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terça-feira, fevereiro 20, 2018

AUDEN, PEARL BUCK, HÖLDERLIN, O’NEILL, CHRISTIAN LAVERNIER, LINDSEY STIRLING, ANSEL ADAMS & NEUROEDUCAÇÃO

NEUROEDUCAÇÃO & ENSINO CRIATIVO - Imagem: arte do fotógrafo estadunidense Ansel Adams (1902-1984). - A partir de 2005 comecei a participar de debates, cursos, seminários e congressos sobre Neuroeducação, procedendo ao andamento nos mais de 20 anos de estudos educacionais embasados nas ideias de Paulo Freire e sua articulação com as minhas atividades artísticas, na militância pelo teatro, música e literatura. Foi por essa ocasião que tomei conhecimento do trabalho desenvolvido pelo neurocientista Ph.D em Biologia Molecular, Joe Z. Tsien, que realizou uma curiosa experiência científica envolvendo camundongos inteligentes encerrados numa caixa de ferramentas versátil, com o objetivo de investigar as relações complexas entre genes, circuitos neurais e comportamentos. Durante esses experimentos, um outro surgiu na equipe neurocientífica, envolvendo camundongos emburrecidos que, ao serem submetidos ao mesmo processo, desenvolveram atividades neurais recuperando a memória. Foi por essa época que tomei conhecimento do Programa de Enriquecimento Instrumental (PEI - Feuerstein's Instrumental Enrichment -FIE), desenvolvido pelo psicólogo e professor Reuven Feuerstein, servindo de modelo para o apoio cognitivo de indivíduos com dificuldades de aprendizagem, consistindo de instrumental com variadas tarefas para ações pedagógicas. Essas pesquisas me fizeram escrever o artigo acadêmico intitulado Neuroedução e, por conta da manutenção desses estudos, fui diretamente para o curso de Psicologia e, por consequência, às atividades do Grupo de Pesquisa de Neurofilosofia & Neurocîencia Cognitiva, proporcionando a realização de uma pesquisa de campo que embasou as palestras que apresentei como resultado do estudo denominado de Contribuições da Neuroeducação no processode ensino-aprendizagem da escola pública de Maceió. Igualmente esclarecedora foi a leitura à época da crônica Casas que emburrecem, do eminente educador e psicanalista Rubem Alves, mencionando as experiências de Tsien e Feuerstein, para embasar a sua tese de que os ambientes residenciais são emburrecedores, apesar delas serem projetadas por arquitetos, ricas, decoradas por profissionais e cheias de objetos de arte, tornando-se a casa da ordem perfeita, em que nada possa ser mexido nem tirado do lugar onde se encontram. Inclusive, nessa crônica ele sugere aos psicopedagogos que diante da ocorrência de terem que lidar com uma criança supostamente burrinha, efetuem investigação da casa em que ela vive. Essa mênção me levou imediatamente a imaginar as salas de aula e todo ambiente escolar, locais sobrecarregados de disciplina e medidas corretoras. O que ficou evidenciado com as pesquisas dos neurocientistas, a crônica do Rubem e os resultados das minhas pesquisas nas escolas de Maceió, é que o ambiente escolar é tão emburrecedor quanto as residências suntuosas em que nada pode estar fora do lugar, dando a ideia de que tudo é tão certinho e, só por isso, é possível viver e estudar. Na conclusão disso tudo, o que falta às residências e às escolas é a criatividade e a inovação, possibilitando que cada ambiente seja reinventado, tocado, manipulado, explorado, refeito e mudado a cada momento em que seja possível oportunizar um momento de interação e, consequentemente, aprendizagem nas relações interpessoais e o ambiente. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá é dia de especial com o guitarrista e compositor italiano Christian Lavernier: Improvvisa Azione, Thailand International Guitar Festival & Concierto Aranjuez; a violinista, dançarina, cantora e compositora estadunidense Lindsey Stirling: Live From London, The Secret London Show & Praha; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIAO homem é um deus quando sonha e um mendigo quando pensa. Pensamento do poeta lírico e romancista alemão Joham Hölderlin (1770-1843). Veja mais aqui.

LITERATURA, ENSINO & EDUCAÇÃO - [...] a literatura é o espaço da diversidade cultural. O texto literário traz representada a cultura local, mas também as culturas longínquas; a cultura contemporânea, mas também a remota, já quase perdida no tempo. Mundo de seres muito próximos de nós e de seres completamente diferentes, monstruosos, malvados, demonizados ou altamente benevolentes, até mesmo santificados. A literatura trata de todo e qualquer tema: amor, guerra, conflitos, sexo, opressão, maldade, ciúme, etc. As restrições escolares que aos conteúdos da literatura devem, por isso, ser discutidas pelos professores, sem colocar em rsco a liberdade que a caracteriza e a constitui. A literatura, muitas vezes, mais do que apresentar uma situação controversa, problematiza uma forma de conduta, ao representá-la literariamente, podendo fazer render muitas discussões que nos levem a sermos homens e mulheres melhores do que somos. Trecho do artigo acadêmico Literatura no ensino fundamental: uma formação para o estético, dos professores doutores Maria Zélia Versiani Machado e Hércules Toledo Corrêa, extraído da obra Explorando ensino: língua portuguesa – ensino fundamental (MEC/SEB, 2010), coordenado por Egon de Oliveira Rangel e Roxane Helena Rodrigues Rojo.

