segunda-feira, setembro 08, 2008

ARENDT, KIPLING, BETTY FRIEDAN, VALUNA, CORDEL DE JESUS, ÉDIPO DE SÓFOCLES & VIGÉE-LE BRUN

 
A arte da pintora francesa Élisabeth-Louise Vigée-Le Brun (1755-1842).

VALUNA: AS ABELHAS DE CUPIRA & O BEBEDOURO DE AGRESTINA - Eu era uma carpa de tempos remotos e me tornei cantador: cantar no ar sem emudecer a terra, toada imitando a maviosa ária do tangerino: aboio que quase não existe mais. Tirava a solfa deles, meu corpo sentia a dor da Terra, da cidade, do país, do cosmos. Sentia o composto que se decompunha como se sentindo a cumplicidade dos peixes e das pedras que rolam abandonadas. Outros eu via ressentidos pelas agruras, ao deus dará. A comida entre o lixo e a feiura, a dor e o fastio, graves e exaustos. Uma horrível tristeza, um retrato pálido, insurretos que conformavam a revolta num país de equivocados com seus insetos que picam inexoravelmente as ideias e o ânimo, e sempre foi e será assim para os que vivem banhados de urina e as fezes do diabo. Quanta culpa entre os impotentes e os fugidos apáticos, as redomas religiosas, milagres de nenhum triunfo. Circunspecção de mágoas e frustrações, infelizes que levantam a voz com sarcasmos como se só os outros fossem os fracassados, donos da razão, incongruentes, extravagantes atrevidos, miseráveis, cicatrizes patéticas findam maior aguaceiro. Ouvia quem dissesse de longe: Vá se meter com pidonas e depois vai ver o que acontece. Era quem olhava no espelho, alguém metido a vencedor apesar da penúria por todos os lados e lugar. Depois, batia no peito e ia pro mundo como se fosse o indestrutível, invencível, açodado de tão acochado, aos espirros, parecia mais sapo que adivinhava chuva. Aos cochichos ouvia-se não sei quem: Traste de gente! Ah, se acha, não passa de uma ameba. Há quem se ache nada de nenhum e siga como mais um qualquer, qual todos. A vida dali, deles como podiam e tinham afora virarem a cara aos que davam adeuses de mão fechada - abecados que abordoavam com umbigo de boi, sabiam e eu dizia: não façam guerra que não é nada boa -, às vezes por versos de pés quebrados, quando não aos acochos pulavam como se brincassem de roda, caçando ovos secos de acauã: um santo remédio pras picadas de cobra e de gente dos olhos seca-pimenteira. De cócoras, hoje contam história e a verdade é bem diversa. Amanhã, só uma será com seus vieses. Como eu estava abafanético, me satisfazia dela, ali ao meu lado, sem dar conta da pabulagem solta no terreiro. Eu lambia a sua pele de Pornea, me nutria dela, uma criança priápica; em recompensa, os lábios dela por toda minha pele, dos pés à cabeça. O verbo se fazia carne porque o sexo era a aliança, a vida encarnada na ternura do lingan e ioni. Ela completava a parte que me faltava, preenchia meu vazio e a minha coluna de luz das coisas infinitamente grandes ou pequenas. E eu a amei a noite inteira porque era ela como se fosse Pathé, com posse e dependência. Fez-se para mim tal qual Eros com seus pés de asas para que eu ficasse adulto maravilhado, antes da adolescência. E se fez Storqué, a ternura da dança que curava a mim e a Terra. Ao despertar, seus cafunés nos meus dengos. As cupiras zuniam para o mel ao redor da baraúna das Panelas. Eram as abelhas do cupinzeiro que me trouxeram algarobas, umbuzeiros, ipês e juazeiros do pau d’arco, onde a coroa-de-frade, os cactos e mandacarus reinavam sobre