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quinta-feira, junho 11, 2020

PRIMO LEVI, GERTRUDE STEIN, RICARDO RANGEL & FRANCISCO BRENNAND



DIÁRIO DE QUARENTENA – UMA: SOLIDÃO, HORROR & DESGOVERNO - Todo dia varando o pedaço azul da imensidão que me cabe no fluxo incessante dos devires, vou à varanda e é tempo chuvoso, o inverno se avizinha. Logo imagino neste tempo ter de volta aquele de luta pela redemocratização do meu país. Tempo difícil de negrume e a minha gente se esqueceu daquela lição. Deu-me a sensação de Yasunari Kawabata: Talvez o sentimento do mal tivesse ficado anestesiado, confundido com costumes e ordens sociais. Parece mesmo, a nossa democracia é uma jovem sujeita às ilusões das lábias cavernosas dos poderosos dominantes, nossas frágeis instituições sucumbem com facilidade ao poder econômico e os sabidos acham pouco e fraudam até as cotas das universidades. Pois é, com a luta da Carta Cidadã não deu para vaticinar o futuro demolindo o passado, voltamos para a estaca zero. Vou para outra. DOIS: OS VENCEDORES QUE SE CUIDEM – A história oficial sempre foi contada pelos e para os vencedores. Somente a eles dominantes que tripudiaram para se eternizarem, o elogio no poder de ditar o que ficaria para a posteridade. Hoje o que a gente vê de patrimônio histórico e nomes de praças e ruas com o que eles mandaram e desmandaram dão na desfaçatez e indignação. A história haverá de ser reescrita e, ao que parece, já começou: muitos livros, documentários, narrativas, ficções e depoimentos precisam ser levados em consideração. Que os historiadores tomem coragem – alguns já deram o pontapé! Para tanto, no Fecamepa dou meus pitacos nesse sentido e com uma farta referência no final, coisa de doido. Mas para não ficar nessa aguada e tediosa angústia quarentenada, melhor os versos do Espelho de Geraldo Carneiro: do outro lado um estranho / faz simulações como se fosse / um demônio familiar / é sempre noite, um assassino sonha / com mulheres assassinadas em série / sob as palmeiras de Malibu / o mundo é só uma ficção plausível / a imagem que baila ao rés-da-lâmina / é um último e improvável vestígio / da existência de Deus / o resto são ecos de outras faces / gestos de espanto e despedida / a música dos relógios, a morte. De repente a catarse nos sinalize um paraíso qualquer por insinuação. TRÊS: MUDANDO DE CONVERSA PELAS DOIDICES - Gente, que tolidade é esta, hem? A patetada ministerial tesloucou ou é o fanatismo disparatado que está vingando na onda coisada, ou as duas coisas mesmo, só sendo. Haja patacoada: para o da saúde o norte/nordeste está no Polo Ártico; para o da área ambiental, boiadas passam pro desmatamento e tome queimada amazônica; para a doida dos direitos, Jesus na goiabeira quer prender os do contra e cassar os que morreram caçados; pro energúmeno da educação, ditadura nas universidades para gestão privada e desaprendizagens online; pro da economia, enriquecer os ricos e promessas de esmolas para os pobres; isso tudo afora afrontas antidemocráticas, arengas nas relações internacionais e aposta nas sandices de enxofre e alho para combater a pandemia. Olhando direitinho, do fundo do poço não dá pra ver luz nenhuma no fim do túnel: o Planalto pirou e nem se sabe para onde vamos. Como o Brasil está num mata-burro, estou aqui com caraminholas no juízo e ouvindo Vygotsky repetir: O saber que não vem da experiência não é realmente saber. Através dos outros, nos tornamos nós mesmos. E o que tem a ver isso com aquilo? Acho que estou variando, será que a disparatada contagia como a pandemia? Eita! Tenho que tomar tino, vai lá que seja contagioso mesmo, hem? Até mais ver que vou ali e volta já, tá? © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] A semente de Auschwitz não deveria voltar a germinar; mas a violência está perto, à nossa volta, e há uma violência que é filha da violência. Existem vínculos subterrâneos entre a violência das duas guerras mundiais e a violência que presenciamos [...]. Trecho extraído da obra Entrevistas y consersaciones (Península, 1998), do químico e escritor italiano Primo Levi (1919-1987). Veja mais aqui e aqui.

