
RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá é dia de
especial com o guitarrista e compositor italiano Christian Lavernier:
Improvvisa Azione, Thailand International Guitar Festival & Concierto
Aranjuez; a violinista, dançarina, cantora e compositora estadunidense Lindsey Stirling: Live From London, The
Secret London Show & Praha; & muito mais nos mais
de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o
som e curtir.
PENSAMENTO DO DIA – O
homem é um deus quando sonha e um mendigo quando pensa. Pensamento do poeta
lírico e romancista alemão Joham Hölderlin (1770-1843). Veja mais aqui.
LITERATURA, ENSINO & EDUCAÇÃO - [...] a literatura é o espaço da diversidade
cultural. O texto literário traz representada a cultura local, mas também as
culturas longínquas; a cultura contemporânea, mas também a remota, já quase
perdida no tempo. Mundo de seres muito próximos de nós e de seres completamente
diferentes, monstruosos, malvados, demonizados ou altamente benevolentes, até
mesmo santificados. A literatura trata de todo e qualquer tema: amor, guerra,
conflitos, sexo, opressão, maldade, ciúme, etc. As restrições escolares que aos
conteúdos da literatura devem, por isso, ser discutidas pelos professores, sem
colocar em rsco a liberdade que a caracteriza e a constitui. A literatura,
muitas vezes, mais do que apresentar uma situação controversa, problematiza uma
forma de conduta, ao representá-la literariamente, podendo fazer render muitas
discussões que nos levem a sermos homens e mulheres melhores do que somos.
Trecho do artigo acadêmico Literatura no
ensino fundamental: uma formação para o estético, dos professores doutores
Maria Zélia Versiani Machado e Hércules Toledo Corrêa, extraído da obra Explorando ensino: língua portuguesa –
ensino fundamental (MEC/SEB, 2010), coordenado por Egon de Oliveira Rangel
e Roxane Helena Rodrigues Rojo.
A EXILADA – [...] Creio
que Carie teria considerado a sua vida um fracasso se a tivesse julgado na
medida do que desejara que ela significasse. [...] Se, porém, ela considerava sua vida fracassada, para nós, que com ela
convivemos, que na vida foi a sua! Não creio que nenhum de nós cuidasse em chamá-la
uma santa. Ela era por demais prática, por demais viva e apaixonada, muito
cheia de amor, de variedade e de impulsos para isso. Foi a criatura mais humana
que jamais conhecemos, a mais complexa na sua instantânea compaixão, em seu
gosto por diversões, em suas súbitas impaciências. Foi a nossa melhor amiga e
companheira. [...] Para marujos exilados, para os soldados e para todos os
homens e mulheres brancos que ela acolheu em casa com o seu carinho generoso e
a sua pronta amizade, Carie representava a América num país estranho. A seus
filhos, mesmo entre as névoas do mais remoto e exótico cenário, ela sabia
proporcionar, muitas vezes com que custo, um ambiente americano, tornando-os
legítimos cidadãos em seu país, e incutindo-lhes no coração um amor que seria
imortal. Para todos nós que a conhecemos, aquela mulher era, realmente, a
própria América. Trechos extraídos da obra A exilada (Delta, 1966), da escritora e sinologista, Prêmio Nobel de
Literatura de 1938, Pearl Buck (1892-1973). Veja mais aqui.
