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segunda-feira, abril 28, 2025

PAULA EINÖDER, KATE KRETZ, XIYE BASTIDA & GIVANILTON MENDES

 

Imagem: COLAM: Retalhos em Detalhes (à memória do cineasta Givanilton Mendes). Acervo ArtLAM.

Eu acordo de manhã e me sinto muito sortuda e privilegiada por fazer isso! Reclamo muito porque costuma ser um processo doloroso, mas sinto que estou vivendo uma vida muito privilegiada e feliz sendo compositora...

Fragmento de depoimento ao som das Sinfonias1 – Três Movimentos para Orquestra (1982), 2 – para violoncelo (1985), 3 (1992), 4 – Jardins, para Coro infantil, Coro e Orquestra (1999), 5 – Concerto para Orquestra (2008). Sinfonia para sopros (1989) e Viagem para Quarteto de cordasString Quartet nº 3 (2012), da compositora estadunidense Ellen Taaffe Zwilich. Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

 

Retalhos em detalhes… (à memória do saudoso amigo Givanilton Mendes) - Neste instante ontem era outro e depois não seria jamais amanhã, agora já passou. E tanto. Do nada reaparecia longínquo amigo que se foi um dia para nunca mais. Como poderia, pois bateu à porta e já entrou com aquele caloroso abraço antigo. Sentou-se ao lado com envolventes gestos largos, para logo derramar aquelas vontades vitais aos olhos das amizades eternas. Era ele mesmo, redivivo, nada de como assim ou razão para tal. Foi tão bom revê-lo com a mesma fisionomia de quando partiu. Tudo parou para ele desde que se foi, eu envelhecia com o tempo. O que poderíamos reviver de todas as vésperas de antes, se havia a guerra de sempre: de um lado, os da gente que viravam a casaca do contra; do outro, os que nos queriam ver pelas costas. Elos esgarçados: só tínhamos de mesmo um ao outro, miséria solidária. Ali a gente pela madrugada de outras tantas pelejávamos a reinventar o que seria quase sagrado e fatalmente destruído pelos que despertassem logo às primeiras horas da manhã, enquanto os sonâmbulos do dia olvidariam e, até com asco, tudo o que era pra gente noites a fio, pernoite em claro, sem pregar as pestanas. E revivemos mais todos os insones colóquios diários regados de confissões, dúvidas e resiliência. Cerzíamos, recosíamos, recombinávamos os trapos e aprendíamos a nos desvencilhar das facas e canivetes do sorriso escondido no final da tarde. Nunca fugimos da raia e fomos aos confins do mundo para acalentar nossos sonhos e lá soubemos que Deus evadira com o pouco que ainda lhe restara, depois que fora destronado pelos matricidas filhos de Caim que somos todos, humanidade fracassada, e nos deixou indignados à própria sorte. Sabíamos: os fantasmas sacodiam as correntes porque viviam subterrâneos dentro da nossa fúria de viver escapando das sedições trepidantes, dos resmungos ferozes que se dispersavam em nossos ouvidos e se dissipavam cabeça adentro pelos pesadelos da longa insônia, como se dali pudéssemos voar janelas abertas com a dor dos que foram abatidos nas manhãs de um céu azul sem nuvens. Sabíamos mais: por mais inglória que tivéssemos de tão sem trunfos, a vida valia pelo tanto já vivido por inesquecíveis momentos, efêmero que ficava e nos reconstruía a todo instante. Era a festa da saudade, tão real quanto o êxito do filme que nunca fizemos. Até mais ver.

 

Jane Campion: A tragédia faz você crescer... Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui

Claire Wineland: Há muito mais na vida do que apenas ser saudável. Há muito mais na vida do que apenas ser normal. Se o meu maior problema na vida fosse ser saudável, eu ficaria incrivelmente entediada... Veja mais aqui.

Alejandra Pizarnik: Você escreve poemas porque precisa de um lugar onde o que não é possa ser... Veja mais aqui.

 

A ESCRITURA DA ARGILA

Imagem: COLAM. Acervo ArtLAM.

Escreverei sem motivo e sim considerações. \ Agarrarei cada palavra vesga e desfeita \ e a tornarei de argila. \ Então a passarei pelo fogo. Lhe darei fôlego. \ Cada palavra será um homem. \ Povoarei a terra de palavras. Encherei páginas de homens. \ Haverá argila ao invés de tinta. \ Escreverei sem volume. Cegarei a mim mesma. \ Não vou pisar nenhuma palavra. \ Serão meu cajado. \ Não vou buscar o homem. Porque um homem \ está feito de texto. \ Tecido de demasiadas palavras. \ Não vou buscar o poema. Porque um poema \ está feito de carne. \ Composto por demasiados \ tecidos e músculos e nervos. \ Escreverei sem propósito e sem esquemas. \ Porém ninguém poderá me reprovar que eu não tenha unido \ a palavra com a argila, a tinta com o sangue. Além do que \ a minha falta de originalidade foi buscada. \ Novidade e esquecimento são a mesma coisa. \ Porém o meu poema está escrito. \ Disto se trata o assunto.

