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segunda-feira, janeiro 20, 2020

KIPLING, ÁUREA SANTA CRUZ, OLGA SCHEPS, AYDEMIR SAIDOV, VITAL CORRÊA & ARTE PERNAMBUCANA


CARTA PARA CAROLINE - Carrie, guardiã do meu idílio, feroz protetora, a mulher é um brinquedo perigoso. Escrevo esta carta porque guardo em mim a vida de Bombaim com seus odores picantes, seus múltiplos ruídos, suas excessivas cores, seus contrastes apaixonantes no topo do termômetro: a vida em brasa pelas imundícies, superstições e a estupidez religiosa. Comecei como um rapaz comum, alma florescente. Já míope, salvava-me o bigode precoce de poeta-menino, escrevia uma ou outra ninharia, parvoíces da adolescência, só rabiscos, garatujas, garranchos que eram as miniaturas do universo e os pormenores de tudo que circundava a minha vida. Não sou nem nunca fui poeta porque sou livre. Aprendi no jornal, vendi a alma à arte negra e à universidade do mundo com truques taquigráficos. Para minha atitude corcunda não houve uma próxima vez, nem uma segunda chance, a rudeza, o tempo não era mais jardim da infância, eu apenas amante de livros. Por aí viajei muito, me soerguendo aos catabis do fracasso, quantos insultos cuspidos à face. Para quem não era à prova de fogo, derramei um copo de uísque nas páginas do Ladies’ Home Journal. Nunca recuei e desde o homem que seria rei, eu era Joseph e não quis mais sê-lo. Tornei-me companheiro, mesmo não sendo tratável com a fé de Nietzsche. Guardo em mim o nosso bangalô espaçoso com as achas de pinheiro de Vermont que dava pro polegar do gigante apontado pro céu, a nossa Naulahka diante do Monte Monadnock, tudo era você a mulher que me abrigava no meu abençoado rincão e em todo momento. Enquanto eu brincava com cenas curtas no meu teatrinho e me divertindo com a criação de tudo, me protegia na câmara do dragão, perdemos Josie para a febre tifóide e Jack para a guerra. Disso nunca me recuperei. Enfim, guardei para mim mesmo as mais profundas tristezas e fiz meu apelo àqueles que se jactam das conquistas e opressão, vindicação ao bruto que se vangloria como uma besta loura. Ando a pé, muito. Meus olhos são incursões pela mata e tudo ao redor, já sem os capitães corajosos e os livros da selva, nem intrusos indesejáveis pelo coquetel de gírias e sublimidade. Tudo uma cortina de fumaça que se desfaz aos mortos com seus olhos escancarados. Meu coração velho desolado, tal qual daqueles que perderam seus filhos pras guerras, sente apenas balas e granadas do fratricídio pela fé, ódio pela esperança antiga e morta, nenhuma valia de nada: as palavras sábias não dão conta do que oprime lá no íntimo. Eu sabia as duas maiores de todas as coisas, o amor e a guerra. Nunca quis lutar porque já afloram tumultos e gritos horríveis todos os dias. Todos partiram, só ficou o antigo sacrifício. Que eu jamais esqueça, oh não, o pior é lembrar. A lei é uma palavra enferma, não sobrou nada, apenas ruínas, mentiras e desavenças. Sou meu testamento nas mãos limpas e vazias, um gesto inútil na insondável solidão de um humilde e contrito coração, uma única vida para dar. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & mais aqui & aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Num dia, todas as coisas estão cansadas e até os cheiros que sobem no ar pesado parecem velhos e usados. Não dá para explicar, mas a gente sente que é assim. Então vem o dia seguinte, em que nada mudou para a visão, mas todos os cheiros são novos e deliciosos; e os bigodes do Povo da Selva estremecem até a ponta, e os pelos de inverno caem dos seus corpos como tranças emaranhadas. Às vezes, cai um pouquinho de chuva e todas as árvores, arbustos, bambus, musgos e plantas de folhas suculentas acordam e crescem tão depressa que é quase possível ouvi-las fazendo isso; e, sob esse ruído, há, dia e noite, um zumbido grave. Esse é o som da primavera — uma retumbância vibrante que não vem nem das abelhas, nem da água que cai, nem do vento nas copas das árvores; é o ronronar de um mundo cálido e feliz. [...]. Trecho de A corrida de primavera, extraído da obra Os livros da selva: Mowgli & outras histórias (Companhia das Letras, 2015), do escritor britânico Rudyard Kipling (1865-1936), que durante a infância foi submetido, junto com sur irmã Alice, aos maus tratos de um parente, para em seguida ser internado numa escola afetuosa. Os poemas, ensaios e contos que escreveu durante os “sete anos difíceis” passados na Índia, fizeram com que o autor imediatamente ganhasse uma boa reputação e, a partir de sua chegada a Londres em 1889, se tornasse uma celebridade literária no mundo todo. Em 1892, ele casou-se com a estadunidense Caroline Balestier (1862-1939),  em Vermont por quatro felizes anos, durante os quais nasceram suas filhas Josephine e Elsie, e escreveu os dois Livros da Selva (1894 e 1895). Numa viagem a Nova York em 1899, sua filha Josephine, então com seis anos, morreu de pneumonia, doença da qual Kipling mal escapou com vida. Seus livros continuaram a vender e a ser lidos em todo o mundo, e ele recebeu doutorados honoríficos de diversas universidades e o prêmio Nobel em 1907. Durante a Primeira Guerra Mundial, perdeu o filho na Batalha de Loos, em 1915, tornando-se um homem mais reservado. Caroline era a guardiã de seu legado literário, era considerada oportunista pelos pais de Kipling e detestada por seus colegas de arte e literatos, no entanto, sua perspicácia nos negócios e sua atitude ferozmente protetora em relação ao marido, permitiram que ele se concentrasse em seus escritos sem distrações, e o prolífico autor produziu a maior parte de seus livros. obras-primas durante o casamento de 44 anos. Apesar de seu próprio sofrimento intenso, ela também o sustentou em crises familiares, incluindo a morte de dois de seus filhos: Josie, 6 anos, de febre tifóide em 1899, e Jack, 18 anos, em combate durante a Primeira Guerra Mundial. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

