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segunda-feira, março 11, 2019

IGNÁCIO DE LOYOLA BRANDÃO, DAREL VALENÇA LINS, CHELPA FERRO, POETA PICA PAU, VALE DO UNA & IGARAPEBA.


O NORDESTINO POETA PICA PAU – Lá pelo início dos anos 1970, conheci aquele que vinha zambeta de venta empinada pela Rua Nova, carregando baldes atrás de lavagem pra porcos. De casa em casa gritava: Tem lavagem? De dentro vinha resposta, postiva ou negativa e, dependendo disso ele se ria ou saia maldizendo tudo. Era, então, Zé Pilintra e não arriava na beca, prumode o quê?: Prumode que é que é, qui nós home mata a mata? / Se a mata nus encanta, lugar onde o pássaro canta / com a lenda do Pai da Mata. / Quanto mais se mata a mata, a mata se consome / o home matando a mata, a mata ao home faz falta / e o mundo sentindo fome. / A mata senta a falta do grande potencial / da madeira do angico, e também do tico-tico / do bico do Pica Pau. Isso prova que mesmo parecendo um chato arengueiro, era cabra, no fundo, gente boa, só que se amostrava com a peste: Sou cria da mesma praça / que criou-se Giramundo / da terra sou oriundo / de um trovador de raça / eu sou pão da mesma massa / de um cantador esperto / sou troncho, torto sou certo / sou leso e não sou banana / mas sou a Besta Fubana / do escritor Luiz Berto. Era os tempos de estudante do Ginário Municipal, das estripulias licenciosas e maloqueragens adolescentes. Pois bem, tempo vai, tempo vem, a gente se danou na buraqueira do mundo e, uma década depois, se reencontra: pinga, meiota, cajá, caju, siriguela, bunda de tanajura e lavando tudo com cerveja, pilhéria, versejada e uma viola de 12 cordas Del Vecchio no meio da camaradagem. Diz ele que eu afanei o instrumento desencordoado, não foi, na verdade. Queria mesmo dar umas cipoadas boas no instrumento pra ver se aprendia direito. Não deu, nunca passei de poetastro, mas graças a ela, um dia depois de uma tocada boa, lá ia eu desprevenido pela rua e um cão que parecia um leão me atacou e nela me protegi. Resultado: do medo e quase que cagado, o ataque torou o braço da viola no meio que até hoje está num canto da casa de um consertador amigo. Por conta disso, a gente manga um do outro até hoje: eu das minhas besteiras de bestão tapado sem competência no métie; ele, da sabedoria, não perde uma, desaforo que seja, na ponta da língua arrelia de cima sem arriar no badalo: Guará gago não gagueja, e gato gago não mia. Eu que sempre fui um poeta de água doce, nunca acompanhei os motejos poéticos dele: Um grande furacão eu enfrentei / me deparei sem querer com um vulcão / antes de entrar em erupção / nas entranhas da terra emburaquei / quando nas placas tectônicas passei / o segredo já estava desvendado / os minérios que foram encontrados / são riquezas do poder da natureza / observando assim toda beleza / quando dei fé já tava do outro lado. De tão metido, vez em quando, no meio das pinoias e trocas de ofensas, ele sapecava no pau da minha venta um acrótisco: Não há dinheiro que pague / o valor que a gente tem, / ricos de literatura / dádiva de Deus amém, / ensinamento divino / sapiência do além, / talento cabra da peste / inspiração com encanto / nunca sentimos tanto / orgulho deste Nordeste. Jogava mais na minha lata o quanto honrava a tradição instaurada pelo poeta Manuel Bentevi: Me criei com o Pai da Mata / e Cumade Fulosinha / levei a vida todinha / vendo o Saci Pererê / Bumba meu boi pra se ver / tem a Mula sem Cabeça / espero que não esqueça / do meu tempo de menino / vou seguindo meu destino / levando a lenda às alturas / o folclore é a cultura / de um povo nordestino. / Baião de Luis Gonzaga / xaxado de Lampião / são danças da região / que deixa a gente animado / pastoril coco de roda / maracatu e reisado / lá na festa do Divino / se ouve o bater do sino / convidando as criaturas / o folclore é a cultura / de um povo nordestino. Pra você ter uma ideia, o sujeito não cabe em si de tão folgado, não deixando qualquer loa sem os respectivos bregues: Encontrei uma aguardente / cana boa de Sergipe / curava tosse e gripe / até tristeza da gente / com uma dose somente / suavizava um rouco / pra quem bebesse pouco / era remédio e curava / mas pra quem exagerava / era pô bôrocotôco. Feito pinto no lixo em qualquer faustoso repasto, o enxerido solta uma lapa de língua e saçarica ineivado: Chapéu