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segunda-feira, abril 07, 2025

CLAUDIA PIÑEIRO, MERLINDA BOBIS, CAROL ROBINSON & OLEGÁRIO MARIANO

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som do álbum Amanhã Vai Ser Verão (Independente, 2018), da cantora, violonista e compositora Rosa Passos. Veja mais aqui.

 

O poema à beira do precipício... - Rabisquei o primeiro verso e o Sol dormia no Jardim das Hespérides. No fundo do meu olho a escuridão e uma maçã de ouro mostrou os descaminhos - minhas mãos queimavam pelo inefável: uma espera que se fez certeza entre dias quentes e noites acaloradas, parecia mais que queriam fazer deste lugar um imenso incinerador. O segundo verso intenso e já pulei de cabeça incontáveis vezes e de qualquer jeito: conhecia de cor as muitas funduras abissais, rastejando fora do curso com as escoriações de espatifar pelas pás de um imenso ventilador, atravessando corredores e pretextos - quem me via assim juntando o quebra-cabeça dos meus pedaços espalhados. O terceiro verso era o que já voltei atrás o tanto de quantas e me consumia com o decoro infame e as interrupções pelos conflitos, as reticências na casca ruindo - mudava de pele pela zilionésima vez, intervalos de guerra e não sabia a quem ou como pedir ajuda. Não conseguia jamais entender o que diziam de voltar ao normal, sei que despirei chacoalhado por palavras cheias de dáblius, ípsilones e kás de nomes alheios, sotaques e cacoetes, arrastado pelo bombardeio de profundas e enganosas ilusões, circunlóquios cruéis, delírios outros e ficaram as coisas nesse pé, chovendo canivetes no jogo infinito dos instantes, o desconforto dos desencontros, um segundo antes do disparo ensurdecedor e a mim mesmo repetindo teimosamente não mais voltar atrás jamais, exibindo o troféu das cicatrizes. O quarto verso era o núcleo da Terra parando - não sei quando tudo começou, só a duração da febre crepitando na vontade para onde aos solavancos e o embaraço de que nada deu certo nem modificou, tudo era não mais que uma nuvem e o vento nas folhas, a brisa no mormaço da sombra e eu em estado de graça remexendo nas ideias: o que seria dali em diante, qual porta alguém abriria, becos sem saídas, muros e paredes intermináveis, encruzilhadas de vielas na corrosão do tempo, erosão do espaço, afetos apodrecidos. Estava tonto e no quinto verso perdia a vergonha na cara entre vírgulas e esdruxulas exclamações - ninguém suspeitava meu segredo: a vida sentou-se ao meu lado, com um capacete de Sutton Hoo e às gargalhadas. Ao retirá-lo, pro meu espanto, fez uma linda careta risível, talvez me quisesse punir, como se fosse uma das mulheres que amei ao abandono. E contou uma piada: a lua evadiu-se e se perdeu pela órbita de marte, quem estava onde e olhava pras coisas sem dizer nada, a palma aberta das mãos e as linhas do meu próprio labirinto de quem já esteve lá, passou por todos os lugares, sempre às vésperas de partidas e já foi longe demais. Assim passaram-se muitos anos e o sexto verso quando deu liga, elos esgarçados. O quanto aprendia, nova lições no pau da venta e por entender entre outras tantas se revelavam e de novo reaprendia, outra vez, sempre ou quase. Era o sétimo verso e tudo passava, estava esborrando vertigens de ontens e uma sensação recorrente de fim, trocando pés e pernas trôpegas, os olhos fixados na distância do futuro: o que virá qualquer efeito nem terá sentido, um dia a hora agá e o poema da incompletude no novo verso interminável. Até mais ver.

 


Nnedi Okorafor: Nós choramos, soluçamos, choramos e sangramos lágrimas. Mas quando terminamos, tudo o que podíamos fazer era continuar vivendo... Veja mais aqui & aqui.

Dolores Huertai: Cada momento é uma oportunidade de organização, cada pessoa é um ativista em potencial, cada minuto é uma chance de mudar o mundo... Veja mais aqui & aqui.

Anne Lamott: A alegria é a melhor maquiagem... Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

 

VIDA HOJE, MANILA, 1990

Imagem: Acervo ArtLAM.

eu amo muito lindamente hoje, \ como se amanhã eu fosse morrer. \ eu até amarro meu cabelo de penhasco em penhasco \ e convido dançarinos de corda bamba. \ Em sua primeira coleção de poesias com desenhos, Merlinda Bobis convida todos para rituais de ser, quebrar e ser novamente — cada instância é incorporada, indelével: \ ela não pode deixar ir; \ apenas leia minhas costas. \ eu sei — esta pele, \ esta memória de tartarugas.

Poema da escritora e acadêmica fiolipina-australiana Merlinda Bobis.

 

