segunda-feira, fevereiro 11, 2019

SARAMAGO, WALTER BENJAMIN, ALICE VINAGRE, ANDRÉ MEHMARI & NEUROEDUCAÇÃO


A SOLIDÃO DE BENJAMIN – A berlinense manhã invernosa da infância e a maçã dos oito anos: a amaldiçoada adâmica. De seus pais, Pauline e Emil, o judaísmo e os negócios prósperos: os pobres não vivem além do fim do mundo. O que seria da vida se não visse em todas as direções. O menino no fausto aprendia a ficar só. Quando Aroob, o codinome e os desencontros com estudantes livres: não poderia concordar com a guerra. O aconchego de Dora e o casamento para Berna, Stephan e a deserção. Ali já o enigmático e contraditório, o melancólico homem da arte, o outsider intelectual que sabia de Goethe, Baudelarie, Brecht, Proust, Gorki, Poe, Kipling, Valéry, Kafka. As dificuldades financeiras, a recusa por emprego e a rejeição da tese de livre docência. Nenhuma mão na bancarrota dos pais, o sustento por Dora e o exílio em Paris: o Surrealismo já previa os horrores do holocausto. As passagens, coisas e pessoas, a atriz Zacis, o pessimismo e a desconfiança com o que viria depois. A vida espectral e os infortúnios: seus pais faleceram sem menos esperar, o divórcio e a ascensão do nazismo ameaçador, o desencanto: Weimar, o stalinismo, a guerra fria, tudo quase tão triste e real ao redor. O refúgio em Nápoles pros braços da bela letã Asja Lacis, o teatro infantil na rua de mão única: o corpo aberto em Riga, as imagens do pensamento e as recíprocas atrações e conflitos. Dali pra Moscou, o escritor dos diários na depressão e o haxixe, experiências e cartas com um novo nome, Detlef Holz: a solidão é um vórtex puxando o mundo com a força de um turbilhão. Completamente rejeitado e só: o fracasso da naturalização francesa, não há mais cidadania alemã. A arte de narrar caminhava para o fim, não mais a troca de experiência, o estatuto dos artesãos: “O tédio é o pássaro onírico que choca o ovo da experiência”. As ruinas do passado assombravam o presente e o esquecimento dos vencedores: a memória, a lembrança, a esperança, Scherazade e os solitários desenrolavam as teias e os ornamentos do esquecimento, o tempo perdido, palimpsestos, o trabalho de Penélope e a irrecuperabilidade do que foi para mitigar e inocular o sofrimento, a perda. O socorro da lembrança sacudia a letargia com o sonho coletivo diante do que caiu ou foi desprezado: a memória é teatro e era preciso escavar e reescavar: espraiar e revirar, atualizando do presente. Mil vezes pediu para dormir até se fartar: a morte é a sanção do relato. Não há para onde ir: a fuga dos refugiados, Port Bou, Lisa e os USA, a ameaça na fronteira franco-espanhola, o desespero, a dose letal de morfina. Os demais seguiram para Portugal, restaram escritos perdidos e a solidão de morrer sepultado com a sua agonia. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS
[...] Para começar, gosto das mulheres. Acho que elas são mais fortes, mais sensíveis e que têm mais bom senso que os homens. Nem todas as mulheres do mundo são assim, mas digamos que é mais fácil encontrar qualidades humanas nelas do que no gênero masculino. Todos os poderes políticos, econômicos, militares, são assunto de homens. Durante séculos, a mulher teve de pedir autorização ao seu marido ou ao seu pai para fazer fosse o que fosse. Como é que podemos viver assim tanto tempo, condenando metade da humanidade à subordinação e à humilhação? [...].
Trecho de As mulheres são mais fortes (L’orient le jour, 2007), do escritor, teatrólogo, jornalista e dramaturgo português José Saramago (1922-2010). Veja mais aqui.

A ARTE ARTE DE ALICE VINAGRE
A arte da premiada artista Alice Vinagre que desenvolve atividades artístico-culturais como pintora e desenhista, com as séries No coração de todas as coisas (1988), Amarelo (1993), Bonecas (1994), Coração (1999) e Azul (1998), Anotações (sobre o céu), Anotações sobre pintura e a individual Com olhos de náufrago ou onde fica o próximo porto (2018) - esta última em exposição até 24 de fevereiro, no Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães – Recife – PE, tendo realizado exposições na Alemanha, Equador, França e Japão. Veja mais aqui e aqui.

A MÚSICA DE ANDRÉ MEHMARI
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com o pianista, compositor e arranjador André Mehmari. Para conferir ligue o som e veja mais aqui e aqui.
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A obra do filósofo alemão Walter Benjamin (1892-1940) aqui, aqui, aqui e aqui.
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Palestra Neuroeducação aqui
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ADA LIMÓN, MÓNICA BUSTOS, LETÍCIA CESARINO, ANUNA DE WEVER & O RECIFE DE CESAR LEAL

    Imagem: Acervo ArtLAM . Ao som dos álbuns Olho D'água (1979), Revivência (1983), Rio Acima (1986), Ihu - Todos Os Sons (1996),...