DESTAQUE: SERÁ QUE AMÉLIA AINDA É “AQUILO”? - Amélia faz parte da memória social brasileira como exemplo maior de submissão da mulher. Tudo por conta do samba homônimo “Ai, que saudade da Amélia” lançado no carnaval de 1941 descrevendo-a como a mulher de verdade. A letra atingiu em cheio o imaginário coletivo a tal ponto que virou verbete no Aurélio como: “/mulher que aceita toda sorte de privações e/ou vexames sem reclamar, por amor a seu homem/”. Apesar dessa pecha, virou sucesso estrondoso por várias décadas. As ouvintes mulheres custaram a se contrapor ao conteúdo misógino da mensagem onde a personagem em questão chega a ser vítima de uma anorexia impositiva: “às vezes passava fome ao meu lado / e achava bonito não ter o que comer”. Pasmem, mas seus maiores predicados resumiam-se a nada querer, nem tampouco "tinha a menor vaidade". Assim mesmo, era uníssona entre homens e mulheres a opinião sobre a Amélia: “Aquilo sim é que era mulher”. Mas ela não era a única. Havia a Emília, também campeã nas paradas de sucesso surgida no mesmo ano e com o mesmo feitio de sujeição total e absoluta ao parceiro de cama e mesa. Só que acompanhava entre outras característica um adicional utilitário: “quero uma mulher / que saiba lavar e cozinhar [...] além de outra vantagem – a função de despertador: “que de manhã cedo me acorde na hora de trabalhar” [...]. Sem falar na seguinte prerrogativa: nas tarefas domésticas era imbatível: “ninguém sabe igual a ela / preparar o meu café / não desfazendo das outras / Emília é mulher” [...]. Na trilha dessas mulheres seguiram outras e outras até chegar ao século 21. Resta, portanto, saber quantas mulheres por ai continuam a levar hoje em dia uma vida de Amélia? Artigo extraído do blog A musa sem máscara: a imagem da mulher na música popular brasileira, da escritora, pesquisadora, produtora cultural, consultora e palestrante Maria Áurea Santa Cruz, que assim se apresenta: Eu não sei poetar / Mas sei dizer o que sinto / E, de forma maiúscula e  minúscula / Traduzo em palavras o meu modo de pensar. Veja mais aqui & aqui.

