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sábado, abril 08, 2017

GABRIEL GARCIA MARQUEZ, JORGE ANTUNES, PASINI, MUYBRIDGE, VYA VYA & DANIELA BOTTI

ETERNA GRATIDÃO – Vitória não é pra todo dia, derrotas acumuladas, quedas muitas, imprevisíveis e constantes. Um dia, no começo, tudo é distante, nem se prevê direito no que vai dar, nunca se sabe. Persistir, resistir, perseverar, até sem saber a razão ou motivo fútil. Só o de fazer alguma coisa. E depois de noites em claro, dias com a paciência e a lucidez por um fio, tudo beirando o enlouquecimento prévio, enfim, quando menos se espera, o que tão longe se encontrava, perto demais está pra ser real. Eu que o diga e reitero. Há um ano e meio atrás era quase nada, processo lento de evolução: é preciso respeitar as leis da natureza, ir de degrau em degrau até chegar ao topo – se é que há ápice ou fundura pro que quer que seja. Alguns atalhos serviram para mais atraso. Alguma vez com pressa de ir adiante, mais voltei pra infatigavelmente tudo recomeçar. E refiz, recomecei tantas e muitas vezes. Havia horas que a caminhada mais parecia retrocesso. Algumas poucas vezes, inesperadamente surpreso quando dava fé, além de onde estava. Ora risos, ora choros. Evidente que planejei e tornei a planejar centenas senão milhares de vezes, não sei, e retornei pra prancheta tantas foram de rabiscar, redesenhar, redimensionar, re-ratificar quanto possível, sempre com o impossível à espreita mangando de mim. Revia tudo como se fosse pela primeira vez e retomava se necessário, quando não ia de qualquer jeito e foi. Entre idas e vindas, restaram os que ficaram dos que se foram. Se muitos ou poucos, não importa, vale sempre o simples aceno ou cumprimento, essa a primeira vitória. Porque pra mim não é só subir ao pódio, pronto, erguer o troféu, salvas e vivas, festa e fim de papo. Nada disso. Pra mim, o que vale mesmo é cada abraço por mais virtual que seja, cada mínimo comentário, cada simples curtida, já é suficiente para que eu tenha, todo dia, o mesmo vigor de começar como se nada antes existisse. Sou teimoso e aprendi a lição: vencer é pra quem sabe perder e aprender com os erros o melhor jeito, a melhor forma, maneira ou modo de acertar. Se acertei mesmo, eu não sei, quem sabe, amanhã é outro dia e novas metas, outros objetivos. Não é sozinho que tudo é construído, muitas colaborações voluntárias e anônimas, gestos de carinho, atos de apoio e de incentivo, tudo ameniza a dor da caminhada árdua e íngreme. Não foi sozinho que cheguei aqui, muitos, até inconscientemente, aqui estiveram comigo pra força no braço, persistência, determinação. Sou premiado e, apesar de estar só, não vou sozinho, muitos senão todos comigo na estrada. E se me vejo agora vencedor, não é por nada, é porque tenho no peito a gratidão de que se cheguei aqui por causa de cada um de vocês, principalmente você que aqui esteve e está testemunhando meus desatinos e insensatez. Por isso, a mim nada mais resta que agradecer um por um: obrigado, obrigado, obrigado. E vamos aprumar a conversa! © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui.

 Curtindo os álbuns da arte musical do compositor Jorge Antunes.

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Biblioteca, Charles Baudelaire, Heloneida Studart, Gino Severini, Lenine, Amácio Mazzaropi &Eadweard Muybridge aqui.

