quarta-feira, abril 22, 2015

BACH, KANT, ELIOT, NABOKOV, MENUHIN, CATXERÊ, MAE WEST, SIEFFERT, NATANAEL LIMA, O JACARÉ & A PRINCESA.


O JACARÉ E A PRINCESA – Era uma vez uma moça linda que ambicionava se tornar princesa. Para tanto, ela tinha que domar um jacaré terrível que aterrorizava a população. Ela se dispôs a esse propósito e faz com que uma história de desafios e possibilidades possam realizar sonhos, anseios e desejos. Confira aqui. LEMBRETE: Hoje é dia de reprise do programa Brincarte do Nitolino pras crianças de todas as idades. Horário das reprises: 10hs e 15hs, no projeto MCLAM, com apresentação de Ísis Corrêa Naves. Para conferir online é só clicar aqui ou aqui.

Imagem: Reclining Nude (female back), do pintor francês Paul Sieffert (1874-1957)

Ouvindo Violinkonzerte nº13 - Concertos pour violons Festival Orchestra (EMI, 1990), do compositor alemão Johann Sebastian Bach (1685-1750), com o violinista e maestro estadunidense de origem britânica-suíça Yehudi Menuhin (1916-199)

CATXERÊ, A MULHER ESTRELA (Imagem: ilustração de J. Lanzelotti)Esta é a estória de Catxerê, a mulher estrela, que desceu do céu, dormiu com o índio e ensinou os Craó a plantar e preparar o milho, batata, inhame, mandioca e amendoim. Foi assim: o último rapaz solteiro da tribo dormia sozinho, sobre a sua esteira, no pátio da aldeia. Uma estrela o viu lá de cima, e, condoída, resolveu casar com ele. Para isso, transformou-se num sapo e, pula que pula, trepou no seu peito. O dorminhoco acordou assustado e, com um tapa, atirou-o no chão. Mas o sapo virou formosa mulher e dormiu com o jovem. De manhã, a cunhantã diminuiu de tamanho, ficou assinzinha, e pediu ao noivo que a guardasse no porongo que estava pendurado no fumeiro. Durante o dia, o índio tirou o porongo do lugar, destampou-o e sorriu para a moça que lá estava encerrada. Depois, tampou-o, amarrou a tampa e pendurou-o de novo no fumeiro. Quando saiu para caçar, recomendou que ninguém mexesse naquilo, mas a irmã dele, cheia de curiosidade, abriu-o e descobriu lá dentro a minúscula mulher. Ao voltar, examinou o nó tradicional da sua tribo e compreendeu que alguém havia violado o seu segredo. Zangado, declarou que viveria com Catxerê, como marido e mulher. – Não vou dormir mais no pátio, como os solteiros! A irmã arrumou as suas camas dentro da casa. De noite, ele tirou a moça da cumbuca e Catxerê cresceu, tornando-se alta e bonita. De manhã, foram banhar-se juntos no rio, e ela viu uma árvore grande, cheia de espigas, que os periquitos bicavam. Catxerê ensinou aos Craó como se planta, colhe e prepara o milho, assim como a mandioca, o inhame e o amendoim, que até então não eram conhecidos, pois os indígenas alimentavam-se de pau puba. Mandou o rapaz fazer uma roça. Ensinou-o a derrubar com o facão, a carpir, a plantar. Depois, disse: - Agora, vou ao céu, onde vivem meus parentes, a fim de trazer mudas de batata, inhame, mandioca e amendoim, para plantar na roça. Logo depois voltou; a roça foi plantada e os índios adotaram para sempre as plantas ali cultivadas. Uma noite, porém, quando o rapaz andar a caçar, apareceram em sua casa cinco homens que, sabendo da sua ausência, violentaram a mulher-estrela. Depois, foram dormir. Ela aproveitou o sono e cuspiu na boca de todos eles, um por um, matando-os. Os Craós ligam grande importância a mágica do cuspo. Quando o marido voltou, contou-lhe tudo e subiu para o céu. E nunca mais voltou. (Recolhido de SHULTZ, Harald. Lendas dos índios Craó. Revista do Museu Paulista, Nova Série, Vol. IV, pp. 83-86, São Paulo, 1950). Veja mais aqui.