CONTANDO OS VESTIDOS DELA, DE GERTRUDE STEIN
[...] PARTE I - ATO I Quando eles não me viram. Eu vi eles de novo. Eu não gostei. ATO II Eu conto os vestidos dela de novo. ATO III Você pode desenhar um vestido. ATO IV Em um minuto. [...] PARTE XXXVII - ATO I Conta os vestidos dela. ATO II Coleciona os vestidos dela ATO III Limpa os vestidos dela. ATO IV Eis o sistema. [...] PARTE XXXVIII - ATO I Ela poliu a mesa. ATO II Conta os vestidos dela novamente. ATO III Quando você pode vir. ATO IV Quando você pode vir. [...] PARTE XXXI - ATO I Reflita mais. ATO II Eu quero mesmo um jardim. ATO III Você quer. ATO IV E roupas. ATO V Eu não menciono roupas. ATO VI Não você não mencionou mas eu mencionei. ATO VII É eu sei disso. [...].
CONTANDO OS VESTIDOS DELA – Trechos extraídos da peça teatral Contando os vestidos dela (7 Letras, 2001), da escritora, dramaturga e feminista estadunidense Gertrude Stein (1874-1946). Esta obra é parte dos estudos realizados pela tese de doutoramento sobre a temática Aqui há uma margem - teatro e exílio em Gertrude Stein (UFRJ, 2007), da professora e pesquisadora Inês Cardoso Martins Moreira, que é graduada em Artes Cênicas – Teatro pela UFRJ. Veja mais aqui.

A ARTE DE RICARDO RANGEL
Temos um país sentado.
RICARDO RANGEL – A arte do fotógrafo e fotojornalista moçambicano Ricardo Rangel (1924-2009), que teve durante sua carreira muitas obras proibidas e destruídas pelos censores portugueses que não foram exibidas até à independência de Moçambique, em 1975, por ser frequente alvo da polícia secreta, a PIDE. Sobre ele o longa-metragem documentário Ricardo Rangel - Ferro em Brasa (2009), do realizador Licínio Azevedo, desatacando-o como símbolo vivo da geração que no fim dos anos 1940, iniciou as primeiras denúncias contra a situação colonial, enquanto fotografava e revelava a desumanidade e a crueldade do colonialismo, até o fim da guerra civil pós-independência. Veja mais aqui.

PERNAMBUCULTURARTES
 
A arte do escultor, ceramista e artista plástico Francisco Brennand (1927-2019). Veja mais aqui.
&
A música da saudosa cantora e compositora Selma do Coco (1935-2015) aqui.
A obra do poeta e enciclopedista Artur Griz aqui, aqui e aqui.
A arte da artista visual Juliana Lapa aqui.
Organismo, de Jeorge Pereira & Bianca Joy Porte aqui.
Memória da Cena Pernambucana aqui.
&
São Caetano aqui & aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.
 

quarta-feira, fevereiro 21, 2018

JOSÉ PAULO PAES, ANAÏS NIN, VYGOTSKY, CAETANO VELOSO & MARIA BETHÂNIA, JORGE LARROSA, EDUARDO AFONSO VIANA & ESTATUTO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA

E SE NADA ACONTECESSE... NADA VALERIA! – Imagem: Revolta das bonecas (1916), do pintor português Eduardo Afonso Viana (1881-1967). - UMA: O QUE FEZ OU DEIXOU DE FAZER – No princípio era a escuridão, quanto tempo, não sei, nove meses, ou oito, ou sete, sei lá, sei a porteira do mundo se abriu e à palmada eu chorei, nada sabia o que me reservava, apenas perdia a face de Deus ancorado na dispersão. Para quem merece, era eu um entre milhares ou milhões, outra vida dentro de outras que era a minha e outra e quase dela e quase minha, vencia as madrugadas, renovado a cada treva, cada sombra, de quase não salvar a graça nem a integridade. Eu mesmo me tinha por outro, não sabia, era eu e ela uma coisa só, aos olhos o que não era visto mas que existia e sempre existiu e existirá, não coisa de outro mundo, senão deste mesmo, nem isso sabia, sentia. Em nome da minha própria vida quantos verões invernaram nas primaveras estivaise eu sempre me vesti de mim mesmo, mesmo que me fizessem por outro, a roupa do corpo o que sempre tive por viagens sem volta, sem vestígios e eu seguia o meu e era um caminho contrário ao de todos, a minha própria biografia, minha história fora de todos os moldes, formas e fórmulas, a minha vida, nada mais. Monarca da minha miséria eu crescia a me rebelar da cegueira e da surdez por barulhentas travessias, a me perder no meio da paixão, povoado de sonhos e lendas, e a imaginação miúda sabia o que nunca foi lido, escondido por trás de toda obviedade. Procurei a tomada do êxito, não era, era mastigando caligens, exumando o passado entre alguns mansos e tantos zangados, poucos lembram, muitos esqueceram e eu falando em voz alta com a solidão, a insólita imagem do meu próprio rosto e eu na minha desolação mais via a face de Deus, quando o meu poema saiu do sótão e foi pro inferno: o preço da liberdade. Fui capaz de atiçar o ímpeto da carne e sem medir palavras o alarme geral me denunciou e me vi sujeito a choques enquanto simulava o anonimato, até ser flagrado pela disciplina da fôrma, a confusão da dor nas veias a me arrastar, até chegar ao morro alto, tão alto, do frio esquentar os dedos nas estrelas quando tudo era inútil. Até aí eu era tantos e os outros eram em mim invisíveis tomando a vez e o caos para aprender o amor a me aprimorar, rejuvenescer, revitalizar, mas isso era nada, eu também nada no mundo no qual só valia ter e não tinha nada pra vender nem pra trocar, apenas viver. DUAS: SALA DE AULA - Era eu e muitos sequiosos aboletados, olhos às nucas, enfileirados no espaço, quase centena onde só caberia não mais de algumas dezenas, sardinhas na lata, quantos interditos e nenhum pio pra sapiência absoluta deitar imbróglios com seus apodos à queima-roupa e gestos de ordem, sanções de lâmina fria e afiada na fala siderada com suas exegeses menores que suas próprias palavras e seu próprio tamanho diante do nariz e quase ofensa, quem era quem, quem disse o quê e transigir, era a psicologia da manada engolindo todos e qualquer passo em falso já me delatavam desertos, a queda de quem queria ocupar uma porção da vida sem saber ao certo onde ela pudesse estar porque tudo era a torre da derrota no apontamento da ideologia, pra depois se esvair na purgação voluntária e marcas indeléveis, dilacerantes hesitações povoando a mente com a sedutora serpente falante fabricando o desordenado, o desequilibrado, as angústias em não sei quantas páginas do caderno de zis matérias, e a cada sete anos as sombras de insanidade por epifanias até a perda do paraíso, quantas questões e efusões amorosas, hierofanias para tantas impossibilidades, não havia o que aprender, só repetir e decorar, tudo aos pedaços como se fosse a mais poderosa verdade e não era. Assim, desde que o mundo é mundo. Na primeira investida da dúvida: Sai pra lá, lambaio! Em bom português: Te vira, meu! E metia o sarrafo no pomba-lesa e saia arrolando os pormenores do atoleiro por catábases que davam pra morte tomada a prestação, numa raiz quadrada com a prova dos nove para um posto avançado no fim do mundo, cheio de charcos e descampados, mil conjeturas, pelos rodeios pro lamaçal de coisas insensatas, a meter medo de coisas que não fazia a menor ideia, o pavor dos mortos e dos fantasmas com seus horrores de segunda mão e isso era o certo como dois e dois são quaisquer coisas que quisessem os superiores donos da razão e do saber. Para ser franco, nos atalhos do raposário e aos maus conselhos do tinhoso, era dado como caso perdido, um sujeito malcriado e respondão à mercê de tantas esquisitices do tempo de ninguém, até se achava ao direito de mesuras, reprimendas fatais e zombarias pra tonto: Você é doido ou está se fazendo, hem? Ora, faça-me um favor! Davam o que falar, azo para mexericos, ah, cara ou coroa do tempo das cavernas, vigarices, esporros e bisturis morais, quejandos do contra, haja jogo de cintura, cada um com seu cada qual: dialetos, etiquetas, grunhidos, tacapes, manias de assepsia, recriminações, insanidade e amputações, cirurgias de não, suturas de deveres, curativos de enquadramento, quantos naufrágios. Ao soçobrar, um raio nas pálpebras e os sons incomuns das novidades, cenários insólitos, os olhos sabiam ver para desvendar, mas não deixavam, teve que dar um bico nas questões atinentes ao tempo e ao espaço, causa ou efeito, noções intuitivas, afinal tudo é uma teia de relações entre as diversas partes de um todo unificado. Como não era de decorar o ditado nem copiar o escrito alheio de próprio punho por obrigação, havia uma ponta de dignidade e amor próprio e, por opção, escolheu a liberdade e a vida, por conta disso tanto fazia estar no topo do monte ou morrendo afogado numa poça d’água qualquer. TRÊS: A SAIDEIRA DA DESARRUMAÇÃO - Ainda ontem eu vi coisas de hoje em dia: gente revanchista com arrazoado meter o pau no projeto futuro pelo que não amealhou no passado e agora, levar tudo nas coxas sem a menor articulação, falar por falar com carradas de razão, cuspir desavença dono da verdade, chamar na grande o que não sabia por não enxergar um palmo além do nariz, protestar sem vergonha pelo que desdizia, revogar o proposto por entender ao contrário, pleitear o diverso em detrimento do próprio anseio e, surpreendentemente, condenar o próprio interesse por não entender o que defendia, rebelde sem causa pra ser simplesmente do contra e quando o resultado final é o malogro constatado, aí não, ah, quer que todo processo legítimo seja anulado simplesmente porque contrariou tudo que defendia, ou melhor, acusava, ou sei lá o que realmente queria. Ora, ora. Qualquer semelhança não é só mera coincidência como coisa comum no dia a dia. Gente é coisa muito complicada, hem? © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá é dia de especial com o cantor, compositor, músico, produtor, arranjador e escritor Caetano Veloso: Zii & Zie ao vivo, Multishow ao vivo & Circuladô de fulô; e a cantora e compositora Maria Bethânia: O canto do Pajé, Maricotinha ao vivo & Amor festa devoção; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] O que somos ou, melhor ainda, o sentido de quem somos,d epende das histórias que contamos e das que contamos a nós mesmos. Em particular, das construções narrativas nas quais cada um de nós é, ao mesmo tempo, o autor, o narrador e personagem principal. Por outro lado, essas histórias são construídas em relação às histórias que escutamos, que lemos e que, de alguma maneira, nos dizem respeito na medida em que estamos comelidos a produzir nossa história em relação a elas. [...]. Pensamento extraído de Tecnologias do eu e educação (Vozes, 1994), do professor e educador Jorge Larrosa. Veja mais aqui