E mais:
Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres de Clarice Lispector aqui.
Lendas do Nordeste, Buda, Edmund Husserl, Basílio da Gama, Freud & Bertha Pappenheim: o caso Anna O, Edmond Rostand, Sergei Egornov, Steve Howe & Anne Brochet aqui.
Uma lembrança perdida no horizonte, Mary Qian, Inês Dourado & Mulher da Sombrinha aqui.
Aquele torneio de chimbra & José de Almada Negreiros aqui.
Literatura de Cordel: O romance de Sólon e Belita, de Raimundo Nonato aqui.
A poesia de cordel de Chico Pedrosa, Bob Motta & Jorge Filó aqui.
Aristóteles, Zimbo Trio, Giordano Bruno, Gino Severini, Michelangelo Antonioni, Ana Lago de Luz & Ana Paula Pujol, Teatro, Dengue & Imparcialidade do juiz aqui.
Tolinho & Bestinha: Quando o mundo fica pequeno pros andejos de cabeça inchada aqui.
Crônica de um sequestro anunciado, Marcio Souza, Antonio Vivaldi, Piotr Ouspensky, Ronald Searle, Adryan Lyne, Ademilde Fonseca, Inezita Barroso, Kim Basinger, A mulher que reina & O Lobisomem Zonzo aqui.
História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.
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A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
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A arte da tailandesa Vya Vya

DESTAQUE:CEM ANOS DE SOLIDÃO
[...] Desde a tarde do primeiro amor, Aureliano e Amaranta Úrsula tinham continuado a aproveitar os escassos descuidos do esposo , a se amar com ardores amordaçados em encontros ocasionais, e quase sempre interrompidos por regressos imprevistos. Mas quando se viram sozinhos na casa sucumbiram no lírio dos amores atrasados. Era uma paixão insensata, alucinada, que fazia tremerem de pavor na cova os ossos de Fernanda e os mantinha num estado de excitação perpétua. Os gemidos de Amaranta Úrsula, as suas canções agônicas, estavam do mesmo jeito às duas da tarde na mesa da sala de estar e às duas da madrugada na despensa. “O que mais me aborrece”, ria, “é o tempo enorme que perdemos.” No aturdimento da paixão, viu as formigas devastando o jardim, saciando a sua fome pré-histórica nas madeiras da casa, e viu a torrente de lava viva se apoderando outra vez da varanda, só se preocupou em combatê-la quando a encontrou no quarto. Aureliano abandonou os pergaminhos, não tornou a sair de casa, e respondia de qualquer maneira às cartas sábio catalão. Perderam o sentido da realidade, a noção tempo, o ritmo dos hábitos cotidianos. Tornaram a fechar portas e janelas para não demorarem nos trâmites de desnudamento, e andavam pela casa como Remedios, a bela, sempre quis estar, e se espojavam em pêlo nos barreiros do quintal, e uma tarde por pouco não se afogaram quando se amavam na caixa-d’água. Em pouco tempo fizeram mais que as formigas ruivas: quebraram os móveis da sala, rasgaram com as suas loucuras a rede que resistira aos tristes amores de acampamento do Coronel Aureliano Buendía e abriram os colchões e os esvaziaram no chão, para se sufocar em tempestades de algodão. Embora Aureliano fosse um amante tão feroz como o seu rival, era Amaranta Úrsula quem comandava com o seu engenho disparatado e a sua voracidade lírica aquele paraíso de desastres, como se tivesse concentrado no amor a indomável energia que atataravó consagrara à fabricação de animaizinhos de caramelo. Além disso, enquanto ela cantava de alegria e morria de rir das suas próprias invenções, Aureliano ia se tornando mais absorto e calado, porque a sua paixão era ensimesmada e calcinante. Entretanto, ambos chegaram a tais extremos de virtuosismo que quando se esgotavam na exaltação tiravam melhor partido do cansaço. Entregaram-se à idolatria dos corpos, ao descobrir que os tédios do amor tinham possibilidades inexploradas, muito mais ricas que as do desejo. Enquanto ele amaciava com claras de ovo os seios eréteis de Amaranta Úrsula, ou suavizava com gordura de coco as suas coxas elásticas e o seu ventre de pêssego, ela brincava de boneca com a portentosa criatura de Aureliano e pintava-lhe olhos de palhaço com batom e bigodes de turco com lápis de sobrancelhas e armava-lhe laços de organza e chapeuzinhos de papel prateado. Uma noite se lambuzaram dos pés à cabeça com pêssegos em calda, lamberam-se como cães e se amaram como loucos no chão da varanda, e foram acordados por uma torrente de formigas carnívoras que se dispunham a devorá-los vivos. [...]
Trecho da obra Cem anos de solidão (Record, 1985), do escritor, jornalista e ativista político colombiano Prêmio Nobel de Literatura de 1982, Gabriel García Marquez
(1927-2014). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aquiaqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do fotógrafo britânico Eadweard Muybridge (1830-1904).
Veja mais aquiaqui e aqui.