CATEDRAIS - [...] Porque a verdade que nos é negada dói até o último dia. [...] A morte exige resignação, a ausência não. [...] É de lá que viemos, onde cada palavra floresce ou dá frutos. [...] Uma pessoa ignorante com poder é uma fatalidade. [...] A maneira como nomeamos plantas, flores, frutas, usando a mesma linguagem, desenvolve nossa origem tanto ou mais do que qualquer melodia. Somos todos nós, de onde cada palavra floresce ou dá frutos. [...]. Trechos extraídos da obra Catedrales (Alfaguara, 2021), da escritora, roteirista e dramaturga argentina Claudia Piñeiro, que na obra Elena Knows (Charco Press, 2021), ela expressou que: [...] só se conhece algo quando se vive isso na vida, a vida é o nosso maior teste. [...] a vida vai nos testar. De verdade, não um ensaio geral. E naquele dia finalmente perceberemos que estamos sozinhos, forçados a nos encarar, sem mais mentiras para nos agarrarmos. [...] O que resta de você quando seu braço não consegue nem vestir uma jaqueta e sua perna não consegue nem dar um passo e seu pescoço não consegue se endireitar o suficiente para deixar você mostrar seu rosto para o mundo, o que resta? Você é seu cérebro, que continua enviando ordens que não serão seguidas? Ou você é o próprio pensamento, algo que não pode ser visto ou tocado além daquele órgão sulcado guardado dentro do crânio como um tesouro? [...]. Na obra Una suerte pequena (Alfaguara, 2015), ela expressa que: [...] Talvez a felicidade seja isso, um momento para se viver, qualquer momento, não um momento em que as palavras são desnecessárias porque seriam necessárias muitas para descrevê-lo. Ouse aceitá-lo em sua condensação, sem permitir que eles, em sua própria maneira de narrar, façam você perceber sua intensidade. [...] Eu acho que uma pessoa que tem que depender da gentileza de estranhos deve estar sozinha no mundo. Mesmo que esteja cercada de pessoas. [...] Mas o suicídio é um tipo muito particular de morte que tem repercussões para aqueles que ficam para trás. É uma morte dedicada a eles – mesmo que não fosse para ser – que os faz sentir responsáveis ​​por não terem percebido o que estava prestes a acontecer, por não terem feito nada para impedir. [...]. Já na obra Um comunista em calzoncillos (Alfaguara, 2013), ela expressa que: [...] A vida é uma sucessão de atos miseráveis interrompidos por alguns pequenos atos heroicos, e é na média de todos eles que conseguimos nos sentir dignos. Onde queremos que pelo menos uma testemunha saiba que somos dignos. Mesmo que não estejamos. [...]. Enquanto noutra obra Betibú (Verus, 2014), ela considera que: [...] Solidão é um estado interior que você pode praticar, mesmo quando estiver com outras pessoas, acredite. [...] Só um solitário é capaz de estar ao lado de outro sem sentir a necessidade, a obrigação e o direito de possuí-lo ou de trocá-lo. [...] Ser um solitário é algo constitutivo, uma forma de ser, algo que não pode mudar com o passo do tempo nem com o que se enche a casa de gente. [...]. Por fim, no seu livro Las viúvas de los jueves (Alfaguara, 2009), ela expressa que: [...] Fiquei surpresa com a complementaridade que mantivemos apesar de não entendermos por que ainda estávamos juntos. Funcionamos como se tivéssemos perdido um ao outro ou que tivéssemos substituído um ao outro, exceto pela distribuição meticulosa e tácita de pais e tarefas que continuamos a apoiar ou que tínhamos organizado com mais disposição do que com qualquer outra paz ou sentimento. [...].

 

MULHER, CIÊNCIA & FAMÍLIA – [...] Acho que o ambiente pode ser desanimador para muitas mulheres e isso é uma grande vergonha. Não precisa ser assim. Não acredito que você tenha que trabalhar 24 horas por dia, 7 dias por semana para ser cientista. Você pode estar pensando sobre ciência enquanto estiver fora do laboratório. Muitas vezes tenho minhas melhores ideias enquanto corro pelos parques da universidade. A cultura das longas horas de trabalho entra em conflito com a vida familiar e com a vida em geral e, na minha opinião, esse é o maior obstáculo percebido pelas mulheres, mas uma carreira em ciências é tremendamente gratificante e emocionante - as mulheres não devem se deixar intimidar por essas percepções. Na minha carreira, me beneficiei enormemente de uma boa mentoria e sinto que isso é uma parte importante para fazer com que as mulheres permaneçam e progridam na ciência. Mais programas existem agora para lidar com isso, mas ainda há muito mais que podemos fazer. [...] Equilibrar família e carreira foi meu maior desafio. Inicialmente, resolvi isso desistindo da minha carreira científica por oito anos; depois, consegui encontrar o equilíbrio certo entre as duas coisas que mais importavam para mim. Eu fazia isso trabalhando nas primeiras horas da manhã, mas era difícil quando as crianças eram pequenas e eu tinha que viajar para o exterior para conferências e reuniões de colaboração. Eu sentia muita falta delas enquanto estava fora. Mas eu sabia o quanto era importante divulgar meu trabalho e torná-lo conhecido no circuito internacional. Eu só tinha que seguir em frente. [...]. Trechos da entrevista Women in science: an interview with Professor Dame Carol Robinson, University of Oxford (News-Medical Life Sciences, 2015), concedida pela cientista e professora inglesa Carol Vivien Robinson (Carol Bradley), que foi presidente da Royal Society of Chemistry e lidera o grupo de pesquisa no Laboratório de Química Física e Teórica da Universidade de Oxford.

 

TODA UMA VIDA DE POESIA

Hoje esquecendo ingratidões mesquinhas \ alimento a ilusão de que essas rosas \ ao menos essas rosas, sejam minhas...

Trecho do poema O enamorado das rosas, extraído da obra Toda uma vida de poesia (2 vols - José Olympio, 1957), do poeta e diplomata Olegário Mariano (1889-1958), primo do poeta Manuel Bandeira (1886-1968). Veja mais aqui & aqui.

 

ITINERARTE – COLETIVO ARTEVISTA MULTIDESBRAVADOR:

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Livros Infantis Brincarte do Nitolino aqui.

Diário TTTTT aqui.

Literatura Indígena: Cosmovisões & Pela Paz aqui & aqui.

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Cantarau Tataritaritatá aqui.

Teatro Infantil: O lobisomem Zonzo aqui.

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VALUNA – Vale do Rio Una aqui.

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Crônica de amor por ela aqui.

 