TRÊS POEMAS - O
ESCUDO DE AQUILES: Ela olhava por sobre os ombros / à procura de vinhas e
olivais / mármores e cidades bem governadas / e navios no mar escuro, de vinho. /
Mas ali no metal brilhante, / às mãos dele ao invés colocaram / um
deserto artificial/ e um céu de chumbo. / Uma planície sem futuro, nua e escura,
/ nenhuma folha de grama, nem sinal de vizinhança, / Nada para comer nem um
lugar para sentar. / Todavia congregados nessa desolação / um milhão de olhos,
um milhão de botas, em linha, / sem expressão, à espera de um sinal. / Do ar
uma voz sem face / provava pela estatística que alguma causa era justa / em
tons são secos e rasos como aquele lugar. / Ninguém foi aclamado e nada foi
discutido. / Coluna por coluna, numa nuvem em pó, / para longe marchava,
conduzindo, para lamentar algures, / a crença que a lógica lhes trouxera. /
Ela olhava por sobre os ombros / à procura de piedades rituais, / novilhas com
grinaldas de brancas flores, / libação e sacrifícios. / Todavia ali no metal
brilhante, / onde deveria estar o altar, / viu, à luz vacilante da sua forja, /
uma cena diferente: / o arame farpado cercava um local arbitrário / onde
oficiais amolados espreguiçavam (um deles dizia uma piada). / E as sentinelas
transpiravam, porque o dia estava quente. / Uma multidão de pessoas comuns e
decentes / espiava de fora e ninguém se movia ou falava, / enquanto três postes
implantados verticalmente no solo. / A massa e a majestade deste mundo. / Tudo
o que possui peso e sempre pesa o mesmo / repousa nas mãos dos outros. / Eles
eram pequenos e não podiam esperar por socorro / e não veio qualquer socorro. /
O que os seus inimigos pretendiam fazer foi feito; / sua vergonha era tudo de
pior que podiam desejar: / perderam o orgulho próprio e morreram como homens /
antes que seus corpos morressem. / Ela olhou por sobre os ombros / à procura de
atletas nos seus jogos, / mulheres e homens a dançar, / movendo os doces
membros, / rápidos, rápidos, com a música. / As mãos dele não prepararam um
palco de dança / um garoto maltrapilho, sem destino e solitário, / vagabundeava
nesse vazio. Um pássaro voou por segurança, / com medo das suas pedradas
certeiras. / Que uma jovem fosse violada, que dois rapazes esfaqueassem um
terceiro, / para ele eram axiomas, ele que nunca ouvira falar / de nenhum
mundo onde as promessas fossem cumpridas, / ou onde um poderia chorar porque um
outro chora. / O escudeiro de lábios finos, / Hephaestos, se foi claudicando, /
Thetis, a dos seios brilhantes, / gritou assombrada / com o que Deus forjou / para
agradar a seu filho, o forte Aqules, / de coração de ferro e matador de homens
/ que não haveria de viver muito. O
CIDADÃO DESCONHECIDO: Segundo apurou o Instituto de Estatística, / Contra ele
nunca existiu qualquer queixa oficial, / E todos os relatórios sobre a sua
conduta confirmaram: / No moderno sentido de uma palavra velha, ele era um
santo, / Pois em tudo o que fez serviu a Grande Comunidade. / Com excepção da
Guerra e até ao dia da reforma, / Trabalhou numa fábrica e nunca foi
despedido;sempre satisfez os seus patrões, Máquinas Fraude, Ltda. / Mas não era
fura-greves nem tinha opiniões estranhas, / Pois o Sindicato informa que sempre
pagou as quotas / (E o seu Sindicato tem a nossa confiança), / E o nosso
pessoal de Psicologia Social descobriu / Que ele era popular entre os colegas e
gostava de um copo. / A Imprensa não duvida de que comprava um jornal por dia /
E que as reacções à publicidade eram cem por cento normais. / Apólices tiradas
em seu nome provam que tinha todos os seguros, / E o Boletim de Saúde mostra que
esteve uma vez no hospital e saiu curado. / Tanto o Gabinete de Estudos dos
Produtores como o da Qualidade de Vida declaram / Que estava plenamente
sensibilizado para as vantagens da Compra a Prestações / E tinha tudo o que é preciso
ao Homem Moderno: / Um gira-discos, um rádio, um carro e um frigorífico. / Os
nossos inquiridores da Opinião Pública alegraram-se / Por ter as opiniões certas para a época do ano; / Quando havia paz, era pela
paz, quando havia guerra, ele ia, / Era casado e aumentou com cinco filhos a
população, / O que, diz o nosso Eugenista, era o número certo para um pai da
sua geração, / E os nossos professores informam que nunca interferiu com a sua
educação. / Era livre? Era feliz? A pergunta é absurda: / Se algo estivesse
errado, com certeza teríamos sabido. FUNERAL
BLUES: Que parem os relógios, cale o telefone, /
jogue-se ao cão um osso e que não ladre mais, / que emudeça o piano e que o
tambor sancione / a vinda do caixão com seu cortejo atrás. / Que os aviões,
gemendo acima em alvoroço, / escrevam contra o céu o anúncio: ele morreu. / Que
as pombas guardem luto — um laço no pescoço — / e os guardas usem finas luvas
cor-de-breu. / Era meu norte, sul, meu leste, oeste, enquanto / v veu, meus
dias úteis, meu fim-de-semana, / meu meio-dia, meia-noite, fala e canto; / quem
julgue o amor eterno, como eu fiz, se engana. / É hora de apagar estrelas — são
molestas — / guardar a lua, desmontar o sol brilhante, / de despejar o mar,
jogar fora as florestas, / pois nada mais há de dar certo doravante. Poemas
do poeta, dramaturgo e editor britânico Wystan Hugh Auden (1907-1973).