A MÚSICA DE OLGA SCHEPS
O ponto alto da minha vida profissional é sempre o próximo concerto, a preparação e a alegria da música. Eu acho que não é possível fazer essa profissão sem alegria.
OLGA SCHEPS - A arte da pianista russo-alemã Olga Scheps com extraordinários poderes de expressão, encantando o público em toda a Europa há vários anos e produziu cinco CDs nos últimos seis anos - quatro discos solo de recital e uma gravação luminosa e tocante dos dois concertos de Chopin. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
AYDEMIR SAIDOV - A arte do premiado pintor russo Aydemir Saidov que expõe em museus na Rússia e também em coleções particulares na Grã-Bretanha, EUA, Alemanha, China e vários outros países. Veja mais aqui & aqui.

A ARTE PERNAMBUCANA
A Poesia Absoluta de Vital Corrêa de Araújo aqui, aqui & aqui.
Aminta & outras da escritora Célia Labanca aqui & aqui.
Documentário Nordeste do médico, professor catedrático, pensador, ativista político e embaixador do Brasil na ONU, Josué de Castro (1908-1973) aqui e mais aqui.
A música de Zé Ripe aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
Em busca de Thargélia: poesia escrita por mulheres em Pernambuco no segundo Oitocentismo - 1870-1920(Fundarpe, 1996), organizado por Luzilá Gonçalves Ferreira aqui.
Memória e ficcionalidade em Deus no pasto de Hermilo Borba Filho (UFPE, 2009), apresentada por Virginia Gisele Carvalho aqui.
&
O município de Joaquim Nabuco aqui & aqui.


segunda-feira, outubro 19, 2009

WALTER BENJAMIN, ÁUREA SANTA CRUZ, MIGUEL JASSELI, LOURDES SARMENTO & MISSIVA DO ESCONJURADO



MISSIVA DO ESCONJURADO



Ôi, mãe!!! Espia eu aqui, visse? E não se abufele com a ausência desse seu filho desnaturado.

A senhora sabe: é uma correria danada na garupa da sobrevivência para não cair morto em qualquer lugar ermo, porque pra gente só sobra assando-e-comendo, mais nada. Só desastre mesmo. E isso desde pirrototinho quando aprontava das minhas peraltices cabeludas, quase comendo todo seu juízo.

Pois eu sei que a senhora virou santa desde minhas travessuras infantis, meus disparates adolescentes e minhas errâncias de adulto. Por isso mesmo que a senhroa dizia que eu era mesmo seus pecados. Nada não.

Agora, metendo as mãos pelas pernas como sempre, quase tenho uma piloura de tanto estresse se não quase estourasse as coronárias antes. Por isso vou driblando os revestrés e cantando Itinerância com a minha pontaria vesga de Cantador pela vida para saltar as vicissitudes adversas, desatando cada nó-cego, tudo numa reação em cadeia, chega penso que a gente é um alvo arrodiado de bronca por todos os lados. É cada chapuletada no toitiço findando no escanteio das possibilidades, com o trauma de viver infincado num verdadeiro buraco negro. Nem tei nem bei: boiando na Alfa do Centauro, avalie.

Realmente, mãe, o Brasil num tá pra gente, não. Nunca teve. Tive uma esperançazinha quando saí da Faculdade com a Carta Cidadã no peito. Já se passaram tantos anos e o que deu? Imagine o que será de mim... a cagada daqui vem de tempos remotos, desde a invasão dos perós. Pá! De lá pra cá, só contramão braba. E os remendos são piores cada dia que se passa.

