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sexta-feira, novembro 10, 2023

JUDITH BEVERIDGE, ANNE PERRY, EMANUELE TREVI & MAURO MOTA

 

Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som dos álbuns Was kann das Herz dafür (2005), Herzenssache (2007), Dichtung und Wahrheit. Das Beste aus 10 Jahren (2013), Christmas with Salut Salon (2014), Salut Salon Live (2015) e dos DVDs Klassisch verführt (2009), Salut Salon. Der Film (2012) & A Carnival of the Animals and other Fantasies (2016), do quarteto alemão Salut Salon, formado pelas violinistas Angelika Bachmann e Iris Siegfried, pela pianista Anne-Monika von Twardowski e pela violoncelista Sonja Lena Schmid.

 

DECÁLOGO: EMPATENTRERRACERTOS... – Era uma vez e outra, quase sempre ressurreto pelas paisagens de silêncio das encruzilhadas, sem saber de nada até morrer pela primeira vez, porque mais de duas vezes vinte tentativas malogradas no alvo e eu ali efebo afoito de não sei quantas raspando a trave, tirando fino de todo jeito e no bambo da caçapa, até que enfim, graças, quantas humilhações, já sem autoindulgência e pronto para outra com todo entusiasmo pubescente deliberado de imberbe ousado. Isso era eu e a salvação no que dissera Marie Curie: Nada na vida deve ser temido, somente compreendido. Agora é hora de compreender mais para temer menos... Houve uma terceira, ipso facto, evidentemente divertida e no quarto foi surpreendente e deu azo a tanto, o tempo passava como se eu me mantivesse insenescente virado da breca mundo afora. Pra que contar das falhas se da quinta em diante nada mais incipiente sem quase nem fiasco de imperícia, era pura indignação porque já se passavam das seis e tão irritantemente emborcado pelas setes, quem sabe lá pra mais de oito mesmo, vai saber. Não me vira que nem Biritoaldo no inferno de Strindberg, era minha catábase no que fui Rimbaud, muito pior: ali o ambívio onde Tyrésias cometia um extispício para adivinhar meu futuro e a dizer Cecília Meireles: Pequenos desejos, vagarosas saudades, silenciosas lembranças... A vida só é possível reinventada... Nove mais uma e desinventava porque já perdia a conta nos dedos com todo abatimento pelos insultos da sorte e o que dizer dos desinformados com seus maiúsculos delírios e grosserias atrozes, como se as coisas fossem assim mesmo e não são. Ah, não! Não é pegar ou largar, não dá mais essa (e um parêntese: o planeta esquentando e Terra a sangrar nos andes bolivianos, no Cazaquistão e em Madagascar, ninguém nem aí se a gente findar dissolvido com os raios de explosões das quilonovas, valha-me! Não vai dar pra se esconder na Argolândia nem no raio que o parta!). Só diria que nunca é tarde apesar da desfeita patriotária: o que era para suplantar sequer chegamos perto, só retrocedemos ribanceira abaixo! Quem teria brio... Era Frida e eu renascido da segunda morte, todo pronto pro Quarup com a La Catrina de Guadalupe y Posada. E a dama memento mori tal carpideira uivante só porque mataram de novo o pianista Tenório Júnior e era uma desgraça atrás da outra, com o desembesto da Catirina pro meu Bumba-meu-boi: Mestre Tiá, tá tudo desconchavado. Porque tá faltando um parafuso... Mande a cantadeira cantá e os tocadô tocá que é pra podê eu funcioná!... E não foi pouco de noite quando me disse versos de Anne Sexton: E eu digo apenas com meus braços estendidos naquele lugar de pedra, qual é a sua morte mas um pertencimento antigo, uma toupeira que caiu de um de seus poemas... Pela décima milionésima vez e lá estava eu com o risco do salto mortal e eu dera cambalhota e destemido por um triz senão quebrava o pescoço e babau: a vida feita de vozes e caminhos plurais, a reinventar de mim cenários e gestos, a reexistir disruptivo e decolonial. Estamos todos no mesmo barco, entre as escolhas e arrependimentos, com o pavor dos acrófobos. Eu com meu amuleto de nada - Viva: a vida é uma festa! Mais será... Até mais ver!

 

KALUTARA

Imagem: Acervo ArtLAM.

Eu irei para Kalutara. \ Eu li sobre isso uma vez em um poema \ e foi conquistado por seu nome lindo e confuso. \ Isso me emocionou com o desejo pelo elegante \ pescadores magros com pernas pretas \ como corda com nós \ (brilhante e limpa para o sexo) \ meio escondido, sob sarongues pendurados \ como panos de prato. \ Sorrindo através dos dentes brancos \ e gengivas rosa brilhante \ são mestres perfeitos de sua pele e destinos finos \ e diariamente, eles pescam algo que vale a pena ter, \ ao vivo, balas de prata, \ algumas surras ainda bocas abertas, \ maltratadas. \ Mulheres vêm à praia com cestos e crianças, \ prontas para reivindicar o que é delas. \ Os homens de pernas finas gritam nomes, \ Lakshika, Hashani, Dini \ – e eles riem, seus olhos como fogo negro no mármore.

