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sábado, abril 09, 2022

CHANDRA CANDIANI, CHRISTINA SOMMERS, JULIO PLAZA, DANI CARMESIM & MARIA OLIVEIRA

 

 

TRÍPTICO DQP: Noite abissal... – Ao som de Rosa dos ventos, de Chico Buarque, no show ao vivo Abraçar e agradecer (Biscoito Fino, 2016), da turnê comemorativa dos 50 anos de carreira de Maria Bethânia. – As luzes distantes, a meia lua quase minguante no que podia ser o zênite da minha solidão, estrelas perdidas e um quase desânimo, o que seria. O peso das pálpebras e dos anos no muque, no peito de nenhumesperança ainda pode ser amanhã e o que estiver por vir, nunca se sabe. Se Jacques Rancière me diz um tanto inaudito: Tudo é rastro, vestígio ou fóssil. Toda forma sensível, desde a pedra ou a concha, é falante. Cada uma traz consigo, inscritas em estrias e volutas, as marcas de sua história e os signos de sua destinação. A escrita literária se estabelece, assim, como decifração e reescrita dos signos de história escritos nas coisas. E eu entre estereótipos e os quadrados, quem pode ou não, quem degenerado no meio da multidão e nas cenas de Mandabi (1968), de Ousmane Sembène que insistia em dizer ao meu ouvido: O homem quer viver pela ideia que existe algo mais importante que ele mesmo, algo maior que ele mesmo. Ele precisa ter um sonho pelo qual possa viver, um sonho que ele possa se agarrar. Era a lição para falar qualquer brasil dos tupis que poucos sobreviveram. E não tivesse mais que a lição da antropóloga argentina Rita Segato: Porque nós aqui estamos diante de um culturalismo perverso, que nada mais é do que o fundamentalismo da cultura política do nosso tempo, inaugurada com a queda do muro de Berlim e a obsolescência do debate marxista, quando identidades, agora politizadas, tornaram-se a linguagem das disputas. Eu sei, no meu país a dor da noite abissal é muito maior.

 


Quase sinuca de bico... – Imagem: arte da artista Marianne Peretti. - A hora avança e não tenho para onde ir nem em que acreditar: o meu país é uma gangorra entre a indecência e tudo de araque no maior dos porres de pirlimpimpim, jeitinho sem-vergonha. A filosofescritora estadunidense Christina Hoff Sommers: A verdade trazida à luz do público recruta o melhor de nós para trabalhar pela mudança. Por outro lado, mesmo a "nobre mentira" mais bem intencionada acaba desacreditando a melhor das causas. E para quem entre crédulos das manadas sequer sabem de antinomias nem de oxímoros, muito menos do que se dissipa na cara lisa dos engravatados prestidigitadores fedestaducipais e dos cafundós do cipopau. Só me restava aquela do poeta & dramaturgo polonês Juliusz Słowacki (1809-1849): Sou grande, forte. A única fraqueza é guardar segredos no coração. A tristeza é um livro sábio que se tem no coração e que nos diz centenas de coisas - impede-nos de apodrecer como um cogumelo debaixo de uma árvore. Antes que tudo se vá, eu sei: o meu país é um buraco sem fundo e todos em queda livre...

 


Só restava o absurdo... – Imagem: arte da exposição Construções Poéticas (2012), do artista intermídia, escritor e professor espanhol Julio Plaza (1938-2003), ao som do álbum Resumo da Ópera (Independente, 2021) da cantora e compositora Dani Carmesim. – Ela sempre reaparece, não sei quando nem como, do inopinado. Sequer notara de repente uma das bonecas da atriz, bonequeira, cantora e bibliotecária Maria Oliveira, aquela mesma que fundou a Cooperativa Teatral Boca de Forno, agora na Companhia Artística Mamulengos e Catrevagens (2000) e figura no Catálogo do Mamulengo Pernambucano (Funcultura, 2019), de Romildo Moreira, Fabio Caio, Alexandre Albuquerque e Hans Von Manteuffel. Pois é, astúcia demais. Só a descobri por conta do choramingado. Sim, vivinha da silva, uma boneca falante e chorosa no meu sonho mamulengo. Coitando de mim... Acho que estou variando de vez! Ao me aproximar ela disse da sua solidão, das coisas que perdeu e tudo o mais. Uma hestória e tanto! Quase não consigo tornar a vê-la além do que realmente era: tragédias, perseguições, traquinagens, perdições. Até conversa para boi dormir. Pois foi: contou coisas de outro mundo, e dos últimos dias dos que se acabaram e das coisas dos que estão longe demais que nem dá direito para imaginar. Quando nem bem amanhecia, já sonolento, ela me recitou um verso da poeta italiana Chandra Livia Candiani: O rosto é muito solitário, / então está sempre de frente /e invisível para si mesmo. Admirei-me, era a própria em carne viva com outro verso: Eu acaricio o silêncio. O silêncio – que você me manda – você. Ah! Não podia imaginar: o que resta da loucura é apenas viver. Inté mais ver.

