
RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá é dia de especial com a música
do compositor, arranjador e maestro Rogério Duprat (1932-2006): The
Brazilian Suite, Nhô Look & Brasil com S; da cantora, violonista e
compositora Rosa Passos: Romance, Festival Jazz Vitória-Gasteiz &
Live at Jazz Lincoln Center; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog
& nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só
ligar o som e curtir.
PENSAMENTO DO DIA –[...] Certas
manhãs quando desço de bonde para o centro da cidade, naquelas manhãs em que,
no dizer do poeta, um arcanjo se levanta de dentro de nós; quando desço do
subúrbio em que resido há quinze anos, vou vendo pelo longo caminho de mais de
dez quilômetros, as escolas publicas povoadas. Em algumas, ainda surpreendo as
crianças entrando e se espalhando pelos jardins à espera do começo das aulas,
em outras, porem, elas já estão abancadas e debruçadas sobre aqueles livros que
meus olhos não mais folhearão,nem mesmo para seguir as lições de meus filhos
[...]. Trecho extraído da obra Crônicas
escolhidas (Publifolha, 1995), do escritor Lima Barreto (1881-1922).
Veja mais aqui.
O QUE VOCÊ PODE FAZER POR TODOS NÓS – [...] Afinal, o que posso fazer de concreto a
respeito do problema ambiental? [...] Você
pode estar interessado em engajar-se em algum grupo ecológico, levantar
bandeiras em passeatas, colher assinaturas para documentos de protesto ou
disrtribuir panfletos preservacionistas [...] Você pode, também, sair pelo mundo plantando ávores. [...] Outra opção é passar a respeitar a natureza
com mudanças de atitudes [...] Para
se tornar um verdadeiro agente transformador, você deve simplesmente buscar
novas informações e transmití-las ao maior número de pessoas que puder
[...] Você sabe um pouco mais a respeito
dos problemas ambientais do que a maioria de nossa população. Saiba, agora, que
os maiores responsáveis por eles não são aqueles que estão no meio da floresta,
desmatando-a, ou aqueles que estão poluindo os rios com mercúrio. Os verdadeiros
responsáveis são os que, mesmo conhecendo a dimensão do problema, nada fazem
para resolvê-lo. Esses acreditam que o simples fato de não estarem diretamente
envolvidos na depredação os torna isentos de qualquer culpa. “Destruidores são
os outros”, pensam. Você pode se tornar um deles facilmente. Sinto muito, caro
leitor, mas acho que você acaba de se meter em uma enrascada. Ou ajuda, com
seus conhecimentos a evitar a destruição de nossos ecossitemas ou se torna
conivente com ela. [...]. Trecho extraído da obra Era verde? Ecossistemas brasileiras ameaçados (Atual, 2013), do
professor doutor em Psiccologia, Zysman
Neiman. Veja mais aqui.
ÚLTIMO DIA DE UM CONDENADO – [...] Os
que julgam e condenam dizem que a pena de morte é necessária. Primeiro porque é
importante subtrair da comunidade social um membro que já lesou e poderia
lesá-la novamente. Se se tratasse apenas disso, a prisão perpetua bastaria.