de otário é marreta / comer de esperto é mingau / quem é otimista sonha / o realista é quem faz / quem trabalha Deus ajuda / cochichou cachimbo cai [...] Tristeza traz depressão / e toda dúvida é incerta / a chuva fina não molha / depois da curva vem reta / com rimas de faz poesias / inspiração d’um poeta. E para mais me humilhar, arruma a gola no vinco e a fivela nos quartos, enche o pulmão com afinco e se amostra todo ancho cheio do Tataritaritatá: Joaninha a filha mais nova / de Gregório cabra danado / que quando ficava zangado / leva 1, 2,3 pra cova / eu quis tirar essa prova / lhe chamei pra namorar / ela disse vou aceitar / mas tenho quase certeza / que meu pai vai te matar / eu fiz uma festa daquelas / embriaguei o pai dela / me agarrei com a donzela / e tari, tari, tari, tatá. Não para por aí, afina o gogó e pisa forte no martelo: Uma casa de taipa chão batido / o terreiro arrudiado de fulô / na janela uma cortina de tricô / uma cerca de arame retorcido / uns cabritos no pasto distraídos / no alpendre alguém bate o pilão / no roçado a dibúia de feijão / no fogão a panela à cuziar / e sem ter como isso registrar / tirei foto com a imaginação. Pois bem, esse alagoano de Passo de Camaragibe chegou menino em Palmares, fincou os pés no chão proseando descarado: O tum, tum tum no pilão / de longe se escutava / na chaleira mão botava /  o pó e água no fogão / com fartura de montão / para mesa ela trazia / a gente se reunia / pro alimento primeiro / ainda hoje eu sinto o cheiro / do café que mão fazia. Montado numa lapa de bigode não para no amostramento: Alerto as autoridades, / e doutores competentes / para voltasse ao sistema / que já salbou muita gente / porém com estilo ótico / vi no diagnóstico / que o SUS está doente. Com o tempo, como um bom embeiçador da tirana, tornou-se técnico em produção de açúcar e álcool e, também, em logística e gestão de pessoas. Graduou-se em Teologia para ampliar seu arcabouço intelectual: afinal, pro cabra ser bom tem que entender de tudo, até das coisas do outro mundo que ele se diz doutor. Publicou uns livros. Destes, eu tenho um livro e um cd: Feitos d’versos (Outras Palavras, 1995) e Umas & outras. O restante deles, não sei se por pirangagem da sua mão de figa, nem eu tenho, nem na biblioteca ou na Academia onde ele ocupa uma das cadeiras de imortal, podem ser encontrados: Sussurros da mata (Bagaço, 1986), Num rio de poesias (Universitária, 1987), Despertar no rincão, Matutando na literatura e Prosa de terreiro. S’assente, meu véio, faça isso não. Agora ele reaparece com a obra Nordestino sim senhor (JC, 2018): Tinha um rio, uma pedra, e um peixe / o rio corria, a pedra crescia, o peixe nadava / a agua batia e a pedra molhava / e na correnteza a peixe subia / o rio foi poluído / a pedra explodida / e o peixe sumido / puta que pariu, quem diria! Só tenho agora uma coisa a dizer: esse é dos bons, afianço (quem sou eu? Ah, bicho besta metido às pregas), esse José Maria Sales, o poetamigo Pica Pau. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: O QUE É SER BRASILEIRO
[...] e não me senti brasileiro. O que é ser brasileiro? Tomar deste sorvete? Falar português? Levar vantagem, guardar dólar para valorizar, aceitar passivamente a inflação, aplicar no open, invejar a corrupção impune, usar tanga minúscula exibindo os pentelhos, saber estourar pipoca, jogar na loto, saber com quem está falando, procurar mordomia, assistir ao Fantástico, ter caderneta de poupança, tomar rabo de galo, achar caipirinha de vodca o máximo, fritar linguiça de porco, não pagar prestação da casa própria, se pendurar num emprego público, ter sucesso, adorar voleibol, ter todos os cartões de crédito, comer abobrinha, mandioca frita, dar um jeitinho, ter um contrabandista amigo para as bebidas, curtir o carnaval, usar jeans com grife estrangeira, fingir que não se incomoda com o que Roberta Close tem no meio das pernas, ter fé em Nossa Senhora Aparecida, ser doutor, mentir como o governo, acreditar na macumba, sacanear, desmentir como o governo, devorar dobradinha às quartas-feiras e feijoada aos sábados, adorar bundonas, dizer que come todas as mulheres, acreditar que ninguém pode com o brasileiro? [...].
Trecho extradído da obra O beijo não vem da boca (Global, 1985), do escritor e jornalista Ignácio de Loyola Brandão, Veja mais aqui, aqui e aqui.