 


Transmitir é retomada, vida, invenção e renovação, um modo sem o qual o pensamento revelado, ou seja, o pensamento autenticamente pensado, não é possível.

Trecho extraído da obra The Burnt Book: Reading the Talmud (‎ Princeton University Press, 1998), do filósofo e biblioterapeuta francês Marc-Alain Ouaknin. Veja mais dele aqui. Mais Educação aqui. E mais aqui.

 


quarta-feira, fevereiro 21, 2018

JOSÉ PAULO PAES, ANAÏS NIN, VYGOTSKY, CAETANO VELOSO & MARIA BETHÂNIA, JORGE LARROSA, EDUARDO AFONSO VIANA & ESTATUTO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA

E SE NADA ACONTECESSE... NADA VALERIA! – Imagem: Revolta das bonecas (1916), do pintor português Eduardo Afonso Viana (1881-1967). - UMA: O QUE FEZ OU DEIXOU DE FAZER – No princípio era a escuridão, quanto tempo, não sei, nove meses, ou oito, ou sete, sei lá, sei a porteira do mundo se abriu e à palmada eu chorei, nada sabia o que me reservava, apenas perdia a face de Deus ancorado na dispersão. Para quem merece, era eu um entre milhares ou milhões, outra vida dentro de outras que era a minha e outra e quase dela e quase minha, vencia as madrugadas, renovado a cada treva, cada sombra, de quase não salvar a graça nem a integridade. Eu mesmo me tinha por outro, não sabia, era eu e ela uma coisa só, aos olhos o que não era visto mas que existia e sempre existiu e existirá, não coisa de outro mundo, senão deste mesmo, nem isso sabia, sentia. Em nome da minha própria vida quantos verões invernaram nas primaveras estivaise eu sempre me vesti de mim mesmo, mesmo que me fizessem por outro, a roupa do corpo o que sempre tive por viagens sem volta, sem vestígios e eu seguia o meu e era um caminho contrário ao de todos, a minha própria biografia, minha história fora de todos os moldes, formas e fórmulas, a minha vida, nada mais. Monarca da minha miséria eu crescia a me rebelar da cegueira e da surdez por barulhentas travessias, a me perder no meio da paixão, povoado de sonhos e lendas, e a imaginação miúda sabia o que nunca foi lido, escondido por trás de toda obviedade. Procurei a tomada do êxito, não era, era mastigando caligens, exumando o passado entre alguns mansos e tantos zangados, poucos lembram, muitos esqueceram e eu falando em voz alta com a solidão, a insólita imagem do meu próprio rosto e eu na minha desolação mais via a face de Deus, quando o meu poema saiu do sótão e foi pro inferno: o preço da liberdade. Fui capaz de atiçar o ímpeto da carne e sem medir palavras o alarme geral me denunciou e me vi sujeito a choques enquanto simulava o anonimato, até ser flagrado pela disciplina da fôrma, a confusão da dor nas veias a me arrastar, até chegar ao morro alto, tão alto, do frio esquentar os dedos nas estrelas quando tudo era inútil. Até aí eu era tantos e os outros eram em mim invisíveis tomando a vez e o caos para aprender o amor a me aprimorar, rejuvenescer, revitalizar, mas isso era nada, eu também nada no mundo no qual só valia ter e não tinha nada pra vender nem pra trocar, apenas viver. DUAS: SALA DE AULA - Era eu e muitos sequiosos aboletados, olhos às nucas, enfileirados no espaço, quase centena onde só caberia não mais de algumas dezenas, sardinhas na lata, quantos interditos e nenhum pio pra sapiência absoluta deitar imbróglios com seus apodos à queima-roupa e gestos de ordem, sanções de lâmina fria e afiada na fala siderada com suas exegeses menores que suas próprias palavras e seu próprio tamanho diante do nariz e quase ofensa, quem era quem, quem disse o quê e transigir, era a psicologia da manada engolindo todos e qualquer passo em falso já me delatavam desertos, a queda de quem queria ocupar uma porção da vida sem saber ao certo onde ela pudesse estar porque tudo era a torre da derrota no apontamento da ideologia, pra depois se esvair na purgação voluntária e marcas indeléveis, dilacerantes hesitações povoando a mente com a sedutora serpente falante fabricando o desordenado, o desequilibrado, as angústias em não sei quantas páginas do caderno de zis matérias, e a cada sete anos as sombras de insanidade por epifanias até a perda do paraíso, quantas