DEDICATÓRIA:
A edição de hoje é dedicada à professora doutora Daniela Botti.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: arte do arquiteto e artista plástico Fernando Pasini.
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja os vídeos aqui & mais aqui e aqui.
 

sexta-feira, março 06, 2015

JODY WILLIAMS, ELIZABETH BARRETT BROWNING, LOUISE FITZHUGH & FOOLYK DE DESFONTAINES

 


FOOLYK... – Vivo misturando sonhos e realidade o tempo todo. Vixi! Coisa de louco, mesmo. Certa feita me vi perseguindo a sorte do tolo: pelas Ilhas Vizinhas da Terra do Fogo. Como fui parar ali, confesso: não sei. E me vi numa delas: a do povo que se dizia descendentes do antigo poeta Herosom, aquele que era o filho do Sol e da Lua. Era a Ilha dos Poetas, Foollyk. Diziam ser ali o paraíso e, evidentemente, logo constatei: havia tempo para que pudesse ler livros, a cidade toda era uma biblioteca. Sentia-me em casa. Não haveria lugar melhor para sobreviver. Mergulhei nas leituras e logo soube que a localidade fora descoberta pelo capitão do mar Fernão de Magalhães e que fora mapeada por um certo abade Desfontaines, em 1730. Logo percebi que os habitantes, apesar de leitores eram muito pobres, como também muito risíveis. Contavam mais histórias que as tantas das mil e umas noites. Conheci até uma autêntica Scheherazade e dela me enamorei. Não lembro qual o verdadeiro nome dela, só a tratava pelo apelido que lhe dei como contadora árabe. Até que um dia me contou do tal mapeador que era um jornalista e historiador francês e que vivia às voltas com desavenças com o filósofo Voltaire. Mesmo? Antes eram muito amigos e um havia ajudado ao outro quando, acusado de sodomita, o abade foi preso e, depois, o mesmo ajudou o filósofo a retornar à Paris após seu exílio. Porém, as escaramuças entre ambos começaram em razão do abade ser professor de retórica que se dedicava às letras no combate ao pedantismo, criticando acidamente as obras dramáticas do filósofo. Por sua vez, Voltaire não se fez de rogado e retrucou com uma peculiar sátira de 1738, intitulada O contraveneno, ou crítica sobre Observações da escrita moderna. A resposta do abade veio de pronto e no mesmo ano, num curtíssimo escrito satírico, cujo título era La Voltairomanie, no qual compilou todas as escandalosas anedotas difamatórias contra o seu agora algoz. O filósofo impetrou uma ação por difamação, que só desistiu depois que o professor repudiou a obra no Amsterdam Gazette, em 1739. Mesmo assim, o ataque mútuo perdurou por vários anos, perpetuando-se em epigramas voltaireanos, como em outros tantos escritos pelo aliado do filósofo, Alexis Piron, que levava todas as manhãs – pelo período de 52 dias - epigramas de desacato ao abade. Ali ouvindo-a, para mim, o lugar parecia uma invenção. Era mesmo: foi inventado de fato pelo abade Pierre François Guyot-Desfontaines (1685-1745), em 1730, quando este publicou um romance chamado Le Nouveau Gulliver. Hoje nem sei se foi sonho ou viagem de verdade. Só lembro da Scheherazade argentina, muito linda, por sinal. Veja mais aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Se você realmente quer fazer uma mudança, levante-se e faça. Preocupar-se com um problema não é uma estratégia para mudança. Militaristas dizem que para ganhar paz devemos nos preparar para a guerra. Acho que obtemos aquilo para o qual nos preparamos. Se queremos um mundo onde a paz seja valorizada, devemos nos ensinar a acreditar que a paz não é uma "visão utópica", mas uma responsabilidade real que deve ser trabalhada a cada dia, de pequenas e grandes maneiras. Qualquer um de nós pode contribuir para construir um mundo onde a paz e a justiça prevaleçam. O que considero paz é uma paz sustentável na qual a maioria das pessoas neste planeta tem acesso a recursos suficientes para viver vidas dignas. Pensamento da professora e ativista estadunidense Jody Williams, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 1997. Veja mais aqui e aqui.