A ARTE DE DAREL VALENÇA LINS
É a cor que muda as sensações e o clima do acontecimento. Pode atribuir um clima dramático, ou poético, ou sombrio. Pensamento de Darel Valença Lins
As prostitutas [...] dizem coisas através da maneira como se vestem, o que traduz o interior de cada uma delas [...] Não é por necessidade erótica que fico atraído pelo tema, mas pela forma, pelo sensualismo das roupas, do penteado, da maquilagem. Esses aspectos me causam grande interesse visual e muito pouco sensual. Muita gente procura fazer sensacionalismo, como se eu fosse um cara que frequentasse habitualmente os bordéis, tomasse absinto e enchesse a cara [...] Trechos de uma entrevista de Darel Valença Lins ao Jornal Auxiliar, São Paulo, 01/07/1985.
[...] As cidades inexistentes que ele cria e que parecem despovoadas, os seres humanos esmagados pela máquina – e tudo isso na atmosfera penumbrosa do sonho, um realismo que nós reconhecemos como se fosse nosso: beleza e pesadelo marcam a obra de Darel. Como se podem unir estas duas palavras – só Darel sabe porque ele vive seus sonhos, não como homem irreal, mas como um homem. Quem habita as enormes cidades, senão o próprio Darel que as sonha e idealiza? Sonhar e idealizar são o ideal de um homem, de uma mulher. Em Darel, além da parte artística propriamente, há uma preocupação com a totalidade do ser humano em sua plenitude. O choque impotente do indivíduo diante da máquina. As cidades escuras onde uma ou outra janela de luz acesa atestam que elas são habitadas. Psicanalisando ou não, trata-se de um grande artista e tenho que falar no resplandecente mistério de sua obra. Dela emana, tanto da gravura, quanto do óleo e do desenho o grande mistério de viver [...] Palavras da escritora Clarice Lispector, em Diálogos Possíveis. Darel, revsita Manchete, São Paulo 07/1978.
A arte do premiado gravurista, pintor, desenhista, ilustrador e professor Darel Valença Lins (1924-2017), que foi professor da Enba, Faap e Masp, atuou como ilustrador em diversos periódicos, como a revista Manchete, Senhor e Playboy, e os jornais Última Hora e Diário de Notícias, entre outros. Foi encarregado das publicações da Sociedade dos Cem Bibliófilos do Brasil, ilustrou livros dos maiores escritores da literatura brasileira, como Graciliano Ramos, Dalton Trevisan, Antonio Maria e Clarice Lispector. Conviveu com Iberê Camargo, Cândido Portinari e Oswaldo Goeldi, entre outros. Fonte: GORINO, Vitor Hugo. Litografia artística brasileira: Lotus Lobo e Darel Valença Lins (Universidade Estadual Campinas, 2014). Veja mais aqui, aqui e aqui.

A MÚSICA DE CHELPA FERRO
O coletivo Chelpa Ferro foi criado em 1995 e reúne a trajetória de renomados profissionais, como o pintor Luiz Zerbini, o escultor Barrão e o editor de cinema Sérgio Mekler, aliando experiências pessoais que exploram possibilidades na produção de arte contemporânea brasileira, utilizando elementos sonoros justapostos aos visuais em suas obras. A abordagem interdisciplinar é revelada pela aparente desorganização meticulosamente orquestrada, criando espaço de fronteira entre os objetos articulados, o público e o som em suas performances, instalações e shows. Na obra Maracanã (2003), realizada no Museu de Arte Moderna (MAM), do Rio de Janeiro, replica por meio de música eletrônica experimental a emoção de um jogo de futebol e apropria-se do espaço com a grandeza da arena construída. Assim, na obra de Chelpa Ferro, a percepção convencional de música é desconstruída, criando uma nova linguagem sonora que, ao ser equalizada em função escultórica, assinala correspondências ativadas pela disposição e curiosidade do espectador. Já Acqua Falsa (2005), apresentada na 51a Bienal de Veneza, a obra incorpora a apresentação ao vivo com o improviso e interação com o público. A performance Autobang, na 27a Bienal de São Paulo (2002), o batuque gerado pelos porretes em ação é amplificado pelas caixas de som, produzindo distorções que se revelam na construção de fronteiras entre ruído e música, processo e resultados, espaço e escultura orienta a poética deste coletivo, a reflexão sobre o improviso, o reprocessamento e a criatividade da cultura brasileira. Já se apresentou em Havana (2003), em Porto Alegre, e possui 4 álbuns lançados nos anos de 1997, 2011, 2012 e 2013. A discografia do coletivo registra experimentações sonoras em shows ao vivo e publicado um livro com um panorama das criações do grupo. Veja mais aqui.
&
VALE DO UNA - CAPOEIRAS, ONDE NASCE O RIO UNA
Veja mais aqui & aqui.
&
IBA.VALE: ARTE EM IGARAPEBA
Veja aqui e aqui.
&
A poesia do poeta Pica Pau aqui & aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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quarta-feira, outubro 18, 2017

