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terça-feira, fevereiro 12, 2019

PAULO FREIRE & NEUROEDUCAÇÃO, AS ESCULTURAS DE ALAYDE, SOLEDAD & PRIMA DA VERA.


A OUTRA PRIMA DA VERA – Vera quase teve um troço ao receber a visita da prima Dalvinécia, aquela distante que ela tratava por Nevinha. As duas nunca se deram lá muito bem, por conta dumas coisitas de namoricos bobos dos tempos de adolescência. E mais: apesar da condição heterossexual da Vera, ela tinha lá seus princípios feministas quase ortodoxos. E a prima, como ela mesma dizia, era da pá virada. Além de desbocada, se defendia: Eu não era, fiquei sendo. E justificava: Pago com a mesma moeda. Como? A ficha corrida da Nevinha: enviuvou cinco vezes, tudo de morte morrida e na horagá cada um; descasou-se umas doze vezes, não antes distribuir uma tuia de duas de quinhentos na premiação dos ex; casos, uns tantos não exclusivos e para lá de escusos, afora dar em cima da própria Vera e de algumas amigas do seu relacionamento. Vê-se que a dita era bem rodada, esborrando experiências, das quais Vera se arrepiava: Peraí, mulher! Ah, minha filha – explicava Nevinha: - Sigo à risca o ditado da tia vitalina Cornelinda: homem não é bicho que se deva criar em casa! Além do mais, a vida é curta demais. Confira: o meu primeiro marido, o Dermelinaldo - que Deus o tenha lá longe -, era um santo que fazia gosto! Era do trabalho pra casa, agarrado ao cós da minha saia, beijinhos e presentes. Bastou bater as botas e apareceram logo umas três com filhos e tudo para dividir comigo o quinhão. O segundo, o Bastianildo, esse desarreda: só soube quando foi pro saco, pois nunca que me passou pela cabeça que fosse um raparigueiro de ter uma costela em cada banda da cidade. Aí, né! O terceiro, quase tirou um fino: um primo desmunhecava pras bandas dele; o quarto, o pior de todos: fazia a minha vez com os amigos, um horror! O quinto, fugiu com a minha melhor amiga. Ora, fui aprendendo! Do terceiro em diante, eu já tinha não só a orelha na frente da pulga, como já me adiantava em salvar meu couro: todos eles tinham um quebra-galho nas horas vagas e eu com a cara de tacho. Casei e descasei nove vezes, namorei gato e cachorro e quero ver um homem que ria das minhas costas ou me passe pra trás, faço meu próprio figurino, rá! Gosto mesmo é do remexido, seja com quem for, encara? E fazia mesmo de manhã, de tarde e de noite, saía um, entrava outro, ou que lhe desse na telha e na simpatia, dias, semanas, meses, anos. Isso até a hora dela botar os olhos no Tarcizildo, o que pra Vera foi um santo remédio: Agora ela abaixa o facho, tomara. Dito e feito. Como o rapaz era bem provido tanto de instrumento, como de disposição, bonito no gosto dela, jeitoso para tudo e de não arredar o pé de dentro de casa: pau pra toda obra. Estava feita. Ora, era a faca e o queijo, o útil ao agradável em cima da bucha: Nevinha se aquietou dentro de casa de quase nunca mais vê-la empiriquitada passando pela rua: Quanto tempo, hem? Ah, agora tô só entretida com meu parque de diversão, tenho agora meu brinquedo de estimação. Um amor roxo que dura até hoje para salvação da monogamia e para aliviar a alma aflita da prima que agora, quase santificada, tornou-se beata de ir à missa com seu distinto consorte quase todo dia, pronta para um matrimônio até que a morte os separe debaixo dos lençóis. Aí tá certo, dizem as más línguas de antes, agora sim. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & mais aqui e aqui.

DITOS & DESDITOS
[...] Quantos professores sabem que um simples trabalho de memorização de diferentes tipos de textos exige diferentes níveis de oxigenação do cérebro? Que quanto mais complexa a atividade proposta e à medida que se eleva o grau de raciocínio, o fluxo sanguíneo no cérebro é mais intenso? O professor tem noção de que sua ação pedagógica desencadeia no organismo do aluno reações neurológicas e hormonais que podem ter influência na motivação para aprender? Como pode o professor desconhecer a dinâmica mente/cérebro? Basta a análise dessas questões para que se compreenda a importância desse tipo de informação na adequação de metodologias de ensino [...].
Trecho do estudo Neurociências e educação: uma articulação necessária na formação docente (Revista Trabalho, Educação, Saúde, 2010/2011), da professora e neurocientista Fernanda Carvalho. Veja mais aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da premiada escultora e pintora Alayde - Alaides Puppin Ruschel -, com suas obras em terracota, metal (bronze e alumínio), e resina, utilizando a estrutura helicoidal em esculturas que apresentam as características de leveza e movimento que se inserem dentro da Arte Moderna e Contemporânea. Ela já realizou exposições em Portugal, Itália e por todo Brasil. Veja mais aqui & aqui.