Poema da poeta e professora uruguaia Paula Einöder, autora dos livros La escritura de arcilla (2002), Árbol experimental (2004), Miranda o el lugar desde donde no se habla: Reflexiones acerca del silencio interpretativo (2004), Opacidad (2010), Árbol de arco (2020) e Para bálsamo de ruiseñores (2021). Veja mais aqui.

 

CARTA PARA AVÓ: POR QUE EU LUTO PELA JUSTIÇA CLIMÁTICA – [...] O mundo é tão grande e tem tantos maus hábitos. Eu não sabia como uma criança de 15 anos deveria mudar alguma coisa, mas eu tinha que tentar. Para colocar essa filosofia em prática, entrei no clube ambiental da minha escola. No entanto, notei que meus colegas estavam falando sobre reciclagem e assistir filmes sobre o oceano. [...] Era uma visão do ambientalismo que era tão voltada para uma maneira ineficaz de ativismo climático, que culpa o consumidor pela crise climática e prega que as temperaturas estão subindo porque esquecemos de trazer uma volta reutilizável para a loja. Ensinaste-me que cuidar da Mãe Terra é sobre todas as decisões que tomamos como um coletivo. [...] Para mim, ter 18 anos e tentar salvar o mundo significa ser um ativista climático antes de talvez estudar para ser médico ou político ou pesquisador, mas mal posso esperar para crescer e me tornar uma dessas coisas. [...] O planeta está sofrendo e não temos mais o luxo do tempo. Salvar o mundo como um adolescente significa ser bom com palavras, entender a ciência por trás da crise climática, trazendo uma perspectiva única para a questão para se destacar e esquecer quase tudo o resto. Mas às vezes eu quero me importar com outras coisas novamente, eu quero ser capaz de cantar e dançar e fazer ginástica, eu realmente sinto que se todos nós cuidamos da Terra como uma prática, como cultura, nenhum de nós teria que ser ativistas climáticos em tempo integral. [...] tudo o que estou tentando fazer com o meu trabalho é dar essa mentalidade otimista para outras pessoas. Mas tem sido um pouco difícil, há ganância, há orgulho, há dinheiro e há materialismo, as pessoas tornam tão fácil para mim falar com eles, mas eles tornam tão difícil para mim ensiná-los. [...] Eu quero que eles tenham o coração e a coragem de amar o mundo. Assim como você me ensinou, eu escrevi esta carta para agradecer, obrigado por me convidar para amar o mundo desde o momento em que eu nasci. Obrigado por rir de tudo. Obrigado por me ensinar que a esperança e o otimismo são as ferramentas mais poderosas que temos para resolver qualquer problema. Eu faço este trabalho porque você me mostrou que resiliência, amor e conhecimento são suficientes para fazer a diferença. [...]. Trechos da carta escrita pela ativista mexicana Xiye Bastida, refletindo sobre o que a levou a se tornar uma voz de liderança para o ativismo climático global – desde a mobilização de greves climáticas escolares até a Cúpula do Clima das Nações Unidas, ao lado de Greta Thunberg. Para ela: Minha conclusão é que a Terra está aqui para abrigar tudo. Toda a vida, toda a morte, toda a beleza e todas as dificuldades. Ela está aqui para abrigar nossa alegria e nossa incerteza, nossas histórias e nossa luta.

 

ARTE HOLÍSTICA – [...] Somos a soma de nossas experiências de vida únicas e individuais. As provações que enfrentamos, as causas pelas quais lutamos, os medos que nos assombram, as estranhezas de nossas mentes; tudo isso e muito mais se torna o alimento para o nosso espírito. O universo não precisa de repetições do passado; de mais uma bela, mas inútil, paisagem impressionista nua, iluminada pelo sol, mas sem graça, ou de um cubo minimalista antigo e frio. Ele precisa de você. Precisa que você se desfaça de tudo o que obscurece seu genuíno senso de identidade. Precisa que você desenterre e assuma descaradamente sua verdade confusa, honesta e magnífica. E precisa que você aprofunde e molde essa verdade em um núcleo autêntico, que nutrirá você e seu trabalho por toda a vida. [...] Há um movimento em andamento para convencer os artistas de que eles são simplesmente mais um tipo de empreendedor. À primeira vista, trata-se de uma rejeição aparentemente inofensiva e compreensível do estereótipo do artista faminto. No entanto, as pessoas parecem ter esquecido que, desde o início da história registrada, o papel cultural dos artistas ia muito além da simples criação de um produto para vender. [...] É assustador para mim ouvir calouros de arte falarem sobre “branding”, porque, saibam ou não, eles representam a última fronteira. Se os artistas desistem, não sobra ninguém. Se abrirmos mão de nossa agência, seduzidos por uma mentalidade corporativa para simplesmente fabricar nosso produto e ganhar nossa fatia do bolo, colocamos mais um prego no caixão do poder superior da arte. [...]. Trechos extraídos da obra Art from Your Core: A Holistic Guide to Visual Voice (Intellect, 2024), da artista estadunidense Kate Kretz, que foi diagnosticada como 2E, duas vezes excepcional, superdotada/com autismo, em 2021.

