
RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá é dia de
especial com o cantor, compositor,
arranjador, multi-instrumentista, ator, escritor, produtor musical, engenheiro
e ecologista Lenine em dois shows ao vivo; a cantora,violonista e compositora Luanda Jones
interpretando Aquarela, Desigual & Depois de você; & muito mais nos mais de 2 milhões de
acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só
ligar o som e curtir.
PENSAMENTO DO DIA - [...] O
homem não possui somente o poder de reproduzir, de tirar as conseqüências de
uma conduta adquirida, ele possui igualmente a capacidade de mudar a ordem
relativa de seus atos e de suas representações [...] Trecho extraído da obra A realidade figurativa (Perspectiva/Edde, 1973) do sociólogo e
historiador de arte francês Pierre
Francastel (1900-1970), defendendo o valor das culturas visuais a partir do
conceito de estrutura, por meio de estudos resultantes de quinze anos de
reflexão e pesquisas históricas na Sorbonne, pelos quais entende que só o
contato real com a obra de arte permite compreender como esta se incorpora à
sociedade, alimentando-a e enriquecendo-a com elementos originais. A obra de
arte confere ao historiador e ao sociólogo elementos de informação que de outra
forma não teriam. Dentro deste postulado o autor desenvolve pormenorizada
análise em torno das artes figurativas, inserindo-as em uma nova problemática
do imaginário. As relações teóricas da arte com a técnica, com outros meios de
expressão e disciplinas, o confronto entre formas estéticas e sistemas lógicos,
os problemas inerentes à iconografia religiosa, constituem alguns dos tópicos
esclarecedores para o levantamento dos elementos estruturais próprios de uma
Sociologia da Arte.
LEITORES & VIAJANTES - [...] Os
leitores são viajantes; circulam em terras alheias; são nômades que caçam
furtivamente em campos que não escreveram. [...] a atividade silenciosa,
transgressora, irônica ou poética, de leitores (ou telespectadores) que
consevam uma reserva de distância na intimidade, sem que os ‘amos’ o saibam [...]
A escrita acumula, estoca, resiste ao
tempo pelo estabelecimento de um lugar e multiplica sua produção pelo
expansionismo da reprodução. A leitura não se protege contra o desgaste do
tempo (nos esquecemos de nós mesmos e esquecemos dela), não conserva ou
conserva mal sua conquista, e cada um dos lugares por onde passa é repetição do
paraíso perdido. [....]. Trecho da obra A Invenção do Cotidiano (Vozes, 1998), do historiador francês Michel de Certeau (1925-1986), no qual examina as maneiras em que as pessoas
individualizam a cultura de massa, alterando coisas desde objetos utilitários
até planejamentos urbanos e rituais, leis e linguagem, de forma a apropriá-los.
MARILYN NO INFERNO - [...] Raia
o arvoredo. No front os soldados se concentram e rezam com a mão sobre a
Bíblia. É a agonia de John Ford, diz o mais valente. Quando começará a cena
ninguém sabe. Sabem que será uma batalha da Guerra da Secessão e que eles estão
preparados. O mais novo se ilude com umas bugigangas compradas na Feira Hippie
de Ipanema. À noite terá a companhia de uma garota e dançará. O som frenético
das Frenéticas. O mais velho, ancião de longas barbas brancas, ao contra´rio
dos bons velhos hollywoodianos, tem uma cara de mau, de profunda
insensibilidade. Mora sozinho numa casa de Vila em Botafogo e roi desesperadamente
as unhas. Diz que sempre foi assim. A mulher que se maquia na frente do espelho
tem origem em indígenas brasileiros, mas faz o papel de uma mexicana. Saboreia
o gosto do batom. Sabe que alguém espia mas finge que não vê. É o primeiro
western rodado no Brasil, a Baixada Fluminense imitando as pradarias do
Arizona. Nenhuma grande estrela. Todos temem o freacasso do filme. Empatei
milhões nisso aí, vamos tocar pra frente, grita o produtor acordando um
figurante. É um rapazinho de Nova Iguaçu [...] Adora cinema, vê tantas fitas quanto possível pó dia. Às evezes entra
às duas e sai à meia-noite. [...] O
rapazinho olha-se no espelho da índia que faz a mexicana e ouve o “imbecil” que
o diretor lhe jogou para que levantasse a espingarda com vontade contra o céu
[...] aí vê um flash explodir sobre seu
corpo e banhá-lo de uma luz efêmera como um soluço mas que o deixa iliminado
para sempre [...] lá vai o rapazinho
agarrado ao pescoço do cavalo, o céu e a terra são uma coisa só, Caxias está
perto, muito perto, quase chegando, o rapazinho já vê os primeiros prédios e
chaminés [...] é boa a vertigem e ele
conseguirá o estrelato na Globo abraçado a Rosamaria Murtinho na capa da Amiga,
ele preferia estar ao lado da Aracy Balabanian [...] ele não sabe por que mas
gosta da Aracy Balabanian, aquela moça que não é bonita nem feia mas que tem
uma simpatia que cativa o coração de todos – na rua principal de Caxias ele
galopa veloz entre os canros e ônibus, não respeita os congestionamentos e
passa fininho por uma bicicleta assustada [...] o grande cartaz do cinema mostra Kung Fu contra os espadachins de
Damasco, Kung Fu! Repete o rapazinho que não agüenta tanta gloria e é cuspido
do cavalo contra o cartaz que se rasga e recebe um biolento jato de sangue no
olho do Kung Fu. Trechos extraídos da obra O cego e a dançarina (L&PM, 1980), do premiado escritor João Gilberto Noll (1946-2017).