HERMILO, JESSIE BOUCHERETT, LUIZ BERTO, PINTANDO NA PRAÇA & SERRA DO QUATI – CAPOEIRAS

SERRA DO QUATI, CAPOEIRAS - Imagem: Serra do Quati/Capoeiras/Raimundo Lourenço. - Nasci na beira do Una, andejo do dia singrando na vida. Do outro lado o Mundaú vai pra Alagoas, até mais, boa viagem, eu sigo por conta do Planalto da Borborema para ser o que for feito por força do querer. Sou meio de rio, águas que de mim são correntezas de sonhos e anseios. Sou caeté da sina de ontem e vou pelo sítio Imbé, onde a minha raiz quilombola beija a brisa na minha abissal alegria agreste. Sou do mato viceja na beira da estrada, sou da mata densa dos bichos da infância, folhas que matizam as minhas manhãs e tardes, flores que perfumam aonde quer que eu vá. E vou célere assíduo pelo açude Gurjão, pra ir pro Riacho do Mel, atalhando o Mimoso, chegando em Maniçoba e de lá seguir pelo Mocambo como quem vai para Alegre dizer que vou pra Pau Ferro levar as boas novas. Sou desse chão que também sou e lavo meus os pés no Cajarana porque me batizei no da Pracinha, no Bom Destino, no do Mel do Meio e no de São Pedro e quero ir pra festa da Praça quando a noite chegar. E quando alta madrugada meu peito em poesia seguir até a Serra do Quati, ao reluzir o amanhecer, eu serei o espetáculo: assim como em cima, é embaixo. O céu, as nuvens, o universo no êxtase das mãos, na chuva a me banhar, alma lavada na imensidão, a comunhão do meu íntimo: tudo e todas as coisas, o infinito, mais que a mim mesmo, o prazer de estar cônscio de que há muito mais do que possa ver, muito além do que consiga enxergar: o prazer de estar vivo e viver. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com a música do pianista Nelson Freire: Bachianas Brasileiras & Alma Brasileira de Villa-Lobos & Estampes de Debussuy; daq cantora Maria Bethânia: Maricotinha ao vivo, O canto do Pajé – 25 anos & Pássaro Probido; do violonista e compositor Felipe Coelho: Cata Vento, Musadiversa & Telhados; e da cantora, instrumentista e compositora Ceumar: Dindinha, Silencia, Sempre Viva & Meu nome. Para conferir é só ligar o som e curtir.