 

GIVANILTON MENDES: ALÉM DAS LENTES

O documentário Givanilton Mendes além das lentes (2025), tem roteiro, pesquisa e coordenação de Leandro Silva, apresentado como projeto integrador do curso de Rádio, TV e Internet, da ETE Nelson Barbalho, sob orientação dos professores Adson Alves e Rosangela Araújo. Veja mais aqui & aqui.

&

3ª FLIBEZ

Entre os dias 3, 4 e 5 de maio acontecerá em Bezerros (PE) a Festa Literária de Bezerros – 3ª FLIBEZ, homenageando o escritor Alex Brito e o cordelista Manoel Leite, com o objetivo de celebrar a literatura e artes afins, com atmosfera propícia a vivências artístico-culturais. O evento conta com painéis, circuito gastronômico, debates literários, exposição de artes, saraus, lançamento de livros, oficinas, shows musicais, cantoria de viola e cortejo de carnaval, tudo com entrada franca. É uma produção independente do Bistrô do Matuto Produções Multiculturais.

&

O BRANCO DE TODA COR, ZÉ RIPE

Veja mais Zé Ripe aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

ITINERARTE – COLETIVO ARTEVISTA MULTIDESBRAVADOR:

Veja mais sobre MJ Produções, Gabinete de Arte & Amigos da Biblioteca aqui.

& mais:

Arte na Escola aqui.

Livros Infantis Brincarte do Nitolino aqui.

Diário TTTTT aqui.

Literatura Indígena: Cosmovisões & Pela Paz aqui & aqui.

Poemagens aqui.

Cantarau Tataritaritatá aqui.

Teatro Infantil: O lobisomem Zonzo aqui.

Faça seu TCC sem traumas – consultas e curso aqui.

VALUNA – Vale do Rio Una aqui.

&

Crônica de amor por ela aqui.

 