quarta-feira, fevereiro 07, 2018

CECÍLIA MEIRELES, LIMA BARRETO, VICTOR HUGO, DAREL, DUPRAT, ROSA PASSOS, EVA BRAUN & MEIO AMBIENTE

QUANDO A GENTE VAI VER A COISA É OUTRA COISA – Imagem: De corpo inteiro, arte do pintor, desenhista, ilustrador e professor Darel Valença Lins (1924-2017). - PRÓLOGO: Ah, o ano mal começou e já estamos em fevereiro: a vida voa! E a gente voa junto sem saber muito bem o que é que há. A vida passa e muita mas muita gente mesmo fica a ver navios, o efêmero e seus simulacros. Eu, hem, tudo passa e amanhã não será de ninguém. UMA: ISSO É QUE É CARNAVAL, NUM É MESMO, GENTE? - Queria era falar de Alagoinhanduba, mas como Palmares é feito Brasília ao quadrado por causa duma gestão em duas com tudo de pernas pro ar e ladeira abaixo, se é que me entendem, mesmo com a recomendação do MP de não haver folia alguma por conta da crise, Panem et circenses, a gestão atual da Fundação-Casa-dos-que-nunca-leram-Hermilo resolveu organizar um carnaval, com apoio da Fundarpe & Empetur, hem hem, e patrocínio da cachaça Sifu, as Folias de Hermilo, cujo centennário foi o ano passado e a cidade é surda, quase passava em branco (no ano passado, não fosse a CEPE)! Trata-se da Premares (!?!), homenageando (é mesmo?) Veludo do Pife, Rabeca, Seu Insnard, Sinho, Dorjão Pinical & Tião PM (Havia tempo que isso tinha outro nome, né?). Tudo já começou na segunda com Dona Nininha do Coco que não deu pra ver, a Orquestra de Frevo Acorda Gente que parece que não veio, o Maracatu Piaba de Ouro idem, o que se viu mesmo foi uma tal de Chapuleta Grill na folia com o trio Asa do Brega e o som: Que música é essa? Benzodeus! E eu é que sei, ora! Maior tronchura, eca! A gente pula é com a zoada mesmo! Pois é. Na terça consta na programação o infantil Nave Moleque, a Orquestra Caxangá e o Bloco Sai do Armário (esse eu vi membros desfilando de dia pra cima e pra baixo), o resto é só pagar pra ver; na quarta, está prevista a Escola de Samba Galeria do Ritmo, Orquestra de Frevos Plural (sic), Bloco Lírico Amantes das Flores & Leões da Mata & Banda Bicho do Mato, tá; na sexta, está no cartaz a presença do parceiramigo Cikó Macedo & Bonecos Gigantes de Olinda, Orquestra de Frevos Vitrine Viva (sic), Caboclinho Tribo Oxossi Pena Branca & o tradicional Bloco das Puaras, mais Ozz Cuecas, André Marreta, Banda Luará & DJ Fabio Blair, tá e tá. Tudo isso porque no sábado, graças a Deus, é dia de Zé Pereira e todo mundo vai pro Galo da Madrugada. Do domingo em diante, a mundiça toda arriba para as praias tomar uma, mexer os esqueletos e não fazer nada porque ninguém é de ferro – já dizia Ascenso! Haja farofa, areia e munganga! Pois é, se aqui não é o Piauí, o cu do mundo é mesmo aqui! Já dizia o poeta Juá Correya: Melhor que Palmares City só Paris, de noite. DUAS: E POR FALAR EM CRISE – A economista Virilha Cunhão explica tudo na Alagoinhanduba TV, sempre com seu cabelo em desalinho, maquiagem e batom borrados, indumentária démodé & seu ar de sabichona fidapesta má fodida da gota, sobretudo sobre a crise: o PIB está de TPM e como o sex appeal da argúcia lógica no reverso da moeda do spread anda volátil de riba pra baixo, e pelo avesso, aí você ovula antes do tempo e os espermatozoides todos ficam doidões para molhar o biscoito no seu furico, aí é o fim da picada! Aí, no final só dá crise na Bolsa, no fígado, nos índices econômicos, nos rins, nos dividendos da poupança, na coluna, no tino dos políticos, na previdência social e na tonga da mironga do kabuletê que agarrou o pencó da coisa deflacionando o superávit da contingência inflacionária, o que vai dar na maior tranqueira pra lascar você, bestão, e só vai soltar sua frasqueira no ano que vem, oxalá! (Isto é, se você entender que ano que vem seja 2021, porque até lá, o golpista já fodeu tudo e todo mundo e salve-se quem puder!). Pois, assim fez-se Pandora a mais bela entre todas as ninfas e sátiros, mênades e bacantes abrindo a boceta do rito do diasparagmós na catábase da Patriamada, Brasilzilzilzilzilzilzil! Agora é só dissuadir as autoridades agorinha e já que, mesmo desconfiando do Poder Judiciário e todos os demais poderes deletérios que a gente já está careca de saber, o Brasil tem jeito – quando, ninguém sabe -, afinal, mesmo que confunda trambique com honestidade, erário público com bolso pra enricar político, tudo no fim, quer queira quer não, dá certo mesmo. Ah, faltou alguém perguntar pra ela: De que lado mesmo você está, hem? TRÊS: SAIDEIRA - Da primeira vez eu disse que ia e não fui, é que no mundo das coisas tudo se altera de forma complexa a ponto da gente se perder de vista. Da segunda vez eu nem queria ir e fui, feito um inacabado, em processo, tudo é muito mais trágico do que parece ser. Da terceira vez eu disse pra mim: agora vai dar certo! Não deu, de novo, teibei, fiquei só de comer o pão como fruto do trabalho, a punição milenar. E pra isso não há meio termo: ou paga ou se paga, de qualquer jeito. Não há faz de conta, tudo em cima da bucha, preto no branco e vice-versa. As alternativas, quantas? Nenhuma, no frigir do óbvio nos ovos, tudo pra nada, nove fora nada. Qual é? Ah, a pergunta que não quer calar: Por que a gente sofre e causa sofrimento aos outros, hem? Ah, porque todo mundo tem culpa no cartório, ora, todo mundo. E vamos aprumar a conversa! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá é dia de especial com a música do compositor, arranjador e maestro Rogério Duprat (1932-2006): The Brazilian Suite, Nhô Look & Brasil com S; da cantora, violonista e compositora Rosa Passos: Romance, Festival Jazz Vitória-Gasteiz & Live at Jazz Lincoln Center; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA –[...] Certas manhãs quando desço de bonde para o centro da cidade, naquelas manhãs em que, no dizer do poeta, um arcanjo se levanta de dentro de nós; quando desço do subúrbio em que resido há quinze anos, vou vendo pelo longo caminho de mais de dez quilômetros, as escolas publicas povoadas. Em algumas, ainda surpreendo as crianças entrando e se espalhando pelos jardins à espera do começo das aulas, em outras, porem, elas já estão abancadas e debruçadas sobre aqueles livros que meus olhos não mais folhearão,nem mesmo para seguir as lições de meus filhos [...]. Trecho extraído da obra Crônicas escolhidas (Publifolha, 1995), do escritor Lima Barreto (1881-1922). Veja mais aqui.