FUNDAMENTAÇÃO DA METAFÍSICA DOS COSTUMES – A obra Fundamentação da metafísica dos costumes (1785, 70LDA, 2007), do filósofo alemão Immanuel Kant (1724-1804), aborda com profundidade o problema do imperativo moral, irredutível a qualquer outro fundamento anterior, trazendo da primeira parte a transição do conhecimento moral da razão para o conhecimento filosófico. Na segunda parte aborda a transição da filosofia moral popular para a metafísica dos costumes e, na terceira e última seção, transição da metafisica dos costumes para a crítica da razão prática. Da obra destaco o trecho a seguir: [...] O uso especulativo da razão, com respeito à natureza, conduz à absoluta necessidade de qualquer causa suprema do mundo; o uso prático da razão, com respeito à liberdade, conduz também a uma necessidade absoluta, mas somente das leis das ações de um ser racional como tal. Ora, é um princípio essencial de todo o uso da nossa razão levar o seu conhecimento até à  consciência da sua necessidade (pois sem. ela não seria nunca conhecimento da razão). Mas também é uma limitação igualmente essencial da mesma razão não poder ela conhecer a necessidade nem do que existe ou acontece, nem do que deve acontecer, sem pôr uma condição sob a qual isso existe ou acontece ou deve acontecer. Desta sorte, porém, pela constante pesquisa da condição, vai sendo sempre adiada a satisfação da razão. Por isso ela busca sem descanso o incondicional necessário e vê-se forçada a admiti-lo, sem meio algum de o tornar concebível a si mesma; feliz bastante quando pode achar já só o conceito que se compadece com este pressuposto. Não é, pois, nenhum defeito da nossa dedução do princípio supremo da moralidade, mas é sim uma censura que teria de dirigir-se à razão humana em geral, o ela não poder tornar concebível uma lei prática incondicionada (como tem que sê-lo o imperativo categórico) na sua necessidade absoluta; pois não há que censurá-la por que ela o não queira fazer por meio de uma condição, quer dizer por meio de qualquer interesse posto por fundamento, porque então não seria uma lei moral, isto é, uma lei suprema da liberdade. E assim nós não concebemos, na verdade, a necessidade prática incondicionada do imperativo moral, mas concebemos, no entanto, a sua inconcebibilidade, e isto é tudo o que, com justiça, se pode exigir de uma filosofia que aspira a atingir, nos princípios, os limites da razão humana. Veja mais aqui.

LOLITA – O romance Lolita é a obra mais célebre do escritor russo Vladimir Nabokov (1899-1977), contando a história da relação amorosa entre um intelectual de meia idade e uma jovem adolescente. Da obra destaco o seguinte trecho: [...] Se comparecesse a julgamento perante mim próprio, aplicaria a Humbert, pelo menos, trinta e cinco anos de cadeia por violentação e retiraria todas as outras acusações. Mas, mesmo assim, Dolly Schiller sobreviver-me-á, provavelmente, muitos anos. Tomei a decisão seguinte, com todo o impacte e toda a validade de um testamento assinado: desejo que este relato só seja publicado quando Lolita já não viver. Assim, nenhum de nós estará vivo quando o leitor abrir este livro. Mas, enquanto o sangue latejar na minha mão que escreve, tu continuarás a fazer parte da abençoada matéria, tanto como eu, e ainda poderei falar contigo, daqui para o Alasca. Sê fiel ao teu Dick. Não deixes outros tipos tocarem-te. Não fales com desconhecidos. Espero que ames o teu bebé, assim como espero que o teu marido te trate sempre bem, pois de contrário o meu espírito descerá sobre ele como fumo negro, como gigante dementado, e destrui-lo-á nervo por nervo. E não lamentes C. Q. Havia que escolher entre ele e H. H. e desejava que H. H. existisse pelo menos mais uns meses, para que tu vivesses no espírito de futuras gerações. Penso em auroques e anjos, no segredo dos pigmentos duráveis, em proféticos sonetos, no refúgio da arte. E essa é a única imortalidade que tu e eu podemos compartilhar, minha Lolita. Veja mais aqui.

