terça-feira, abril 16, 2019

RIMBAUD, TRISTAN TZARA, FRANÇOIS HOUTART, ZELIA SALGADO, CANTOCONTO RIMBAUD, ECOFALANTE & ESPÓLIO DA CIDADE


CANTOCONTO RIMBAUD – Eis o cantoconto da raiz de minha carnalma, de um morro escondido por trás dos quilombos ouvi a voz: a liberdade é um sonho possível. Por isso cantoconto embaixo da ponte de varólio e mergulho na profundeza do amor que transborda radículas em galhos frondosos, porque cheguei a Nod como um raio de Sol e o brilho da Lua, carregando todas as culpas no prazer de estar ali ou aqui ou ai, sem saber purificado diante do perfume sagrado. Cantoconto rouquenho dentro da minha própria historia e me perco noutra, nele me refaço com as vindas do vento que sopra detrás das pedras para me ensinar as trilhas do outro mundo. Estou no meio do caminho e cresço nas lembranças primitivas e na fome de Deus, entre os seres da névoa, para saber o que é visto de dia e o que se esconde de noite, o que se vê de noite é invisível de dia, quantos milagres. Cantoconto que é só o que é, permanente entre as frestas e portões, perpétuo no trajeto de volta ao caos. Há muito tempo proscrito, chamo e toco a porta, não importa a fumaça do instante nem as pegadas do que escuto como se outra me contasse a minha nascente, como uma conversa rotineira que se repete, o aprendizado da arte e a audição anímica em eco. Não importa aonde eu vá, ouço o canto das matas, dos espíritos noturnos e dos mortos ressuscitados de muitos nomes tudo no meu cantoconto, a minha voz. Sinto na medula a prova da natureza que viceja e os fugazes vislumbres diante da fogueira mística, o que está aqui e o que já se foi, e ver-me encurralado entre o que brota e o que fenece, acossado na pilhagem dos detratores, o esmagamento decisório de ir ou ficar, o risco de extinção na evanescência da vida. Há muitos modos de saber como as coisas são ou devem ser, abro caminho entre enredos e tramas, o fôlego na apojadura, as pegadas da dúvida pelos sete oceanos universais e o numinoso na paisagem. Osso a osso, fio a fio de cabelo, o visceral canto, o instersticial contar com a semente do mundo às mãos, rizomas no passional êxtase da recolha dos ossos da criatura que fui um dia para poder dançar com incorpóreos, se não o Sol não nascerá. Com a minha voz me torno na revelação do ermo, faço e refaço minha alma e a minha oração iluminada para saber se fico ou vou embora até o fim do mundo, o final do tempo, e mais o que vem depois, o que deve viver, o que deve morrer: morte ao que deve morrer, vida ao que deve viver. Cantoconto e voltei e colhi a única flor vermelha e segui todos os quilômetros distantes do mundo-entre-mundo e do inefável na sétima abóbada do sétimo céu. Cheguei diante da Roda de Ezequiel e comecei a cantocontar transcendendo a obrigação moral de sobreviver. Bati à porta e não abriu, subi até a caverna escura, atravessei a janela do sonho, peneirei o deserto e encontrei meus ossos no desfile dos párias e na comédia dos vivos que não sabem mortos. Senti todas as provações ao descer ao inferno pelos meandros de muitos labirintos e por mais de mil anos. E eis-me, do alto da mais alta torre a cantocontar: ah, que venha o dia em que os corações se amem! Eis a raiz de minha carnalma. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & aqui.