A EXILADA – [...] Creio que Carie teria considerado a sua vida um fracasso se a tivesse julgado na medida do que desejara que ela significasse. [...] Se, porém, ela considerava sua vida fracassada, para nós, que com ela convivemos, que na vida foi a sua! Não creio que nenhum de nós cuidasse em chamá-la uma santa. Ela era por demais prática, por demais viva e apaixonada, muito cheia de amor, de variedade e de impulsos para isso. Foi a criatura mais humana que jamais conhecemos, a mais complexa na sua instantânea compaixão, em seu gosto por diversões, em suas súbitas impaciências. Foi a nossa melhor amiga e companheira. [...] Para marujos exilados, para os soldados e para todos os homens e mulheres brancos que ela acolheu em casa com o seu carinho generoso e a sua pronta amizade, Carie representava a América num país estranho. A seus filhos, mesmo entre as névoas do mais remoto e exótico cenário, ela sabia proporcionar, muitas vezes com que custo, um ambiente americano, tornando-os legítimos cidadãos em seu país, e incutindo-lhes no coração um amor que seria imortal. Para todos nós que a conhecemos, aquela mulher era, realmente, a própria América. Trechos extraídos da obra A exilada (Delta, 1966), da escritora e sinologista, Prêmio Nobel de Literatura de 1938, Pearl Buck (1892-1973). Veja mais aqui.

TRÊS POEMAS - O ESCUDO DE AQUILES: Ela olhava por sobre os ombros / à procura de vinhas e olivais / mármores e cidades bem governadas / e navios no mar escuro, de vinho. / Mas ali no metal brilhante, / às mãos dele ao invés colocaram / um deserto artificial/ e um céu de chumbo. / Uma planície sem futuro, nua e escura, / nenhuma folha de grama, nem sinal de vizinhança, / Nada para comer nem um lugar para sentar. / Todavia congregados nessa desolação / um milhão de olhos, um milhão de botas, em linha, / sem expressão, à espera de um sinal. / Do ar uma voz sem face / provava pela estatística que alguma causa era justa / em tons são secos e rasos como aquele lugar. / Ninguém foi aclamado e nada foi discutido. / Coluna por coluna, numa nuvem em pó, / para longe marchava, conduzindo, para lamentar algures, / a crença que a lógica lhes trouxera. / Ela olhava por sobre os ombros / à procura de piedades rituais, / novilhas com grinaldas de brancas flores, / libação e sacrifícios. / Todavia ali no metal brilhante, / onde deveria estar o altar, / viu, à luz vacilante da sua forja, / uma cena diferente: / o arame farpado cercava um local arbitrário / onde oficiais amolados espreguiçavam (um deles dizia uma piada). / E as sentinelas transpiravam, porque o dia estava quente. / Uma multidão de pessoas comuns e decentes / espiava de fora e ninguém se movia ou falava, / enquanto três postes implantados verticalmente no solo. / A massa e a majestade deste mundo. / Tudo o que possui peso e sempre pesa o mesmo / repousa nas mãos dos outros. / Eles eram pequenos e não podiam esperar por socorro / e não veio qualquer socorro. / O que os seus inimigos pretendiam fazer foi feito; / sua vergonha era tudo de pior que podiam desejar: / perderam o orgulho próprio e morreram como homens / antes que seus corpos morressem. / Ela olhou por sobre os ombros / à procura de atletas nos seus jogos, / mulheres e homens a dançar, / movendo os doces membros, / rápidos, rápidos, com a música. / As mãos dele não prepararam um palco de dança / um garoto maltrapilho, sem destino e solitário, / vagabundeava nesse vazio. Um pássaro voou por segurança, / com medo das suas pedradas certeiras. / Que uma jovem fosse violada, que dois rapazes esfaqueassem um terceiro, / para ele eram axiomas, ele que nunca ouvira falar / de nenhum mundo onde as promessas fossem cumpridas, / ou onde um poderia chorar porque um outro chora. / O escudeiro de lábios finos, / Hephaestos, se foi claudicando, / Thetis, a dos seios brilhantes, / gritou assombrada / com o que Deus forjou / para agradar a seu filho, o forte Aqules, / de coração de ferro e matador de homens / que não haveria de viver muito. O CIDADÃO DESCONHECIDO: Segundo apurou o Instituto de Estatística, / Contra ele nunca existiu qualquer queixa oficial, / E todos os relatórios sobre a sua conduta confirmaram: / No moderno sentido de uma palavra velha, ele era um santo, / Pois em tudo o que fez serviu a Grande Comunidade. / Com excepção da Guerra e até ao dia da reforma, / Trabalhou numa fábrica e nunca foi despedido;sempre satisfez os seus patrões, Máquinas Fraude, Ltda. / Mas não era fura-greves nem tinha opiniões estranhas, / Pois o Sindicato informa que sempre pagou as quotas / (E o seu Sindicato tem a nossa confiança), / E o nosso pessoal de Psicologia Social descobriu / Que ele era popular entre os colegas e gostava de um copo. / A Imprensa não duvida de que comprava um jornal por dia / E que as reacções à publicidade eram cem por cento normais. / Apólices tiradas em seu nome provam que tinha todos os seguros, / E o Boletim de Saúde mostra que esteve uma vez no hospital e saiu curado. / Tanto o Gabinete de Estudos dos Produtores como o da Qualidade de Vida declaram / Que estava plenamente sensibilizado para as vantagens da Compra a Prestações / E tinha tudo o que é preciso ao Homem Moderno: / Um gira-discos, um rádio, um carro e um frigorífico. / Os nossos inquiridores da Opinião Pública alegraram-se / Por ter as opiniões certas para a época do ano; / Quando havia paz, era pela paz, quando havia guerra, ele ia, / Era casado e aumentou com cinco filhos a população, / O que, diz o nosso Eugenista, era o número certo para um pai da sua geração, / E os nossos professores informam que nunca interferiu com a sua educação. / Era livre? Era feliz? A pergunta é absurda: / Se algo estivesse errado, com certeza teríamos sabido. FUNERAL BLUES: Que parem os relógios, cale o telefone, / jogue-se ao cão um osso e que não ladre mais, / que emudeça o piano e que o tambor sancione / a vinda do caixão com seu cortejo atrás. / Que os aviões, gemendo acima em alvoroço, / escrevam contra o céu o anúncio: ele morreu. / Que as pombas guardem luto — um laço no pescoço — / e os guardas usem finas luvas cor-de-breu. / Era meu norte, sul, meu leste, oeste, enquanto / v veu, meus dias úteis, meu fim-de-semana, / meu meio-dia, meia-noite, fala e canto; / quem julgue o amor eterno, como eu fiz, se engana. / É hora de apagar estrelas — são molestas — / guardar a lua, desmontar o sol brilhante, / de despejar o mar, jogar fora as florestas, / pois nada mais há de dar certo doravante. Poemas do poeta, dramaturgo e editor britânico Wystan Hugh Auden (1907-1973). Veja mais aqui e aqui.

