segunda-feira, dezembro 17, 2018

ESTAÇÃO CATENDE, BENEDITO NUNES, ISAAR FRANÇA & ARTE DE TODO JEITO


FUI DANADO PRA CATENDE... - Fui danado pra Catende glosando o mote de Ascenso para saudar Pelópidas e seu caudal, Maurício e todos os Melos tataritaritatá, Davi e Ideais, Marcos agora em Maceió e a Mulher da Sombrinha, a Serra da Prata e os operários da usina e fogo morto, e de quem nem lembro mais do Leão XIII e Catende Clube, o cine Diamante e a Árvore da Vida. Fui danado pra Catende outra vez e cheguei perto da Estação a cantar Nunca chore por mim – a balada de quem vai embora, e encontrei os passageiros de ontens e os desabrigados moradores de rua de hoje inventando seu abrigo com os fantasmas da locomotiva primeva, as vítimas do preconceito, os malvistos de qualquer esquina, os anjos caídos, os doidos e fogueteiros, os que se escondiam para queimar suas fogueiras, os invisíveis das noites e dias entre guenzos e bichanos famintos. Fui danado pra Catende e vou de novo porque havia uma festa de todas as tribos, porque o imaginauta supercultor Gugha - Ghustavo Távora – urdia o bem pintando o sete com todas as cores criatinovadoras no espaço que era a secretaria de Jadson França para a biblioteca da cultura catendense, e Aprisco riscava o grafite que HenriqueTeixeira recitava no baque do DJ Passarinho e nas mandalas de Henrique Bem, porque de Caruaru Zé Galdino embolava as cores do Vale do Una de Profeta e Durán y Durán, os bonecos de Epifânio, as artes de Cicinho e o passeio teatral da Paula Menezes aplaudidas pelos de Fenelon, João Paulo e Mary que viam da Cyane os traços dos desenhos no meio das performances de todas as utopias subversivas dos que ali dançavam com frases do papo cabeça e de quantos passavam para vários encontros e vastos desencontros, tantos vivos e outros mortos no que foi estação de antanho e isso e aquilo, entre chiques e chocantes até a rebeldia bocomoca dos que se recusam a viver aquela ousadia de festa pra seguirem as regras sociais que são suas verdades e nem sabem de qual das mentiras virou sectária dum dogmatismo, porque tudo era apenas um pedaço da história que os olhos não compram por levarem pra depois o que foi e o que está lá e me fez chegar bem danado em Catende sem vontade até de voltar. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS:
[...] Com o animal, as relações são, sobretudo, transversais, ou seja, o animal é considerado o oposto do homem mas ao mesmo tempo uma espécie de simbolização do próprio homem. Na acepção comum, simboliza o que o homem teria de mais baixo, de mais instintivo, de mais rústico ou rude na sua existência. Por isso mesmo o animal para nós é o grande outro da nossa cultura, e essa relação é muito interessante como tópico de reflexão[...] dos mais nobres esforços da ala heterodoxa da filosofia moderna, de Schopenhauer até hoje, secundada pela poesia lato sensu, é aquela que tende a reconquistar a proximidade perdida desde a Antiguidade entre homem e animal. Ambos sofrem, ambos estão sujeitos à dor — este é o ponto principal. E embora um filósofo como Heidegger nos diga que o animal, ao contrário do homem, é pobre de mundo (Weltarm) por mais que seja rico de ambiente, continuamos ouvindo a réplica que lhe dá o grande pensamento poético de Rainer Maria Rilke. O animal vive no seio da natureza — como diz na sua “Oitava elegia”, em Elegias de Duíno — “enquanto nós os trepidantes sofremos do mundo que nos punge e empobrece”. Quer dizer, colhido no ventre da mãe natura, o animal vê os homens com aquele olhar não-humano que a ficção de uma das melhores autoras da nossa literatura, Clarice Lispector, insuperavelmente descreveu no conto “O touro”, de Laços de família: aí o olhar animal é um olhar que tem conexão com os sentimentos mais violentos do homem. O animal continua sendo o grande Outro, o maior alienado da nossa cultura, “exceto que essa cultura, aumentando o nosso conhecimento, talvez possa algum dia restabelecer os estreitos laços que a ele nos unia nos tempos mitológicos, mas quando isso acontecer — comenta Elias Canetti — já quase não mais haverá animais entre nós”. [...] Já promovemos uma guerra contra os animais, que chamamos de caça, embora, na verdade, guerra e caça sejam a mesma coisa [...] Em geral não se matam os prisioneiros de guerra, que são feitos escravos. Nossos rebanhos são populações escravas. O trabalho deles é se reproduzirem para nós. Até seu sexo transforma-se em uma forma de trabalho. [...] Melhor seria, então, admitir dois modos de ciência: aquele que está mais próximo do real, por intermédio da imaginação; e outro que está um pouco mais distante do real, pelo raciocínio, pelos conceitos abstratos. Os dois modos de ciência se complementam e não podemos deixar de admiti-los, um mais próximo da realidade imediata apreendida pelos sentidos e outro mais distante, conduzido pelo pensamento e pelos conceitos. [...].
Trechos do ensaio O animal e o primitivo: os Outros de nossa cultura
(História, Ciência, Saúde – Manguinhos, dez-2007), do filósofo, professor, escritor e crítico literário Benedito Nunes (1929-2011).