Poema da premiada poeta, editora e acadêmica australiana Judith Beveridge.

 

A FACE DO ESTRANHO - […] Muitas mulheres desperdiçam suas vidas sofrendo porque não têm algo que outras pessoas lhes dizem que deveriam querer. Se você está feliz ou não, depende até certo ponto das circunstâncias externas, mas depende principalmente de como você escolhe encarar as coisas, se você mede o que tem ou o que não tem. [...] Esteja ciente de que você só pode realmente ajudar as pessoas ajudando-as a se tornarem o que são, e não o que você é. Já ouvi você dizer: 'Se eu fosse você, faria isso ou aquilo'. 'Eu' nunca sou 'você' - e minhas soluções podem não ser as suas. [...] Se você está feliz ou não, depende até certo ponto das circunstâncias externas, mas depende principalmente de como você escolhe encarar as coisas, se você mede o que tem ou o que não tem. [...] Antes de sentir pena de si mesmo, olhe bem mais de perto para os outros e então decida com quem você mudaria ou poderia mudar de lugar e que sacrifício de sua natureza você estaria preparado para fazer para conseguir isso. [...]. Trechos extraídos da obra The Face of a Stranger (Ballantine, 2008), da escritora britânica Anne Perry (pseudonimo de Juliet Hulme). Veja mais aqui.

 

DUAS VIDAS - [...] eu não vou admitir uma dor ou uma doença nunca serve para nada, é apenas um consolo moralista e, em qualquer caso, eu desistiria de bom grado desses famosos frutos do sofrimento. Não nascemos para nos tornarmos sábios, mas para resistir, escapar, roubar algum prazer de um mundo que não foi feito para nós. [...] Porque vivemos duas vidas, ambas destinadas ao fim: a primeira é a vida física, feita de sangue e fôlego, a segunda é a que se passa na mente de quem nos amou. E quando até a última pessoa que nos conheceu de perto morre, bom, então realmente nos dissolvemos, evaporamos, e começa a grande e interminável celebração do Nada, onde as ferroadas da falta não podem mais picar ninguém. [...] a felicidade deveria consistir em cada vez menos atenção a si mesmo. Mais do que autocuidado! Quanto menos você souber sobre quem você é e o que deseja, melhor será para você. [...] Qualidades humanas ou literárias? Vá e distinga: as obras-primas são sempre, de uma forma ou de outra, secreções organizadas, como se um corpo fosse capaz de suar cristais ou confetes, em vez das habituais gotas banais e disformes. [...]. Trechos extraídos da obra Due vite (Neri Pozza, 2021), do premiado escritor e crítico italiano Emanuele Trevi.

 

MAURO MOTA, UMA BIOGRAFIA

... Tudo nos seus espaços, / o mundo e o carrossel. / Tudo menos o andejo / homem que se conclui. / Olho-me e não me vejo, / não sei para onde fui...

Trecho poema Natal, extraído da obra Mauro Mota e o seu tempo – biografia (AIP/Biblioteca de Jornalistas de Pernambuco, 1987), do advogado, jornalista, historiador e professor Nilo Pereira (1909-1992). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

 


domingo, janeiro 30, 2022

V. ALEIXANDRE, AUGUSTINA BESSA-LUÍS, ARMANDO LÔBO & JULIA BONDAR

 

 

TRÍPTICO DQP – Veneno Bento... – Inspirado ao som do recém-lançado álbum homônimo (Projeto Mucambo/CO.MO, 2022), de Armando Lôbo. - Nenhuma pegada e a rodagem sou eu na pisada de quem se perdeu pelas paragens do Catimbau dum sonho de Samico e não sei onde mais as curvas dos ventos. É só a poeira no vestido da mulher com seu manto vermelho, e se eu não sei quem é, segue ao meu lado e meus passos por onde houver caminho. Não sei se a Fera do Sol na seca da minha cabeça de voo matagreste pro litoral, e é para lá talvez o galope porque foi um sonho de Luiza na miragem de Marcela que dançava branca com Isaac no que restou de açude ali e acolá. Ouço o poeta aboiar lá longe para animar o gibão do fantasma vaqueiro que comigo perseguia o regaço no chão batido, como se o lengotengo fosse Romero altivo no que foi Raimundo de Lua&Barbalho e o lamento das horas, porque apagaram as lendas que as nuvens choraram noutro lugar. É só o abismo no dedilhado das violas e se disparo veloz é a voz de Surama que carpe incelenças porque vou subir até satori, onde Sue solfeja com se fosse um coral de fêmeas. Levo aboiado no peito e a disparada segura para driblar tocaias & hybris, morena ou cabocla, a salvação na alquimia da zabumba. Preciso já a garganta seca, se não há veneno bento não há vida, fica tudo incolor até que o diabo apareça no fundo da garrafa com episódios da vida de Block e sirva de unguento para salvar a noite de todos os dias e as coisas tais como são. O gole de nenhum castigo ou recompensa, à custa do que sou, sem engano ou tédio, ouvindo Luís Jardim: O que há de bom em nós é herança da criança que fomos. E as cores são muitas na festa do amanhecer.