DESEJO, EUGENE O’NEILL
[...] ABBIE: Quando entrei aqui, no escuro, parece que havia alguém. EBEN (simplesmente): Mamãe. ABBIE: Ainda sinto a sua presença. EBEN: É mamãe. ABBIE: No princípio fiquei com medo. Tive ímpeto de gritar e sair correndo. Mas agora que você chegou, parece que sinto uma doçura me envolver. (Dirigindo-se para o ar, estranhamente). ObrIgada. EBEN: Mamãe sempre gostou de mim. ABBIE: Talvez ela saiba que eu também gosto de você. Talvez por isso ela esteja sendo boa para mim. [...] ABBIE: (Depois de uma pausa, com uma terrível intensidade fria – lentamente) Se foi isso o que a vinda dele me trouxe... a morte do seu amor... a partida para longe... de você que é toda a minha alegria... a única alegria que eu jamais conheci... o paraíso para mim... então eu também o odeio, mesmo sendo mãe dele! [...]
A peça teatral Desejo. (Desire under the elms - Bloch, 1970), do escritor e dramaturgo estadunidense Eugene O’Neill (1888-1053), Prêmio Nóbel de 1936, propõe uma versão moderna da tragédia clássica que gira em torno de uma família de fazendeiros no interior dos Estados Unidos,  demonstrando que o amor invade as habitações para levá-los à ruínam traduzindo as questões sociais por meio de personagens mais próximas do cotidiano. Veja mais aqui.

Veja mais:
O que era mata atlântica quando asfalto que mata, a poesia de António Salvado, a música de João Parahyba, Todo dia é dia da mulher, a arte de Don Dixon & Nini Theiladetheilade aqui.
O viúvo do padre aqui.
Max Weber & Norah Jones aqui.
John Keats & Bárbara Lia aqui.
Mario Quintana, Wang Tu, Tácita, Eduardo Souto Neto, Carlito Lima, Mike Leight & Vera Drake, Suzan Kaminga & Ansel Adams aqui.
Humanismo e a Educação Humanista aqui.
Yoram Kaniuk, Thelonious Monk, Robert E. Daniels, Eugene de Blaas, Meir Zarchi,, Luciana Vendramini, Camille Keaton, Tono Stano, Eliane Auer, Prefeituras do Brasil, Juizados Especiais & Responsabilidade civil das instituições bancárias aqui.
Crepúsculo dos Ídolos de Nietzsche & Projeto Tataritaritatá aqui.
Dicionário Tataritaritatá aqui.
O mal-estar na civilização de Freud & Coisas de antonte e dantanho aqui.
Nomes-do-pai de Lacan & BBB & Outras tacadas no toitiço do momento aqui.
A ilusão da alma de Eduardo Giannetti & A poesia veio dos deuses aqui.
Troço bulindo nas catracas do quengo, Fernando Fiorese & Abel Fraga aqui.
O mistério da consciência de Antonio Damásio &Nó na Garganta de Eduardo Proffa & Jan Claudio aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do fotógrafo estadunidense Ansel Adams (1902-1984).
Veja mais aqui.
 

sexta-feira, setembro 08, 2017

SHELDRAKE, ALCÂNTARA MACHADO, DVOŘÁK, EDWARD WILSON, PACO DE LUCÍA, BLUMENTAU, FERNANDA ABREU, PAULO JOSÉ DOS SANTOS & BIBLIOTECA FENELON

