quarta-feira, janeiro 21, 2015

IANGAÍ, RISÉRIO, PLÁCIDO DOMINGO, ESTEATOPIGIA, CORRUPÇÃO & G GRAÇA CAMPOS




FECAMEPA E OS PRIMÓRDIOS DA CORRUPÇÃO NO BRASIL – Por volta de 1534, registra Nelson Barbalho, no seu Cronologia pernambucana: subsídios para a história do agreste e do sertão, que: [...] Como nas demais cartas donatariais, também, nesta assinada El-Rei se reservara o direito de conservar integra ou de modificar a Capitania de acordo com os interesses do Estado ou da própria colonia, caso sugrisse necessidade disso, fato que torna patente o motivo central de cada doação: deveriam os donatários prover a prosperidade de suas terras, é claro, de modo, contudo, a beneficiar simultaneamente e preferencialmente a Coroa onipoente e onipresente. O fidalgo português Pero Lopes de Souza, 1º donatário da Capitania de Itamaracá, era filho de Lope de Souza, senhor do Prado e alcaide-mor de Bragança. Seu irmão Martin Afonso de Souza, era o donatário da Capitania de São Vicente. Não se conhecia a data de seu desembarque e posse na donataria itamaraquense, mas sabe-se que ele entregaria ou deixaria sua administração aos cuidados de Francisco de Braga, na qualidade de capitão-mor/governador, em nome do 1º donatário, permanecendo Braga no cargo até se ver obrigado a abandoná-lo, em face de algumas diferenças tidas com o donatário de Pernambuco, Duarte Coelho, que o teria mandado desfeitear, aplicando-lhe cutilada no rosto. Não podendo ir ao revide, Francisco Braga, sentindo-se diminuiido no posto e largando-o de mão, embaraçaria para as Índias de Castela, levando em sua companhia tudo quanto fora possível levar e deixando a Capitania de Pero Lopes inteiramente desbaratada, perdida, desgovernada, feito corpo sem cabeça. Ora, ora, ora! Vamos aprumar a coversa e tataritaritatá! Veja mais aqui.

Imagem: Introspecção, da artista plástica G. Graça Campos.

Ouvindo: Aquarela do Brasil, de Ari Barroso, na interpretação do tenor espanhol Plácido Domingo com a King of Opera Performers. Foto: Vinicius Pereira.

 
Imagem: J. Lanzellotti – Estórias e lendas do Norte e Nordeste.

