e todas as sequelas no asfalto com a tempestade de poeira e a gasolina nas alturas da Prevent e se tudo ficou caro de uma hora para outra, era que uma savana emergia n o voto impresso e no pega pra capar findou na fronteira dos USA, como se Maia segurasse tudo, de chorar com o rabo de arraia do Lira que levou o hospital numa banda metaleira feito plano hap de saúde hip de vida hop e quem hup não se fez por amigo da primeira-dama, juntou caixa de papelão no quintal quando deveria ter uma goiabeira pra Jesuisis & Doidamares – e o Doro que coisou e tem andado um bocado arrependido quer encará-la: Ela dá cloro e pano! E partiu arretado para arregaçar nos guardados dela. E daí? Do zero-um pro dois, três, até o quatro lavando a jega e mais se enfeiou no torrão com o lixo nas calçadas, folhas, flores, frutos, o tráfico nos condomínios e favelas, carros e casas sujas, a fumaça do bueiro da usina, a catinga pútrida e a brutalidade de gente com suas pseudofamílias nas arengas e estupros coletivos, crucifixo no pescoço, rezas altas e aos gritos pelos sete pecados capitais, pelos dez mandamentos, quando tudo era inferno, nenhuma humanidade, a sociedade doente, uma escória feita de vermes - quem não em estado de choque nos sete de setembro e o desfavorável porque ficou inviável com o Agro que é pop ou pqp e teve Dia D para tocar fogo, aproveitando para o perdão das dívidas evangélicas, regulamentação da agiotagem, leilão com liquidação de tudo na maior promoção, as comunidades terapêuticas no comando do golpe para namorar a Cloroquina toda tarada e, na cara dela, se agarrar com Ivermectina safada para duas de quinhentos com nota de duzentos falsa – quem viu, não sei porque se passou por mito e quem não pagou mico de guardar a mamadeira de piroca, as controvérsias das fardas do que fizeram das forças armadas tão desarmadas e das milícias neonazifascistas que sobraram dos trezentos e não sei quantos milhões de cem reais que são na gripezinha e no mimimi da entubação dos influenciadores que não querem ninguém em casa para sair furtivo como cosplei de rato com pizza no bico. Eita! E daí, meu? Presse desgoverno, qual legado? O bizarro delírio das conspirações e feiquenios, tragicômico Brasil que não foi nem nunca será para coisonários que batem cabeça demais: são feito couro de pica e mentem que o cu apita. No fim da festa, mil dias de uma voz que se apagou de nenhuma saudade na barbárie da tevê desumana com o horror extra dos rugidos da covardia e sacanagem, com o que engana de zap-zap e o que resta das promessas e do tédio: a falsificação como originalidade. Outras aporias, tudo muito imperdoável. E persigo sobrecarregado de ocorrências e interrogações no meio da nossa segregação, driblando o certo e o errado e vice-versa, as pessoas obtusas viraram pragas e quase ninguém consegue ver a realidade encoberta por um punhado substancial de velhas mitologias de agora, um inferno para lá de dantesco.

 