OS IMPREVISTOS DE CADA COISA – Imagem: arte do fotógrafo estadunidense Ansel Adams (1902-1984). - A cada passo em cada rua ouço os sussurros que evaporam das histórias proibidas de cada lar, misturando as minhas pisadas com seus resmungos, meus pensamentos e suas infâmias, minhas lembranças e seus castigos, minhas divagações e suas dissimulações, choros, arrependimentos, projeções. Em cada uma das casas os seus desfechos e vigências nas corrosivas relações com suas anomalias extraordinárias, invadindo minhas ideias e sinto que só há coisa de sofrer e sonhar, como a que vejo, lar ideal, o pai trabalhador com afinco só pensa em ganhar dinheiro e do muito pro sonho do carro novo, a reforma da casa, a vida boa pra ser o primeiro em todas as vitórias e conquistas e poder na missa domingueira agradecer pelas bênçãos recebidas por ser salvo da miséria e das desgraças da pobreza, às portas do céu enquanto pisa todos que lhe aparecem pela frente durante a semana na sua travessia laboral, pé na goela, língua de fora, sem saber quase nada da família, nem da mulher, nem do filho desmunhecando na esquina pro seu colapso nervoso, nem da filha dando uns tapas no braquearo pra perder a virgindade com o professor que é seu príncipe encantado e pra desastre de sua segunda ponte de safena, sem saber da esposa, mãe zelosa rezadeira noitedia com o terço na mão a pedir de joelhos pros filhos que o pai ignora e ela não sabe o que fazer porque cresceram e se tornaram indomáveis de geração diferente da sua, sem respeitar mais ninguém e o marido só dedicado ao trabalho vai culpá-la por não ter feito a sua parte e a coisa vai ficar feia porque ela sabe que ele já caiu nas graças da secretária que é muito mais nova, é muito mais bonita, é muito mais tudo que ela que ficará na rua da amargura sem saber o que fazer, já que não sabe mais nada, está perdida, sem saber segurar o marido nem cuidar dos filhos, à beira do suicídio, com remédios tantos e dietas exageradas para não engordar e reconquistar o marido que não quer saber dela nem de nada de casa, só do trabalho e vencer na vida, o que será a perda total dela e dos filhos, justo eles, o casal bem sucedido, invejado por todos do bairro, dos familiares, os bem casados, quase trinta anos, eles ainda poderiam ser felizes, mas ela não sabe, nem ele sabe o que se passa, nem seus filhos estão nem aí pro que está acontecendo e tudo está ruindo e precisam ser felizes sem saber como fadados ao mais clamoroso fracasso que não aprendem e um dia acordam estranhos cada qual no seu lugar, saudades um do outro, lembranças de infância e o mundo continua a rodar apesar dos pesares pros que estão vivos e pros que já se foram dessa pra melhor. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ: 24 HORAS NO AR!!!
Hoje na Rádio Tataritaritatá: Romance para piano & violino op.11, Piano Works & The Best do compositor checo Antonín Dvořák (1841-1904); Valsas de Chopin, Concert de Clementi C Major & Concerto p. 17 de Paderewsky com da pianista e compositora polonesa Felicja Blumental (1908-1991); o guitarrista espanhol de flamenco, compositor, produtor e violonista Paco de Lucía (1947-2014) no Festival Jazz Montreux, no Burghausen 2004 e interpretando o Concierto di Aranjuez; e os álbuns Raio X, MTV ao Vivo & Da Lata da cantora, compositora, instrumentista, bailarina e escritora Fernanda Abreu. Para conferir é só ligar o som e curtir.

A DIVERSIDADE DA VIDA – Na bacia amazônica, a maior violência às vezes começa como uma luz vacilante além do horizonte. Lá, na redoma perfeita do céu noturno, sem o menor vestígio de luz produzida por fonte humana, uma tempestade lança seus sinais premonitórios e inicia uma lenta jornada até o observador, que pensa: o mundo está prestes a mudar. [...] alguns tipos de plantas e animais são dominantes, proliferando novas espécies e disseminando-se por extensas regiões do mundo. Outros acabam acuados até se tornarem raros e ameaçados de extinção. existiria uma única fórmula para essas diferenças biogeográficas entre os vários tipos de organismos? Esse processo, devidamente expresso, seria uma lei — ou pelo menos um princípio — de sucessão dinástica na evolução. [...] No meio do caos, algo ao meu lado chamou-me a atenção. Os raios pareciam luzes estroboscópicas iluminando a orla da floresta tropical. a cada intervalo eu podia vislumbrar a sua estrutura estratificada: a abóbada superior a trinta metros do solo, árvores médias espalhadas irregularmente um pouco abaixo e, mais embaixo ainda, uma profusão de arbustos e pequenas árvores. a floresta permaneceu emoldurada por alguns instantes nessa ambiência teatral. sua imagem se tornou surrealista, projetada na selva ilimitada da imaginação humana, lançada de volta no tempo cerca de 10 mil anos. ali nas proximidades eu sabia que morcegos-de-ferradura estavam voando em meio à coroa das árvores em busca de frutos, víboras arborícolas enrolavam-se nas raízes de orquídeas, prontas para dar o bote, jaguares caminhavam pelas margens do rio. em torno deles, oitocentas espécies de árvores, mais do que todas as nativas da América do Norte, e mil espécies de borboletas, 6% de toda a fauna do mundo, aguardavam o amanhecer. [...] Os mistérios ainda insolúveis da floresta pluvial tropical são informes e sedutores. são como ilhas sem nome escondidas nos espaços vazios dos mapas antigos, como formas obscuras vislumbradas ao se descer a parede extrema de um recife até as profundezas abissais. Eles nos instigam e provocam estranhas apreensões. O desconhecido e o prodigioso são drogas para a imaginação científica, despertando uma fome insaciável depois de um único bocado. esperamos de coração que nunca venhamos a descobrir tudo. rezamos para que haja sempre um mundo como esse, em cuja fronteira eu estava sentado na escuridão. A floresta pluvial tropical, com sua riqueza, é um dos últimos repositórios na Terra desse sonho imemorial. [...]. Trechos extraídos da obra Diversidade da vida (Companhia das Letras, 2012), do entomologista e biológico estadunidense Edward Osborne Wilson, renomado cientista reconhecido por seu trabalho nas áreas de ecologia, evolução e sociobiologia.