SOLEDAD
O curta-metragem Soledad (2015), dirigido por Joana Gatis, Daniel Bandeira e Flavia Vilela Vieira, com elenco formado por Peter Ketnath, Joana Gatis e Thassia Cavalcanti, conta a história de um amor bandido envolvido por uma paixão implacável e um fogo avassalador que redundam numa saga de morte, traição e vingança, com dança flamenca, cavalgadas, sexo e violência, narrando a história daquela a quem chamavam de Soledad. Veja mais aqui e aqui.
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A educação do educador, pedagogista e filósofo Paulo Freire (1921-1997) aqui, aqui, aqui e aqui.
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Outra entre tantas & muitas da Vera aqui, aqui, aqui e aqui.
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segunda-feira, fevereiro 11, 2019

SARAMAGO, WALTER BENJAMIN, ALICE VINAGRE, ANDRÉ MEHMARI & NEUROEDUCAÇÃO


A SOLIDÃO DE BENJAMIN – A berlinense manhã invernosa da infância e a maçã dos oito anos: a amaldiçoada adâmica. De seus pais, Pauline e Emil, o judaísmo e os negócios prósperos: os pobres não vivem além do fim do mundo. O que seria da vida se não visse em todas as direções. O menino no fausto aprendia a ficar só. Quando Aroob, o codinome e os desencontros com estudantes livres: não poderia concordar com a guerra. O aconchego de Dora e o casamento para Berna, Stephan e a deserção. Ali já o enigmático e contraditório, o melancólico homem da arte, o outsider intelectual que sabia de Goethe, Baudelarie, Brecht, Proust, Gorki, Poe, Kipling, Valéry, Kafka. As dificuldades financeiras, a recusa por emprego e a rejeição da tese de livre docência. Nenhuma mão na bancarrota dos pais, o sustento por Dora e o exílio em Paris: o Surrealismo já previa os horrores do holocausto. As passagens, coisas e pessoas, a atriz Zacis, o pessimismo e a desconfiança com o que viria depois. A vida espectral e os infortúnios: seus pais faleceram sem menos esperar, o divórcio e a ascensão do nazismo ameaçador, o desencanto: Weimar, o stalinismo, a guerra fria, tudo quase tão triste e real ao redor. O refúgio em Nápoles pros braços da bela letã Asja Lacis, o teatro infantil na rua de mão única: o corpo aberto em Riga, as imagens do pensamento e as recíprocas atrações e conflitos. Dali pra Moscou, o escritor dos diários na depressão e o haxixe, experiências e cartas com um novo nome, Detlef Holz: a solidão é um vórtex puxando o mundo com a força de um turbilhão. Completamente rejeitado e só: o fracasso da naturalização francesa, não há mais cidadania alemã. A arte de narrar caminhava para o fim, não mais a troca de experiência, o estatuto dos artesãos: “O tédio é o pássaro onírico que choca o ovo da experiência”. As ruinas do passado assombravam o presente e o esquecimento dos vencedores: a memória, a lembrança, a esperança, Scherazade e os solitários desenrolavam as teias e os ornamentos do esquecimento, o tempo perdido, palimpsestos, o trabalho de Penélope e a irrecuperabilidade do que foi para mitigar e inocular o sofrimento, a perda. O socorro da lembrança sacudia a letargia com o sonho coletivo diante do que caiu ou foi desprezado: a memória é teatro e era preciso escavar e reescavar: espraiar e revirar, atualizando do presente. Mil vezes pediu para dormir até se fartar: a morte é a sanção do relato. Não há para onde ir: a fuga dos refugiados, Port Bou, Lisa e os USA, a ameaça na fronteira franco-espanhola, o desespero, a dose letal de morfina. Os demais seguiram para Portugal, restaram escritos perdidos e a solidão de morrer sepultado com a sua agonia. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS
[...] Para começar, gosto das mulheres. Acho que elas são mais fortes, mais sensíveis e que têm mais bom senso que os homens. Nem todas as mulheres do mundo são assim, mas digamos que é mais fácil encontrar qualidades humanas nelas do que no gênero masculino. Todos os poderes políticos, econômicos, militares, são assunto de homens. Durante séculos, a mulher teve de pedir autorização ao seu marido ou ao seu pai para fazer fosse o que fosse. Como é que podemos viver assim tanto tempo, condenando metade da humanidade à subordinação e à humilhação? [...].
Trecho de As mulheres são mais fortes (L’orient le jour, 2007), do escritor, teatrólogo, jornalista e dramaturgo português José Saramago (1922-2010). Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da premiada artista Alice Vinagre que desenvolve atividades artístico-culturais como pintora e desenhista, com as séries No coração de todas as coisas (1988), Amarelo (1993), Bonecas (1994), Coração (1999) e Azul (1998), Anotações (sobre o céu), Anotações sobre pintura e a individual Com olhos de náufrago ou onde fica o próximo porto (2018) - esta última em exposição até 24 de fevereiro, no Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães – Recife – PE, tendo realizado exposições na Alemanha, Equador, França e Japão. 
Veja mais aqui, aqui e aqui.

A MÚSICA DE ANDRÉ MEHMARI
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com o pianista, compositor e arranjador André Mehmari. Para conferir ligue o som e veja mais aqui e aqui.
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A obra do filósofo alemão Walter Benjamin (1892-1940) aqui, aqui, aqui e aqui.
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Palestra Neuroeducação aqui
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terça-feira, janeiro 29, 2019