Veja mais aqui e aqui.
DESEJO, EUGENE O’NEILL
[...] ABBIE:
Quando entrei aqui, no escuro, parece que havia alguém. EBEN (simplesmente):
Mamãe. ABBIE: Ainda sinto a sua presença. EBEN: É mamãe. ABBIE: No princípio
fiquei com medo. Tive ímpeto de gritar e sair correndo. Mas agora que você
chegou, parece que sinto uma doçura me envolver. (Dirigindo-se para o ar, estranhamente). ObrIgada.
EBEN: Mamãe sempre gostou de mim. ABBIE: Talvez ela saiba que eu também gosto
de você. Talvez por isso ela esteja sendo boa para mim. [...] ABBIE: (Depois de uma pausa, com uma terrível intensidade fria –
lentamente) Se foi isso o que a vinda dele me trouxe... a
morte do seu amor... a partida para longe... de você que é toda a minha
alegria... a única alegria que eu jamais conheci... o paraíso para mim... então
eu também o odeio, mesmo sendo mãe dele! [...]
A peça teatral Desejo. (Desire
under the elms - Bloch, 1970), do
escritor e dramaturgo estadunidense Eugene
O’Neill (1888-1053),
Prêmio Nóbel de 1936, propõe uma versão moderna da tragédia clássica que gira em torno de uma família de
fazendeiros no interior dos Estados Unidos, demonstrando que o amor invade as habitações
para levá-los à ruínam traduzindo as questões sociais por meio de personagens mais próximas
do cotidiano. Veja mais aqui.
Veja mais:
O que era mata atlântica quando asfalto que
mata, a poesia de António Salvado, a música de João Parahyba, Todo
dia é dia da mulher, a arte de Don Dixon & Nini
Theiladetheilade aqui.
O viúvo do padre aqui.
Max Weber & Norah Jones aqui.
John Keats & Bárbara Lia aqui.
Mario Quintana, Wang Tu, Tácita, Eduardo
Souto Neto, Carlito Lima, Mike Leight & Vera Drake, Suzan Kaminga &
Ansel Adams aqui.
Humanismo e a Educação Humanista aqui.
Yoram Kaniuk, Thelonious Monk, Robert E. Daniels, Eugene de Blaas, Meir Zarchi,, Luciana Vendramini, Camille Keaton, Tono Stano, Eliane Auer, Prefeituras do Brasil, Juizados Especiais
& Responsabilidade civil das instituições bancárias aqui.
Crepúsculo dos Ídolos de Nietzsche &
Projeto Tataritaritatá aqui.
Dicionário Tataritaritatá aqui.
O mal-estar na civilização de Freud &
Coisas de antonte e dantanho aqui.
Nomes-do-pai de Lacan & BBB &
Outras tacadas no toitiço do momento aqui.
A ilusão da alma de Eduardo Giannetti
& A poesia veio dos deuses aqui.
Troço bulindo nas catracas do quengo,
Fernando Fiorese & Abel Fraga aqui.
O mistério da consciência de Antonio
Damásio &Nó na Garganta de Eduardo Proffa & Jan Claudio aqui.
ARTE DE ANSEL ADAMS
A arte do
fotógrafo estadunidense Ansel Adams
(1902-1984).