PENSAMENTO & PALAVRA - [...] A relação entre o pensamento e a palavra não é uma coisa mas um processo, um movimento continuo de vaivém, engre a palavra e o pensamento; nesse processo a relação entre o pensamento e a palavra sofre alterações que, também elas, podem ser consideradas como um desenvolvimento no sentido funcional. As palavras não se limitam a exprimir o pensamento: é por elas que este acede à existência... O pensamento e a palavra não são talhados no mesmo modelo: em certo sentido há mais diferenças do que semelhanças entre eles. A estrutura da linguagem não se limita a refletir como num espelho a estrutura do pensamento; é por isso que não se pode vestir o pensamento com palavras, como se de um ornamento se tratasse. O pensamento sofre muitas alterações ao transformar-se em fala. Não se limita a encontrar expressão na fala; encontra nela a sua realidade e a sua forma. Trecho extraído da obra Pensamento e linguagem (Antídoto, 1979), do cientista e psicólogo russo Lev Vygotsky (1896-1934). Veja mais aqui e aqui.

MARIANNE – [...] Essa jovem, Marianne, era pintora, e datilografava à noite para ganhar um dinheiro. Tinha uma aureola de cabelos dourados, olhos azuis, rosto redondo, seios fartos e firmes, mas tinha tendência a ocultar a opulência de seu corpo em vez de exibi-la, de disfarça-la sob trajes boêmios disformes, jaquetas folgadas, saias de colegial, capas de chuva. Ela vinha de uma cidade pequena. Tinha lido Proust, Krafft-Ebing, Marx, Freud. (…) Nada a havia tocado profundamente. Ainda era virgem. Eu podia sentir isso quando ela entrava na sala. Do mesmo modo que um soldado não deseja admitir que está amedrontado, Marianne não queria admitir que era fria, frigida. Mas estava fazendo psicanálise. Trecho extraído de Delta de Vênus (Artenova, 1978), da escritora francesa Anaïs Nin (1903-1977). Veja mais aqui e aqui.

CONVITE - Poesia / brincar com palavras / como se brinca / com bola, papagaio, pião. / Só que / bola, papagaio,pião / de tanto brincar / se gastam. / As palavras não: / quanto mais se brinca / com elas / mais novas ficam. / como a água do rio / que é água sempre nova. / como cada dia / que é sempre um novo dia. / Vamos brincar de poesia? Poema do poeta, ensaísta, jornalista e tradutor José Paulo Paes (1926-1988). Veja mais aqui.

