segunda-feira, fevereiro 05, 2018

DINAH SILVEIRA, LOUIS ARAGON, FRITJOF CAPRA, ROLAND BARTHES, TRUFFAUT, NELSON FREIRE, AMANDA MORAIS, MITSUKO UCHIDA, FENELON & FERNANDO BARRETO.

Imagem: a arte da artista visual Amanda Morais.

O TEATRO, FENELON & O COMEÇO DE TUDO - Foto: os irmãos Fernando & Luiz Barreto - Tudo começou certa tarde, eu havia passado no exame de admissão e fui estudar no Ginásio Municipal. Na sexta dessa primeira semana, aconteceu uma apresentação no palco do ginásio, uma coisa que eu nunca tinha visto na vida e fiquei enfeitiçado na hora: um drama teatral. Assisti sem piscar os olhos. Ao terminar, todo mundo saiu e eu corri da aula para a Biblioteca Fenelon Barreto e instei da professora e bibliotecária Jessiva Sabino de Oliveira, onde é que eu poderia saber mais sobre o que havia acontecido no ginásio naquela tarde. Tinha lá eu uns 10 pra 11 anos de idade – arrepara só, pode um negócio desses? Prum bruguelo fuleiro de peralta eu era bem folgado, né não? – e ela sempre muito atenciosa me puxou num canto, pegou um molho de chaves e abriu umas estantes trancadas e remexendo lá por trás duns volumes bem antigos, me deu uns livros para eu ler: Diálogos do Encenador (Universitária, 1964), Teoria e prática do teatro (Íris, 19960) e Espetáculos populares do Nordeste (DESA, 1966), todos do conterrâneo Hermilo Borba Filho. Grudei os olhos na leitura e fiquei repassando tudo até entender mais ou menos do que se tratava, queria manjar mesmo do riscado. Depois da lida e relida, toda semana eu lá no pé dela para me dispor de livros e publicações a respeito do teatro. Foi aí que fiquei conhecendo bem a coisa, ela nunca me deixou na mão, sempre com livros e mais livros para saciar minha curiosidade. Por essa época eu morava no Beco do Capim e me esgueirava pela Rua Nova ou pro Cartório de manhã – onde eu desenvolvia as atividades de copista e entregador de correspondências desde os dez anos de idade -, ou pra Biblioteca e, de tarde, pro Ginásio. Não demorou muito pra topar com um sujeito que dedilhava um violão com estilo bem peculiar. Eu ficava com os olhos grudados nos acordes, aprendendo de vista, só ouvindo o povo dizer: Luizinho toca essa! Luizinho toca aquela! Um dia lá ele deu por minha presença insistente na ouvida de sua tocada. E aí?, disse ele, Legal, meu, gosto do jeito de você tocar. Principalmente quando você toca Ambrosina e Mãos de Velho. Ele então me disse: Ambrosina é uma música minha e Mãos de Velho é um poema do meu pai que eu musiquei. Quem é teu pai? Fenelon Barreto! Mas é o nome da Biblioteca! Isso mesmo, é o nome do meu pai. E me mostrou meia dúzia de poemas do pai dele e umas vinte peças teatrais – na verdade, vinte e uma – todas com capas desenhadas e manuscritas pelo próprio autor. Rapaz, isso é bom demais! Ele me deixou lê-las, todas. E me apaixonei de cara por uma cujo título era O náufrago da Mafalda. Anos passando e no meio das nossas bebemorações com brote, salsicha, pinga e caldo de cana, a gente foi entabulando coisas, sonhando alto e inventamos encenar uma das peças. Qual das? Foi um puxa-encolhe danado, eu queria a que mais gostava e ele arredava o pé em outras, como o Tenente Evaristo, Adoração, O ladrão, outras. Da arenga findamos por Adoração. Pronto. Aí juntamos gente com experiência, Dudu & Lea, Givanilton Mendes, Guarino e outros atores que já haviam participado de peças teatrais do próprio Fenelon, de Lelé Correia e de Miguel Jassely, e ensaiávamos toda noite no Tribunal do Júri, no Fórum da Comarca, cedido pelo então Promotor de Justiça, Dr. Laércio Duá de Castro Pacheco – apesar de menino, eu estava prestigiado que só para conseguir isso com a autoridade local. Pois bem, muita gente contribuía com experiências, como Odylo Costa, Enoch Queiroz, Gildásio Santana, Aloisio Freitas, Heitor Vasconcelos, Maurício Melo, e, por isso mesmo, em quase dois anos, ensaios adiantados, Fernandinho Melo compondo a trilha sonora comigo, Zé Ripe cuidando dos cenários e figurinos, Mauricinho Melo, Célio Carneirinho e Ozi dos Palmares acompanhando os ensaios para me ajudar na empreitada, e eu e Luiz Barreto tentando deixar as coisas prontas para marcar a estreia. Foi aí que deu chabú! Apareceu irmão que só do Luizinho, tudo para botar gosto ruim no