
DITOS & DESDITOS:
[...] O outro, como outro livre e que exige
justiça, instaura uma história imprevisível. O outro como mistério é para onde,
o mais além de meu mundo, que o movimento dialético não pretenderá compreender
como totalidade totalizada, uma vez que, por sua estrutura finita, sabe que
jamais conseguirá. A totalidade, como o visto feito sistema, opõe-se a
infinitização (infinicion)
de um movimento dialético histórico que se abre para ouvir a palavra do outro,
que se revela a partir de um exterioridade insondável e imprevisível.
[...] O outro para nós é a
América Latina em relação à totalidade europeia; é o povo pobre e oprimido da
América Latina em relação as oligarquias dominadoras e, contudo, dependentes.
[...] A aceitação do outro como outro significa já uma
opção ética, uma escolha e um compromisso moral. [...] O saber-ouvir é o momento constitutivo do
próprio método. [...] A
América Latina é o filho da mãe ameríndia dominada e do pai hispânico
dominador. O filho, o outro, oprimido pela pedagogia dominadora da totalidade
europeia, incluindo nela como bárbaro, o bom sauvage, o primitivo ou
subdesenvolvido. O filho não respeitado como outro, mas negado enquanto
conhecido. [...] A filosofia
latino-americana é o pensar que sabe escutar discipularmente a palavra
analética, analógica do oprimido, que sabe comprometer-se com o movimento ou
com a mobilização da libertação e, no próprio caminhar, vai pensando a palavra
reveladora que interpela à justiça; isto é, vai acendendo à interpretação
precisa de seu significado futuro. A filosofia, o filósofo, desenvolve ao outro
sua própria revelação como renovada e recriadora, crítica, interpretante. O
pensar filosófico não aquieta a história expressando-a pensativamente para que
possa ser arquivada nos museus. O pensar filosófico, como pedagogia analética
da libertação latino-americana, é um grito, um clamor, é a exortação do mestre
que faz reincindir sobre o discípulo a objeção que antes havia recebido; agora,
como revelação reduplicadamente provocativa, criadora. [...] estrategicamente o que se deve alcançar é a
libertação dos oprimidos em seu sentido forte e inequívoco; o que se deve
buscar é a libertação das ‘classes trabalhadoras’, camponesas, operárias ou de
qualquer outro tipo de trabalhador assalariado [...] O oprimido é o pobre na política (pessoa, classe, nação); a mulher na
erótica machista; a criança, a juventude, o povo na pedagógica da dominação
cultural. Todos os problemas e temas [...], assumem nova luz e novo sentido a partir do critério absoluto e contudo
concreto (o contrário do universal), de ser a filosofia a arma de libertação
dos oprimidos [...].
Trechos
extraídos da obra Método para uma
filosofia da libertação (Loyola, 1986), do filósofo argentino
radicado no México, Enrique Dussel, para quem o Bem Comum
da Humanidade visa assegurar a produção, a reprodução e o desenvolvimento de
cada sujeito ético. Veja mais aqui.
(IN)JUSTIÇA DA CIA.
HELIÓPOLIS
A peça
teatral (In)Justiça, texto coletivo
da Companhia
de Teatro Heliópolis,
dirigida pelo fundador do grupo, Miguel Rocha. A TRAMA: Trata-se
da história de Cerol que é exímio empinador de pipas e vive com sua avó, pois a
mãe morreu no parto e o pai, assassinado. Depois de uma briga por conta do alto
volume da música na vizinhança, Cerol foge e acaba disparando involuntariamente
um tiro em uma mulher, que morre em seguida. Ele acaba preso e é submetido ao
julgamento da lei e da sociedade. A encenação reflete sobre a justiça brasileira ao narrar a história de
um jovem que comete um crime involuntariamente: o que os veredictos não
revelam? A partir desse questionamento surgem diversas concepções sobre o que é
justiça, seja a praticada pelo Poder Judiciário ou aquela sentenciada pela
sociedade. Permeado por imagens-sínteses e explorando a performance corporal, o
espetáculo coloca em cena a complexidade da justiça no país, deixando a plateia
na posição de júri em um tribunal. O embate entre os dois lados da justiça – da
vítima e do criminoso – se estabelece em um jogo contundente que expõe com
originalidade a crua realidade dos jovens pobres e negros. Veja mais aqui, aqui e aqui.
LIMIAR DE NELSON GOMES
A série Limiar, arte do fotógrafo, pintor,
professor, designer gráfico e artista visual português Nelson Nunes. Ele foi coordenador do projeto de teatro Ar(e)s
D’ensaio, tendo sido integrante do grupo de artistas plásticos que criaram o
“Atelier 16” – Coimbra 1997/2001 e do terceiro ciclo de exposições no Museu do
Vinho Bairrada – Anadia em 2006, com o projeto de pintura e instalação “Visões
de um Milésimo de Segundo”. Já realizou as exposições O ritmo dos dias (2012),
a premiada 10 anos Olhares (2013) e Estradas de Portugal – um outro olhar
(2013), entre outras. Veja mais aqui.
&
A OBRA DE WALT WHITMAN
Contradigo a mim mesmo porque sou vasto.
Eu sou contraditório, eu sou imenso. Há
multidões dentro de mim.
A obra do
poeta, ensaísta e jornalista estadunidense Walt Whitman (1819-1892)
aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, e aqui.