segunda-feira, janeiro 20, 2020

KIPLING, ÁUREA SANTA CRUZ, OLGA SCHEPS, AYDEMIR SAIDOV, VITAL CORRÊA & ARTE PERNAMBUCANA


CARTA PARA CAROLINE - Carrie, guardiã do meu idílio, feroz protetora, a mulher é um brinquedo perigoso. Escrevo esta carta porque guardo em mim a vida de Bombaim com seus odores picantes, seus múltiplos ruídos, suas excessivas cores, seus contrastes apaixonantes no topo do termômetro: a vida em brasa pelas imundícies, superstições e a estupidez religiosa. Comecei como um rapaz comum, alma florescente. Já míope, salvava-me o bigode precoce de poeta-menino, escrevia uma ou outra ninharia, parvoíces da adolescência, só rabiscos, garatujas, garranchos que eram as miniaturas do universo e os pormenores de tudo que circundava a minha vida. Não sou nem nunca fui poeta porque sou livre. Aprendi no jornal, vendi a alma à arte negra e à universidade do mundo com truques taquigráficos. Para minha atitude corcunda não houve uma próxima vez, nem uma segunda chance, a rudeza, o tempo não era mais jardim da infância, eu apenas amante de livros. Por aí viajei muito, me soerguendo aos catabis do fracasso, quantos insultos cuspidos à face. Para quem não era à prova de fogo, derramei um copo de uísque nas páginas do Ladies’ Home Journal. Nunca recuei e desde o homem que seria rei, eu era Joseph e não quis mais sê-lo. Tornei-me companheiro, mesmo não sendo tratável com a fé de Nietzsche. Guardo em mim o nosso bangalô espaçoso com as achas de pinheiro de Vermont que dava pro polegar do gigante apontado pro céu, a nossa Naulahka diante do Monte Monadnock, tudo era você a mulher que me abrigava no meu abençoado rincão e em todo momento. Enquanto eu brincava com cenas curtas no meu teatrinho e me divertindo com a criação de tudo, me protegia na câmara do dragão, perdemos Josie para a febre tifóide e Jack para a guerra. Disso nunca me recuperei. Enfim, guardei para mim mesmo as mais profundas tristezas e fiz meu apelo àqueles que se jactam das conquistas e opressão, vindicação ao bruto que se vangloria como uma besta loura. Ando a pé, muito. Meus olhos são incursões pela mata e tudo ao redor, já sem os capitães corajosos e os livros da selva, nem intrusos indesejáveis pelo coquetel de gírias e sublimidade. Tudo uma cortina de fumaça que se desfaz aos mortos com seus olhos escancarados. Meu coração velho desolado, tal qual daqueles que perderam seus filhos pras guerras, sente apenas balas e granadas do fratricídio pela fé, ódio pela esperança antiga e morta, nenhuma valia de nada: as palavras sábias não dão conta do que oprime lá no íntimo. Eu sabia as duas maiores de todas as coisas, o amor e a guerra. Nunca quis lutar porque já afloram tumultos e gritos horríveis todos os dias. Todos partiram, só ficou o antigo sacrifício. Que eu jamais esqueça, oh não, o pior é lembrar. A lei é uma palavra enferma, não sobrou nada, apenas ruínas, mentiras e desavenças. Sou meu testamento nas mãos limpas e vazias, um gesto inútil na insondável solidão de um humilde e contrito coração, uma única vida para dar. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & mais aquiaqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Num dia, todas as coisas estão cansadas e até os cheiros que sobem no ar pesado parecem velhos e usados. Não dá para explicar, mas a gente sente que é assim. Então vem o dia seguinte, em que nada mudou para a visão, mas todos os cheiros são novos e deliciosos; e os bigodes do Povo da Selva estremecem até a ponta, e os pelos de inverno caem dos seus corpos como tranças emaranhadas. Às vezes, cai um pouquinho de chuva e todas as árvores, arbustos, bambus, musgos e plantas de folhas suculentas acordam e crescem tão depressa que é quase possível ouvi-las fazendo isso; e, sob esse ruído, há, dia e noite, um zumbido grave. Esse é o som da primavera — uma retumbância vibrante que não vem nem das abelhas, nem da água que cai, nem do vento nas copas das árvores; é o ronronar de um mundo cálido e feliz. [...]. Trecho de A corrida de primavera, extraído da obra Os livros da selva: Mowgli & outras histórias (Companhia das Letras, 2015), do escritor britânico Rudyard Kipling (1865-1936), que durante a infância foi submetido, junto com sur irmã Alice, aos maus tratos de um parente, para em seguida ser internado numa escola afetuosa. Os poemas, ensaios e contos que escreveu durante os “sete anos difíceis” passados na Índia, fizeram com que o autor imediatamente ganhasse uma boa reputação e, a partir de sua chegada a Londres em 1889, se tornasse uma celebridade literária no mundo todo. Em 1892, ele casou-se com a estadunidense Caroline Balestier (1862-1939),  em Vermont por quatro felizes anos, durante os quais nasceram suas filhas Josephine e Elsie, e escreveu os dois Livros da Selva (1894 e 1895). Numa viagem a Nova York em 1899, sua filha Josephine, então com seis anos, morreu de pneumonia, doença da qual Kipling mal escapou com vida. Seus livros continuaram a vender e a ser lidos em todo o mundo, e ele recebeu doutorados honoríficos de diversas universidades e o prêmio Nobel em 1907. Durante a Primeira Guerra Mundial, perdeu o filho na Batalha de Loos, em 1915, tornando-se um homem mais reservado. Caroline era a guardiã de seu legado literário, era considerada oportunista pelos pais de Kipling e detestada por seus colegas de arte e literatos, no entanto, sua perspicácia nos negócios e sua atitude ferozmente protetora em relação ao marido, permitiram que ele se concentrasse em seus escritos sem distrações, e o prolífico autor produziu a maior parte de seus livros. obras-primas durante o casamento de 44 anos. Apesar de seu próprio sofrimento intenso, ela também o sustentou em crises familiares, incluindo a morte de dois de seus filhos: Josie, 6 anos, de febre tifóide em 1899, e Jack, 18 anos, em combate durante a Primeira Guerra Mundial. Veja mais aqui, aqui, aquiaqui e aqui.

DESTAQUE: SERÁ QUE AMÉLIA AINDA É “AQUILO”? - Amélia faz parte da memória social brasileira como exemplo maior de submissão da mulher. Tudo por conta do samba homônimo “Ai, que saudade da Amélia” lançado no carnaval de 1941 descrevendo-a como a mulher de verdade. A letra atingiu em cheio o imaginário coletivo a tal ponto que virou verbete no Aurélio como: “/mulher que aceita toda sorte de privações e/ou vexames sem reclamar, por amor a seu homem/”. Apesar dessa pecha, virou sucesso estrondoso por várias décadas. As ouvintes mulheres custaram a se contrapor ao conteúdo misógino da mensagem onde a personagem em questão chega a ser vítima de uma anorexia impositiva: “às vezes passava fome ao meu lado / e achava bonito não ter o que comer”. Pasmem, mas seus maiores predicados resumiam-se a nada querer, nem tampouco "tinha a menor vaidade". Assim mesmo, era uníssona entre homens e mulheres a opinião sobre a Amélia: “Aquilo sim é que era mulher”. Mas ela não era a única. Havia a Emília, também campeã nas paradas de sucesso surgida no mesmo ano e com o mesmo feitio de sujeição total e absoluta ao parceiro de cama e mesa. Só que acompanhava entre outras característica um adicional utilitário: “quero uma mulher / que saiba lavar e cozinhar [...] além de outra vantagem – a função de despertador: “que de manhã cedo me acorde na hora de trabalhar” [...]. Sem falar na seguinte prerrogativa: nas tarefas domésticas era imbatível: “ninguém sabe igual a ela / preparar o meu café / não desfazendo das outras / Emília é mulher” [...]. Na trilha dessas mulheres seguiram outras e outras até chegar ao século 21. Resta, portanto, saber quantas mulheres por ai continuam a levar hoje em dia uma vida de Amélia? Artigo extraído do blog A musa sem máscara: a imagem da mulher na música popular brasileira, da escritora, pesquisadora, produtora cultural, consultora e palestrante Maria Áurea Santa Cruz, que assim se apresenta: Eu não sei poetar / Mas sei dizer o que sinto / E, de forma maiúscula e  minúscula / Traduzo em palavras o meu modo de pensar. Veja mais aqui & aqui.