TCHEKHOV, NEUROEDUCAÇÃO, RON MUEK, SIMIÃO MARTINIANO & DAS LIÇÕES DA VIDA


DAS LIÇÕES DA VIDA - Confesso sinceramente: tantas vezes hesitei no entroncamento da noite, menor que um palmo além do nariz, encurralado em minha própria insciência. Quantas vezes ao receio, estrelas ocultas e quase não desisti diante ao menor embaraço. Tantas ocasiões titubiei na travessia, abri mão da última passada, espremido na dor de não enxergar outras tantas veredas. Valiam os outros e seus dizeres, olvidava de mim. Sucumbi vela derretida, sozinho minhas dores e cortes no trajeto de tantos incertos começos e recomeços sucessivos. Reconheci meus erros, sou mortal e prestei atenção, talvez descobrisse. Por meus próprios esforços diligentes, assumi o dever de cumprir por minhas ações, desatinos na lâmina afiada. Corri atrás, enfrentei minhas tempestades, aos ombros a carga pesada do incompreendido e o sacrifício das árduas tarefas, uma filosofia viva e a compreensão das interrelações nas escrituras do mundo. Se não era eu mesmo, tinha de ser, e não mais escapei do esforço pessoal nem a mão milagrosa para os atalhos. Não mais esperei dos outros as minhas expectativas e vi que o amargo não era tão assim e o depois de passada a queimadura não é tão dolorosa assim. Demovi cascas e mudei de pele, não foi fácil. Na horagá, como valorar o querer, teres e haveres, suspenso pelas rejeições e fracassos. Lambi os talhos para não perecer vazio e sorri ao tentar de novo e novamente refiz, cônscio Sísifo que desagrada a cada ida e volta. Ao ignorar do tempo e espaço, longe ou tarde, havia de discernir na montanha russa entre o definitivo e a finitude. Nenhuma certidão, há sempre o que aprender e a reaprender a cada momento. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS
[...] A neuroeducação atual tem como objetivo não somente a compreensão de como o ser humano aprende melhor, mas, também como eles de vem ser melhor ensinados para maximizar seu potencial. [...] estudantes aprendem melhor quando são altamente motivados do que quando não têm motivação; estresse impacta aprendizado; ansiedade bloqueia oportunidades de aprendizado; estados depressivos podem impedir aprendizado; o tom de voz de outras pessoas é rapidamente julgado no cérebro como ameaçador ou não-ameaçador; as faces das pessoas são julgadas quase que instantaneamente (isto é, intenções boas ou más); feedback é importante para o aprendizado; emoções têm papel-chave no aprendizado; movimento pode potencializar o aprendizado; humor pode potencializar as oportunidades de aprendizado; nutrição impacta o aprendizado; sono impacta consolidação de memória; estilos de aprendizado (preferências cognitivas) são devidas à estrutura única do cérebro de cada indivíduo; diferenciação nas práticas de sala de aula são justificadas pelas diferentes inteligências dos alunos [...] cada cérebro é único e unicamente organizado; cérebros são especializados e não são igualmente bons em tudo; o cérebro é um sistema complexo, dinâmico e em modificação diária, pelas experiências;  cérebros são considerados ‘plásticos’ e continuam a se desenvolver ao longo de suas vidas; aprendizado é baseado em parte na habilidade do cérebro de se auto-corrigir e aprender pela experiência, através da análise de dados e auto-reflexão; a busca por sentido é inata na natureza humana; a busca por sentido ocorre através de ‘padronizações’; aprendizado é baseado em parte na habilidade do cérebro de detectar padrões e fazer aproximações para aprender; emoções são críticas para detectar padrões; aprendizado é baseado em parte na capacidade do cérebro para criar; aprendizado é potencializado pelo desafio e inibido pela ameaça; o cérebro processa partes e todo simultaneamente (é um processador paralelo); cérebros são projetados para flutuações mais do que atenção constante; aprendizado envolve tanto atenção focada quanto percepção periférica; o cérebro é social e cresce na interação (tanto quanto na reflexão pessoal); aprendizado sempre envolve processos conscientes e inconscientes; aprendizado é desenvolvimental; aprendizado recruta a fisiologia completa (o corpo impacta o cérebro e o cérebro controla o corpo); diferentes sistemas de memória (curto prazo, de trabalho, longo prazo, emocional, espacial, de hábito) aprendem de formas diferentes; informação nova é arquivada em várias áreas do cérebro e pode ser evocada através de diferentes rotas de acesso; o cérebro recorda melhor quando os fatos e hábilidades são integrados em contextos naturais; e Memória + Atenção = Aprendizado. [...]
Trechos extraídos do estudo The scientifically substantiated art of teaching: a study in the development of standards in the new academicfield of neuroeducation (mind, brain, and education science) – (Capella University, 2008), da professor, pesquisadora Tracey Noel Tokuhama-Espinosa. Veja mais aqui, aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do escultor australiano Ron Muek. 
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O CINEMA DE SIMIÃO MARTINIANO
A obra cinematográfica do ator, roteirista e cineasta Simião Martiniano (1932-2015), conhecido como o Ed Wood do Nordeste, compreende várias realizações, tais como Traição no Sertão (1979); A rede maldita (1991); O vagabundo faixa preta (1992); A mulher e o mandacaru (1994); Traição no Sertão (1996, refilmagem); O herói trancado (1999) - como ator; A moça e o rapaz valente (1999); Conceição (2000) - também como ator; e A valise foi trocada (2007). Em sua homenagem foi realizado o documentário Simião Martiniano, o camelô do cinema (1998), produzido por Hilton Lacerda e Clara Angélica, retratando a sua vida. Veja mais aqui e aqui.
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A obra do dramaturgo e escritor russo Anton Tchékov (1860-1904) aqui e aqui
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quinta-feira, dezembro 06, 2018