jamelões, jaqueiras, pau-brasil e mangueiras, fruta-pão dos brejos, a baraúna de Aleluia pelo Taboleiro até Gravatá. De lá do Peri-peri do Gato pro serrote da Nazaré no Pau Ferrado, davam no Entroncamento e o poeta no lajeiro de Imbiruçi, divisava Lage Dantas com Riachão de Fora, até Lagoa de Patos e a Ribeira do Rio na Barra dos Gatos. Os versos dele passavam Bebida, Morcego, Cangalha, Brejinho, da Bebida do Gado pro Boqueirão, as terras de Iraci e de Igarapeba, Periperi e do Soberana. Era 13 de maio, data festiva não sei do quê. Os daqui nem sabiam direito, quanto mais eu: coisas dos gravatudos e mandões. Do outro lado, o quipa das cactáceas, quipaquipá, era coisa linda de se ver. E de lá para o que era de Barra de Jangada, Pau Ferro, Queimadas, São Benedito e São Sebastião da Barra que nem existe mais. Quando vi a palmeira Maraial, que vai dar no Sertãozinho de Baixo ou no de Cima, logo sabia das duas jaqueiras no meio do caminho, onde se deu a colônia Isabel. Depois, a estação ferroviária que escoava o açúcar e ia dar no outeiro da capela da Conceição, onde a locomotiva descarrilhou no engenho Limão e o socorro do trem que vinha de Ribeirão-Cortês também caiu e em Bonito o maior quiproquó. Aí, pou! Era uma vez... saiu um e saíram todos com muita raiva, até chegar no pé da coisa, putos e prontos! Lept! Acocorado perto da loca, roliço de gordo, destamanho, judiava demais, de oito em oito dias. Cadê? Oxe! O que havia de princeso e de prinspa nas casas do vai e num volta dos fandangos, cirandas, maracatus, não davam conta, faina pesada. E cada qual buscava suas melhoras com as bênçãos de quem fica, rodamundo, as maldições ou historias de Caim. Um doido corria bicho e ninguém sabia do que ladravam os cães, se nem aos gatunos oficiais. Nada barrava a ganância e havia quem não saiba que fulano morreu depois dumas tantas e boas que ninguém sabe direito; beltrano com o pé na cova e a polícia no encalço, coisa de tirar bandeira, era ele afilhado dum maioral que lhe cobria as costas; e sicrano segue nem aí com outranos malabaristas de anzóis e de coisas escusas que sequer se adivinha de fato o que podia ser. Ele diz, ela diz, coisas e fatos, o tempo passou, passou e passou, lá vai, lá vai, lameiro e atolava, pei e pou. Hoje quase pegou, quase. Nem hoje nem nunca, de um canto a outro, mungangas e ordem de faz-de-conta, brochas e espinhos, e passavam pela perna de pinto e saíam pela perna de pato, sombra de cajueiro, brisa de pitangas, cajus, araçás. Nada mais. Sabia apenas que ela rainha cupira & eu seu zangão, paragens, altitudes, paisagens, longitude... um dia lá, outra noite... lembrava de quando eu saí do cardume e me insinuava pelo brejo estreitinho até à nascente e lá pensava porque eu era quem ia direto para onde desse, passageiro do tempo noitedia pelo que inexistia e não, outonos a mais e volta ao mundo, as raízes do chão e do céu, pés e cabelos, dos tempos da seca devastadora que jorrava o Bebedouro e os milagres da talha de Santo Antônio. Era 11 de setembro daquele tempo e a festa ia pela Barra do Chata e do Jardim, o Pé de Serra dos Mendes e Araçatuba. Foi lá, outras mil vezes retornei, não havia ninguém. Desolado, coloquei minha cabeça entre os joelhos e recebi a benção, inclinado sobre a terra, porque voltei a ser filho. Ela era Agrestina, o meu altar, sou seu súdito. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.