Inclusão, enfim, ah!... - Minha vida braços abertos: nenhuma fórmula, nem tendência ou convenção. Experimentos e incertezas, a impermanência. E sou a minha língua e voz, modulações obscuras e à deriva, nenhuma mensagem nem sentido, despsicologizado entre o insulto e o inusitado, como se o prazer no fundo do oceano para que ninguém veja ou ouça ou sinta. Se não tenho para onde ir no meio dessa sensaboria, vou pra biblioteca. E lá, cedinho, de um dos livros que saquei numa das estantes, escapou a cena e eu espanquei o pobre de Baudelaire: Só é igual a outro aquele que disso dá prova, e só é digno da liberdade aquele que sabe conquistá-la. Na surpresa do fato, o agradável ficou por conta de chegada da professora Roselene Santos com o projeto Inclusão e Espaços Publicos, e alunos das escolas CAIC-José do Rego Maciel, Aloisio Sebastião e Lar Heleninha. Ela e a professora Rosielma Santos trouxeram duas deficientes visuais que leram meu cordel em braile e eu fiquei maravilhado com uma menina solta a tagarelar altiva na dinâmica com Thayná Mikaele, Thays Leandro, Tamires Milena e Rayane da Silva, todas acompanhadas dos pais Adilson Leandro e Josenilda Maria. E rolou poesia, cantoria e dinâmicas; cá comigo era Paulo Freire: A inclusão acontece quando se aprende com as diferenças e não com as igualdades. E Boaventura de Souza Santos: Temos direito de ser diferentes quando a igualdade nos descaracteriza. O universalismo que queremos hoje é aquele que tenha como ponto em comum a dignidade humana. A partir daí, surgem muitas diferenças que devem ser respeitadas. E era Carlos Drummond de Andrade: Ninguém é igual a ninguém. Todo ser humano é um estranho ímpar. E era Emma Thompson: Ser deficiente não deve significar ser desqualificado de ter acesso a todos os aspectos da vida. E era Salvador Allende: Não basta que todos sejam iguais perante a lei. É preciso que a lei seja igual perante todos. E era José Saramago: Há que deixar as pessoas serem como são. Vivendo em suas diferenças e a partir de seus próprios pressupostos culturais. E nisso, a até então tímida assistente social Chiara Santos se mostrou esfuziante aos meus olhos fascinados com a conversa encetada, enquanto a encantadora Sil Neves conversava com Zé Ripe sobre a Academia. Ah, que bom! Assim o mimético ali e a minha diegese. E é só o começo, quem frágil e excluído, afinal. Do lado de fora outros adultos embotados seguiam catatônicos na sua normose, além da memória porque duas mulheres falavam de suas dores, talvez Medeia, uma delas – tudo é possível e a se repetir ao infinito no meio de um cruel vodu eternamente implacável e a iminência da queda: uma vaca mugiu pelas ruas, um pai foi nocauteado pelas dívidas, um vira-lata latiu com criaturas invisíveis e era outra temporada, o isolamento e o solipsismo pelas frestas das coisas decadentes, os oitenta tiros em Evaldo Pereira e a comemoração tímida de Marta artilheira de todas as copas. Eu preciso sonhar para não sucumbir ao descartável, quantos embates e discordâncias, desenquadrado e contra a corrente. Como assim? Não é nenhuma fábula pinçada do cotidiano às portas fechadas. Sou corpo estranho, talvez, ainda tenho o futuro nas mangas, posso sacá-lo e ainda rir do mundo: apenas celebrar a vida. Até mais ver.

 

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segunda-feira, outubro 09, 2017