O SIMBOLISMO DO TEATRO – No texto O simbolismo do teatro (Estética teatral, 1980), o poeta, dramaturgo, crítico literário inglês e Prêmio Nobel de 1948, Thomas Stearns Eliot (1888-1965), assinala que: [...] Temos de um lado o drama poético, imitação do grego, imitação do isabelino ou filosófico-moderno. Do outro a comédia de ideias de Shaw a Galsworthy, até a comedia social vulgar. A farsa mais raquítica de Guitry tem no final uma ideia ou comentário mesquinho sobre a vida posto na boca de uma das personagens. Diz-se que o palco pode ser usado para uma multiplicidade de objetivos, e que talvez só um deles esteja unido à arte literária. Um teatro mudo é uma possibilidade (não me refiro ao cinema); o ballet é uma realidade (embora subíntima); a ópera uma instituição; mas quando temos o palco, imitações de vida com fala, o único padrão que podemos permitir é o da obra de arte, tendo como objetivo a mesma intensidade a que aspira a poesia e outras formas de arte. Nesta perspectiva o drama de Shaw é tão híbrido como o de Maeterlink e não precisamos nos admirar por pertencerem á mesma época. Ambas as filosofias são popularizações; no momento em que uma ideia é transformada do seu estado puro para se tornar compreensível a uma inteligência inferior, perdeu o contato com a arte. Só se pode manter pura se for posta simplesmente na forma de verdade geral ou se for transmutada, tal como a atitude de Flaubert para com o pequeno-burguês se transforma na Education Sentimentales: identificou-se de tal forma com a realidade que já não conseguimos dizer qual é a ideia. O essencial não é, evidentemente, que o drama seja escrito em verso, ou que nós possamos expiar o prazer de uma farsa ordinária com a assistência esporádica a uma peça de Eurípedes com a tradução do Prof. Murray à venda na porta do teatro. O essencial é por no palco esta expressão precisa da vida que é ao mesmo tempo um ponto de vista, um mundo – um mundo que a mente do autor sujeitou a um processo completo de significação. Não me parece que qualquer drama que encarne uma filosofia do autor (como Flaust) ou que ilustre uma teoria social (como a de Shaw) possa preencher os requisitos – embora possamos deixar um lugar a Shaw, senão a Goethe. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

POEMA A CÉU ABERTO – O poeta pernambucano Natanael Lima Júnior é autor de diversos livros, editor do blog Domingo com Poesia e membro da Associação de Blogs Literários do Nordeste (ABLNE), bem como de diversas academias literárias, tornando-se um divulgador proeminente e um agitador cultural de relevo para a poesia e o fazer poético. Entre os seus poemas destaco Poema a céu aberto: As noites passam ávidas. / Por vezes, / levianas, desregradas. / Algumas revelam / sombrias angústias / algemadas por paixões dissolventes. / Noutras se revelam / pálidas, tímidas. / Por vezes as desejo / obscenas, insanas, / dominadoras, cruéis. / E quando a noite cessa, / o poema se revela / a céu aberto. Veja mais do poeta aqui e aqui.