DITOS & DESDITOS - As palavras são a mais poderosa droga utilizada pela humanidade. Toda a gente está mais ou menos louca em algum aspecto. O fracasso e o sucesso são impostores. Ninguém fracassa tanto como imagina. Ninguém tem tanto sucesso como imagina. Preencha o minuto em que você acha impossível perdoar por 60 segundos de distanciamento. Os princípios são os princípios, nem que o sangue tenha de correr pelas ruas! Nunca é alto o preço a pagar pelo privilégio de pertencer a si mesmo. Nenhum homem tem o dever de ser rico ou grande ou sábio: mas todos têm o dever de serem honrados. Viaja mais rápido quem viaja sozinho. Pensamento do escritor britânico Rudyard Kipling (1865-1936). Veja maisaqui.

ALGUÉM FALOU: A única maneira de uma mulher, assim como um homem, encontrar-se, conhecer-se como pessoa, é através do trabalho criativo próprio. Não há outro caminho. O problema que não tem nome (que é simplesmente o fato de que as mulheres são impedidas de crescer até a plena capacidade humana) está afetando muito mais a saúde física e mental de nosso país do que qualquer doença conhecida. Os homens não são o inimigo, mas as vítimas. O verdadeiro inimigo é a denegrição das mulheres. Os homens tinham que ser super-homens: bilhetes de refeição estoicos e responsáveis. Domínio é um fardo. A maioria dos homens honestos admite isso. O envelhecimento não é "juventude perdida", mas um novo estágio de oportunidade e força. Pensamento da escritora e ativista feminista estadunidense Betty Friedan (1921-2006). Veja mais aqui.

BANALIDADE DO MAL – [...] Foi como se naqueles últimos minutos estivessem resumindo a lição que este longo curso de maldade humana nos ensinou — a lição da temível banalidade do mal, que desafia as palavras e os pensamentos. [...]. Trecho extraído da obra Eichmann em Jerusalém — Um relato sobre a banalidade do mal (Companhia da Letras, 1999), da filósofa alemã Hannah Arendt (1906-1975), contando a história do sequestro do nazista Adolf Eichmann que foi levado até Jerusalém para ser julgado, quando a autora investiga a capacidade do Estado de igualar o exercício da violência homicida ao mero cumprimento da atividade burocrática. Apontado como um monstruoso carrasco nazista, responsável pelo planejamento e operacionalização da chamada "solução final", a figura de Eichmann se apresenta, diante de Arendt como um funcionário pronto a obedecer a qualquer voz imperativa, incapaz de refletir sobre seus atos ou de fugir aos clichês burocráticos, quando ela Arendt se depara com a confluência entre a capacidade destrutiva e a burocratização da vida pública. Na obra a autora retoma a questão do mal radical kantiano, politizando-o, e analisa o mal quando este atinge grupos sociais ou o próprio Estado. Segundo a filósofa, o mal não é uma categoria ontológica, não é natureza, nem metafísica, é político e histórico: é produzido por homens e se manifesta apenas onde encontra espaço institucional para isso - em razão de uma escolha política, a trivialização da violência corresponde, então para a autora, ao vazio de pensamento, onde a banalidade do mal se instala. Veja mais aqui & aqui.

ÉDIPO REI - Quem não tem medo de um ato menos medo terá de uma palavra. Para um homem, não há mais nobre tarefa que ajudar os outros na medida de sua força e de seus recursos. Censuras minha furiosa obstinação, enquanto não perceber a que habita em ti, e é a mim que a seguir condenas! Esse dia te fará nascer e morrer ao mesmo tempo. Rejeitar um amigo legal é na verdade privar-se de uma parte da própria vida, isto é, daquilo que mais se preza. Um caráter como o teu faz sofrer sobretudo a si mesmo, e é justo que seja assim. Mas o deus já publicou sua sentença: para o assassino, para o ímpio que sou, é a morte. Guardemo-nos de chamar um homem feliz, antes que ele tenha transposto o termo de sua vida sem ter conhecido a tristeza. Trechos extraídos da peça teatral Édipo Rei, escrita por Sófocles no teatro antigo grego, extraída da publicação Teatro Grego (W.M.Jackson, 1950), organizada por J. B. Mello e Souza. Édipo Rei é a primeira obra de um conjunto que inclui também Antígona e Édipo em Colono, centrada na família de Édipo, descrevendo eventos com mais de 8000 anos. A história desta família é determinada por uma profecia que Édipo irá matar o seu pai e casar com a sua mãe; a ação desta primeira peça é a descoberta da realização dessa profecia. Veja mais aquiaqui & aqui.


A HISTÓRIA DE JESUS E O MESTRE DOS MESTRES

Manoel D´Almeida Filho

Quando Jesus Cristo andou
Neste mundo de miséria
Ele fez muitos milagres
Em transformar a matéria
Em sã, forte e sadia
Quando já estava funérea.

É por isso que eu conto
Esse drama verdadeiro
Que Jesus numa viagem
Encontrou um ferreiro
O qual hospedou Jesus
Por ser muito hospitaleiro.