questões e efusões amorosas, hierofanias para tantas impossibilidades, não havia o que aprender, só repetir e decorar, tudo aos pedaços como se fosse a mais poderosa verdade e não era. Assim, desde que o mundo é mundo. Na primeira investida da dúvida: Sai pra lá, lambaio! Em bom português: Te vira, meu! E metia o sarrafo no pomba-lesa e saia arrolando os pormenores do atoleiro por catábases que davam pra morte tomada a prestação, numa raiz quadrada com a prova dos nove para um posto avançado no fim do mundo, cheio de charcos e descampados, mil conjeturas, pelos rodeios pro lamaçal de coisas insensatas, a meter medo de coisas que não fazia a menor ideia, o pavor dos mortos e dos fantasmas com seus horrores de segunda mão e isso era o certo como dois e dois são quaisquer coisas que quisessem os superiores donos da razão e do saber. Para ser franco, nos atalhos do raposário e aos maus conselhos do tinhoso, era dado como caso perdido, um sujeito malcriado e respondão à mercê de tantas esquisitices do tempo de ninguém, até se achava ao direito de mesuras, reprimendas fatais e zombarias pra tonto: Você é doido ou está se fazendo, hem? Ora, faça-me um favor! Davam o que falar, azo para mexericos, ah, cara ou coroa do tempo das cavernas, vigarices, esporros e bisturis morais, quejandos do contra, haja jogo de cintura, cada um com seu cada qual: dialetos, etiquetas, grunhidos, tacapes, manias de assepsia, recriminações, insanidade e amputações, cirurgias de não, suturas de deveres, curativos de enquadramento, quantos naufrágios. Ao soçobrar, um raio nas pálpebras e os sons incomuns das novidades, cenários insólitos, os olhos sabiam ver para desvendar, mas não deixavam, teve que dar um bico nas questões atinentes ao tempo e ao espaço, causa ou efeito, noções intuitivas, afinal tudo é uma teia de relações entre as diversas partes de um todo unificado. Como não era de decorar o ditado nem copiar o escrito alheio de próprio punho por obrigação, havia uma ponta de dignidade e amor próprio e, por opção, escolheu a liberdade e a vida, por conta disso tanto fazia estar no topo do monte ou morrendo afogado numa poça d’água qualquer. TRÊS: A SAIDEIRA DA DESARRUMAÇÃO - Ainda ontem eu vi coisas de hoje em dia: gente revanchista com arrazoado meter o pau no projeto futuro pelo que não amealhou no passado e agora, levar tudo nas coxas sem a menor articulação, falar por falar com carradas de razão, cuspir desavença dono da verdade, chamar na grande o que não sabia por não enxergar um palmo além do nariz, protestar sem vergonha pelo que desdizia, revogar o proposto por entender ao contrário, pleitear o diverso em detrimento do próprio anseio e, surpreendentemente, condenar o próprio interesse por não entender o que defendia, rebelde sem causa pra ser simplesmente do contra e quando o resultado final é o malogro constatado, aí não, ah, quer que todo processo legítimo seja anulado simplesmente porque contrariou tudo que defendia, ou melhor, acusava, ou sei lá o que realmente queria. Ora, ora. Qualquer semelhança não é só mera coincidência como coisa comum no dia a dia. Gente é coisa muito complicada, hem? © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá é dia de especial com o cantor, compositor, músico, produtor, arranjador e escritor Caetano Veloso: Zii & Zie ao vivo, Multishow ao vivo & Circuladô de fulô; e a cantora e compositora Maria Bethânia: O canto do Pajé, Maricotinha ao vivo & Amor festa devoção; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] O que somos ou, melhor ainda, o sentido de quem somos,d epende das histórias que contamos e das que contamos a nós mesmos. Em particular, das construções narrativas nas quais cada um de nós é, ao mesmo tempo, o autor, o narrador e personagem principal. Por outro lado, essas histórias são construídas em relação às histórias que escutamos, que lemos e que, de alguma maneira, nos dizem respeito na medida em que estamos comelidos a produzir nossa história em relação a elas. [...]. Pensamento extraído de Tecnologias do eu e educação (Vozes, 1994), do professor e educador Jorge Larrosa. Veja mais aqui. 