A MÚSICA DE OLGA SCHEPS
O ponto alto da minha vida profissional é sempre o próximo concerto, a preparação e a alegria da música. Eu acho que não é possível fazer essa profissão sem alegria.
OLGA SCHEPS - A arte da pianista russo-alemã Olga Scheps com extraordinários poderes de expressão, encantando o público em toda a Europa há vários anos e produziu cinco CDs nos últimos seis anos - quatro discos solo de recital e uma gravação luminosa e tocante dos dois concertos de Chopin. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
AYDEMIR SAIDOV - A arte do premiado pintor russo Aydemir Saidov que expõe em museus na Rússia e também em coleções particulares na Grã-Bretanha, EUA, Alemanha, China e vários outros países. Veja mais aquiaqui.

A ARTE PERNAMBUCANA
A Poesia Absoluta de Vital Corrêa de Araújo aqui, aqui & aqui.
Aminta & outras da escritora Célia Labanca aqui & aqui.
Documentário Nordeste do médico, professor catedrático, pensador, ativista político e embaixador do Brasil na ONU, Josué de Castro (1908-1973) aqui e mais aqui.
A música de Zé Ripe aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
Em busca de Thargélia: poesia escrita por mulheres em Pernambuco no segundo Oitocentismo - 1870-1920(Fundarpe, 1996), organizado por Luzilá Gonçalves Ferreira aqui.
Memória e ficcionalidade em Deus no pasto de Hermilo Borba Filho (UFPE, 2009), apresentada por Virginia Gisele Carvalho aqui.
&
O município de Joaquim Nabuco aqui & aqui.


sexta-feira, maio 11, 2018

FLORBELA ESPANCA, KRISHNAMURTI, CAMILO CELA, BOURDIEU, BILL BRANDT, CARLOS LYRA & CARLA BLEY

O ACERTO DO ERRO, OU O CONTRÁRIO – Imagem: arte do fotógrafo alemão Bill Brandt (1904-1983). - Bestinha não dava uma dentro: se acertasse na veia, pisava na bola; se chegasse na hora, o local era outro; se apontasse pro alvo, o tiro saía pela culatra; se pegasse carona, a direção era outra. Não tinha jeito, de mesmo. Nada dava certo, nem na marra ou com socorro alheio. No fim, tudo gorava: se estava tudo certo, na horagá, falhava; se garantido, fracassava; se fechado, desfeito; e se assinado, registrado em cartório, tudo preto no braço, malograva. Assim, não pode. Tolinho mesmo que era carne e unha com ele, já desconfiava, abrindo da vela: Esse cara é um azarento dum pé frio, um atrapalho de vida! E se distanciava porque devia ser contagioso. Nada, daqui a pouco se esquecia disso e lá estavam acoloiados aprontando das suas, cara dum, cu de outro. Pois bem. Um dia lá, Bestinha viu de longe a Liu Malagueta e endoidou o cabeção: Mermão, mulé dessa é de desarrumar a vida de qualquer um! Tolinho mais que gato escaldado, aconselhou: Rapaz, segura o andor que o santo é de barro. Nada, vou com tudo. Arrepara, mesmo. Vai não, rapaz. Vou. Num vai. Vou. E foi. Lá foi Bestinha, mala, cuia, com os quatro pneus arriados e estepe tudo atrás da beldade. Não demorou muito, voltou se arrastando com o rabo entre as pernas: Que foi, rapaz? Quando cheguei nela, olhou pra mim e disse: Não vem que não tem! Lasquei-me, tô apaixonado. Toma vergonha na cara, Bestinha! Mas eu tô apaixonado por ela, meu! Deixa de ser leso, tu num tais vendo que aquilo não é carrega pras tuas forças, desgraçado? Tu não tem cardan, lá pode com aquilo, maloqueiro! Dou um jeito. Ah, só se for pra levar gaia, porque doutro jeito não tem. Bestinha não se conformou e pra onde a Liu Malagueta ia, ele ia atrás, às escondidas, procurando oportunidade da precisão dela, pra ele aparecer como o seu herói. Toda vez que surgia oportunidade, era alarme falso, ele voltava mais murcho com o revés, um fiasco. Cada vez mais ele se espremia de paixão, já estava por um cabelinho de sapo, quando ela passando levou um tropicão e ele conseguiu, pelo menos pegá-la. Resultado: atrapalhou-se, ela caiu por cima dele e ele por cima de Enginaldita, aí apanhou dos dois lados: tabefe lá e cá. Quem mandou se intrometer? É que a Liu bateu tanto nele, que a Enginaldita comiserou depois de dar-lhe uns trocentos murros na cara e nos costados. Na última do salto do sapato da Liu no quengo, ele caiu desmaiado; Enginaldita teve pena, arrastou-lhe pro quarto dela, cuidou, tratou, lavou e não deixou o cara morrer, assim, à míngua. Um dia e meio lá depois, ele abriu um olho, não sabia onde estava, e aos poucos foi tomando conta da situação, quando deu de cara com a moça cuidadosa: Você salvou a pátria! Ela sorriu e uma lágrima rolou nas suas faces. Ele apertou as vistas, fechou os olhos, fez força e enterneceu, enxugou a lágrima dela com o polegar, acarinhou suas faces, ficou admirando, ela com olhos rasos d’água, ele conferindo tudo nas faces dela, olhos nos olhos, paralisados, ele quis falar, mas o nó na garganta atrapalhou, ela também engolia seco, até que se abraçaram e não foram felizes para sempre, nunca seria, ainda hoje arengam que só, maior incompatibilidade de gênio, astrologias opostas, gostos divergentes, ele uma anta e ela de lua, tinha tudo pra dar errado e deu certo, uma roleta russa na roda da fortuna. Pois é, pelo menos, ela acerta nos palpites pra livrá-lo dos vexames. No final das contas, ele só faz o que ela quer: livrou-se do azarão e das más companhias. Um completa o outro meio que entre tapas e beijos, alisados e desaforos, ponto final. Ah, o amor é lindo. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do cantor, compositor e violonista Carlos Lyra: Pobre menina rica ao vivo, Eu sou o show & The Sound of Ipanema com Paul Winter; da pianista de jazz e compositora estadunidense Carla Bley: Live in France, Andando el tempo & The Banana Quintet; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. 