ALYSON NOËL, FRANCESCA TANDOI, ROCLOF FRANKOL & MARSA&SEUPEREIRA&COLETIVO401


PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA ENSINO-APRENDIZAGEM - Imagem: arte do pintor neerlandês Roclof Frankol (1911-1984). - Seguindo o mote da casa/escola emburrecedora, do saudoso educador Rubem Alves, desde alguns anos atrás, venho realizando palestras a respeito de práticas pedagógicas para o desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem. A primeira delas, Brincar para aprender, realizada a convite da Universidade Federal de Alagoas, em Maceió - AL (Veja detalhes aqui) e em diversas instituições de ensino, levava a proposta de inserção das atividades artísticas durante os trabalhos em sala de aula. Concomitantemente comecei a realizar Oficinas de Cordel, que foram realizadas em diversas ocasiões com o objetivo de promover a utilização da Literatura de Cordel como recurso pedagógico. Aprofundando a questão, passei a desenvolver atividades na área da Psicologia Social & Educação, quando apresentei os resultados do trabalho sobre A Educação & Arte na Escola Pública, experiência realizada com atividades artísticas para melhoria do processo de ensino-aprendizagem, realizado na Faculdade Cesmac e envolvendo a Escola Estadual Josefa Conceição da Costa, de Maceió – AL (Veja detalhes aqui). Por conta disso, realizei os estudos que redundaram na palestra Contribuição do Teatro no Desenvolvimento da Linguagem Infantil: uma abordagem acerca da teoria de Vygotsky, apresentada na Uninove, em São Paulo e no Cesmac, em Maceió (Veja detalhes aqui). Dando continuidade a esses estudos e pesquisas, participei do Grupo de Pesquisa de Neurofilosofia & Neurociência Cognitiva, na Faculdade Cesmac, ocasião em que realizei a palestra A Neuroeducação nas práticas pedagógicas de ensino-aprendizagem, que venho realizando desde então em diversos eventos e instituições (Veja detalhes aqui e aqui). Todas essas atividades que tenho desenvolvido nos últimos quinze anos compreendem a articulação que fiz das áreas de Direito, Educação e Psicologia com as Artes, na busca por melhores práticas pedagógicas em sala de aula, desde a Educação Básica, como também a Educação de Jovens e Adultos (EJA), Educação Profissional e Educação Especial, nas mais diversas modalidades de ensino. Para tanto, tenho utilizado como embasamento teórico as propostas de Paulo Freire e de outros teóricos não menos importantes, com as mais inovadoras atividades artísticas voltadas para a educação, sobretudo nas áreas de Teatro, Música e Literatura. As experiências foram exitosas em diversas escolas públicas e na minha caminhada encontrei uma série de outras iniciativas, a exemplo do poeta e professor Janduhi Dantas Nóbrega, da Paraíba, que utiliza a Literatura de Cordel nas aulas de Gramática e Língua Portuguesa (Veja detalhes aqui). Também o escritor e professor Arantes Gomes do Nascimento, que elaborou os jogos pedagógicos Dominando a acentuação gráfica e Desembaralhando o Verbo (Veja detalhes aqui), entre outras tantas iniciativas que tenho encontrado de educadores, arte-educadores, psicopedagogos e psicólogos, todas procurando otimizar a atividade pedagógica com os mais diversos recursos artísticos para melhoria do processo de ensino-aprendizagem. São experiências como estas, acrescidas de temas como afetividade, transversalidade, transdisciplinaridade, neuroeducação, entre outros, que podem levar a um melhor relacionamento entre o professor e o aluno, possibilitando o desenvolvimento de uma educação de verdade, pública e de qualidade. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS:
[...] Nem sempre fui essa bizarrice que sou hoje. Já fui uma adolescente normal, do tipo que ia às festinhas da escola, se apaixonava por celebridades e tinha tanto orgulho dos cabelos louros que jamais pensaria em prendê-los num rabo de cavalo ou escondê-los sob um capuz. Eu tinha mãe, pai, uma irmã caçula chamada Riley e uma cadela labrador amarela, fofíssima, de nome Buttercup. Morava numa casa agradável, num bairro bacana de Eugene, no Oregon. Era popular, feliz e mal podia esperar para chegar ao segundo ano, pois tinha acabado de me tornar chefe de torcida da principal equipe da escola. Minha vida era completa, e o céu era o limite. Essa história de céu pode ser um tanto gasta, mas, no meu caso, ironicamente, é também a mais pura verdade. No entanto, sei tudo isso apenas por ouvir dizer, pois desde o acidente só me lembro claramente de uma coisa: eu morri. Tive o que as pessoas chamam de "experiência de quase morte", ou EQM. Acontece que as pessoas estão erradas. Podem acreditar, não houve nada de “quase" no que me aconteceu. Foi assim: num instante, Riley e eu estávamos no banco de trás do SUV do papai, Buttercup com a cabeça pousada no colo de minha irmã e o rabo batendo suavemente em minha perna, e a próxima lembrança... os airbags inflados, o carro inteiramente destruído e eu lá, assistindo a tudo do lado de fora. Olhando para os destroços — os estilhaços de vidro, as portas amassadas, o para-choque dianteiro agarrado ao tronco de um pinheiro num abraço letal -, fiquei me perguntando o que poderia ter acontecido de errado, esperando e suplicando que todos tivessem conseguido sair dali como eu. De repente, ouvi um latido familiar; virei para trás e vi minha família seguindo por um caminho, guiada por Buttercup, que abanava o rabo. Fui ao encontro deles. De início, tentei correr e alcançá-los, mas depois fui mais devagar, querendo me demorar e passear por aquele campo vasto e perfumado de árvores e flores vibrantes que tremeluziam, e apertando os olhos diante da névoa deslumbrante que refletia e brilhava intensamente, iluminando tudo. [...] Sei que o preço da eternidade é alto, mas sei também que as coisas podem se arranjar. Riley prometeu mandar algum tipo de sinal; depois disso vejo o que faço. E se a eternidade começa hoje, é assim que vou vivê-la: até o fim do dia, e só. Sabendo que Damen estará sempre ao meu lado. Tipo assim, sempre, certo? Ele busca meu olhar, esperando uma resposta. — Eu amo você — digo baixinho. — Também amo você — ele devolve, os lábios pedindo os meus. — Sempre amei. [...].
Trechos da obra Para sempre – Os imortais I (Intrínseca, 2009), da premiadíssima escritora estadunidense Alyson Noël. Veja mais aqui.

A ARTE DE ROCLOF FRANKOL
A arte do pintor neerlandês Roclof Frankol (1911-1984).