GABRIELA MISTRAL, MARK TWAIN, MATTÉI, DŌGEN ZENJI, ISMAEL NERY, LUIZ VIOLA & ZÉ RIPE

EMBALO DA VIDA - Imagem: O violeiro, de Luiz Viola - Anda mais duns quarenta anos, bem mais, acho, que botei as ventas no mundo e dei de cara com a trupe de fazedores de emboanças, sons amolestados e tons desafinados, telengotendo, xenhenhem! E a cavilação: ou você me paga o que deve ou um de nós perde a vida e a vida bate o aço a judiar! Simbora! O galope só é bom quando é à beira-mar! Lá ia eu metido a besta entre parceiros, doidos e sãos, repicando aboios e toadas, aliterações e gemidos, um poema atrás do outro feito bandeirinhas de São João que não acabam mais nas mais de mil e uma estripulias por dias como espelhos e noites de meter os pés pelas mãos, desapeando para abancar, todo ancho no meio de oitava antiga ou dez de queixo caído, nada que possa valer mais que de Serra da Prata para Serro Azul, de Pirangi pra Paul, Mata Sul pernambucana, terra dos Palmares, de João de Zé das quantas, Maria de partos, flores e rumores, dos erros do tino e acertos no milhar, do tudo e do muito, maleitas, aporrinhações, sacanagens e engodos. Acha pouco, é? Vá atentar o diabo que ele gosta! É não! É! Você diz que não cai, mas cai no quebradinho: cai quem não gosta da vida, cai quem da morte tem medo. E eu ia danado pra Catende com vontade de chegar. É de lá que vem cantando Zé Ripe e eu aplaudindo olhos acesos, de cócoras com a saparia, foi não foi, foi, amoitado na casa de taipa com o sereno que vinha do som no pé da orelha e via atalhos e tocaias que perturbam nossa poesia sem amanhã, agarrado ao desespero para vencer o medo de fugir da obscuridade pro futuro redentor. Era bom demais, Zé Ripe cantando coisas da gente dessas terras que são minhas até que a peitica cantou e lá vinha a chuva dos sapos pedirem aos céus clemência, foi, não foi, foi, enquanto eu a duras penas ouvia cantarem louvores aos céus para livrá-los dos horrores sem saber o domínio do destino. E eu que ouvia e se havia com o amiudar dos galos, saía no oitão de rede rasgada e terreiro afora na força da munheca, engolindo brasa de fogo, pegando corisco nos ares, já sabia: não presto nem pra mim mesmo! E ia contra o muro e voltava, pé na rua, no meio da vida, quantos baques, muitas quedas: quebra cabeça é assim! Segura o rojão: quando eu ia ela voltava, quando eu voltava ela ia. Ia e vinha e nada, só no mote ineivado: isso é que é mourão voltado, isso é que é voltar mourão. E lá ia eu solto na lapa do mundo dos oito pés em quadrão, acelerado feito xexéu: quando eu disser meia quadra, você diz que é quadra e meia, quando eu disser quadra e meia, você diz que é meio quadrão. Quem não canta gabinete, não sabe o que é cantar! E eu que não sou de aguentar desaforo, não sou de arrastar mala e abria os peitos: quem não canta gabinete, não é cantor pra ninguém. Aí convocava: vamos fazer um baião de viola ou bota a viola no saco! Aí eu que já me achava maior que o troço, feito quem tem mais opinião que informação, todo cheio de nove horas, já estava com um fastio grande porque abusei da comida com a inhaca da desgraça, aguentei tempo o de longe, injuriado até o gogó, pra amansar no balançado do xote do Zé Ripe com o trancelim e laço de fita, sujeito bom cantador que me ensinava que cabeça não foi feita só para separar as orelhas, a me embalar entre as senhoras, viúvas e moças amojadas nesse Brasil de caboclo, Mãe Preta e Pai João, coisas da minha vicariante prosopopéia, porque sei que nada morre antes do tempo, nem corre sem vê de quê. E a minha infância, quer você queira ou não, parece mais que criou pena, bateu asas e voou pra nunca mais, o adulto que envelhece e arenga: aqui só canta um galo que sou eu nesse terreiro. Aprendi desde cedo que cantador que se dá a preço, não se areia nem faz troça e na boca traz tanto repente chega de sobrar e cair no chão pra quem quiser, isso é que é bom, porque para cantar nunca teve semana, nem dia, nem hora, nem mês. Vamos simbora, Zé Ripe, vamos desmanchar o enredo pra não ficar cego de raiva nem ter o diabo por guia, a gente vai que vai, não tem quem não cuspa pra cima que não lhe caia na cara! Vamos ver o desafio malcriado rompendo a cantoria! E vamos aprumar a conversa & tataritaritatá! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com a música de Djavan ao vivo + Ária + Um amor puro; a célebre cantora lírica soprano brasileira Bidú Sayão (1902-1999), interpretando a Bachiana nº 5 & Floresta amazônica de Villa-Lobos & La demoiselle élue de Debussy; da saxofonista, flautista, compositora e arranjadora Daniela Spielmann com Brazilian Breath, Saudades do Paulo com Cliff Korman & Chorinho pra você com Paulo Moura; e do cantor e compositor Zé Ripe com Amigos em pé de serra & Santanna O Cantador, Predestinação, Nordestinos do Forró, Bobeira & Perdi Você. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA - Conhecer a verdade do Buda é conhecer a si mesmo. Conhecer a si mesmo é esquecer-se de si mesmo. Esquecer-se de si mesmo é ser confirmado por todos os Darmas. Ser confirmado por todos os Darmas é deixar seu corpo e sua mente e o corpo e a mente do mundo externo desaparecerem. Todo indício de iluminação desaparece, e essa iluminação sem indício prossegue indefinidamente. Pensamento do mestre zen-budista Dōgen Zenji (1200-1253), extraído do artigo Os ensinamentos rosacruzes e o zen (O Rosacruz, 2015), de Atsushi Honjo. Veja mais aqui.

EDUCAÇÃO DE HOJE DE MATTÉI - [...] Na educação moderna, o estudante é apenas objeto de um discurso administrativo [...] Como eu digo em A barbárie interior, os métodos educacionais consistem em substituir o aluno, o homem, por uma espécie de sujeito social que não tem mais relação o pensamento, com o conhecimento, com a erudição, com a formação do saber. A educação moderna – em Dewey, por exemplo- substituiu a finalidade da educação como hominização pela socialização: o aluno é somente um ser social administrativo, encerrado em uma rede administrativa. [...] Não há aí possibilidade de relação do aluno ou da criança com o mundo, com o saber ou com o pensamento. [...] o que conta são procedimentos, a educação moderna é procedimental, como falam os educadores norte-americanos. [...]. Trechos da entrevista Modernos e bárbaros (Cult, janeiro 2003), ao jornalista Manoel da Costa Pinto, pelo filósofo francês Jean-François Mattei (1941-2014), sobre a obra A barbárie interior: ensaio sobre o i-mundo moderno (UNESP, 2002). Veja mais aqui.