PENSAMENTO DO DIA – [...] Nosso viver é ação; tudo que fazemos é ação; não uma ação particular no mundo dos negócios ou no mundo científico ou no mundo da especulação chamada filosofia. [...] A palavra liberdade implica também amor; mas não a liberdade de fazer o que querem, quando querem ou onde querem. Estamos todos vivendo nesta terra, cada qual buscando a sua própria liberdade, buscando sua forma de auto-expressão, sua própria realização, sua senda para a iluminação [...] liberdade não é realizar as próprias ambições, a cobiça, a inveja, etc. [...] Liberdade implica amor e não significa irresponsabilidade [...]. Trecho extraído da obra Sobre a liberdade (Cultrix, 1991), do filósofo, escritor e educador indiano Jiddu Krishnamurti (1895-1986). Veja mais aqui.

CONSIDERAÇÕES SOBRE A VIDA - [...] Tentar compreender uma vida como uma série única e por si suficiente de acontecimentos sucessivos, sem outro vínculo que não a associação a um "sujeito" cuja constância certamente não é senão aquela de um nome próprio, é quase tão absurdo quanto tentar explicar a razão de um trajeto no metrô sem levar em conta a estrutura da rede, isto é, a matriz das relações objetivas entre as diferentes estações. [...]. Trecho extraído da obra A ilusão biográfica (FGV, 1998), do sociólogo francês Pierre Bourdieu (1930-2002). Veja mais aqui.

MADEIRA DE LEI – [...] Tempos atrás um cachalote cornudo encalhou na Praia de Traba, algumas pessoas adoecem quando são afastadas das rotinas da vida e da morte, o ruim é não saber perdoar, é necessário ajudar os possessos a vomitarem o demônio que trazem no corpo, com vestes militares levaram o corpo de São Campio para a paróquia de San Ourente de Entíns, em Outes, os dois santos se dão bem,… [...]. Trecho extraído da obra Madeira de lei (Bertrand Brasil, 2001), do escritor e jornalista espanhol vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, Camilo José Cela (1916-2002). Veja mais aqui.

TRES POEMAS - MARIA DAS QUIMERAS: Maria das Quimeras me chamou / alguém... pelos castelos que eu erguii, / pelas flores de oiro e azul que a sol teci / numa tela de sonho que estalou. / Maria das Quimeras me ficou; / com elas na minh’alma adormeci. / Mas, quando despertei, nem uma vi, / que da minh’alma, alguém, tudo levou! / Maria das Quimeras, que fim deste / às flores de oiro e azul que a sol bordaste, / aos sonhos tresloucados que fizeste? / Pelo mundo, na vida, o que é que esperas?... / Aonde estão os beijos que sonhaste, / Maria das Quimeras, sem quimeras? O NOSSO MUNDO: Eu bebo a Vida, a Vida, a longos tragos ; como um divino vinho de Falerno! / Pousando em tu o meu olhar eterno / como possuam as folhas sobre os lagos.../ Os meus sonhos agora são mais vagos.../ O teu olhar em mim, hoje, é mais terno... / e a vida já não é o rubro inferno ; todo fantasmas tristes e pressagos! / A Vida, meu Amor, quero vivê-la! / Na mesma taça, erguida em tuas mãos, / bocas miúdas, hemos de bebê-la! / Que importa o mundo e as ilusões defuntas? / Que importa o mundo e seus orgulhos vãos? /O mundo, Amor!... As nossas bocas juntas! AMBICIOSA: Para aqueles fantasmas que passaram, / vagabundos a quem jurei amar, / nunca os meus braços languidos traçaram / o voo dum gesto para os alcançar... / Se as minhas mãos em garra se cravaram / sobre um amor em sangue a palpitar... / - Quantas panteras bárbaras mataram / só pelo raso gosto de matar! / Minha alma é como a pedra funerária / erguida na montanha solitária / interrogando a vibração dos céus! / O amor de um homem? – Terra tão pisada, / gota de chuva ao vento baloiçada... / Um homem? – Quando eu sonho o amor de um Deus!... Poemas da poeta portuguesa Florbela Espanca (1894-1930). Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do fotógrafo alemão Bill Brandt (1904-1983).
Veja mais aqui.


