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quinta-feira, fevereiro 01, 2018

GABRIELA MISTRAL, NOLL, LENINE, FRANCASTEL, CERTEAU, ROBERTO AGUILAR, LUANDA JONES, LEONA CAVALLI & ZÉ CORNINHO.

A SENSABORIA DE ZÉ-CORNINHO – Imagem: Arte do pintor, escultor, performer e artista multimídia José Roberto Aguilar. - Zé-Coninho andava ultimamente meio que sorumbático, todo desencorajado, queixando-se de dores nos quartos, no bucho, nas gaias, no muque, nos pulsos, enfim, dizia não ser mais gente que prestasse pra nada, era só dor da alma pro retrato. Onde é que está aquele que levava tudo nos peitos, hem? Ah, mô fio, já trelei muito, toquei fogo nos quatro cantos do mundo, fui até onde o beiço virava, pro fim do mundo que não tem porque é redondo e dei volta como a peste! Mais longe fosse, mais ia de nem cansar tão cedo, emendava noite pelo dia e nem, nem, subia o tanto de riba como se fosse descida ajudada, os cambitos à toda, nada de fraquejar, sou lá bicho de me acovardar? Ora, ora. Levanta o moral, Zé! Dá mais não, a idade chegando, a coisa complica. Que é isso, rapaz? Tão jovem, ainda. Nada, os anos pesam, sem destreza, a gente vale mais o quê? Segura a onda, hômi! Ah, rapaz, estou mais pra lá do que pra cá, na noite sem glória ou honra, não sirvo nem mais prum caldo, muito menos prum pum, ora, ora. Parecia mais que ele se entregava, sem ter nada desabonador – excetuando-se a tuia de gaia que já havia levado pra desespero da filharada que crescia cada dia mais e ter atrapalhado a vida de muita gente com seu arranco desmedido -, a angústia, o tédio, tomava conta do sujeito. Pois é, uma gastura comendo tudo por dentro, da gente perder a vontade até de viver. Como é que pode? Tome tento! Já fui bom nisso. O que já dei de carreirão por esse mundo de meu Deus, nem dá pra contar. Desafiei de tudo, peito estufado, barriga pra dentro, coragem na munheca, força nos cardans, pinote pra todo lado, tino na hora, viesse o que fosse, vencia no ânimo. Nem temia nada, estava em alta na cotação da coragem, acostumado a subir em pé de coco, não tinha altura que não ganhasse! Uma vez mesmo, uma enxerida nua no alto do sótão dum casarão gritou perguntando se eu tinha coragem de encarar. Oxe, duvida? E ela viu: comi a subida como quem toma café pequeno e lá estava, ao vivo e em cores, enfiando a macaca no rabicho dela. Tome, danada! Comigo era assim. Provocou, estava vencido. Por isso sempre disse: onde tem um profissional, não há espaço pra amador. Assim era, assim foi. Hoje não, tudo ao contrário: não tem inflação e os preços das coisas subindo todo dia; não tem dinheiro no governo e todo dia um escândalo da roubalheira dos políticos. Como é que pode? Os caras lá de Brasília dizem que a coisa vai mudar, mas nem na marra! Pra minha sorte, tenho ainda onde encostar a cabeça, pegar meu espelhinho e conferir as coisas. Com ele já acendi fogueira, encandeei os peixes na hora da pescaria, vi muita calcinha