AGENDA:
Marsa e SeuPereira & Coletivo401 - NE TOUR 18 – 16/12, das 16 às 21hs, Casa Astral Rua Joaquim Xavier de Andrade, 104 - Poço da Panela, Recife – PE & muito mais na Agenda aqui.
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A vida é muito mais, Agostinho da Silva, Marcia Tiburi, Alcântara Machado, Ricardo Corona, Lucinda Lyons, Celso Antunes, Natasha de Albuquerque & Maria Eugência Matricardi & Pamela Guimarães, Pesqueira, Antônio Meneses & Alina Ibragimova aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje curta na Rádio Tataritaritatá a música da pianista Francesca Tandoi & Trio: Live at Jazz on Air, Live at Luca’s Jazz Corner, Clair de Lune de Denussy & How did he look no KC KV Bzaal & muito mais nos mais de 2 milhões & 900 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.
 

segunda-feira, julho 30, 2018

RILKE, TAHAR JELLOUN, JOSEPH CORNELL, KO HUNG, NEY MATOGROSSO, JESSIER & DORO


PÉ DO PULE - Imagem: arte do artista estadunidense Joseph Cornell (1903-1972). - Doro acordou com aquela milhar na cabeça, ganhou num sonho. Pegou no bolso o calendário com a pin-up dos sonhos, conferiu o dia e o mês, é hoje, entraria na história. É hoje. Nem se lixava mais com nada, o seu pensamento predominante: é hoje. Isso para quem estava só a pelanca, couro e osso, credores tudo no pé, uma ruma de bronca pra todo lado, nunca mais. Hoje é o dia. Levantou-se, asseou-se como de costume e, apressado, botou a cara na rua. Atordoado, pra onde se virasse, os números perseguiam: a casa da frente, eita! Ao atravessar a rua, quase atropelado de tão envolvido com a sorte: a placa do carro, danou-se! Olhou o relógio, vixe! É hoje. Pegou a conta da luz, o valor. Foi ter no açougue, o peso dos miolos de boi na balança, a milhar; e como nada dava certo, essa podia dar na cabeça. É hoje. Ah, foi ter logo com o cambista. Qual o pé do pule? Era ela, a mesma do sonho, a sua perseguição. É hoje. Tascou no palpite. Pronto, resolvido, é hoje. E saiu descompromissado de tudo. Passou o dia sonhando com os olhos abertos, devaneava toda sorte de ventura. Não mais a um passo da queda, sopesava; Passou a vida a limpo: quantos desdouros, vítima dos remoques e chasqueados, ah, esquecia a tuia de coprólitos deixados nos caminhos já passados, os borborigmos que permeavam seus conflitos e males, nada, agora era outro, tudo já era, e já se via fazendeiro dono de terras, bichos e posses, viajando na maior das jornadas pelas lonjuras dos roteiros mais chamativos das bandas estrangeiras, os sete mares, os quatros cantos do mundo, florestas de não sei de onde, desertos de lá longe, palácios de reis e rainhas, enfrentando perigos em todos os tipos de aventuras contadas para deixar todos de queixo caído com as mais tenebrosas façanhas e diabólicas situações; proprietário prestigiado de um harém com as mais reboculosas, uma para cada dia do ano, e mais tantas opulentas e sedutoras serviçais para as horas vagas; mandando e cagando raio a torto e a direito; cheio das extravagâncias. Imaginava fazendo doidice só pra se mostrar excêntrico, bancando farra, cagando dinheiro, limpando o rabo com nota de cem, aprontando desordens e estripulias nas maiores arruaças, pervertendo a ordem, todo impune pela fortuna, sem remorsos pelas infâmias e torpezas, sabia não mais ter que expiar, a remissão da indigência de sempre, peito cheio, agora dava pra pensar eleito prefeito, deputado, senador e, íntimo das castas do poder, governador, presidente numa ascendente e vitoriosa carreira política, já se dava por tudo e certo. Até que o dia já fraquejando pro império da noite, o relógio marcava: faltavam vinte pras cinco, a hora do resultado estava prestes, é hoje, foi conferir: tiro e queda. Ela inteirinha, dezena, centena e milhar, na cabeça. Disse pra si: pronto, quebrei a banca. Foi lá, vasculhou os bolsos, cadê? Nada, vixe! Cadê o danado do pule. Virou-se, revirou-se, remexeu bolsos e algibeiras, onde tinha se socado o danado, apareça desgraçado. Nada. Levou tempo e nada, enfrentou de cara lisa: acertei, quero meu prêmio. Cadê o pule? Perdi, não acho. Ah, não vale. Lembrou-se: o cambista? Ninguém sabia, lugar mais limpo. Oxe, quero meu prêmio, joguei, acertei, quero o justo no contado, tintim por tintim. Você está doido, é? Traga o pule e a gente paga, na hora. Não adiantou seu arrazoado, ou prova ou nada. Fez de tudo, a sorte fugia entre os dedos. Insistiu, esperneou, chorou, nada. Não era sonho, que pena. Fui engalobado de novo. Alegria de pobre dura pouco, acabou-se o que era doce. Sou um bucho inchado arrodeado de peidos por todos os lados. E tudo voltou ao antes, mais um dia atrás do outro. Era o Doro de sempre. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do cantor, compositor, dançarino, ator e diretor Ney Matogrosso: Secos & Molhados, Batuque ao Vivo, Um Brasileiro & Canto em qualquer canto & muito mais nos mais de 2 milhões & 500 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Os objetos começam com o mundo; são o mundo. Mas além das coisas da natureza que saem de meios invisíveis para nós, existem outras, formadas pelo homem de acordo com o modelo daquelas que foram encontradas e vistas anteriormente. [...] Deve ter sido uma experiência estranha verificar que as coisas feitas com as próprias mãos eram tão reconhecidas, tão iguais em seu direito de existência, tão reais ao lado daquilo que existia. [...] E agora ter essa experiência – ver como aquilo que se imitava com ardor e ansiosamente, que, em sua perfeição, adquiria a mesma serenidade, a mesma dignidade, se unia às coisas, assim como os mortos se unem aos bem-aventurados: para perdurar – como aquilo se tornou estranho e, não obstante, conservou uma intimidade delicada e melancólica. [...]. Trecho extraído da obra Auguste Rodin (Nova Alexandria, 2003), do poeta alemão Rainer Maria Rilke (1875-1926). Veja mais aqui.