Jesus viu na parede
Tinha visível um letreiro
Dizia por esta forma:
“Na arte sou o primeiro
Eu sou o mestre dos mestres
Nessa arte de ferreiro”

Jesus então perguntou-lhe
Se aquilo era verdade
O ferreiro disse: - Amigo
Tenho essa propriedade
Nesta arte que exerço
Faço o que tenho vontade.

Jesus nada disse a ele
Porque de tudo sabia
Dormiu muito sossegado
Quando foi no outro dia
Chegou uma pobre velha
E uma esmola lhe pedia.

Essa pobre peregrina
Vivia sempre esmolando
Quando pediu a esmola
Jesus lhe foi perguntando:
- Diga se quer ficar moça
Para viver trabalhando?

Disse a velha: - Quem me dera
Eu ser moça e de saúde!
Só meus Deus ou Jesus
Faziam-me essa virtude
Jesus lhe disse: - Pois agora
Encontraste quem te ajude.

Então pediu ao ferreiro
Com sua força divina:
- Quero a licença de vós
Para na vossa oficina
Fazer essa velha moça
Que esta peça é muito fina.

O ferreiro disse: - Faça
Seu serviço de apreço
Que eu quero apreciar
Como se faz no começo
Porque na arte de fole
Esta parte eu não conheço.

Jesus preparou a safra
E botou fogo no fole
Botou a velha na brasa
Urgente fez o controle
Quando puxou para safra
Todo osso ficou mole.

Jesus meteu-lhe o martelo
Fez o serviço à vontade
A velha soltando as casacas
E chegando à mocidade
Pronto ela apresentava
Uns doze anos de idade.

O ferreiro quando viu
O serviço que Jesus fez
Ficou dizendo consigo:
“Aprendi todo de vez
Se eu for fazer isto, faço
Inda com mais rapidez”.

Jesus então despediu-se
Sua viagem seguiu
O ferreiro orgulhou-se
Assim que Jesus saiu
Disse: - Agora faço cousa
Que o povo nunca viu.

Aí chamou a mãe dele
Que era uma velha insossa
Disse: - Velha ande ligeiro
Que eu vou fazê-la moça
Você vai ficar agora
Uma boneca de louça.

A velha inda era dura
Era muito sacudida
Com a voz de ficar moça
Tornou-se mais enxerida
Disse? – Assim eu faço cousa
Que até o diabo duvida.

Disse ela – Eu ficando moça
Diga que danou-se o jogo
Porque eu não mais
Inda havendo muito rogo
Eu quero é gozar a vida
E namorar de pegar fogo.

O ferreiro disse: - Velha
Deixe de conversa mole
Botou-a dentro do fogo
Disse: - Eu tocar o fole
Você agüenta a quentura
Fica quieta e não se bole.

A velha caiu na brasa
Danou-se para gritar
Disse o ferreiro: - Eu não sei
Como você quer gozar
Para poder ficar moça
Tem que gemer e chorar.

Aí foi numa garrafa
Botou e bebeu um porre
Disse: - Velha, cale a boca
Ninguém aqui lhe socorre
Agüente tudo calada
Quem não pode viver morre.

E tocou fogo na velha
A pobre velha calou-se
Ele botou-a na safra
Um pedaço incendiou-se
Ele disse: - Isso é o diabo
Minha mãe desmantelou-se.

Quando pegou o martelo
Disse: - Aqui ninguém contesta
Bateu logo na cabeça
Chegou afundar a testa
Disse: - E pelo que eu vejo
Essa porqueira não presta.

O ferreiro aperreou-se
Foi tomou outra bicada
Voltou a velha ao fogo
Que estava fogulada
Disse: - Hoje te faço moça
Nem que fiques alejada.

Tirou a velha do fogo
E botou água fria
Para ver se dava o ponto
Do jeito que ele queria
Mas sem a força divina
Nada o ferreiro fazia.

Tirou a velha da água
Viu que de nada valeu
Foi de novo na garrafa
E disse quando bebeu:
- Quero ver se aquele homem
Trabalha mais do que eu.

Bateu tanto e pelejou
Que ficou desenganado
A garrafa estava seca
Este muito encachaçado
Vendo que não dava jeito
Ficou chorando humilhado.