angu. Resultado: o negócio gorou, todo mundo chateado, nenhuma autorização e broncas para tudo que é lado. Não tive dúvidas, barco furado é barco afundado, me tranquei em casa e escrevi meu próprio texto, juntei atores, a exemplo de Mano Germano, Toínho Du Rego e outros tantos, ensaiei mais ou menos por um ano e meio, e encenei o que hoje se chama O Prêmio – o título era outro, um despropósito: Em busca de um lugar ao sol sob a especulação imobiliária, hehehehehe, um traste de troço, nada a ver! -, numa festa com todo mundo na quadra do Colégio Diocesano. Maior ovação! Comungamos todos pelo êxito – diga-se de passagem, a festa foi ótima, bilheteria tudo, mas quando fizemos o encontro de contas: 0x0. Deu pra pagar tudo, saldo zero. Estava dado o pontapé! Depois escrevi e encenei A viagem noturna do Sol, em Recife, e me danei a escrever outros textos que depois falo. Pois bem, dez anos depois, lá estou eu às voltas com Luizinho sobre Fenelon Barreto. É que eu participava do Movimento de Apoio Cultural Edições Bagaço e queria publicar as poesias e peças teatrais de Fenelon Barreto. Entendimentos convergindo na boa, até irmos para Gravatá, conversar com o irmão dele Fernando, para autorizar a publicação. Fomos lá muito bem recebidos pelo poeta, com a sua simpaticíssima família, conversamos, almoçamos, acertamos e no meio da tarde, voltamos. Resultado: de tudo acertado não tinha nada certo. Malogrou de novo, segunda vez. Aí eu parti pra outra, com os parceiros da Bagaço publicamos Teles Junior, Artur Griz, Manoel Bentevi, Raymundo Alves de Souza, entre outros. Agora, mais de trinta anos depois, na minha residência voluntária na Biblioteca Fenelon Barreto, reencontro Luizinho & Fernando Barreto, com familiares. Fiquei muito feliz por vê-los: Fernando trouxe um quadro com uma pintura de Fenelon e, o melhor de tudo, o seu próprio livro reunindo crônicas e poemas seus: Asas do Tempo. Afora a simpatia de suas filhas, virou festa numa simples recepção do João Paulo, diretor da instituição. Aproveitei a ocasião e eu, Fernando e Luizinho conversamos um bocado. Propus no meio do papo a possibilidade de publicar poemas e peças teatrais de Fenelon Barreto, contudo, ainda não foi dessa vez, mas ficou plantada a semente de novo, os dois ficaram de conversar não sei quando. Sei que nutro a esperança de um dia ver a obra publicada – pelo menos uma ou algumas de suas peças, vez que só se conhece de fato, uma meia dúzia de poemas dele, mais nada. Na vera, dele só o nome da Biblioteca. Mesmo assim, mantemos firme o estandarte da memória de Fenelon, apostando que um dia sua obra será liberada e publicada. Vamos em frente aprumando a conversa. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá é dia de especial com o pianista Nelson Freire interpretando Villa-Lobos, Debussy & Recital; a pianista japonesa Mitsuko Uchida interpretando Beethoven & Debussy; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Estar com quem se ama e pensar em outra coisa: é assim que tenho os meus melhores pensamentos, que invento o que é necessário ao meu trabalho. O mesmo sucede com o texto: ele produz em mim o melhor prazer se consegue fazer-se ouvir indiretamente; se lendo-o, sou arrastado a levantar muitas vezes a cabeça, a ouvir outra coisa. Não sou necessariamente cativado pelo texto de prazer; pode ser um ato ligeiro, complexo, tênue, quase aturdido; movimento bruco de cabeça, como o deu um pássaro que não ouve nada daquilo que nós escutamos, que escuta aquilo que nós não ouvimos. [...]. Trecho extraído da obra O prazer do texto (Perspectiva, 1996), do escritor, sociólogo, filósofo, semiólogo e crítico literário francês, Roland Barthes (1915-1980), analisando o prazer sensual do texto, tanto por parte de quem escreve - sem medo de expor seu desejo, sob pena de cair na tagarelice -, quanto de quem lê (normalmente situado como objeto, ser passivo e sem defesas frente ao texto, e que aqui é revelado em sua plenitude criativa da fruição), ao mesmo tempo que descarta a frigidez do texto empolado e político, evocando ao fio dos argumentos tanto Proust, Flaubert, Stendhal como Sade e Bataille, ou ainda Lacan e Freud, enfim, apresentando  de forma profunda e lúdica um tema fundamental em semiologia e literatura. Veja mais aqui.