 


Todo ápice cambaleia... – Inspirado no livro homônimo e inédito de Vital Corrêa de Araújo. - A beira do abismo é redonda e a poesia em queda livre no que não sabia de Heisenberg: O Universo não é apenas mais estranho do que pensamos, é mais estranho do que podemos pensar. A eternidade é inútil, o infinito é pequeno, quem não desmoronou, quem não soterrado pelas circunstâncias imprevistas. Quando eu vi a equação de Torricelli era a minha maçã de Newton e eu só queria o pomo da imortalidade de Idun, ledo engano. Nem adiantou ter feito o décimo primeiro trabalho de Hércules, as maçãs douradas do Jardim das Hespérides foram escondidas por Afrodite porque sou Sísifo e fadado à queda de Camus. Não sabia que a banana era a musa paradisíaca de Lineu, tudo porque desci ao inferno de Rimbaud como se fosse Galileu no alto da Torre de Pisa. Quanto equívoco e era eu a árvore envenenada de Blake, sonhando com as da Ilha de Avalon onde foi forjada Excalibur. Para quem perdido, só restava a estrofe final da Felicidade do poeta Nobel italiano V. Aleixandre (1898-1984): Canto o céu feliz, o azul que se desponta, / canto a felicidade de amar doces criaturas, / De amar o que nasce sobre as pedras limpas, / agua, flor, folha, sede, lâmina, rio ou vento, / amorosa presença de um dia que sei existe. Precisava desse dia, acaso existisse e talvez o que não sabia, porque me perdi por quantos parágrafos e tantos se opuseram ao que fiz ou deixei de fazer, feitos que nem lembro e imputam o que nada elucida, ah, chutei as evidências centrípetas e os segredos suspensos nos livros, aliás, pus tudo de lado para depois, era só do que me servia, a esperança nos tendões do amanhã.

 


A salvação de Pítia... - Imagem: arte da artista visual ucraniana Julia Bondar. - O que fiz ou deixei de fazer? Mandei meu ego dar uma volta no quarteirão e fui trocar de alma. Sim. A primeira que encontrei foi a dela: a camponesa consagrada pitonisa de Apolo na dança das chamas e eu mais que dionisíaco como se buscasse a árvore Bo entre o nascimento e a morte. Era uma jovem delgada que aspirava um fumo aromático das folhas de louro e da farinha de cevada queimada num altar jamais visto e me fez passar pelo oikis até o adyton que ficava no subsolo, para se agachar na frente de um túmulo no que se podia saber da fonte de Cassotis. Depois do ritual explicou-me que tudo foi feito para oficiar como se eu fosse um deus insular. Logo se entusiasmou só porque fui sorteado pela promancia e consagrou a mim a sua virgindade sob o império de Piton. Era bom para quem errou demais da conta e  me serviu purificada depois dos ritos preparatórios na fonte de Castália que brotou ao pé das Fedríades. Nem deu para piscar o olho e ela logo se arranchou nua com seu sexo no meu a dançar com tremores e convulsões agitadas, enquanto no êxtase dos lábios frases desconexas aravam meu coração e aliviavam o jugo da fatalidade, e temperavam de piedade o frio rigor das velhas leis e ensinavam a não desesperar. Depois do gozo extraordinário, ela me deu o talismã de ônfalo – a pedra sagrada encerrada em uma rede fita de lã branca, o umbigo do mundo. Fiquei maravilhado e lá para as tantas, já saciada de mim, disse-me Augustina Bessa-Luís: Só se pode sentir a evidência das coisas até um certo ponto: além disso, ou nos rebaixamos ou nos aproximamos do sentimento superior que nos liberta. De fato, o verdadeiro estado de liberdade é o de ultrapassar a imaginação. Era a cantiga da nova hora e o universo dentro de mim. E lá fui eu além do tempespaço sem ter que me valer da angústia do amanhã. Até mais ver.

 

E mais:

CANTARAU & OUTRAS POETADAS

POEMAGENS & OUTRAS VERSAGENS

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Vem aí o Programa Tataritaritatá. Enquanto isso, em 2022: 40 anos de ArtLAM & 20 anos do TTTTT. Veja mais aqui.

 


terça-feira, outubro 20, 2020

RIMBAUD, ELFRIEDE JELINEK, ZHANG YIMOU, NENÊ CAVALCANTI & DEMÉTRIO ALBUQUERQUE


 