O QUE VOCÊ PODE FAZER POR TODOS NÓS – [...] Afinal, o que posso fazer de concreto a respeito do problema ambiental? [...] Você pode estar interessado em engajar-se em algum grupo ecológico, levantar bandeiras em passeatas, colher assinaturas para documentos de protesto ou disrtribuir panfletos preservacionistas [...] Você pode, também, sair pelo mundo plantando ávores. [...] Outra opção é passar a respeitar a natureza com mudanças de atitudes [...] Para se tornar um verdadeiro agente transformador, você deve simplesmente buscar novas informações e transmití-las ao maior número de pessoas que puder [...] Você sabe um pouco mais a respeito dos problemas ambientais do que a maioria de nossa população. Saiba, agora, que os maiores responsáveis por eles não são aqueles que estão no meio da floresta, desmatando-a, ou aqueles que estão poluindo os rios com mercúrio. Os verdadeiros responsáveis são os que, mesmo conhecendo a dimensão do problema, nada fazem para resolvê-lo. Esses acreditam que o simples fato de não estarem diretamente envolvidos na depredação os torna isentos de qualquer culpa. “Destruidores são os outros”, pensam. Você pode se tornar um deles facilmente. Sinto muito, caro leitor, mas acho que você acaba de se meter em uma enrascada. Ou ajuda, com seus conhecimentos a evitar a destruição de nossos ecossitemas ou se torna conivente com ela. [...]. Trecho extraído da obra Era verde? Ecossistemas brasileiras ameaçados (Atual, 2013), do professor doutor em Psiccologia, Zysman Neiman. Veja mais aqui.

ÚLTIMO DIA DE UM CONDENADO – [...] Os que julgam e condenam dizem que a pena de morte é necessária. Primeiro porque é importante subtrair da comunidade social um membro que já lesou e poderia lesá-la novamente. Se se tratasse apenas disso, a prisão perpetua bastaria. Para que a morte? Objetarão que se pode escapar de uma prisão. Façam melhor a sentinela. Se não acreditam na solidez das grades de ferro, como ousam ter zoológicos? Nada de carrasco onde casta o carcereiro. Mas, retorquirão, é preciso que a sociedade se vingue, que a sociedade puna. Nem uma coisa nem outra. Se vingar é próprio do individuo, punir é de Deus. A sociedade está entre os dois. O castigo está acima dela, e a vingança, abaixo. [...] Resta a terceira e última razão, a teoria do exemplo. É preciso dar o exemplo! É preciso assustar por meio do espetáculo do fim reservado aos criminosos, os que seriam tentados a imitá-los. [...] Só os jurados pareciam pálidos e abatidos mas era aparentemente, por causa da fadiga de terem velado toda a noite. Alguns bocejavam, Nada, no seu porte, anunciava homens que acabavam de trazer uma sentença de morte; e na figura destes bons burgueses eu só conseguia descobrir um grande desejo de dormir.[...] Se tudo a minha volta é monótono e descolorido, não existirá em mim uma tempestade, uma luta, uma tragédia? Esta ideia fixa que me possui não se me apresenta a cada hora, mas a cada instante, sob uma nova forma, sempre mais hedionda e ensanguentada à medida que o termo se aproxima? Porque não experimentar dizer a mim mesmo tudo o que sinto de violento e desconhecido nesta situação abandonada em que me encontro? Certamente, a matéria é rica; e por mais curta que seja a minha vida, haverá muito ainda – nas angústias, nos terrores, nas torturas que a encherão, desde esta hora até à derradeira – com que usar esta pena e esgotar este tinteiro. [...] A prisão é uma espécie de ser horrível, completo, indivisível, meio casa, meio homem. Eu sou a sua presa; ela incuba-me, ela enlaça-me com todas as suas pregas, ela encerra-me em suas muralhas de granito, Põe-me a cadeado sob sua fechadura de ferro, vigia-me com seus olhos de carcereiro. [...]. Trechos extraídos da obra O último dia de um condenado à morte (Integral, 1995), do escritor francês Victor Hugo (1802-1885). Veja mais aqui.

MULHER NO ESPELHO – Hoje que seja esta ou aquela, / pouco me importa. / Quero apenas parecer bela, / pois, seja qual for, estou morta. / Já fui loura, já fui morena, / já fui Margarida e Beatriz. / Já fui Maria e Madalena. / Só não pude ser como quis. / Que mal faz, esta cor fingida / do meu cabelo, e do meu rosto, / se tudo é tinta: o mundo, a vida, / o contentamento, o desgosto? / Por fora, serei como queira / a moda, que me vai matando. / Que me levem pele e caveira / ao nada, não me importa quando. / Mas quem viu, tão dilacerados, / olhos, braços e sonhos seus
e morreu pelos seus pecados, / falará com Deus. / Falará, coberta de luzes, / do alto penteado ao rubro artelho. / Porque uns expiram sobre cruzes, / outros, buscando-se no espelho
. Poema extraído da obra Flor de poemas (Record, 1998), da escritora, pintora, professora e jornalista Cecília Meireles (1901-1964). Veja mais aqui.

EVA BRAUN
O filme Eva Braun (2015), escrito e dirigido pela cineasta italiana Simone Scafidi, conta a história da cineasta, fotógrafa e modelo alemã Eva Braun (1912-1945), que foi companheira de longa data de Hitler e, por menos de quarenta horas, sua esposa. Durante o relacionamento ela tentou duas vezes o suicídio, passando a ser presença constante na casa-refúgio do nazista. Com o desmoronamento do Terceiro Reich ela jurou lealdade a ele, casando-se e depois se suicidou com uma cápsula de cianeto. Destaque para atuação da belíssima atriz italiana Andrea Riva.

Veja mais:
A vida é linda, apesar dos enrustidos & dos chatos de galocha!, Selene, a lenda dos Bororos orientais, a7, a pintura de Laura Tedeschi, a música de Witold Lutoslawski & Ewa Kupiec aqui.
Aijuna, o mural dos desejos florescidos aqui.
Crônica de amor por ela aqui.
O Recife do Galo da Madrugada aqui.
Utopia, Charles Dickens, Alfred Adler, Carybé, Rogério Duprat, Hector Babenco, Sonia Braga & Tchello D’Barros aqui.
A psicanálise de Karen Horney & o papo da tal cura gay aqui.
A hipermodernidade de Gilles Lipovetsky & a trajetória Tataritaritatá aqui.
&
Três poemetos da festa de amor pra ela aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do pintor, desenhista, ilustrador e professor Darel Valença Lins (1924-2017).
 Veja mais aquiaqui, aqui e aqui.