OS 500 ANOS DE DIOGO DE PAIVA - [...] A história repercutirá intensamente e, como é de seu costume, sustentará o governo e sua polícia uma versão que a tudo contraria, desde as evidências até o correto uso da razão. Porque assim lhes convém. Porque é imperioso que se sepulte com Diogo de Paiva uma incomensurável quantidade de fatos escabrosos, comprometedores e altamente incriminadores das elites governantes e influentes do país. Mesmo que de há muito estes fatos já sejam com conhecimento de toda a população. Mas há que se manter as aparências. Como tem acontecido desde os tempos do descobrimento. Ironicamente, o julgamento, a condenação e a execução de Diogo de Paiva, decidida em secreto e restrito tribunal, são levados a cabo apenas pelos seus cometimentos recentes, quando atuou como tesoureiro na campanha de um presidente corrupto que, afinal, perdeu o mandato antes do final. Toda a vida pregressa de Diogo de Paiva, até por ser desconhecida do tribunal que o julgou, não é levada em consideração. Enfim, um julgamento inglório e mesquinho, em total descompasso com a monumentalidade de sua figura. [...] São esses instantes finais, ao lado da jovem amante, bela em sua quietude de morte, uma faísca de luz em sua cabeça, unindo sua chegada em 1500 à posse do seu filho em 2003. Nos instantes imediatamente anteriores ao disparo que lhe atinge o peito, Diogo de Paiva tem uma fugaz visão do céu nordestino, pela janela do seu quarto que dá para a praia e constata, com os olhos cheios de luze o coração cheio de ternura, que é o mesmo céu brilhante de azul que se apresentou às suas vistas naquela manhã em que se fez menos na frota do Capitão Vicente Yañez Pinzon. Com a alma risonha e com a certeza de haver cumprido honradamente sua missão na construção e no estabelecimento do Mundo Novo, entrega sua presença a Deus. Trechos da obra Memorial do Mundo Novo (Bagaço, 2008), do escritor Luiz Berto. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

PINTANDO NA PRAÇA
DIA DO PINTOR – Exposição do projeto Pintando na Praça, realização do poeta e artista plástico Paulo Profeta, na Biblioteca Fenelon Barreto – Palmares – PE. Veja mais aqui.

SER PERNAMBUCANO – [...] Você foi dizer o que era e terminou como terminou. Aliás, todas as vezes em que a gente insiste em dizer o que é mesmo, lasca-se. Posso fazer um pouco de lirismo barato, confessando que para sair pela tangente? Isto é o tipo de coisa subjetiva e não posso falar pelos outros, somente por mim, mesmo correndo o risco de que já falei. Mas vamos lá: ser pernambucano é estar ao lado dos movimentos libertários, é não se conformar com o subdesenvolvimento da zona rural, é tremer de horror diante dos mocambos e alagados, é não admitir que os ricos se tornam mais ricos e os pobres mais pobres, é comer os quitutes da nossa cozinha, é falar mal do Recife e não conseguir desprender-se dele, é amar e ter inimigos, é pedir ao garçom mais uma dose de Passport. Mas isto são atributos de qualquer homem em qualquer lugar. E chego a uma conclusão muito séria: não sei o que é ser pernambucano [...]. Trecho extraído da obra Agá (Civilização Brasileira, 1974), do escritor, dramaturgo, tradutor e advogado Hermilo Borba Filho. (1917-1976). Veja mais aqui e aqui.

Veja mais:
Poema em voz alta, Cidadania & Meio Ambiente, O erotismo de Gerges Bataille, Ciranda dos libertinos de Marquês de Sade, Decameron de Pasolini, o pensamento de Maryam Namazie, a escultura de Leroy Transfield, a pintura de Paul Cezzane & Olivia de Berardinis, A mulher suméria, a música de Karina Buhr, Núpcias do NUA, Estado Imediato, a entrevista de Frederico Baarbosa & o grafite de Mozart Fernandes aqui.
Rio Una: eu nasci entre um rio e um riso de mulher, A energia espitirual de Henri Bergson, Menino de Engenho de José Lins do Rego, Poema & Oração do Milho de Cora Coralina, a música de Heitor Villa-Lobos & Nelson Freire, Humor e alegria da educação de Valéria Amorim Arantes, Improvisação para o teatro de Viola Spolin, a arte de Grande Otelo, Brincarte do Nitolino, a pintura de Manuel da Costa Ataíde & Luis Sergio Mafra aqui.
O corpo dela é o pomar do amor & programa Tataritaritatá aqui.
A psicologia de Pierre Weil, Psicoterapia mente-corporal de Alexander Lowen & Doro nas eleições aqui.
Os lábios da mulher amada, Crônica de amor por ela & Cantarau Tataritaritatá aqui.
Saúde no Brasil, Fecamepa & Big Shit Bôbras aqui.
Falando de sexo, Isabel Allende  & Zine Tataritaritatá aqui.
Saúde no Brasil, HapVida & Derinha Rocha aqui.
Moto perpétuo, a psicologia de Martin Buber & Priscilla Larocca, A essência da poesia de T. S. Eliot, Hope 2050, A música de Carl Nielsen & Cecília Zilliacus, a teoria literária de Kenneth Burke, o teatro de Mário Viana, a arte de Zuzana Vejvodova, Ponto G, a pintura de Rick Nederlof & Francisco Zuniga aqui.
Autismo, Educação Inclusiva & Tataritaritatá na Difusora de Alagoas aqui.
A arte de Rosana Simpson aqui.
Vera indignada & O segundo sexo de Simone de Beauvoir aqui.
Maceió & Lagoa Mundaú aqui.
La rebelión de lãs massas de Ortega y Gasset, Eu voltarei ao sol da primavera de Ascenso Ferreira, a música de Alexander Scriabin, A função do orgasmo de Wilhelm Reich, O orgasmo de Esperantina, a pintura de Renato Alarcão & Pablo Garat aqui.
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
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Agenda de Eventos aqui.