TRÍPTICO DQC: TERÇA FEIRA, O TRÂMITE DA SOLIDÃO – Toda noite ali na minha visão esquálida de poeta amotinado, vou sozinho cortejando a vida na catarse de Gismonti. Todas as noites tal como o mar que nunca dorme, a perseguir um grande amor, voo todas as noites no cálice da agonia onírica dos casais dançando no menir do navio e seus namorados contornando o dólmen das fadas. E eu vou só a remover do labirinto febril a meio caminho da loucura. Todas as noites ali no meio da lua cheia que é tão fêmea eu vou sozinho e voo. Ah, como é tão imprudente semear o insopitável amor perdido que a esta hora é tão pernicioso e não se pode evitar nem repelir, ah eu vou sozinho e voo. Ah, todas as noites nesta longa noite longa onde é maior a solidão - um cobertor de inefável sonho, vou sozinho e voo. Ah! Quantos sonhos eu vi acabar e valeram iludir por que não sei agora nem de mim nem de nada, muito menos de mésons, de pobres rhesus, não sei nada da cidade perdida de Nko, no meio da selva africana, onde feiticeiros mortos reencarnam no corpo de gorilas amestrados, vou sozinho, pra quê exceder às necessidades coletivas, não sei, não sei nada e vou sozinho qual neurótico homo faber a renunciar da vida e pra que viver se vou sozinho e voo só. Ah! Como eu vivo sonhando no interior das aberrações de Fellini sigo itinerante e só amaldiçoado e só por amor e é por este desejo que passo as noites em claro todas as noites nesta noite e vou só pelo inventário de quem sorri, na vigilância de quem ama, na insônia de amar.

 


O LUGAR DOS SONHOS VOADORES – Imagem: cena do drama histórico-romântico Shi mian mai fu (2004), do cineasta, roteirista e produtor chinês, Zhang Yimou. – Do meu quarto o cenário incerto. Apenas era dia e eu não sabia: o banho da guerreira cega Mei, cobiçada pela paixão de dois soldados na missão de captura a um líder do clã das adagas voadoras. O encanto dela ao lavar-se, eu entretido. Naquele mesmo e instante, uma mão pousou ao meu ombro, virei-me e era a surpreendente presença da atriz Zhang Ziyi. Como podia? Ela sorriu docemente e me disse: Vamos para Cocaigne. Hem? Para onde? Ah, saber de mesmo, só muito mais tarde ao ter às mãos o volume de Jurgen, A Comedy of Justice (1919 - Prabhat Prakashan, 2017), do escritor estadunidense James Branch Cabell (1879-1958): Ilha situada adiante de Sargyll, reino de Anaitis, conhecida como Dama do Lago, suposta filha do sol e parente da lua. Ela viaja muito, demonstrando especial interesse em tirar os ascetas da trilha espiritual que conduz à canonização. Diz a lenda que o tempo adormeceu na ilha na hora mais agradável do dia e na estação mais prazerosa do ano e pode ser visto numa ampulheta de cristal guardada numa pequena câmara azul do palácio. Há somente uma lei nesse reino insular: “Faze o que parece bom para ti”. Nada muda jamais em Cocaigne e a vida é um fluxo interminável de prazeres curiosos. Não há arrependimento. Curiosa circunstância que relevei pela singular companhia. Chegando lá, providenciou que eu fosse logo levado à biblioteca, sabia da minha preferência por livros. A recepcionista explicou: contém registros de tudo o que o homem inventou em relação a prazer, bem como manuscritos raros de Astyanassa, Elephantisis e Satades. Podem-se ver uma coleção de fórmulas dionisíacas e um quadro de posturas eróticas. Dois volumes únicos, A litania do centro das delícias e As trinta-e-duas satisfações, são o orgulho da biblioteca. Dei-me por feliz, livros aos montes, prateleiras cheias, estantes muitas, volumes folheados, do tempo passar e nem me dar conta. Fui surpreendido ao anoitecer, ela reapareceu e me contou sobre o costume do lugar: Os convidados de Cocaigne são levados para uma sala branca com placas de cobre nas paredes. Ali são banhados por quatro moças que lhes fazem carícias estonteantes com suas línguas, unhas, cabelos e mamilos. Depois são untados com quatro óleos diferentes e vestidos, para então degustar as comidas típicas da ilha: ovos, grãos de cevada, pães vermelhos triangulares e romãs, acompanhadas de vinho misturado com mel. Assim foi e me regalei além da conta. À ceia, apenas eu e ela vestida por uma túnica transparente. Jantar concluído, duas serviçais que pareciam nipônicas, de mim se ocuparam para conduzir-me à alcova. Aboletado no leito, retiraram minhas vestes e deram início a um ritual com massagem estranha: uma aos meus pés e, a outra, à cabeça; e trocavam de lugar, deslizando os dedos em minha pele, demorando cada qual em fricções carinhosas no meu sexo logo enrijecido para que, a cada volta, tateassem combinando que uma entre elas tivesse vez à felação, como se competissem em se mostrar a melhor em me proporcionar prazer. Só solfejavam uma música desconhecida, ambas excitadas com a disputa. No auge da rivalidade, eis que ela adentrou levitando, dispensou as serviçais, abriu a túnica que escorreu por seu corpo nu abaixo e se aproximou com um beijo ardente e eterno.