PENSAMENTO & PALAVRA - [...] A relação entre o pensamento e a palavra não é uma coisa mas um processo, um movimento continuo de vaivém, engre a palavra e o pensamento; nesse processo a relação entre o pensamento e a palavra sofre alterações que, também elas, podem ser consideradas como um desenvolvimento no sentido funcional. As palavras não se limitam a exprimir o pensamento: é por elas que este acede à existência... O pensamento e a palavra não são talhados no mesmo modelo: em certo sentido há mais diferenças do que semelhanças entre eles. A estrutura da linguagem não se limita a refletir como num espelho a estrutura do pensamento; é por isso que não se pode vestir o pensamento com palavras, como se de um ornamento se tratasse. O pensamento sofre muitas alterações ao transformar-se em fala. Não se limita a encontrar expressão na fala; encontra nela a sua realidade e a sua forma. Trecho extraído da obra Pensamento e linguagem (Antídoto, 1979), do cientista e psicólogo russo Lev Vygotsky (1896-1934). Veja mais aqui e aqui.

MARIANNE – [...] Essa jovem, Marianne, era pintora, e datilografava à noite para ganhar um dinheiro. Tinha uma aureola de cabelos dourados, olhos azuis, rosto redondo, seios fartos e firmes, mas tinha tendência a ocultar a opulência de seu corpo em vez de exibi-la, de disfarça-la sob trajes boêmios disformes, jaquetas folgadas, saias de colegial, capas de chuva. Ela vinha de uma cidade pequena. Tinha lido Proust, Krafft-Ebing, Marx, Freud. (…) Nada a havia tocado profundamente. Ainda era virgem. Eu podia sentir isso quando ela entrava na sala. Do mesmo modo que um soldado não deseja admitir que está amedrontado, Marianne não queria admitir que era fria, frigida. Mas estava fazendo psicanálise. Trecho extraído de Delta de Vênus (Artenova, 1978), da escritora francesa Anaïs Nin (1903-1977). Veja mais aqui e aqui.

CONVITE - Poesia / brincar com palavras / como se brinca / com bola, papagaio, pião. / Só que / bola, papagaio,pião / de tanto brincar / se gastam. / As palavras não: / quanto mais se brinca / com elas / mais novas ficam. / como a água do rio / que é água sempre nova. / como cada dia / que é sempre um novo dia. / Vamos brincar de poesia? Poema do poeta, ensaísta, jornalista e tradutor José Paulo Paes (1926-1988). Veja mais aqui.