TEORIAS CIENTÍFICAS – [...] todas as teorias científicas são aproximações da verdadeira natureza da realidade. [...] cada teoria é válida em relação a uma certa gama de fenômenos. Para além dessa gama, ela deixa de fornecer uma descrição satisfatória da natureza, e novas teorias têm que ser encontradas para substituir a antiga ou, melhor dizendo, para ampliá-la, aperfeiçoando a abordagem. [...]. Trecho extraído da obra O ponto de mutação: a ciência, a sociologia e a cultura emergente (Cultrix, 1993), do físico e escritor austríaco Fritjof Capra. Veja mais aqui e aqui.

PRAZER DOS OLHOSSou o homem mais feliz do mundo, e eis por quê: caminho por uma rua e vejo uma mulher, não alta, mas bem proporcionada, bem morena, bem nítida em sua roupa, com uma saia escura plissada que se mexe ao ritmo de seu passo, rápido, por sinal; suas meias, escuras, estão certamente presas, pois mostram-se impecavelmente esticadas. Seu rosto não sorri, essa mulher anda na rua sem buscar agradar, como se não tivesse consciência do que represeta: uma bela imagem carnal da mulher, uma imagem física, melhor que uma imagem sexy, uma imagem sexual. Ao cruzar com ela na calçada, um passante não se deixa enganar: vejo-o voltar-se para trás, dar meia-volta e ir ao seu encalço. Contemplo a cena. Agora, o homem chegou à altura da mulher, está andando a seu lado e lhe murmura alguma coisa, certamente as baboseiras habituais: tomar uma cerveja, etc. Porém, ela ela vira o rosto, aperta o passo, atravessa a rua e desaparece na esquina seguinte, enquanto o homem vai tentar a sorte em outro lugar. Entro então num táxi e sonho um pouco a propósito dessa cena tão cotidiana nas grandes cidades, nãoapenas em Paris. Instintivamente solidarizo-me com a mulher contra o homem e modifico a cena segundo meus pensamentos do momento; digo-me que seria formidável se, por uma vez, no desfecho de uma cena desse gênero, a humilhação trocasse de lado. Tomo algumas notas numa folha de agenda e, quatro meses mais tarde, vejo-me na rua [...] com uma câmera, uma equipe técnica de vinte e cinco pessoas e dois atores que escolhi, um homem louro bem alto, na verdade bonito e forte, e uma mulher que vocês adivinharam que é morena, bem proporcionada, de saia plissada. E eu estou ali, no exercício de minha profissão, acerca da qual não permito que ninguém diga que é inutil ou desinteressante, e dirijo a cena. Peço ao ator louro que caminhe, passe pela mulher morena, volte-se para ela, faça meia-volta, vá ao encontro dela e lhe fale ao ouvido. Não escrevi frases para o homem pois elas não serão ouvidas na cena, seu sentido é subentendido. Agora os dois atores se aproximam da câmera [...] e a atriz morena [...] investe contra o homem com fgrases que formei na minha cabeça quatro meses antes de redigi-las e entregá-las à atriz na noite anterior [...]. Trechos extraídos da obra O prazer dos olhos – escritos sobre cinema (Zahar, 2005), do cineasta francês François Truffaut (1932-1984). Veja mais aqui e aqui.

ASSOMBRAÇÃOUma noite, ao receber a visita de uma amiga, lembrei-me de lhe emprestar um romance. Fora a minha leitura da véspera, e eu o deixara na mesinha de cabeceira. Subi a escada, e entrei no quarto. Curioso. Alguém acendera a luz... E no entanto, eu estava certa de que ninguém subira. Caminhei intrigada, pressentindo qualquer acontecimento... Olhei minha cama e vi nela uma mulher deitada. Uma mulher... morta – ela... estava morta! tinha um horrível vestido de lantejoulas de todas as cores, a aparecia coberta de joias baratas. Suando frio, procurando dominar o coração desordenado, cheguei mais perto. Meu Deus! Aquela face nojentamente pintada era a minha própria face! Como se alguém fizesse de mim um retrato de degradação... Meu próprio rosto... mais velho – muito mais velho! – com maqulagem de atriz decadente! Queria gritar... chamar todos... Não me foi possível. Fiquei fascinada, encarando aquele meu próprio eu degradado e envelhecido, coberto de joias. De súbito, à altura do coração, de sob as lantejoulas, principiou a correr um esguicho de sangue, que ia engrossando, que se tornava maior. Nele, iam submergindo o colo, os braços, o corpo, a longa saia rutilante de meu terrível “double”. A mulher estava coberta de sangue, e seu rosto dele se destacava estranhamente branco, como a face de um pierrô trágico. Então... ah, só então eu consegui gritar. Voltei correndo... mas, junto da escada, perdi os sentidos. Extraído da obra As noites do morro do encanto (Civilização Brasileira, 1957), da escritora Dinah Silveira de Queiroz (1911-1982). Veja mais aqui.