de mulher metida a besta, só no retrovisor já escapuli de muita malquerença, e sempre conferi as pregas do cu pra ver se ninguém me enrabou ao dormir ou de bobeira. Hoje, não, só ajeito o tuim e fico formoso do jeito que a vida me fez, mais nada. A culpa é minha, não é traição da vida não. Do jeito que vai a vida me despeja e eu vou pra onde? Bater as botas e babau. Bote fé, homem, a vida é pra ser vivida! Eu sei, eu sei, todo homem tem que saber da subida dolorosa até chegar em cima, já cheguei, agora é segurar os freios e a carcaça porque a descida só finda no fundo do abismo. Veja só como é que é, subiu, desceu, não dá outra. Deus me tenha, só Jesus na causa. Nessa hora, fazendo uma careta danada pra se mexer, ele saca do bolso da bunda o espelhinho empunhado, confere o penteado, as remelas dos olhos, os fiapos da venta, algum detrito nos dentes futucando com a unha, dum lado pra outro, a barba feita, as entradas no cocuruto, hem, hem, o cabelo caiu e não tem mais volta. Num descuido, o espelhinho escapuliu e se espatifou no chão. Tá vendo, só? Coisa de véio, não seguro mais nada, tudo cai. Hem, hem, só restou a mulher nua do espelhinho, intacta, pelo menos, num tô dizendo! Véio num serve mais pra nada, vou ter que ir à feira comprar outro, inté mais ver. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá é dia de especial com o cantor, compositor, arranjador, multi-instrumentista, ator, escritor, produtor musical, engenheiro e ecologista Lenine em dois shows ao vivo; a cantora,violonista e compositora Luanda Jones interpretando Aquarela, Desigual & Depois de você; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA - [...] O homem não possui somente o poder de reproduzir, de tirar as conseqüências de uma conduta adquirida, ele possui igualmente a capacidade de mudar a ordem relativa de seus atos e de suas representações [...]  Trecho extraído da obra A realidade figurativa (Perspectiva/Edde, 1973) do sociólogo e historiador de arte francês Pierre Francastel (1900-1970), defendendo o valor das culturas visuais a partir do conceito de estrutura, por meio de estudos resultantes de quinze anos de reflexão e pesquisas históricas na Sorbonne, pelos quais entende que só o contato real com a obra de arte permite compreender como esta se incorpora à sociedade, alimentando-a e enriquecendo-a com elementos originais. A obra de arte confere ao historiador e ao sociólogo elementos de informação que de outra forma não teriam. Dentro deste postulado o autor desenvolve pormenorizada análise em torno das artes figurativas, inserindo-as em uma nova problemática do imaginário. As relações teóricas da arte com a técnica, com outros meios de expressão e disciplinas, o confronto entre formas estéticas e sistemas lógicos, os problemas inerentes à iconografia religiosa, constituem alguns dos tópicos esclarecedores para o levantamento dos elementos estruturais próprios de uma Sociologia da Arte.