TODO DIA É DIA DE JESSIE BOUCHERETT
Homenagem à escritora e ativista inglesa dos direitos das mulheres, Jessie Boucherett (1825-1905), uma das fundadoras da Society for Promotying the Training of Women, em 1859; promotora do sufrágio feminino e apoiadora do Ato de Propriedade das Mulheres Casadas de 1882, fundadora da Englisgwoman’s Review em 1866, e co-fundadora do Women’s Sufragge Journal.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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quinta-feira, março 07, 2013

ELSE LASKER-SCHULER, RENÉ DES FORÊTS, MARIANNE FREDRIKSSON, ALICE LONGWORTH, DANIEL TAMMET, AUTISMO & AUTOESTIMA

 O RIO É SEU, UNA-SE!

Rio Una – Capoeiras – Pernambuco. Veja mais aqui

 



AUTOESTIMA - Já dizia Aristóteles que a felicidade é a satisfação da pessoa consigo mesma. Como isso faz tempo que foi dito, hoje falar de felicidade implica outras ponderações, como a que Eduardo Giannetti traz hoje na indagação sobre até que ponto a civilização moderna tem promovido ou dificultado a busca da felicidade. Isto porque é preciso ponderar onde se enquadra a felicidade na busca, anseio, desejo e perspectiva humana na sua adaptação constante num mundo contemporâneo complexo, competitivo e desafiador.
Afunilando tal questionamento, acredito que a felicidade está relacionada com a auto-estima. E como bem disse a psicoterapeuta Simone Maria Pinheiro Manzoni: “A auto-estima está inevitavelmente ligada ou fazendo parte de nossa identidade”. Isso mesmo. Pois bem. É encontrada na diversa literatura que a auto-estima é uma necessidade humana de respeito, autoconfiança e reconhecimento próprio e consciência das qualidades de si. Também é a relação de aceitação e de confiança da própria pessoa consigo mesma e para o enfrentamento dos desafios e metas da vida.
Diz-se, também, que é a vivência de estar apropriadamente articulado com a vida, isto porque ela atua sobre a atitude das pessoas sendo a maneira como cada um se gosta. Ela também é afetada e está relacionada com a nossa cultura em virtude da forma como somos afetados e influenciados culturalmente. Isto porque, segundo Nathaniel Branden (2002), todo mundo possui o que pode ser chamado de inconsciente cultural, um conjunto de princípios implícitos sobre a natureza, a realidade, os seres humanos, os relacionamentos, a compreensão e os valores de uma época e de um lugar histórico.
Alguns estudiosos acreditam que a auto-estima é composta por vários fatores, principalmente sociais e que o meio contribui para sua elaboração, além de ser estruturada por várias emoções como o amor, a paixão, a frustração, inveja, medo, prazer, alegria, solidão, entre outros.
Para Nathaniel Branden (2002), a auto-estima é a capacidade que uma pessoa tem de confiar em si própria, é algo que afeta crucialmente todos os aspectos da nossa experiência, é expressar de forma adequada para si e para os outros as próprias necessidades e desejos. A auto-estima não aparece de modo isolado, ela se desenvolve como parte de nossa personalidade. Portanto, a auto-estima é a chave para o sucesso ou para o fracasso.
Para Neri e Freire (2000), se ter auto-estima é julgar que "sou" adequado à vida, à experiência da competência e do valor, se a auto-estima é a auto-afirmação da consciência, de uma mente que confia em si, então ninguém pode gerar uma determinada experiência a não ser seu "eu" mesmo. Portanto a importância de uma auto-estima saudável está no fato de que ela é o fundamento da nossa capacidade de reagir ativa e positivamente às oportunidades da vida.
A auto-estima está assentada sobre dois pilares: auto-suficiência e auto-respeito. A auto-suficiência se identifica na capacidade de entendimento e discernimento das coisas e fatos, na expressão do nosso pensar, refletir, escolher e decidir. Já o auto-respeito está na nossa relação com os valores, dentro do contexto das nossas vontades, necessidades, afirmação na vida, conforto e pensamentos. E também pode ser a auto-estima expressada de forma positiva ou negativa. A auto-estima positiva é sentir-se confiantemente adequado a vida. Enquanto que a auto-estima negativa, ou baixa, como se diz comumente, é sentir-se inadequado a vida, com negativismo sobre si mesmo, gerando medo, ansiedade, fobias e problemas de saúde.