AS REALIDADES - (fábula) - Era uma vez uma realidade / com as suas ovelhas de lã real / a filha do rei passou por ali / E as ovelhas baliam que linda que está / a realidade. / Na noite era uma vez / uma realidade que sofria de insônia / Então chegava a madrinha fada / e realmente levava-a pela mão / a realidade. / No trono havia uma vez, / um velho rei que se aborrecia / e pela noite perdia o seu manto / e por rainha puseram-lhe ao lado / a realidade. / Cauda: a realidade, a realidade / A real a real / idade idade dá a reali / ali / a re a realidade era uma vez a realidade. Poema do escritor francês Louis Aragon (1897-1982).

BIBLIOTECA FENELON BARRETO
Oh, visitante ilustre, esta Casa vos saúda,
Numa apoteose cultural,
Espelhando a história e a grandeza deste povo!
Embriagai-bos, senhores, da fonte da sabedoria
Buscai a ciência nos seus livros
De cada estante, de cada prateleira
Desta encantadora Biblioteca,
E achareis, então, o conhecimento!
Palmares tem esta Biblioteca
Como um cartão de visita; cabedal científico
De homens e histórias!
Vinde todos desfrutar
Desta fonte do saber!
Poema extraído da obra Asas do Tempo (Telegráfica, 2013), do escritor Fernando Nascimento Barreto. Veja mais poemas do autor aqui.

Veja mais:
No reino do Fecamepa nada pode dar certo!, A mística feminina de Betty Friedan, a música de Célia Mara, a pintura de Peter Klashorst, a arte de OsGemeos & Geopoiesis ASM aqui.
A dança tangará festeja a pletora do amor, a Lenda do Itararé, a arte de Robert Gibson & Luciah Lopez aqui.
Alvorada na Folia Tataritaritatá, Pablo Neruda, João Ubaldo Ribeiro, Egberto Gismonti, Capiba, Ricardo Palma, Tsai Ming-liang, Cristiane Campos, Fernanda Torres, Chen Shiang-Chyi, Revista Germina, Digerson Araújo, Asta Vonzodas & O cérebro autista aqui.
Amor imortal na Folia Tataritaritatá, Manuel Bandeira, Pedro Nava, Carlo Goldoni, Cacá Diégues, Carybé, SpokFrevo Orquestra, Luís Bandeira, Ana Paula Bouzas, Tatiana Cañas, Carnaval & Claudia Maia aqui.
Jacques Prévert, A Paz de Ralph M. Lewis, Milton Hatoum, Eric Fischl, Jonathan Larson, Monica Bellucci, Madhu Maretiore & Sônia Mello aqui.
Fecamepa & Óleo de Peroba, Educação & Hilton Japiassu, Bresser Pereira & A psicanálise de Leopold Nosek aqui.
Erro médico & dano estético aqui.
A literatura de Hilda Hilst aqui, aqui, aqui e aqui.
O pensamento de Carl Rogers aqui e aqui.
O ativismo de Rosa Parks aqui.
A personologia de Henry Murray aqui.
Georg Trakl, Paul Auster, Sarah Kane, Gertrude Stein, Felix Mendelssohn, Woody Allen, Gil Elvgren, Marion Cotillard & Big Shit Bôbras aqui.
Ginofagia & as travessuras do desejo na manhã aqui.
Rio São Francisco: Velho Chico, Turíbio Santos, Cláudio Manuel da Costa, Lampião de Isabel Lustosa, Ítala Nandi, Hugo Carvana, Paulette Goddard, Natalia Goncharova, Música & Saúde aqui.
Penedo às margens do Rio São Francisco aqui.
Simone Weil, Simone de Beauvoir, Emma Goldman, Clara Lemlich, Clara Zetkin & Tereza Costa Rego aqui.
O homem ao quadrado de Leon Eliachar aqui.
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 A ARTE DE AMANDA MORAIS
A arte da artista visual Amanda Morais.

GOLDING, BALMONT, STEINER, NORBERT ELIAS, MILTON NASCIMENTO, KIAROSTAMI & FRANÇOISE GILOT

TRÊS & UMA VIDA SÓ – Imagem: A Gordiuszi csomó III (2005), da pintora francesa Françoise Gilot . - Numa bela manhã de 1552, nascia E...