A VIDA & O BEM VIVER - [...] Pegue três libras de cinábrio e uma libra de mel branco, misture-0s. Seque a mistura ao sol. Asse-a no fogo até poder formar pílulas. Tome dez pílulas do tamanho de uma semente de cânhamo a cada manhã. Dentro de um ano, os cabelos brancos voltarão a ser negros, dentes cariados voltarão a crescer, o corpo tornar-se-á liso e resplandecente. Um velho que tomar esse preparado por um logo período de tempo se tornará jovem. Aquele que o tomar constantemente desfrutará de vida eterna e não morrerá. [...] É também perigoso para as pessoas que amam a vida confiar em suas próprias especialidades. Aqueles que conhecem as técnicas do Clássico da Dama Misteriosa e o Clássico da Dama Comum dirão que apenas a “arte da alcova” conduzirá à salvação. Aqueles que entendam o método dos exercícios espirituais dirão que apenas a absorção da força vital pode prolongar a vida. Aqueles que conhecem o método do alongamento e flexões, dirão que apenas os exercícios físicos podem prevenir a velhice. E aqueles que conhecem as fórmulas das ervas, dirão que apenas a medicina poderá tornar a vida eterna. Eles fracassam, em sua busca do tao porque são muito unilaterais. Pessoas de conhecimento superficial acham que sabem o suficiente quando de fato conhecem apenas um caminho e não percebem que a verdade é daquele que busca incessantemente, mesmo depois de ter conseguido algumas fórmulas. [...]. Trecho extraído da obra Nei p’ien: Estudo da alquimia chinesa (Xangai, 1928), do escritor esotérico e alquimista taoista chinês Ko Hung (Pao-Pi U Tz’u – 283-343).

COMITÊ POVÃO – Tem político que é feito banana de carboreto, engana com a cor da casca. Com essa enganação torna-se imprestável feito rede de bexiguento. Nunca tarde lembrar que trajetória política é feito carreira de raposa, sinuosa e sujeita a tiro e queda. Para o bom político no entanto, é prego batido e ponta virada. O político é feito papagaio do brejo, já nasce pedindo a palavra e tem discurso cor de arara. Com seu modo simples e fala vinda do céu, sabe microfonar a palavra e provar com voz de cimento que é caboco tutanudo, amarombado, que não tem guerra na alma e nem limão no pensamento. Já o mau político é macio por fora e por dentro é uma lixa doze de pessoa. É aquele olhar xingoso, mãos de visgo de jaca e solto na buraqueira. Em matéria de trabalho só tem bambeira nas pernas. É espremedor de gente, é coice de rifle ruim, tem queda pra desmantelo e discurso cor de viúva. O mau político é feito pombo, quando sobe, borra na cabeça do povo. Mas é como diz o matuto: um dia é da caça, outro é da checa. Por isso contra o mau político, use sua melhor arma: o seu voto! Trecho extraído da obra Política de pé de muro (Bagaço, 2002), do poeta, compositor e intérprete Jessier Quirino. Veja mais aqui, aqui e aqui.

PALAVRAS DE UM PERSONAGEM CEGO - As histórias que se contam são como lugares. São habitados por aqueles a quem pertenceram em tempos longínquos, não necessariamente por aquilo que alguém pode chamar de espíritos. Uma história é como uma casa, uma velha casa com diversos níveis, diversos aromas, quartos, corredores, portas e janelas, cavas e grutas. Espaços inúteis. As paredes são a memória. Raspe um pouco uma pedra, aproxima uma orelha e ouvirá coisas certamente! O tempo recolhe aquilo que o dia traz aquilo que a noite esparge. Cuida e aprisiona. O testemunho é a pedra. O estado da pedra. Como pedra é uma página, escrita, lida e cancelada. Tudo adere-se nos grãos da terra. Uma história. Uma casa. Um livro. Um deserto. [...]. Extraído do livro Criaturas de areia (L’Ermete, s/d), do escritor e dramaturgo marroquino Tahar Ben Jelloun.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do artista estadunidense Joseph Cornell (1903-1972).
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Neuroeducação aqui & aqui muito mais na Agenda aqui.
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As trelas do Doro aqui.
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Colhendo sonhos nos galhos da vida, Voltando às raízes pra recomeçar do zero de novo, a arte de Vincent Hložník & Luciah Lopez aqui.

APOIO CULTURAL: SEMAFIL
Semafil Livros nas faculdades Estácio de Carapicuíba e Anhanguera de São Paulo. Organização do Silvinha Historiador, em São Paulo. Fone: 11 98499-2985.
 