DAS GALÁXIAS ÀS CÉLULAS: A TEORIA DOS CAMPOS MORFOGENÉTICOS - [...] Os campos morfogenéticos ou campos mórficos são campos que levam informações, não energia, e são utilizáveis através do espaço e do tempo sem perda alguma de intensidade depois de ter sido criado. Eles são campos não físicos que exercem influência sobre sistemas que apresentam algum tipo de organização inerente. […] centrada em como as coisas tomam formas ou padrões de organização. Deste modo cobre a formação das galáxias, átomos, cristais, moléculas, plantas, animais, células, sociedades. Cobre todas as coisas que têm formas e padrões, estruturas ou propriedades auto-organizativas. [...] Todas estas coisas são organizadas por si mesmas. Um átomo não tem que ser criado por algum agente externo, ele se organiza só. Uma molécula e um cristal não são organizados pelos seres humanos peça por peça se não que cristalizam espontaneamente. Os animais crescem espontaneamente. Todas estas coisas são diferentes das máquinas que são artificialmente montadas pelos seres humanos. [...] Esta teoria trata sistemas naturais auto-organizados e a origem das formas. E eu assumo que a causa das formas é a influência de campos organizacionais, campos formativos que eu chamo de campos mórficos. A característica principal é que a forma das sociedades, idéias, cristais e moléculas dependem do modo em que tipos semelhantes foram organizados no passado. Há uma espécie de memória integrada nos campos mórficos de cada coisa organizada. Eu concebo as regularidades da natureza como hábitos mais que por coisas governadas por leis matemáticas eternas que existem de algum modo fora da natureza. [...]. Trechos extraídos da obra Uma nova ciência da vida: a hipótese da causação formativa e os problemas não resolvidos da Biologia (Cultrix, 2014), do biólogo, bioquímico e escritor britânico Rupert Sheldrake.

MANA MARIA – [...] ouvindo os gracejos que dirigiam para a italianinha, para a vagabunda. Ela não ouviu nenhum. E o mais esquisito é que quando mana Maria se aproximava muitas vezes os gracejos dirigidos à italianinha ou à mulatinha cessavam. Por respeito dela, mana Maria. Isso lhe dava um amargor e ao mesmo tempo um orgulho indefiníveis. Era respeitada. Não era desejada. [...] Dobrou a esquina. Ninguém. É bom surpreender assim as ruas desertas no silêncio noturno. De dia a atenção se perde no bonde que passa, na casca de banana, no pregão dos vendedores ambulantes, nuns olhos, num palavrão, num anúncio. A gente vê perto e vê baixo. Das casas só tem importância a vitrina das de comércio, o número das de moradia. De noite, tudo muda. Não há perigo de esbarros, de atropelamentos. A vista se alonga desembaraçada. É possível parar, erguer a cabeça, embasbacar, cismar, examinar, não há respeito humano. E a rua: postes, árvores, jardins. fachadas. Os homens dormem: a rua vela. Ele não saberia exprimir (não era literato, graças a Deus) a sensação gostosa que lhe davam essas voltas a pé para casa noite alta. Mas era evidente que se sentia mais forte, mais homem, o único homem. De dia se anulava na multidão, era ninguém. De noite ganhava outro relevo na sua solidão, uma certeza mais grata de sua realidade. Ouvia os próprios passos, via a própria sombra. Dobrou a esquina. Ninguém. Era como se a rua dissesse: - Pode passar, trânsito livre. Depois na noite vazia, silenciosa, o cheiro dos jardins é mais forte, a feitura das casas mais branda, as calçadas mais largas, as esquinas mais misteriosas. A imaginação tem campo livre. Os homens são prisioneiros das casas, tranca na porta, cadeado no portão. Está reintegrada a rua na posse de si mesma, no gozo de sua liberdade. Tal como é e não como a fazem e sujam os homens, a desfiguram os homens de dia. Deserta a cena, vive o cenário. Através das venezianas no terceiro andar da casa de apartamento se escoa uma luz vermelha. Se ele fosse ver a Zoraide? Quase uma hora. Tarde demais. Dobrou a esquina. Alguém. Ainda distante, na mesma calçada, cambaleando. Embriagado. Melhor atravessar a rua. Detestava bêbados, tinha pavor de bêbados. O vulto colou-se à árvore. Depois se equilibrou na guia do passeio, pesadamente desceu ao leito da rua. Joaquim resolveu não mudar de calçada. Agora o bêbado olhava o céu. Lua cheia. Tirou a palheta. Era o Platão de Castro. Joaquim apressou o passo. [...]. O homem agradeceu (quem pagaria para tratarem o túmulo quando ela morresse?), mana Maria foi andando devagar. Olhou o relógio: 11 horas. Na área principal deu com um enterro que chegava. Atrás do caixão um velho caminhava, o lenço nos olhos, amparado por dois moços também chorosos. O padre com o livro de orações protegia a vista contra o sol forte. Pouca gente. O sino da capela tocou. Mana Maria deu 400 réis para a negra velha. Não costumava dar esmolas não. Mas sentiu que ali devia dar. Estava um pouquinho comovida. No enterro dela não viria ninguém. Era capaz até de faltar gente para carregar o caixão. Morreria num hospital. Para não dar trabalho para ninguém. Foi descendo a Rua da Consolação ao longo do muro do cemitério. Na frente dela duas meninas de sandália carregavam uma cesta de lavadeira. Como um caixão. Uma de cada lado segurando na alça. Apressou o passo, na esquina tomou um táxi. Do automóvel ainda viu as meninas que haviam pousado a cesta na calçada, descansavam alegres. Trechos extraídos da obra Mana Maria (Nova Alexandria, 2002), do escritor Alcântara Machado (1901-1937). Veja mais aqui.