Zé Ripe & Amigos: 40 anos de viola e cantador & muito mais na Agenda aqui.
&
Chamego é bom, mas depois..., o pensamento de Jiddu Krishnamurti & Edgar Morin, a fotografia de Nadav Kander & a xilogravura de Perron Ramos aqui.

segunda-feira, outubro 30, 2017

EZRA POUND, PAUL VALÉRY, CONCEIÇÃO EVARISTO, ROMERO DE FIGUEIREDO, ZÉ RIPE & AGRESTINA


(Imagem: Xilogravura de Erik Lima - O QUE É UM PEIDO PRA QUEM ESTÁ CAGADO? - O galo cantou meia noite, nem sinal do Sol na esquina. Vixe! Mesmo assim, bola pra frente que a fila está a perder de vista. Ou vai ou racha. E já rachou faz tempo com a porta na cara e frestas espremidas. Ou pula o portão e a janela, ou o muro do quintal: paga-se o pato de qualquer jeito, independe de intenção, já viu? Tudo só anda mesmo é na contramão. Vai ver: está mesmo é em cima do telhado, pedindo socorro no meio do deserto. Quem está no mato sem cachorro, tem de ir de qualquer jeito apelando pra sorte. Qual? Oxe! Calango que se preze não vacila em pé algum, vai se arrastando, quem sabe um aceno mole, saiba: o mundo sempre está do contra. E como está! Nem olho pros lados, margem alguma. Resta ouvir tagarelices de cachorros, rinchados de cabeças de fósforos, mugidos por conselhos e coices por admoestações. Aprendeu? Nada, sigo em frente, mesmo que só chegue atrasado com a greve do relógio e nem ligo se estiver tudo pifado, no final das contas, sempre fora de moda no meio da maior sinuca bico, xeque mate. Dou meus pulos, o blefe no jogo, melé que não tenho e o coringa que pinoteou e nem seu silva de dar bola: aparecer qiue é bom, só depois de um bocado de sobrada, toque de arrodeio e findo esgotado, o cu esfolado de relar a bunda no chão. Dou a volta por cima, tudo se ajeita de uma forma ou de outra. Não adianta fechar o olho pra pontaria, alvo algum. Muito menos pagar penitência com o jelho sobre a pedrinha incômoda ou ficar com a língua de fora com o cenário que virou tudo de cabeça pra baixo, com o solado do pé numa peínha de nada, pisando no próprio calo, magoando a pereba, ih, se vira, tudo dá-se um jeito, é só sair pulando num pé só pra ver como é que se equilibra no arame farpado. Eita! A coisa está braba, mesmo! Nem fechadura pra chave que resta e nem sei onde é que ela está. Já já o dia amanhece de verdade e não adianta ficar na porta pra ver no ímpar ou par qual a melhor solução! Qualquer ideia é perda de tempo, vai na onda que é melhor e salve-se se puder. Do contrário, vai naquela de atirar no que vê pra acertar o que nem estava ali. Tudo está na linha do avesso e se der as costas a punhalada come no centro, aí babau: o que passou não volta mais, se perde o bonde agora é tarde, ou ir pelas beiras, quam sabe, um dia, encontre mais que farelos nas borda dos pratos. Assim vai a vida, de bigu e correria, no mínimo, a gente ganha experiência e só. Vamos aprumar a conversa! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com a música do violonista e compositor Laurindo Almeida: Musico f Brazil masters & Cajita de musica; da pianista Maria Teresa Madeira: Recital Ary Barroso & Recital; do violonista e compositor Yamandu Costa: In Concert & Ao vivo; da pianista Cristina Ortiz: Alma brasileira & Ciclo brasileiro Heitor Villa-Lobos. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Eu acho que há um “fluido”, bem como um conteúdo de sólidos, que alguns poemas podem ter forma, alguns como a água derramada dentro de um vaso. Que formas mais simétricas têm certos usos. Que um grande número de assuntos não podem ser precisos, e, portanto, não adequadamente, representados em formas simétricas [...] A dança do intelecto entre as palavras, ou seja, emprega palavras não só pelo seu significado direto, mas é preciso contar de uma maneira especial com seus hábitos de uso, do contexto, do que habitualmente acompanha seus concomitantes, de suas aceitações conhecidas e de jogo irônico. Ela, a logopoeia, mantém o teor da estética que é o particular domínio da manifestação verbal, e não pode, possivelmente, ser contido na plástica ou na música. Ela é a última a chegar, e talvez, a mais complicada e pouco confiável. Pensamento do poeta, músico e crítico literário estadunidense Ezra Pound (1885-1972). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