segunda-feira, junho 18, 2018

ALICE PALMIRA, HABERMAS, ANA OSÓRIO, MARMELO E SILVA, ALDO BONADEI, NEUROEDUCAÇÃO, SÉRGIO RICARDO & LENA D’ÁGUA


AQUELA DO NÃO LIGO & TÔ NEM AÍ! - Imagem: arte do pintor brasileiro Aldo Bonadei (1906-1974) - Pra todo lado me perguntam se estou pronto pra torcer na copa. Oxe, digo de bate-pronto: quem vê essas coisas lá em casa é a madama, sou um zero à esquerda. Hem? Ué, tento afazeres domésticos, mas sou logo demitido por conta do desajeitado de tão mal feito, qual imprestável que mais atrapalha que ajuda. Ah, Copa do Mundo, tá. Estou tão por fora que nem reboco esburacado, faz tempo. Digo mais: afora alguns capítulos com as paisagens e trilha sonora de Pantanal – nem lembro quando foi que assisti -, não sei qual a novela da vez, nem a manchete do noticiário, nem programação da tevê, ou do rádio, nunca mais vi jornal nem revista: tudo a mesma coisa todo dia, tanto faz hoje, ontem ou amanhã, já sei. Pra piorar, livro é caro que só – mas leio o que sobra das bibliotecas e sebos -, nunca mais fui aos bares, não sei que droga é nove, nem quem pintou a zebra, se alguém souber me avise, por favor; só sei que o dia amanhece, a noite escurece e a única certeza de que vou morrer um dia, mais nada. Como não tenho onde cair morto, vai ser prejuízo pra morte e alívio pros parentes distantes e desafetos. Serei menos um pra dá trabalho à humanidade. Ah, quando falam de seleção brasileira lembro logo da corrupção e golpes, greves que são locaute, aumento de combustíveis, meladas dos agentes públicos, a desgraça dos assalariados e excluídos. Além do mais a CBF não me representa, é um antro privado pra sacanagens e sujeiras, lucros e afanações. Ah, tá. Logo vem aquela: E vai torcer por qual seleção, então? Ué, quais países africanos e latinos da competição que eu não sei mesmo, ninguém sabe, menos um que chegou com um álbum de figurinhas e começou a falar duma tuia: Arábia Saudita, Portugal, Irã, Austrália, Islândia, Sérvia, Croácia, Coreia do Sul, não sei bem que mapa-múndi ele estudou, mas deixa pra lá, isso é Brasil, e saí identificando Senegal, Panamá, Egito, Marrocos, Peru, Nigéria, Costa Rica, México, Tunísia, Colômbia, hummmmm... ah, Costa Rica, talvez, Tunísia, Egito, México, legal. Sou pelos azarões, um dia dá. Será? Pra quem torceu pelo Íbis e Vovozinhas de Santo Amaro, já viu. Pois é, aprendi assim depois de empurrões, cotoveladas, petelecos, apertos e camas de gato, na tentativa pela pontaria vesga acertar no ângulo e só triscando na trave, pra fora! Não deu, de novo e sempre. Um dia dá, destá, só remo quando queria navegar, sebo nas canelas e não saio do lugar, todo castigo pra beócio é pouco e me rio. Que me perdoem os ofendidos e os que melindram, é que fui brincar meu carnaval e era São João, que coisa! Passou e nem me dei conta da perda de tempo. Daí pra competição, nem entrei em campo, só na regra três, sempre. Fazer o quê? Oportunidade não é milagre de todo dia e momento. Que me perdoem os que se foram - já já chego por aí -, por mim, não tenho um tostão furado no bolso, dignidade alguma, pendurado no cada um por si, sacaneado pelos umbigocentristas, culpas eventuais, escorregões, piruetas e maledicências mais, preferia mesmo sair levitando em paz, distribuindo beijos e abraços, sorrindo flores de primavera no inverno. De fato, só me resta amar uma mulher e o futuro colaborar pra fruir desse amor. De resto, mãos à obra evitando a cagada, pés no mundo pernas pra que te quero sem deixar rastro e fé em Deus que um dia isso tem jeito. Vamos aprumar a conversa e tataritaritatá! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do compositor, ator, cantor, pintor e cineasta Sérgio Ricardo: Deus e o diabo na terra do sol, Ponto de Partida & Quando menos se espera; da cantora e autora portuguesa Lena D’Água: Sempre que o amor me quiser, Tao & Ou insto ou aquilo; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] A mulher, na sua fundamental função materna tem em si própria, o verdadeiro sentido da palavra nacionalismo, que veio alargando progressivamente através da família, de civilização em civilização, desde o limite estreito da sua primitiva caverna, em que ela foi a primeira base duma sociedade que mal se reconhecia, até ao alargamento máximo das pátrias, que se desdobram em ambições de imposição civilizadora. [...] Não se pode haver uma grande nação se não houver nas mulheres este sentimento que as faz as guardas e fiadoras das qualidades e tradições da raça [...] A mulher tem a função fundamental de guarda das qualidades e tradição da raça. Como a terra, ela é fixadora e o reservatório de todas as energias raciais, mormente dum povo como o nosso que aprendeu cedo o caminho aventuroso da navegação, da conquista e da colonização emigradora [...]. Trechos extraídos da obra A grande aliança (Instituto Piaget, 1997), da escritora, jornalista, pedagoga, ativista republicana e feminista portuguesa Ana de Castro Osório (1872-1935). Veja mais aqui e aqui.

SOCIEDADE ATUAL – [...] da perspectiva de um observador não envolvido, a sociedade só pode ser concebida como um sistema de ações tal que cada ação tem um significado funcional de acordo com sua contribuição para a manutenção do sistema [...] Nós vemos a sociedade como uma entidade que, no correr da evolução, diferenciou-se tanto como um sistema quanto como um mundo da vida. A evolução sistêmica é medida pelo aumento na capacidade de direção da sociedade, enquanto o estado de desenvolvimento de um mundo da vida estruturado simbolicamente é indicado pela separação da cultura, sociedade e personalidade [...] A racionalização do mundo da vida torna possível a emergência e o crescimento de subsistemas cujos imperativos se voltam definitivamente contra o próprio mundo da vida [...] com a institucionalização legal do meio monetário que marca a emergência do capitalismo, a ação orientada para o sucesso, guiada por cálculos egocêntricos de utilidade, perde sua conexão com a ação orientada para o entendimento mútuo. Esta ação estratégica que desatrela-se dos mecanismos de alcançar o entendimento e demanda por uma atitude objetivante inclusive no campo das relações interpessoais é promovida a modelo para lidar metologicamente com uma natureza objetivada cientificamente. Na esfera instrumental, a atividade dirigida a fins, ao retirar sua legitimidade do sistema científico, fica livre das restrições normativas [...] Através dos meios dinheiro e poder, os subsistemas da economia e do estado são diferenciados fora de um complexo institucional estabelecido dentro do mundo da vida; surgem domínios de ação formalmente organizados que, em última análise, não são mais integrados através dos mecanismos de entendimento mútuo mas que se desviam dos contextos do mundo da vida e congelam-se num tipo de sociabilidade livre de normas. Com essas novas organizações surgem perspectivas sistêmicas, das quais o mundo da vida é distanciado e percebido como um elemento do meio ambiente do sistema. As organizações ganham autonomia através de uma demarcação que as neutraliza frente às estruturas simbólicas do mundo da vida. Tornam-se peculiarmente indiferentes à cultura, à sociedade, e à personalidade [...] À medida que o sistema econômico sujeita a seus imperativos as formas de vida do lar privado e a conduta de vida dos consumidores e empregados, está aberto o caminho para o consumismo e para o individualismo exacerbado. A prática comunicativa cotidiana é racionalizada de forma unilateral num estilo de vida utilitário, esta mudança induzida pelos meios diretores para uma orientação de natureza teleológica gera, como reação, um hedonismo liberto das pressões da racionalidade. Assim como a esfera privada é solopada e erodida pelo sistema econômico, também a esfera pública o é pelo sistema administrativo. O esvaziamento burocrático dos processos de opinião espontâneos e de formação da vontade abrem caminho para a manipulação da lealdade das massas e torna fácil o desatrelamento entre as tomadas de decisão políticas e os contextos de vida concretos e formadores de identidade [...] No lugar da falsa consciência, nós lemos hoje uma consciência fragmentada que bloqueia o iluminismo pelo mecanismo da reificação. É somente assim que as condições para a colonização do mundo da vida são dadas [...] Trechos extraídos de The theory of communicative action - Lifeworld and sistem: A critique of functionalist reason (Beacon Press, 1987), do filósofo e sociólogo alemão Jürgen Habermas. Veja mais aqui e aqui.