 


VOO ONÍRICO DA INESQUECÍVEL PAIXÃO - - Imagem: a arte da escultora Nenê Cavalcanti (Maria das Neves Cavalcanti Moreira), que já participou de inúmeras exposições com as suas obras originais. – Daqueles olhos, toda ventura; daquela boca, tentação; daquele corpo, o meu refúgio e ela ubíqua, onipresente, presença inconfundível, nenhuma distância regulamentar, precipitado por seu regato, obstinado em sua emanação. Ela, então, no meio da noite, Elfriede Jelinek: O amor aponta a direção. O desejo é seu conselheiro ignorante. Atração descontrolada, aos seus pés, sabia-me vulnerável, rendido ao amor. Rimbaud que dissesse noutras horas: É preciso reinventar o amor, toda a gente sabe. Eu escrevia silêncios, noites, anotava o inexprimível. Fixava vertigens. A vida é uma farsa que toda a gente se vê obrigada a representar. Ali eu que me desinventasse se pudesse e nela a minha própria reconstrução. Se eu tivesse que me safar de alguma coisa, teria que ser impune dos feitiços dela, o que jamais me passou pela cabeça, nem nunca quisesse. Sou-me nela o tanto que sou. Até mais ver.

 

A ARTE DE DEMÉTRIO ALBUQUERQUE

Não basta você só fazer arte, você tem que colocá-la bem, mostrá-la.

A arte do premiado arquiteto, escultor e pintor Demétrio Albuquerque, autor do monumento Tortura Nunca Mais, residiu no Japão para desenvolver a arte da cerâmica Yakimono e possui seu ateliê em Olinda. Veja mais aqui & aqui.

  



sexta-feira, setembro 18, 2020

CÓRTAZAR, LUCIANO DE SAMÓSATA, ELISA LUCINDA, JOSÉ ROOSELVET & VIOLINOS NO COQUE

 

DIÁRIO DO GENOCÍDIO NO FECAMEPA – UMA: SABE AQUELA... DAS IDAS E VINDAS ENTRE ÉREBROS & BÁRATROS - Olhos na madrugada, cismava sem urdidura. Deu-se de mesmo, tão esquisito: mulheres passavam e uma delas me puxou alegando que as seguissem para me proteger do Soroche de Supai. Para onde iam? Às regiões mais montanhosas e inacessíveis de Pachamama, onde os espíritos das huacas reinavam e que eu fosse com elas senão me perderia pelos confins tenebrosos e infernais de Ucui Pacha, lá onde se sofre de frio e fome e só tem pedra por alimento. Não entendia nada nem me restou alternativa, porque não era eu uma alma penada nem fantasma, encolhi o medo e, de mãos dadas, seguimos pelo caminho das trevas. De repente, senti sua mão escapulir, sozinho e tudo escureceu por bom tempo, nada se via no silêncio de tudo. Com o clarão repentino do luar, eram outras mulheres tagarelando ao meu lado e no meio das torres de pedra de Punta de las Mujeres. Não me passou pela cabeça serem elas as nove senhoras de Ah Puch e que preparavam a descida da enforcada deusa Ixtab, sob os auspícios do panteão Bolontiku. A deusa levitava e se aproximou de mim, ofertou um pedaço da casca da Ceiba pentadra que contém em seus grãos rebentos de kapok, ordenando para que eu fosse já ao Mitnal. Não entendi, era pênalti, sabia de antemão ao vê-la retirar a corda que envolvia seu pescoço, obrigando-me que a pusesse em honra dos suicidas. Era preciso inventar uma saída, o sangue fugia, quase tive um ataque tipo epiléptico para ver se me safava. Nesse instante a sensual deusa Awilix interrompeu o que seria o meu sacrifício, procedendo para elas de forma autoritária, e, em seguida, tomou das minhas mãos para segui-la pela noite da Lua, a me contar do que ocorrera comigo antes, com as incas e, agora, com as maias. Contou-me mais enquanto se disfarçava em muitas outras sedutoras auroras e crepúsculos para me espalhar por aí, e me deixou a par do horror ao vazio e do transporte dos tempos para o futuro por deuses que se sucediam noites e dias presos por uma cilha frontal, porque os dias eram seres vivos, cada um com nome e número patrocinados por uma entre as divindades. Altas horas da viagem, ela me amparava na nudez e fartura dos seus seios, a recitar Julio Córtazar: Andávamos sem nos procurar, mas sabendo sempre que andávamos para nos encontrar. Vem dormir comigo: não faremos amor, ele nos fará. Tudo ouvia até a sonolência e eu dentro dela que se derretia com a febre do meu corpo no seu. Amparado fui embalado por acalanto irreconhecível do seu corpo cheio de músicas.

 


DUAS MORTES DEPOIS (Imagem do pintor surrealista José Rooselvet)– Da primeira morte a vertigem na escada, o telhado que ruiu, o sangue na lavanderia sumida, quase nada mais existe, apenas uma rua estreita para pedestres, com a orla repleta de prédios como se monstros imóveis. Daquela vez tudo desapareceu na brancura onírica de música das esferas, talvez entre Nazcar e Machu Picchu, imagens com desenhos da pedra de Roswell noitedias pelas distâncias da escuridão cósmica. Da segunda morte, nem a lembrança da encruzilhada, não mais o poste na calçada de uma manhã nublada, à espera de uma condução inexistente. Ainda ouço a frenagem e a colisão, tudo pode acontecer do nada, só as graves vozes do coral. Ouvi um verso de Elisa Lucinda: Nesse dia, Deus deu uma saidinha e o vice era fraco. E se morro uma vez e desfaleço outras tantas a cada dia, sou grato à vida, responsável por minha sina. Não lamento o que deixei de fazer, fiz o máximo que pude e renasci menino.