HONESTIDADE, VIRTUDE & EVOLUÇÃO HUMANA - [...] vi que nunca tivemos a intenção de libertar, mas a de subjugar aquele povo. Fomos até lá para conquistar, não para salvar. [...] Parece-me que nosso prazer e dever seria tornar livres aquelas pessoas e deixar que elas próprias resolvessem sozinhas as suas questões internas. E é por isso que sou antiimperialista. Eu me recuso a aceitar que a águia crave suas garras em outras terras. [...] A alma e a substância do que geralmente se chama patriotismo é covardia moral, e sempre foi. [...] anseia apenas por ficar do lado do vencedor. [...] O dogma do patriotismo monárquico é: “O Rei nunca erra”. Nós adotamos com todo o seu servilismo, com uma insignificante mudança de palavras: “Nossa pátria, certa ou errada”. [...] Jogamos fora, e com ele tudo o que havia de respeitável nessa palavra grotesca e ridícula, patriotismo. [...] Não é verdade que existem dezenas de tipos de honestidade que não podem ser medidas pelo padrão do dinheiro? Traição é traição – e há mais de uma forma de traição; a forma dinheiro é apenas uma delas. [...] não existe um único homem honesto em lugar nenhum. E neste caso nem a mim eu faço exceção. [...] Toda pessoa nela incluída é honesta de uma ou de várias formas, mas nenhum de seus membros é honesto de todas as formas exigidas – exigidas por quê? Por seu próprio padrão. Fora essa, da forma como eu entendo, não existe para ela outra obrigação. E eu sou honesto? Dou-lhe minha palavra de honra (particular) de que não sou. [...]. É verdade, arte eu sou desonesto. Não de muitas formas, mas de algumas. Acho que são 41. Somos todos honestos de uma ou de muitas formas – todos os homens no mundo -, embora eu às vezes tenha a impressão de ser o único que tem uma lista negra tão curta. Às vezes me sinto isolado nessa altaneira solidão. [...] o século XIX trouxe progresso – o primeiro progresso depois de “eras e eras” -, um progresso colossal. Em quê? Materialidades. Fizeram-se aquisições maravilhosas com coisas que aumentam o conforto de muitos e tornam mais difícil a vida de outros tantos. Mas e o aumento da virtude? É possível descobri-lo? Acho que não. As materialidades não foram inventadas em beneficio da virtude [...]. lutam febrilmente por dinheiro. O dinheiro é o ideal supremo – todos os outros ficam relegados ao décimo lugar para o grosso das nações conhecidas. A febre do dinheiro sempre existiu, mas na história do mundo ela não foi a loucura em que se transformou no seu tempo e no meu. Esta loucura corrompeu essas nações; tornou-as duras, sórdidas, cruéis, desonestas, opressivas. [...] Se houve algum progresso em direção à virtude desde o início da Criação – do que, na minha inabalável honestidade, sou forçado a duvidar – acredito que devamos limitá-lo a 10% das populações da Cristandade (mas deixando de fora a Rússia, a Espanha e a América do Sul). Isso nos dá 320 milhões dos quais tirar dez por cento. Ou seja, 32 milhões avançaram para a virtude e o o Reino de Deus desde que as “eras e eras” começaram a corre, e Deus lá sentado, admirando. Bem, isso deixaria 1 bilhão e 200 milhões fora da corrida. Continuam onde sempre estiveram; não houve mudança. [...]. Trechos extraídos da obra Patriotas e traidores: Antiimperialismo, política e crítica social (Fundação Perseu Abramo, 2003), do escritor e humorista norte-americano Mark Twain (1835 – 1910). Veja mais aqui.

A QUEM SERVISTE HOJE? - Toda a Natureza é um desejo de serviço. / Serve a nuvem, serve o vento, servem os vales. / Onde haja uma árvore que plantar, planta-a tu; / Onde haja um erro que emendar, emenda-o tu; / Onde haja um esforço que todos evitam, aceita-o tu. / Sê aquele que afasta a pedra do caminho, / O ódio dos corações e as dificuldades de um problema / Existe a alegria de ser são, e a alegria de ser justo, / Mas existe sobretudo, a formosa a imensa alegria de servir. / Como seria triste o mundo se tudo já estivesse feito, / Se não houvesse um roseiral que plantar, uma empresa que iniciar! / Que não te atraiam somente os trabalhos fáceis. / É tão belo fazer a tarefa a que outros se esquivam! / Mas não caias no erro de que só se conquistam méritos / Com os grandes trabalhos; / Há pequenos serviços que são imensos serviços: / Adornar a mesa, arrumar os bancos, espanar o pó. / Aquele é o que critica, este é o que destrói; / Sê tu o que serve. / O serviço não é tarefa só de seres inferiores./ Deus, que dá o fruto e a luz, serve. / Poder-se-ia chamá-lo assim: Aquele que serve. / E Ele, que tem os olhos em nossas mãos, nos pergunta todo dia: / “Serviste hoje? A quem? À árvore, a teu amigo, à tua mãe?” Poema da poeta chilena Gabriela Mistral (1889-1957), Prêmio Nobel de Literatura em 1945. Veja mais aqui e aqui.