sexta-feira, outubro 20, 2017

DRUMMOND, RIMBAUD, LEMINSKI, MARITAIN, GILVAN LEMOS, JACOB DHEIN, GENÉSIO CAVALCANTI, CARIJÓ & SÃO BENTO DO UNA

CARIJÓ, SÃO BENTO DO UNA – Imagem: Céu de São Bento do Una, de Renatinha @Renatalcaet – Carijó, meu amigo, minhas mãos limpas e esta missiva: saudades de ontem, abraços de amanhã. Eu, Jutaí meinino, vou mais longe qual anjo do quarto dia no açude Velho que não viu o tempo passar: do Una a nossa comunhão na carreira da galinha, no carnaval dos imigantes portugueses da festa Valença e a criação de galo: cuidado com a cobra, sã0-betense! A gente só sente a picada de gente, coisa mais sem graça. Meus pés inoculados dos venenos mundanos pisam pelo Planalto da Borborema, mãos deitadas às sobrancelhas, estirando o cangote pra me livrar dos embaraços: muxoxos dos parentes, trejeitos dos estranhos que brigam por cacarecos, gente que só quer ser super-homem com seus super-poderes, gente que pede, pede, pede, Deus nem atende, gente que faz de tudo e o vento carrega a areia pro seu deserto, tudo uns chaleiras, remelentos arredios inescrupulosos, juntando troços, trapos de coisa que só vale pra moda, depois nenhuma serventia. Ninguém merece! Melhor o balanço e a curva dos quadris da morena sestrosa que passa impune dos nossos desejos, eu vejo e sinto, a me contentar com tão pouco, ninguém nasce pra viver na pobreza, a mulher é abundância, fartura de vida e as minhas bagagens repletas de sentimentos solidários, amor pra dá e quanta desventura! Eu vou. Por quê? Porque vou, porque sim, porque não, caramanchão, feliz das trepadeiras pelos oitões, a brisa nas varandas, água de coco, sonbra e água, a lembrar dos sítios do Serrote do Gado Brabo. Sou o que vai e volta, eterno retorno como os pardais estão voltando e Alceu cantando bonito na minha solidão que é um noturno sem música, neblinas e serenos na noite dos abraçados. Sou tão estrangeiro quanto o espaço terrestre além dos cem, e vi Cecília entre leões e o defunto aventureiro com o morcego cego: Morte ao invasor! A inocente farsa da vingança ns olhos da treva & os emissários do diabo na rua padre Silva, nada, é só quarta-feira de cinzas na Matriz do Bom Jesus. Ah, quem me dera, Carijó, sonhar entre as águas desse rio que nasci e vou daí, de Capeiras, melhor dizendo, por aí até a várzea que vai dar no mar. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com a música do compositor, arranjador e maestro Rogério Duprat (1932-2006): The Brazilian Suite, Nhô Look & Brasil com S; da cantora, violonista e compositora Rosa Passos: Romance, Festival Jazz Vitória-Gasteiz & Live at Jazz Lincoln Center; da banda britânica formada por Roland Orzabal & Curt Smith, Tears for Fears: Tears roll down & Going to California; e da cantora e compositora Liah Soares: Quatro Cantos & Sere Nere. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Partindo de uma concepção de vida denominada por um relativismo geral e pela dúvida universal em relação a tudo que possa ligar a conduta humana aos fins e aos valores mais elevados que os interesses do próprio individuo, - o que resulta, em última análise, é a arte de ter êxito no mundo. [...]. Pensamento extraído da obra A filosofia moral (Agir, 1964), do filosofo francês Jacques Maritain (1882-1972).

COMPETIÇÃO
Os garotos, os cães, os urubus
Guerreiam em torno do esplendor do lixo.
Não, não fui eu que vi. Foi o Ministro do Interior.
Fabulário Nacional extraído da obra Corpo: novos poemas (Record, 1984), do poeta, contista e cronista Carlos Drummond de Andrade (1902-1987). Veja mais aqui, aqui & aqui.

CRIME PASSIONALProcesso-crime 09 – Réu: Antonio Matias Marques. Vítima: Francisco José da Silva. Antonio Matias morava no sitio Tatu. No dia 14 de setembro de 1877, ao retornar, noite alta, de uma viagem ao povoado de Canhotinho, encontra sua mulher a dormir com um estranho na cama do casal. [...] que passando em casa dele testemunha no dia quatorze do corrente, pelas dez horas da noite, pouco mais ou menos, vindo de uma viagem a Canhotinho, Antônio Matias Marques, e dali depois de cear, seguiu dito Marques para casa de sua residência, no lugar Tatu, e batendo á porta e chamando pela mulher, ninguém lhe falou; então dito Marques furou a parede e abriu a porta; entrando no quarto, encontrou sua mulher deitada com Francisco José da Silva, ambos dormindo, e estando este nu ali, Marques lançou mão de uma espingarda do mesmo Francisco José da Silva, que ali estava encostada e disparou-a no infeliz Francisco, dando depois com a mesma arma diversas pancadas; e isto sabe por lhe haver dito o mesmo Marques, logo depois de haver praticado o fato, indo à casa dele testemunha, entregar-lhe uma chave para dar a Martinho, dono da casa em que ele morava, visto como tinha em um dos quartos da mesma casa uns objetos pertencentes ao dito Martinho, assim como entregara a ele testemunha os filhos para mandá-los levar à avó, e no mesmo ato saíra ele testemunha com pessoas de sua casa, em direção à casa do Marques, para ver se com efeito era certa aquela história que ele contava, e prestar algum socorro ao ferido; encontrou o mesmo ferido, prostrado sobre a cama, deitando sangue, ainda depsido de toda a roupa, a mulher de Maques sentada na mesma cama, e uma menina nos pés da cama, sendo que a chave que lhe entregara Marques, era da porta do quarto onde estava Francisco José da Silva ferido e entregara a dita chave a ele testemunha [...]. Como se vê, o gesto de Marques fora de previdência e sabedoria. Usando de cautela, conforme se depreende do depoimento transcrito, conseguira ele valioso testemunho para o flagrante de adultério da esposa, fato de decisiva importância quando tivesse de ser julgado pelo júri. [...] Denunciado no dia 1º de outubro de 1877, pelo Adjunto de Promotor, Cândido Américo Galvão, somente em 22 de novembro foi o réu pronunciado incurso no art. 193 do Código Criminal. O libelo foi oferecido em 11 de outubro de 1878, insistindo a promotoria nas sanções penais citadas. Entrega-se o réu à prisão em 15de outubro de 1866, nove anos após a execução do delito, sendo-lhe designado o dia 12 de novmebro para comparecer à sessão do júri. Submetido a julgamento, Antonio Matias é unanimemente absolvodp pelos juízes de fato, passando-se-lhe, incontinenti, o alvará de soltura. O júri lhe fora sensível à causa, na opinião geral, considerada simpática, segundo os autos. Trechos extraídos da obra Inocentes e culpados do Tribunal de Juri de São Bento: síntese histórica do homicídio 1818-1930 (CEHM, 1986), de Sebastião Soares Cintra que, em nota introdutória, assinala que [...] De 1818 a 1930, - segundo os arquivos remanescentes na Comarca -, verificaram-se 84 homicidios na jurisdição de São Bento [...] Resta-nos aos são=bentenses a esperança de que esse quadro possa regredir, pela evolução moral dos filhos desta terra [...] Derivativo dos sentimentos inferiores da índole humana, ou objeto de resgate dos antaganismos exacerbados, o homicídio persistirá até que se atinha o sonhado estágio social de preponderância do homo morabilis, isto é, do homem “maduro e imputável”. Na apresentação do livro, o historiador, jornalista, lexicógrafo, pesquisador e compositor Nelson Barbalho (1918-1993), assevera que: [...] O material colhido e apresentado no livro finda em 1930 e entremostra-se espantosamente rico de atrocidades e barbarismos levados às raias da loucura e de homicídios puros e simples em numero de 84 durante pouco mais de um século. E depois? [...] Tudo caminha para pior, por conseguinte, e a “civilização” branca e cristã, aqui nas plagas nordestinas, é embromação para inglês ver, tema para debates cretinos na TV, assunto para sermões de padres pançudos e comedores de beatas safadas – pura demagogia e nada mais. A vida é cruel e triste; e o robusto livro de Sebastião Soares Cintra o diz bem melhor que minhas pobres e desenxabidas palavras. Veja mais aqui.