 


TRÊS PASSOS PARA SAIR DO VULCÃO - (Imagem do pintor surrealista José Rooselvet) - Desci pela milésima vez, como se fosse Pessoa escrevendo cartas comerciais ou O’Neill concebendo frases publicitárias, ou como Rimbaud para tomar uma cerveja e dar uma baforadas na face do desafeto. Em todas elas exaltei os trinta e quatro cantos de Dante no meio dos nove círculos concêntricos do sofrimento e os nove caminhos e os três vales e as quatro esferas, enfim, o caos impiedosamente ordenado. Reconheci os três aspectos aristotélicos: a malícia, a incontinência e a bestialidade. Atravessei todas as galerias como se fossem ruas fumegantes e entre elas as mínimas e vistosas entrelinhas do insignificante de qualquer olhar, aprendendo o que pudesse de fecundo e necessário para o aprendizado do útil e do fútil, o momento apropriado para o que quer que fosse. Fiz a travessia do berço ao túmulo, a reconhecer dos invertebrados e protozoários, o que seria de mim depois de tudo. Sempre preferi cinzas, nunca uma sepultura, mesmo sabendo que a viagem indesejável seria qualquer jeito. Lá ouvi o Diálogo dos mortos (Athena, 1996), no qual Luciano de Samósata me contara irreverente: A vida de cada um será passada a limpo... tu vês os ricos, os sátrapas, os tiranos, agora tão rebaixados e insignificantes, reconhecidos apenas pela lamentação; isto é, que são uns poltrões e ignóbeis, enquanto ficam recordando das coisas lá de cima. Assim como a raposa para as uvas, o beijo para a amante, a traição para o humano, cada qual cumpre o seu destino. Quem não compungido se o acontecido é pouco e tornará a acontecer de outra forma e mesmo até à revelia. Todos se veem enredados em suas malbaratadas e entediadas vidas, o que me faz entender talvez alguma possibilidade de ser aquilo que eu gostaria de ser se não fosse o que sou. Até mais ver.

 

CRÔNICA DE AMOR POR ELA

Veja mais aqui.


VIOLINOS NO COQUE

[...] Precisa-se. Precisa-se da voz cristalina de uma avezinha, dessas aves sem ninho, como diria o poeta, para escutar o que dizem. E ouvir a humanidade toda que está ali. A beleza do campo, a inocência brotante, a suavidade dos anhos que só Botticcelli percebeu. [...] A beleza comove. E vi ali uma flor de lótus colhida. Que se impõe e faz admirar, apesar do meio circundante.

Trecho extraído da obra Violinos no Coque (FacForm, 2010), do médico, escritor e memorialista Waldênio Porto, contando a história de uma comunidade do Recife e a formação da Orquestra Cidadã Meninos do Coque, projeto desenvolvido pelo maestro Cussy de Almeida e reunindo 130 garotos e garotas. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.



 


quarta-feira, setembro 16, 2020

RIMBAUD, TUNGA, MERRIT MOORE, ENEIAS & MANI MANDIOCA



DIÁRIO DO GENOCÍDIO NO FECAMEPA – UMA: SABE AQUELA... ENTRE ANDAÇOS & ENLEVOS ÀS DESORAS - Cantoconto, sou a solidão de Eneias. Também tenho horror a todos os ofícios e não usarei as mãos para manchar a alma, vivo em toda parte. Dos meus antepassados, todos mortos sepultados no ventre e estou só. Eu sei, só os covardes estão vivos, porque o meu povo está inspirado pela febre e pelo câncer, o vício estúpido e a podridão, são todos calamidades. Não exponho meus desgostos e traições, não sei para onde nem por que vou. Agora mesmo a primavera se confunde com outono, os mil amores crucificados como se o inverno fosse o conforto e eu perdi a noção de tudo. Escrevo silêncios, sofismas mágicos e alucinadas palavras inumeráveis, a alquimia do verbo. Tal Rimbaud: é evidente que sempre fui de uma raça inferior: Não posso compreender a revolta. Minha raça não se rebelou jamais, a não ser para a pilhagem: como os lobos que atacam o animal que não mataram. Meu navio a sorte inventa e não há como atracar com a desilusão dos sonhos. Persigo o voo, sozinho.