GEMEDEIRA DE BENJAMIM MANGABEIRA
Geme o rico sem saúde
Geme o moço sem dinheiro
Velho vendo moça nova
Geme sem ter paradeiro
E o miserável do pobre
Ai! Ai! Ui! Ui!
Esse geme o tempo inteiro
Vamos gemer sem ter dor
Para o povo apreciar
Quem precisa de ganhar
Geme pra fazer favor
Para ser bom cantador
Eu faço tudo por mim
Antes de chegar ao fim
Mostre sua gemedeira
Me acompanhe na regra inteira
Ai! Ai! Ui! Ui!
Gemer de dois é assim.
Gemedeira criada por Benjamim Mangabeira (Benjamim José de Almeida: 1904-1975), extraída da obra Cartilha do cantador (Recife, 1985), de Aleixo Leite Filho. Veja mais aqui e aqui.

Veja mais:
A música de Djavan aqui e aqui.
A arte musical de Bidu Sayão aqui.
A arte musical de Daniella Spielmann aqui.
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ENTREVISTA DE ZÉ RIPE
A entrevista do cantor & compositor Zé Ripe aqui e mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do pintor brasileiro Ismael Nery (1900-1934). Veja mais aqui,  aqui e aqui.



quarta-feira, agosto 09, 2017

JOAQUIM CARDOZO, ROGERS, BORNHEIM, O FUTEBOL DE GALEANO, FARNESE DE ANDRADE, PSICOLOGIA & EDUCAÇÃO AMBIENTAL

DESMANTELOS SEM REMISSÃO – Imagem do pintor, escultor, desenhista, gravador e ilustrador Farnese de Andrade (1926-1996) - João tinha muitos amigos, de copos e de farras. Era amável, afobado sim, raivoso nunca, exceto com pusilanimidade, grosserias, palavras desastrosas. Zangava-se vez ou outra, raramente, tinha lá seus motivos. Era comum nem se atormentar com nada, levava a vida na prosa, às risadagens. Não tinha inimizades, caçoava de todos, estreitos laços de amizade. Uma censura aos seus modos, relevava com muxoxo e saía qual raio, para se render ao perfume cativante das saias femininas, a sua perdição. Tinha lá suas extravagâncias, nem parecia haver um inferno em ebulição dentro dele, mar agitado de águas pútridas fervendo no peito, fera indomável. Coisa de amor desfeito, paixão recolhida envenenando seu ser. Ninguém sabia, vaidade ferida, destronado, coisa só dele. Disso nem falava, só dizia que coração de mulher era terreno de areia movediça, coisa que esconde o reino das traições. Ele se ria e mudava de assunto, coisa de se vingar com o pé no acelerador do automóvel na maior das carreiras, ou na montaria de um cavalo zarpando terra afora, ou na pesca de mão de peixes no rio ou no mar, força brava no roçado, levando mata nos peitos, tudo aos extremos, violência do muque na força do pulso, coisas de derrotar. Era assim que se vingava de dele só. Fosse longe, vencia em instantes; fosse firme, derrubava toras; fosse pedra, arrancava com brutalidade. Era como se vingava do amor perdido. Corria mundo e em alta velocidade: um dia tu te estupora, João. Ele, nem nem. Houvesse limite, era pra superar. Invencível, desconhecia adversário, fosse quem viesse, sempre campeão de si. Dava vazão ao seu orgulho, diligente, perdia as estribeiras, desafiava a si de nem ser indulgente e se esforçava para ser o melhor, efeitos devastadores. Até que uma curva, um seixo, o inopinado: estrepou-se de quase se desmanchar carcaça toda. Não havia osso que não fosse fraturado, face irreconhecível, corpo destroçado, tudo rendido e inutilizado. Cadeira de rodas, imóvel. Quase nem batia os olhos, não falava, vegetava. Hoje só tem olhos pra chorar. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RECIFE – VÁRZEA: ÚLTIMO RETORNO
 
Joaquim Cardozo

Terra macia, formada de muitos longes
Trazidos pelas águas.
- Essa terra do meu nascer alhures
Que seja, e seja, e seja, no fim, no sempre,
A minha terra de morrer.
Entre as bátegas de chuva:
- Das suas chuvas de junho até setembro...
- (Depois... Depois.... Quando depois...) – talvez se ouça ainda
O meu bater de coração.
Entre palmas e franjas de espuma branca,
Entre ramos de renda verde,
Um pouco do ar, que nessa terra respirei,
Passará, sem que ninguém disso se aperceba,
Na aragem das manhãs.
E os meus pés sepultados,
Meus pés, e o percorrido por meus pés,
Mergulhados, confundidos, sedimentados
Na espessura desses longes,
- Tímidos, incertos, sem destino –
Por baixo do chão dos seus caminhos
Continuarão a caminhar.
Poema extraído de Réquiem por uma vida desnecessária, das Poesias Completas (Civilização Brasileira/MEC/INL, 1971), do poeta, dramaturgo, engenheiro civil, desenhista, professor e editor Joaquim Cardozo (1897-1978). (Imagem: Visão Romântica do Porto de Recife (1930), do artista plástico Cícero Dias). Veja mais aqui.