A ETERNIDADE
De novo me invade.
Quem? A Eternidade.
É o mar que se vai
Como o sol que cai.
Alma sentinela,
Ensina-me o jogo
Da noite que gela
E do dia em fogo.
Das lides humanas,
Das palmas e vaias,
Já te desenganas
E no ar te espraias.
De outra nenhuma,
Brasas de cetim,
O Dever se esfuma
Sem dizer: enfim.
Lá não há esperança
E não há futuro.
Ciência e paciência,
Suplício seguro.
De novo me invade.
Quem?
A Eternidade.
É o mar que se vai
Com o sol que cai
.
Poema extraído da obra Rimbaud Livre (Perspectiva, 1993), do poeta Arthur Rimbaud (1854-1891). Veja mais aqui, aqui & aqui.

O ANJO DO QUARTO DIA - Estranho ela achava; que ninguem a chamasse num grito? Ana! Apelo, procura: Ana! Que seu nome não ecoasse modulado pelas enconstas das serras, não vibrasse ao saber dos ventos: Aaaaaaaana! Que o solo do Grotão, sentindo-lhe os pés, o peso do corpo; que as árvores do Grotão, olhando-a de oonge; que os ares do Grotão, envolvendo-a, desconhecessem a invocação de seu nome. Mesmo quando lhe era permitido afastar-se mais um pouco à procura dum pau de lenha, duma erva para o chá, dum ninho de galinha, sabia que sua presença não seria reclamada, tampouco no desespero dum grito. Não era estranho? Somente por extrema necessidade, em algum sábado, de madrugada, deixava o Grotão, sua asinha lá entre serrotes, matolão nas costas, cheio o matolão. Isso quando o enchia. Às vezes mais de mês para enchê-lo. Renda de bilros, bruxas de pano, tatuzinhos esculpidos na madeira de imburana, tão bem feitinhos, serviam de paliteiros; galinhos, peruzinhos revestidos de penas verdadeiras, para enfeite de mesa. Tudo do seu trabalho, de sua jabilidade, sem ninguém, ter ensinado ela fazia, desde mocinha. Era uma artista com os dedos, a paciência de artesã solitária, o poder de botar nas coisas em que pegava uma parecença de vida, de objeto requerendo muito amor e carinho. [...]. Trecho extraído da obra O anjo do quarto dia (Globo, 1987), do escritor Gilvan Lemos (1928-2015), que na obra Neblinas e serenos (Bagaço, 1994), narra: [...] À noite perdia o sono, chorava por ele. Seu outro menino estava doente. Doente de uma doença para a qual o chá de cidreira não servia. Nem essência de cravo nem a lama de pote nem o emplastro de pirão de farinha. Nem ao menos sua presença ao lado da cama, alisando-lhe a testa. [...]. Veja mais aqui, aqui & aqui.

POR QUE ESCREVO
Escrevo. E pronto. Escrevo porque preciso, preciso porque estou tonto. Ninguém tem nada com isso. Escrevo porque amanhece. E as estrelas lá no céu lembram letras no papel quando o poema me anoitece. A aranha tece teias. O peixe beija e morde o que vê. Eu escrevo apenas. Tem que ter por quê?
Razão de ser, do escritor, critico literário, tradutor e professor Paulo Leminski (1944-1989). Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

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ARTE & ENTREVISTA DE GENÉSIO CAVALCANTI
Depois do lançamento de diversos livros de poesias, músicas em vários CDs, dois DVDs & realizar recitais e apresentações em diversas localidades, o poeta Genésio Cavalcanti concede entrevista exclusiva pra gente, falando de sua vida, sonhos, realizações, projetos & trabalhos. Confira a entrevista completa aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do artista plástico estadunidense Jacob Dhein.
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sábado, julho 08, 2017

ANA BOTAFOGO, DONNA TARTT, TOQUINHO, ROSA PASSOS, JOÃO BOSCO, ARTEMÍSIA GENTILESCHI, PAULA MORELENBAUM & SILÊNCIO DE EDJANE LEAL