ESTATUTO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA
Art.1 É instituída a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência), destinada a assegurar e a promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais por pessoa com deficiência, visando à sua inclusão social e cidadania. Parágrafo único. Esta Lei tem como base a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo, ratificados pelo Congresso Nacional por meio do Decreto Legislativo nº 186, de 9 de julho de 2008, em conformidade com o procedimento previsto no § 3º do art. 5º da Constituição da República Federativa do Brasil, em vigor para o Brasil, no plano jurídico externo, desde 31 de agosto de 2008, e promulgados pelo Decreto nº 6.949, de 25 de agosto de 2009, data de início de sua vigência no plano interno. Art. 2º Considera-se pessoa com deficiência aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas. § 1º A avaliação da deficiência, quando necessária, será biopsicossocial, realizada por equipe multiprofissional e interdisciplinar e considerará: I – os impedimentos nas funções e nas estruturas do corpo; II – os fatores socioambientais, psicológicos e pessoais; III – a limitação no desempenho de atividades; e IV – a restrição de participação. § 2º O Poder Executivo criará instrumentos para avaliação da deficiência.
Trechos da Lei nº 13.146/2015 - Estatuto da pessoa com deficiência (Senado Federal/CET, 2015). Veja mais aqui, aqui e aqui.
  
Veja mais:
Existe gente pra tudo!, Vanmegaprana, a escultura de Josefina de Vasconcelos, Todo dia é dia da mulher, a música de Anelis Assumpção, a arte de Harriet Hosmer & Banksy aqui.
Simulacros, Roberto Remiz & Nina Kozoriz aqui.
Bernardo Guimarães, Nina Simone & Darel Valença Lins aqui.
António Damásio, Pierre-Jean de Béranger & Marcia Lailin aqui.
Descartes & Margarethe Von Trotta aqui.
Coelho Neto & Logoterapia aqui.
A poesia de Wystan Hugh Auden, a literatura de Stanislaw Ponte Preta & Anaïs Nin, A música de Francisco Manuel da Silva, A pintura de Alberti Leon Battista, Maria de Medeiros & Luli Coutinho aqui.
Hypatia & Ágora, o filme aqui.
Inesquecível viagem ao prazer & Lucia Helena Galvão Maya aqui.
Proezas do Biritoaldo: Quando a corda arrebenta, a covardia fica de plantão aqui.
O pensamento de Baruch Espinoza aqui, aqui e aqui.
Conversa de pé de ouvido, As presepadas de Doro, Erasmo de Roterdam, O peido & a Educação, Fernando Fiorese, A primavera de Ginsberg, Graciliano Ramos & Alagoas aqui.
A balsa da Medusa aqui.
Meu ensino de Jacques Lacan & Disco Friends aqui.
Antígona de Sófocles aqui.
Reflexões de metido em camisa de onze varas, Ralph Waldo Emerson, Síndrome de Klüver-Bucy, Isaac Newton, Viviane Mosé, Carl Gustav Jung & Sabina Spielrein, Cloltilde de Vaux & Auguste Comte aqui.
Remexendo as catracas do quengo e queimando as pestanas com coisas, coisitas e coisões, Débora Massmann, Boaventura de Souza Santos, Terêncio, O Fausto de Goethe, Ética, Saúde no Brasil & Big Shit Bôbras aqui.
A música de Nando Lauria aqui.
Charles Baudelaire, Gianni Vattimo, Sören Kierkegaard, Tribo Ik, Adriano Nunes & Do individualismo possessivo ao umbigocentrismo da futilidade aqui.
Pobreza aqui.
Paulo Leminski, Mestre Eckhart, Moisés Maimônides, Píndaro, A oniomania & o Shopaholic, Gilton Della Cella & Programa Tataritaritatá aqui.
A explosão do prazer no Recife, Educação, Manoel de Barros, Gaston Bachelard, Luiz Ruffato, John Dewey, Marcelino Freire, Ottto Maria Carpeaux, Armando Freitas Filho & Programa Tataritaritatá aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do pintor português Eduardo Afonso Viana (1881-1967).
Veja mais aqui.

quarta-feira, outubro 12, 2016

PAULO FREIRE, VYGOTSKY, CLARA BELLAR, ELIZA SANTA ROZA, PROTÁSIO DE MORAIS, RONALDO MENDES, RACHEL LUCENA, AMARO FRANCISCO, IRINÉIA, LAURO PALHANO, BUMERANGUE, LUCIAH & CRIANÇA