STORYTELLING: HISTÓRIAS PROIBIDAS – O drama-comédia Storytelling (2001), dirigido pelo cineasta Todd Solondz,, é composto de duas partes, a primeira ficção, trata de um grupo de estudantes universitários em uma sala de aula de um professor que se prepara para usar e abusar de suas alunas brancas; a segunda, não-ficção trata de um jovem que abandona tudo na vida para seguir seu sonho e enfrenta o fracasso. Há que se observar que o termo Storytelling é relacionado com uma narrativa e significa  a capacidade de contar histórias relevantes, consistindo num método que utiliza palavras ou recursos audiovisuais para transmitir uma história que pode ser contada de improviso ou polida e trabalhada, sendo muito usado no contexto da aprendizagem e na forma de transmissão de elementos culturais como regras e valores éticos. Veja mais a respeito do filme aqui.

BIBLIOTECA PÚBLICA MUNICIPAL FENELON BARRETO
Corpo funcional da Biblioteca, comandada pelo diretor João Paulo Araújo. Veja a história, missão, ações e eventos aqui.

Veja mais:
A música de Antonín Dvořák aqui.
A arte da pianista e compositora polonesa Felicja Blumental aqui.
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

RIO UNA
Meu Rio Una, eu já vi,
Teu nome bonito e franco,
Que não vem do homem branco,
Mas vem da língua Tupi
Quem entende o guarani
Sabia te pronunciar
Ficava a te olhar
Dia e noite estava vendo
As tuas águas correndo
Porque não pode parar.
Meu Rio Una nasceu
No agreste capoeira
Pouquinha água ligeira
Correndo no leito seu
Mas contente desceu
Se uniu ao Rio Riachão
Cajazeira Boqueirão
Bravo, Mandrágua, Taquara
E lá águas limpas e claras
Correndo no nosso chão.
Passa por Cachoeirinha
Cachoeira Grande e Altinho,
Ruma pro sul baixinho
Igual canta a andorinha
Banha-se da vizinha
Com sua amizade ingrata
A esquerda recebe o Rio Prata
As direitas o Rio Mentiroso
O seu afeto amoroso
De sua margem sem frata
O Una não banha Catende,
Porém  banha Batateiras
Pouquinha água ligeira
Correndo no nosso chão
No riacho do sertão
Que mearim faz terra da cana
É nossa terra bacana
Correndo no nosso chão
Quando chega em Palmares
Recebe o Rio Verdinho
Recebe o Camevozinho
Que abastece os nossos lares
Indo com vizinho intermediário
Das terras do Mulungu
Tiraram a água do Prata Para Caruaru
E deixaram de ir pra Palmares
Quando chega na Barra do Una
Endireita o seu leito
Fazendo um curso perfeito
Como já é de costume
De observar os cardumes
Do peixe que vai pro mar.
Poema do poeta popular Paulo José dos Santos, autor dos cordéis Por causa da carestia o mundo não presta mais, Nessa era em que estamos, Interpretação de Trombetas, Palmares eu prezo ser seu filho, entre outros. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.
 

sexta-feira, fevereiro 20, 2015

HAN KANG, BUCHI EMECHETA, QUINTANA & TEIA DA VIDA

 