DUAS DE MANI – A primeira, do escritor, etnólogo e folclorista José Vieira Couto de Magalhães; a segunda, das Estórias e lendas de Goiás e Mato Grosso; afora a das Lendas dos índios do Brasil (São Paulo, 1946), de Herbert Baldus; a da Antologia das lendas do índio brasileiro (RJ, 1957) e a reunida no Dicionário do folclore brasileiro (Global, 2001), do saudoso Câmara Cascudo. Todas dão conta da menina de cujo corpo nasceu a mandioca, Manihot utilíssima, euforbiácia, nome que provêm de Mani-óca, casa de Mani, uma lenda da raça Tupi. Aquela da jovem índia que apareceu grávida e o chefe, indignado por seu orgulho maculado, insistiu na punição do responsável. Ela, inflexível, dizia nunca ter tido relação alguma. Nove meses depois nascia uma menina branca e lindíssima, fato que gerou bastante surpresa na tribo e noutras nações vizinhas. A menina teve o nome de Mani e andava como falava precocemente. Morreu ao cabo de um ano, sem ter adoecido e sem dar mostras de dor. Foi enterrada dentro da própria casa onde brotou uma planta inteiramente desconhecida. A terra fendeu e cavaram reconhecendo o corpo de Mani. Então, comeram a mandioca que passou a fazer parte da culinária brasileira desde então.

TRÊS PRAS QUATRO – Imagem: arte da premiada bailarina e física quântica estadunidense, Merrit Moore. - A dança quântica e ela baila nua no meu coração como uma balzaquiana rainha que sabe que não há preferência exclusiva, basta o melhor de si no empenho e dedicação, o que preenche minhas ocas elucubrações e faz ainda mais feliz meu coração. Ensinou-me pacientemente: É preciso um cérebro criativo pra ter novas ideias no laboratório. E é preciso um cérebro analítico para saber seu centro de massa no estúdio de dança. É no seu bailado que os dias escorrem pelas tardes e noites para que a vida sorria e faça o viver uma experiência para lá de aprazível. Até mais ver.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.

A ARTE DE TUNGA
A arte do escultor, desenhista e artista performático Tunga - Antônio José de Barros Carvalho e Mello Mourão (1952-2016), que foi o primeiro brasileiro a ter uma obra exposta no icônico Museu do Louvre, em Paris, e possui obras em acervos permanentes de museus como o Guggenheim de Veneza, entre outros. Para criar seus trabalhos, ele investigava áreas do conhecimento como literatura, psicanálise, teatro, ciências exatas e biológicas, utilizando em suas esculturas e instalações os mais inusitados elementos para construção de suas narrativas carregadas de simbolismo. A sua obra é retratada no vídeo Tunga: 100 redes e tralhas (1997), de Roberto Moreira, no livro Tunga: Barroco de Lírios (Cosac & Naify, 1997) e a caixa Tunga (2007), constituída de sete volumes de diferentes formatos com textos, fotografias e vídeos, documentando a sua trajetória. Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.


terça-feira, abril 16, 2019

RIMBAUD, TRISTAN TZARA, FRANÇOIS HOUTART, ZELIA SALGADO, CANTOCONTO RIMBAUD, ECOFALANTE & ESPÓLIO DA CIDADE


CANTOCONTO RIMBAUD – Eis o cantoconto da raiz de minha carnalma, de um morro escondido por trás dos quilombos ouvi a voz: a liberdade é um sonho possível. Por isso cantoconto embaixo da ponte de varólio e mergulho na profundeza do amor que transborda radículas em galhos frondosos, porque cheguei a Nod como um raio de Sol e o brilho da Lua, carregando todas as culpas no prazer de estar ali ou aqui ou ai, sem saber purificado diante do perfume sagrado. Cantoconto rouquenho dentro da minha própria historia e me perco noutra, nele me refaço com as vindas do vento que sopra detrás das pedras para me ensinar as trilhas do outro mundo. Estou no meio do caminho e cresço nas lembranças primitivas e na fome de Deus, entre os seres da névoa, para saber o que é visto de dia e o que se esconde de noite, o que se vê de noite é invisível de dia, quantos milagres. Cantoconto que é só o que é, permanente entre as frestas e portões, perpétuo no trajeto de volta ao caos. Há muito tempo proscrito, chamo e toco a porta, não importa a fumaça do instante nem as pegadas do que escuto como se outra me contasse a minha nascente, como uma conversa rotineira que se repete, o aprendizado da arte e a audição anímica em eco. Não importa aonde eu vá, ouço o canto das matas, dos espíritos noturnos e dos mortos ressuscitados de muitos nomes tudo no meu cantoconto, a minha voz. Sinto na medula a prova da natureza que viceja e os fugazes vislumbres diante da fogueira mística, o que está aqui e o que já se foi, e ver-me encurralado entre o que brota e o que fenece, acossado na pilhagem dos detratores, o esmagamento decisório de ir ou ficar, o risco de extinção na evanescência da vida. Há muitos modos de saber como as coisas são ou devem ser, abro caminho entre enredos e tramas, o fôlego na apojadura, as pegadas da dúvida pelos sete oceanos universais e o numinoso na paisagem. Osso a osso, fio a fio de cabelo, o visceral canto, o instersticial contar com a semente do mundo às mãos, rizomas no passional êxtase da recolha dos ossos da criatura que fui um dia para poder dançar com incorpóreos, se não o Sol não nascerá. Com a minha voz me torno na revelação do ermo, faço e refaço minha alma e a minha oração iluminada para saber se fico ou vou embora até o fim do mundo, o final do tempo, e mais o que vem depois, o que deve viver, o que deve morrer: morte ao que deve morrer, vida ao que deve viver. Cantoconto e voltei e colhi a única flor vermelha e segui todos os quilômetros distantes do mundo-entre-mundo e do inefável na sétima abóbada do sétimo céu. Cheguei diante da Roda de Ezequiel e comecei a cantocontar transcendendo a obrigação moral de sobreviver. Bati à porta e não abriu, subi até a caverna escura, atravessei a janela do sonho, peneirei o deserto e encontrei meus ossos no desfile dos párias e na comédia dos vivos que não sabem mortos. Senti todas as provações ao descer ao inferno pelos meandros de muitos labirintos e por mais de mil anos. E eis-me, do alto da mais alta torre a cantocontar: ah, que venha o dia em que os corações se amem! Eis a raiz de minha carnalma. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & aqui.