A MULHER & SEDUÇÃO - [...] Maria Noémia, noiva, é sexualmente repelida não em nome do sexo, muito menos por razões intelectuais e espirituais (“delicada, inocente, bondosa...”), mas apenas em nome do dinheiro. Isto quando teria uns 16 ou 17 anos (porque tem uns 34 no momento em que “é escrita” a novela, quando já começou a guerra civil de Espanha). Natural é que, afetivamente frustrada, se revolte não só contra a causa imediata dessa frustração, um homem, mas também contra o gênero a que ele pertence (“abaixo os homens” – gritou ela e com ela gritaram as seduzidas, muito antes dos movimentos de emancipação da mulher) [...]. Trecho extraído da obra Sedução (Caminho, 1937), do escritor português José Marmelo e Silva (1911-1991), que no prefácio e no livro O personagem na obra de José Marmelo e Silva (Campo das Letras, 2008), o poeta, ensaísta e tradutor português Arnaldo Saraiva, procura caracterizar a galeria de personagens preferentemente jovens e masculinos, geralmente em relação difícil ou traumatizante com personagens femininos 'típicos', fixados em espaços limitados e limitantes da família, do campo, do internato ou da caserna confrontados com valores, hipocrisias e preconceitos patriarcais, autoritários, religiosos ou sexuais, contra os quais podem inglória ou dramaticamente rebelar-se. Também o escritor José Saramago (Boletim Editorial Estúdios Cor, 1960), expressa a respeito da obra que: [...] Ainda hoje, não obstante todos os anos decorridos, Sedução continua a ser um livro de combate, um livro indisciplinador. Não pela escabrosidade do tema - aliás tratado com a delicadeza e uma finura inexcedíveis, quando tão fácil (e tão comercial…) era ceder à tentação do obsceno -, mas pelo carácter insólito da análise, que progride por pequenas deslocações laterais; por iluminação de planos sucessivos, e não, como é corrente, por um mergulho vertical, pela sobrecarga de minúcias psicológicas que, habitualmente, fazem da personagem literária um monstro, inviável fora das páginas do livro. E o estilo? O maior bem que dele se pode dizer é que outro não serviria melhor o autor. Ao mesmo tempo usual e castigada, a sua linguagem parece ter sido decantada de maneira algo bizarra: aceitando muito do que se exclui, excluindo muito do que aceita, o resultado final é um estilo que não tem similar em Portugal. [...].

MINHA POESIA – Dá-me a tua luz / A verdade do olhar / Não é mal nenhum escrever meu nome / Não é mal nenhum escrever poesia / Não é mal nenhum escrever teu nome / Não é mal nenhum escrever teu gozo / Não é mal nenhum escrever liberdade / A paz / O amor / A bondade / A mansidão / A temperança / Dá-me a tua luz / A verdade do teu olhar / Onde vai a poesia? / Onde para a poesia? / Se a sinceridade e a poesia dói, isto é / Escrever um poema. Poema extraído da obra A Mulemba da Saudade (UEA, 2004), da poeta congolesa com nacionalidade angolana, Alice Palmira – Dudu.

ARTE DE SÉRGIO RICARDO
Pinturas da série Transparência (2001), do compositor, cantor, cineasta, escritor e pintor Sérgio Ricardo.


O livro Confissões, de Vital Corrêa de Araújo & muito mais na Agenda aqui.
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Neuroeducação & Práticas Pedagógicas no Ensino-Aprendizagem aqui.
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A arte do pintor Aldo Bonadei (1906-1974) aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.
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Dicas da hora para felicidade agora (amanhã pode ser tarde demais, se avie!), a crônica de Sérgio Augusto, a escultura de Desiré Maurice Ferrary, a pintura de Milton Dacosta, o cinema de Lucrecia Martel & Maria Alché, Seca & Desertificação aqui.

APOIO CULTURAL: SEMAFIL
Semafil Comércio de Livros nas faculdades Estácio de Carapicuíba e Anhanguera de São Paulo. Organização do Silvinha Historiador, em São Paulo.
 

GONÇAL MAYOS, MARINE PETROSSIAN, PÉTER NÁDAS & IRANDHIR SANTOS

  Imagem: Arrostar aporias , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Fábula dos embeiçados desavindos... ...