TECENDO A VIDA... - Respiro o silêncio e é lá que mora o sorriso: o que aprendi e superei. Sou pelo amor, para o amor e por amor e isso me faz vivo, porque sei que o que nos desanima, nos mortifica. Assim vibro com as pulsações, o que encanta e alegra, porque a Natureza sou pelas frequências de cada vogal no círculo da vida: o rio pelas minhas veias: a cachoeira do sangue; a brisa reconfortante pelos pulmões, ah vida! O fogo sagrado no coração: o chão é a carne do meu corpo e os muitos mundos, o que nos anima e nos contamina na casa da alma. Tudo reverbera pelo visinvível para me reencontrar com os seres encantados e o elo perdido da sabedoria ancestral: o que sou e todas as coisas, seres de luz. Veja mais aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Há certas memórias que permanecem invioláveis ​​aos estragos do tempo. E aos do sofrimento. Não é verdade que tudo é colorido pelo tempo e pelo sofrimento. Não é verdade que eles trazem tudo à ruína... Pensamento da escritora sul-coreana Han Kang, que no livro Human Acts (Hogarth Press, 2014), expressou que: [...] Depois que você morreu, não pude fazer um funeral, E então minha vida se tornou um funeral. [...] Algumas memórias nunca curam. Em vez de desaparecerem com o passar do tempo, essas memórias se tornam as únicas coisas que ficam para trás quando todo o resto é desgastado. O mundo escurece, como lâmpadas elétricas se apagando uma a uma. Estou ciente de que não sou uma pessoa segura. [...] Silenciosamente, e sem alarde, algo terno lá no fundo de mim se rompeu. Algo que, até então, eu nem tinha percebido que estava ali. [...], Veja mais aqui e aqui.

 

ALGUÉM FALOU: Eu trabalho pela libertação das mulheres, mas não sou feminista. Sou apenas uma mulher... Pensamento da escritora nigeriana Buchi Emecheta, que no livro Second Class Citizen (Braziller Books, 1983), expressou que: […] As folhas ainda estavam nas árvores, mas estavam ficando secas, empoleiradas como pássaros prontos para voar. [...] Ele nunca tinha aprendido a amar, mas tinha uma maneira impressionante de parecer satisfeito com as conquistas de Adah. [...] Psicologia típica Igbo; os homens nunca fazem mal, apenas as mulheres; elas têm que implorar por perdão, porque são compradas, pagas e devem permanecer assim, escravas silenciosas e obedientes. [...]. No livro Head Above Water (Heinemann, 1994), ela expressa que: […] Os escritores simplesmente precisam escrever e não se preocupar tanto com o que as pessoas pensam, porque a opinião pública é um assunto muito difícil de controlar. [...]. Veja mais aqui e aqui.

 

A HISTÓRIA DO VELHO ESPELHO – A narrativa A história do velho espelho, de Wang Tu (Maravilhas do Conto Chinês - Cultrix, 1961), faz parte do período compreendido pela Dinastia Tang chinesa (618-907), estimulou os escritores e letrados taoístas chineses que lançaram um novo gênero com os tempos áureos de fausto da corte, quando os poetas galanteavam livremente as damas de linhagem, os comediantes, dançarinos e trovadores estrangeiros enchiam o ócio da aristocracia requintada e culta. A narrativa começa: Natural de Fenb-Yin, Heú Seng, que viveu no reinado dos Suei, era um homem estranho. Durante muito tempo fui seu discípulo e tinha por ele a veneração que a um tal mestre é devida. Ao morrer, legou-me um espelho, dizendo: - Com este espelho, verás que todos os maus espíritos se afastarão de ti. Prometi ao mestre agonizante que guardaria ciosamente seu legado. Era um espelho de bronze, de oito polegadas de largura, com um suporte traseiro em forma de unicórnio agachado. [...] na sua parte fronteira, viam-se vinte e quatro caracteres arcaicos. A caligrafia, de traços abruptos, parecia, à primeira vista, do estilo Li-Chu. Contudo, ao examiná-la, constatava-se que fugia de todas as regras caligráficas. Explicou-me, então, o mestre, que eram sinais correspondentes às vinte e quatro condições atmosféricas. Ao se colocar o espelho contra a luz, distinguiam-se nitidamente, contra a superfície metálica, os desenhos do verso. Suspenso como gongo, produzia, a cada batida, nota de ressonância cristalina, que se prolongava pelo dia todo. Por tais virtudes, diferia extraordinariamente dos espelhos comuns. Fazia jus, pois, à admiração sem reservas de Heú Seng, homem genial, que sempre o considerara um objeto divino. Veja mais aquiaqui.

Imagem: fotografia de Suzan Kaminga – recline, do fotógrafo estadunidense Ansel Adams.


Ouvindo o Tema da Vitória no cd Tributo a um campeão (1994), consagrado nos tricampeonatos dos pilotos de Fórmula-1 Nélson Piquet e Ayrton Senna, do premiadíssimo maestro, compositor, arranjador e instrumentista brasileiro Eduardo Souto Neto.

LEITOR IDEAL – No livro Porta Giratória (Globo, 1988), do poeta, tradutor e jornalista gaúcho Mario Quintana, encontra-se O Leitor Ideal, cuja narrativa se desenrola assim: O leitor ideal para o cronista seria aquele a quem bastasse uma frase. Uma frase? Que digo? Uma palavra! O cronista escolheria a palavra do dia: Árvore, por exemplo, ou Menina. Escreveria essa palavra bem no meio da págimn com espaço em branco para todos os lados, como um campo aberto aos devaneios do leitor. Imaginem só uma meninazinha solta no meio da página. Sem mais nada. Até sem nome. Sem cor de vestido nem de olhos. Sem se saber para onde ia.... Que mundo de sugestões e de poesia para o leitor! E que cumulo de arte a crônica! Pois bem sabeis que arte é sugestão... E se o leitor nada conseguisse tirar dessa obra-prima, poderia o autor alegar, cavilosamente, que a culpa não era do cronista. Mas nem tudo estaria perdido para esse hipotético leitor fracassado, porque ele teria sempre à sua disposição, na página, um considerável espaço em branco para tomar os seus apontamentos, fazer os seus cálculos ou a sua fezinha... Em todo caso, eu lhe dou de presente, hoje, a palavra Ventania. Serve? Veja mais aquiaqui, aqui e aqui.