INEDITORIAL: TODO DIA É DIA DA CRIANÇA (Imagem: arte da poeta, artista visual e blogueira LuciahLopez) - Salve, salve, gentamiga! Sempre fui menino. Mesmo cinquentão, sempre mantenho viva a minha infância e o que há de melhor em mim da meninice. Por isso venho de chapa com a minha canção Todo dia é dia de ser criança: Ser criança é viver o amor, é viver seja onde for com sorriso em suas mãos e se encantar com a beleza de tudo da natureza sem temor e inibição. Ser criança é toda hora dar valor aqui e agora, começando a brincadeira e reinando a vida inteira com pureza de ação e calor no coração. Vamos então contar história pros meninos, pras meninas do raio da silibrina e coisa do caritó, debulhar todo pencó, toda rima, toda prosa, todo mote, toda glosa, cantoria trololó. Toda moça mais bonita vai ficar fazendo fita e mesura pra vovó. Os meninos mais festeiros vão pular de cambiteiros até desatar o nó. E eu não vou só, por que? Ser criança é ser feliz. Todo dia é dia de ser criança e de ter a esperança no meu Brasil melhor, o meu país melhor pras crianças e todos nós. E agora vamos pras novidades do dia: na edição de hoje o brincar de Lev Vygotsky, a escrita de Paulo Freire, os jogos infantis de Eliza Santa Roza, o Bumerangue do GROP, o Bicho D’água de Lauro Palhano, o Lobisomem Zonzo, Vivendo e Aprendendo de Clara Bellar, o Congresso da Abenepi, a arte de Luciah Lopez, Protásio Morais, Amaro Francisco, o Arraial da Bicharada, João Teimoso do Dim, Dona Irineia, Ronaldo Mendes, a minha canção Criança, a entrevista de Rachel Lucena, o cordel na escola de Márcia Nunes Machado & muitas outras. No mais, vamos aprumar a conversa & veja mais aqui e aqui.

Veja mais sobre:
De segunda pra semana, Monteiro Lobato, Carlos Drummond de Andrade, Nise da Silveira, Roman Jakobson, Nísia Floresta, Federico García Lorca, Lobo de Mesquita, Gloria Pires, Leon Eliachar, João Rodrigues Esteves, Cláudio Tozzi & José Mauricio Nunes Garcia aqui.

E mais:
Tomás de Aquino, Padre Bidião, Ufologia, Padre Bidião & Confissão do Poeta Popular aqui.
Proezas do Biritoaldo: quando Deus num quer, santo num voga aqui.
Fecamepa: quando o nó se desata, bote banca porque o afolosado é a maior moleza, viu? Aqui.
No Reino da Teibei & Aprumando a conversa aqui.
Tolinho & Bestinha: quando Tolinho bateu pino com o capeta granulado aqui.

DESTAQUE: O BRINCAR DA CRIANÇA
[...] É notável que a criança comece com uma situação imaginária que, inicialmente, é tão próxima da situação real. O que ocorre é uma reprodução da situação real. Uma criança brincando com uma boneca, por exemplo, repete quase exatamente o que sua mãe faz com ela. Isso significa que, na situação original, as regras operam sob uma forma condensada e comprimida. Há muito pouco de imaginário. É uma situação imaginárias, mas é compreensível somente à luz de uma situação real que, de fato, tenha acontecido. O brinquedo é muito mais a lembrança de alguma coisa que realmente aconteceu do que imaginação. É mais a memória em ação do que uma situação imaginária nova. [...]. Trecho extraído da obra A formação social da mente (Martins Fontes, 1991), do psicólogo e cientista bielorrusso Lev Vygotsky (1896-1934). Veja mais aqui, aqui e aqui.

CRIANÇA
(Imagem: Conceição dos bugres, de Protásio de Morais)

Brinquedo de criança
Que eu vou brincar
Contigo nesta noite
Eu quero me embalar
Coisas de infância
Que eu vou sonhar
Com novas brincadeiras
Que eu vou inventar
Brincando de cantiga
Que eu vou cantar
Cantando a minha vida
Que já vai começar
Pular amarelinha
Ou estudar toda lição
São coisas que a gente
Vai guardar no coração
Ou pula academia
Ou faz a roda ou garrafão
Jogando bola o tempo todo
Para alegrar nossa canção
Capelinha de melão
É de São João, É de cravo, é de rosa
É de manjericão
Pular corda direitinho
Pula fora, não
Se pular a corda fora
Leva um beliscão
O seu rei mandou dizer
Pra cantar outra canção
Que a cantiga já ta feita
E não tem outra não
Não tem outra não
Não tem outra não
Não tem outra
Não.
(Criança, In:Falange, falanginha, falangeta. Maceió: Nascente, 1995) © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.


ESCRITA DAS CRIANÇAS - [...] devemos estimular ao máximo as crianças para que falem e para que escrevam. É das garatujas, uma forma indiscutível de escrita, que devemos elogiar, que elas partem para a escrita a ser estimulada. Que escrevam, que contem suas histórias, que as inventem e reinventem os contos populares de seu contexto.[...]. Trecho extraído da obra Professora sim, tia não: cartas para quem ousa ensinar (Olho D’Água, 1993), do educador, pedagogista e filósofo Paulo Freire (1921-1997). Veja mais aqui e aqui.