ESTATUTO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA
Art.1 É instituída a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência), destinada a assegurar e a promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais por pessoa com deficiência, visando à sua inclusão social e cidadania. Parágrafo único. Esta Lei tem como base a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo, ratificados pelo Congresso Nacional por meio do Decreto Legislativo nº 186, de 9 de julho de 2008, em conformidade com o procedimento previsto no § 3º do art. 5º da Constituição da República Federativa do Brasil, em vigor para o Brasil, no plano jurídico externo, desde 31 de agosto de 2008, e promulgados pelo Decreto nº 6.949, de 25 de agosto de 2009, data de início de sua vigência no plano interno. Art. 2º Considera-se pessoa com deficiência aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas. § 1º A avaliação da deficiência, quando necessária, será biopsicossocial, realizada por equipe multiprofissional e interdisciplinar e considerará: I – os impedimentos nas funções e nas estruturas do corpo; II – os fatores socioambientais, psicológicos e pessoais; III – a limitação no desempenho de atividades; e IV – a restrição de participação. § 2º O Poder Executivo criará instrumentos para avaliação da deficiência.
Trechos da Lei nº 13.146/2015 - Estatuto da pessoa com deficiência (Senado Federal/CET, 2015). Veja mais aqui, aqui e aqui.
  
Veja mais:
Existe gente pra tudo!, Vanmegaprana, a escultura de Josefina de Vasconcelos, Todo dia é dia da mulher, a música de Anelis Assumpção, a arte de Harriet Hosmer & Banksy aqui.
Simulacros, Roberto Remiz & Nina Kozoriz aqui.
Bernardo Guimarães, Nina Simone & Darel Valença Lins aqui.
António Damásio, Pierre-Jean de Béranger & Marcia Lailin aqui.
Descartes & Margarethe Von Trotta aqui.
Coelho Neto & Logoterapia aqui.
A poesia de Wystan Hugh Auden, a literatura de Stanislaw Ponte Preta & Anaïs Nin, A música de Francisco Manuel da Silva, A pintura de Alberti Leon Battista, Maria de Medeiros & Luli Coutinho aqui.
Hypatia & Ágora, o filme aqui.
Inesquecível viagem ao prazer & Lucia Helena Galvão Maya aqui.
Proezas do Biritoaldo: Quando a corda arrebenta, a covardia fica de plantão aqui.
O pensamento de Baruch Espinoza aqui, aqui e aqui.
Conversa de pé de ouvido, As presepadas de Doro, Erasmo de Roterdam, O peido & a Educação, Fernando Fiorese, A primavera de Ginsberg, Graciliano Ramos & Alagoas aqui.
A balsa da Medusa aqui.
Meu ensino de Jacques Lacan & Disco Friends aqui.
Antígona de Sófocles aqui.
Reflexões de metido em camisa de onze varas, Ralph Waldo Emerson, Síndrome de Klüver-Bucy, Isaac Newton, Viviane Mosé, Carl Gustav Jung & Sabina Spielrein, Cloltilde de Vaux & Auguste Comte aqui.
Remexendo as catracas do quengo e queimando as pestanas com coisas, coisitas e coisões, Débora Massmann, Boaventura de Souza Santos, Terêncio, O Fausto de Goethe, Ética, Saúde no Brasil & Big Shit Bôbras aqui.
A música de Nando Lauria aqui.
Charles Baudelaire, Gianni Vattimo, Sören Kierkegaard, Tribo Ik, Adriano Nunes & Do individualismo possessivo ao umbigocentrismo da futilidade aqui.
Pobreza aqui.
Paulo Leminski, Mestre Eckhart, Moisés Maimônides, Píndaro, A oniomania & o Shopaholic, Gilton Della Cella & Programa Tataritaritatá aqui.
A explosão do prazer no Recife, Educação, Manoel de Barros, Gaston Bachelard, Luiz Ruffato, John Dewey, Marcelino Freire, Ottto Maria Carpeaux, Armando Freitas Filho & Programa Tataritaritatá aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do pintor português Eduardo Afonso Viana (1881-1967).
Veja mais aqui.