A pobre velha virou-se
Numa pedra de carvão
O ferreiro disse: - Agora
Só tem uma solução
Vou chamar aquele homem
Pra vê se ele dá jeito ou não.

Correndo encontrou Jesus
Em um lugar hospedado
Quando o ferreiro chegou
Disse chorando cansado:
- Se o senhor não me valer
Eu sei que estou desgraçado.

- Fui fazer minha mãe moça
O ponto desmantelou-se
Ou foi de mais ou de menos
Em carvão ela tornou-se
Se o senhor não der um jeito
Minha mãe foi quem danou-se

Jesus disse: - Meu amigo
O erro já vem de atrás
O senhor é bom artista
Conhece tudo o que faz
E sendo mestre dos mestres
O que é que eu faço mais.

O ferreiro ajoelhou-se
Pediu com a fronte vencida:
- Peço que vá dá um jeito
À minha mãe querida
Porque eu perdendo ela
Perco gosto da vida.

Sendo assim disse Jesus:
- Eu vá já com rapidez
Porem lhe digo a verdade
Aviso por minha vez
Não garanto fazer nada
Diante do que você fez.

O ferreiro chegou adiante
Jesus vinha mais atrás
Chegando, o ferreiro disse:
- Está aí veja o que faz
Jesus disse: - Está queimada
Agora não presta mais.

- Do jeito que ela está
Não dá mais uma mulher
Mas ainda tem um jeito
Se acaso você quiser
Dela eu faço uma macaca
Diga se assim você quer.

O ferreiro disse: - Amigo
Eu quero é que dê um jeito
Já conheço seu trabalho
Sei que o senhor faz direito
Faça lá de qualquer forma
Que ficarei satisfeito.

Jesus fez logo o serviço
Isso sem haver demora
A macaca estava pronta
Em menos de uma hora
Entregou-a ao ferreiro
Despediu-se e foi embora.

Para quem tem consciência
Exemplo maior não há
Sempre nos diz o rifão:
“Veja o orgulho em que dá
Quem quer ser mais do que é
Fica pior do que está”.

O ferreiro ainda disse:
- Agora estou convencido
Mestre dos mestres é aquele
Fez o serviço polido
Minha mãe só ficou feia
Com este rabo comprido.

- Minha mãe velha ficou
Magra igual uma faca
Fazendo muita careta
Fedendo que só tacaca
Mas eu dou graças a deus
Ter por mãe essa macaca.

Eu peço a todos amigos
Ajudem um brasileiro
Cada um compre um folheto
Que é pequeno dinheiro
Quem não comprar vai ficar
Igual á mãe do ferreiro.

MANUEL D´ALMEIDA FILHO – o poeta e cantador paraibano Manuel D´Almeida Filho (1914-1995),publicou diversos folhetos de cordel, entre eles A Menina que Nasceu Pintada com as Unhas de Ponta e as Sobrancelhas Raspadas (1936), Vicente, o Rei dos Ladrões (1957), Vida, Vingança e Morte de Corisco (1986 ), Os Amigos do Barulho e o Bandido Carne Frita (1991), A Afilhada da Virgem da Conceição (1995), A Princesa que não ria e as Proezas de João Tolo, este o último dos seus romances de cordel. Ainda são de sua autoria os folhetos A Sorte do Amor, Rufino, O Rei do Barulho, Padre Cícero, o Santo do Juazeiro, Os Quatro sábios do reino, A Vitória de Floriano e a Negra Feiticeira, Vicente, o Rei dos Ladrões, Jesus e o Mestre dos Mestres, Josafá e Marieta, O Monstro Misterioso, O Feitiço Por Cima de feiticeiro, O Lobisomem Encantado, A Noiva do Diabo, Os Três Conselhos da Sorte, entre outros tantos títulos. Segundo o cordelista e pesquisador da cultura popular brasileira, Marco Haurélio, as obras de Manuel S´Almeida Filho ocupam lugar privilegiado na poesia popular destacando na sua extensa bibliografia Os Cabras de Lampião, a obra-prima do autor e, indubitavelmente, a melhor biografia em versos sobre o famoso cangaceiro. Com 652 estrofes, enumera os feitos do Rei do Cangaço e prima pela objetividade e riqueza na descrição dos fatos.


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