RETRANCAS DO FUTEBOL E DECEPÇÕES - Como todos os meninos uruguaios, eu também quis ser jogador de futebol. Jogava muito bem, era uma maravilha, mas só de noite, enquanto dormia: de dia era o pior perna-de-pau que já passou pelos campos do meu país. [...] Os anos se passaram, e com o tempo acabei assumindo minha identidade: não passo de um mendigo do bom futebol. Ando pelo mundo de chapéu na mão, e nos estádios suplico: - Uma linda jogada, pelo amor de Deus! E quando acontece o bom futebol, agradeço o milagre – sem me importar com o clube ou o país que o oferece. [...] foi uma Copa sem surpresas. Um espectador a resumiu assim: - Os jogadores têm uma conduta exemplar. Não fumam, não bebem, não jogam. Os resultados recompensaram isso que agora chamam de sentido prático. Viu-se pouca fantasia. Os artistas deram lugar aos levantadores de peso e aos corredores olímpicos, que ao passar chutavam uma bola ou um adversário. Todos atrás, quase ninguém na frente. Uma muralha chinesa defendendo o gol e algum Cavaleiro Solitário esperando o contra-ataque. Até poucos anos atrás, os atacantes eram cinco. Agora só resta um, e nesse ritmo não ficará nenhum. Como comprovou o zoólogo Roberto Fontanarrosa, o atacante e o urso panda são espécies em extinção. Trecho extraído da obra Futebol ao sol e à sombra (L&PM, 2009), do jornalista e escritor uruguaio Eduardo Galeano (1940-2015). Veja mais aqui, aqui & aqui.

CRISE & EDUCAÇÃO AMBIENTAL - Torna-se necessário introduzir, nos processos de planejamento, estratégias participativas que venham a se apoiar nas forças utópicas da democracia radical e nas forças distópicas de destruição não pacifista, provocada pelos inconciliáveis antagonismos, sócio-politico-culturais, entre indivíduos, grupos e sociedades. Ou seja, a participação passa a ser vista, assim, como uma forma estratégica de interrelacionar – através da critica, técnico-política, das ações de planejamento – “kultur” e “zivilization”, harmonizando-se na direção de um bem-comum, como um futuro compartilhado possível. Sob tal perspectiva, o impacto “mundializado” da crise ambiental origina-se em conflitos racionais advindos da aplicação de referências da realidade baseadas nas teorias científicas da natureza, mas propaga-se mobilizando-se sobre provocações de cunho ético-humanístico – sobre uma crítica latente do “ocidente” como civilização, abrindo-se como ponto de cisão entre alternativas de futuro no confronto cultura-natureza e suas interações. A crise ambiental é, portanto, uma crise política da razão, que não encontra significações dentro do esquema de representações científicas existentes para o reconhecimento da natureza social do mundo, que foi histórica, técnica e civilizatoriamente produzida. Uma crise política da razão frente à não explicação da natureza social da natureza e de suas implicações sobre o conhecimento e suas relações com a sociedade e o futuro. [...] Trecho do ensaio O pensamento contemporâneo e o enfrentamento da crise ambiental: uma análise desde a psicologia social, da física e pós-doutora em Ciências Sociais, Edla Terezinha de Oliveira Tassara, extraído da obra Pensar o ambiente: bases filosóficas para a educação ambiental (MEC/SECAD, 2009), organizado por Isabel Cristina de Moura Carvalho, Mauro Grün e Rachel Trajber. Veja mais aqui, aqui & aqui.

O SISTEMA & O FILOSOFAR - O comportamento originante do filosofar e a possibilidade de esclarecer a problemática que tal comportamento coloca [...] parte do pressuposto de que a coloração fundamental de uma filosofia já se determina, em certo sentido, a partir mesmo da atitude inicial assumida por todo filósofo. Trata-se, portanto, de problemática implicada no ponto de partida do filosofar. Referimo-nos ao filosofar. [...] A atitude inicial do filósofo determina o caráter último de sua filosofia. Mas esta determinação, profundamente enraizada no ato de filosofar, não deve ser confundida com o problema do primeiro princípio filosófico, com a primeira afirmação, a partir da qual um determinado filósofo poderá alicerçar e desdobrar o todo de seu pensamento, obediente à incoercitível tendência para a sistematização, que é inerente à natureza mesma da filosofia. [...] Em verdade, a ideia de sistema traz consigo todos os quesitos do que deva ser um problema: responde a um anseio legitimo e inscreve-se na própria natureza do real. O que deve ser repensado é o sistema, não enquanto decorrência do processo entificador do ser, e sim enquanto abertura para a diferença ontológica. Não se trata, pois, de fundar o sistema dedutivamente em um ente determinado, mas de pensar a sua possibilidade a partir da diferença ontológica. Trechos extraídos da obra Introdução ao filosofar: o pensamento filosófico em bases existenciais (Globo, 1978), do filósofo, professor e crítico de teatro brasileiro Gerd Bornheim (1929-2002). Veja mais aqui, aqui e aqui.