NO ARRAIAL DA BICHARADA

Imagem: Ciranda, cirandinha, de Amaro Francisco.

Pulga toca flauta perereca, violão piolho, pequenininho também toca rabecão
Pulga mora embaixo, percevejo mora ao lado, piolho pequenino também mora no telhado.
Lá vem a dona pulga Vestidinha de balão Dando o braço ao piolho Na entrada do salão.
No arraial da bicharada (Música popular – domínio público) recolhida das obras Antologia de cantos orfeônicos e folclóricos (FTD, 1965), de Wagner Ribeiro & Recordar é viver: cancioneiro popular (Loyola, 1984), de Ivo Inácio Bersch. Veja mais aqui.



OS JOGOS INFANTÍS - Os jogos infantis [...] são em geral roteiros compreensíveis, que possuem coerência e inteligibilidade, mesmo quando contêm elementos que se contrapõem à realidade material: voar, mudar de tamanho, possuir superpoderes, etc. Esses elementos não constituem para a criança nenhum sentimento de estranheza, pois no brincar há uma consciência da irrealidade da trama, que é produzida intencionalmente, tal como nas novelas de ficção. Trecho extraído do livro Quando brincar é dizer: uma experiência psicanalítica da infância (Relume-Dumará, 1993), da psicanalista Eliza Santa Roza. Veja mais aqui.


Imagens: Joões Teimosos, da Galeria do Dim.

PERNSAMENTO DO DIA: BUMERANGUE - Um homem tinha um jardim cheio de flores lindas. Eram as flores mais vendidas do país, todas as pessoas do mundo sabiam e queriam comprá-las. Eram as flores mais bonitas e as que tinham melhor perfume no mundo todo. Todos os anos, ele ganhava o prêmio das flores maiores e de melhor qualidade; toda a região as admirava. Um dia, uma jornalista perguntou ao homem qual era o segredo de seu êxito. O senhor responder: - Meu êxito se deve a que, cada cultivo, separo as melhores sementes e as divido com meus vizinhos para que eles também as semeiem. – Como? – disse a jornalista. – Isso é uma loucura! Não tem medo de que seus vizinhos tornem-se famosos como o senhor e fiquem com os prêmios? O senhor respondeu: - Faço isso porque, se eles semeiam bem, o vento e as abelhas devolverão para o meu cultivo bom pólen e boas sementes, e assim a colheita será melhor. Se não fosse assim, eles espalhariam sementes de má qualidade e o vento as levaria até a minha plantação. As sementes deles cruzariam com as minhas e fariam com que minhas flores fossem de pior qualidade. Historinha extraída da obra Atividades para o desenvolvimento da inteligência emocional nas crianças (Ciranda Cultural, 2009), do Grup de Recerca em Orientació Psicopedagògica (GROP). Veja mais aqui.


Imagem: Mulher com crianças nos braços, cerâmica de Dona Irinéia.

A PANELA DO BICHO D’ÁGUA - Duas léguas acima o Corrente despeja no São Francisco. Suas águas negras comprimem as do tributado, para depois nelas se misturarem, em golfadas e novelos, à grande distância da foz. No seu estuário, as águas contorcem-se em eterno movimento giratório, a que chamam panela. Mora ali, naquele rodamoinho gigantesco e perene, o Bicho d’água e quem quiser vê-lo é só chegar no vórtice infernal, se tiver coragem, e largar uma garrafa de azeite doce. Poderá então ver o palácio onde vive a faustosa entidade, que se apresenta aos olhos dos mortais na figura de tosco tronco flutuante, imóvel, contra a corrente impetuosa. O incauto viajante que se aproximar, iludido pela inofensiva aparência, não tem salvação. Pior do que o Moleque d’água, mais malvado, mais traiçoeiro, inflexível; ele e o seu comparsa, o Minhocão, são o terror do pescador e dos que viajam a sós pelo rio, mormente na calada da noite. Trecho extraído da obra Paracoera (Schimidt Schmidt, 1939), do escritor Lauro Palhano (pseudônimo de Juvêncio Lopes da Silva Campos 1881-1947). Veja mais aqui.  