 

ALGUÉM FALOU: Acho que é isso que está errado com o mundo. Ninguém diz o que sente, eles sempre guardam isso para si. Eles estão tristes, mas não choram. Eles estão felizes, mas não dançam ou cantam. Eles estão com raiva, mas não gritam. Porque se o fizerem, eles se sentem envergonhados. E esse é o pior sentimento do mundo. Então todos andam de cabeça baixa e ninguém vê o quão bonito o céu é... Sabe de uma coisa? Você é um indivíduo, e isso deixa as pessoas nervosas. E vai continuar deixando as pessoas nervosas pelo resto da sua vida... A vida é uma luta e um bom espião entra nela e luta... Pensamento da escritora e ilustradora estadunidense Louise Fitzhugh (1928-1974). Veja mais aqui e aqui.

 

CEM ANOS DE SOLIDÃO –Leitura obrigatória para quem milita na área de literatura, são as obras do escritor, jornalista e ativista político colombiano Prêmio Nobel de Literatura de 1982, Gabriel García Marquez. Entre elas destaco o extraordinário romance Cem anos de solidão (Record, 1985), que conta a história da formação e desenvolvimento familiar dos Arcadios Buendía, por meio de um estilo caracterizado como realismo fantástico. Do livro destaco os fragmentos: [...] O mundo era tão recente que muitas coisas careciam de nome a para mencioná-las se precisava apontar com o dedo [...] a morte o seguia por todas as partes, farejando-lhe as calças, mas sem se decidir a dar o bote final. Era um fugitivo de quantas pragas e catástrofes haviam flagelado o gênero humano [...] Logo que José Arcadio Buendía fechou a porta do quarto, o estampido de um tiro retumbou na casa. Um fio de sangue passou por debaixo da porta, atravessou a sala, saiu para rua, seguiu reto pelas calçadas irregulares, desceu degraus e subiu pequenos muros, passou de largo pela Rua dos Turcos, dobrou uma esquina à direta e outra à esquerda, virou em ângulo reto diante da casa dos Buendía, passou por debaixo da porta fechada, atravessou a sala de visitas colado às paredes para não manchar os tapetes, continuou pela outra sala, evitou em curva aberta a mesa da copa, avançou pela varanda das begônias e passou sem ser visto por debaixo da cadeira de Amaranta, que dava uma aula de Aritmética a Aureliano José, e se meteu pela despensa e apareceu na cozinha onde Úrsula se dispunha a partir trinta e seis ovos para o pão.  Veja mais aqui, aquiaqui e aqui.

Imagem A noite, do pintor, escultor, poeta e arquiteto italiano Michelangelo di Lodovico Buonarroti Simoni – mais conhecido apenas por Michelangelo (1475-1564)

Ouvindo Flora´s Song (Narada, 2005), da cantora brasileira Flora Purim. Veja mais aqui

VYGOTSKY, O TEATRO E A CRIANÇA – Resultado da experiência de mais de seis anos de atividades envolvendo Literatura, Música e Teatro infantis em escolas da rede pública e privada de Maceió, Alagoas, desenvolveu-se o trabalho acadêmico sob a denominação Contribuição do Teatro no Desenvolvimento da Linguagem Infantil: uma abordagem acerca da teoria de Vygotsky, sob orientação da professora e psicóloga Fátima Pereira, que foi apresentado no IV Congresso Brasileiro de Psicologia: Ciência e Profissão, em 2014, na cidade São Paulo. O estudo faz uma abordagem acerca da contribuição do cientista e psicólogo russo Lev Semenovitvh Vygotsky (1896-1934) por meio da atividade artística, notadamente a atividade teatral articulada com música e literatura, para o desenvolvimento da linguagem da criança. Veja detalhes aqui, aquiaqui , aqui e  aqui.