A coisa só anda certa no reino da Carochinha ou nas previsões do Doro que são pinóias de lascar. No mais, é só banda voou.

Os projetos? Ah, já pelejei demais, mas nunca fiz nada que prestasse. Estou na lona, a vida é só arrependimentos. O que vale é a presepada. Por causa disso eu vou errando mais do que devo.

Mas, mãe, saiba: estou com saudades.

Não leve essa minha distância na conta da ingratidão. É a labuta que é braba mesmo.

A senhora sabe que mora no meu coração e que um dia, quem sabe, Deus dará e eu vou poder estreitar nosso convívio, né?

Receba desse troncho-das-costas-ocas liliputiano aquele beijão melado no coração e saiba que escapando aqui e ali eu vou gritando: mãêêêêêêê!!!!!!!!!!!!! Eu quero a minha mãe!!!!!!!

Fui!

DITOS & DESDITOS – Pela primeira vez, o espaço em que vive o homem privado se contrapõe ao local de trabalho. Organiza-se no interior da moradia. O escritório é o seu complemento. O homem privado, realista no escritório, quer que o interieur sustente as suas ilusões. Esta necessidade é tanto mais aguda quanto menos ele cogita estender os seus cálculos comerciais às suas reflexões sociais. Reprime ambas ao confirmar o seu pequeno mundo privado. Disso se originam as fantasmagorias do “interior”, da interioridade. Para o homem privado, o interior da residência representa o universo. Pensamento do filosofo alemão Walter Benjamin (1892-1940). Veja mais aqui.

UMA CARTA - Palmares, 30/04/31. Manuel, um amigo veio avisar-me que hoje, às 10 horas, no café do Milhaço, realizou-se uma sessão para a leitura de um artigo em que me reduziam a zero... disse-me mais o amigo que um dos presentes, ironicamente – obrigado, Cyrineu – disse: “Vocês querem escangalhar o Jasseli!” Eu não admiro a fecundidade do rotundo jornalista que, sem escolher melhor local, faz mesmo nos cafés em público, a sua (dele) diligência... Ora, Peixoto, esta gente anda diesorientada. Em, lugar de cuidar da vida, anda a dar importância a quem de covardade retaliopu com a vida sem mais considerações... Há, pois, ao meu ver, nisto tudo, um pouco de medo. Porque, se em nada mais sou; se, politicamente, nada valho aos que, então, tanto artigo tanto cavaco. Eu não respondo, salvo se me atacarem a honra que, então, não escolherei armas para defesa. Eu já disse e repito: nada quero de política! Trabalho pelos meus ideais, pelo desenvolvimento da minha terra. O melhor de meu esforço, quatro anos de labor dedoqieo a Palmares, minha amada terra. Eu digo o que penso e penso o que digo, dou vivas aos meus ideais, grito: viva o Brasil. Viva a prátria livre. Nunca, porém, dei vivas a coletoria. Dura veritas, sed veritas. Se eu for levado a escrever eu mostro que, quando quero, sei ser fornalista. Para a minha defesa, teinho documentos, como você sabe, importantes. Argumentos irrespondíveis, Deus louvado, não me faltam. E se preciso for, tiver de descer deste à ironia, nestes campos, então, arrazo os nossos protuberantes jornalistas. Ora bolas! Às vezes, a gente é forçado a tirar a mácara da modéstia e mostrar que, na humildade, também se esconde um espirito culto. A mediocridade sempre foi atrevida, audaciosa. Não é de agora que os que procuram viver bem com os seus pensamentos são conduzidos pela via da amargura. Neste caso, Peixoto, toco conforme a música. Serei Cristo ou mefistofeles. Estou com a revolução, mas acima de tudo, estou com o que penso. E desejo: 1) Volta ao regime constitucional para avaliarmos o país da crise financeira que atravessamos. 2) Extinção da negação “chefe político”. 3) Moralidade administrativa (neste ponto, Pernambuco vai otimamente e Palmares também); 4 Magistratura e polícia independentes. Com homens cultos e educados – não somente instruídos – afindo, sem distinção, dentro da lei. 5) Liberdade de pensar ressalvados os excessos. 6) Governo democrático, socialista e trabalhista. Não que as “massas” governem. As “massas”, sabemos todos, são inconstantes e incapazes. Forme-se uma “elite” de trabalhistas, de todas as classes, que dentro de um programinha moderno, faça o “governo”. 7) Fomento da agricultura, ao mesmo tempo que redução da importação de maquinismo. A maquina tem sido o fator exclusivo do desequilíbrio financeiro do mundo. 8) Redução, tanto quanto possível, dos latifúndios. 9) Extinção de toda e qualquer lei de arrocho. 10) Simplificação de impostos, como redução da maquina burocrática. 11) Desenvolvimento da instrução popular, gratuita e primaria, e da instrução profissional. 12) Organizações de partidos definidos: democráticos, liberais, comunistas, fascisyas, etc. Tudo isto, Peixoto, sem comunismo. Como tem a França, a Inglaterra. Amem. São Francisco de Campos, o ensino católico obrigatório. Contra isto eu protesto. Escreva quem quiser, onde me encontrarem, ai estarei com os meus pensamentos. Morro de forma, vou fora e cárcere, mas não traio a minha consciência. Quem pensa e age assim, tem dieitos, que lhe não podem ser negados. Creia-me, são poucos dias que permanecerei em Palmates ainda e sempre. Miguel Jasseli. Carta do professor, advogado de formação, teatrólogo, ator e animador cultural Miguel Jasseli (1902 - 1964), em papel timbrado Atheneu Pernambucano, sendo também fundador da Sociedade de Cultura de Palmares, em 1932.