ADAPTAÇÃO DO INDIVÍDUO - O interesse constante e crescente pelo indivíduo e sua adaptação é talvez um dos fenômenos mais importantes do nosso tempo. Mesmo a guerra e a propaganda serviram para pôr em evidencia a ideia fundamental da importância do individuo e do seu direito a uma adaptação satisfatória como um dos elementos dos nossos objetivos bélicos. [...]. É absolutamente vital reconhecer que o processo que ocorre na entrevista é tão delicado que as suas potencialidades de desenvolvimento podem ser inteiramente destruídas pela manipulação forçada que caracteriza a maior parte das nossas relações. Compreender as forças sutis que atuam, reconhecer e cooperar com elas exige a máxima concentração e o maior estudo, e o caráter integral dos relatórios que descrevem o processo. Trechos extraídos da obra Psicoterapia e consulta psicológica (Martins Fontes, 1987), do psicólogo norte-americano e criador da abordagem psicoterapeuta Terapia Centrada na Pessoa, Carl Rogers (1902-1987). Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

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CRÔNICA DE AMOR POR ELA

Imagem: arte do pintor, escultor, desenhista, gravador e ilustrador Farnese de Andrade (1926-1996). Veja mais aqui.

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sábado, abril 15, 2017

CORDEL, CIRO FERNANDES, SAMICO, JOACIR, TABOADA DO AZULÃO & REPENTEANDO!

REPENTEANDO ATÉ COM UM OLHO SÓ! – Imagem: Cantador, do artista plástico, ilustrador e xilogravura de Ciro Fernandes. - Repentear é meu ofício, meu modo de poetar, quem quiser que puxe o mote que tô pronto pra glosar. É laralá, lheguelhé, tiriri, quiprocó e buruçu! Se o mundo todo vai de pernas pro ar, não sou sozinho quem vai lá pra consertar. E se está troncho ou mesmo desfigurado, é que o que é redondo viram logo pra quadrado. Se está feia a coisa aos tremeliques, eu tô medonho pra traçar meus limeriques. Se aos sopapos vai tudo samba de breque, fico na minha pra valer meus pechisbeques. E ratatá, o que é que é, o quiquqi, o trololó, o trubufu. Se o planejado gorou feio na culatra, tente traveiz, não pique mula pra Sumatra. Se for golpe do destino atrás da porta, vá a galope desfazer qualquer marmota. Se só há o desmantelo pra danar, não vá fugir, melhor mesmo é encarar. Se a coisa é indomável só pro desembesto, puxe na marra a rédea desse cabresto. Se a dita anda dura qual madrasta, bote moral e mande ver nessa vergasta. Quem a véspera tem medo de antemão, é porque a covardia na leseira faz plantão. Se o tempo é solto reboliço na gangorra, dê fora ao malefício e mande tudo pra porra. Se enfiar os pés num redemoinho, mande tudinho pra tonga da mironga e lá e fé aqui e só e tu. E patatá, e lelelé, e piriri, e pororó e urutú. Se na varada a rima pobre der um nó, vou estribilho pro refrão com um olho só. E sarava e evoé e patati e tororó e murundu. De repente eu vou rente e arrepio no repente. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui.

TABOADA DE AZULÃO
Com dois eu começo o verso
Com quatro eu aumento a trova
Com seis eu não levo sova
Com oito eu fiquei disperso
Com dez eu não sou perverso
Com doze faço um zumzumzum
Catorze eu faço jejum
Dezesseis não me reprove
Quinze, treze, onze, nove,
Sete, cinco, três e um.
Taboada pequena, composição em forma de décima com a obrigação de determinar com refrão, em setessílabo, inventada por Sebastião Cândido dos Santos, o cantador Azulão (Recolhida da Cartilha do Cantador – Recife, 1985, de Aleixo Leite Filho). Veja mais aqui e aqui.

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Repente qualquer jeito para ver como é que fica, A vida antes do homem de Margaret Atwood, A servidão humana de Baruch de Espinoza, A tecnologia na arte de Edmond Couchot, a música de Jackson do Pandeiro, a pintura de Victoria Selbach & Leonel Mattos, a fotografia de Antonio Corradini & Nikolai Endegor aqui.