CYRANO DE BERGERAC – A vida do escritor e duelista francês Hector Savinien de Cyrano de Bergerac (1619-1655) foi fonte inspiradora para o teatro do poeta e dramaturgo francês Edmond Rostand (1868-1918), ganhando, posteriormente, duas versões para o cinema: a primeira em 1950, pelo diretor Michael Gordeon; e a segunda, em 1990, com direção de Jean-Paul Rappeneau e com a participação premiada de melhor ator no 43º Festival de Cannes para Gérard Depardieu com a talentosa e linda atriz Anne Brochet. Desse texto destaco a cena VI do 5º Ato, num diálogo entre Roxana e Cyrano: Vós? Ao contrário: do feminino amor mendigo solitário, sem carinho de mãe, sem lágrima de irmã, temi também mais tarde o olhar da barregã. Graças! Mercê de vós, que amei despercebido, passou na minha vida a fimbria dum vestido. Veja mais aquiaqui.

COMO TE AMO? – A poeta inglesa da época vitoriana Elizabeth Barrett Browning (1806-1861) é autora dos Sonetos da Portuguesa, nos quais viveu intensa e poeticamente sua vida amorosa com o também poeta Robert Browning. Da sua obra destaco o soneto Como te amo? (Soneto XLIII) na tradução do poeta Manuel Bandeira: Amo-te quanto em largo, alto e profundo / Minh’alma alcança quando, transportada, / Sente, alongando os olhos deste mundo, / Os fins do Ser, a Graça entressonhada. / Amo-te em cada dia, hora e segundo: / À luz do Sol, na noite sossegada. / E é tão pura a paixão de que me inundo / Quanto o pudor dos que não pedem nada. / Amo-te com o doer das velhas penas; / Com sorrisos, com lágrimas de prece, / E a fé da minha infância, ingênua e forte. / Amo-te até nas coisas mais pequenas. / Por toda a vida. E, assim Deus o quiser, /Ainda mais te amarei depois da morte. Veja mais aquiaqui.


SENHORITA NINGUÉM – Quem teve a oportunidade de curtir o drama Panna Nikt (Senhorita Ninguém (1997) do cineasta polonês Andrzej Wajda, inspirado no romance homônimo de Tomek Tryzna Marysia  com música de Andrzej Korzynski, aborda o universo juvenil com suas dificuldades de amadurecimento e reunindo garotas num elenco belíssimo, com destaque para a atriz Anna Mucha. Veja mais aqui.




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Gabriela Mistral, Gregório de Matos Guerra & Ana Miranda, William Wordsworth, Ravi Shankar, Krzysztof Kieslowski, Almada-Negreiros & Irène Jacob aqui.

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Padre Bidião, extraterrestres & novo Messias, Gino Severini & Liu Yuanshou aqui.
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Aurora, a canção, Silvia Lane & Psicologia Social, Ranata Pallottini, Os sonhos & a morte de Marie-Louise von Franz, Louis Malle, Jards Macalé, Franz Hanfstaengl,Miranda Richardson & Programa Tataritaritatá aqui.
O melhor do dia do homem é saber que todo dia é dia da mulher, Gilvan Samico, Francisco Milani & Cordel Tataritaritatá aqui.
O mundo todo cabe em um ato de paz, René Magritte, Ricardo Brennan, Claudio Nucci, Paul Vilinski & Literatura Infantil aqui.
Sonhos graúdos na diversão da mocidade, Mario Perniola, Akino Kondoh, Alfred Cheney Johnston, Sandra Cinto & A mulher do médico aqui.
O que esperar do amanhã, Montserrat Figueras, Araki Nobuyoshi, José Joaquim da Silva, Gerda Wegener, Rajkumar Sthabathy & Angel Popovitz aqui.
Na calçada da tarde, António Botto, Festival de Dioniso & William-Adolphe Bouguereau, Yara Bernette, Maria Lynch, Rosa Bonheu & Patricia de Cassia Porto aqui.
O mergulho das manhãs e noites nas águas profundas do amor, Luchino Visconti, Constança Capdeville, Aubrey Beardsley, Spencer Tunick, Luciah Lopez & Escola Estadual Joaquim Fernando Paes de Barros Neto aqui.
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quinta-feira, setembro 18, 2008

