quarta-feira, janeiro 07, 2009

MAUPASSANT, HERRFELDT, GENARO, ERIC BENTLEY, MARIA DA GRAÇA ALMEIDA & BIG SHIT BÔBRAS


 
A arte do pintor francês Marcel René von Herrfeldt (1889-1965).


BIG SHIT BÔBRAS - Arte: Derinha Rocha. - Alogias a parte, bota-fora é o que não falta em determinados rincões do Brasil. Sendo assim, para aumentar mais ainda o estoque de tolices que pipocam no destampatório geral, a rádio Alagoinhanduba AM/FM, UHF, VHF, online, & altofalantada, a líder da comunicação de todas as massas e quitutes, boatadas e orkuts, de zoadas e beatitudes, resolveu no meio da maior crise e quebradeira da desastrosa onda dos baixos níveis de audiência – diga-se de passagem, antes de virar farelo de bolacha mesmo -, resolveu inovar na sua área de atuação e copiar um inusitado reality show - como chamam os intelectuais da imprensa brasileira, leia-se: merdaria ao vivo e em cores -, criando, por sua vez, nada mais, nada menos, que o Big Shit Bôbras, o mais buliçoso e espetacular engenho de fazer doido sem precisar que o cara endoide de vez. Ué, nada mais original, né? Apois, é. Esse destempero comeu o juízo de todos os promotores por longos seis meses, sem contar com a arenga dos patrocinadores, a disputa homicida dos anunciantes e a tulmutuada requerencia dos participantes, culminando num estrago brabo na mesa de um galalau magistrado da comarca. Oxe! Foi uma anguzada encaroçada da moléstia dando numa mexedura tão cheia de retalhos que no fim ninguém entendia nada. Quando fecharam o regulamento do programa – isso com mais de dois verões passados na ingrezia -, caíram à cata das vítimas para participar da lorota. Ninguém quis. - Quem é doido de participar duma merda dessa! -, disse um radiouvinte ao vivo ao ser interpelado por um locutor anorrinco que falava pelos cotovelos. Todos tomaram no beselho. E agora? Tem que botar a troça pra moer. Tome puxada de couro. Até que chegaram ao meio do maior oba-oba numa reunião esquisita de inscritos ao darem fé de batizar o evento que meliantes reicindentes manobravam tudo, sendo miraculosamente capturados pela diligente milícia municipal a bem da segurança e saúde públicas. Foi teitei para reorganizar tudo no meio de cancelamentos contratuais de patrocínio, retirada de anúncios, cassação de apoios, litígios judiciais, o fim do mundo mesmo. Persistentes mais que descacados, eis que os promotores do evento ao cabo de mais umas duas invernadas calamitosas, conseguiram por fim, do jeito que deu, dar por início a cacetada toda. Foi aí que começou de novo a discórdia por causa do premio anunciado: um picão. - Que droga é nove? Apois, chega o mesmo locutor anasalado encher a boca para dizer em alto e bom som: - E concorra no final a um fantástico picão para enfiar no seu cusão!!! Um desplante, é ou não é? Indignação geral! Aí, vem o comentário da mundiça: - E quem quer uma porra dessa? Foi aí que o Doro, o futuro presidente do Brasil, esperto que só, teve um estalo: - Vô minscrever nessa bosta! Bastou ele consignar sua anuência e participação na ficha de inscrição, a coisa endoideceu de vez. Até a mulher dele, a digníssima Marcialita não deu mole, armou o barraco, chegou junto dos promotores e disse: - Se o cachorro do meu marido vai, eu tô dentro! Só que o regulamento e a exigência do Doro não permitiam. Outra barruada para embucetar tudo. No final, besteira, ela não teve dúvidas, deitou umas cedulazinhas em moeda corrente do país, pronto, tudo resolvido e ela já estava inteirinha com seu jeito genioso de açucareiro batendo o pé pra banda do marido. Foi aí que bastou o Doro entrar, uma recada toda invadiu tudo. Avacalhou mesmo e virou esculhambação. Depois de muita remoínha, finalmente o programa conseguiu entrar no ar. E num oferecimento do FECAMEPA, foram apresentados os participantes da maior meixença da paróquia! Eis que chegou a hora de anunciar o alardo, inicialmente, das mezinheiras, culatronas e galdrapinhas, e também, posteriormente, os marmanjos tapados, catingosos, caborés e gorutubanos. Veja, então, a seguir os primeiro episódios dessa monstruosa aberração: 


DITOS & DESDITOS - Não importa que a comunicação seja de conteúdo profundo ou apenas de matéria superficial ou supérflua. A humanidade necessita e consome ambos, que a análise crítica que possa modificar ou sugerir modificações em seu modus vivendi ou apenas uma palavra de alento ou de beleza, que lhe inunda o coração. A poesia também é indispensável no cotidiano. Pensamento do tapeceiro, pintor e desenhista Genaro Antônio Dantas de Carvalho (1926-1971).

