quinta-feira, setembro 18, 2008

GABRIEL GARCÍA MARQUEZ, ANA OSÓRIO, KATHRIN LONGHURST, ANA CRISTINA POZZA, HUMOR & LITERÓTICA

 
A arte de Kathrin Longhurst

LITERÓTICA: FESTA NO CÉU (Imagem: A arte de Kathrin Longhurst)Enquanto rodopiava pelos devaneios solfejando a canção dos seus idílios, ela sonhava comigo: um quase príncipe encantado na sua predileção que chegasse gentil e sedento com o fervor apaixonado de um Dom Quixote buscando nela a Dulcinéia desejada. Enquanto ela encantadoramente azul passeava sobre as nuvens oníricas dos meus desejos, eu coaxava sonhando com uma rã-pintada nua e maravilhosa na fonte das águas amorantes. Ela dava conta de mim nos seus sonhos de princesa. Eu ansiava a sua vida nas minhas alucinações de anuro desolado da beira do rio. Quanto mais cantarolava, mais transluzia infinitamente iridescente na vida. E eu cada vez mais apegado à imagem anfíbia de sua expressão mágica. Certo dia a princesa veio se bronzear no campo. Foi quando correu o boato de que haveria uma festa no céu. Essa eu não poderia jamais perder. Porém, para meu desapontamento, fui excluído pelos promotores do evento por ter a boca grande. Uma desfeita. Mas, cá pra nós, uma provocação para minhas astúcias. E fui: aproveitei a ocasião e me acomodei cuidadosamente dentro da calcinha da princesa e ali fiquei escondido. Ah, um verdadeiro porto seguro, a maloca mais aconchegante e segura que já tinha saboreado desde a maternal fase da concepção. Era o reino da vida e da paixão. Parecia até que ela gostava da minha presença ali. E, por isso, fiquei todo ancho, maior que o meu próprio tamanho. Lá para as tantas, eu fui surpreendido. É que a princesa deu por minha existência. Assustou-se, permitindo que eu caísse em queda livre. Nessa hora pude cantar aos gritos de socorro: “Béu, béu, béu! Se desta eu não escapar, nunca mais festa no céu!”. Tei bei. Lasquei-me! Estava eu ali desfeito em zis pedaços pelo chão. Ao ouvir minha cantiga a princesa azul lembrou dos conselhos de uma cigana despachada que lhe adivinhara as palpitações ocultas na alma, recomendando que desenhasse a efígie do amor dos seus sonhos para sacudi-lo na boca do primeiro sapo que encontrasse e que, ao encontrá-lo, deveria depositá-lo embaixo da sua cama, cuidando para que fosse a sua existência regada à base de ouro, dinheiro e metais. Com isso e só com isso seus desejos se realizariam. Foi aí que ela se encheu de ternura e compaixão, caindo de cócoras cantarolando a juntar pacientemente os meus pedaços. Ao juntá-los passou a cerzir cuidadosamente até me deixar inteiramente coaxando enamorado e todo remendado na beira dos seus sonhos. Ah, a emenda foi melhor que o soneto. É que ela passou a me embalar com canções de sua predileção a me tratar com carinhos até me deitar confortavelmente numa aveludada tipóia embaixo da cama e no escuro do seu quarto. Eu, aos pinotes, queria voltar pro meu habitat, enquanto ela me cercava por todas as direções, cuidando para eu não fugir. Numa dessas tentativas de fuga, fui agarrado e no pedestal de uma de suas mãos espalmadas, ela me fitou os olhos: leu-me a alma e o amor. Não sei, acho que se apaixonou por mim. E beijou-me. Crás! Desencantei. Não era o príncipe que ela esperava, mas nem deu tempo para que nomes ou feições valessem nessa hora. Passamos a nos confundir aos beijos um no outro. E rodopiamos juntos o idílio dos nossos sonhos. E desnudados cavalgamos os dias e as noites, lambendo um ao outro para nos purificar de amor e nos entregarmos no meio da chuva que explodiu dos nossos mais selvagens desejos no reino da paixão. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.


A arte de Kathrin Longhurst

DITOS E DESDITOS - Devo ser um leitor muito ingênuo, porque nunca pensei que os escritores quisessem dizer mais do que dizem. Quando Franz Kafka conta que Gregório Samsa apareceu certa manhã convertido em um gigantesco inseto, não me parece que isto seja uma simbologia, e a única coisa que sempre me intrigou é a que espécie animal pertencia ele. Creio que houve realmente um tempo em que os tapetes voavam e que havia gênios prisioneiros dentro de lâmpadas. Creio – como diz a Bíblia – que o burro de Ballan falou, e a única coisa a se lamentar é não terem gravado sua voz, e creio que Josué derrubou as muralhas de Jericó com o poder de suas trombetas, e a única coisa lamentável é que ninguém tenha transcrito a música com poder de demolir. Creio, enfim, que Vidriera – de Cervantes – era na realidade de vidro, como dizia ele em sua loucura. E creio realmente na jubilosa verdade de que Gargântua urinava torrencialmente sobre as catedrais de Paris. Pensamento do escritor, jornalista e ativista político colombiano Prêmio Nobel de Literatura de 1982, Gabriel García Marquez (1927-2014). Veja mais aqui e aqui.

A MULHER PORTUGUESA & BRASILEIRA – [...] É principalmente a vós, senhoras brasileiras e portuguesas, que me dirijo, porque é das mulheres da nossa raça que desejo falar-vos neste momento único da História em que dois povos saídos do mesmo berço longínquo da raça se encontram fraternizando numa alvorada de esperança para um grande futuro social e civilizador [...] ; mas nas mulheres de Portugal e do Brasil ele é tão exaltado, que é difícil, encontrar outros povos que se comparem, como vamos provar com a nossa própria História [...] Desejaria poder aqui enumerar todas as que em Portugal têm erguido bem alto a honra do nosso nome, como escritoras, artistas, eruditas e propagandistas, como educadoras, como agricultoras, como comerciantes, como operárias... Não me é possível fazê-lo, tão grande seria a lista de nomes a lembrar [...] Unidas pelos mesmos sentimentos, pela mesma origem, pela língua e pelo mesmo ideal de grandeza e imposição da raça, é necessário que para o futuro a aliança das mulheres portuguesas e brasileiras seja profunda e indestrutível para o triunfo do nosso sangue como para a grandeza das nossas Pátrias irmanadas [...] À mulher portuguesa coube o papel de defensora e guarda das qualidades da raça. É ela que cultiva a terra na ausência do homem, é ela que mantém com energia a dignidade da família, é ela que conserva as indústrias regionais, que lida e que trabalha e que administra com inteligência os bens do casal, que tantas vezes o marido abandona em demanda doutros países, que a sua ambição mal enxerga e a sua ânsia de se expandir o faz procurar afanosamente. À mulher brasileira cabe o papel de fixadora e continuadora dessas qualidades, estando-lhes reservado o papel de companheira dos homens que hão-de fazer a penetração intensa do solo para que o Brasil seja a verdadeira terra prometida da humanidade de amanhã [...]. Trechos extraídos da obra A grande aliança (Lusitania, 1924), da escritora, jornalista, pedagoga, feminista e ativista portuguesa Ana de Castro Osório (1872-1935). Veja mais aqui.

GOSTO DE TIRAR A ROUPA - Gosto de tirar a roupa / E sentir o teu caralho duro / Enchendo de prazer a minha boca / Deixando-me louca de tesão / Enquanto vou sendo beijada com sofreguidão... / Gosto de tirar a roupa / Virar-me de costas / E oferecer-me por inteiro / Pedindo sorrateira / A tua entrada no meu traseiro. / Gosto de tirar a roupa / E me sentir lambuzada / Inteiramente desejada / Pronta para comer / E ser comida... / Gosto de tirar a roupa / Abrir as minhas pernas / E ficar te sacaneando / Oferecendo a minha vagina quente / Cheia de vontade de ficar molhada / Gosto de tirar a roupa / E me sentir uma puta / Pronta para ser abusada / Penetrada, amada / Tonta de tesão e dor. / Gosto de tirar a roupa / E sentir as tuas mãos me envolvendo / O teu dedo no meu cuzinho / A tua língua na minha pombinha / E a minha boca no teu pau. / Gosto de tirar a roupa / E de gritar como uma maluca / Com o prazer doidivanas / Que tu provocas no meu corpo / Quando entra em mim ereto. / Gosto de tirar a roupa / E ser obscena / Ser a tua pequena / Ser a tua tarada / Sempre pronta para tirar a roupa... Poema da poeta e psicóloga Ana Cristina Pozza. Veja mais aqui e aqui.

 A arte de Kathrin Longhurst


AS MULHERES, SEMPRE ELAS.


COISA BOA: BÃO DEMAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAIIS!!!!!

Eis que a escritora, poeta, médica, mulher de teatro e linda paraibana, Clotilde Tavares, repassa essa preciosidade pra gente de autoria desconhecida. Diga se não é digna de um poeta da porra! Vejam a  

HISTÓRIA DA XOXOTA:

Sete bons homens de fino saber
Criaram a xoxota, como pode se ver:
Chegando na frente, veio um açougueiro
Com faca afiada deu talho certeiro
Um bom marceneiro, com dedicação
Fez furo no centro com malho e formão
Em terceiro o alfaiate, capaz e moderno
Forrou com veludo o seu lado interno
Um bom caçador, chegando na hora
Forrou com raposa a parte de fora
Em quinto chegou sagaz pescador
Esfregando um peixe, lhe deu o odor
Em sexto, o bom padre da igreja daqui
Benzeu-a dizendo: "É só pra xixi!"
Por fim o marujo, zarolho e perneta
Chupou-a, fodeu-a e a chamou de boceta.

EU BEBO SIM, ESTOU VIVENDO!

Eita, gota! Pois é, por isso que eu bebo e quando fico decilitrado ando a pé ou de táxi. Tenho minhas precauções, né? Sou lá besta, meu!

VIVA A DIVERSIDADE!!!!!

É isso aí, vamos aprumar a conversa & tataritaritatá!!!!



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A vida, um sorriso, Fernando Pessoa, Charles Chaplin, João Ubaldo Ribeiro, William Shakespeare, Connie Chadwell, Marilyn Monroe, Michael Ritchie, Barbara Feldon, Jeremy Holton & Visão holística da educação aqui.

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E se nada acontecesse, nada valeria, Cecília Meireles, Albert Camus, Pierre-Auguste Renoir, Richard Wagner, Sophia de Mello Breyner, Gwyneth Jones, Hal Hartley, Aubrey Christina Plaza, Paul Laurenzi & Princípios de Neurociências de Kandel aqui.
Cordel A chegada de Getulio Vargas no céu e o seu julgamento, de Rodolfo Coelho Cavalcante aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Leitora parabenizando o Tataritaritatá!
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
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