LEITORES & VIAJANTES - [...] Os leitores são viajantes; circulam em terras alheias; são nômades que caçam furtivamente em campos que não escreveram. [...] a atividade silenciosa, transgressora, irônica ou poética, de leitores (ou telespectadores) que consevam uma reserva de distância na intimidade, sem que os ‘amos’ o saibam [...] A escrita acumula, estoca, resiste ao tempo pelo estabelecimento de um lugar e multiplica sua produção pelo expansionismo da reprodução. A leitura não se protege contra o desgaste do tempo (nos esquecemos de nós mesmos e esquecemos dela), não conserva ou conserva mal sua conquista, e cada um dos lugares por onde passa é repetição do paraíso perdido. [....]. Trecho da obra A Invenção do Cotidiano (Vozes, 1998), do historiador francês Michel de Certeau (1925-1986), no qual examina as maneiras em que as pessoas individualizam a cultura de massa, alterando coisas desde objetos utilitários até planejamentos urbanos e rituais, leis e linguagem, de forma a apropriá-los.

MARILYN NO INFERNO - [...] Raia o arvoredo. No front os soldados se concentram e rezam com a mão sobre a Bíblia. É a agonia de John Ford, diz o mais valente. Quando começará a cena ninguém sabe. Sabem que será uma batalha da Guerra da Secessão e que eles estão preparados. O mais novo se ilude com umas bugigangas compradas na Feira Hippie de Ipanema. À noite terá a companhia de uma garota e dançará. O som frenético das Frenéticas. O mais velho, ancião de longas barbas brancas, ao contra´rio dos bons velhos hollywoodianos, tem uma cara de mau, de profunda insensibilidade. Mora sozinho numa casa de Vila em Botafogo e roi desesperadamente as unhas. Diz que sempre foi assim. A mulher que se maquia na frente do espelho tem origem em indígenas brasileiros, mas faz o papel de uma mexicana. Saboreia o gosto do batom. Sabe que alguém espia mas finge que não vê. É o primeiro western rodado no Brasil, a Baixada Fluminense imitando as pradarias do Arizona. Nenhuma grande estrela. Todos temem o freacasso do filme. Empatei milhões nisso aí, vamos tocar pra frente, grita o produtor acordando um figurante. É um rapazinho de Nova Iguaçu [...] Adora cinema, vê tantas fitas quanto possível pó dia. Às evezes entra às duas e sai à meia-noite. [...] O rapazinho olha-se no espelho da índia que faz a mexicana e ouve o “imbecil” que o diretor lhe jogou para que levantasse a espingarda com vontade contra o céu [...] aí vê um flash explodir sobre seu corpo e banhá-lo de uma luz efêmera como um soluço mas que o deixa iliminado para sempre [...] lá vai o rapazinho agarrado ao pescoço do cavalo, o céu e a terra são uma coisa só, Caxias está perto, muito perto, quase chegando, o rapazinho já vê os primeiros prédios e chaminés [...] é boa a vertigem e ele conseguirá o estrelato na Globo abraçado a Rosamaria Murtinho na capa da Amiga, ele preferia estar ao lado da Aracy Balabanian [...] ele não sabe por que mas gosta da Aracy Balabanian, aquela moça que não é bonita nem feia mas que tem uma simpatia que cativa o coração de todos – na rua principal de Caxias ele galopa veloz entre os canros e ônibus, não respeita os congestionamentos e passa fininho por uma bicicleta assustada [...] o grande cartaz do cinema mostra Kung Fu contra os espadachins de Damasco, Kung Fu! Repete o rapazinho que não agüenta tanta gloria e é cuspido do cavalo contra o cartaz que se rasga e recebe um biolento jato de sangue no olho do Kung Fu. Trechos extraídos da obra O cego e a dançarina (L&PM, 1980), do premiado escritor João Gilberto Noll (1946-2017).

DOIS POEMASO PENSADOR DE RODIN: – Apoiando na mão rugosa o queixo fino, / o pensador reflete que é carne sem defesa: / carne da cova, nua em face do destino, / carne queodeia a morte e tremeu de beleza. / E tremeu de amor, toda a primavera ardente, / e hoje, no outono, afoga-se em verdade e tristeza / o “havemos de morrer” passa-lhe pela mente / quando no bronze cai a noturna escureza. / E na angustia, seus músculos se fendem sofredores. / Sua carne sulcada enche-de de terrore. / Fende-se, como a folha de outono, ao Senhor forte / Que o reclama nos bronzes. Não há arvore torcida / pelo sal na planície, nem leão de anca ferida, / crispados como este homem que medita na morte. PRIMEIRO SONETO DA MORTE: Do nicho lôbrego onde os homens te pusarem / te levarei à terra humilde e ensolarada / nela hei de adormecer – se os homens não souberem - / e havemos de dormir sobre a mesma almofada. / Te deitarei na terra humilde, te envolvendo / no amor da mãe para o seu filho adormecido. / E a terra há de fazer-se um berço recebendo / teu corpo de menino exausto e dolorido. / Poderei descansar, sabendo que descansas / no pó que levantei azulado e linar / em que presos serão os teus leves destroços. / Partirei a cantar minhas belas vinganças, / pois nenhuma mulher me há de vir disputar / a este fundo descenso o teu punhado de ossos. Poemas da poeta chilena Gabriela Mistral (1889-1957), Prêmio Nobel de Literatura em 1945. Veja mais aqui.

ANNA K & JOSÉ ROBERTO AGUILAR
O drama fantasia Anna K (2015), de José Roberto Aguilar, conta a história de um professor de russo que fica intrigado ao dar aulas para Joana, uma mulher que acredita ser Anna Karenina, personagem que dá título ao romance de Liev Tolstói. O destaque do filme fica por conta da belíssima atriz Leona Cavalli.