A ARTE – [...] A arte deve ensinar ou proporcionar prazer? A esse respeito, só quero frisar que esse debate está repleto de paradoxos, e de paradoxos inevitáveis, uma vez que a ação de aprender pode ser um prazer, e que, por outro lado, o fato de estar experimentando uma sensação não nos impede de estar aprendendo alguma coisa. No decorrer da história do mundo ocidental, a concepção didática da arte tem prevalecido. [...]. Trecho extraído da obra O teatro engajado (Zahar, 1969), do escritor, professor, critico de teatro, editor e tradutor estadunidense Eric Bentley.

BOLA DE SEBO - […] A mulher, uma dessas a quem chamam de libertina, era célebre por sua corpulência precoce, que lhe valera o apelido de Bola de Sebo. Pequena, toda rechonchuda, gorducha mesmo, com dedos inchados e estrangulados nas falanges, semelhantes a réstias de salsichas curtas, com uma pele luzente e esticada, um pescoço enorme que transbordava o vestido, ela continuava, no entanto, apetitosa e solicitada, de tanto que seu frescor dava prazer á vista. Seu rosto era uma maça vermelha, um botão de peônia prestes a florescer, e ali se abriam, em cima, uns olhos negros magníficos, cobertos por grandes cílios espessos que os mergulhavam na sombra; embaixo, uma boca encantadora, estreita, úmida para o beijo, recheada com dentinhos brilhantes e microscópios. Além disso, ela era, diziam, cheia de qualidades inestimáveis. Assim que foi reconhecida, correram cochichos entre as mulheres direitas, e as expressões “prostituta” e “vergonha pública” foram sussurradas tão alto que ela levantou a cabeça. Então passeou por sobre os vizinhos um olhar tão provocador e intrépido que imediatamente um grande silêncio se instalou, e todo mundo baixou os olhos, à exceção de Loiseau, que a espreitava com ar animado. Mas em seguida a conversa foi restabelecida entre aquelas três mulheres que a presença da outra fizera subitamente amigas, quase íntimas. Elas deviam formar, parecia-lhes, como que uma liga de suas dignidades de esposas diante daquela vendida sem – vergonha; porque o amor legal sempre desdenha seu colega libertino. […] Várias vezes Bola de Sebo se inclinou como se procurasse alguma coisa embaixo da saia. Hesitava um segundo, olhava para os vizinhos, depois se punha outra vez direita, tranquilamente. Os rostos estavam pálidos e crispados. Loiseau disse que pagaria mil francos por um pedaço de presunto. Sua mulher fez um gesto como para protestar, depois e acalmou. Não podia ouvir falar em dinheiro desperdiçado e não suportava nem mesmo as brincadeiras a respeito do tema. [...]. Trechos extraídos da obra Bola de Sebo e outros contos (Bruguera, 1971), do escritor francês Guy de Maupassant (1950-1893). Veja mais aqui.

LINGUA LIQUIDA - A líquida língua vaza! / Infiltra-se entre os dentes, / rompe os limites dos lábios / gotejando boca á fora / ou, entornando livremente... / Não há fronteira que a reprima, / não há limite que a contenha. / O dono da língua líqüida, / possui ouvidos alados / que saem pelas orelhas, / lúcidos ou atordoados, / diretos ou de qualquer maneira / e colhendo informações / voam pra todo lado! / Temo essa língua por ela, / pelos ouvidos que a acompanham / e por todos ouvidos alheios / nos quais chega, sem medo, / a relevar os segredos. / Se uma dessas, liqüefeitas, / vem molhar-me os ouvidos, / afasto-a rapidamente, / secando depressa o líquido, / temendo que tal proximidade / impune contamine-me a língua, / e que por momentos, instantes / ou pelo restante da vida / liqüefaça-a abundante, infame / larga, solta e incontida... Poema da escritora, pedagoga e professora Maria da Graça Almeida. Veja mais aqui e aqui.

 A arte do pintor francês Marcel René von Herrfeldt (1889-1965).




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