AGORA CHEGOU A VEZ, VOU CANTAR – A mulher foi e ainda é, na imagética da música popular brasileira, o motivo inspirador fundamental. Cantou-se a feminilidade em todas as suas nuances, conceitos e de todas as maneiras: forma, cheiro, cor e sabor. Ela é descrita nos mínimos detalhes. Seu caráter, sua personalidade, seu jeito de ser, falar, calar, sorrir, chorar, pensar, andar e olhar. Sem contar o estigma da espera, que rima amor com dor. Feliz, amarga, dengosa, sublime, leviana, ela não passa de uma mulher. [...] Desmorona-se o conselho maquiavélico de que “a sorte é mulher e, para dominá-la, é preciso bater0lhe e contrariá-la”. Uma maioria cada vez mais representativa de mulheres faz seu destino e encontra o caminho de sua libertação. Olhando nos olhos dos homens, dizem não ao tempo passado e descobrem que podem ter identidade no futuro. [...] As Marias de agora trazem no corpo uma marca. “Possuem a estranha mania de ter fé na vida”. Com o passar dos dias, param de fazer tudo igual e vão se desfazendo as desigualdades entre mulheres e homens. Criaram uma nova esperança. A de amar e não ter a vergonha de ser feliz. Trechos extraídos da obra A musa sem máscara: a imagem da mulher na música popular brasileira (Rosa dos Ventos, 1992), da escritora, pesquisadora, produtora cultural, consultora e palestrante Maria Áurea Santa Cruz. Veja mais aqui.

OBSERVAÇÃO - O retrato move-se / na sala / observa a paisagem / sob a lua azul / consumindo as hortênsias / dos jardins / O retrato move-se / na moldura de prata / observa as serpentes / e os demônios / observa a filha / despertando o azul do poema / O retrato imóvel / observa o pouso das estrelas / adormece nas mãos azuis / do infinito. Poema da poeta e professora Lourdes Sarmento.




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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Leitora Tataritaritatá
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
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RAQUEL VARELA, OMAIMA AL-KHAMIS, OLIVE SENIOR & SANDRA RIBEIRO

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