sexta-feira, fevereiro 28, 2020

CLARA CAMPOAMOR, CIDA PEDROSA, GEORGE GROSZ, LUZILÁ GONÇALVES & TEJUCUPAPO


TODO DIA É DIA DA MULHER – UMA TABULETA: PASSIONAL CONTROVERTIDA, OU MELHOR, O VIVO QUE SE APAIXONOU PELA MORTA!?! - Caso incrível o de alguém se apaixonar por outra que está condenada à morte, morrendo (ou matando-se) em seguida por pura paixão. Hem? Este é o mote da fabulosa história da bela jovem Charlotte Corday (1768- 1793), aquela mesma que corajosamente planejou e investiu com uma facada contra o peito do pavoroso sanguinário Marat (1743-1793), matando-o quando ele comandava mortes da sua banheira, durante a Revolução Francesa. Como é que é? Isso mesmo. Mas por que ela fez isso? O que a motivou? Caso de amor, crime passional? Paixão recolhida? Nada. Presa e encarcerada, durante o julgamento, ela respondeu com frieza aos seus inquisidores: Meu dever é suficiente - o resto não é nada! Nada, exceto que eu consegui! Eu matei um homem para salvar cem mil. Nenhum inocente será caluniado e comprometido por minha causa. Apenas eu concebi o plano e o executei. Perdoai-me pai, a vergonha está no crime, e não no patíbulo. Ué? Ela foi condenada à guilhotina. E mais: o seu ato mexeu com o coração do revolucionário alemão Adam Lux (1765-1793), que, perdidamente apaixonado, começou um movimento que o levou à leitura do panegírico por ela escrito às vésperas da morte e, por isso mesmo, seguiu voluntariamente o mesmo caminho dela: Morro por Charlotte Corday! E a lâmina afiada também decepou sua cabeça. Eita! Foi. O amor é lindo! Quando não, trágico demais. DUAS TABULETAS: MUDAR DE ASSUNTO, ORA, BUNDA DE FORA! – Ah-rá! Lembrei aquela contada pelo Jaguar sobre um minúsculo bar que mal cabia um grupelho qualquer, não mais que uns 5 gatos pingados e em pé de tão apertado, e, um dia, recepcionou ali a não menos deusa e eterna musa Leila Diniz. Ela, no seu jeito sempre de ser, sacudiu na caixa dos peitos dele: Isso aqui é tão miúdo, chega a gente ficar com a bunda de fora! Hahahaha! O dono do mosqueiro não teve dúvidas: tascou a expressão numa tabuleta para que todo mundo reconhecesse como o nome do botequinho. Deu bronca, os milicos da repressão pegaram pesado e ele teve de dar um jeito. E deu, o nome ficou só: ...de fora. Mas ficou, ora! Hehehehehe. TRÊS TABULETAS: ALIVIANDO NA PANCADA, QUE BELA TAMBÉM SOFRE. E COMO! Voltando ao papo do amor... Na minha vida toda vi todo jeito de desenlace. Uns meio apaziaguados, assim, litigioso com cara de amigável, faz de conta - ah, a quem querem enganar, hem? Outros, nem tanto: é cada rabo de foguete armando o maior barraco. Oxe! É que amantes quando chegam na hora do sai para lá, tem sempre um que não quer. Aí, já viu, né? Sempre é assim. Um dia antes: meu amor para lá, minha vida para cá, biquinhos colados, mãos dadas, tudo tão estreitado de ninguém ser capaz de dizer que aquela união um dia, de uma hora para outra, possa ser apartada, de destroçar vupt! Até acabar assim do nada. Num estalo de dedo. Mas como? Ainda ontem! Pois é, de onde menos se espera, a paixão dá uma entortada no maior envergado que, de tão atrabiliária finda estupefata: cada um com a cara de tacho, remoendo com as bochechas viradas pro lado oposto, dos bicudos nunca mais se entenderem. Aí vem: Salafrário! Vagabunda! Canalha! Quenga! Cagão! Peidona! Danou-se! Isso afora outras empioradas titulaturas odientas e desamadas. Vixe! Muitas! Vôte! O amor tem disso, no final ninguém sai feliz. A melhor de todas foi a da não menos genial musa Pagu: Tenho várias cicatrizes, mas estou viva. Abram a janela. Desabotoem minha blusa. Eu quero respirar. Coisa de quem sucumbiu ao desacerto do que parecia ser um grande amor e sai disfarçando com assobios e lalarilalarás, como se ninguém notasse os cacos ajuntados a se desmontarem na maior dor de cotovelo. Não vale mangar, a próxima vítima pode ser você! Hehehehehe! E vamos aprumar a conversa, gente! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Deixe a mulher se manifestar como é, conhecê-la e julgá-la; respeite seu direito como ser humano; [...] e se o direito constitucional, como norma jurídica dos povos civilizados, todos os dias se aproxima do conceito de liberdade, não nos invoca o princípio aristotélico tardio da desigualdade de seres desiguais [...] Deixe, além disso, a mulher que age em Direito, que será a única maneira de ser educada nele, quaisquer que sejam os obstáculos e as hesitações que, em princípio, ela possuía. [...] Regozijei-me ao pensar que esta Constituição será, pelo seu tempo e pelo seu espírito, a melhor, até agora, daquelas que existem no mundo civilizado, as mais livres, as mais avançadas, e também pensei nela, como no decreto do governo provisório de que, nos quinze dias seguintes, a República fez mais justiça à mulher que fez vinte séculos de monarquia. Eu acho que é o primeiro país latino em que o direito do sufrágio às mulheres será reconhecido, no qual a voz de uma mulher pode ser elevada em uma câmara latina, uma voz modesta como ela, mas que quer nos trazer as auras da verdade, e tenho orgulho da ideia de que é a minha Espanha que levanta essa bandeira da libertação das mulheres [...] E eu digo, legisladores: [...] não deixe que seja outra nação latina que possa colocar à frente de sua Constituição, nos próximos dias, a libertação das mulheres, sua companheira. Trechos do discurso da ativista feminista e política espanhola Clara Campoamor (1888-1972), registrado no Diario das Sesiones de las Cortes Constityyentes de la República Española, sesión celebrada el dia 1 de septiembre de 1931. Ela foi reconhecida pela defesa dos direitos e sufrágio da mulher durante a redação da constituição espanhola de 1931, que buscava garantir a igualdade entre homens e mulheres.