Veja mais:
As muitas do Zé-Corninho aqui e aqui.
Sou da terra alma caeté, as histórias de Darcy Ribeiro, a música de Yasushi Akutagawa, a pintura de Kent Williams & Renate Dartois aqui.
Cecília Meireles, Gregório de Matos Guerra, Camargo Guarnieri, Heitor Shalia, Albert Marquet, Violência Doméstica, Argemiro Corrêa, Sarah Siddons, Guta Stresser, Graciela Rodrigues, Priscila Almeida & Folia Caeté aqui.
Esclarmonde de Foix & Todo dia é dia da mulher aqui.
Denise Levertov, Johan Huizinga, Philippe Ariés, Camargo Guarnieri, Lauri Blank, Emil Nolde, Kim Thomson & o umbigo no cultuo da avareza aqui.
A pegação buliçosa do prazer aqui.
Direitos humanos aqui.
História do cinema aqui.
Os assassinos do frevo aqui.
Minha alma tupi-guarani, minha sina caeté aqui.
Folia Caeté, Ascenso Ferreira, Baco, Chiquinha Gonzaga, O Frevo & José Ramos Tinhorão, Nelson Ferreira, As Puaras, Dias de Momo, Adolphe William Bouguereau, Teatro & Carnaval, Circo & Peró Andrade aqui.
Alvoradinha, o curumim caeté, Manuel Bandeira, Fernando Botero, Qorpo Santo, Lygia Fagundes Teles, Psicologia Social, Jayne Mansfield, Marilyn Monroe & Roberto Carlos aqui.
Fecamepa: os caetés, Sardinha & a cana aqui.
Os aborígenes: das sociedades primitivas de Pindorama aos caetés, Monserrat Figueiras, Plauto, Miklos Mihalovits, Acmeísmo, Jennifer Lopez, Débora Novaes de Castro, Paulo & Virgínia aqui.
Poetas do Brasil aqui, aqui e aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do pintor, escultor, performer e artista multimídia José Roberto Aguilar.
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quinta-feira, março 26, 2015

HERMETO, ZARATUSTRA, ADLER, TENNESSEE, FRANKL, CORSO, GUEDY & AURORA.


AURORA: UMA CANÇÃO – Pelos idos de 1977 nasceu essa canção. Eu já tinha pelejado de tudo antes disso, mas nada que prestasse. Até duas outras anteriores que eu havia inscrito numa feira música valiam a pena e não resistiram ao tempo: esqueci, se perderam. Por isso, essa foi a minha primeira composição musical de verdade. Bati o centro e fiquei ancho cantando aqui, ali e acolá. Só ganhou estatuto de vivente mesmo quando a cantora Sonia Mello gravou a canção com o meu poema Minha Voz, juntos. Foi aí que eu percebi a razão dela ter resistido a todas as outras que eu tinha então pelejado e feito. Por isso, taí a letra dela: Eu quero aurora dos meus olhos / viver a eclosão do dia /este parto retratado / no rastro meu que se vadia / pra lá das mãos / pra lá do mar / nas veredas deste céu / que vai além do meu cantar / da minha voz que traz / este céu que desvirgina / as entranhas do meu corpo / que se perde pelos vales / e só me resta seguir, ir / nas veias mornas da manhã / até abrir as comportas do meu coração. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

Imagem Young woman wrapped in a fur blanket, do pintor francês Gaston Guedy (1874-1955)

Ouvindo Hermeto Pascoal ao vivo Montreaux Jazz Festival (WEA/Atlantic, 1979) do compositor, arranjador e multi-instrumentista alagoano Hermeto Pascoal. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

A CIÊNCIA DA NATUREZA HUMANA – O livro A ciência da natureza humana (Companhia Editora Nacional, 1957), do médico, psicólogo e filósofo austríaco Alfred Adler (1870-1937), traz os fundamentos do sistema holístico da Psicologia Individual. Na obra destaco: [...] Desde a mais tenra idade, passa a perceber que existem outros seres humanos capazes de satisfazer completamente suas necessidades mais urgentes, melhor preparados para viver. [...] a criança aprende a dar valor excessivo ao tamanho que habilita uma pessoas a abrir uma porta, ou à força que habilita a transportar objetos pesados, ou ao direito de dar ordens e exigir obediência. Desperta em sua alma um desejo de crescer, de ficar tão forte como os outros, ou mesmo mais forte ainda. Dominar aqueles que vê junto a si faz-se então seu principal propósito de vida. [...] A mente não conhece nenhuma lei natural já que o objetivo está sempre mudando. Se, porém, um indivíduo tem um objetivo constante, nesse caso cada tendência psíquica deve sofrer certa compulsão, como se alguma lei natural a influenciasse. Leis que governam a vida psíquica existem – mas são leis feitas pelo homem. Veja mais aquiaqui, aqui e aqui.