quarta-feira, outubro 18, 2017

HERMILO, JESSIE BOUCHERETT, LUIZ BERTO, PINTANDO NA PRAÇA & SERRA DO QUATI – CAPOEIRAS

SERRA DO QUATI, CAPOEIRAS - Imagem: Serra do Quati/Capoeiras/Raimundo Lourenço. - Nasci na beira do Una, andejo do dia singrando na vida. Do outro lado o Mundaú vai pra Alagoas, até mais, boa viagem, eu sigo por conta do Planalto da Borborema para ser o que for feito por força do querer. Sou meio de rio, águas que de mim são correntezas de sonhos e anseios. Sou caeté da sina de ontem e vou pelo sítio Imbé, onde a minha raiz quilombola beija a brisa na minha abissal alegria agreste. Sou do mato viceja na beira da estrada, sou da mata densa dos bichos da infância, folhas que matizam as minhas manhãs e tardes, flores que perfumam aonde quer que eu vá. E vou célere assíduo pelo açude Gurjão, pra ir pro Riacho do Mel, atalhando o Mimoso, chegando em Maniçoba e de lá seguir pelo Mocambo como quem vai para Alegre dizer que vou pra Pau Ferro levar as boas novas. Sou desse chão que também sou e lavo meus os pés no Cajarana porque me batizei no da Pracinha, no Bom Destino, no do Mel do Meio e no de São Pedro e quero ir pra festa da Praça quando a noite chegar. E quando alta madrugada meu peito em poesia seguir até a Serra do Quati, ao reluzir o amanhecer, eu serei o espetáculo: assim como em cima, é embaixo. O céu, as nuvens, o universo no êxtase das mãos, na chuva a me banhar, alma lavada na imensidão, a comunhão do meu íntimo: tudo e todas as coisas, o infinito, mais que a mim mesmo, o prazer de estar cônscio de que há muito mais do que possa ver, muito além do que consiga enxergar: o prazer de estar vivo e viver. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com a música do pianista Nelson Freire: Bachianas Brasileiras & Alma Brasileira de Villa-Lobos & Estampes de Debussuy; daq cantora Maria Bethânia: Maricotinha ao vivo, O canto do Pajé – 25 anos & Pássaro Probido; do violonista e compositor Felipe Coelho: Cata Vento, Musadiversa & Telhados; e da cantora, instrumentista e compositora Ceumar: Dindinha, Silencia, Sempre Viva & Meu nome. Para conferir é só ligar o som e curtir.

OS 500 ANOS DE DIOGO DE PAIVA - [...] A história repercutirá intensamente e, como é de seu costume, sustentará o governo e sua polícia uma versão que a tudo contraria, desde as evidências até o correto uso da razão. Porque assim lhes convém. Porque é imperioso que se sepulte com Diogo de Paiva uma incomensurável quantidade de fatos escabrosos, comprometedores e altamente incriminadores das elites governantes e influentes do país. Mesmo que de há muito estes fatos já sejam com conhecimento de toda a população. Mas há que se manter as aparências. Como tem acontecido desde os tempos do descobrimento. Ironicamente, o julgamento, a condenação e a execução de Diogo de Paiva, decidida em secreto e restrito tribunal, são levados a cabo apenas pelos seus cometimentos recentes, quando atuou como tesoureiro na campanha de um presidente corrupto que, afinal, perdeu o mandato antes do final. Toda a vida pregressa de Diogo de Paiva, até por ser desconhecida do tribunal que o julgou, não é levada em consideração. Enfim, um julgamento inglório e mesquinho, em total descompasso com a monumentalidade de sua figura. [...] São esses instantes finais, ao lado da jovem amante, bela em sua quietude de morte, uma faísca de luz em sua cabeça, unindo sua chegada em 1500 à posse do seu filho em 2003. Nos instantes imediatamente anteriores ao disparo que lhe atinge o peito, Diogo de Paiva tem uma fugaz visão do céu nordestino, pela janela do seu quarto que dá para a praia e constata, com os olhos cheios de luze o coração cheio de ternura, que é o mesmo céu brilhante de azul que se apresentou às suas vistas naquela manhã em que se fez menos na frota do Capitão Vicente Yañez Pinzon. Com a alma risonha e com a certeza de haver cumprido honradamente sua missão na construção e no estabelecimento do Mundo Novo, entrega sua presença a Deus. Trechos da obra Memorial do Mundo Novo (Bagaço, 2008), do escritor Luiz Berto. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

PINTANDO NA PRAÇA
DIA DO PINTOR – Exposição do projeto Pintando na Praça, realização do poeta e artista plástico Paulo Profeta, na Biblioteca Fenelon Barreto – Palmares – PE. Veja mais aqui.