E mais:
O trâmite do visinvisível, a música de Alexander Scriabin & Maria Lettberg, a pintura de Paul-Émile Bécat & Berenice Barreto, Quadrigrafias & a arte de Elaine Pauvolid aqui.
Desabafo do dr. Zé Gulu: a civilização dos equívocos, a literatura de Juan Rulfo, a pintura de Henri Fantin-Latour & Élisabeth-Louise Vigée-Le Brun, a música de Myriam Taubkin & Poemiudinho aqui.
Nitolino no reino encantado de todas as coisas, Toumal & a mulher de Bushman, De segunda a um ano de John Cage, a literatura de Henry James, a pintura de Leonardo da Vinci, a música de John McLaughlin, O suicídio de Émile Durkheim, o cartoon de Luiz Fernando Veríssimo, o cinema de Mel Smith & Emma Thompson aqui.
O Homem Vitruviano de Leonardo da Vinci, a literatura de Anatole France, A epopéia de Damaianti do Maabárata, o teatro de Tristan Tzara, O grande ditador de Charlie Chaplin, a música de Edson Natale & a pintura de Henri Fantin-Latour aqui.
Ela, a incógnita do prazer & a pintura de Mark Tennant aqui.
A fibra na dieta alimentar aqui.
Literatura de Cordel: Ais coisa que tu me diz de Bob Motta aqui.
Literatura de Cordel: A mulher cariri, cariri mulher, de Salete Maria aqui.
As trelas do Doro: a vingança aqui.
Proezas do Biritoaldo: Quando o bicho leva um puxavanque da vida, para baixo todo santo ajuda numa queda só: tei bei! Era uma vez, hem hem.... aqui.
Sanha, a música, Análise do homem de Erich Fromm, A mulher que escreveu a Bíblia de Moacyr Scliar, Sheherazade de Rimsky-Korsakov, a poesia de Menotti Del Picchia, Os sonhos de Akira Kurosawa & a pintura de Jean-Hippolyte Flandrin aqui.
Só desamparo no descompromisso social, Cidadania de Evelina Dagnino, Quadrinho de História de Gláucia Vieira Machado, a poesia de Micheliny Verunschk, a música de Viviane Hagner, a fotografia de Yi-chun Wu, a escultura de Michael Talbot, o teatro de Buraco D’Oráculo, o cinema de Niki Caro & Keisha Castle-Hughes, a pintura de Oresteia Papachristou & Hajime Sorayama, a arte de Márcio Baraldi, Luciah Lopez & a menina do sorriso ensolarado aqui.
Escapando & vingando sonhos, a literatura de Ricardo Piglia, A memória coletiva de Maurice Halbwachs, A fenomenologia do olhar de Alfredo Bosi, Na caça ao dinheiro de Nilson Araújo de Souza, a entrevista de Leila Miccolis, Cidadania na Escola, a pintura de Pablo Picasso& Roberto Chichorro, a música de Bob Dylan, a fotografia de Roberta Dabdab, a arte de Marcos Carrasquer, a coreografia de Sandro Borelli, o cinema de Álex de La Iglesia & Rosie Perez, a escultura de Johann Heinrich von Dannecker, as gravuras de Eugene Reunier, Lume Teatro & O poeta chora aqui.
Só a poesia torna a vida suportável, O trabalho contemporâneo de Harry Braverman, Mundo dos homens de Sérgio Lessa, O trabalho de Ricardo Antunes, a música de Nadja Salerno-Sonnenberg, a entrevista de Cláudia Telles, a escultura de Eduardo Paolozzi & Kvitka Anatoly, a fotografia de Dane Shitagi, Cinema de Rua, a pintura de Eugene Huc, Escambo de Teatro Livre de Rua, Coletivo Transverso, A arte na rua dos Municípios & Quando Tomé mostrou ao que veio aqui.
Poema em voz alta, A mulher suméria, a literatura de Georges Bataille, a pintura de Paul Cézanne & Olivia de Berardinis, Decameron de Pier Paolo Pasolini, a música de Karina Buhr, o ativismo de Maryam Namazie, a escultura de Leroy Transfield, Nupcias do NUA, a coreografia de Ângelo Madureira & Ana Catarina Vieira, a entrevista de Frederico Barbosa, a arte de Mozart Fernandes, Cidadania & Meio Ambiente aqui.
Minha voz, o poema, a poesia de Lawrence Ferlinghetti, o cinema de Peter Greenaway, o teatro de Dario Fo, a música de Milton Nascimento & Elis Regina, a fotografia de Edward Weston, a arte de Leo Lobos, Portal do Poeta Brasileiro, Programa Tataritaritatá & A coelhinha da páscoa aqui.
História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
As mulheres do arquiteto, fotógrafo e xilogravador Joacir.
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: Rumores de guerra em tempos de paz (2001), xilogravura de Samico.
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
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GONÇAL MAYOS, MARINE PETROSSIAN, PÉTER NÁDAS & IRANDHIR SANTOS

  Imagem: Arrostar aporias , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Fábula dos embeiçados desavindos... ...