
DITOS
& DESDITOS:
[...] Nem
sempre fui essa bizarrice que sou hoje. Já fui uma adolescente normal, do tipo que
ia às festinhas da escola, se apaixonava por celebridades e tinha tanto orgulho
dos cabelos louros que jamais pensaria em prendê-los num rabo de cavalo ou
escondê-los sob um capuz. Eu tinha mãe, pai, uma irmã caçula chamada Riley e
uma cadela labrador amarela, fofíssima, de nome Buttercup. Morava numa casa
agradável, num bairro bacana de Eugene, no Oregon. Era popular, feliz e mal podia
esperar para chegar ao segundo ano, pois tinha acabado de me tornar chefe de
torcida da principal equipe da escola. Minha vida era completa, e o céu era o
limite. Essa história de céu pode ser um tanto gasta, mas, no meu caso,
ironicamente, é também a mais pura verdade. No entanto, sei tudo isso apenas
por ouvir dizer, pois desde o acidente só me lembro claramente de uma coisa: eu
morri. Tive o que as pessoas chamam de "experiência de quase morte",
ou EQM. Acontece que as pessoas estão erradas. Podem acreditar, não houve nada
de “quase" no que me aconteceu. Foi assim: num instante, Riley e eu
estávamos no banco de trás do SUV do papai, Buttercup com a cabeça pousada no
colo de minha irmã e o rabo batendo suavemente em minha perna, e a próxima
lembrança... os airbags inflados, o carro inteiramente destruído e eu lá,
assistindo a tudo do lado de fora. Olhando para os destroços — os estilhaços de
vidro, as portas amassadas, o para-choque dianteiro agarrado ao tronco de um
pinheiro num abraço letal -, fiquei me perguntando o que poderia ter acontecido
de errado, esperando e suplicando que todos tivessem conseguido sair dali como
eu. De repente, ouvi um latido familiar; virei para trás e vi minha família
seguindo por um caminho, guiada por Buttercup, que abanava o rabo. Fui ao
encontro deles. De início, tentei correr e alcançá-los, mas depois fui mais devagar,
querendo me demorar e passear por aquele campo vasto e perfumado de árvores e
flores vibrantes que tremeluziam, e apertando os olhos diante da névoa deslumbrante
que refletia e brilhava intensamente, iluminando tudo. [...] Sei
que o preço da eternidade é alto, mas sei também que as coisas podem se arranjar.
Riley prometeu mandar algum tipo de sinal; depois disso vejo o que faço. E se a
eternidade começa hoje, é assim que vou vivê-la: até o fim do dia, e só.
Sabendo que Damen estará sempre ao meu lado. Tipo assim, sempre, certo? Ele
busca meu olhar, esperando uma resposta. — Eu amo você — digo baixinho. —
Também amo você — ele devolve, os lábios pedindo os meus. — Sempre amei. [...].
Trechos da obra Para sempre – Os imortais I (Intrínseca,
2009), da premiadíssima escritora estadunidense Alyson Noël. Veja mais aqui.
A
ARTE DE ROCLOF FRANKOL
A arte do
pintor neerlandês Roclof Frankol
(1911-1984).
AGENDA:
Marsa
e SeuPereira & Coletivo401
- NE TOUR 18 – 16/12, das 16 às 21hs, Casa Astral Rua Joaquim Xavier de
Andrade, 104 - Poço da Panela, Recife – PE & muito mais na Agenda aqui.
&
A
vida é muito mais, Agostinho da Silva, Marcia Tiburi, Alcântara Machado,
Ricardo Corona, Lucinda Lyons, Celso Antunes, Natasha de
Albuquerque & Maria Eugência Matricardi & Pamela Guimarães, Pesqueira,
Antônio
Meneses & Alina Ibragimova aqui.
RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje curta na Rádio
Tataritaritatá a
música da pianista Francesca Tandoi & Trio: Live at Jazz on Air,
Live at Luca’s Jazz Corner, Clair de Lune de Denussy & How did he look no
KC KV Bzaal & muito mais nos mais de 2
milhões & 900
mil acessos ao
blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para
conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui.