Mostrando postagens com marcador Maritain. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Maritain. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, abril 19, 2019

EUGENIO MONTALE, MARITAIN, QORPO SANTO, AYSSA BASTOS & OS HEBREUS DE JOSEFO


OS HEBREUS DE JOSEFO - Às voltas com questões religiosas durante a adolescência, dei de cara com a coleção História dos Hebreus (Americas, 1956), do historiador e apologista judaico-romano Flávius Josephus (37-100), que forneceu importante panorama do judaísmo no sec. I, reunido em nove tomos que são divididos em três partes, compreendendo as Antiguidades judaicas, a Guerra dos judeus contra os romanos e o apêndiee com a resposta de Flávio Josefo a Ápio, o martírio dos macabeus e o relato de Filon. Ao iniciar a leitura pensei comigo: Ué, estou relendo a Bíblia cristã? Não, não era bem o Velho ou o Novo Testamento, era um relato histórico importante acerca do judaísmo. Tanto é que no primeiro volume estavam os quatro livros da primeira parte dedicada às Antiguidades judaicas, com a criação do mundo até a vitória dos hebreus sobre os madianitas, tornando-se senhores de todo o seu país, constituindo Moisés a Josué para ser o guia do povo, na construção das cidades e lugares de asilo. No segundo volume, o Livro Quarto sobre o discurso de Moisés ao povo e as leis que lhe dá, seguido do quinto ao sétimo livro, da passagem de Josué pelo Jordão com o exército por um milagre, até as últimas instruções de Davi no leito de morte ao seu filho Salomão, que o enterra com magnificência extraordinária. No terceiro volume, o oitavo livro das antiguidades judaicas, com a ordem de Salomão de mandar matar Adonias, Joab e Semeu, tirando a Abiatar o cargo de Grão-Santificador, desposando a filha do rei do Egito, seguindo-se até o livro décimo segundo, quando Tolomeu Filadelfo, rei do Egito, liberta cento e vinte mil judeus que estavam escravos no seu reino, mandando vir setenta e dois homens da Judeia para traduzir em grego as leis dos judeus e, ao mesmo tempo, mandar riquíssimos presentes ao templo para tratar os deputados da melhor maneira possível. No quarto volume começa a parte do décimo segundo livro das Antiguidades judaicas, com os favores recebidos pelos judeus dos reis da Ásia, até o décimo quinto livro,quando Herodes fala com tanta generosidade a Augusto que conquista a sua amizade, acompanhando-o ao Egito e o recebendo em Tolemaida. Já o quinto volume começa com o décimo quinto livro da primeira parte das referidas Antiguidades, com Mariana recebendo Herodes com frieza ao seu regresso da visita a Augusto, até o décimo nono livro com o imperador Claudio confirmando o reino a Agripa e acrescentando-lhe a Judeia e Samaria, dando o reino de Cálcida a Herodes, irmão de Agripa e promulgando éditos favoráveis aos judeus. O sexto volume compreende o décimo nono livro da primeira parte, quando o rei Agripa parte para seu reino e coloca na sacristia do templo de Jerusalem as cadeias que eram um sinal da sua prisão. Nesse volume dá-se inicio a segunda parte, compreendida como a História da guerra dos judeus contra os romanos, do livro primeiro com Antioco Epifanio, rei da Síria, tornando-se senhor de Jerusalem e suprimindo o serviço de Deus, até Herodes ter arrancado de si uma águia de ouro consagrada sobre a porta do templo, e a morte de Antipatro com os serviços funerais prestados por Arquelau. O sétimo volume conta com o livro segundo da segunda parte, compreendendo a ida de Arquelau ao templo, depois dos funerais do seu pai, Herodes; até o livro quarto, com revolta de Vindex nas Gálias contra o imperador Nero e tomada de direção de Vespasiano depois dos estragos na Judeia para invadir Jericó sem resistência. No oitavo volume, o quarto livro da segunda parte, a partir da descrição de Jericó sobre a fonte nos arredores do lago Asfaltite e dos espantosos restos do incêndio de Sodoma e Gomorra, até o sétimo livro, com a horrível maldade de Catulo, governador da Línia Pentapolitana, para se enriquecer com os bens dos judeus e a morte de Jônatas, queimado vivo por ordem de Vespasiano. O nono volume com a segunda parte da Guerra dos judeus contra os romanos, com a captura de sicários que se haviam refugiado nos arredores de Cirene, tendo a maior parte deles cometido suicídio. Como apêndice desse volume, a terceira parte que compreende a resposta de Flávio Josefo a Ápio, o martírio dos macabeus e o relato de Filon. O trabalho histórico deste autor registrou a destruição de Jerusalem, em 70dC, pelas tropas do imperador Vespasiano e entre as suas obras encontram-se ainda Contra Apião, sobre a religião e filosofia judaica, e a sua autobiografia. Trata-se de historiador bem instruído nas culturas judaica e grega, e que falava perfeitamente o latim e o grego. Filiou-se ainda jovem ao grupo religioso dos fariseus, quando a sua terra e o seu povo estiveram sob o domínio romano. Com a revolta dos judeus contra os romanos de 66 d.C, ele foi enviado para dirigir as operações contra os dominadores, na turbulenta Galileia. Nos embates logrou algumas vitórias, mas logo foi derrotado, rendendo-se ao exército romano. No final da guerra, foi conduzido à Roma, onde lhe conferiram a cidadania romana e também uma pensão do Estado, época em que lhe foi dado o nome romano de Flávio, lá vivendo até a morte. É considerado pelos judeus como um oportunista por suas ligações com os romanos, sendo sua obra preservada e divulgada pela igreja cristã, por conter minuciosas descrições de personagens dos Evangelhos e de Atos dos Apóstolos, com inúmeros pormenores do mundo greco-romano relatados, alcançando credibilidade destacada. Por conta disso, posso dizer que com a leitura da coleção pude ter uma visão mais ampla sobre o judaísmo e o cristianismo. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui e aqui.

DITOS & DESDITOS:
[...] o ser humano está metido entre dois polos: um polo material, que não diz respeito na realidade, à pessoa verdadeira, mas antes à sombra da personalidade ou o que chamamos, no sentido estrito da palavra, a individualidade; e um polo espiritual, que diz respeito à personalidade verdadeira [...] O fim da sociedade é o bem da comunidade, o bem do corpo social. [...] O bem comum da cidade não é nem a simples coleção dos bens privados, nem o bem próprio de um todo(como a espécie, por exemplo, a respeito dos indivíduos, ou a colmeia a respeito das abelhas) que dirige só para si e sacrifica as partes. É a boa vida humana da multidão, duma multidão de pessoas; é a sua comunhão no bem viver; é, portanto comum ao todo e às partes, sobre as quais se derrama e que devem beneficiar dele; com risco de se desnaturar si mesmo, implica e exige o reconhecimento dos direitos fundamentais das pessoas [...] comporta como valor principal a mais alta acessão possível (isto é, compatível com o bem do todo) das pessoas à sua vida de pessoa e à sua liberdade de expansão, - e às comunicações de bondade que, por sua vez, daí procedem. [...] O que constitui o bem comum da sociedade política não é, pois, somente o conjunto dos bens ou serviços de utilidade pública ou de interesse nacional (estradas, portos, escolas, etc.) que supõe a organização da vida comum, nem as boas finanças do Estado, nem o seu poder militar, não é somente o conjunto de leis justas, de bons costumes e de instituições capazes que dão a sua estrutura à nação, nem a herança das suas grandes recordações históricas, dos seus símbolos e das suas glórias, das suas tradições vivas e dos seus tesouros de cultura. O bem comum compreende todas estas coisas, mas muito mais ainda, e mais profundo, mais concreto e mais humano [...] envolve a soma ou integração sociológica de tudo o que há de consciência cívica, de virtudes políticas e de sentido do direito e da liberdade, e de tudo o que há de atividade, de prosperidade material e de riquezas do espírito, de sabedoria hereditária inconscientemente posta em ação, de retidão moral, de justiça, de amizade, de felicidade e de virtude, e de heroísmo nas vidas individuais dos membros da comunidade, enquanto tudo isso é, numa certa medida, comunicável, e recai numa certa medida sobre cada um e auxilia assim cada um a completar a sua vida e a sua liberdade de pessoa. É tudo isso que faz a boa vida humana da multidão [...] O bem comum é coisa eticamente boa. E no próprio bem comum está incluído como elemento essencial o máximo de desenvolvimento possível hic et nunc das pessoas humanas, daquelas pessoas que constituem a multidão unida, para constituir um povo, segundo relações não somente de força, mas de justiça. [...].
Trechos extraídos da obra A pessoa e o bem comum (Morais, 1962), do filosofo francês Jacques Maritain (1882-1972). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

A POESIA DE MONTALE
Se me afasto dois dias
os pombos que bicam
na minha sacada
começam a se agitar
seguindo as instruções corporativas.
Ao meu regresso a ordem se refaz
com suplemento de migalhas
e para desapontamento do melro que faz a naveta
entre o respeitado vizinho de frente e eu.
A tão pouco se reduziu minha família.
E há quem tenha uma ou duas, que esbanjamento meu Deus!
Solidão, poema do poeta, prosador, jornalista e tradutor italiano Eugenio Montale (1896-1981), Prêmio Nobel de 1975. Veja mais aquiaqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da poeta, ilustradora, fotógrafa e designer Ayssa Bastos, autora do livro de poesia visual Aguardados (2012), que possui formação em cinema e desenho industrial e tem realizado exposições de artes plásticas, ilustrações, poesia visual. 
Veja mais aqui, aquiaqui.
&
A OBRA DE QORPO SANTO
Cruzes! Estou hoje tão científico que até pelos calcanhares sinto entrarem-me pensamentos, ideias e não sei que mais...
A obra do dramaturgo, escritor e jornalista José Joaquim de Campos Leão, mais conhecido como Qorpo Santo (1829-1883) aqui.


sexta-feira, março 23, 2018

MARINA COLASANTI, MARITAIN, JUDITH SCOTT, CICERO MELO, EDSON NATALE & SHARON BEZALY, AMOR & PAIXÕES

SOBRE MIM MESMO, ACHO - Imagem: arte da escultora estadunidense Judith Scott (1943-2005). - Ao espelho, a estrada largestreita que sou de mim, palavras, pensamentos, ações. Nada. De mim mesmo sou, de um lado, o glamouroso mundo das vitrines com o estardalhaço dos quereres na sedução das sereias; de outro, a pútrida aquosidade da miséria que me disfarço em desespero e desolação. Sou assaltado de um lado a outro e a minha face, de um lado desfigurada pelos pesadelos que saem dos sonhos para vingarem nas ruas do invisível compulsório, arrancando máscaras e engodos para serem poeira e lamaçal; na outra, as marcas da grosseria que estarrece e assombra, como se vítima de bala perdida, ou metralhada na esquina do meio dia em nome da lei da covardia. Aos meus olhos, sou de um lado atento, atônito, tudo é efêmero nas luzes da festa; no outro, os desapontamentos ao flagrante das desproporções, do grotesco, das deformações que a lágrima lava ao sentimento de se perder. Às minhas narinas os aromas das flores e os olores higiênicos que não conseguem encobrir a repugnante catinga dos deserdados sobre frascos vazios de perfumes granfinos. Ao paladar os cardápios das mesas suntuosas com o feitiço dos seus condimentos que não conseguem disfarçar o gosto de sangue na saliva, os vômitos e os excrementos das avenidas, corredores, palácios. Os meus ombros, de um lado para todos os lamentos das cabeças que não tenham onde se escostar; o outro, o peso das dores de todos os arrasados à espera da tardia justiça dos humanos. Os meus braços, o dieito como uma mãe que segura o filho a oferecer abraço solidário a quem chegar; o esquerdo, tímido em empunhar a bandeira de quem perdeu a guerra e se esconde do momento indesejável. As minhas mãos, uma à oferta do que sou mendigando afeto como quem esmola pelo amor de deus; a outra decepada em nome da sanção do não ter. As minhas pernas, uma claudica como quem não tem para onde ir; a outra, vergada pela impenitência das torturas. Os pés andejos crucificados no centro das encruzilhadas, solados no chão quente. Sou o que me resta e meu corpo arrastado no asfalto sob a engrenagem do automóvel em alta velocidade que me nega o socorro e me larga roto desfalecido e a minha carne desfiada enovela-se em gente que me rejeita e decepa meus fios e me faz enredar nas pedras, restos, folhas, insetos, santinhos, grãos, lodo, orações, esterco, capsulanas, areia, ossos, filigranas, abotoaduras, lama, pus, anéis, farelos, tampas, fiapos, seixos, galhos, graxas, retalhos, larvas, detritos, charcos, escarros e cusparadas, condenados e cadáveres, o meu ininterrupto processo na infinita estranha beleza de ser-me apenas embrulho tão inútil quanto o cúmulo da inutilidade. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do músico, compositor, escritor e jornalista Edson Natale: Dharana, Pequena canção para uma mulher nua & Viajante; da flautista israelente Sharon Bezaly: Hungarian Fantasy Doppler, Flute Sonata Schulhoff & Flute Sonata Prokofiev; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Numa colméia ou num formigueiro, cada regra é imposta pela natureza, é necessária; ao passo que na sociedade humana só uma coisa é natural: a necessidade de uma regra. [...] Pensamento extraído da Introdução geral à filosofia (Agir, 1970), do filosofo francês Jacques Maritain (1882-1972). Veja mais aqui e aqui.

DE AMOR & PAIXÕES, SERÁ? - [...] Quando, por uma razão qualquer, a relação amorosa se desfaz, o que se desfaz de fato é só a relação amorosa e não as vidas e a integridade de cada um. E o que se tem observado é que, por mais denso que tenha sido o amor, quando ele se desfaz nas relações sadias (suplementares), surgem logo novos encontros, novos namoros e seduções; o amor pode se refazer. É outro, original, porém com intensidade e qualidade semelhante ao anterior [...]. Trecho extraído da obra Utopia e paixão (Rocco, 1988), de Roberto Freire e Fausto Brito. Veja mais aqui, aqui e aqui.

POR FALAR EM AMOR - [...] namoram muito e não namoram nada. Namoram muito porque têm sempre um namorado/a em campo, alguém em quem estão interessados, alguém que estão “azarando”. Mas ao mesmo tempo não namoram nada, porque essas relações são muito inconsistentes. O casal se junta e se separa com a mesma facilidade. Não há amor, não há envolvimento. Há desejo, epidérmico. Na verdade não são bem namoros, são casualidades. [...] Naquele tempo faltava uma coisa, hoje falta outra. Eu não podia me dar ao sexo. Eles não conseguem se dar o amor. [...] A tendência imediata é achar que não param em nenhum/a porque podem ter todos/as. Mas por outro lado, existe a facilidade maior de parar em um parceiro, agora que ele pode ser completo, reunindo sexo e sentimento. [...] Acontece também que são filhos diretos da baixa do amor, do descrédito da relação, e da ênfase nas emoções tonitruantes. Enquanto deixam o amor de lado, procuram terremotos emocionais no “som”, no “brilho”, nos riscos. Mas uma ideia me ocorre que me parece mais acertada. A de que os jovens estejam, de forma inconsciente, fugindo do amor justamente porque podem ter o sexo. Explico melhor: o amor é uma emoção importante, o sexo também; mas só o amor somado ao sexo constitui a emoção fundamental do ser humano. Ora, nem todos os jovens têm um mesmo grau de amadurecimento. E nem todos eles se sentem prontos para chegar ao topo do seu universo emocional. Antes todos podiam ter amor, e só os mais maduros – ou os mais inconscientes – se lançavam na completude amor/sexo. Agora acontece exatamente o oposto: tendo o sexo, evitam somá-lo ao amor, adiando a sobrecarga emocional que não se sentem capazes de enfrentar. [...] Trechos extraídos da obra E por falar em amor (Salamandra, 1984), da escritora e jornalista ítalo-brasileira Marina Colasanti. Veja mais aqui.

DOIS POEMASRETORNANDO A ÍTACA - A nave singra os sonhos nus do mármore, / Cruzando a solidão e sempre célere. / Carrega cuidadosa o nauta célebre,/ E aquele transformado em pétrea árvore. / Um lutou, desdobrou a rota bárbara / Dos dias que da vida exigem têmpera; / O outro, tecendo de ondas sua têmpora, / Transmudou-se de mundos, sempre máscara. / O primeiro se fez, de acasos, íntegro; / O segundo buscou, em rumos trôpegos, / Desvendar o inefável do seu íntimo. / Mas, ambos se perderam: mar adúltero./ Hoje, mudo, acompanho, olhos sôfregos, / Ulisses retornando ao mátrio útero. PENÉLOPE - Retornando do mar que me emoldura, / Ancoro em teus segredos, cidadelas. / De desvelos me nutres, me aquartelas / Desnudado do nauta e de procura. / Eternamente desejada e pura, / Em ti repouso rotas, amaino velas. / Dos perigos dos mares me encastelas / Em tuas celas de amor e de ternura. / Maravilhas que, meiga, me compensas / Depois de navegar, aventureiro, / Ocasos aleatórios, vagas densas, / Retorno sempre ao cais do amor primeiro, / Para recomeçar, feridas pensas, / Outras navegações, sempre janeiro. Poemas extraídos da obra O verbo sitiado (Bagaço, 1986), poeta, ensaísta e crítico alagoano Cicero Melo, selecionados pelo poeta e jornalista Iremar Marinho. Veja mais aqui, aqui e aqui.

ARTE DE JUDITH SCOTT
A arte da renomada escultora estadunidense Judith Scott (1943-2005), documentada no curta-metragem Outsider: The Art and Life of Judith Scott (2006), dirigido por Betsy Bayha.
2º Congresso Internacional Paulo Freire: O Legado Global & muito mais na Agenda aqui.
&
O certo & o errado no reino das ideologias, a poesia de Hélio Pellegrino, a música de Nobuo Uematsu, a arte de Mat Collishaw & Raoul Dufy, Danicleci Matias Souza & Park kids Locadora aqui.
&
Versos à flor da pele na prosa de um poema, o cinema de Jean-Luc Godard, a música de Sharon Corr, a escultura de Bertel Thorvaldsen, a poesia de Elke Lubitz & a arte de Luciah Lopez aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.
 

sexta-feira, outubro 20, 2017

DRUMMOND, RIMBAUD, LEMINSKI, MARITAIN, GILVAN LEMOS, JACOB DHEIN, GENÉSIO CAVALCANTI, CARIJÓ & SÃO BENTO DO UNA

CARIJÓ, SÃO BENTO DO UNA – Imagem: Céu de São Bento do Una, de Renatinha @Renatalcaet – Carijó, meu amigo, minhas mãos limpas e esta missiva: saudades de ontem, abraços de amanhã. Eu, Jutaí meinino, vou mais longe qual anjo do quarto dia no açude Velho que não viu o tempo passar: do Una a nossa comunhão na carreira da galinha, no carnaval dos imigantes portugueses da festa Valença e a criação de galo: cuidado com a cobra, sã0-betense! A gente só sente a picada de gente, coisa mais sem graça. Meus pés inoculados dos venenos mundanos pisam pelo Planalto da Borborema, mãos deitadas às sobrancelhas, estirando o cangote pra me livrar dos embaraços: muxoxos dos parentes, trejeitos dos estranhos que brigam por cacarecos, gente que só quer ser super-homem com seus super-poderes, gente que pede, pede, pede, Deus nem atende, gente que faz de tudo e o vento carrega a areia pro seu deserto, tudo uns chaleiras, remelentos arredios inescrupulosos, juntando troços, trapos de coisa que só vale pra moda, depois nenhuma serventia. Ninguém merece! Melhor o balanço e a curva dos quadris da morena sestrosa que passa impune dos nossos desejos, eu vejo e sinto, a me contentar com tão pouco, ninguém nasce pra viver na pobreza, a mulher é abundância, fartura de vida e as minhas bagagens repletas de sentimentos solidários, amor pra dá e quanta desventura! Eu vou. Por quê? Porque vou, porque sim, porque não, caramanchão, feliz das trepadeiras pelos oitões, a brisa nas varandas, água de coco, sonbra e água, a lembrar dos sítios do Serrote do Gado Brabo. Sou o que vai e volta, eterno retorno como os pardais estão voltando e Alceu cantando bonito na minha solidão que é um noturno sem música, neblinas e serenos na noite dos abraçados. Sou tão estrangeiro quanto o espaço terrestre além dos cem, e vi Cecília entre leões e o defunto aventureiro com o morcego cego: Morte ao invasor! A inocente farsa da vingança ns olhos da treva & os emissários do diabo na rua padre Silva, nada, é só quarta-feira de cinzas na Matriz do Bom Jesus. Ah, quem me dera, Carijó, sonhar entre as águas desse rio que nasci e vou daí, de Capeiras, melhor dizendo, por aí até a várzea que vai dar no mar. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com a música do compositor, arranjador e maestro Rogério Duprat (1932-2006): The Brazilian Suite, Nhô Look & Brasil com S; da cantora, violonista e compositora Rosa Passos: Romance, Festival Jazz Vitória-Gasteiz & Live at Jazz Lincoln Center; da banda britânica formada por Roland Orzabal & Curt Smith, Tears for Fears: Tears roll down & Going to California; e da cantora e compositora Liah Soares: Quatro Cantos & Sere Nere. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Partindo de uma concepção de vida denominada por um relativismo geral e pela dúvida universal em relação a tudo que possa ligar a conduta humana aos fins e aos valores mais elevados que os interesses do próprio individuo, - o que resulta, em última análise, é a arte de ter êxito no mundo. [...]. Pensamento extraído da obra A filosofia moral (Agir, 1964), do filosofo francês Jacques Maritain (1882-1972).

COMPETIÇÃO
Os garotos, os cães, os urubus
Guerreiam em torno do esplendor do lixo.
Não, não fui eu que vi. Foi o Ministro do Interior.
Fabulário Nacional extraído da obra Corpo: novos poemas (Record, 1984), do poeta, contista e cronista Carlos Drummond de Andrade (1902-1987). Veja mais aqui, aqui & aqui.

CRIME PASSIONALProcesso-crime 09 – Réu: Antonio Matias Marques. Vítima: Francisco José da Silva. Antonio Matias morava no sitio Tatu. No dia 14 de setembro de 1877, ao retornar, noite alta, de uma viagem ao povoado de Canhotinho, encontra sua mulher a dormir com um estranho na cama do casal. [...] que passando em casa dele testemunha no dia quatorze do corrente, pelas dez horas da noite, pouco mais ou menos, vindo de uma viagem a Canhotinho, Antônio Matias Marques, e dali depois de cear, seguiu dito Marques para casa de sua residência, no lugar Tatu, e batendo á porta e chamando pela mulher, ninguém lhe falou; então dito Marques furou a parede e abriu a porta; entrando no quarto, encontrou sua mulher deitada com Francisco José da Silva, ambos dormindo, e estando este nu ali, Marques lançou mão de uma espingarda do mesmo Francisco José da Silva, que ali estava encostada e disparou-a no infeliz Francisco, dando depois com a mesma arma diversas pancadas; e isto sabe por lhe haver dito o mesmo Marques, logo depois de haver praticado o fato, indo à casa dele testemunha, entregar-lhe uma chave para dar a Martinho, dono da casa em que ele morava, visto como tinha em um dos quartos da mesma casa uns objetos pertencentes ao dito Martinho, assim como entregara a ele testemunha os filhos para mandá-los levar à avó, e no mesmo ato saíra ele testemunha com pessoas de sua casa, em direção à casa do Marques, para ver se com efeito era certa aquela história que ele contava, e prestar algum socorro ao ferido; encontrou o mesmo ferido, prostrado sobre a cama, deitando sangue, ainda depsido de toda a roupa, a mulher de Maques sentada na mesma cama, e uma menina nos pés da cama, sendo que a chave que lhe entregara Marques, era da porta do quarto onde estava Francisco José da Silva ferido e entregara a dita chave a ele testemunha [...]. Como se vê, o gesto de Marques fora de previdência e sabedoria. Usando de cautela, conforme se depreende do depoimento transcrito, conseguira ele valioso testemunho para o flagrante de adultério da esposa, fato de decisiva importância quando tivesse de ser julgado pelo júri. [...] Denunciado no dia 1º de outubro de 1877, pelo Adjunto de Promotor, Cândido Américo Galvão, somente em 22 de novembro foi o réu pronunciado incurso no art. 193 do Código Criminal. O libelo foi oferecido em 11 de outubro de 1878, insistindo a promotoria nas sanções penais citadas. Entrega-se o réu à prisão em 15de outubro de 1866, nove anos após a execução do delito, sendo-lhe designado o dia 12 de novmebro para comparecer à sessão do júri. Submetido a julgamento, Antonio Matias é unanimemente absolvodp pelos juízes de fato, passando-se-lhe, incontinenti, o alvará de soltura. O júri lhe fora sensível à causa, na opinião geral, considerada simpática, segundo os autos. Trechos extraídos da obra Inocentes e culpados do Tribunal de Juri de São Bento: síntese histórica do homicídio 1818-1930 (CEHM, 1986), de Sebastião Soares Cintra que, em nota introdutória, assinala que [...] De 1818 a 1930, - segundo os arquivos remanescentes na Comarca -, verificaram-se 84 homicidios na jurisdição de São Bento [...] Resta-nos aos são=bentenses a esperança de que esse quadro possa regredir, pela evolução moral dos filhos desta terra [...] Derivativo dos sentimentos inferiores da índole humana, ou objeto de resgate dos antaganismos exacerbados, o homicídio persistirá até que se atinha o sonhado estágio social de preponderância do homo morabilis, isto é, do homem “maduro e imputável”. Na apresentação do livro, o historiador, jornalista, lexicógrafo, pesquisador e compositor Nelson Barbalho (1918-1993), assevera que: [...] O material colhido e apresentado no livro finda em 1930 e entremostra-se espantosamente rico de atrocidades e barbarismos levados às raias da loucura e de homicídios puros e simples em numero de 84 durante pouco mais de um século. E depois? [...] Tudo caminha para pior, por conseguinte, e a “civilização” branca e cristã, aqui nas plagas nordestinas, é embromação para inglês ver, tema para debates cretinos na TV, assunto para sermões de padres pançudos e comedores de beatas safadas – pura demagogia e nada mais. A vida é cruel e triste; e o robusto livro de Sebastião Soares Cintra o diz bem melhor que minhas pobres e desenxabidas palavras. Veja mais aqui.

A ETERNIDADE
De novo me invade.
Quem? A Eternidade.
É o mar que se vai
Como o sol que cai.
Alma sentinela,
Ensina-me o jogo
Da noite que gela
E do dia em fogo.
Das lides humanas,
Das palmas e vaias,
Já te desenganas
E no ar te espraias.
De outra nenhuma,
Brasas de cetim,
O Dever se esfuma
Sem dizer: enfim.
Lá não há esperança
E não há futuro.
Ciência e paciência,
Suplício seguro.
De novo me invade.
Quem?
A Eternidade.
É o mar que se vai
Com o sol que cai
.
Poema extraído da obra Rimbaud Livre (Perspectiva, 1993), do poeta Arthur Rimbaud (1854-1891). Veja mais aqui, aqui & aqui.

O ANJO DO QUARTO DIA - Estranho ela achava; que ninguem a chamasse num grito? Ana! Apelo, procura: Ana! Que seu nome não ecoasse modulado pelas enconstas das serras, não vibrasse ao saber dos ventos: Aaaaaaaana! Que o solo do Grotão, sentindo-lhe os pés, o peso do corpo; que as árvores do Grotão, olhando-a de oonge; que os ares do Grotão, envolvendo-a, desconhecessem a invocação de seu nome. Mesmo quando lhe era permitido afastar-se mais um pouco à procura dum pau de lenha, duma erva para o chá, dum ninho de galinha, sabia que sua presença não seria reclamada, tampouco no desespero dum grito. Não era estranho? Somente por extrema necessidade, em algum sábado, de madrugada, deixava o Grotão, sua asinha lá entre serrotes, matolão nas costas, cheio o matolão. Isso quando o enchia. Às vezes mais de mês para enchê-lo. Renda de bilros, bruxas de pano, tatuzinhos esculpidos na madeira de imburana, tão bem feitinhos, serviam de paliteiros; galinhos, peruzinhos revestidos de penas verdadeiras, para enfeite de mesa. Tudo do seu trabalho, de sua jabilidade, sem ninguém, ter ensinado ela fazia, desde mocinha. Era uma artista com os dedos, a paciência de artesã solitária, o poder de botar nas coisas em que pegava uma parecença de vida, de objeto requerendo muito amor e carinho. [...]. Trecho extraído da obra O anjo do quarto dia (Globo, 1987), do escritor Gilvan Lemos (1928-2015), que na obra Neblinas e serenos (Bagaço, 1994), narra: [...] À noite perdia o sono, chorava por ele. Seu outro menino estava doente. Doente de uma doença para a qual o chá de cidreira não servia. Nem essência de cravo nem a lama de pote nem o emplastro de pirão de farinha. Nem ao menos sua presença ao lado da cama, alisando-lhe a testa. [...]. Veja mais aqui, aqui & aqui.

POR QUE ESCREVO
Escrevo. E pronto. Escrevo porque preciso, preciso porque estou tonto. Ninguém tem nada com isso. Escrevo porque amanhece. E as estrelas lá no céu lembram letras no papel quando o poema me anoitece. A aranha tece teias. O peixe beija e morde o que vê. Eu escrevo apenas. Tem que ter por quê?
Razão de ser, do escritor, critico literário, tradutor e professor Paulo Leminski (1944-1989). Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

Veja mais:
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

ARTE & ENTREVISTA DE GENÉSIO CAVALCANTI
Depois do lançamento de diversos livros de poesias, músicas em vários CDs, dois DVDs & realizar recitais e apresentações em diversas localidades, o poeta Genésio Cavalcanti concede entrevista exclusiva pra gente, falando de sua vida, sonhos, realizações, projetos & trabalhos. Confira a entrevista completa aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do artista plástico estadunidense Jacob Dhein.
Veja mais aqui.

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

FERNANDO PESSOA, MOACYR SCLIAR, EÇA DE QUEIROZ, THOMAS KUHN, MARITAIN, SEBASTIÃO UCHOA LEITE, TSUGOUHARU FOUJITA & PROEZAS DO BIRITOALDO


 
A arte do pintor modernista japonês Tsugouharu Foujita (1886-1968).


PROEZAS DO BIRITOALDO - XI - Quando a corda arrebenta, a covardia fica de plantão - Biritoaldo era genioso, espalha-brasas, um cabra de rede rasgada, intrépido por desconhecer limites para suas artimanhas, destemido de enfrentar muxôxos reprovadores e bote vigor para reinar nas presepadas. Era um sujeito de beiço virado, esse. É certo que não reproduzia nunca, jamais, as qualidades chaboqueiras porém decentes das figuras paternais. Ao contrário, unânimes e veementes, acentuavam-lhes os desvios peculiares às causas perdidas: - Pau que nasce torto morre troncho com o espinhaço envergado numa coivara de cabeça pra baixo nos quintos dos infernos! - Eita, bôba-torreiro! Também, fez por onde ter a honra dos velachos mais desprezíveis e a repugnância dos mais achegados, distantes e desconsiderados. - Bicho do berro bom prova que tem sustância! -, chega falava ancho, de papo cheio, ufano, defendendo-se do desdém. Os pais não mais se deixavam levar por seus pisoteios antes graciosos e tão risíveis a ponto dos genitores quase morderem as orelhas de tão encantados com seus malabarismos endemoninhados, vendo-lhes, agora, só de esguelha, parece que já adivinhando as futuras aprontações que lhe sairia por desacerto. Pior: o que antes era a razão maior na felicidade do casal, agora só amargava reprimendas insistentes pra ver se desentortava o rapaz que num tomava jeito maneira nenhuma. Desapontado, Birito remoía consigo, sem platéia para afagar-lhe o ego, todos vacinados de suas estripulias. Mãe Nega que ainda paparicava suas chochas e meleguentas artimanhas: - Seja macho, não corte vara, sujeito! Boi sabe a rede que fura! No entanto, sua vida tinha que mudar, sair daquele aperto encarcado. Ah, se tinha. E já quase na maioridade, pertinho de homem-feito, ora, continuar de palerma portador do maior vacilão, não empata, pula fora. Estava já com o couro esticado das suas mazelas. - Sou ou não sou filho de Deus, caralho? Quem fica com a bunda na poltrona esperando dinheiro, é puta! Eu não, vou à luta! E foi. Sabe como? Contorcendo-se por forçar a prontidão do anjo-da-guarda. Foi mesmo. Espremeu-se tanto do acocho espragatá-lo todo. Chamou na grande, invocou com toda fé do coração, a ponto do quengo feder a chifre queimado e a bosta incensar o ambiente. Ora, sabia que tal entidade se escondera dele desde sua nascença, deixando-o na maior saia justa. Agora, era hoje de se ajustar tintim por tintim com recôndita entidade e acertar os ponteiros de sua aziaga vida. - Eita gota, quase cago nas calças. Ih! Isso é coisa de corno mesmo! A coisa foi se movimentando, um estalido meio brusco, ininterrupto. Fumaceiro brabo, fez-se. Mistério de mudar as cores das coisas, escurecer o dia, amanhecer a noite, desvirar o mundo de papo pro ar, tudo paralisado no tempo, estático, estrondos ensurdecedores, a terra escavoucada, árvores desenraizadas, água se solidificando, o mundo rangendo e Birito tremendo que só vara verde. Um fedor de alho foi surgindo e se transformando no ar. Era ele. Verdade! Era, emergindo do oco da terra num fiapo de fumaça. - Como é, hem? Desembaça ou fica nessa de chove num molha, hem? E o anjo aparecera parece com defeito de imagem, ora inteiro, ora apenas a penumbra, saltitante por se livrar daquela fria de quem já perdera o prazo e corria à revelia. Pitava o fumo ofegante e repetindo com voz fanhosa... - Mandu-sarará! Sambari! Tamaquaré! Mando-tiro-tiro-lá! Oh li-li-li-ó! Ó zarizé zariguê com sariguê! Ji-nongonongo!... - Vôte, capiroto! Ouvia-se um fungado intermitente deslocando-se daqui pralí, tudo muito confuso. Aí, Birito não se fez de rogado, mesmo torando o aço exigiu responsa no caso e o enquadramento dos afazeres protetores da sua pobre alma penada, botou pra fora uns xingamentos, fez fincapé nas exigências e chutou o pau da barraca na maior bronca. Um raio fulminou. - Oxente, você é ou não é o meu anjo-da-guarda, porra? - Mandu-sarará, sambari.... O devotado deu-lhe a impressão de um unípede invisível, enrolando dizeres, trupicando nos ares e bulindo na sua frente... - Vôte! Isso é lá santo que se venere! Parece mais o capiroto! - Mandu-sarará! Sambari.... - Danou-se, o cabra só tem uma vida e ter saci pererê como anjo-da-guarda, é o cúmulo dos cúmulos! - Tem encôsto! O teu sal tá se pisando, nego! - Se assunte, nego! - Tem encôsto! - Valha-me deus, que esse é empacado! Olhe, assuma seu posto e passe logo os meus desejos que quero sair dessa vida de merda, viu? Vamos, cumpra sua jornada de trabalho que o senhor só tá na moleza desde que nasci. Quero ver seu livro de ponto! - Sou anjo-da-guarda, num sou gênio da lâmpada não, Aladim de araque! - Não seja desatencioso comigo, seu desaforado! Tem que satisfazer meus desejos, se tem! Ou então boto advogado e vou brigar na justiça exigindo indenização, seu infeliz-das-costas-ôcas! Olhe, que eu mando você para a puta-que-pariu, santo de bosta! Duvide não, viu? Eu sou a bola que ninguém nunca chutou, sabia? - Sem registro! Favor tentar novamente noutra oportunidade. Câmbio! - Deixa de molecagem, isso aqui num é terrorista afegão nem desalmado imperador norte-americano, não, viu? Num cisque comigo que num tô pra jogar conversa fora! - Tem encosto!  - Desenrole, vá! - Ihh! Erro de soquete. A sua conexão não pode ser efetuada. Senha bloqueada. Tilti. O remoto não responde, verifique suas configurações e depois refaça sua conexão. Tilti! - Oxe, agora deu, só me faltava essa! Ponha-se no meu lugar e veja a merda que você me deixou, seu estropiado! - Sua solicitação encontra-se fora da área de cobertura ou a conexão está temporariamente desligada. Tente mais tarde! - Pronto! Agora deu! Será o fim do mundo! Ora, chegou a hora da onça beber água, vamos, cumpra logo o seu papel, aloprado! - Tem encosto! - Desembucha! Deixe de enrolança! Arrume logo uma galegona gostosa feito a Elaine Mickeli com aquela bocona de engulir a gente todo, bote logo um Porshe, uma Ferrari, ali uma cobertura, uma conta com saldo sem limite, empregados escravos para meu bel-prazer. Bora, se avexe e recupere o tempo perdido e faça eu mandar na política, na polícia, no judiciário, o país todo babando meus ovos, passe livre para estuporar qualquer um que me enjeitar, sair na televisão todo dia, ser aplaudido nos estádios de futebol, fama para ser respeitado mais que Pelé... se avie, me tire logo dessa de cachorro sarnento... é, com isso começa a pagar o que me deve! - Tem encosto! Você foi rebaixado para a vigésima divisão da vida! - Tô perdendo a paciência com tua embromação, nego-duma-figa! - Você num se compara nem com um cabrito, seu bosta fedida! - Será que eu pisei em rastro de corno?? Só sendo.... Êta sina desastrada essa minha, até o protetor quer me lascar em bandas! - Tem encosto! -, e o bicho tava puxando um fogo da vista ficar neblinando, assim, carburando idéias, sacumé? Maior pasmaceira no reduto e a inhaca de marijuana se enfiando no buraco da venta do desinfeliz solicitante. - Que enrolança é essa? Tá pegando fumo, é? Santo cheio dos braquearo já dá pra ver o tamanho da peta! O negócio tomou prumo com a ofensa. As coisas desencarnaram e tornaram a encarnar, destrambelhando tudo até que o vuque-vuque se estatelou com o anjo preto falando sério pro seu devoto. - Olhe: toda terça e sexta... da meia-noite.... às duas horas... você sai correndo... passa pelos sete adros de igreja... sete vilas acasteladas... sete partidas do mundo... sete outeiros... sete encruzilhadas... até regressar ao mesmo espojadouro... onde readquire sua fé. Diga três "Ave Maria"... ajoelhado e com toda fé do seu coração... haverá um grande estouro!... Rebentando!... Não afraqueje! Persista!... Depois duns cinco minutos assim... calado... passe a mão no furico e enfie o maior-de-todos com a maior força... dê um aperto na pêia dela avermelhar inchada... esbofetei-se... dê um cascudo com toda força no seu próprio quengo... se continuar acordado, diga: Valhei-me Nossa Senhora! Pronto! E some-se o encosto!... Pegue esse sino saimão... reze quatrocentos e cinqüenta e cinco Pais Nossos de cu pra cima... dois mil Creio em Deus pai sentado numa quina de pedra de ponta.... do cu ficar em carne viva... dê uma cagada... e uma mijada... coma sua própria merda... tome um copo do seu próprio mijo para tirar o gosto ruim... e depois... durma em paz, seu filho de uma porca parida... Tome, guarde direitinho, viu? Aprendeu tudo? - Só se fosse um estrupício de decorar tudo isso num instantim assim, ora, nem a cega-dedé fuderia nessa ligeireza, ora! Bote moral e fale direito comigo, senão, senão! - Toda terça e... - explicou tudo direitinho, com todos os pontos nos iis. - Sacou, boboca-da-cara-de-tacho? - E o que acontece? Fico vivo ou caio morto? - Faça isso e seu futuro nefasto vai mudar prum paraíso no céu! - Hum, sete.... sete... sete... sete... eita! Esse negócio de merda e mijo é que tá pegando... nunca vi um despacho desse! Ô, malasombrado, tu num tá pintando o sete comigo não, num é? - Tô te redimindo, buzuntão! - Que é que é isso? Parece mais que tu quer me matar, desgraçado! Isso num é penitência, é pagamento de trambique com o diabo com o condenado de cabeça-pra-baixo pendurado pelos ovos e queimando pelos inferno adentro! - Tô desentortando tua vida! Essa é tua penitência. - "Leu, leu, leu, se eu dessa escapar nunca mais boda no céu!" Foi aí que se deu um traque pipocado, daqueles de peido-de-véia, e o bicho sumiu talqualmente aparecera, cheio de emboança. Tudo ao normal agora, Birito espremia as vistas para melhor apreciar a redondeza e ver no que tinha dado aquilo tudo. - Danou-se! -, balbuciou tomando pé na situação. Caçou dos lados para ver se via alguma coisa e apenas uma voz se insinuava como a dos do outro mundo. - Tô aqui, viu? Birito arrudiou-se e nada vira, quase dá uma volta inteira no pescoço de dar um nó e cair duro. - Isso é brincadeira, amolestado!?! - Tô aqui, viu? Investigava direitinho e nada bulia ao seu redor. Estava invisível. Birito então, se recompondo de tudo, estufando o peito, sacudindo a coisa-ruim do corpo, enfrentando a circunstância, fez sermão de que o bode da vida havia dado uma marrada certeira no seu destino de banguela e que agora queria sua parlapassada lampeira e justa pra ficar de pernas pro ar, de catrâmbias, de colhões ao vento, só gozando das boas coisas que este mundão de meu deus tem para ofertar a qualquer ser vivente que nasce com uma estrela na testa. - Tô vendo, tô aqui, viu? E que ele num tratasse aquilo por gungunhana não, que ele tava definhando a olhos visto e por ser valetudinário merecia, agora, depois de tanta apertura e sofrência, o seu velocino de ouro, porque era devoto cagado e mijado do Frei Damião Bozzano, e tava na hora de minimizar seus aperreios, suas mandingas e bafafás. Sabia ele que havia perdido a hora porque não matou o galo na primeira noite, que nem davam um píris de doce para o seu dicomer, e já matutavam traição para esgoelá-lo na primeira esquina, ensinando o que ele já sabia, tomando o que ele possuía, que corria da coisa ruim com os bofes saindo pela boca, tudo se acabando pra banda dele. Agora, não, entendia do riscado e estava certo que mereceria benesses muitas com mulheres bonitas lambendo o solado dos seus pés, homens para carregá-lo nas costas, prazeres diversos ao seu dispor com mesas lautas e acepipes delicados e abundantes no meio da arrumação de garrafas das bebidas mais finas e do melhor quilate para se esbaldar e causar inveja nos de olho grande, dos seca-pimenteira e dos mau-olhado. - Tô vendo, tô aqui, viu? Nessa hora Birito foi se esfolando e se comovendo, chegando a passar na sua cabeça a figura paterna, Manuel Bertulino, homem probo de riscar em cima da linha e num desinretar um só milímetro do exato. Também da materna afeição de Táquia, sempre com afagos nas suas maiores empioradas acometidas nas horas mais estreitas. Da mãe Nega, a avó com todas as guloseimas juninas saboreadas desde tenra idade. Da tia Nevinha, sempre a bola da vez nas horas de aperto na safadeza, esfregando-lhe o pingulim no meio dos carões. E rememorava que namorou com ela, a tia desconfiada, reprovava a encenação do bicho. E se lembrou do bule quente do batizado, o ódio do sacristão que era também vizinho, amigo do pai dele, inventando, numa doidice, de sair construindo igreja pelos bairros. Do casal quasímodo, tanto o Ancheta, um velhaco chato, quanto Ternência, gostosona feito tanajura que se ensaboava toda tarde nua no quintal da casa para seu brechado por cima do muro e das quedas que levou amolegando a pêia enquanto ela se banhava. Lembrou-se da lapada da infância, doendo no quengo quando viu o piruliteiro de novo e queria se vingar. O dinheiro surrupiado da gaveta do balcão dos avós paternos era o seu bem-bom. As maleitas que lhe consumiam junto com os aniversários em anos bissextos, num tinha ungüento que salvasse do quebranto maldito, ficando arriado meses na cama. O pai que não achava mais graça no seu pisoteio. Era reclamo só. A mãe, coitada, imaginou um honrado médico, via-lhe, decepcionada, um traste. O tio Nestoldo era quem dava um certo apoio, também era outro perdido, botava o menino em maus caminhos. Sabia que se safara de tudo até agora, que ninguém ousara meter-lhe uma pisa, só a vida madrasta enganchava o destino numa roda-viva de recaídas enfermidades e contratempos. - Tô vendo, tô aqui, viu? - Porra! Cê só diz, tô vendo, tô aqui, viu? Mais nada? Resolva logo que quero enricar da noite pro dia! Foi aí que Birito acordou-se com o azáfama que faziam Penisvaldo e Rolivânio. - Dormindo meio dia em ponto no meio da rua, abestalhado? -, mangou Penisvaldo. - Que foi? Que foi? -, aturdido Birito estava mais pra cego em meio de tiroteio que pra vivo! - Tu tá com jeito que desmaiasse assim, sem mais nem menos e o cachorro lambendo a tua cara para te acordar, bicho-ruim! -, explicou Rolivânio. - Cês tão rindo da minha cara, né? - Héhéhéhéhé!!!!! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.


PENSAMENTO DO DIAAs mudanças de paradigma realmente levam os cientistas a ver o mundo definido por seus compromissos de pesquisa de uma maneira diferente. Na medida em que seu único acesso a esse mundo dá-se através do que vêem e fazem, poderemos ser tentados a dizer que, após uma revolução, os cientistas reagem a um mundo diferente. Pensamento do físico e filósofo da ciência estadunidense Thomas Kuhn (1922-1996). Veja mais aqui.

ALGUÉM FALOU DO AMORTodas as cartas de amor são ridículas / Não seriam cartas de amor se não fossem / Ridículas. / Também escrevi em meu tempo cartas de amor, / Como as outras, /Ridículas. / As cartas de amor, se há amor, / Têm de ser / Ridículas. / Mas, afinal, / Só as criaturas que nunca escreveram / Cartas de amor / É que são / Ridículas. / Quem me dera no tempo em que escrevia / Sem dar por isso / Cartas de amor / Ridículas. / A verdade é que hoje / As minhas memórias / Dessas cartas de amor / É que são / Ridículas. / (Todas as palavras esdrúxulas, / Como os sentimentos esdrúxulos, / São naturalmente / Ridículas.). Extraído da obra Poemas de Alberto Caieiro (Ática, 1974), do poeta e filósofo português Fernando Pessoa (1888-1935). Veja mais aqui.

METAFÍSICA – [...] A Metafísica estuda o ser enquanto ser, mas por isso mesmo deve estudar a causa do ser: eis a razão porque a sua parte mais elevada, que é por assim dizer a sua coroa, tem por objeto Aquele que é o próprio Ser subsistente. Chamam a esta parte da Metafísica Teologia Natural. [...]. Trecho extraído da obra Introdução geral à filosofia (Agir, 1970), do filosofo francês Jacques Maritain (1882-1972). Veja mais aqui.

A NOITE EM QUE OS HOTÉIS ESTAVAM CHEIOSO casal chegou à cidade tarde da noite. Estavam cansados da viagem; ela, grávida, não se sentia bem. Foram procurar um lugar onde passar a noite. Hotel, hospedaria, qualquer coisa serviria, desde que não fosse muito caro. Não seria fácil, como eles logo descobriram. No primeiro hotel o gerente, homem de maus modos, foi logo dizendo que não havia lugar. No segundo, o encarregado da portaria olhou com desconfiança o casal e resolveu pedir documentos. O homem disse que não tinha, na pressa da viagem esquecera os documentos. — E como pretende o senhor conseguir um lugar num hotel, se não tem documentos? — disse o encarregado. — Eu nem sei se o senhor vai pagar a conta ou não! O viajante não disse nada. Tomou a esposa pelo braço e seguiu adiante. No terceiro hotel também não havia vaga. No quarto — que era mais uma modesta hospedaria — havia, mas o dono desconfiou do casal e resolveu dizer que o estabelecimento estava lotado. Contudo, para não ficar mal, resolveu dar uma desculpa: — O senhor vê, se o governo nos desse incentivos, como dão para os grandes hotéis, eu já teria feito uma reforma aqui. Poderia até receber delegações estrangeiras. Mas até hoje não consegui nada. Se eu conhecesse alguém influente... O senhor não conhece ninguém nas altas esferas? O viajante hesitou, depois disse que sim, que talvez conhecesse alguém nas altas esferas. — Pois então — disse o dono da hospedaria — fale para esse seu conhecido da minha hospedaria. Assim, da próxima vez que o senhor vier, talvez já possa lhe dar um quarto de primeira classe, com banho e tudo. O viajante agradeceu, lamentando apenas que seu problema fosse mais urgente: precisava de um quarto para aquela noite. Foi adiante. No hotel seguinte, quase tiveram êxito. O gerente estava esperando um casal de conhecidos artistas, que viajavam incógnitos. Quando os viajantes apareceram, pensou que fossem os hóspedes que aguardava e disse que sim, que o quarto já estava pronto. Ainda fez um elogio. — O disfarce está muito bom. Que disfarce? Perguntou o viajante. Essas roupas velhas que vocês estão usando, disse o gerente. Isso não é disfarce, disse o homem, são as roupas que nós temos. O gerente aí percebeu o engano: — Sinto muito — desculpou-se. — Eu pensei que tinha um quarto vago, mas parece que já foi ocupado. O casal foi adiante. No hotel seguinte, também não havia vaga, e o gerente era metido a engraçado. Ali perto havia uma manjedoura, disse, por que não se hospedavam lá? Não seria muito confortável, mas em compensação não pagariam diária. Para surpresa dele, o viajante achou a idéia boa, e até agradeceu. Saíram. Não demorou muito, apareceram os três Reis Magos, perguntando por um casal de forasteiros. E foi aí que o gerente começou a achar que talvez tivesse perdido os hóspedes mais importantes já chegados a Belém de Nazaré. Extraído da obra A massagista japonesa (L&PM, 1982), do escritor e médico gaúcho Moacyr Scliar (1927-2011). Veja mais aqui.

CRIME DO PADRE AMARO - [...] Meu caro padre-mestre. – Treme-me a mão ao escrever estas linhas. A infeliz morreu. Eu não posso, bem vê, e vou-me embora, porque, se aqui ficasse, estalava-me o coração. Sua excelentíssima irmã lá estará tratando do enterro... Eu, como compreende, não posso. Muito lhe agradeço tudo... Até um dia, se Deus quiser que nos tornemos a ver. Por mim conto ir para longe, para alguma pobre paróquia de pastores, acabar meus dias nas lágrimas, na meditação e na penitência. Console como puder a desgraçada mãe. Nunca me esquecerei do que lhe devo, enquanto tiver um sopro de vida. E adeus, que nem sei onde tenho a cabeça. — Seu amigo do C. — Amaro Vieira. P.S. — A criança morreu também, já se enterrou. [...] E pondo-se diante, galhofando:— Ó Amaro, e você a escrever-me que queria retirar-se para a serra, ir para um convento, passar a vida em penitência.O padre Amaro encolheu os ombros:— Que quer você, padre-mestre?... Naqueles primeiros momentos... Olhe que me custou! Mas tudo passa... — Tudo passa, disse o cônego. E depois de uma pausa: — Ah! Mas Leiria já não é Leiria! [...].Trechos da obra O crime do padre Amaro (Tres, 1972), do escritor português Eça de Queiroz (1845-1900). Veja mais aqui e aqui.

A VERDADEIRA DIALÉTICAAí os caçadores chegaram / mataram o lobvo e abriram a barriga / e encontraram a vovozinha / toda mastigadinha / quanto a chapeuzinho vermelho / eles comeram. Extraido de Obra em dobras (Duas cidades, 1988), do poeta, ensaísta e tradutor Sebastião Uchoa Leite.


A arte do pintor modernista japonês Tsugouharu Foujita (1886-1968).




Veja mais sobre
O encontro das sombras e olores, Cyro dos Anjos, Denis Diderot, Violeta Parra, Marieta Severo, István Szabó, Leo Putz, Erika Marozsán, Ida Rubinstein aqui.

E mais:
A Trupe do Fecamepa aqui.
Proezas do Biritoaldo Quando Risca Fogo, o Rabo Inflamável Sofre Que Só Sovaco de Aleijado aqui.
Painel das fêmeas, Lao Zi, Richard Flanagan, Heinrich Heine, Sally Nyolo, Fabiana Karfig, Gaspar Noé, Howard Rogers, Musetta Vander & Ação civil pública aqui.
Big Shit Bôbras: a chegada & primeira emboança aqui.
A Primavera de Ginsberg, Frederick Chopin, Valentina Igoshina, Paula Vogel, Jane Campion, Karl Briullov, Andréa Beltrão, Meg Ryan, Mademoiselle Dubois, Psicologia & Direitos Humanos, Cordel do Professor & Ísis Nefelibata aqui.
Lição pra ser feliz, Fernando Pessoa, Rajneesh, Graciliano Ramos, Aristófanes. Adriana Calcanhoto, Buster Keaton, Mikalojus Konstantinas, Victor Gabriel Gilbert & Literatura Infantil aqui.
O sonho de Desidério & Emmy Rossum aqui.
Literatura de Cordel, A mulher escandinava, Ettore Scola, Francisco Julião, Jarbas Capusso Filho, Sophia Loren, Linguística, Shaktisangama-Tantra, Fetichismo & Abacaxi aqui.
Albert Camus, Robert Musil, Maceió, Jools Holland, Denys Arcand, Pál Fried, Sandu Liberman, Eugene Kennedy, Anna Luisa Traiano, Lady Gaga, Gestão do conhecimento & Capital humano aqui.
Durkheim, Rodolfo Ledel, Claudio Baltar, Micahel Haneke, Samburá, Juliette Binoche, Ernesto Bertani, O artista e a fera, Janaína Amado, Intrépida Trupe, Direito & Mauro Cappelletti aqui.
Big Shit Bôbras aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Leitora parabenizando o Tataritaritatá.
Veja aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
 Paz na Terra
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.

DIDI-HUBERMAN, LINDA DEANE, ADALYN GRACE & MARINÊS

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Das loas & toadas no cavalo-marinho... - O afamado artesão Tirésia já nasceu assim: cego e vaticinado...