A auto-estima intimamente ligada à capacidade humana de ser feliz. E conforme Branden (2002), a auto-estima saudável esta significativamente relacionada com racionalismo, realismo, intuição, criatividade, independência, flexibilidade, capacidade de enfrentar os desafios, disponibilidade para admitir e corrigir erros, benevolência e cooperação. Assevera enfaticamente o autor que como a auto-estima é uma conseqüência, um produto de atitudes geradas internamente, não podemos trabalhar de forma direta nem com a nossa nem com de ninguém. Temos de nos reportar à fonte. Se entendermos o que são essas atitudes, podemos nos empenhar para iniciá-las dentro de nós e lidar com os outros de modo a auxiliá-los e encorajá-los a fazer o mesmo. Por isso, Branden (2002), elenca seis atitudes ou práticas que são definidas como essenciais para se construir uma auto-estima elevada, necessária para todas as pessoas: a primeira, a prática de viver conscientemente. Depois, auto-aceitação. Em seguida: senso de responsabilidade, auto-afirmação, viver objetivamente e integridade pessoal.
Vê-se, portanto, que se entendermos de fato o que é a auto-estima, a lógica dessas correlações torna-se clara. Isto quer dizer que quando a auto-estima é saudável não há receio algum da pessoa admitir o erro, não tendo vergonha de si nem de ninguém. Por outro lado, negações e uma postura defensiva são características da insegurança, da culpa, do sentimento de inadequação e da vergonha. É a baixa auto-estima que vive a simples admissão de um erro como humilhação e até mesmo como auto-condenação.
No que concerne às emoções, Braghirolli et al (2002) assinala a existência de alguns indicadores, ao todo três, que são utilizados para identificar as emoções: através de relatos verbais onde os indivíduos expressam oralmente ou escrevem sobre seus sentimentos; através da observação do comportamento que demonstra respostas visíveis às emoções; e através de indicadores fisiológicos, através da observação da pressão, tensão muscular, sudorese, ritmo cardíaco, entre outros.
As características identificadas no ser humano que possui auto-estima saudável, se expressa por meio de um sujeito poderoso, mas não opressor; inteligente, mas não pernóstico; humilde, mas não subserviente; ambicioso sem ser ganancioso, e compreensão, mas não idiota.
Por esta razão observa-se que é imprescindível para uma saudável auto-estima a formação, a consciência e o discernimento para que, harmonizada consigo mesma a pessoa possa atravessar, persistir, perseverar e suplantar os desafios e óbices da existência humana.

FONTES:
ANTUNES, Celso. Relações interpessoais e auto-estima: sala de aula como um espaço de crescimento integral. Petrópolis, RJ: Vozes, 2003.
BRAGHIROLLI, E. M.; BISI, G. P.; RIZZON, L.A.; NICOLETTO, U. Psicologia geral. Porto Alegre: Vozes, 2001.
BRANDEN, N. Auto-estima e os seus seis pilares. São Paulo: Saraiva, 1999.
_______. Auto-estima. como aprender a gostar de si mesma. São Paulo: Saraiva, 1995
_______. Auto-estima: liberdade e responsabilidade. São Paulo: Saraiva, 1997.
DOUGLAS, M. Como vencer com a auto-estima. Rio de Janeiro: Record, 1996.
FREIRE Paulo, Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.
______A importância do ato de ler, em três artigos que se contemplam. São Paulo: Cortez, 1983.
GIANOTTI, Eduardo. Felicidade: diálogos sobre o bem-estar na civilização. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.
MAZONI, Simone Maia Pinheiro. Auto-estima, seja você. Revista Municipal. Ano 01, Edição 1 [14-15], Maceió, julho de 2005.
PADILHA, Ênio. Marketing pessoal e imagem pública.Curitiba, Gráfica C. P. s. d.
SCHUTZ, Edgar. Reengenharia Mental. Florianópolis: Insular, 1998.
VYGOTSKY, L.S. Psicologia Pedagógica. Porto Alegre. Artmed, 2003.   Confira mais aqui. 

