segunda-feira, abril 15, 2019

JEAN GENET, ELSA MORANTE, SANDRO MACIEL, PAULA FAOUR & BIG SHIT BÔBRAS


ATÉ DE OLHO FECHADO – Duvido! Pronto, uma desavença no ar. Que coisa! Logo naquele dia de comemoração entre os participantes do Big Shit Bôbras, providencia da organização de armar diferente para não entornar o projeto num flagelo. A sacada de confraternização caia muito bem para acabar com as bulhas e acalmar os ânimos. Nada melhor que uma feijoada suculenta, regada por generosas lapadas e meiotas da predileta Teibei. Tudo corria bem, uns goles aqui esquentando as orelhas, uma virada de copo ali arrepiando os tuins, beiçadas largas de abrir risadagens e envultamentos. Oxe, cadê fulano? Meteu o dente na cana de virar outro e sair por aí! Isso é que tomada macha, hem? Pois bem, brincadeiras, pulhas, licenciosidades, até a constatação de um gabiru gordo boiando no refogado de tripas, linguiças, maxixes e quiabos. Um escândalo. Como é que pode? O enterro voltava. Cada um que reclamasse da desfeita. De uma lado, as mulheres na maior fuxicagem: O penteado dela parece uma arupema! Vixe! E o vestido, mulher, nem combina os bicos dos peitos arriados e o pau da venta empinada! Um horror! E aquela outra trubufu, acha que é miss, né não? Era melhor que pendurasse dois tijolos naquelas orelhas do que aqueles brincos, né não? Nem se toca, se acha. Pense no desmantelo! Ah, mas me diz da cumade, vai! Morreu engasgada. Danou-se. Foi. De outro, os homens arengavam, cada um mais parrudo que o outro: D-u-du-v-i-vi-d-o-do! Você não tem topete pra me desafiar, safado! Ah, meu, dou na sua cara só com uma mão! Pra lascar você, dou meus golpes de costas! É? Derrubo você só no bafo! Sai pra lá, corno da gaia-mole! Deixa disso. Sou muito macho, não abro nem prum trem! Venha, maloqueiro, que dou uma pisa de você perder até o nome! Comigo você caga fora do caco! Um murro que eu der, você desmunheca, seu fulustreco! Vamos parar com isso! É ele, esse cara mente que o cu apita! Eu? Você que num vale um cocô de louro! Calma, gente. E o confronto parecia inevitável, cada um arrotando brabeza de bater o pé, estufar a caixa dos peitos e bufar ruindade com risco no chão. Uma das senhoras, ao dar conta do trupé, botou fogo na lenha: da macheza de vocês, sou mais o dentista com seus oitenta anos e um fundo de garrafa nas vistas, trata dos meus dentes de olhos fechados! Esse sim, além de macho é bom no que faz! Vocês? Tudo uns pé-rapado de não valer nada! Ih, a coisa azedou. Não deu para prever quantas cenas pros próximos capítulos, o fuzuê parece que ainda nem acabou, avalie. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & aqui.

DITOS & DESDITOS:
[...] Que Glória é uma senhora infiel, inquieta, cheia de energia e de contradições já se sabe há séculos. Sabe-se também que ela nem sempre respeita as cortesias. Às vezes, nem sequer sente vergonha de cortejar quem não se interessa por ela, e mais frequentemente, ao contrário, despreza quem a adora, quem venderia a alma por ela, quem beijaria o chão por onde passa. Não há nada pior. [...] Da atenção, da honestidade e do desinteresse. E todo o resto será literatura. Aliás, a propósito, que tipo de linguagem precisará utilizar? Dialeto, fala mecanizada, uma koiné? Qual estilo, quais semantemas, qual característica tipográfica? Pró ou contra as letras maiúsculas? Pró ou contra a pontuação? No entanto, deixem-no escrever como queira, porque o primeiro inventor das linguagens sempre foi ele! Por que aborrecer agora um homem com tais problemas (que interessam muito mais aos linguistas, aos filólogos, e assim por diante?). Aqui, trata-se de ser pró ou contra a bomba atômica! Contra a bomba atômica está a realidade. E a realidade não tem necessidade de pré-fabricar para si mesma uma linguagem: fala sozinha. Até mesmo Cristo disse: Não se preocupem com aquilo que vocês dirão, ou como dirão. É a realidade que dá vida às palavras, e não o contrário. [...]
Trechos da obra Pro o contro la bomba atômica (Adelphi, 1987), da escritora italiana Elsa Morante (1912-1985) que expressa: A aventura da realidade é sempre outra.

A ARTE DE SANDRO MACIEL
A arte do artista plástico Sandro Maciel. Veja mais aqui.

A MÚSICA DE PAULA FAOUR
A música da pianista, arranjadora e compositora Paula Faour que estreou com o álbum Cool bossa struttin (JSR/Tratore, 2005), acompanhada dos músicos Dom Um Romão na bateria e Manuel Gusmão no baixo. Veja mais aqui.
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A OBRA DE JEAN GENET
Temos de rir. Senão a tragédia vai nos fazer voar pela janela.
A obra do controverso escritor e dramaturgo francês Jean Genet (1910-1986) aqui & aqui.
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As doidices do Big Shit Bôbras aqui, aqui, aqui & aqui.


EMMA LAZARUS, NADINE GORDIMER, LAGERLÖF, YOURCENAR & JOAN RODRIGUEZ

    Ao som de Pavane por une infante défunte (1899), de Maurice Ravel , com a Orchestre National de France, sob a regência da maestrina fin...