O LOBISOMEM ZONZO – A peça teatral infantil O lobissomem zonzo (Nascente, 2008) é oriunda do historieta infantil homônima, contando as aventuras de quatro garotos, Bichim, Maluquim, Gordim e Jeguim que vão brincar de esconde-esconde e, por conta dos seus amostramentos, Gordim vai se esconder num buraco fundo e não consegue. Eis que no afã de querer salvar o amigo, os meninos se depara com o maior de todos os temores: o lobisomem. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

O FUTURO DE NOSSAS CRIANÇAS – O documentário Vivendo e aprendendo (Being and becoming, 2014), da atriz, cantora, diretora de cinema, roteirista e produtora francesa Clara Bellar, apresenta as questões atinentes à descolarização, observando que a separação que existe entre as disciplinas dentro do colégio não se repete na vida e que o estudo em casa assistido pelos pais revela que o aprendizado acontece o tempo todo, enquanto brincam, enquanto estão concentrados em alguma coisa. Apresenta algumas experiências de crianças que pediram para sair da escola e os pais tiveram que organizar a vida para se dedicarem, também, à educação dos seus filhos. Esses mesmos pais revelam que se tornaram empreendedores para fixarem residência no campo, trabalharem lá e cuidarem da educação dos filhos com mais tranqüilidade. O documentário traz uma constatação efetuada pela Associação Nacional de Ensino Domiciliar (ANED), de que, em 2013, havia uma estimativa de mais de mil famílias no país que escolheram pela educação fora da escola, utilizando diferentes métodos de ensino e aprendizagem. No Brasil a legislação federal não permite a prática de ensino, sendo obrigatória a matrícula dos filhos em uma instituição escolar. Enquanto isso, a doutora pela USP, Luciane Muniz Ribeiro Barbosa, que defendeu a tese Ensino em casa no Brasil: um desafio à escola?,  observa que a educação domiciliar na visão dos juristas é inconstitucional e o Código Penal prevê crime de abandono intelectual aos pais que se mostrem omissos ou neguem a responsabilidade da matrícula dos filhos em instituição oficial, encontrando, porém, a avaliação de outros juristas que sinalizam lacunas constitucionais que favorecem o ensino em casa, propiciando uma outra forma de socialização e evitando os problemas do bullyng e da competição. Ela traz o exemplo do estudo Fifyeen years later (Quinze anos depois, 2009), realizado no Canadá, com uma geração de jovens que haviam sido educados em casa trazendo aspectos positivos e apontando problemas de socialização. Além do mais, abre a questão se a escola efetivamente garante o direito à educação aos seus estudantes. O debate está aberto.Veja mais aqui.


Imagem: a arte naif de Ronaldo Mendes.

AGENDA: IV CONGRESSO INTERNACIONAL E XXIV BRASILEIRO DA ABENEPI – Acontecerá entre os dias 09 e 12 de agosto de 2017, no Hotel Eindsor Oceânico, no Rio de Janeiro, o IV Congresso Internacional e XXIV Brasileiro da Associação Brasileira de Neurologia e Psiquiatriz Infantil e Profissões Afins (ABENEPI), propondo um momento de reflexão conjunta sobre os grandes desafios que a aceleração desenfreada dos tempos atuais nos impõem, celebrando os que valorizam a troca, respeitam a divergência e procuram converter sua indignação e desconforto com as condições atuais de desatenção à infância e adolescência numa luta permanente por um futuro mais responsável por si mesmo. Veja mais aqui e aqui


ENTREVISTA: PROFESSORA RACHEL LUCENA – Alguns tempos atrás, a professora carioca Rachel de Oliveira Pereira Lucena, concedeu uma entrevista logo após o desenvolvimento uma atividade que envolveu a exposição de trabalhos poéticos dos seus alunos Colégio e Curso Fator, material que publicamos numa edição festiva no blog Brincarte do Nitolino. Confira a entrevista aqui.

REGISTRO – CORDEL NA ESCOLA
Numa tarde de sábado de 2009, recebi o convite da professora Márcia Nunes Machado, para realizar uma apresentação do meu cantarau Tataritaritatá, na Escola Estadual Rosalvo Lobo, em Maceió. Armado da minha viola de 12 cordas, sapequei poesias de Ascenso Ferreira, cordéis de Patativa de Assaré e Leandro Gomes de Barros, entre outras composições autorais, mandando ver pros jovens do educandário. Por resultado, dias depois do evento, foi desenvolvida uma série de atividades com os alunos dos 6º ao 9º ano, sobre a Literatura de Cordel. Tudo isso está registrado pra conferir aqui, aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aquiaqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.



ANNA LEMBKE, RIN USAMI, BIRHAN KESKIN, ANTÔNIO MARIA & YAYOI KUSAMA

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Cambalhotas & as coisas nunca davam certas... - Zé Lua vivia por aí, todo acanhado sob a aba do boné, ...