AMIGO É PRESSAS COISAS – Uma das amizades que tenho o dever de manifestar eternamente a minha gratidão por me sentir premiado na vida é a que tenho o prazer de manter com o escritor, boêmio, Duque de Jaraguá e agitador cultural alagoano Carlito Lima. Como diz o meu escritoramigo Luiz Berto: esse é um desassombrado! E digno da gente ficar cantando e fazendo bis daquela canção que virou sucesso do MPB-4: Amigo é pressas coisas. Ele é membro da Academia Alagoana de Letras, Secretaria de Cultura e criador da Feira Literária de Marechal Deodoro (Flimar), além de ser um excelente autor de uma obra que tem se tornado o xodó literário dos alagoanos. Tive a oportunidade de entrevista-lo e publicar uma resenha de uma de suas obras, Nordeste Independente, no meu Guia de Poesia. Para ter uma ideia de grandiosa pessoa da minha estima confira aqui, aqui e aqui.

O SEGREDO DE VERA DRAKE - O drama britânico O segredo de Vera Drake (2004), dirigido pelo cineasta Mike Leight que experienciou na infância e na adolescência estilos de vida diferentes, notadamente por ser filho de um médico e de uma parteira, relatado, inclusive, no seu livro The Cinema of Mike Leigh: a sense of the real. O filme conta a história da pobreza de uma mulher que desafia os valores morais da sociedade na década de 1950: Vera Drake. Ela é uma diarista devotada à família, cuida de seu marido, de sua mãe e de seus filhos e que, atendendo pedidos de sua amiga Lily, realiza generosamente abortos clandestinos e é denunciada à polícia. Não sabe que a amiga cobra das pacientes, inclusive, da jovem Susan, uma filha de uma das patroas de Vera, que foi estuprada e engravida. Um detalhe: a família dela não sabia disso. Depois de ser presa, ela é julgada e condenada.  Veja mais aqui.


TÁCITA – Hoje se comemora o Dia de Tácita, a deusa do silêncio e da virtude, sendo também aquela que protege contra os perigos da inveja e das palavras maliciosas que carregam considerável energia negativa. Veja mais aqui.


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A vida é uma canção de amor & Milo Manara aqui.

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Marquês de Sade, Karen Horney, Chico Buarque, Maria Clara Machado, Günter Grass, Larry Vincent Garrison, Angela Winkler, Luiz Edmundo Alves, Monica & Monique Justino aqui.
A saga do Padre Bidião aqui.
Proezas do Biritoaldo: Quando a língua dá no dente do alcaguete, sai de riba que lá vem o enterro voltando aqui.
Pode até ser, mas se não for, nunca será, Lina Cavalieri, Chris Maher & Eloir Amaro Júnior aqui.
A desmedida correria para perder o bom da vida, Heitor Villa Lobos, Francis Bacon & Fúlvio Pennnacchi aqui.
O maravilhoso mistério da vida, Ana Torroja, Rebecca West, Alan Bridges, Marie-Louise Garnavault & Julie Christie aqui.
Quem quer diferente tem que fazer diferente, Cândido Portinari, Xiomara Fortuna, Marcus Garvey & Emmanuel Villanis aqui.
O prazer de amar e de ser amado, Joyce, Bigas Luna, Aitana Sánchez-Gijón & Luciah Lopez aqui.
Todo dia um novo ano, Egberto Gismonti, John Poppleton, Sy Miller & Jill Jackson aqui.
Betinho, Augusto de Campos, SpokFrevo Orquestra, Alan Parker, Graça Carpes, Rinaldo Lima, Bader Burihan Sawaya & Tempo de Morrer aqui.
Galileu Galilei & Bertolt Brecht, Nise da Silveira, Egberto Gismonti, Michelangelo Antonioni, Irena Sendler, Glória Pires, Anna Paquin & Charles André van Loo aqui.
Imre Madách & A tragédia humana, Pierre Rode, Robert Joseph Flaherty, Franz West, Vera Ellen, Anne Chevalie & Sarah Clarke aqui.
Adolfo Bécquer, Paulo Moura, Pedro Onofre, Antônio Miranda & Gárgula – Revista de Literatura, Marcos Rey & Marta Moyano, Mihaly von Zick, Associação de Blogs Literários do Nordeste (ABLNE), Virna Teixeira & Programa Tataritaritatá aqui.
Marlos Nobre, André Breton, Nikos Kazantzákis, Toni Morrison, Milos Forman & Natalie Portman, Adolf Ulrik Wertmüller & Tanussi Cardoso aqui.
Nicolau Copérnico, Carson McCullers, Alberto Dines & Observatório da Imprensa, Rogério Tutti, Capinam, István Szabó, Krystyna Janda & Max Klinger aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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