SER PERNAMBUCANO – [...] Você foi dizer o que era e terminou como terminou. Aliás, todas as vezes em que a gente insiste em dizer o que é mesmo, lasca-se. Posso fazer um pouco de lirismo barato, confessando que para sair pela tangente? Isto é o tipo de coisa subjetiva e não posso falar pelos outros, somente por mim, mesmo correndo o risco de que já falei. Mas vamos lá: ser pernambucano é estar ao lado dos movimentos libertários, é não se conformar com o subdesenvolvimento da zona rural, é tremer de horror diante dos mocambos e alagados, é não admitir que os ricos se tornam mais ricos e os pobres mais pobres, é comer os quitutes da nossa cozinha, é falar mal do Recife e não conseguir desprender-se dele, é amar e ter inimigos, é pedir ao garçom mais uma dose de Passport. Mas isto são atributos de qualquer homem em qualquer lugar. E chego a uma conclusão muito séria: não sei o que é ser pernambucano [...]. Trecho extraído da obra Agá (Civilização Brasileira, 1974), do escritor, dramaturgo, tradutor e advogado Hermilo Borba Filho. (1917-1976). Veja mais aqui e aqui.

Veja mais:
Poema em voz alta, Cidadania & Meio Ambiente, O erotismo de Gerges Bataille, Ciranda dos libertinos de Marquês de Sade, Decameron de Pasolini, o pensamento de Maryam Namazie, a escultura de Leroy Transfield, a pintura de Paul Cezzane & Olivia de Berardinis, A mulher suméria, a música de Karina Buhr, Núpcias do NUA, Estado Imediato, a entrevista de Frederico Baarbosa & o grafite de Mozart Fernandes aqui.
Rio Una: eu nasci entre um rio e um riso de mulher, A energia espitirual de Henri Bergson, Menino de Engenho de José Lins do Rego, Poema & Oração do Milho de Cora Coralina, a música de Heitor Villa-Lobos & Nelson Freire, Humor e alegria da educação de Valéria Amorim Arantes, Improvisação para o teatro de Viola Spolin, a arte de Grande Otelo, Brincarte do Nitolino, a pintura de Manuel da Costa Ataíde & Luis Sergio Mafra aqui.
O corpo dela é o pomar do amor & programa Tataritaritatá aqui.
A psicologia de Pierre Weil, Psicoterapia mente-corporal de Alexander Lowen & Doro nas eleições aqui.
Os lábios da mulher amada, Crônica de amor por ela & Cantarau Tataritaritatá aqui.
Saúde no Brasil, Fecamepa & Big Shit Bôbras aqui.
Falando de sexo, Isabel Allende  & Zine Tataritaritatá aqui.
Saúde no Brasil, HapVida & Derinha Rocha aqui.
Moto perpétuo, a psicologia de Martin Buber & Priscilla Larocca, A essência da poesia de T. S. Eliot, Hope 2050, A música de Carl Nielsen & Cecília Zilliacus, a teoria literária de Kenneth Burke, o teatro de Mário Viana, a arte de Zuzana Vejvodova, Ponto G, a pintura de Rick Nederlof & Francisco Zuniga aqui.
Autismo, Educação Inclusiva & Tataritaritatá na Difusora de Alagoas aqui.
A arte de Rosana Simpson aqui.
Vera indignada & O segundo sexo de Simone de Beauvoir aqui.
Maceió & Lagoa Mundaú aqui.
La rebelión de lãs massas de Ortega y Gasset, Eu voltarei ao sol da primavera de Ascenso Ferreira, a música de Alexander Scriabin, A função do orgasmo de Wilhelm Reich, O orgasmo de Esperantina, a pintura de Renato Alarcão & Pablo Garat aqui.
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
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TODO DIA É DIA DE JESSIE BOUCHERETT
Homenagem à escritora e ativista inglesa dos direitos das mulheres, Jessie Boucherett (1825-1905), uma das fundadoras da Society for Promotying the Training of Women, em 1859; promotora do sufrágio feminino e apoiadora do Ato de Propriedade das Mulheres Casadas de 1882, fundadora da Englisgwoman’s Review em 1866, e co-fundadora do Women’s Sufragge Journal.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.

GONÇAL MAYOS, MARINE PETROSSIAN, PÉTER NÁDAS & IRANDHIR SANTOS

  Imagem: Arrostar aporias , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Fábula dos embeiçados desavindos... ...