GABRIEL GARCÍA MARQUEZ, ANA OSÓRIO, KATHRIN LONGHURST, ANA CRISTINA POZZA, HUMOR & LITERÓTICA

 
A arte de Kathrin Longhurst

LITERÓTICA: FESTA NO CÉU (Imagem: A arte de Kathrin Longhurst)Enquanto rodopiava pelos devaneios solfejando a canção dos seus idílios, ela sonhava comigo: um quase príncipe encantado na sua predileção que chegasse gentil e sedento com o fervor apaixonado de um Dom Quixote buscando nela a Dulcinéia desejada. Enquanto ela encantadoramente azul passeava sobre as nuvens oníricas dos meus desejos, eu coaxava sonhando com uma rã-pintada nua e maravilhosa na fonte das águas amorantes. Ela dava conta de mim nos seus sonhos de princesa. Eu ansiava a sua vida nas minhas alucinações de anuro desolado da beira do rio. Quanto mais cantarolava, mais transluzia infinitamente iridescente na vida. E eu cada vez mais apegado à imagem anfíbia de sua expressão mágica. Certo dia a princesa veio se bronzear no campo. Foi quando correu o boato de que haveria uma festa no céu. Essa eu não poderia jamais perder. Porém, para meu desapontamento, fui excluído pelos promotores do evento por ter a boca grande. Uma desfeita. Mas, cá pra nós, uma provocação para minhas astúcias. E fui: aproveitei a ocasião e me acomodei cuidadosamente dentro da calcinha da princesa e ali fiquei escondido. Ah, um verdadeiro porto seguro, a maloca mais aconchegante e segura que já tinha saboreado desde a maternal fase da concepção. Era o reino da vida e da paixão. Parecia até que ela gostava da minha presença ali. E, por isso, fiquei todo ancho, maior que o meu próprio tamanho. Lá para as tantas, eu fui surpreendido. É que a princesa deu por minha existência. Assustou-se, permitindo que eu caísse em queda livre. Nessa hora pude cantar aos gritos de socorro: “Béu, béu, béu! Se desta eu não escapar, nunca mais festa no céu!”. Tei bei. Lasquei-me! Estava eu ali desfeito em zis pedaços pelo chão. Ao ouvir minha cantiga a princesa azul lembrou dos conselhos de uma cigana despachada que lhe adivinhara as palpitações ocultas na alma, recomendando que desenhasse a efígie do amor dos seus sonhos para sacudi-lo na boca do primeiro sapo que encontrasse e que, ao encontrá-lo, deveria depositá-lo embaixo da sua cama, cuidando para que fosse a sua existência regada à base de ouro, dinheiro e metais. Com isso e só com isso seus desejos se realizariam. Foi aí que ela se encheu de ternura e compaixão, caindo de cócoras cantarolando a juntar pacientemente os meus pedaços. Ao juntá-los passou a cerzir cuidadosamente até me deixar inteiramente coaxando enamorado e todo remendado na beira dos seus sonhos. Ah, a emenda foi melhor que o soneto. É que ela passou a me embalar com canções de sua predileção a me tratar com carinhos até me deitar confortavelmente numa aveludada tipóia embaixo da cama e no escuro do seu quarto. Eu, aos pinotes, queria voltar pro meu habitat, enquanto ela me cercava por todas as direções, cuidando para eu não fugir. Numa dessas tentativas de fuga, fui agarrado e no pedestal de uma de suas mãos espalmadas, ela me fitou os olhos: leu-me a alma e o amor. Não sei, acho que se apaixonou por mim. E beijou-me. Crás! Desencantei. Não era o príncipe que ela esperava, mas nem deu tempo para que nomes ou feições valessem nessa hora. Passamos a nos confundir aos beijos um no outro. E rodopiamos juntos o idílio dos nossos sonhos. E desnudados cavalgamos os dias e as noites, lambendo um ao outro para nos purificar de amor e nos entregarmos no meio da chuva que explodiu dos nossos mais selvagens desejos no reino da paixão. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.