BEBEDOURO DE AGRESTINATerminava o ano de 1845, época em que os sertões sentiam com todo o rigo, os efeitos da tremenda crise, motivada por uma seca devastadora. Sertanejos diariamente desciam às dezenas e centenas, em demadada ao sul, atraídos pela fartura da zona canavieira. Nesse tempo, a área onde se localiza atualmente a cidade de Agrestina, não só passava de uma uma fazenda em miniatura. Meia dúzia de trabalhadores, também sertanejos, atraídps pela água que jorrava espontaneamente de um certo local do terreno, resolver dar à nascente uma feição permanente, cavando um grande posso, para o abastecimento da população e dos animais, a que deram o nome de Bebedouro. Passaram-se os anos, Bebedouro deixa de ser somente o ponto de confluência de quem necessita de se abastecer, para tornar-se um aglomerado de pessoas, dispostas a transformá-lo num povoado, numa vila e, posteriormente, cidade. Como era de se esperar acontecer, a influência da região seguiu paralelamente à realização humana. Na história deste município ela toma corpo, gerando iniciativas,. Instaladas as primeiras famílias, estas deram inicio à exploração do terreno adjacente, advindo daí a descoberta de uma imagem de Santo Antônio, talhada em madeira, deixada por algum transeunte menos avisado. O fato é que, julgando tratar-se de um autêntico milagre, o senhor Miguel Joaquim de Luna Freire, coadjuvado por outros senhores não menos respeitados, trataram da reestruturação da capela em fevereiro de 1846, futura Matriz de Agrestina, vinda de 1818. O atual município de Agrestina, criado por Lei Estadual 1931, de 11 de setembro de 1928, tinha, como distrito integrante do território, o município de Altinho, a denominação de Bebedouro. Sua instalação ocorreu em 1 de janeiro de 1929. O distrito foi criado por Lei provincial 1829, de 28 de junho de 1884, e por Lei Municipal 35, de agosto de 1900. A sua elevação à categoria de vila ocorreu em 1 de julho de 1909. A denominação de Agrestina foi imposta pelo Decreto-Lei Estadual 952, de 31 de dezembro de 1943. Anualmente, no dia 11 de setembro, o município comemora sua emancipação política. Administrativamente é formado pelos distritos: sede, Barra do Chata e Barra do Jardim, e pelos povoados de Pé de Serra dos Mendes e Araçatuba. Extraído do livro Enciclopédia dos Municipios do interior de Pernambuco (FIAM/DI, 1986). Veja mais aqui.

VARIEDADES DE VALERY - [...] É preciso tomar cuidado com os primeiros contatos de um problema com nosso espírito. É preciso tomar cuidado com as primeiras palavras que pronunciam uma questão em nosso espírito. Uma questão nova está, primeiramente, no estado da infância em nós; ela balbucia: só encontra termos estranhos, totalmente carregados com valores e associações acidentais; é obrigada a tomá-los emprestados [...] É a minha própria vida que se espanta, é ela que deve me fornecer, se puder, minhas respostas, pois é somente nas reações de nossa vida que pode residir toda força e como que a necessidade de nossa vontade. [...] O poeta é, a meu ver, um homem que, a partir de um incidente, sofre uma transformação oculta. Ele se afasta de seu estado normal de disponibilidade geral e vejo construir-se nele um agente, um sistema vivo, construtor de versos. [...]. Trechos extraídos da obra Variedades (Iluminuras, 1999), do filósofo e poeta do Simbolismo francês, Paul Valéry (1871-1945). Veja mais aqui e aqui.

VOZES-MULHERES - A voz de minha bisavó ecoou / criança / nos porões do navio./ Ecoou lamentos / De uma infância perdida. / A voz de minha avó / ecoou obediência aos brancos-donos de tudo. / A voz de minha mãe / ecoou baixinho revolta / No fundo das cozinhas alheias / debaixo das trouxas / roupagens sujas dos brancos / pelo caminho empoeirado / rumo à favela. / A minha voz ainda / ecoa versos perplexos / com rimas de sangue / e fome. / A voz de minha filha / recorre todas as nossas vozes / recolhe em si / as vozes mudas caladas / engasgadas nas gargantas. / A voz de minha filha / recolhe em si / a fala e o ato. / O ontem - o hoje - o agora. / Na voz de minha filha / se fará ouvir a ressonância / o eco da vida-liberdade. Poema extraído dos Cadernos negros (Vol. 13, 1990), da escritora Conceição Evaristo. Veja mais aqui, aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do artista plástico Romero de Figueiredo na Exposição do Projeto Pintando na Praça, na Biblioteca Fenelon Barreto. Veja mais aquiaqui, aqui, aqui e aqui.

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RESISTÊNCIA DOS VERSOS DE ZÉ RIPE
Participando do lançamento do livro A resistência dos versos, do poeta, compositor e cantor Zé Ripe. Veja mais aqui.

DIDI-HUBERMAN, LINDA DEANE, ADALYN GRACE & MARINÊS

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Das loas & toadas no cavalo-marinho... - O afamado artesão Tirésia já nasceu assim: cego e vaticinado...