OS MILAGRES DE ALAGOINHANDUBA – Um belo dia apareceu em Alagoinhanduba um sujeito que diziam atender pelo nome de Gideão. Ninguém sabia quem era, familiares, parentes, onde morava, nada a respeito de tal sujeito, apenas que ele aparecia nos momentos mais periclitantes oferecendo solução, desde que satisfizessem a condição por ele estipulada. Muitos depoimentos, boatos e testemunhos davam conta de ações milagrosas praticadas por ele. Não havia quem não acrescentasse um fato aos tantos já ditos e repetidos de boca em boca. O que se sabia era que se procurasse, jamais o encontraria; só aparecia assim do nada, quando situação iminente. Zé-Corninho mesmo presenciara certa feita, ao visitar um amigo de infância que finava desenganado de doença letal, quando soube que um estranho apareceu e disse que salvava o caso, desde que dessem a ele um prato de comida. Todos desconfiaram, mas entre eles, uma alma caridosa, independente da cura, deu-lhe a refeição. Após o repasto, ele entregou um pedacinho de papel devidamente enrolado pra pessoa que lhe dera a comida, determinando que pusessem amarrado a um cordão no pescoço do vitimado, que ele ficaria bonzinho de um dia pro outro. Com um detalhe: não podiam abrir, jamais, para não reverter o quadro. Nem deram bola pro que disse, porém, mesmo assim, não custava nada e assim fizeram. No outro dia, o enfermo estava saltitante e feliz, repetiu Zé-Corninho batendo o pé de raiva, diante das mangações. Nessa mesma hora Afredo Bocoió compartilhou dum caso semelhante que se deu com uma grávida que se encontrava, ela e o bebê, entre a vida e a morte, poucas horas depois do desconhecido ter comido um pedaço de bolo pedido, e de terem amarrado um papelzinho embrulhado no pescoço da parturiente, que logo ela deu a luz e o menino estava berrando que nem bode novo. Também Mamão entrou na conversa por ter sabido de um acidentado que estava morre mas num morre e que ficou bonzinho depois que amarraram um bilhetinho no pescoço dele, tanto que soube que poucas horas depois já estava correndo de motocicleta pra cima e pra baixo, como se nada tivesse acontecido. Oxe, isso é lorota, diziam muitos, quase todos incrédulos. Logo aparecia quem tivesse notícia de coisas assim parecidas que aconteceu pela redondeza. Quem é esse milagroso? Diz-se ser um tal de Gideão! Mora aonde? Ninguém sabe. Trabalha? Sei não. O que ele faz da vida? Quem sabe, ora! Cadê ele? Ah, dizem que ele só aparece em hora de extrema precisão. E o que tem dentro do bilhete? Nunca soube. Ah, isso tem coisa. Por que a gente não confere? Então, foram checar com pessoas que tiveram a graça. A primeira que souberam não estava em casa, porém os vizinhos confirmaram ter ocorrido o fato de verdade, que não sabiam nada a respeito do salvador. Partiram pra outra, havia viajado, contudo, confirmação de moradores da rua e do bairro todo deu por conta de fato verídico, mesmo que ninguém soubesse nada a respeito do já tido por santo. Vamos ver isso no amiudado. Assim fizeram, depois de muito rodarem no encalço, deram de cara com uma devota, em carne e osso, de viva voz contando como sucedeu tudo e de como saiu do estado de coma em que se encontrava há dias. Tá. E o bilhete, o que tinha? Não sei, não abri. Ora, ninguém sabe o que tinha nos bilhetes deixados, ninguém sabe de nada! O que é que é isso, hem? Logo souberam da fúria do padre Quiba que dizia ser esse boato façanhas do anticristo! Como é que pode? Quem seria capaz de operar tal prodígio, hem? Ué, dizem que é Gideão, só isso que se sabe. Ah, mas ele só aparece em situações das brabas. Pois é, não adianta procurar por ele, já caçaram de tudo, todos os cafundós, ninguém sabe do paradeiro dele. Só pode ser magano! Foi quando souberam que um que havia sido abatido com não sei quantas balas dum tiroteio medonho, estava vivinho da silva! Quem? O Trojeu! Ah, vamos lá ver esse sortudo! E foram, encontraram-no virando copos e meiotas numa bodega da esquina, ainda com o papelzinho amarrado no cordão do pescoço. Ôpa! Achamos. Entabularam conversa e esmiuçaram tintim por tintim o acontecido, até pergutarem pelo embrulhinho do pescoço. Isso aqui? Sim! Ah, foi Gideão que me deu, disse que me salvava de morte matada, mas se eu abrir morro de morte morrida. Que nada! Ah, abro nem prum trem, meu. Rapaz, que coisa! E pagaram bebida, tira-gosto e litros e mais beiçadas de deixá-lo cai mas num cai, até quedar desacordado no meio da calçada. Removeram o cordão e abriram o bilhete com a seguinte inscrição manuscrita: “Eu te benzo, eu te curo, amanhã cairá duro”. Deram a maior risada, virou piada, o que davam por líquido e certo, agora era pinóia. Quem diria que era marmota, hem? Pois é, só conversa pra boi dormir. No outro dia, já era mais de dez horas da manhã, sol quente de rachar o chão, e Trojeu lá estendido na calçada. Oxe, pegaram o homem pra levá-lo pra casa, quando alguém achou melhor levá-lo prum hospital. Assim fizeram. Chegando lá, quando o enfermeiro examinou, o diagnóstico: estava mortinho. Ué, defuntou? Passou dessa pra melhor faz tempo. De mesmo? Oxe, babau. Matamos o homem. Remorso comeu no centro da corja toda. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

A HISTÓRIA SECRETA DE DONNA TARTT
[...] A beleza raramente é suave ou reconfortante. Pelo contrário. A verdadeira beleza sempre nos assusta. [...] a ideia de perder o controle fascina pessoas controladas como nós mais do que a maioria dos outros temas. [...] Quanto mais instruída, inteligente e reprimida é a pessoa, mais necessita de métodos para canalizar os impulsos primitivos que subjugou com tanto esforço. [...] Trata-se de um conceito bem grego, e muito profundo. Beleza é terror. O que chamamos de belo provoca arrepios [...]. Beleza é terror. O que chamamos de belo nos faz tremer. [...].
Trechos do romance A História Secreta (The Secret History – Companhia das Letras, 1992), da escritora, ensaísta e crítica estadunidense Donna Tartt. Veja mais aqui.