Para que a morte? Objetarão que se pode escapar de uma prisão. Façam melhor a
sentinela. Se não acreditam na solidez das grades de ferro, como ousam ter
zoológicos? Nada de carrasco onde casta o carcereiro. Mas, retorquirão, é
preciso que a sociedade se vingue, que a sociedade puna. Nem uma coisa nem
outra. Se vingar é próprio do individuo, punir é de Deus. A sociedade está
entre os dois. O castigo está acima dela, e a vingança, abaixo. [...] Resta a terceira e última razão, a teoria do
exemplo. É preciso dar o exemplo! É preciso assustar por meio do espetáculo do
fim reservado aos criminosos, os que seriam tentados a imitá-los. [...] Só os jurados
pareciam pálidos e abatidos mas era aparentemente, por causa da fadiga de terem
velado toda a noite. Alguns bocejavam, Nada, no seu porte, anunciava homens que
acabavam de trazer uma sentença de morte; e na figura destes bons burgueses eu
só conseguia descobrir um grande desejo de dormir.[...] Se tudo a
minha volta é monótono e descolorido, não existirá em mim uma tempestade, uma
luta, uma tragédia? Esta ideia fixa que me possui não se me apresenta a cada
hora, mas a cada instante, sob uma nova forma, sempre mais hedionda e
ensanguentada à medida que o termo se aproxima? Porque não experimentar dizer a
mim mesmo tudo o que sinto de violento e desconhecido nesta situação abandonada
em que me encontro? Certamente, a matéria é rica; e por mais curta que seja a
minha vida, haverá muito ainda – nas angústias, nos terrores, nas torturas que
a encherão, desde esta hora até à derradeira – com que usar esta pena e esgotar
este tinteiro. [...] A prisão é uma
espécie de ser horrível, completo, indivisível, meio casa, meio homem. Eu sou a
sua presa; ela incuba-me, ela enlaça-me com todas as suas pregas, ela
encerra-me em suas muralhas de granito, Põe-me a cadeado sob sua fechadura de
ferro, vigia-me com seus olhos de carcereiro. [...]. Trechos extraídos da
obra O último dia de um condenado à morte
(Integral, 1995), do escritor francês Victor Hugo
(1802-1885). Veja mais aqui.
MULHER NO ESPELHO – Hoje que seja esta
ou aquela, / pouco me importa. / Quero apenas parecer bela, / pois, seja qual
for, estou morta. / Já fui loura, já fui morena, / já fui Margarida e Beatriz.
/ Já fui Maria e Madalena. / Só não pude ser como quis. / Que mal faz, esta cor
fingida / do meu cabelo, e do meu rosto, / se tudo é tinta: o mundo, a vida, /
o contentamento, o desgosto? / Por fora, serei como queira / a moda, que me vai
matando. / Que me levem pele e caveira / ao nada, não me importa quando. / Mas
quem viu, tão dilacerados, / olhos, braços e sonhos seus
e morreu pelos seus pecados, / falará com Deus. / Falará, coberta de luzes, / do alto penteado ao rubro artelho. / Porque uns expiram sobre cruzes, / outros, buscando-se no espelho. Poema extraído da obra Flor de poemas (Record, 1998), da escritora, pintora, professora e jornalista Cecília Meireles (1901-1964). Veja mais aqui.
e morreu pelos seus pecados, / falará com Deus. / Falará, coberta de luzes, / do alto penteado ao rubro artelho. / Porque uns expiram sobre cruzes, / outros, buscando-se no espelho. Poema extraído da obra Flor de poemas (Record, 1998), da escritora, pintora, professora e jornalista Cecília Meireles (1901-1964). Veja mais aqui.
EVA BRAUN
O filme Eva Braun (2015), escrito e dirigido pela
cineasta italiana Simone Scafidi, conta a história da cineasta, fotógrafa e modelo
alemã Eva Braun (1912-1945), que foi
companheira de longa data de Hitler e, por menos de quarenta horas, sua esposa.
Durante o relacionamento ela tentou duas vezes o suicídio, passando a ser
presença constante na casa-refúgio do nazista. Com o desmoronamento do Terceiro
Reich ela jurou lealdade a ele, casando-se e depois se suicidou com uma cápsula
de cianeto. Destaque para atuação da belíssima atriz italiana Andrea Riva.
Veja mais:
A vida é linda, apesar dos enrustidos &
dos chatos de galocha!, Selene, a lenda dos Bororos
orientais, a7, a
pintura de Laura Tedeschi, a música de Witold Lutoslawski & Ewa Kupiec aqui.
Aijuna, o mural dos desejos florescidos aqui.
Crônica
de amor por ela aqui.
O Recife do Galo da Madrugada aqui.
Utopia, Charles Dickens, Alfred Adler,
Carybé, Rogério Duprat, Hector Babenco, Sonia Braga & Tchello D’Barros aqui.
A psicanálise de Karen Horney & o
papo da tal cura gay aqui.
A hipermodernidade de Gilles Lipovetsky
& a trajetória Tataritaritatá aqui.
&
Três poemetos da festa de amor pra ela aqui.
A
ARTE DE DAREL VALENÇA LINS
A arte do pintor, desenhista, ilustrador e professor Darel Valença Lins (1924-2017). Veja
mais aqui, aqui e aqui.