DOIS POEMAS – O
PENSADOR DE RODIN: – Apoiando na mão rugosa o queixo fino, / o pensador reflete
que é carne sem defesa: / carne da cova, nua em face do destino, / carne
queodeia a morte e tremeu de beleza. / E tremeu de amor, toda a primavera ardente,
/ e hoje, no outono, afoga-se em verdade e tristeza / o “havemos de morrer”
passa-lhe pela mente / quando no bronze cai a noturna escureza. / E na
angustia, seus músculos se fendem sofredores. / Sua carne sulcada enche-de de
terrore. / Fende-se, como a folha de outono, ao Senhor forte / Que o reclama
nos bronzes. Não há arvore torcida / pelo sal na planície, nem leão de anca
ferida, / crispados como este homem que medita na morte. PRIMEIRO SONETO DA MORTE: Do nicho lôbrego
onde os homens te pusarem / te levarei à terra humilde e ensolarada / nela hei
de adormecer – se os homens não souberem - / e havemos de dormir sobre a mesma
almofada. / Te deitarei na terra humilde, te envolvendo / no amor da mãe para o
seu filho adormecido. / E a terra há de fazer-se um berço recebendo / teu corpo
de menino exausto e dolorido. / Poderei descansar, sabendo que descansas / no
pó que levantei azulado e linar / em que presos serão os teus leves destroços.
/ Partirei a cantar minhas belas vinganças, / pois nenhuma mulher me há de vir
disputar / a este fundo descenso o teu punhado de ossos. Poemas da poeta chilena Gabriela Mistral (1889-1957), Prêmio
Nobel de Literatura em 1945. Veja mais aqui.
ANNA K & JOSÉ ROBERTO AGUILAR
O drama
fantasia Anna K (2015), de José Roberto Aguilar, conta a história
de um professor de russo que fica intrigado ao dar aulas para Joana, uma mulher
que acredita ser Anna Karenina, personagem que dá título ao romance de Liev
Tolstói. O destaque do filme fica por conta da belíssima atriz Leona Cavalli.
Veja mais:
Sou da
terra alma caeté, as histórias
de Darcy Ribeiro, a
música de Yasushi Akutagawa, a
pintura de Kent Williams & Renate Dartois aqui.
Cecília Meireles, Gregório de Matos Guerra, Camargo
Guarnieri, Heitor Shalia, Albert
Marquet, Violência Doméstica, Argemiro Corrêa, Sarah
Siddons, Guta Stresser, Graciela
Rodrigues, Priscila Almeida & Folia Caeté aqui.
Esclarmonde
de Foix & Todo dia é dia da mulher aqui.
Denise
Levertov, Johan Huizinga, Philippe Ariés, Camargo Guarnieri, Lauri Blank, Emil
Nolde, Kim Thomson & o umbigo no cultuo da avareza aqui.
Direitos
humanos aqui.
História
do cinema aqui.
Os assassinos do frevo aqui.
Minha alma tupi-guarani, minha sina caeté aqui.
Folia
Caeté, Ascenso Ferreira, Baco, Chiquinha Gonzaga, O Frevo & José Ramos
Tinhorão, Nelson Ferreira, As Puaras, Dias de Momo, Adolphe William Bouguereau,
Teatro & Carnaval, Circo & Peró Andrade aqui.
Alvoradinha,
o curumim caeté, Manuel Bandeira, Fernando Botero, Qorpo
Santo, Lygia Fagundes Teles, Psicologia Social, Jayne Mansfield, Marilyn Monroe & Roberto Carlos aqui.
Fecamepa:
os caetés, Sardinha & a cana aqui.
Os
aborígenes: das sociedades primitivas de Pindorama aos caetés, Monserrat Figueiras, Plauto, Miklos Mihalovits, Acmeísmo, Jennifer Lopez, Débora
Novaes de Castro, Paulo & Virgínia aqui.
&
A ARTE DE JOSÉ ROBERTO AGUILAR
A arte do pintor, escultor, performer e artista multimídia
José Roberto Aguilar.