DITOS & DESDITOS:
[...] para enfrentar os perigos que cercam o planeta e o gênero humano, faz-se necessário um novo projeto que exija não só uma ampliação dos Direitos Humanos, mas uma redefinição do Bem Comum da Humanidade (com base em novos paradigmas). [...] Será uma luta política. Porém, valerá à pena iniciá-la, pois pode inserir-se como um dos elementos simbólicos da revolução necessária para redefinir o paradigma alternativo da vida coletiva da humanidade no planeta.Portanto, é importante fazer a vinculação entre a defesa dos “bens comuns”, como a água e a restauração da prioridade do “bem comum” e a visão de uma nova construção do “Bem Comum da Humanidade”. Em primeiro lugar porque a visão holística que subjaz nesse último conceito exige aplicações concretas, como as de “bens comuns” para fugir do abstrato e traduzir-se em ações. Por outro lado, as lutas particulares devem inserir-se em um conjunto, a fim de situar adequadamente o papel que estão exercendo, não para compensar as deficiências de um sistema que tenta prolongar sua própria existência; mas, para dar prosseguimento à sua transformação em profundidade, exigindo a convergência de todas as forças de mudança para estabelecer as bases para a sobrevivência da humanidade e do planeta.
Trechos extraídos de Dos bens comuns ao bem comum da humanidade (Fundação Rosa de Luxemburgo – Bruxelas, novembro, 2011), do sociólogo belga François Houtart (1925-2017), para quem a defesa dos bens comuns é uma forte reivindicação de muitos movimentos sociais, porque inclui elementos indispensáveis à vida (água, semente), como serviços públicos, desmantelados nos dias de hoje pelas políticas neoliberais, uma vez que representam a vida do planeta e da humanidade. Para o autor a harmonia com a natureza significa definir a relação, não como a exploração da terra, enquanto fonte de recursos naturais, na forma de mercadorias, mas, como fonte de toda a vida, em uma atitude de respeito à sua capacidade de regeneração física e biológica, instaurando a interculturalidade que consiste em dar a todos os saberes, culturas, filosofias e espiritualidades a possibilidade de contribuir para o “Bem Comum da Humanidade”, implicando na promoção igualitariamente de uma interculturalidade aberta, ou seja, de culturas em diálogos, com possíveis intercâmbios. Veja mais aqui e aqui.

ESPÓLIO DA CIDADE
O documentário Espólio da Cidade (The City's Legacy, 2017), dirigido por Andre Turazzi & Paulo Murilo Fonseca, retrata a visão de seis pessoas que têm suas vidas relacionadas a edifícios tombados em São Paulo, evidenciando uma tensão entre memória e desenvolvimento urbano e a complexidade das questões ligadas à preservação e a conservação do patrimônio arquitetônico da cidade. Com isso, mapeia alguns patrimônios culturais da cidade de São Paulo com a proposta de revelar as particularidades arquitetônicas e históricas dos imóveis tombados, envolvendo questões de preservação e conservação dos patrimônios importantes para constituir uma identidade urbana. O documentário pode ser visto na Ecofalante que é uma ONG que atua nas áreas de cultura, educação e sustentabilidade, produzindo filmes, documentários e programas de televisão de caráter cultural, educativo e socioambiental. Veja mais aqui.

A ESCULTURA DE ZELIA SALGADO
A arte da escultora, pintora, desenhista e professora Zelia Salgado (1904-2009), que integrou a Comissão Nacional de Belas Artes entre 1962 e 1963, foi presidente da seção brasileira da Association Internacionale des Arts Plastiques, filiada à Unesco e deu aulas no Museu de Arte Moderna (MAM/RJ), até 1959. Veja mais aqui.
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A OBRA DE TRISTAN TZARA
Olhe para mim bem! Sou um idiota, sou falso, sou brincalhão. Eu sou como todos vocês!
A obra do poeta e ensaísta romeno Tristan Tzara (1896-1963) aqui & aqui.
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A obra do poeta Arthur Rimbaud (1854-1891) aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.


EMMA LAZARUS, NADINE GORDIMER, LAGERLÖF, YOURCENAR & JOAN RODRIGUEZ

    Ao som de Pavane por une infante défunte (1899), de Maurice Ravel , com a Orchestre National de France, sob a regência da maestrina fin...