A arte de Kathrin Longhurst

DITOS E DESDITOS - Devo ser um leitor muito ingênuo, porque nunca pensei que os escritores quisessem dizer mais do que dizem. Quando Franz Kafka conta que Gregório Samsa apareceu certa manhã convertido em um gigantesco inseto, não me parece que isto seja uma simbologia, e a única coisa que sempre me intrigou é a que espécie animal pertencia ele. Creio que houve realmente um tempo em que os tapetes voavam e que havia gênios prisioneiros dentro de lâmpadas. Creio – como diz a Bíblia – que o burro de Ballan falou, e a única coisa a se lamentar é não terem gravado sua voz, e creio que Josué derrubou as muralhas de Jericó com o poder de suas trombetas, e a única coisa lamentável é que ninguém tenha transcrito a música com poder de demolir. Creio, enfim, que Vidriera – de Cervantes – era na realidade de vidro, como dizia ele em sua loucura. E creio realmente na jubilosa verdade de que Gargântua urinava torrencialmente sobre as catedrais de Paris. Pensamento do escritor, jornalista e ativista político colombiano Prêmio Nobel de Literatura de 1982, Gabriel García Marquez (1927-2014). Veja mais aqui e aqui.

A MULHER PORTUGUESA & BRASILEIRA – [...] É principalmente a vós, senhoras brasileiras e portuguesas, que me dirijo, porque é das mulheres da nossa raça que desejo falar-vos neste momento único da História em que dois povos saídos do mesmo berço longínquo da raça se encontram fraternizando numa alvorada de esperança para um grande futuro social e civilizador [...] ; mas nas mulheres de Portugal e do Brasil ele é tão exaltado, que é difícil, encontrar outros povos que se comparem, como vamos provar com a nossa própria História [...] Desejaria poder aqui enumerar todas as que em Portugal têm erguido bem alto a honra do nosso nome, como escritoras, artistas, eruditas e propagandistas, como educadoras, como agricultoras, como comerciantes, como operárias... Não me é possível fazê-lo, tão grande seria a lista de nomes a lembrar [...] Unidas pelos mesmos sentimentos, pela mesma origem, pela língua e pelo mesmo ideal de grandeza e imposição da raça, é necessário que para o futuro a aliança das mulheres portuguesas e brasileiras seja profunda e indestrutível para o triunfo do nosso sangue como para a grandeza das nossas Pátrias irmanadas [...] À mulher portuguesa coube o papel de defensora e guarda das qualidades da raça. É ela que cultiva a terra na ausência do homem, é ela que mantém com energia a dignidade da família, é ela que conserva as indústrias regionais, que lida e que trabalha e que administra com inteligência os bens do casal, que tantas vezes o marido abandona em demanda doutros países, que a sua ambição mal enxerga e a sua ânsia de se expandir o faz procurar afanosamente. À mulher brasileira cabe o papel de fixadora e continuadora dessas qualidades, estando-lhes reservado o papel de companheira dos homens que hão-de fazer a penetração intensa do solo para que o Brasil seja a verdadeira terra prometida da humanidade de amanhã [...]. Trechos extraídos da obra A grande aliança (Lusitania, 1924), da escritora, jornalista, pedagoga, feminista e ativista portuguesa Ana de Castro Osório (1872-1935). Veja mais aqui.