IANGAÍ, Ó LINDA, OLINDAAs malocas dos caetés amanheceram em azáfama. Até as mulheres atendiam ao chamado dos borés. A valente tribo dos nativos brasileiros se preparava para assaltar o acampamento dos brancos, onde Duarte Coelho Pereira, recém-vindo de Portugal com sua esposa d. Brites de Albuquerque e o cunhado Jerônimo de Albuquerque, tomara posse da Capitania de Pernambuco, doada por d. João III, e dera início à povoação. Os fidalgos e amigos, companheiros do donatário, sabem, por informações dos índios tabaiaras que, além dos morros, existe a poderosa nação dos caetés. É o ano de 1535. Tarde de verão. Duarte Coelho e sua gente descobrem, no morro onde está a Sé, o sinal guerreiro, denunciador das hostilidades dos aborígenes. Todos se preparam e esperam. Um pouco mais, e uma saraivada de flechas dá início ao combate A luta se encarniça. Caem em poder dos brancos, como prisioneiros, muitos índios caetés. Há entre eles também mulheres. E no meio delas está Iangai, a bela índia. Embora prisioneira, Iangai com altivez deliciosa zomba dos brancos. Duarte Coelho é atingido por uma flecha. Recolhe-se, com a ferida sangrando. E a batalha prossegue, sem desfalecimentos. Tabira, chefe dos tabajaras, conduz os prisioneiros à presença do donatário. Este, ao ver Iangai, radiosa de revolta e envolvida pelo frescor de sadia juventude, exclama fascinado: - Ó linda! Pede-lhe Tabira, então, consentimento para sacrificar os prisioneiros. Duarte Coelho, porém, exclui Iangai. E a formosa índia, quando partem seus companheiros para o sacrifício, envolve-os com um olhar doloroso de angústia, seus lábios balbuciam qualquer coisa e uma lágrima cristalina ilumina-lhe a face crestada pelo sol dos trópicos. Entre os condenados à morte está Camura, o eleito do seu coração bravio – um guapo rapagão, de olhar penetrante, tez descoberta e músculos fortes e desenvolvidos. Hajissé e Piragibe, valorosos guerreiros tabajaras, desconfiam sempre dos propósitos de Iangai que permanece fiel ao juramento de amor a Camura. Vigiam-na secretamente. Duarte Coelho se desespera ante o desprezo de Iangai, a quem visita escondido de sua esposa.A índia d. Maria do Espírito Santo Arco Verde, tabaiara, que se havia batizado casando com Jerônimo de Albuquerque, um dia conta discretamente a Duarte Coelho que a sua Ólinda, como ele a apelidara, tenciona matá-lo. Ele, entretanto, não acredita. Ama-a e o amor condescende sempre. Desprezado assim por Iangai, Duarte Coelho se consola em citar o seu nome. E o faz com volúpia. Há naquele apelido um mundo de quimeras que ela alimenta. E quando escreve para Portugal, vai datando as suas cartas: Desta Pernambuco, ou desta Olinda da Nova Lusitânia etc. A nobreza de uma homenagem a quem lhe despertara o amor e o desprezo. Um dia, a notícia se avoluma: o último dos caetés desaparecera – Iangai fugira! Saem em sua perseguição. E, após incessante batida, encontram o cadáver da índia envolta em folhas de timbó, abundante nas matas de Palmira, próximas das atuais ruínas. Iangaí se suicidara. Vencido assi, o derradeiro caeté que fora o próprio amor de Duarte Coelho, este incrementa a construção da cidade e lhe dá o nome do seu sonho: Olinda. Diz-se que ainda hoje, quando o sol se põe, viandantes ouvem, pelas imediações das ruínas de Palmira, juntamente com o sibilar modulado das cigarras, o cantar longínquo duma mensagem de saudade. Mas ninguém ainda pôde identificar aquela voz misteriosa de mulher. (Lula Cardoso Aires, A origem do nome Olinda. Revista do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico de Pernambuco, vol. XXXII, nº 151/154, p. 43-45, Recife, 1934). Veja mais aqui

A ESTEATOPIGIA É A ALEGRIA BRASILEIRA – Já tratei aqui e aqui a respeito dos estudos acadêmicos desenvolvidos a partir das esculturas paleolíticas da Vênus de Willendorf e da cobiçada Vênus Hotentote do séc. XVIII, realizados por diversos estudiosos, sobre a bunda e suas dimensões maravilhosas, a exemplo do zoólogo e anatomista francês Henri Marie Ducrotay de Blainville (1777-1850) e do filósofo, anatomista e zoólogo frances Barão Georges Léopold Chrétien Frédéric Dagobert Cuvier (1769-1832), afora o paleontólogo americano Stephen Jay Gould do cientista social e escritor pernambucano Gilberto Freyre e Jean-Luc Hennig que escreveu a sua Breve História das Nádegas, entre outros. O também antropólogo, historiador e poeta Antonio Risério debruçou-se sobre o delicioso tema, tratando: “[...] a bunda é fundamental. Bunda – e não nádegas, que é uma expressão plural. Bunda é conjunto. É o “milagre de ser duas em uma, plenamente”, como dizia Drummond, acrescentando: “A bunda é a bunda, redunda”. E é com ela que o Brasil requebra em todas as suas festas. Nada de nádegas, nada da fresse (“fenda”) dos francesses. A bunda brasileira, formada graças à herança genética africana, é massa carnal rebolante – e não bipartição, fenda ou vazio. E, se temos uma estética da bunda, cânones dessa ondulação corporal sedutora, a bunda também remete a uma estética. E esta – como bem viu Jean-Luc Hennig em sua Breve História das Nádegas – é barroca. Sim: a bunda é barroca. Curva e plenitude. [...] O corpo “violão” de nossas mestiças tropicais não é o corpo quadrado de índias e nórdicas. Mas, além do corpo, existe a visão desse mesmo corpo. O nosso modo de lidar com ele. daí que a nossa alegria, manifestando-se em nosso corpo e sua bunda, seja também inseparável da informalidade brasileira (vide Sérgio Buarque), com o seu horror às normas e às distancias interpessoais [...]”. Veja mais aqui e aqui.




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