ASSIM FALOU ZARATUSTRA – Hoje se comemora o nascimento do poeta e profeta persa Zaratustra ou Zoroastro que viveu provavelmente em meados do séc. VIIaC. Por sua difusão dos segredos e da verdade suprema de Ahura Mazda, ele foi o criador da religião Masdeísta, tornando-se, por isso, um dos primeiros teólogos da história, que possuía o objetivo de erradicar o politeísmo reinante, possuindo uma dimensão ético-espiritual elevada. Foi o filósofo e poeta alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900) que escreveu o livro Assim falou Zaratustra: um livro para todos e ninguém (1883-85), do qual destaco: Zaratustra, porém, olhava para o povo e se admirava. Depois falou assim: O homem é uma corda, atada entre o animal e o além-do-homem – uma corda sobre um abismo. Perigosa travessia, perigoso a-caminho, perigoso olhar-para-trás, perigoso arrepiar-se e parar. O que é grande no homem, é que ele é uma ponte e não um fim: o que pode ser amado no homem, é que ele é um passar e um sucumbir [...]. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aquiaqui, aqui, aqui e aqui.

LOGOTERAPIA: EM BUSCA DE SENTIDO – O livro Em busca de sentido: um psicólogo no campo de concentração (Vozes, 1991), do neurologista e psiquiatra austríaco Viktor Frankl (1905-1997), traz a experiência do autor vivida no campo de concentração, quando, segundo seu relato, ocorre a sua liberdade interior e passa a definir os conceitos fundamentais da logoterapia e a tese do otimismo trágico. Da obra destaco o trecho O sentido da vida: Duvido que um médico possa responder esta questão em termos genéricos. Isto porque o sentido da vida difere de pessoa para pessoa, de um dia para o outro, de uma hora para outra. O que importa, por conseguinte, não é o sentido da vida de um modo geral, mas antes o sentido específico da vida de uma pessoa em dado momento. Formular esta questão em termos gerais seria compatível a perguntar a um campeão de xadrez: “Diga-me, mestre, qual o melhor lance do mundo?” Simplesmente não existe algo como o melhor lance ou um bom lance à parte de uma situação específica num jogo e da personalidade peculiar do adversário. O mesmo é válido para a existência humana. Não se deveria procurar um sentido abstrato da vida. Cada qual tem sua própria vocação ou missão específica na vida; cada um precisa executar uma tarefa concreta, que está a exigir realização. Nisto a pessoa não pode ser substituída, nem pode sua vida ser representada. Assim, a tarefa de cada um é tão singular como a sua oportunidade específica de levá-la a cabo [...]. Veja mais aqui, aqui, aquiaqui.

GASOLINA & LADY VESTAL – O livro Gasolina & Lady Vestal – Poesia Urbana (L&PM, 1985), do poeta estadunidense da geração beat, Gregory Corso (1930-2001), é a reunião dos primeiros livros do autor, com prefácio do poeta estadunidense Allen Guinsberg que adverte: Abra esse livro como se uma caixa de brinquedos malucos, tenha nas mãos um refinamento de beleza extraído de uma atmosfera destrutiva. Essas combinações são imaginárias e puras, de acordo com o desejo individual (portanto universal) de Corso. Do livro destaco O Sol (poema automático): Sol hipnótico! sagrada quase eterna esfera! taça em chamas! balbuciar do dia! / Sol, solar teia de calor! seca taça tropical! sede de aranha! Sol, não água! / Sol miséria sol ira sol doença sol morte sol podre sol relíquia! / Sol baixo e torto sobre o céu africano, derramado quase vazio, ampola oca, osso do sol, pedra do sol, sol de aço, relógio de sol. / Sol dinossauro do elétrico movimento extinto e fossilizado, balbucie! / Sol, temporada das temporadas, pegar o verdadeiro peixe solar, na verde costa tomando sol como loucura. / Sol eros infernal superreal conglomeração de ira miasmática! / Sol, seres do pôr do sol chocados na desértica vida, cai! / Sol circo! tenda de hélio, apolo, rá, sol, sun, triunfem! / O sol como uma fumegante nave caiu no lago Teliphicci. / O sol como um fumegante disco gelatinoso escorreu pelos alpes Telephiccianos / O sol comanda a noite e segue a noite e comanda a noite. / O sol pode ser conduzido por uma carruagem. / O sol como um fumegante pirulito pode ser chupado. / O sol tem a forma de um dedo curvo que te chama. /O sol gira anda dança foge corre. / O sol favorece a cítrica palmeira de tuberculosos pulmões / O sol engole o lago e alpes de Teliphicci a cada ascensão. / O sol não sabe o que é gostar ou não gostar / O sol toda minha vida caiu no lago Teliphicci. / Ó profundidade constante onde tudo além é a verdadeira Bizancio. Veja mais aqui, aquiaqui.

