CAROLE
INESQUECÍVEL – A primeira vez que a vi era uma das Conchitas do Cet obscur objet du désir de Buñuel,
inesquecivelmente linda com seus trejeitos refinados, delicadeza apaixonante, o
ar angelical tomando conta de tudo, para se tornar, logo depois, na fisionomia
da Chanel. Linda demais como a bela jovem no Buffet froid. Encantadora demais
como a Valentine no Le
Manteau d'astrakan. Vertiginosamente
bonita como a Princesa Soraya de New York Stories. Infinitamente encantadora
como Carol Schneider no Le Jour des idiots, ou como a requintadíssima
charmosa Florence Barthélémy em Too Beautiful for You.
Não menos enfeitiçante como a professora Lucie Aubrac vivendo um
amor em tempo de guerra. Provocantemente bela como a artista plástica Viviane
Farnese de En plein cœur. Muitas cenas, incontáveis. Na
vida privada envolvida em causas humanitárias,
apoiando projetos de promoção à saúde e à educação das crianças. Estilosamente
elegante ela é uma figura emblemática: o seu compromisso social com o talento
indiscutivel na longuíssima carreira de décadas. Salve Carole Bouquet! Veja mais abaixo e mais aqui e aqui.
DITOS &
DESDITOS - O amor é
possível. A vida vai decidir. Não perca, é um tesouro. Vai ser doloroso; vai
ser uma aventura, uma montanha-russa. A vida é uma montanha-russa e fica pior quando
você envelhece. Ao contrário do que você pensa, que fica melhor quando você
sabe mais - não, quanto mais você sabe mais doloroso é. Você foi ferido. Você
chega com um milhão de cicatrizes e sua armadura não é grossa. Quanto mais você
envelhece, mais você fica frágil. Mas faça isso de qualquer maneira. Vá em
frente. Caso contrário, significa morte. Quando você é jovem, todos os
acidentes, toda a dor que você sofre; mas pelo menos você é muito forte. Na
verdade, com o tempo, a dor aumenta cada vez mais; cada vez mais perdas, e isso
o torna mais frágil. Um homem não pode transmitir, como uma mãe poderia, uma
consciência do seu corpo, ou sensualidade, ou o que significa ser uma mulher.
Nunca me ensinaram o que era feminilidade. Eu aprendi - ou melhor, eu inventei
- por conta própria. Eu tendia a não falar, se as pessoas estavam olhando para
mim. Esta coisa de gostar de si mesmo, eu acho isso absolutamente terrível.
Quem gosta de si mesmo, não posso aproximar muito deles. Para mim é pura
estupidez. Mas ter alguma paz consigo mesmo, isso é um grande alívio. A
verdadeira elegância é simplesmente um verdadeiro encontro consigo mesmo. Não estou interessado no debate político. Existem algumas soluções práticas aqui. Pensamento da atriz francesa Carole Bouquet.
ALGUÉM FALOU: Felizmente, em algum lugar entre o acaso e o mistério está a imaginação, a
única coisa que protege nossa liberdade, apesar do fato de que as pessoas
continuam tentando reduzi-la ou matá-la completamente. Pensamento do cineasta espanhol Luis Buñuel Portolés (1900-1983).
Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui,
aqui e aqui.
A MULHER & A MARIONETE - […] Quero é uma
palavra surpreendente, você pode dizer tudo. Roubar, desejar, amar, amar e prediligerar. De volta em outra, segundo o tom que vien
dato, expresse o mais imperativo das paixões ou o mais amado dos caprichos. É uma ordem ou um guia, um dicionário ou
um acordo. Talora, não, é irônico.[...].
Trecho extraído da obra La femme et le Pantin (Createspace, 2012),
do escritor belga Pierre
Louÿs (Pierre Félix Louis –
1870-1925). Veja mais aqui, aqui e aqui.