A ARTE DA ESTAÇÃO DO BEM – CATENDE - PE
Eu fui danado pra Catende... e quase não quis voltar
O artista visual e imaginauta Ghustavo Távora. Veja mais aqui e aqui.
Estação do Bem na Secretaria de Cultura de Catende.
Biblioteca Municipal de Catende – PE – Sandra Lobo, Rejane Maria & Jovelina Maria.
A arte do artista Aprisco (Rogério Bosco da Silva).
A arte do artista e graduando em Gestão da Informação na UFPE, Henrique Teixeira, integrante da Flor Rasteira e Seres da Mata.
DJ Passarinho (Alex) & Henrique Bem.
A arte do gravurista, artesão e artista Zé Galdino, de Caruaru – PE.
Instituto Vale do Una, o poeta e artista Paulo Profeta, o artista e poeta José Durán y Duran, a artista e escritora Cyane Pacheco & Nalva Pedrosa.
A arte do artesão, pirogravurista, designer e artista Cicinho (Advaldo Cerqueira).
O artesão e instrumentista Epifânio Bezerra.
Biblioteca Fenelon Barreto, João Paulo Araújo, Mary Filha & Éricka.
A atriz Paula Mendes.
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As crianças na Estação do Bem.

AGENDA:
Instituto de Belas Artes Vale do Una & muito mais na Agenda aqui.
&
O que sei do que aprendi, Manuel Bandeira, Josué Montello, Viveiros de Castro, Henri-Frédric Amiel, Viveiros de Castro, Wassily Kandinsky, Minami Keizi, Caetés, Fabio de Carvalho & Zé Ripe, Gal Costa & Beto Guedes aqui.
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Criatividade & inovação na prática educativa, Paulo Freire, Lewis Carroll, Silvio Romero, A crise da educação de Philip Hall Coomb, Victor Brecheret, Arantes Gomes do Nascimento & Fábio de Carvalho, Guiomar Novaes & Sebastião Tapajós aqui.
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Agrestina, Djavan & Lauryn Hill aqui.
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RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje curta na Rádio Tataritaritatá a música da cantora e instrumentista Isaar França: Azul Claro, Copo de Espuma, Todo Calor & Ensaio & muito mais nos mais de 2 milhões & 980 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui.
 

ADA LIMÓN, MÓNICA BUSTOS, LETÍCIA CESARINO, ANUNA DE WEVER & O RECIFE DE CESAR LEAL

    Imagem: Acervo ArtLAM . Ao som dos álbuns Olho D'água (1979), Revivência (1983), Rio Acima (1986), Ihu - Todos Os Sons (1996),...