HEROINAS DO TEJUCUPAPO – Tejucupapo é um distrito do município da mata norte pernambucana, protagonista de um episódio ocorrido durante o período holandês, que estava enfraquecido, sitiado e sem comida, tendo já perdido quase todo o domínio das terras pernambucanas. Para eles a solução seria ocupar Tejucupapo, área tradicional de plantio da mandioca e que, à época, valia a pena arriscar em combate. Seria uma tarefa fácil porque, aos domingos, os homens do vilarejo iam ao Recife vender seus produtos. Com o distrito desguarnecido, investiram. Não contavam com o levante feito por quatro mulheres: Maria Camarão, Maria Quitéria, Maria Clara e Joaquina, que não importava se fossem portugueses ou holandeses, queriam pernambuquês. Elas, outras mulheres e os homens que restavam na localidade, escondidos em trincheiras, enfrentaram os holandeses e os venceram. Toda história deste episódio está reunida na publicação Tejucupapo: história, teatro, cinema (Bagaço, 2004), organizado por Cláudio Bezerra, com os textos: Tejucupapo e o registro da insurreição – a história, de Marcílio Brandão; O espetáculo das mulheres guerreiras – o teatro, de Rafael Coelho; Valeu, Tejucupapo! – o cinema, de Marcílio Brandão; A produção de Tejucupapo – um filme sobre mulheres guerreiras, de Amaro Filho.

A POESIA DE CIDA PEDROSA
URBE: hoje na minha boca / não cabem girassóis / cabe um poemapodre / cheiro de mangue capibaribe / um poemaponte / galeria esgoto chuvas de abril / um poemacidade / fumaça ferrugem fuligem / hoje na minha boca / cabe apenas o poema / o poema hóspede da agonia
MILENA: gosto quando milena fala / dos homens / que comeu durante a noite / é a única voz soante / nesta cantina de repartição / onde todos contam: / do filho drogado do preço do pão / do sapato carmim, exposto na vitrine / da rua sicrano de tal do bairro / de casa amarela / onde você pode comprar / e começar a pagar apenas em abril / sem a voz de milena / o café desce amargo
PATRICIA: é especialista em filhos / deveria ser contratada / para reclames de televisão / e os jornais poderiam colher depoimentos / sobre como ensinar uma empregada / a engomar 10 fraldas de uma única vez / teve 3 filhos / jéssica marina e victor júnior / sabe tudo sobre febre e papinhas cocozinhos risinhos / bonequinhas carrinhos palhacinhos sapatinhos joguinhos / roupinhas festinhas de aniversário letrinhas numerozinhos / velocípedes curso de férias esporte queda de bicicletas / matemática português história geografia cidadania / aula de reforço amigos indesejáveis lan house / passeios aos shopping conga de telefone alta / comprimidos de ecstasy / patrícia é especialista em filhos / mas não sabe o que fazer com o piercing que jéssica / pôs nos grandes lábios / o amor de marina por felipa / e a decisão de victor júnior não seguir a carreira do pai / junto à empresa victorvictoria.
CIDA PEDROSA - A poeta e advogada Cida Pedrosa é autora de diversos livros de poesia, tendo atuado profissionalmente em entidade sindicais, comitês e secretarias em defesa dos direitos humanos, dos trabalhadores rurais e meio ambiente. Veja mais aqui, aqui & aqui.

A ARTE DE GEORGE GROSZ
A arte do pintor e ilustrador alemão George Grosz (1893-1959), que foi integrante do movimento Dadá e di grupo Nova Objetividade. Veja mais aqui, aqui & aqui.

TODO DIA É DIA DA MULHER PERNAMBUCANA
A obra da escritora e professora Luzilá Gonçalves Ferreira aqui, aqui & aqui.
A miscigenação de René Ribeiro aqui.
No caroço de juá de José Adalberto Ferreira aqui.
Natanael Lima & Domingo com poesia aqui, aqui, aqui & aqui.
A música de Leandro Vaz aqui.
A arte de Léo Luna aqui.
O município de Barreiros aqui & aqui.
A poesia de Marcos Palmares aqui.
&
OFICINAS ABI
Veja detalhes das oficinas da ABI aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.


MARTIN AMIS, PHYLLIS A. WHITNEY, ROSANA PALAZYAN & PAULA BERINSON

    Ao som dos álbuns Violão Popular Brasileiro Contemporâneo (1985), Camerístico (2007), Original (2002) e Dois Destinos (2016), do vio...