DOIS POEMAS - PORTA DO AR - oito de nós sob este teto,
sete em pé, um \ em decúbito dorsal e depois quatro sentados, três em pé, um \ em
decúbito dorsal, dedos entrelaçados sobre a caixa torácica \ sete pessoas
conversam entre bolinhos \ de silêncio, nem todos entraram conosco \ alguns
deixados pela família antes, saíram \ como um rosário de tristeza\ a sala tem
dois pulmões, não como um coração \ com sua cruz torta, dois lóbulos, uma \ cortina,
uma porta de ar na borda esquerda\ ninguém nunca, nem nunca irá\ esta divisão\ porque
um mundo de um \ lado teme o mundo do outro, embora \ um seja a sombra do outro\
este é um caso de invasão humana \ no limiar \ da porta do ar. RENÚNCIA - era
noite quando sua língua \ se tornou planta, cresceu \ em folhas, apresentou
botões, fez \ sombra dos caules da língua \ ele havia brincado por tempo
suficiente com potenciais, esperado \ em sua caverna de votos de restrição, mas
\ as águas em que se encontrava estavam densas com a química pesada \ dessas
coisas, ele queria gritar, encontrar uma companhia \ de ouvidos, dançar com
aqueles ventos de voz \ treinada para o silêncio\ falava enquanto ela dormia,
dizia ao \ quarto silencioso que aquele não era o lugar para ela, não era o
tipo certo \ de ouvidos aqui, quando alguma coisa pousou, sorveu néctar, \ tornou-se
uma planta, despreocupada com \ os canais tortuosos do silêncio, encontrando
suas veias fluindo de um \ fonte diferente, cinto rasgado, amarração caída,
janela, algo para derramar \ como planta, ela escolhe ser mais terna, abandonar
\ questões de voz e expressão, esperar, participar \ apenas de tendências
refrescantes, de doçura \ foi assim que ela desistiu de tentar respirar sob
pressão, ver \ atrás das paredes, andar vendada, por uma espécie de \ sensualidade
lúcida, por alcançar de qualquer maneira. Poemas da escritora e
acadêmica australiana Morgan
Yasbincek, autora de obras
tais como Night Reversing. (1996), Firelick. (2004) e White
Camel (2009).
SACADOUTRAS
LITERATURA E POLÍTICA – No livro Literatura
e vida nacional, o filósofo, cientista político e comunista italiano,
Antonio Gramsci (1891-1937), fala a respeito da Literatura e da Política,
considerando: [...] no que toca à relação
entre literatura e política, deve-se levar em conta o seguinte critério: que o
literato deve ter perspectivas necessariamente menos precisa e definidas que o
político, deve ser menos sectário, se assim se pode dizer, mas de uma maneira
contraditória. Para o político qualquer imagem fixada a priori é reacionária; o
político considera todo o movimento em seu devenir. O artista, pelo contrário,
deve possuir imagens fixadas e articuladas em sua forma definitiva. [...] O artista representa necessariamente o que
existe, num certo momento, de pessoal, de não-conformista, etc., de um modo
realista. [...] O mais comum
preconceito é o seguinte: o de que a nova literatura deva se identificar com
uma escola artística de origem intelectual, como foi o caso do futurismo. A
premissa da nova literatura não pode deixar de ser histórica, política,
popular: deve tender a elaborar o que já existe, não importa se de um modo
polemico ou de outro modo qualquer/ o que importa é que aprofunde suas raízes
no húmus da cultura popular tal como é, com seus gostos, suas tendências, etc.,
com seu mundo moral e intelectual, ainda que este seja atrasado e convencional.
Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.
NOVUM ORGANUM – Tratando por sofista não só o Organon como toda filosofia aristotélica, o filósofo inglês Francis Bacon (1561-1626), em seu Novum Organum assinala que: O intelecto humano não é luz pura, pois recebe influencia da vontade e dos afetos, donde se pode gerar a ciência que se quer. Pois o homem se inclina a ter por verdade o que prefere. Em vista disso, rejeita as dificuldades, levado pela impaciência da investigação; a sobriedade, porque sofreia a esperança; os princípios supremos da natureza, em favor da superstição; a luz da experiência, em favor da arrogância e do orgulho, evitando parecer se ocupar de coisas vis e efêmeras; paradoxos, por respeito à opinião do vulgo. Enfim, inúmeras são as fórmulas pelas quais o sentimento, quase sempre imperceptivelmente, se insinua e afeta o intelecto. Veja mais aqui e aqui.

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