 

DITOS & DESDITOS - Eu tenho uma filosofia simples. Preencha o que está vazio. Esvazie o que está cheio. E coce onde coçar. Se você não tem nada de bom a dizer sobre alguém, sente-se aqui do meu lado. Pensamento da escritora estadunidense Alice Longworth (1884-1980).

 

ALGUÉM FALOU: O pior de envelhecer não é o cansaço e as dores, mas que o tempo passa tão rápido, que no fim parece que não existe. A mente pode fazer todas as perguntas sobre o sentido da vida. Mas não pode responder a nenhuma delas, pois as respostas estão além da mente. Pensamento da premiada escritora sueca Marianne Fredriksson (1927-2007). Veja mais aqui.

 

AUTISMO - NASCIDO EM UM DIA AZUL - […] Você não precisa ser deficiente para ser diferente, porque todo mundo é diferente. [...] Nenhum relacionamento é isento de dificuldades e isso certamente é verdade quando uma ou ambas as pessoas envolvidas têm um transtorno do espectro autista. Mesmo assim, acredito que o que é realmente essencial para o sucesso de qualquer relacionamento não é tanto a compatibilidade, mas sim o amor. Quando você ama alguém, praticamente tudo é possível. [...] Por que aprender um número como pi com tantas casas decimais? A resposta que dei então, como faço agora, é que pi é para mim uma coisa extremamente bonita e totalmente única. Como a Mona Lisa ou uma sinfonia de Mozart, pi é sua própria razão para amá-lo. [...] Trechos extraídos do livro Born on a Blue Day: Inside the Extraordinary Mind of an Autistic Savant (Free Press, 2007), do savantista britânico Daniel Tammet (Daniel Paul Corney), que tornou-se escritor e educador. Veja mais aqui e aqui.

 

O FALADOR –[...] Ao prazer ativo que na maioria das vezes me parecia exigente, ilusório, demasiado limitado ou ainda inacessível, preferia aquele a meu ver incomparavelmente mais comovente que me lançava o espetáculo de uma alegria coletiva expressa diversamente pelos rostos aos quais fixava um olhar fascinado [...]. Trecho extraído do livro Le Bavard (Gallimard, 1978), do escritor francês Louis-René des Forêts (1918-2000).

 

MINHA CANÇÃO, MEU SILÊNCIO - Meu coração é um tempo triste, \ Num tique-taque emudecido. \ Minha mãe tinha asas douradas, \ Que não encontravam mundo. \ Ouçam, ela se pôsa minha procura, \ Com seus dedos de luz e pés de sonho errante. \ E o tempo bom que brisa azul \ Sempre aquece meu sono \ Nas noites, \ Cujos dias usam a coroa de minha mãe. \ Bebo da lua o vinho tranquilo, \ Quando a noite cai só. \ Minhas canções tinham do verão os azuis \ E voltavam sombrias para casa. \ De meu lábio vocês debochavam, \ Mas ainda falam com ele. \ Sim, tentei segurar suas mãos, \ Pois meu amor é uma criança e quer brincar. \ O primeiro, tomei-o de vocês, \ E também o segundo, beijei-o, \ Mas meus olhar esse voltam para trás \ Na direção de minha alma. \ Tornei-me pobre \ De seus favores mendicantes. \ Ignorava o estar doente, \ E agora estou doente de vocês, \ E nada é mais furtivo que a doença, \ Que da vida quebra os pés, \ Rouba a luz ao caminho da cova \ E difama a morte. \ Meu olho \ É o cume do tempo, \ Seu brilho beija \ As barras de Deus. \ E ainda vou dizer mais, \ Antes que entre nós escureça. \ Se, entre todos, você for o mais jovem,\ Saberá do que em mim é o mais antigo. \ Os mundos todos brincarão \ De agora em diante em tua alma. \ E a noite vai se queixar \ Ao dia. \ Sou o hieróglifo \ Sob toda criação. \ E saí a vocês, \ Em causa da saudade por causa do humano. \ Arranquei de meus olhos os evos do olhar, \ De meus lábios, a luz vitoriosa \ — Pense num prisioneiro mais difícil, \ Num mago mais malvado: eis-me aqui.\ Meus braços, na querença de se erguer, \ Tombam.. Poema da poeta alemã Else Lasker-Schuler (1869-1945). Veja mais aqui e aqui.

 


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