Veja mais sobre:
Além da entrega mais que tardia, Papoulas de julho de Sylvia Plath, Literatura de vanguarda de Guillermo de Torre, a pintura de Artemísia Gentileschi & Tom Wesselmann, a música de Sky Ferreira, a arte de Jean Cocteau & Luciah Lopez aqui.

E mais:
Caraminholas do miolo de pote, Escritos de Guillaume Apollinaire, O homem pós-orgânico de Paula Sibilia, a literatura de Antoine de Saint-Exupéry, a música de Diamanda Galás, a pintura de Marie Fox, a fotografia de Jim Duvall & a arte de Luciah Lopez aqui.
O sábado é dia de amor & poesia aqui & aqui.
Fecamepa, Gestalt-Terapia de Friederich Perls, Novelas de La Fontaine, As rosas do cume de Laurindo Rabelo, Auto da alma de Gil Vicente, Crônica da cidade amada & Procópio Ferreira, a música de Diversões Lúdicas, a pintura de Ignaz Epper, Brincarte do Nitolino & Cia Ópera na Mala aqui.
O trâmite da solidão, O espectro da fome de Josué de Castro, a pintura de Mercedes Sosa, A Ilíada de Homero, Ana Botafogo In Concert, Conversação noturna & Martha Angerich, a pintura de Tamara de Lempicka, a arte de Eliezer Augusto & a poesia de Genesio Cavalcanti aqui.
Doro & a copa do mundo, Fritz Perls, Procópio Ferreira, a música de Moraes Moreira & Programa Tataritaritatá aqui.
Blitz-krieg do Mineirão, Manuel Bandeira, a arte de Ana Botafogo & a música de Mercedes Sosa aqui.
A Filosofia & História das calamidades de Abelardo, Nara Salles, Projeto Carmin & Cruor Arte Contemporânea aqui.
A provocação aguda da paixão aqui.
A mulher, Lei Maria da Penha, Ginocracia & Daby Palmeira aqui.
A donzela arrevesada de Hermilo Borba Filho, a poesia matuta de Rubão, Dr. Zé Gulu & papos do Doro aqui.
O romance do pavão misterioso de João Melchiades da Silva aqui.
A arte fotográfica de Andréia Kris aqui.
Pechisbeque, 1984 de George Orwell, Legado & grito de Renata Pallottini, As casadas solteiras de Martins Pena, A realidade das coisas de Tales de Mileto, a música de Bach & João Carlos Martins, País de Cucanha, o cinema de Sidney Lumet & Sophia Loren, a arte de Antoni Gaudí, a pintura de Theo Tobiasse & Jean-Jacques Henner aqui.
Quando não é na entrada é na saída, O autor como produtor de Walter Benjamin, Fronteiriços de Anna Bella Geiger, Linquistica & Estilo, Carna, a música de Andrea dos Guimarães, Antologia pornográfica de Gregório de Matos & Alexei Bueno, Wunderblogs, a arte de Gilvan Samico & Matéria Incógnita aqui.
Crônica de amor por ela, a pintura de Pablo Picasso, a música de Roberto Carnevale, a fotografia de Claudia Andujar, Teoria da Literatura de Rogel Samuel, Os 120 dias de Sodoma de Marquês de Sade, a poesia de Ana Cristina César, o cinema de Chris Wilkinson & Linda Marlowe & a arte de Lygia Pape aqui.
Betúlia, a belezura e os restos nos confins do mundo, Evolução e sentido do teatro de Francis Fergusson, Porto Calendário de Osório Alves de Castro, Kadish de Allen Ginsberg, a fotografia de Claudia Andujar, a pintura de Federico Beltrán Massés & Fayga Ostrower, a música de Consuelo de Paula & Iemanjá, Mãe D’Água de Petrolina - PE aqui
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Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

A ARTE DE ANA BOTAFOGO
A arte da bailarina e atriz Ana Botafogo. Veja mais aqui.

SILÊNCIO DE EDJANE LEAL
Entre um trago / de bebida / e um trago / da vida / A sensação / jorrante e / sutil / de existir. (Momentos).
eu sou um desejo / contido ... / Um ai interminável. / Eu sou um sopro / insano / de uma massa mal delineada / inacabada. / Eu sou um pássaro irrequieto / errante. / Eu sou a tempestade / e a calmaria / angústia e coragem / doença e crueza / carência e doação... / Um bicho... / Sou simplesmente / por assim saber-me. / (Bicho).
Cada noite / que se passa / sem os abraços / teus, / é como se eu morresse / um pouco / nos desejos / meus. (Apego).
Poemas recolhidos do livro Silêncio (Tarcisio Pereira, 2015 – Prêmio Poesia Cultural), da poeta pernambucana Edjane Leal Cruz. DEPOIMENTO: Conheci a poesia de Edjane no início dos anos 1980, em Recife, quando trabalhávamos numa mesma instituição. Ela me passou alguns dos seus poemas e, pensamos até, em publicar um livro com nossas produções poéticas. Mudanças ocorreram, perdi o contato, mas publiquei seus poemas em zines, revistas e no tablóide Nascente – Publicação Lítero Cultural, que editei ao longo das décadas. Hoje tenho a grata satisfação de receber o seu primeiro livro, fruto de um prêmio literário que ela arrebatou, reunindo não só poemas dela, mas também, numa segunda parte do livro, de estudantes adolescentes de escolas públicas da cidade de Floresta, em um projeto denominado Sonhar é preciso, que ela desenvolveu com amigas e professoras. Maravilhosa iniciativa, parabéns. Sucesso do muito & beijabrações. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ: TOQUINHO, ROSA PASSOS, JOÃO BOSCO & PAULA MORELENBAUM
Hoje na Rádio Tataritará é dia de especial com Toquinho em dois shows ao vivo: Só tenho tempo pra ser feliz & Brasil; Rosa Passos no Festival de Jazz de Vitoria-Gasteiz & Romance; João Bosco no Obrigado gente & ao vivo; e Paula Morelenbaum no show Berimbaum & no Tuscia in Jazz. Para conferir é só ligar o som e curtir.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da pintora italiana Artemisia Gentileschi (1593-1653). 
Veja mais aquiaqui.

SÓNIA SULTUANE, MARCO NICOLINI, RUBY BRIDGES, JOÃO FALCÃO & MUITO MAIS!!!

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Revestrés escatológico pra bufos e ranas... - Para quem não sabia, fingiu ou olvidou, muita coisa passou p...