GOSTO DE TIRAR A ROUPA - Gosto de tirar a roupa / E sentir o teu caralho duro / Enchendo de prazer a minha boca / Deixando-me louca de tesão / Enquanto vou sendo beijada com sofreguidão... / Gosto de tirar a roupa / Virar-me de costas / E oferecer-me por inteiro / Pedindo sorrateira / A tua entrada no meu traseiro. / Gosto de tirar a roupa / E me sentir lambuzada / Inteiramente desejada / Pronta para comer / E ser comida... / Gosto de tirar a roupa / Abrir as minhas pernas / E ficar te sacaneando / Oferecendo a minha vagina quente / Cheia de vontade de ficar molhada / Gosto de tirar a roupa / E me sentir uma puta / Pronta para ser abusada / Penetrada, amada / Tonta de tesão e dor. / Gosto de tirar a roupa / E sentir as tuas mãos me envolvendo / O teu dedo no meu cuzinho / A tua língua na minha pombinha / E a minha boca no teu pau. / Gosto de tirar a roupa / E de gritar como uma maluca / Com o prazer doidivanas / Que tu provocas no meu corpo / Quando entra em mim ereto. / Gosto de tirar a roupa / E ser obscena / Ser a tua pequena / Ser a tua tarada / Sempre pronta para tirar a roupa... Poema da poeta e psicóloga Ana Cristina Pozza. Veja mais aqui e aqui.

 A arte de Kathrin Longhurst


AS MULHERES, SEMPRE ELAS.


COISA BOA: BÃO DEMAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAIIS!!!!!

Eis que a escritora, poeta, médica, mulher de teatro e linda paraibana, Clotilde Tavares, repassa essa preciosidade pra gente de autoria desconhecida. Diga se não é digna de um poeta da porra! Vejam a  

HISTÓRIA DA XOXOTA:

Sete bons homens de fino saber
Criaram a xoxota, como pode se ver:
Chegando na frente, veio um açougueiro
Com faca afiada deu talho certeiro
Um bom marceneiro, com dedicação
Fez furo no centro com malho e formão
Em terceiro o alfaiate, capaz e moderno
Forrou com veludo o seu lado interno
Um bom caçador, chegando na hora
Forrou com raposa a parte de fora
Em quinto chegou sagaz pescador
Esfregando um peixe, lhe deu o odor
Em sexto, o bom padre da igreja daqui
Benzeu-a dizendo: "É só pra xixi!"
Por fim o marujo, zarolho e perneta
Chupou-a, fodeu-a e a chamou de boceta.

EU BEBO SIM, ESTOU VIVENDO!

Eita, gota! Pois é, por isso que eu bebo e quando fico decilitrado ando a pé ou de táxi. Tenho minhas precauções, né? Sou lá besta, meu!

VIVA A DIVERSIDADE!!!!!

É isso aí, vamos aprumar a conversa & tataritaritatá!!!!



Veja mais sobre:
A vida, um sorriso, Fernando Pessoa, Charles Chaplin, João Ubaldo Ribeiro, William Shakespeare, Connie Chadwell, Marilyn Monroe, Michael Ritchie, Barbara Feldon, Jeremy Holton & Visão holística da educação aqui.

E mais:
Minha voz aqui e aqui.
Dia Nacional do Riso aqui e aqui.
E se nada acontecesse, nada valeria, Cecília Meireles, Albert Camus, Pierre-Auguste Renoir, Richard Wagner, Sophia de Mello Breyner, Gwyneth Jones, Hal Hartley, Aubrey Christina Plaza, Paul Laurenzi & Princípios de Neurociências de Kandel aqui.
Cordel A chegada de Getulio Vargas no céu e o seu julgamento, de Rodolfo Coelho Cavalcante aqui.
Horário Eleitoral do Big Shit Bôbras, Zé Bilola, Enzonzoamento de Mamão, Ocride, Classificados de Mandús e Cabaços & Previsão meteorológica aqui.
A arte de Karyme Hass aqui.
Dicionário Tataritaritatá – Big Shit Bôbras & Fecamepa aqui.
Richard Bach, Velho Chico, Ísis Nefelibata & Chamando na grande aqui.
Cordel A história de Jesus e o mestre dos mestres, de Manoel D´Almeida Filho aqui.




CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Leitora parabenizando o Tataritaritatá!
Veja aqui e aqui.



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ANNA LEMBKE, RIN USAMI, BIRHAN KESKIN, ANTÔNIO MARIA & YAYOI KUSAMA

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Cambalhotas & as coisas nunca davam certas... - Zé Lua vivia por aí, todo acanhado sob a aba do boné, ...