A MULHER QUE ESPERAVA O AMOR – A peça teatral Um bonde chamado desejo (A Streetcar Named Desire – ganhadora do Prêmio Politzer de 1948) do dramaturgo estadunidense Tennessee William (1911-1983) conta a história da protagonista, Blanche Dubois, e a aversão dela pelo marido grosseiro e ignorante da irmã, Stella. Após a ruína da família, cada uma das irmãs seguira destino próprio. Stella adaptou-se ao mundo de seu marido e Blanche manteve a postura aristocrática de gestos finos e sensibilidade exacerbada. Entretanto, a personagem principal foi muito infeliz na sua vida amorosa: seu marido homossexual cometeu suicídio, provocando-lhe profunda depressão. Acusada de seduzir um aluno adolescente, Blanche acaba demitida como imoral, recorrendo à casa da irmã, decepcionando o marido dela. Mas eis que a irmã grávida dará a luz, o cunhado Stanley, completamente embriagado a violenta provocando o seu enlouquecimento e consequente internação num hospício. A peça foi adaptada para o cinema em 1951, dirigido pelo cineasta greco-americano Ilias Kazantzóglu (1909-2003), garantindo o Oscar de melhor atriz para a atriz britânica Vivien Lweigh – a Lady Olivier (1913-1967) - e de atrizes coadjuvantes para Kim Hunter e Karl Maden. Em 1999, o cineasta espanhol Pedro Almodóvar faz a sua adaptação da peça para o drama All About My Mother (Todo sobre mi madre), ganhando o Oscar de melhor filme estrangeiro. No filme de Almodóvar, destaque para Penélope Cruz. Também merece destaque a interpretação de Leona Cavalli. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aquiaqui.








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O doce voo no sangue das andorinhas invisíveis do canavial, o pensamento de Padre Antônio Vieira, a coreografia de Ekaterina Krysanova, a pintura de Iryna Yermolova, a arte visual de Arthur Brouthers, a poesia de Vera Salbego, a música de Silvério Pessoa & Jacinto Silva aqui.

E mais:
A lenda do açúcar e do álcool, A educação de Anísio Teixeira, a História da Filosofia de Wil Durant, a música de Yasushi Akutagawa, a pintura de Madison Moore, Cumade Fulôsinha & Menelau Júnior, a coreografia de João Pirahy & Oração da Cabra Preta aqui.
Salmo da cana, Os doze trabalhos de Peisândro de Rodes, Os trabalhos e os dias de Hesíodo, O informe de Brodie de Jorge Luis Borges, a escultura de Auguste Rodin, a música de Chico Buarque, a literatura de Émile Zola, O operário em construção de Vinicius de Moraes, o Teatro de Nelson Rodrigues, Tempos Modernos de Charlie Chaplin, a arte de Magda Mraz, Heracleia & Hércules, Monteiro Lobato, Psicologia Social & Formação Huamana aqui & aqui.
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A literatura de Adolfo Bioy Casares, a poesia de Guillaume de Poictiers, a música de Charles Mingus, a pintura de Pierre Bonard, Cabra marcado para morrer, a fotografia de John Watson, Estética Teatral & a arte de Louise Cardoso aqui.
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Psicologia Infantil, a música de Béla Bartók, o teatro de Gerd Bornheim, a literatura de Nilto Maciel, a poesia de Leila Diniz & Clotilde Tavares, a pintura de Gutzon Borglum o cinema de David Lean & Sarah Miles aqui.
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A solidão de Toulouse, A mulher celta, a literatura de Elfriede Jelinek, a entrevista de Gilberto Mendonça Teles, a música de Jonatha Broke, a pintura de Henri Toulouse-Lautrec, a arte de Paulo Mendes da Rocha & Michael Aaron Williams, a fotografia de Marcos Vilas Boas, Salgadinho & Psicologia Ambiental aqui.
Lavratura, O pensamento de Antonio Quinet, Os megálitos de Orens, a música de Bach & Hilary Hahn, A maternidade de Francisca Praguer Fróes, a pintura de Joan Miró & Peggy Bjerkan, a arte de Mário Zanini & Luciah Lopez, Por um novo dia, A vida começa no final de semana & O que sei de mim é só de você aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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ANNA LEMBKE, RIN USAMI, BIRHAN KESKIN, ANTÔNIO MARIA & YAYOI KUSAMA

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