DITOS & DESDITOS:
[...] para enfrentar os perigos que cercam o planeta e o gênero humano, faz-se necessário um novo projeto que exija não só uma ampliação dos Direitos Humanos, mas uma redefinição do Bem Comum da Humanidade (com base em novos paradigmas). [...] Será uma luta política. Porém, valerá à pena iniciá-la, pois pode inserir-se como um dos elementos simbólicos da revolução necessária para redefinir o paradigma alternativo da vida coletiva da humanidade no planeta.Portanto, é importante fazer a vinculação entre a defesa dos “bens comuns”, como a água e a restauração da prioridade do “bem comum” e a visão de uma nova construção do “Bem Comum da Humanidade”. Em primeiro lugar porque a visão holística que subjaz nesse último conceito exige aplicações concretas, como as de “bens comuns” para fugir do abstrato e traduzir-se em ações. Por outro lado, as lutas particulares devem inserir-se em um conjunto, a fim de situar adequadamente o papel que estão exercendo, não para compensar as deficiências de um sistema que tenta prolongar sua própria existência; mas, para dar prosseguimento à sua transformação em profundidade, exigindo a convergência de todas as forças de mudança para estabelecer as bases para a sobrevivência da humanidade e do planeta.
Trechos extraídos de Dos bens comuns ao bem comum da humanidade (Fundação Rosa de Luxemburgo – Bruxelas, novembro, 2011), do sociólogo belga François Houtart (1925-2017), para quem a defesa dos bens comuns é uma forte reivindicação de muitos movimentos sociais, porque inclui elementos indispensáveis à vida (água, semente), como serviços públicos, desmantelados nos dias de hoje pelas políticas neoliberais, uma vez que representam a vida do planeta e da humanidade. Para o autor a harmonia com a natureza significa definir a relação, não como a exploração da terra, enquanto fonte de recursos naturais, na forma de mercadorias, mas, como fonte de toda a vida, em uma atitude de respeito à sua capacidade de regeneração física e biológica, instaurando a interculturalidade que consiste em dar a todos os saberes, culturas, filosofias e espiritualidades a possibilidade de contribuir para o “Bem Comum da Humanidade”, implicando na promoção igualitariamente de uma interculturalidade aberta, ou seja, de culturas em diálogos, com possíveis intercâmbios. Veja mais aqui e aqui.

ESPÓLIO DA CIDADE
O documentário Espólio da Cidade (The City's Legacy, 2017), dirigido por Andre Turazzi & Paulo Murilo Fonseca, retrata a visão de seis pessoas que têm suas vidas relacionadas a edifícios tombados em São Paulo, evidenciando uma tensão entre memória e desenvolvimento urbano e a complexidade das questões ligadas à preservação e a conservação do patrimônio arquitetônico da cidade. Com isso, mapeia alguns patrimônios culturais da cidade de São Paulo com a proposta de revelar as particularidades arquitetônicas e históricas dos imóveis tombados, envolvendo questões de preservação e conservação dos patrimônios importantes para constituir uma identidade urbana. O documentário pode ser visto na Ecofalante que é uma ONG que atua nas áreas de cultura, educação e sustentabilidade, produzindo filmes, documentários e programas de televisão de caráter cultural, educativo e socioambiental. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da escultora, pintora, desenhista e professora Zelia Salgado (1904-2009), que integrou a Comissão Nacional de Belas Artes entre 1962 e 1963, foi presidente da seção brasileira da Association Internacionale des Arts Plastiques, filiada à Unesco e deu aulas no Museu de Arte Moderna (MAM/RJ), até 1959. 
Veja mais aqui, aqui, aquiaqui.
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A OBRA DE TRISTAN TZARA
Olhe para mim bem! Sou um idiota, sou falso, sou brincalhão. Eu sou como todos vocês!
A obra do poeta e ensaísta romeno Tristan Tzara (1896-1963) aqui & aqui.
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A obra do poeta Arthur Rimbaud (1854-1891) aqui, aqui, aqui, aqui, aquiaqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.


DIDI-HUBERMAN, LINDA DEANE, ADALYN GRACE & MARINÊS

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Das loas & toadas no cavalo-marinho... - O afamado artesão Tirésia já nasceu assim: cego e vaticinado...