LE GENOU DE CLAIRE – O filme francês Le genou de Claire (O joelho de Claire, 1970), dirigido por Éric Rohmer, conta a história de um diplomata de carreira que de férias e às vésperas do seu casamento, recebe a visita de uma ex-namorada, através da qual, conhece uma jovem que possui uma irmã, Claire, que será cobiçada por ele, com a fantasia de acariciar o seu joelho. Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
Todo dia é dia da atriz estadunidense Mae West (1893-1980)


Veja mais sobre:
A vida, a terra, o homem & a bioética, Grande sertão: veredas, de João Guimarães Rosa, A condição humana de Hannah Arendt, A cronologia pernambucana de Nelson Barbalho, Pau-Brasil de Oswald de Andrade, a poesia de Patativa de Assaré, a música de Elomar Figueira de Mello, a pintura de Fernand Khnopff, Shere Crossman & Antonio Cláudio Mass aqui.

E mais:
O sol nasce paratodos aqui.
A lição de casa amanhecer, A lenda da origem do Solimões, a escultura de Lorenzo Quinn, a música de Anne Schneider, a arte de Alice Soares, O lobisomem zonzo & Edla Fonseca aqui.
Brincarte do Nitolino, Hino ao Sol de Akhenaton, O fundador de Nélida Piñon, a música de Kitaro, Manifesto Pau-Brasil de Oswald de Andrade, Medeia de Eurípedes, Belfagor: O arquidiabo de Nicolau Maquiavel, a poesia de Percy Bysse Shelley, O dicionário do Aurélio, o cinema de François Truffaut, a pintura de Otto Lingner & Nina Kozoriz aqui.
Alvoradinha, o curumim caeté, a literatura de Lygia Fagundes Telles, a poesia de Manuel Bandeira, o teatro de Qorpo Santo, Psicologia social: infância, imagem e literatura, a pintura de Fernando Botero, a arte de Marilyn Monroe & Ashley Judd, Jayne Mansfield, a música de Roberto Carlos & O sabor da fonte de todos os gozos aqui.
Se um dia o sonho da vez, Expressões enganadoras de Gilbert Ryle, a poesia de Elizabeth Bishop, Os nascimentos de Eduardo Galeano, a música de Dandara & Paulo Monarco, a pintura de Carla Shwab & Lavinia Fontana, a arte de Rosa Esteves & W. G. Collingwood aqui.
A vida se desvela nos meus olhos fechados, Ensaios filosóficos de John Langshaw Austin, a literatura de Dostoiévski & Georg Eliot, a música de Mísia, a fotografia de Edward Weston, Rico Lins & Krzyzanowski Art, a arte de Top Thumvanit & Stephanie Sarley aqui.
Carta de amor, Espécies naturais de Willard Van Orman Quine, Madre Teresa de Calcutá, a música de Dori Caymmi, a literatura de Alicia Dujovne Ortiz, a arte de Henry Monnier & Tanja Ostojić, a fotografia de João Roberto Riper & Luciah Lopez aqui.
A fome e a laranjeira, Princípios da filosofia do direito de Hegel, O espírito de Romain Rolland, O diário de Frida Kahlo, a música de Bach & Janine Jansen, a fotografia de Sebastião Salgado, a xilogravura de Fernando Saiki, a arte de David Padworny & Tempo de amar de Genésio Cavalcanti aqui.
Papo de Fabos, Escarafunchando Friederich Perls, O castelo de Franz Kafka, a literatura de Machado de Assis, a música do Discantus, a pintura de Renato Guttuso & Luba Lukova, a arte de Carmela Gross & Paulo Ito aqui.
Barulho da miséria, Escritos lógico-linguisticos de Peter Strawson, a literatura de Baronne de Staal & Mary Shelley, a música de Shania Twain, a escultura de Ben Weily, a pintura de Anna Miarczynska, o grafite de Magrão Bz, a arte de Fabio de Brito & a poesia de Livia De La Rosa aqui.
Repente qualquer jeito para ver como é que fica, A servidão humana de Baruch de Espinoza, A tecnologia na arte de Edmond Couchot, A vida antes do homemd e Margaret Atwood, a música de Jackson do Pandeiro, a escultura de Antonio Corradini, a fotografia de Nikolai Endegor, a arte de Victoria Selbach & Leonel Mattos aqui.
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